terça-feira, junho 30, 2009

Playboy portuguesa (IV): Rita Mendes.

Estava a ficar descrente, confesso, relativamente à Playboy portuguesa. No entanto, a última edição representa um balão de oxigénio na fé depositada nesta revista. A escolha por Rita Mendes acabou por ser acertada, não só pelos atributos físicos da moça (é bom saber que ainda existem mulheres que não passaram pelo bisturi que são merecedoras da capa de revistas prestigiadas) como pelo seu perfil: vista como rapariga tendencialmente reservada, não tem o ar típico de "fácil" que caracteriza as capas de revistas mais baratas, foi apresentadora de televisão durante alguns anos (ainda me recordo da menina do "Portugal Radical" e do "Templo dos Jogos") e não se vê (de todo) nas lides do exibicionismo e do culto do corpo.
Parabéns à Playboy pela excelente escolha na sua quarta edição e esperamos todos que esta onda seja para continuar. Vejam o ensaio completo, que vai valer a pena: sensual, simples e completa. Assim é Rita Mendes.

Sondagem dá vitória esclarecedora a Rui Rio no Porto

A confirmarem-se estes valores (58%-25%), isto não é uma vitória, é uma verdadeira cabazada!

Da "verdade" à mentira descarada!

Em entrevista publicada na edição de hoje do jornal i, Henrique Granadeiro afirma que "ainda está na memória de toda a gente a venda pelo Estado à PT da rede fixa como forma de conter o défice público nos limites impostos por Bruxelas, sendo Manuela Ferreira Leite ministra das Finanças".

No entanto, a presidente do PSD, Manuela Ferreira Leite, veio contrariar hoje o presidente do conselho de administração da PT, Henrique Granadeiro, dizendo que a venda da rede fixa foi decidida pelo Governo socialista de António Guterres, nos seguintes termos: "Isso não é verdade, pela simples razão de que o negócio da venda da rede fixa estava feito pelo PS quando cheguei ao Ministério das Finanças, a decisão dessa matéria não foi minha, foi do governo socialista, do engenheiro Guterres".

Ora, para quem tem como lema a verdade, isto só pode ser uma brincadeira de mau gosto dado que o negócio em causa - que a Dr.ª Manuela Ferreira Leite afirma ter sido feito e fechado pelo PS - foi aprovado pela Resolução do Conselho de Ministros n.º 147/2002, de 26 de Dezembro.

Mais engraçado ainda é ver que os poderes para outorgar, em nome do Governo, o contrato de compra e venda da rede básica de telecomunicações e da rede de telex foi delegado na Ministra das Finanças da altura...a Dr.ª Manuela Ferreira Leite.

Para além do mais, refira-se que a desafectação da rede básica do domínio público por parte do Estado, que deu origem a este negócio, foi regulada pela Lei n.º 29/2002, de 6 de Dezembro, aprovado por quem? Pelo governo de Durão Barroso.
The plot thickens.
Será que a Dr.ª Ferreira Leite fez parte do Governo de António Guterres enquanto eu estava a fazer uma bucha?

Não. A decisão foi mesmo dela dado que em Outubro de 2002, na Assembleia da República, durante a discussão da proposta de Orçamento do Estado para 2003, num momento em que estava em debate com os deputados socialistas Joel Hasse Ferreira e João Cravinho, Manuela Ferreira Leite disse o seguinte sobre a então possível venda da rede fixa à PT: "Não o faremos sob pressão, repito, não o faremos sob pressão. Se o preço não for compatível com a avaliação, não o venderemos".

Truth is overrated. Right Manuela?

Avião do Iémen despenha-se no Índico

Um avião de uma companhia aérea do Iémen despenhou-se no Índico, perto das Comoros, com 153 pessoas a bordo. Vários factos me despertaram a atenção com este acontecimento. O primeiro dos quais diz respeito a só ter sido encontrado até ao momento um bebé com vida. O segundo está relacionado com a passagem do avião pelo espaço aéreo da Somália em segurança.
Por fim, noto a existência de um possível nexo causal entre franceses, mau tempo e aviões. Começa a ser recorrente a ocorrência de acidentes sempre que cidadãos franceses viajam a bordo de um avião sob condições atmosféricas adversas. O que me vai obrigar a consultar as listas de passageiros dos aviões e as condições atmosféricas da rota a efectuar sempre que quiser viajar para qualquer ponto do globo, nem que seja o percurso Lisboa-Madrid.

segunda-feira, junho 29, 2009

Países que funcionam: EUA

Se há países onde a justiça funciona, um deles é os EUA. Concorde-se ou não com pena de morte, prisão perpétua e outros afins, por menos ressarcidas que as vítimas e respectivas famílias sejam, saem sempre de uma leitura de sentença com a sensação de justiça.
Ao contrário de maus exemplos, como o português, onde se pensa primeiro na reabilitação do condenado e só depois em quem foi lesado, nos EUA a justiça só é possível porque são uma sociedade onde a prioridade é dada à defesa dos direitos dos lesados, ainda que isso implique que continuem tesos e a comer o pão que o diabo amassou, mas com a sensação de alívio e de justiça.
Já agora, proponho um género de regime das obrigações solidárias a todos os chicos-espertos que andam por aí a roubar milhões ao povo. Dada a impossibilidade de Madoff em cumprir 150 anos na cadeira, uma óptima solução seria repartir a sua pena com João Rendeiro, por exemplo, e Oliveira e Costa: 50 anos de pena para cada um, para que 10 milhões de portugueses também possam respirar de alívio e sentir que é feita justiça, ao contrário da pena suspensa que alguns destes energúmenos vão apanhar nesta provinciazeca da União Europeia.

domingo, junho 28, 2009

Duas Caras?

Não, este post não é sobre a novela da SIC nem tampouco sobre mudanças no tom de voz.

Este post é sobre a hipocrisia política de quem diz defender a verdade e somente a verdade.

Manuela Ferreira Leite disse em entrevista à revista Sábado que se em 2005 tivesse aparecido o nome de Pedro Santana Lopes no boletim de voto, não teria votado no PSD.

Que saibamos Santana Lopes não fez entretanto nenhum curso de reciclagem política, corrigiu vícios, incrementou qualidades ou alterou o que quer que seja para que a visão da Dr.ª Manuela Ferreira Leite se altere em relação ao anterior primeiro-ministro de Portugal.

A Dr.ª Manuela Ferreira Leite, verdadeira e coerente como é, não mudará concerteza esta ideia e não convidará Santana Lopes para qualquer cargo no seu seio político.

Para além do mais, Santana Lopes em 2008 afirmou sem pruridos que a política de Manuela Ferreira Leite castiga, desmoraliza e deprime o país, para além de ter afirmado que esta teria violado os estatutos do PSD.

Santana Lopes, mais volátil que Ferreira Leite, talvez até admita voltar a reatar um projecto político em comum mas Ferreira Leite irá manter-se coerente com os seus princípios inabaláveis.

Estarei a ver bem? Ferreira Leite escolhe Santana Lopes para ganhar a luta por Lisboa! Incrível esta inflexão. A Dr.ª Ferreira Leite fê-lo pelo bem do partido, só assim admito tal contradição. Estou seguro que as manifestações públicas limitar-se-ão ao respeito e ao respeito institucional. Só assim se poderá falar verdade e ser coerente com os seus princípios…e a Dr.ª Ferreira Leite é vertical as it gets!

Certo? Errado.

Esta semana, Ferreira Leite apareceu não a elogiar Santana Lopes, ou a ajudar na campanha para Lisboa apoiando ideias, projectos, mas sim a homenagear Pedro Santana Lopes e a afirmar que é “um exemplo para todos os elementos do partido”.

Verdade, verdadinha. Eu também não queria acreditar…

Two-Faced Manuela

Jogo de júniores acaba em batalha campal

O jogo do título do campeonato nacional de júniores em futebol, entre Sporting e Benfica, teve que ser adiado por se ter iniciado uma verdadeira batalha campal entre adeptos e claques das duas equipas.
Quando um jogo se realiza com a presença de mais de 2.000 pessoas, das quais cerca de 500 são rivais, com 60 agentes a garantir a segurança de todos num descampado repleto de pedras e bancadas de madeira, o resultado ter sido a interrupção do jogo com apenas dois feridos ligeiros já é uma sorte!

José Sócrates anuncia a criação de 5 mil estágios profissionais por ano

Sr. Engenheiro, estágios profissionais não são postos de trabalho, pelo que a meta dos 150.000 continua longe do seu cumprimento.
Já agora, estes cinco mil estágios profissionais na função pública terão regime idêntico aos anteriores Estágios Profissionais na Administração Pública (EPAP) que ao fim de um ano criaram mais de 3.000 desempregados ainda que muitos tivessem qualidade, de acordo com os seus superiores hierárquicos, para permanecer nos respectivos cargos em regime definitivo? Se sim, então o país prepara-se para ter 5.000 novos desempregados por ano. Parabéns, Sr. Engenheiro.

sábado, junho 27, 2009

O País agradece

Na sequência da marcação das eleições autárquicas para 11 de Outubro por parte do Governo, Cavaco Silva anunciou hoje a realização das legislativas para o próximo dia 27 de Setembro, em face da posição da maioria dos partidos com assento parlamentar.

Nestas últimas semanas muita tinta correu sobre qual a opção mais sensata e mais adequada face ao fim aqui em causa, sendo que do lado dos defensores da simultaneidade das eleições, os grandes argumentos eram a poupança na despesa associada ao acto eleitoral e, bem assim, a potencial diminuição da abstenção por se “obrigar” as pessoas a irem votar apenas uma vez – uma espécie de jelly-já ou eleições cup a soup.

Ora, quanto ao primeiro argumento e salvo o devido respeito, ver um partido como o PSD defender que se deve cumular ambas as eleições por forma a poupar 4 milhões de euros deixa-me intrigado.

Porventura, não terá sido este o mesmo PSD que gastou quase o mesmo montante na campanha para as eleições europeias que todos os restantes partidos juntos? E, tendo em conta que os dinheiros públicos são a grande fonte de financiamento das campanhas partidárias, não foi este o mesmo PSD que votou favoravelmente e sem reservas – contrariamente ao que Rangel afirmou – uma lei que permitir aumentar exponencialmente o financiamento dos partidos políticos e, consequentemente, o dinheiro público gast0 nas campanhas eleitorais?
Assim, é fácil perceber que esta súbita defesa da poupança de custos reflecte tão somente um apurado tacticismo político ao bom velho estilo vale tudo para chegar ao poder.

Já quanto ao segundo argumento, parece-me que o problema é mais profundo do que possa parecer inicialmente. Assumir que é uma maçada para a população ir votar e, portanto, defender que devemos cumular o máximo de eleições possíveis num só dia (as que mais se adequarem aos nossos interesses, claro) indicia uma infidelidade às fundações da democracia participativa e um desrespeito claro pela individualidade de cada eleição, com realidades e dimensões diversas mas todas com um grau de importância e necessidade para o funcionamento do sistema que não pode ser descurado.

O papel reservado a um político que pretenda governar um qualquer país é a de não alienar os seus destinatários e de não se resignar perante dinâmicas de desinteresse da sociedade. É nestas alturas que um político de eleição deverá encetar todas as medidas possíveis, bem como repensar a qualidade e elevação das suas intervenções públicas, para reaproximar o eleitorado da necessidade de intervirem no sistema democrática que os serve.

Proteger e estimular o desinteresse dos eleitores é algo que cai mal a um partido que afirma deter uma alternativa para Portugal e, acima de tudo, afirma deter a verdade.

A democracia foi hoje afirmada face aos interesses partidários. O país agradece.

Marcadas as eleições

Lá se fez a vontade aos despesistas que entendem que mais 4 milhões de euros em eleições não afectam a despesa pública numa altura em que é aconselhada, mais do que nunca, a contenção.
Cavaco Silva, inicialmente favorável à solução do "2 em 1", não teve outra hipótese senão mostrar bom senso e imparcialidade respeitando a vontade de 4 dos 5 partidos com assento parlamentar e marcar as Legislativas para 27 de Setembro.
Apesar desta solução já ser esperada assim que os partidos se pronunciaram, não se admirem se os níveis de abstenção continuarem em alta: os portugueses já se identificam pouco com o sistema político nacional, então quando os chateiam para votar várias vezes ao ano sem que surja uma luz ao fundo do túnel que permita vislumbrar a mudança...

sexta-feira, junho 26, 2009

Michael Jackson - III

Já deram conta que graças à morte de Michael Jackson não se fala de Cristiano Ronaldo há cerca de 24 horas? É um novo recorde e o madeirense vai poder ter finalmente alguma privacidade até ao final do cortejo fúnebre do artista ou até que os órgãos de comunicação passem até à exaustão todos os documentários sobre a sua vida...

Michael Jackson - II

Isto dos louvores póstumos fazem-me espécie. Nos últimos 15 anos o mundo viu, recordou, criticou, martirizou e torturou o Michael Jackson branco, alegadamente pedófilo, que surgiu em meados dos anos 90.
Assim que soou o gong da morte do artista o público ainda tentou trazer à vida o até então imortal artista negro da década de 80... mas já veio tarde. Deviam ter-se lembrado dos elogios, das homenagens e das celebrações mais cedo. Por mais polémicas em que estivesse envolvido, era do Michael Jackson artista que todos gostavam.

Michael Jackson - I

Hoje temos artigos (de qualidade duvidosa) sobre Michael Jackson para todos os gostos. Escolham o vosso preferido.
Para começar, gostava muito de Michael Jackson e achava-o um artista brilhante, mas, sinceramente, ouvir músicas do artista até à exaustão parece ser martirizante. A habilidade que os órgãos de comunicação têm para esgotar a paciência do público é tremenda. Alguns canais de televisão lançaram os videoclips do malogrado artista e colocaram o modo "loop". Em escassas horas qualquer um fica a dominar o reportório de Michael Jackson e até consegue fazer o célebre "moonwalk".

quinta-feira, junho 25, 2009

Michael Jackson: fim da linha para o eterno Rei da Pop...

1958-2009

Ainda cheguei a pensar que tudo se tratava de uma jogada de marketing a menos de um mês do início da série interminável de concertos. Mas afinal não. Morreu o mito, morreu o artista, fica a obra. As música eternas, a dança revolucionária, as coreografias perfeitas, os videoclips inesquecíveis e milionários... tudo nele era lendário.
Teve uma vida estranha e envolta em polémica e ele próprio era estranho e controverso. Tinha tudo e podia ter tido ainda mais. Foi Rei e podia ter ido mais longe.
Marcou a minha infância e a minha adolescência por toda a sua originalidade, criatividade e irreverência. Jamais sairá da minha memória o mito que foi um dos meus primeiros ídolos por todas as características que reunia.

Obrigado, Michael, e até sempre!

À flor da pele...

"- Mamã, no colégio há um menino que me chama maricas!
- E tu bateste-lhe?
- Não, ele é tão giro..."

Li hoje que um jogador do Cruzeiro de Belo Horizonte pegou-se com um argentino do Grémio de Porto Alegre porque este alegadamente o terá chamado "macaco" no meio da confusão. Este jogador não é caso único, mas parece que a sociedade anda muito sensível ao que se diz. As pessoas magoam-se e amuam com extrema facilidade. E o pior é que quanto mais amuam e se ofendem, mais os outros provocam.
Quando era criança e adolescente, era prática comum os pequenos trocarem "elogios" como gordo, balofo, baleia, preto, macaco, gorila, leite, lixívia, lingrinhas, trinca-espinhas, pernas-de-alicate, urso, parvo, entre outros. Eu próprio confesso que nas escolas onde andei sempre convivi com diversas etnias e mesmo chamando-nos uns aos outros este tipo de nomes, nada nos impediu de manter uma amizade que hoje não continua por termos seguido caminhos diferentes, mas que nos permite dar um forte e caloroso abraço se nos cruzarmos na rua. Cada um utilizava os nomes que tinha à mão para provocar, sempre a pegar nos pontos fracos do outro. Os miúdos por norma não se ofendiam, e aquilo passava, mas quando tal sucedia, ripostavam.
Hoje, algumas destas trocas de palavras são consideradas "bullying" e afectam psicologicamente o futuro de muitas das "vítimas". Vivemos ainda numa era em que nada se pode dizer e, como disse de início, quanto mais se ofendem com quase nada, mais as pessoas tendem a provocar. Um jogador loiro que me chamasse "macaco" na eventualidade de eu ser de etnia africana, certamente ouviria logo qualquer coisa como "barbie" e a coisa ficava por ali. Mas hoje existe uma tendência para a vitimização e com tanta sensibilidade parece que as pessoas andam à procura de uma oportunidade para dar dimensão a algo perfeitamente banal até mesmo entre as crianças.
A atitude do atleta creio ser normal tendo em conta o calor do jogo e, por vezes, voltarmos ao tempo em que eramos crianças pode ajudar a resolver problemas onde não os há, pois não acredito que Maxi Lopez seja racista ou xenófobo como por aí apregoam, caso contrário não jogaria numa equipa toda ela repleta de negros. O que pretende o jogador a quem terão chamado "macaco"? Mostrar que se chamarem "preto" e "macaco" vão ofender-se muito e permitir que muitos outros utilizem estes nomes no intuito de provocar reacções deste género? Tão sensíveis que as pessoas andam que chegam a perder a racionalidade...

Terei ouvido bem? Parte II

Após apelidar o Professor Jorge Miranda de anti-democrático, a Dr.ª Manuela Ferreira Leite afirmou que "o PSD tem estado sempre numa posição construtiva para a resolução deste problema [da eleição do Provedor de Justiça] " e vai manter-se "nessa posição".

A Dr.ª Manuela Ferreira Leite presta mais um péssimo serviço à democracia portuguesa ao declarar que vai persistir em usar a eleição do Provedor de Justiça como arma de arremesso político, evidenciando toda a sua recém-renascida arrogância ao afastar um dos melhores nomes alguma vez avançados para este importante cargo público.

É esta a política de verdade e de seriedade que a Dr.ª Manuela Ferreira Leite defende para Portugal? Os meus arrepios continuam...



quarta-feira, junho 24, 2009

Terei ouvido bem?

Ou a Dr.ª Manuela Ferreira Leite acabou de afirmar que a crise financeira internacional não passa de um "abalozinho" na nossa economia?



Não sei se vos acontecesse o mesmo mas fico todo arrepiado quando esta senhora fala "verdade" aos meus ouvidos...

João Tiago Silveira é o novo porta-voz do PS

Fui aluno de João Tiago Silveira e posso dizer que foi um dos melhores assistentes que tive na Faculdade de Direito de Lisboa. Dominava a cadeira que leccionava, Direito Administrativo, tinha tempo e disponibilidade para os alunos e mantinha uma relação bastante saudável com os mesmos.
Quando soube que João Tiago Silveira fora nomeado Secretário de Estado da Justiça fiquei contente e confiante por saber que Portugal teria ao seu dispor um profissional de elevada competência independentemente de concordar ou não as ideias do seu partido.
João Tiago Silveira é, desde há escassos dias, porta-voz do PS e apesar de o admirar enquanto profissional que é, tenho desde já dois pequenos reparos a fazer: falta-lhe garra e convicção nas suas declarações e o uso de eternos chavões que outrora caíam bem junto do eleitorado mas que agora se encontram ultrapassados, dispensam-se.

A história mal contada de Neda Agha Soltani

O novo rosto da revolta no Irão, Neda Agha Soltani, tem uma história de martirização involuntária que parece um pouco forçada pela actual conjuntura iraniana e parece ter alguns pormenores que só mesmo quem se opõe ao regime de Ahmadinejad é capaz de focar.
De acordo com a mensagem pregada pelo Ocidente, por quadrantes anti-Ahmadinejad e reforçada pelo seu namorado, Neda estava numa fila de trânsito e decidiu sair do carro para apanhar ar quando uma bala alegadamente disparada pela milícia Basij (pró-regime) lhe tirou a vida.
Algumas dúvidas me assistem no meio desta história. Para começar, se quem estava no carro eram Neda e o seu professor de música, como é que o seu namorado presta testemunho dos acontecimentos?
De acordo com as palavras do namorado, Neda Soltani era presença habitual em manifestações anti-regime e tinha intenções de continuar o seu activismo. No entanto, no dia em que morreu estava pacificamente dentro de um carro e decidiu sair do veículo para apanhar ar quando uma bala disparada pela milícia Basij a atingiu. Ora, no meio de uma manifestação, uma activista deste calibre está dentro de um carro e decide pacificamente apanhar ar?
Por último, tendo em consideração o modo de actuação tendencialmente discreto desta milícia como é que se pode ter a certeza que o tiro foi disparado por um dos seus elementos e não por manifestantes ainda que involuntariamente?
Permitam-me uma última questão: terá mesmo existido fraude no Irão, ou algumas irregularidades incapazes de alterar os resultados finais as quais estão a ser aproveitadas por países críticos do regime iraniano?

terça-feira, junho 23, 2009