segunda-feira, agosto 17, 2009

Simples, claro, meridiano

A política é uma palco privilegiado pela exposição pública que lhe é inerente e pelo grau de intervenção na sociedade que permite. Como em todas as actividades, existem bons e maus exemplos.

O que não posso compreender é a mesquinhez reinante e a falta de ideias que assola parte da classe política que tem a possibilidade de governar o nosso país.

Este texto de José Pacheco Pereira no Jamais é disso um exemplo paradigmático.

Discutir soluções, ideias ou caminhos que possam ajudar a corrigir os problemas que da sua cátedra privilegiada costuma apontar não é a escolha de Pacheco Pereira.

Aquele que é aventado como um dos grandes intelectuais portugueses, dá uma pálida imagem de si próprio e faz-nos questionar qual o seu propósito enquanto candidato a deputado.

Pelo texto supra referido, ficamos a saber que o que move Pacheco Pereira não é um qualquer ideal de estado, uma qualquer visão para o país em que ele acredite e que defenda com argumentos racionais ou, até, somente com paixão. Até porque o diagnóstico para Portugal peca por ridiculamente cândido: O problema do país é tão somente Sócrates.

A certo ponto, Pacheco Pereira tem a desfaçatez de perguntar mesmo: “Não gostam de Manuela Ferreira Leite? E depois, gostam mais de Sócrates?“, como se os destinos da Nação dependessem de um corte de cabelo, de uma voz, de um sorriso ou de um traço de personalidade.

Percebemos, assim, que o que move Pacheco Pereira é esse nobre objectivo de afastar o impuro José Sócrates do poder, esse homem elevado à figura do Demo, gritando em nome da "verdade" tudo o que entender necessário - o insulto, a insinuação, a imoralidade, até a inverdade se tal se mostrar como o único caminho para salvar Portugal de Sócrates.

Dia 28 de Setembro de 2009, Sócrates deixa S. Bento. O Psi-20 sobe em flecha, os centros de emprego são inundados de telefonemas de ex-desempregados que arranjaram emprego nessa manhã. O crescimento é uma realidade e supera a média europeia, atirando a palavra convergência para os livros de história de Portugal. Estes livros são devorados pelos nossos estudantes que, espontaneamente, deitaram fora os seus Magalhães num acto de patriotismo e de apreço pela escola perfeita que dia 28 lhes trouxe.

Obrigado Pacheco Pereira. O difícil foi a batalha para retirar esse (nem sei que adjectivo lhe atribuir e nem o Eça – que ora voltei a reler – me consegue ajudar)…bem, o Sócrates. As coisas compuseram-se sozinhas, não foi?

E um sorriso cúmplice de Pacheco Pereira fecha o plano, os créditos finais irrompem pela sala adentro e a cortina desce.

Mas isto não é um filme. E a política não é um jogo em que nos possamos limitar a querer derrubar o adversário.

Ao encetar este ataque, temos de saber quais os próximos passos que iremos tomar e quais os resultados previsíveis que daí resultarão para o objectivo que traçámos. Derrubar o adversário não nos faz ganhar o jogo, não obstante a satisfação imediata que poderá transmitir. Derrubar o adversário ou estar na iminência de o fazer, apenas nos traz mais responsabilidade. Os holofotes quentes sobre nós.

Sem uma estratégia para o país somos um ridículo sonhador que pretende uns minutos de fama ou a obtenção de algo que não se atravessaria normalmente no nosso caminho.

É a isto que Pacheco Pereira se reduziu ao escrever a enormidade que colocou no Jamais.
É a isto que o PSD voluntariamente se reduz, ao mostrar claramente que seu grande desígnio actualmente é derrotar Sócrates. Depois, logo se pensará no que farão.

Learning on the Job não é, decerto, o que Portugal precisa.

Estamos numa altura em que as mais mínimas das razões são também máximas, se nos desviarem a atenção do que é central em Setembro: mudar por mudar, votar em quem nada tem para oferecer, jamais!

1 comentário:

carmo disse...

Muito bom, muito bom mesmo.
Learning on the job é tambéma actividade preferida do nosso querido (quase tanto como o Pacheco Pereira..) Santana.
Votar no Santana, eu? Jamais.
cuvi.