sábado, novembro 18, 2006

Barituna

Já foram aqui feitas críticas às meninas da Barituna. Nomeadamente foram acusadas de Playback. Não foi a expressão mais feliz, dado que o que se pretendia dizer é que não cantavam, apenas mexiam a boca, porque não se ouvia a sua voz. Eram assim as actuações delas até há uns tempos: ouviam-se os instrumentos, mas não as vozes.
No seguimento da crítica que lhes foi feita, fui convidado a assistir ao espectáculo que organizaram no dia 4 de Novembro e no qual elas actuaram. Infelizmente não pude comparecer, mas segundo consta a história está diferente. Cantam em alto e bom som, tocam também em alto e bom som e a actuação delas agora é bastante interessante. Fui ainda informado que me dedicaram a sua actuação nesse dia. Desde já o meu muito obrigado e fico agora curioso para assistir ao vivo à sua próxima actuação, porque quero assistir a um espectáculo da Barituna como nunca assisti em 5 anos de Faculdade: como deve ser e interessante.
Como tal, vou fazer questão de assistir a um próximo espectáculo delas, e desejo-lhes boa sorte no seu futuro enquanto Tuna e que continuem a melhorar como toda a gente confirma que estão.

sexta-feira, novembro 17, 2006

D. Manuel I



D. Manuel I foi o 14.º Rei de Portugal. Reinou de 1495 a 1521 e foi cognominado de "O Venturoso" pelo facto do seu governo ter sido esplendoroso e rico. Nesta época Portugal era a primeira potência naval e comercial da Europa. O acidente que vitimou o herdeiro do trono (D. Afonso) conduziu a que fosse aclamado rei em Alcácer do Sal (27 de Outubro de 1495). Como político, teve sempre em conta o interesse nacional. Recebeu o governo exactamente no momento em que a Nação se preparava para alcançar a mais elevada projecção. Os vinte e seis anos do seu reinado conheceram grande actividade nos domínios da política interna, da política ultramarina e da política externa.
O poder que viera parar às suas mãos era forte, centralizado e o seu governo tendeu abertamente para o absolutismo. Com efeito reuniu cortes logo quando subiu ao trono, em Montemor-o-Novo e só mais três vezes, em 1498, 1499 e 1502, e sempre em Lisboa, o que é significativo. Nas cortes de Montemor-o-Novo, toma medidas no sentido duma centralização mais profunda de toda a administração pública: mandou confirmar todos os privilégios, liberdades e cartas de mercê, pelos principais letrados do reino que elegeu, reforma os tribunais superiores e toma uma política de tolerância em relação aos nobres emigrados por razões políticas e judeus castelhanos que D. João II reduzira à escravatura. Pelo decreto de 1496 obriga todos os judeus que não se quisessem baptizar a abandonar o país no prazo de dez meses, sob pena de confisco e morte. Pela lei de 4 de Maio de 1497, proibiu que se indagasse das crenças dos novos convertidos e, por alvará de 1499, dificulta a saída do reino aos conversos. O objectivo era agradar aos Reis Católicos e ao mesmo tempo, evitar que os judeus continuassem a ser um todo independente dentro do reino. Pelas Ordenações Afonsinas, deixa de reconhecer individualidade jurídica aos Judeus; faz a reforma dos forais, com o fito económico de actualizar os encargos tributários e para eliminar a vida local; em 1502 saiu o regimento dos oficiais das cidades, vilas e lugares (Livro dos Ofícios); em 1509 o das Casas da Índia e Mina e em 1512 saiu o novo regimento de sisas. Por outro lado com D. Manuel inaugura-se o Estado burocrático e mercantilista, mandando cunhar índios, o português ou escudo de prata.
D. Manuel herdou o impulso dos Descobrimentos. Partiu para a Índia (8‑7‑1497) a armada de Vasco da Gama, que chegou a Calecut em 20‑5‑1498. Em 1500 uma armada comandada por Pedro Álvares Cabral, com o objectivo da Índia, rumou intencionalmente (opinião actual) para sudoeste, atingindo terras de Vera Cruz. D. Francisco de Almeida é nomeado vice-rei da Índia, com o plano de manter o monopólio da navegação e do comércio para Portugal, tendo em terra pontos de apoio, para a carga da pimenta e reparação dos barcos. Lançou as bases do futuro "Império", que será obra de Afonso de Albuquerque. Apesar do comércio da pimenta a administração vivia em pleno deficit (dinheiro gasto superfluamente ou em compra de produtos manufacturados e alimentares). Afonso de Albuquerque cria novas fontes de receita, pela conquista de territórios da Índia que pagavam impostos.
D. Manuel soube, em matéria de política externa, usar de grande habilidade e diplomacia. No aspecto cultural, reconheceu o atraso do ensino universitário, mandando promover a reforma da universidade, estabelecendo entre 1500 e 1504 novos planos de estudo e uma nova administração escolar.
Com ele surgiram as Ordenações Manuelinas, que foi a codificação promulgada por D. Manuel I, com o objectivo de substituir as Ordenações Afonsinas. Para explicar esta decisão do Rei apontam-se dois motivos fundamentais: a descoberta da imprensa e a necessidade de correcção e actualização das normas, assim como a modernização do estilo afonsino. Além disso, talvez o monarca tivesse querido acescentar às glórias do seu reinado uma obra legislativa. Em 1514 faz-se a primeira edição completa dos cinco livros das Ordenações Manuelinas. A versão definitiva foi publicada em 1521. Para evitar confusões, a carta régia de 1521 impôs que todos os possuidores de exemplares das ordenações de 1514 as destruíssem no prazo de três meses, ao mesmo tempo que determinou aos concelhos a aquisição de nova edição.
Realizou três casamentos, o primeiro em 1497 com D. Isabel (viúva de D. Afonso), o segundo em 1500 com a infanta D. Maria de Castela e o terceiro em 1518, com D. Leonor, irmã de Carlos V. Do 1º casamento teve 1 filho, que faleceu com menos de 2 anos de idade. Do 2º casamento teve 9 filhos, dos quais saiu o Cardeal Infante D. Henrique que lhe sucedeu na coroa. Do 3º casamento teve 3 filhos.

D. João II




Foi o 13.º Rei e foi cognominado de "O Príncipe Perfeito" por ter sido um Rei que conduziu o seu reino com tanta arte e engenho. Subiu ao trono em 1481, sendo certo que exercia já há alguns anos o poder de facto. Com efeito, as frequentes ausências do reino, por parte de D. Afonso V, põem-lhe nas mãos o governo do país. Governou até 1495.
Desde 1474 que dirigia a política atlântica, devendo-se à sua visão de governante, apesar de não ter ainda vinte anos, a instituição do mare clausum, princípio que estabelecia que o domínio dos mares estava ligado ao seu descobrimento. Na linha dessa política surge o tratado de Toledo de 1480, em que D. João II aceitando a partilha das terras do Atlântico pelo paralelo das Canárias, afasta a concorrência da Espanha em África e protege a mais tarde chamada rota do Cabo. Durante o seu reinado toda a costa ocidental da África foi navegada, dobrou-se o Cabo da Boa Esperança e preparou-se por terra com as viagens de Pêro da Covilhã e Afonso de Paiva, a viagem de Vasco da Gama à índia, a que o monarca já não assistiria. Em 1494, assina-se o tratado de Tordesilhas, dividindo-se a terra em duas zonas de influência, a atribuir a Portugal e à Espanha. Dentro da zona de influência portuguesa ficava o Brasil, o que permite supor que o monarca tinha conhecimento da existência dessas terras.
No plano interno, a acção de João II orientou-se no sentido da centralização e fortalecimento do poder real, tendo reprimido duramente as conjuras dos nobres e abatido o poder das grandes casas do reino. De 1481 a 1485, são mortos ou presos D. Fernando, duque de Bragança, D. Diogo, duque de Viseu, D. Gutierres Coutinho, D. Pedro de Ataíde, Isaac Abravanel, D. Afonso, conde de Faro, D. Fernão da Silveira, Diogo Lourenço, Afonso Vaz, D. Álvaro, filho do duque de Bragança, Aires Pinto, bacharel João Afonso e José Abravanel. Tinha em grande conta a opinião dos povos, mas o seu conceito da autoridade real leva-o a só reunir cortes quatro vezes, durante o seu reinado. Quanto às relações externas, a sua actividade foi no sentido de criar laços de concórdia com os vários reinos, talvez com o intuito de se libertar de problemas que pusessem em dificuldades a política de expansão ultramarina. Alimentou o sonho de uma futura "monarquia ibérica", tendo conseguido contratar o casamento de seu filho D. Afonso com a primogénita dos Reis Católicos. A morte do infante veio, no entanto, deitar por terra estes planos. Manteve uma actividade diplomática intensa com vários países europeus, sendo de destacar a embaixada de Vasco de Lucena, enviada a Roma em 1485.
A última fase do reinado de D. João II está marcada pelo problema da sucessão do trono. Com a morte do infante D. Afonso, procura o rei habilitar ao trono o bastardo D. Jorge. No seu testamento, todavia, nomeia seu sucessor D. Manuel, irmão da rainha. Morre no Algarve em 1495, aceitando alguns historiadores a hipótese de ter sido envenenado.
Casou com a sua prima, D. Leonor e tiveram 1 filho que faleceu com 16 anos. Teve ainda o tal filho bastardo, D. Jorge, filho de D. Ana de Mendonça. Poderíamos ter tido um D. Jorge I. Seguiu-se um D. Manuel I.

quinta-feira, novembro 16, 2006

D. Nuno Álvares Pereira



Nuno Álvares Pereira morreu no Convento do Carmo a 5 de Janeiro de 1443. É um dos mais conhecidos cavaleiros da história de Portugal.Aos 13 anos entrou para a corte do rei D. Fernando, e foi escolhido para escudeiro da rainha D. Leonor Teles. Aprendeu com um tio tudo sobre armas e guerras e cedo foi armado cavaleiro. Aos 16 anos casou com D. Leonor de Alvim, um casamento de conveniência.Com a morte de D. Fernando, Portugal entrou numa crise política, que envolveu vários grupos sociais e que resultou na tomada de poder de uma nova família real. D. Fernando tinha uma única filha, D. Beatriz, que aos 12 anos casara com o rei de Castela, pondo fim a uma série de guerras em que D. Fernando se tinha envolvido, guerras que tinha agravado os problemas do país e provocando o descontentamento popular: gastou-se muito dinheiro, morreram muitos homens, a falta de mão-de-obra agravou-se e os produtos alimentares subiram de preço. Com a morte de D. Fernando deveria ter subido ao trono D. Beatriz, mas o povo recusou-se a aceitar uma rainha mulher de um rei estrangeiro, que poderia dar origem à união dos dois países e em consequência à perda de independência de Portugal.O descontentamento com a regência de Leonor Teles levou a que fosse planeada a morte do Conde de Ourém, que detinha grande influência sobre a viúva. D. João, o Mestre de Avis, filho ilegítimo de D. Pedro I, meio irmão de D. Fernando, ficou encarregue de cometer o assassinato. Tudo correu como planeado e o povo de Lisboa pediu a D. João que aceitasse ser o "Regedor e Defensor do Reino", portanto passoua dirigir a luta contra D. Beatriz e o rei de Castela. D. João de Castela, aproveitando-se da situação, avançou com os seus exércitos sobre Santarém, retirou a regência a D. Leonor Teles, intitulou-se "Rei de Portugal", e dirigiu-se a Lisboa, cercando a cidade. Muitos burgueses, até aí sem hesitantes, aderiram à causa do Mestre de Avis, ao contrário do clero e da nobreza. Um dos nobres que se aliou ao Mestre foi D. Nuno Álvares Pereira.Em Março de 1385 foram convocadas Cortes em Coimbra e o Mestre de Avis foi aclamado rei de Portugal, nomeando Nuno Alvares Pereira Condestável do Reino, já que entre 83 e 85 este tinha levado o exército português a alcançar várias vitórias.Os castelhanos invadiram novamente Portugal. Em Agosto de 1385 deu-se a batalha de Aljubarrota, decisiva no processo da independência de Portugal. Usando a táctica do quadrado, inspirado em Alexandre Magno, Rei da Macedónia, que Álvares Pereira tinha descoberto na leitura de um livro, e aproveitando o facto de os inimigos estarem de frente para o sol, as tropas portuguesas, que contava apenas com 6 mil soldados contra 30 mil castelhanos, chefiadas pelo rei D. João I, Mestre de Avis, e por D. Nuno Álvares Pereira, saíram vitoriosas e puseram o exército inimigo em fuga.Para assinalar o acontecimento, D. João I mandou construir o mosteiro de Santa Maria da Vitória, conhecido por mosteiro da Batalha, no local onde se travou a batalha de Aljubarrota. D. Nuno Álvares Pereira participou ainda na conquista de Ceuta, em 1415. Durante a sua vida nunca perdeu uma batalha. Depois de ficar viúvo entrou para o Mosteiro do Carmo, por ele fundado, mudando o nome para frade Nuno de Santa Maria. Depois da sua morte, o povo passou a chamá-lo Santo Condestável. Uma das filhas de Nuno Álvares Pereira, Beatriz Pereira Alvim, casou com D. Afonso, um dos filhos do Mestre de Aviz, dando início à Casa de Bragança, uma família que reinou em Portugal e da qual é descendente D. Duarte de Bragança.Nuno Alvares Pereira foi beatificado a 23 de Janeiro de 1918 pelo Papa Bento XV.

Infante D. Henrique



Filho de D. João I e de D. Filipa de Lencastre, o Infante D. Henrique terá nascido na cidade do Porto, em 1394. Com os irmãos, formou uma das mais esclarecidas proles da história portuguesa, celebrada na literatura romântica com o epíteto de Ínclita Geração. A aura de que gozou até ao século XIX como principal obreiro do impulso decisivo dado às navegações atlânticas, e que teve em torno da questão da sua vera efígie, supostamente incluída nos Painéis de São Vicente, um dos seus pontos culminantes, tem vindo no entanto a ser reavaliada.
A primeira grande empresa do infante foi a participação na conquista de Ceuta, em 1415, onde foi armado cavaleiro. Feito duque de Viseu nesse mesmo ano, a casa senhorial de D. Henrique tornou-se, em poucos anos, uma das mais significativas da sua época, consolidada, em 1418, com a administração da Ordem de Cristo. Foi um inegável desafogo económico que levou o infante a organizar uma armada de corso, primeiro, e, mais tarde, a exploração do Atlântico: de facto, navios ao seu serviço chegaram pela primeira vez à Madeira (1419), aos Açores (1427) e às costas norte-africanas, dobrando, em 1434, o Cabo Bojador, e vencendo deste modo os medos ancestrais relacionados com aquelas paragens longínquas. Após um breve período de interregno, marcado pela funesta expedição a Tânger, onde perdeu a vida seu irmão, o infante D. Fernando, as viagens de exploração retomaram, em 1441, o seu ritmo inicial, atingindo-se a Guiné e o arquipélago de Cabo Verde.
Animado certamente por um espírito militante e voluntarioso de missionação, o infante D. Henrique buscava também o alargamento dos seus proventos e de novos mercados, uma estratégia que tanto agradava à pequena nobreza senhorial como à burguesia emergente. Os seus interesses científicos, muito discutidos, não foram meramente instrumentais, tendo mesmo patrocinado a introdução de uma cátedra de Astronomia na Universidade de Lisboa e diversa produção cartográfica de apoio às navegações, embora não com o espírito sistemático que lhe atribuiu a tradição. Em Sagres, onde se recolhia regularmente e onde foi escrito o seu derradeiro testamento veio a morrer a 13 de Novembro de 1460.

D. João I



A 2ª Dinastia é a chamada Dinastia de Avis ou Joanina, porque se iniciou com D. João, Mestre de Avis. Governou de 1385 a 1433 e foi cognominado de "O de Boa Memória" por ter deixado uma boa recordação entre os portugueses. Filho bastardo de D. Pedro I e de uma dama galega. O mestrado da Ordem de Avis foi-lhe destinado desde a sua infância e é nesse sentido que decorre a sua educação, a cargo do comendador-mor da Ordem.
Em 1383, já na situação de um dos mais ricos senhores de Portugal, jura, com muitas outras figuras importantes do reino, cumprir cláusulas do contrato de matrimónio da infanta D. Beatriz com D. João I de Castela. Nesse mesmo ano, é um dos escolhidos para acompanhar a infanta a Badajoz, onde foi entregue ao marido. O facto de ter sangue real e de ser olhado como chefe provável do partido adverso à parceria Leonor Teles-conde de Andeiro, deve ter contribuído para a sua prisão ordenada por D. Fernando. Mais tarde é libertado por ordem do rei e a esse facto não deve ter sido estranha a intervenção pessoal do conde de Cambridge, chefe do contingente inglês em Portugal.
Depois da morte do Rei, entra-se no período da guerra civil e da guerra com Castela e D. João, aclamado regedor e defensor do reino, procura consolidar a sua posição no meio de hesitações e compromissos. E aclamado Rei em 1385, vence a guerra com Castela e obtém tréguas em 1389. Volta-se então para os problemas internos do reino e impõe a sua autoridade à nova nobreza, que chefiada por D. Nuno Álvares Pereira, lhe desfalca os bens da coroa. D. Nuno Álvares Pereira ficou conhecido como o Santo Condestável (Condestável de Portugal ou Condestável do Reino é um título criado pelo Rei D. Fernando em 1382, para substituir a designação de Alferes do Reino. O Condestável era o número 2 da hierarquia, vinha depois do Rei de Portugal e tinha como responsabilidades comandar uma campanha militar na ausência do rei e manter a disciplina do exército. Era, portanto, perante o Condestável que passavam todos os inquéritos militares). Adquiriu o título de Condestável de Portugal, depois da Batalha dos Atoleiros em 1384, tendo sido também nomeado Conde de Ourém. Ficou conhecido ainda como Beato Nuno de Santa Maria e foi um general português do século XIV que desempenhou um papel fundamental na crise de 1383-1385, onde Portugal jogou a sua independência contra Castela. Foi graças ao seu génio que Portugal venceu a Batalha de Aljubarrota com um exército de apenas 6.000 portugueses, contra 30.000 espanhóis. É recordado como um dos melhores generais portugueses, e abraça, nos seus últimos anos, a vida religiosa carmelita.
Segue-se um longo período de paz interna e externa, só cortado pela aventura de Ceuta. Fora dos actos da administração pública, quase nada se sabe da vida do monarca. Pessoalmente, foi-nos legado o retrato de um homem prudente, astuto, cioso do poder e da autoridade, ao mesmo tempo, terno, humano e benevolente. Foi sem dúvida o mais culto dos nossos monarcas medievais, reflexo da educação que o preparara para dirigir superiormente uma importante ordem religioso-militar.
Foi casado com D. Filipa de Lencastre, e tiveram 8 filhos. De uma união anterior ao seu casamento, teve 2 filhos bastardos. Há ainda a curiosidade de D. João I ter falecido, no mesmo dia em que nasceu, tendo completado 76 anos, os mesmos que D. Afonso Henriques.

quarta-feira, novembro 15, 2006

150.000 postos de Recibos Verdes

Sempre soube que não tinha motivos para confiar no Engenheiro Sócrates e muito menos num Governo PS. Assim sendo, as expectativas já não eram muitas relativamente ao trabalho dos mesmos e às suas incessantes promessas. Uma delas não me sai da cabeça, até porque poderia estar incluído na mesma: os 150.000 postos de trabalho. Bem sei que as mais de 2.000 nomeações em quase 2 anos de governação não contam, porque com estas nomeações os familiares e amigos do PS não adquiriram um trabalho mas um belo emprego. Nesse sentido, mantemos a promessa de 150.000 postos de trabalho em cima. Ao fim dos mesmos dois anos, deparo-me com o aumento da procura, por parte das entidades patronais, em admitir jovens e menos jovens em regime de recibos verdes.
Pergunto-me se isto são postos de emprego, ou postos de prestação de serviços. Onde está a segurança dos trabalhadores em celebrarem contratos de prestação de serviços? Qual é o futuro que os jovens podem esperar ao passar recibos verdes? De que serve a existência de um Código de Trabalho e da regra das renovações e dos contratos celebrados com e sem termo? Os jovens e os menos jovens de hoje em dia ao responderem a um anúncio de emprego, respondem a prestações de serviços! Só através de remissão se poderá aplicar ao regime dos recibos verdes o Código de Trabalho e as suas regras (a maioria delas imperativas).
Não deveria o Governo lutar contra a insegurança laboral dos jovens? Não deveria o Governo promover a celebração de contratos de trabalho? Não deveria o Governo assegurar um futuro para os jovens e desempregados que passe pela existência de uma prestação de trabalho e não por uma prestação de serviços? Não deveria ser criado um regime mais seguro para a prestação de serviços do que o regime disposto no Código Civil? Onde estão os 150.000 postos de trabalho? De prestação de serviços com Recibos Verdes já sabemos que existem bastantes mas isso porventura é alguma coisa para alguém? Onde está a prossecução dos fins a que o Estado se encontra adstrito como é o bem-estar económico e social e até a segurança (não só no referente à segurança pública, mas também segurança laboral, etc)? Não há e o Governo nada faz para combater isto. Tem que haver uma reforma urgente deste sistema a que as entidades contratantes das prestações de serviços recorrem constantemente e o fazem por uma questão de comodismo das mesmas, ficando pouco a importar-se que os prestadores de serviços estejam mal ou inseguros neste tipo de situações.
As disposições laborais são mais severas do que as disposições sobre a prestação de serviços e não interessa ao empregador prender-se a estas. Assim, apesar de termos imensos prestadores de serviços a prestarem uma actividade laboral, muitos não recorrem aos meios judiciais para verificar se realmente estão a prestar uma actividade laboral, porque isso depende do Juiz que julgue a causa e só alguém com o profundo conhecimento da legislação laboral consegue identificar se os indícios da existência de um contrato de trabalho estão preenchidos ou não. E nem todos podem recorrer a um advogado ou a um Juiz para obter esta informação e esclarecimento, até porque muitos temem futuras represálias, ou revogações do contrato de prestação de serviços, etc.
Quem tem que pegar nesta questão é o Governo, ao alterar as regras de contratação de prestadores de serviços e dos recibos verdes. É uma vergonha o que se passa, assistir a cada dia que passa a jovens trabalhadores a passarem recibos verdes. É mesmo uma vergonha! Mas mais vergonhoso é ver que quem deve agir, continua parado, possivelmente porque o casamento entre homossexuais os choca mais, punir fiscalmente os deficientes com mais de 70%, ou até o Aborto. É assim meus amigos... Governos PS!

terça-feira, novembro 14, 2006

D. Dinis




D. Dinis foi o 6º Rei de Portugal. Tinha como cognome "O Lavrador" por ter promulgado várias medidas que protegiam agricultura. Governou de 1279 a 1325. Foi ele quem mandou plantar o famoso Pinhal de Leiria, a partir do qual se retiraria a madeira de que seriam feitas as caravelas portuguesas rumo aos Descobrimentos.
Foi aclamado em Lisboa em 1279, para iniciar um longo reinado de 46 anos, inteligente e progressivo. Lutou contra os privilégios que limitavam a sua autoridade. Em 1282 estabeleceu que só junto do rei a das Cortes se podiam fazer as apelações de quaisquer juízes, a um ano depois revogou doações feitas antes da maioridade.
Quando subiu ao trono, estava a coroa em litígio com a Santa Sé motivado por abusos do clero em relação à propriedade real. D. Dinis por acordo diplomático, obteve a concordata após a qual os litígios passaram a ser resolvidos pelo rei a os seus prelados. Apoiou os cavaleiros portugueses da Ordem de Santiago, que pretendiam separar-se do seu mestre castelhano. Salvou a Ordem dos Templários em Portugal, passando a chamar‑Ihes Ordem de Cristo.
Travou guerra com Castela, mas dela desistiu depois de obter as vilas de Moura a Serpa, territórios para lá do Guadiana e a reforma das fronteiras de Ribacoa. Percorreu cidades a vilas, em que fortificou os seus direitos, zelou pela justiça a organizou a defesa em todas as comarcas. Fomentou todos os meios de uma riqueza nacional, na extracção de prata, estanho, ferro, exigindo em troca um quinto do minério a um décimo de ferro puro. Desenvolveu as feiras, protegeu a exportação de produtos agrícolas para a Flandres, Inglaterra e França. Exportações que abrangiam ainda sal e peixe salgado. Em troca vinham minérios e tecidos. Estabeleceu com a Inglaterra um tratado de comércio, em 1308. Foi o grande impulsionador da nossa marinha, embora fosse à agricultura que dedicou maior atenção. A exploração das terras estava na posse das ordens religiosas. D. Dinis procurou interessar nelas todo o povo, pelo que facilitou distribuições de terras. Fundou aldeias, estabeleceu toda uma série de preciosas medidas tendentes a fomentarem a agricultura, adoptando vários sistemas consoante as regiões a as províncias. Deve-se ainda a D. Dinis um grande impulso na cultura nacional. Entre várias medidas tomadas, deve citar-se a Magna Charta Priveligiorum, primeiro estatuto da Universidade, a tradução de muitas obras, etc. A 1ª Universidade portuguesa surgiu com ele em 1292. A sua corte foi um dos centros literários mais notáveis da Península.
Casou com D. Isabel (também chamada Rainha Santa Isabel), e tiveram 9 filhos.

segunda-feira, novembro 13, 2006

D. Afonso Henriques



D. Afonso I, com o Cognome de "O Conquistador" ou "O Fundador", dado ter sido o Fundador do Reino de Portugal em 1143, depois de ter tomado posse como Rei do Condado Portucalense em 1139. Reinou até 1185. Filho do conde D. Henrique e da infanta D. Teresa. Tomou, em 1120, uma posição política oposta à de D. Teresa (que apoiava o partido dos Travas), sob a direcção do arcebispo de Braga. Este forçado a emigrar leva consigo o infante que em 1122 se arma cavaleiro. Restabelecida a paz, voltam ao condado. Entretanto novos incidentes provocam a invasão do condado portucalense por D. Afonso VII, que, em 1127, cerca Guimarães onde se encontrava D. Afonso Henriques. Sendo-lhe prometida a lealdade deste, D. Afonso VII desiste de conquistar a cidade. Mas alguns meses depois, em 1128, as tropas de D. Teresa defrontam-se com as de D. Afonso Henriques tendo estas saído vitoriosas – o que consagrou a autoridade de D. Afonso Henriques no território portucalense, levando-o a assumir o governo do condado.
Consciente da importância das forças que ameaçavam o seu poder este concentrou os seus esforços em dois planos: Negociações junto da Santa Sé com um duplo objectivo: alcançar a plena autonomia da Igreja portuguesa e o reconhecimento do Reino.
Os passos mais importantes foram: Fundação do Mosteiro de Santa Cruz de Coimbra, em 1131, directamente subordinada à cúria romana – fundação que propiciou a reunião das dioceses portuguesas à metrópole de Braga; declaração de vassalagem por parte de D. Afonso Henriques à Santa Sé em 1143 – em virtude de uma nova fase da sua política iniciada com o use do título de rei; obtenção da bula de 1179, na qual o papa Alexandre III designava pela primeira vez D. Afonso Henriques rei a ao qual dava o direito de conquistar terras aos Mouros sobre as quais outros príncipes cristãos não tivessem direitos anteriores; pacificação interna do reino e alargamento do território através de conquistas aos Mouros – o limite sul estabelecido para o condado portucalense – e assim Leiria em 1135, Santarém e Lisboa em 1147 – quer mesmo para além deste, sempre que isso não viesse originar conflitos com o Imperador – e assim Almada e Palmela em 1147, Alcácer em 1160 e quase todo o Alentejo (que posteriormente foi de novo recuperado pelos Mouros).
Casou com D. Mafalda e tiveram 11 filhos, dos quais se destaca D. Sancho I, que lhe viria a suceder no trono.

domingo, novembro 12, 2006

Sondagem

A verdadeira sondagem começa aqui no Bar Velho Online. Depois de assistirmos a uma votação onde era tudo ao molho e fé em Deus (desde política a desporto) e onde qualquer um entrava (como Herman José, Rosa Mota ou Maria de Medeiros), decidimos fazer uma sondagem sobre o maior português de sempre, por temas. Assim, começaremos por escolher quem mais se distinguiu na classe política, passaremos pela Cultura, pelo Desporto e por fim Universidades.
Votem já no lado esquerdo, naquele que foi o maior português de sempre na Política.

sábado, novembro 11, 2006

Direito à Greve?

Acho curioso que as Greves na Função Pública nunca ocorram às terças e quartas-feiras. E acho um deboche autêntico fazerem Greve à quinta e sexta-feira, aproveitando para ir à "terrinha", ou ao Centro Comercial dar os seus passeios e fazer as suas compras. Será isto uma verdadeira Greve? A Greve consiste na ausência de trabalho, e não na ausência total no local de trabalho. Se este tipo de Greves fossem mesmo sérias, os trabalhadores ficariam à porta do local de trabalho, sem prestar o respectivo trabalho. Não deixariam a área circundante ao local de trabalho às moscas, e esperarem por resultados. Muitos sabem que este tipo de Greves são tempo perdido, porque a Entidade Empregadora Estado não vai voltar atrás, mas mesmo assim fazem-no com um único motivo: faltar ao trabalho e ter as respectivas faltas justificadas. Só assim se justifica marcarem dois dias de Greve na 5.ª e 6.ª feira, e irem passear por aí, ignorando por completo certos actos acessórios aos Grevistas, e que apesar de não serem legalmente exigidos, só lhes ficava bem. Exemplo disso é permanecerem nas imediações do local de trabalho durante o seu tempo de trabalho, mas sem prestar a actividade, ou sequer entrar nas instalações.
Não seria isto uma verdadeira Greve? Não estariam eles a lutar, verdadeiramente, pelos seus direitos desta forma? Para que a Greve seja lícita, é necessário que tenha um fundamento válido e que, além desse fundamento válido, os trabalhadores se comportem como que querendo atingir um determinado objectivo. Depois de tudo isto a que assisti na 5.ª e na 6.ª feira, só posso concluir que estamos perante um caso de fraude à lei, em que os trabalhadores aproveitaram um preceito legal (conforme previsto no Código do Trabalho e na Constituição), para obter um fim diferente daquele que a lei prevê para esse mesmo preceito legal. Que eu saiba, o fim da Greve não é beneficiar de dois dias de férias, ou de justificar faltas. Foi isto que aconteceu. No meu entender, a Greve é ilícita e todos aqueles que lesaram gravemente os interesses do Estado e de todos aqueles que necessitariam recorrer aos serviços que encerraram nestes dois dias, deveriam ser despedidos com mais que justa causa.
Infelizmente, esta é a terra do forrobodó, e toda a gente brinca com o nome do Estado e ninguém faz nada quanto a isso. E, insisto, boa parte dos problemas dos trabalhadores (sejam funcionários públicos, ou não) não começam nas Entidades Empregadoras, mas sim nos respectivos Sindicatos, que incendeiam a mente de qualquer um, muitas vezes sem utilidade alguma.

sábado, novembro 04, 2006

Sexo e Direito ou Direito ao Sexo?

Vejam as aventuras de um professor bissexual, que convida os alunos para sair e para lhes arranjar companhia feminina, de uma professora gorda oferecida e alguns alunos que, para não variar, são as vítimas deste processo todo.
Leiam todo o enredo no site da DGSI, através do Processo 12806/03 .

A Vingança é um prazer masculino?

"A revista Nature publicou há uns meses os resultados de um estudo feito por neurocientistas britânicos sobre a origem e o impacto de sentimentos como a raiva e a vingança em homens e mulheres e as conclusões são curiosas.
Os homens revelam um certo gosto pela vingança e mostram-se mais inclinados a vingar-se quando se sentem traídos ou quando as suas posses são afectadas. Têm uma sensibilidade especialmente vulnerável às perdas financeiras.
As mulheres, por seu lado, não sentem tanto prazer na vingança mas escolhem formas mais subtis. São mais dadas à vingança psicológica.
Os investigadores da Universidade de Londres citados pela revista Nature examinaram grupos de homens e mulheres que voluntariamente se submeteram a exames de Ressonância Magnética enquanto jogavam um jogo cientificamente preparado para despertar neles alguns instintos específicos.
O jogo em questão baseava-se num sistema de alianças, traições e punições em que os traidores eram sancionados através de ligeiras descargas eléctricas. Ou seja, de cada vez que havia uma quebra de confiança, aquele que se sentia traído na sua aliança podia vingar-se e dar uma ordem de castigo: a tal descarga eléctrica.
Sempre que o vingador era homem, os neuricientistas britânicos detectavam nas imagens cerebrais que as suas zonas de prazer se activavam.
Ou seja, o cérebro dos homens revela algum prazer no acto de punir alguém que o atraiçoa. Castigar o adversário que trai parece ser um prazer masculino, portanto.
O mesmo jogo, jogado por mulheres, não produzia os mesmos efeitos nem a mesma química cerebral.
As zonas de prazer nos cérebros das mulheres não ficavam mais activas pelo facto de castigarem aqueles que as atraiçoam. Daí poder-se fazer a tal leitura sobre um prazer eminentemente masculino."

In Revista Xis, by Laurinda Alves

quarta-feira, novembro 01, 2006

Genial!



Isto realmente é GENIAL! Não resisti e tive que "postar" aqui.

domingo, outubro 29, 2006

O Pior FDLiano de Sempre

Eu sei que são vários os candidatos a esta nomeação, mas decidi escolher o João Vale e Azevedo pela forma como envergonha o Direito, a Advocacia e sobretudo o bom nome da FDL. Para mim é mesmo o pior de todos. É uma vergonha para todos aqueles que pertenceram àquela casa, saberem que aquele espaço já foi partilhado por este indivíduo. E, ainda, foi dirigente associativo.
Sobre dirigentes associativos, também é melhor não falar, porque temos imensos candidatos a pior dirigente associativo de sempre. Exemplos recentes então... Bem, é melhor ficar-me mesmo pelo pior FDLiano de sempre. Dêem as vossas sugestões.

sábado, outubro 28, 2006

Um Governo à Benfica

Desde o início da sua governação que vejo o actual Governo a pedir "tempo" para que os projectos e medidas do mesmo venham a surtir efeito. Uma série de medidas polémicas, trouxeram Sócrates e os seus para a berlinda. De entre essas medidas, temos os Ministros da Economia e Educação na arena, prontos a serem devorados pelas feras. Temos ainda Ministros cuja esfera de acção é tão reduzida que mal se dá conta que os mesmos existem.
No meio de tudo isto, Sócrates parece-se com Luís Filipe Vieira. Pede "tempo" para que os portugueses vejam o surtir de efeitos das suas polémicas, e trapalhonas, medidas, da mesma forma que LFV pede aos benfiquistas que tenham paciência que a equipa começará a jogar à Benfica brevemente. LFV pede que aplaudam a equipa e as medidas mesmo quando as coisas não correm bem, da mesma medida que Sócrates pede a compreensão dos portugueses, que o Estado começará a funcionar como deve ser brevemente. LFV diz ainda que não governa "com assobios e lenços brancos", em resposta à contestação feita ao treinador. Ora aí está algo que gostaria de ver o PM dizer, perante as consecutivas greves e manifestações. Só falta mesmo pronunciar estas palavras para ter o discurso semelhante ao de LFV. A diferença é que se se pronunciasse, ao contrário de LFV, assistiria ao aumento do coro de assobios e aos lenços brancos, para que ele não governasse... de vez!
Depois temos um grupo de Ministros que se assemelham a Fernando Santos. Nas campanhas eleitorais é bonito de assistir a coisas como "os impostos não aumentam", "temos condições para eliminar o deficit", 150.000 postos de trabalho, entre outras promessas. Mal tomaram posse, assistimos à frase do costume "desconhecíamos que a situação fosse tão calamitosa", "pedimos desculpa, mas as condições são diferentes das que esperávamos", etc. Depois de violarem as promessas, decidem tomar uma série de medidas que afundam mais ainda o país. Mas, para não variar, a culpa nunca é das suas medidas e inovações ridículas. A culpa é sempre de alguém ou de qualquer outra coisa. Eles são sempre competentes. Assim também é Fernando Santos. A culpa é da defesa, é do nervosismo, é do adversário ser muito poderoso, é do ataque porque falham golos, é porque há expulsões. A culpa é sempre de algo ou de alguém, mas nunca do treinador que decide o que é que a equipa deve fazer em campo. No mesmo sentido se pronunciam os ministros: "a culpa é do excesso de professores", "a culpa é da função pública", "a culpa é do Presidente Cavaco quando era PM", e a última delas (a mais deliciosa) "a culpa é dos consumidores". A culpa é de todos, menos dos próprios.
Com tudo isto, continuamos a viver de vitórias morais (o Benfica porque joga bem e o Governo porque invoca ter tomado medidas que precisavam ser tomadas e alguém teve coragem para as levar adiante), e resultados nem vê-los. E, no fim de tudo, continuamos a ver os nossos vizinhos a evoluírem, e nós eternamente à busca dos benditos golos, das almejadas vitórias e do tão desejado campeonato (tanto no Benfica, como no Estado).

quinta-feira, outubro 26, 2006

A Injustiça da Taxa de Justiça

Vejamos o seguinte cenário: estou eu descansado da minha vida, sem dever o que quer que seja a alguém, ou sem fazer nada que me impeça de ter a consciência tranquila no respeitante a deveres e direitos decorrentes de relações civis, quando de repente sou notificado num processo para, se estiver interessado, deduzir oposição ou contestar (conforme o processo que esteja em causa), sob pena de, ao fim de determinado tempo, ser dada razão à outra parte. Supondo que qualquer pessoa pode propôr as acções que quiser, contra quem quiser, a outra parte defende-se se quiser também. Ainda que as acções não tenham fundamento ou legitimidade, devemos sempre deduzir oposição ou contestar.
Surge um pormenor: após deduzir oposição ou contestar, tenho até 10 dias úteis para proceder à autoliquidação da Taxa de Justiça, sob pena de ver ser-me aplicada uma multa, ou então o desemtranhamento da contestação.
Pergunto até que ponto será justo que quem se defenda deva pagar o que quer que seja ainda antes de lhe ser dada razão a si, ou à outra parte. No meu ponto de vista, esta Taxa de Justiça (varia conforme o valor da causa, mas pode ir até 1 UC, que equivale a 89 Euros) só deveria ser paga pelo réu se este tivesse dado razão à acção, ou se visse ser-lhe aplicada uma sentença que o condenasse ao pagamento da respectiva indemnização exigida pelo autor. Assim, faria sentido, dado que aquela pessoa que perdeu a acção, seria a que havia motivado todo o processo, por qualquer motivo que seja: quer seja incumprimento de contrato, quer seja não pagamento de um montante, etc.
Agora supondo-se que o Autor não tem qualquer interesse processual na causa porque as causas que o levam à propositura da acção, decorrem de falhas suas, deverá o Réu pagar uma Taxa de Justiça que pode ter valores elevados? Conforme disse, esse pagamento deveria ocorrer apenas no final do Processo e se for dada razão ao Autor. Caso contrário, isso poderá legitimar que diversas pessoas proponham acções contra outras, que tenham poucos recursos económicos e que, desconhecendo do pagamento da Taxa de Justiça, o deixem passar, ou paguem o errado e consequentemente possa dar-se o tal desentranhamento da contestação e quem fica a ver navios será um réu que se viu numa situação de fragilidade económica e não tem como pagar as custas de um processo que se está a decorrer naquele momento foi por culpa do autor. Será esta situação justa?
Outra situação injusta com esta Taxa: a TJ deve ser autoliquidada, ou seja, deve ser o praticante do acto a ter a iniciativa de pagar a Taxa de Justiça. Ainda assim, se o réu é notificado para proceder ao pagamento da Taxa de Justiça, será que podemos exigir ao cidadão comum o conhecimento sobre o que seja, sequer, a Taxa de Justiça? Ou poderemos exigir-lhe o conhecimento do que é a "autoliquidação"? Sejamos sinceros, e admitamos que não. Das duas uma: ou deve ser o funcionário da secretaria do tribunal, a informar que o réu deve proceder ao pagamento da Taxa de Justiça no valor de X, ou então, devem as partes ser notificadas para proceder ao pagamento da Taxa de Justiça de X e de enviarem o respectivo comprovativo, sob pena de multa ou desentranhamento. A notificação deve, ainda, ser enviada através de carta registada e não deve ser feita através de notificação postal simples. Deste modo, não poderão ocorrer falhas de entrega de correspondência, correspondência extraviada, e ficará a certeza que o réu e o autor foram, efectivamente, notificados.
Acontece que não fazem a notificação por carta registada, por questões de economia dos tribunais. E graças à economia dos tribunais, temos um funcionário do tribunal que pode informar mal (como sei que aconteceu), temos um tribunal a considerar que se a carta não foi devolvida, é sinal que chegou ao destinatário (ainda que tal não tenha acontecido), etc.
Esta Taxa de Justiça é muito justa, não acham?

quarta-feira, outubro 25, 2006

Declaração

Foi com espanto que reagi a uma notícia dada por um grande amigo meu. Essa notícia consistia com o facto de alguém ter conotado a minha pessoa a um dos 3 intervenientes de um blogue bastante triste que por aí anda, com o nome Aborto e a direito. Segundo consta, esse mesmo meu grande amigo recebeu uma chamada do Stoffel, que lhe perguntou se ele sabia quem era a pessoa que escrevia nesse dito blogue. Mediante a resposta que lhe foi dada, teve como reacção que seria eu essa mesma pessoa, que desconfiavam, etc e que iriam mover queixa-crime contra desconhecidos, mas com a certeza que era eu. Fiquei chocado!
A todos os que possam eventualmente espalhar esse boato ou possam ouvi-lo por aí vindo de alguém, tenho a afirmar uma de várias coisas, que não são surpresa para ninguém: não me refugio em blogues onde as pessoas recorrem ao anonimato para passar a sua mensagem e/ou ofender terceiros; identifico-me sempre que tenho algo a dizer e toda a gente sabe que digo coisas positivas e negativas de qualquer tipo de pessoa; todos os dias desde as 8 da manhã, até às 20 da noite encontro-me fora de casa, não tendo tempo para me dedicar a blogues no local de trabalho (excepção se faça a este post, que teve mesmo que ser escrito dado a gravidade da situação); o meu tempo na FDL já terminou. Tenho vida própria, fora da FDL, raramente lá apareço, e tenho mais que fazer do que me dedicar a esse tipo de assuntos. Naturalmente dediquei um post ao assunto das listas, dado ter andado nas lides associativas 3 anos, e dei a minha opinião sobre o assunto como os meus demais amigos. Dediquei ainda um post à praxe, por ter total afinidade a esta tradição académica e porque entendi ser pertinente fazer uma crítica ao que estava bem e ao que estava mal. Tirando isso, não só não apoio quaisquer lista, como me desliguei por completo desse tipo de assuntos, porque a minha altura já passou. Essa luta académica deixou de ser minha, e passou para outras pessoas. Assim sendo, o destino que pretendo dar à minha contribuição no Bar Velho Online é dedicar-me exclusivamente a assuntos de cariz social e político, deixando definitivamente os assuntos académicos para quem os realmente vive.
Neste sentido, excluo qualquer responsabilidade de posts escritos em blogues alheios ao Bar Velho Online (onde sou co-autor) ou ao Ipsis Verbis (o meu blogue privado), dado só ter como único registo em quaisquer bloggers que sejam, o user DJ. Só tenho 2 blogues e 1 username. Logo, todos aqueles que me associam a todo e qualquer tipo de actos criminosos e de baixo nível, não passam de pessoas muito fracas e muito pobres que tentam denegrir a imagem de quem nunca cometeu qualquer tipo de infracção do género.
Apoio toda e qualquer iniciativa que qualquer um dos "desconfiados" inicie, no sentido de apurar os verdadeiros autores desse tipo de blogues e posts. Quando quero falar algo de alguém, recorro a um dos dois blogues que possuo, e digo o que tenho a dizer.
Por último, uma palavra a todos os inúteis, mentecaptos e idiotas que insistem em fazer campanha contra mim e contra todos aqueles que já deram o seu contributo, mais que positivo, à FDL. Não passam de ingratos, que recusam dar valor a quem muito fez por aquela que é, e sempre será, a minha casa.
Esta é a minha única declaração sobre este tipo de boatos que pessoas como Pardal e outros, andam a desenvolver sobre a minha pessoa e como o Stoffel tentou ontem colocar mais umas achas para a fogueira. A cobardia é tanta, que em vez de conversarem comigo sobre o tema em causa, preferem contactar terceiros e retirar as conclusões que bem entendem e fazerem questão de comentar as suas conclusões idiotas com outras pessoas. Isso, são actos cobardes, muito tristes e não sou eu que vos vou dizer qual seria a atitude mais correcta a ter neste tipo de situações.
Não faço ofensas a pessoas, não recorro ao anonimato ou a nomes ocultos, e não tenho nem tive nada a ver com outro tipo de blogues que não aqueles dois em que escrevo.
De referir que qualquer tentativa de difamação ou atentado ao meu bom nome, culminará com uma queixa-crime sobre os agentes praticantes de tal acto. Há boatos e boatos. E com certas coisas não se brinca de forma alguma.
Obrigado a todos pela atenção.
Sem mais, subscrevo-me e este assunto fica por aqui, no que toca a mim.


Alexandre Teixeira Guerreiro

segunda-feira, outubro 23, 2006

A minha visão das coisas

"As opiniões são como as vaginas:
cada um tem a sua e dá-a a quem quer"
Ruth Remédios

Frase mais brilhante, não há! Não tenho vagina física, mas tenho vagino-opinião! E vou passar a dá-la ao povo, sob pena de passar por puta barata que faz questão de se dar a tudo e todos. Era bom que todos comessem esta minha vagina. Era sinal que a minha mensagem realmente tinha influenciado muitas mentes (algumas delas fraquinhas, outras tacanhas) por este mundo fora.
Vou passar a opinar sobre um tema polémico (mesmo como eu gosto), para não variar: a AAFDL, as Listas e afins.
Sempre disse que nunca houve anjinhos nesta história (recente) do Couto querer ser Presidente da AAFDL. Admitam, o rapaz tem tanta legitimidade, como qualquer outro, para querer ser Presidente, e tem muito mais competência do que muitos desses que por aí andam que têm tanta legitimidade quanto ele, para se candidatarem ou quererem ser. Sempre me disseram que querer é poder. Aqui não é bem assim a história. Querer não está ao alcance de todos, mas de alguns. Continuo ciente que estava a ser tudo preparado para que fosse dada mais legitimidade a um candidato, do que a outro e aquele dia 27 de Março serviu como alerta. Ele bem pode ter aquelas 2 salas cheias de gente para votar nele, mas ao menos toda a gente sempre soube com o que pôde contar dele (para o bem ou para o mal). Ao menos há transparência. Independentemente de agradarem os meios ou os fins, ninguém o pode acusar de falta de transparência. Ao contrário dele, vi insurgirem-se outros naquela sala que sempre tiveram esquemas e projectos para levarem a água ao seu moinho e por entre o oculto sempre delinearam os seus esquemas, sem que ninguém desse conta deles os desenvolverem. De repente, lá surgiam certas coisas sem que muitos soubessem a sua origem. Vá lá... toda a gente sabe que o truque mais velho para se conseguir ter algo onde quer que seja é ir para os copos com as pessoas certas. Quem vai para os copos com aqueles que vão ocupar um cargo elevado, ocupam-no ou já o ocuparam, sabem que conseguem sempre qualquer coisa. Esta regra tem uma excepção: se o tipo for um idiota e mesmo tomando copos, cometer erros e obrigar os gajos a pensar "porra este gajo é um urso". Aí é burrice mesmo. Um gajo minimamente normal safa-se sempre indo para os copos com as pessoas certas e assim conquista as suas coisas.
É por isso que naquele dia 27 de Março, não vi ninguém com moral para apontar o dedo a quem quer que fosse. Em pleno dia 27 de Março vi quererem alterar a ordem de trabalhos apenas porque tomaram um susto e viram que não iam seguir com a sua vontade em frente. A sorte é que muita gente ainda tinha as mensagens. Alguém não se precaveu e isso saiu caro a muita gente. No fim, houve gente que nunca arquitectou nada, nunca esteve por trás de nada e ainda foi acusada de traição. Isso são águas passadas. Tudo se resolve. No meio de tanto esquema houve pessoas que acabaram por não ter culpa de nada, ou pelo menos não ter intenção de arquitectar nada para atingir fins diversos daqueles a que se propunham as sugestões feitas pela Lista. Uma dessas pessoas é o Pedro Ângelo. Sempre disse que o mal dele foi estar mal acompanhado e influenciado, porque ele é uma pessoa com bom fundo e cujo mal (ironia do destino) acaba ser tentar não ferir nenhuma das partes e satisfazer os interesses de todos na medida do possível. Acho que ao fim deste tempo todo já aprendeu que isso é impossível. Não só ele aprendeu, como muitos de nós já aprendemos, vamos aprendendo, ou iremos aprender.

Passando tudo isto, creio que o Couto tem tanto direito e mérito em se querer candidatar a Presidente da AAFDL. Sempre apoiei o Couto enquanto profissional e pessoa. Considero-me seu amigo, sempre me dei bem com ele, trabalhei com ele de perto, vi tudo o que ele fez, sei do que é capaz, etc. Acho-o mesmo muito competente e muito capaz de levar qualquer projecto a que se proponha, em frente. No entanto, a Lista que ele fundou (a Lista S) tem alguns handycaps. Um deles são as pessoas que o rodeiam. É pena que a Direcção não tenha 15 Coutos. Já lhe disse isto. Se assim fosse, teríamos AAFDL para dar e vender! Acontece que este cenário não é possível e assim sendo tenho que me bastar com as condições existentes. Assim sendo, não nego que exista muita vontade de trabalhar na Lista S. Pelo contrário. Acho é que não existem pessoas suficientemente capazes de levar os destinos da AAFDL a bom porto. Acredito no Couto. Tirando ele, não posso dizer que exista alguém com experiência. Falta-lhe gente com experiência e sangue novo é o que tem a mais. Deve haver uma sucessão natural das coisas, no sentido de uns irem ganhando experiência para que no ano seguinte sejam opção válida e depois dêem o seu lugar a outros, etc. Isso não acontece com a Lista S. Acredito que existam planos e projectos, mas não acredito que possa haver alguém capaz de acompanhar o Couto nessa missão e, assim sendo, é um dever meu não apoiar um projecto no qual apenas acredito numa pequena parcela do mesmo.

Temos a Lista A. Disponibilizei-me para ouvir o Stoffel, no sentido de saber quais seriam os seus planos para a AAFDL. O projecto agradou-me. Alguns dos nomes avançados por ele, idém. Creio que tem muita gente com imenso potencial. Parece-me um projecto bastante equilibrado. Por algum tempo julguei estar perante um tipo que teria pulso na Lista, saberia não ceder a pressões, e iria ter uma lista correcta e competente, com tudo para triunfar. Estava decidido e tinha-me dado como certo para apoiar a Lista A. Como nem tudo são rosas, no melhor pano cai a nódoa: o Stoffel deixou-se levar pela conversa do Pardal e pela possibilidade de perder as eleições porque o Pardal ameaçou estragar-lhe as contas, e cedeu à conversa dele, oferecendo-lhe um lugar num cargo elegível e de alguma importância. Que desilusão. Preferiram não arriscar avançar sem o Pardal e os seus poucos seguidores e, temendo perder as eleições, em vez de manterem a integridade e os seus valores, cederam e deram-lhe o que queria, julgando que ele poderia mesmo tirar alguns votos. Tenho dito: o Pardal não vale nada. O Pardal vale anti-votos. Toda a gente sabe disso. Além do mais, é um tipo que não sabe o que é o colectivo, não sabe o que são eleições, não sabe o que é conquistar votos, não sabe comportar-se como alguém que quer ser alguém grande na vida, nem tão pouco tem categoria ou nível para aquilo que ele quer: um lugar na política. Valha-me acreditar que existem pessoas com olhos na cara e que percebam que o Pardal é um inútil, que não só não acrescenta nada profissionalmente, como ainda consegue ser uma menos-valia. Como pessoa consegue ser um tipo aceitável, mas como profissional é um exemplo muito triste do funcionalismo público, da inércia, e da repulsa.
A Lista A devia manter a sua coerência e valores até ao fim: não ceder a tentações, nem ceder à iminência de poder perder as eleições por causa de um tipo que não podemos chamar de incompetente. Incompetente é aquele que não faz como deve ser aquilo que deveria fazer. O Pardal não só não faz como deve ser aquilo que deveria fazer, como não faz o errado. Ele simplesmente não faz nada. Gosta de aparecer. Nisso ele aparece. E nem em oratória tem competência. A não ser quando está com amigos. Aí a oratória não falta. A Lista A perde, e bastante, tendo lá o Pardal. Devia ser o Pardal a ceder e pensar que mais vale renunciar à sua birra e à sua vontade de ser algo para o qual ele nunca nasceu (liderar o que quer que fosse), e ver a FDL em "boas mãos", do que avançar e além de ter um resultado humilhante, ainda fazer a boa solução perder também. A Lista A infelizmente cedeu e, com isso, perdeu tudo aquilo que ainda me fazia acreditar nela: valores. Caíram na velha tentação de dar um lugar em troca de alguns votos. A partir desse momento deixei de a apoiar e, assim sendo, passo a apoiar o voto em branco, ou o voto nulo.

Até lá, vejo que a Lista S está a passar a perna à Lista A, e esta vê tudo a passar-lhe diante dos olhos, mas continua cheia de pseudo-estadistas (muitos deles já vinham dos tempos da Lista R): todos querem mandar, todos querem opinar, mas falta alguém para fazer, para agir no terreno. No fim, mandam todos, opinam todos, e vêem a S galgar terreno e rumar a passos largos para a mais que provável (se tudo continuar assim) vitória nas eleições. Pois é... desta vez falta lá a malta que antigamente trabalhava na Lista R. Aquela gente que trazia centenas de votos e que só a sua cara já trazia resmas de pessoas a votarem naquelas caras. Querem que vos recorde alguns nomes? Acho que todos vocês sabem quem falta. É pena que a Lista A esteja a cair neste esquema. Tinham tudo para ser melhor lista do que a R (de longe), mas além de verem o barco a passar, ainda cedem nos valores.

Só tenho a dizer-vos isto: já não estou lá e esta luta já não é minha. Já cheguei a oferecer a minha mão-de-obra e, invariavelmente, não iria receber nada em troca. Ia apenas ajudar. Fora da FDL nada teria mesmo a ganhar (como nunca quis e nunca fiz para). Aos sobreviventes, deixo o recado: definhem-se e boa sorte para as duas listas. Que ganhe o melhor! Alea Jacta Est! Ganhará aquele que mais fizer por isso.

sábado, outubro 21, 2006

Que Caminho Pretendes Trilhar?

“O comportamento é um espelho no qual todos mostramos o que somos” Alfred Montapert


Foi com grande pesar que vi a Lista R morrer.
Quando embarquei no projecto R, as linhas orientadoras eram claras, válidas e transparentes.
A geração de pessoas que fundou esta lista era movida não por interesses pessoais mas sim porque acreditavam que era possível marcar a diferença a favor dos alunos, que era possível inverter a lógica do poder pelo poder. Eram humildes mas também conscientes de que os valores que os moviam como a integridade, a transparência e a honestidade iriam levar este barco a bom porto.

Foi a possibilidade de fazer algo pelos meus pares que me seduziu e me fez querer fazer parte deste movimento.
Não fui um dos fundadores deste projecto mas, pelo singelo contributo que prestei nos últimos dois anos, não posso deixar de encará-lo um pouco como meu também.

A instrumentalização de membros desta lista feita em nome de vinganças pessoais e da sede de poder, que ocorreu no passado dia 27 de Março, ultrapassou claramente o limite dos valores que tenho para mim como essenciais. Assim, não poderia mais comungar de um projecto cujos alicerces tinham sido postos em causa.
A Lista R morreu porque nela não vive mais um projecto saudável, íntegro, estruturado, com ideias e ideais.

Uma geração de pessoas que lutou apaixonadamente por causas em que acreditavam foi substituída lentamente por pessoas para quem esta lista não passa de um trampolim para outros voos.
Bem sei que, para algumas destas pessoas, os meios não são ilegítimos quando o fim a que se proposuram é alcançado.
A essas pessoas, dirijo uma citação de Montalpert novamente:

“Somos totalmente responsáveis pela qualidade da nossa vida e pelo efeito exercido sobre os outros, construtivo ou destrutivo, quer pelo exemplo quer pela influência directa”.

São estas mesmas pessoas que a feriram de morte que agora vêm reclamar o seu espaço na nossa casa e invocar o nome da Lista R para ganhar os votos de quem sempre se habituou a admirar esta lista e não sabe realmente o que se ocorreu nestes últimos meses.

Não se deixem iludir por promessas vãs nem favores inusitados de quem vos acaba de conhecer. Informem-se, contestem o que vos dizem, comparem e vejam as diferenças!

Dentro das minhas naturais limitações, irei apoiar a Lista A, pois nela vejo um projecto que honra a memória dos grandes homens que lutaram pelo nome da Academia, pelos interesses dos alunos, pelo constante preocupação em fazer mais e melhor por todos nós, pela FDL.

Um projecto estruturado, com princípios, ideiais, ideias e que não visa satisfazer qualquer capricho ou objectivo menos claro mas sim defender intransigentemente os interesses de todos aqueles que habitam a FDL. Todos. Mesmo os que não votam, mesmo os que não dão votos.

Por fim uma mensagem aos meus companheiros de causas, de luta e de esforço, aos que aprendi a admirar, aos que me ensinaram a ser um melhor ser humano, o meu muito obrigado. Estarei convosco para sempre.

Cada um de nós trilha o caminho que escolher para si.

Eu já escolhi.

sexta-feira, outubro 20, 2006

O Fim da Lista R: visão pessoal


Recebi no dia 25 de Março de 2006 (Sabádo) um sms com o seguinte conteúdo: ""2f, dia 27 de Março, 18h, reunião da Lista R com a seguinte ordem de trabalhos: eleição do Secretário-Geral da lista; preparação da RGA sobre a revisão dos estatutos da AAFDL."
No dia marcado, às 18h, marquei presença numa das salas da FDL onde se faria a reunião. A sala estava particularmente cheia, como não costuma ser habitual a meio do ano em reniões de lista, com muitas caras novas e desconhecidas, inclusivé jogadoras da equipa feminina de futsal, preparadas para o seu treino que ocorreria perto da hora da reunião. Estranho, no mínimo, mas de salutar o interesse demonstrado pelos elementos da lista.
Quando o Presidente de lista, o colega Pedro Ângelo, anuncia a ordem de trabalhos, que começaria pela discussão acerca da revisão dos estatutos, eis que em alto e bom som alguns colegas se manifestaram contra! Na linha da frente estava André Couto e Inês Ramalho, argumentando os dois que "não era essa a ordem de trabalhos enviada por sms". Exigiam então que se começasse pela eleição do Secretário-Geral, embora de facto fosse bem mais importante a revisão dos estatutos da AAFDL, devido a todas as implicações que isso teria na vida futura da Associação de estudantes.
Fez-se uma votação para se decidir por onde começar. Ganhou claramente a opção de eleição do Secretário-Geral.
Apresenta-se o único candidato pré-anunciado ao cargo, o colega David Areias, membro fundador da Lista R, antigo Vice-Presidente da AAFDL, membro do Conselho Directivo há 2 anos, portador de uma história imensa na defesa dos alunos desde o 1º momento em que entrou na FDL. Uma escolha para o cargo a roçar a perfeição.
Apresentou o seu programa. Com muita qualidade, na minha opinião.
Eis que então surge do nada uma colega a afirmar que não apoia David Areias, afirmando que a sua candidata seria Inês Ramalho. Foi esta questionada acerca da sua disponibilidade para avançar, ao que a mesma disse que não tinha pensado muito nisso, mas que decide candidatar-se, entregando de seguida fotocópias de um programa de candidatura (rapidez incrível entre o momento da decisão de avançar e a elaboração de um programa!).
Seguiu-se o debate. Pouco esclarecedor, mais parecia um lavar de roupa suja entre grande parte da Direcção da AAFDL, acusada de um sem número de coisas por André Couto e Inês Ramalho.
O que aconteceu de seguida todos já sabem. Inês Ramalho ganhou a votação. E a lista R morreu nesse momento.
O que me pareceu que aconteceu nesse dia é muito simples: André Couto tem uma obcessão doentia em ser Presidente da AAFDL. De tudo fez para lá chegar através da Lista R: desapareceu durante 3 meses com o dossier da Lista R, tendo feito uma cópia da mesma, que continha todos os contactos dos membros da mesma (cerca de 200); durante o período de escolha dos membros do Directório da Lista R fez de tudo para integrar o mesmo; como Vice da AAFDL teve sempre posições isoladas e geralmente era a única voz discordante no seio da Direcção (estariam todos os outros errados?); satisfez todos os desejos da secção de desporto da AAFDL, pondo mesmo em causa o pagamento dos salários dos funcionários; acordou com a Comissão de Finalistas 2001-2006 que a banda de fim de curso seria paga integralmente pela AAFDL, sem ter consultado os outros membros de Direcção; e, em minha opinião, utilizou-se da colega Inês Ramalho (que no fundo foi apenas um seu instrumento) para causar a divisão no seio da Lista R, de forma a fazer com que o caminho para a Presidência desta ficasse livre para si. Nesse dia, André Couto fez com que um projecto de gente séria, que não cacicava ninguém para ir votar em reuniões de lista, ruisse de forma a satisfazer as suas ambições pessoais. E ironicamente, soube no outro dia que afastou a colega Inês Ramalho da Lista S, porque a mesma não era bem vista por muita gente que queria entrar nessa lsita, devido ao episódio de 27 de Março... como a vida dá tantas voltas...
Afirma agora a Lista S que é a descendente da defunta Lista R. Eu pergunto-me: pode alguma lista ser herdeira de outra, se só existe um membro da Lista S com mais de 4 meses de Lista R? Ainda para mais quando o grosso da antiga Lista R está presente na Lista A? Creio que existe aqui um claro deturpar da realidade...
Foi com tristeza que presenciei ao fim da Lista que me fez acreditar na força dos alunos desde o 1º ano. Nunca votei em nenhuma outra lista além da R. Mas é como vos digo, meus amigos da Lista A: tudo não passa de uma simples letra. Saibam vocês manter o espírito R neste novo projecto, que o final formal da Lista R não terá passado disso mesmo, uma questão de letras...

quinta-feira, outubro 19, 2006

Apelo


Caros colegas da Lista A:
São duros e perigosos os tempos que se aproximam da nossa FDL. Duros porque a luta contra os abusos que chegam todos os dias dos professores e assistentes será sempre interminável e cabe a uma AAFDL forte, séria e determinada a defesa do initeresse dos alunos. Duros, porque se aproxima para breve a decisão sobre o novo plano de curso para a nossa Faculdade. Duros, porque a número dos alunos mais carenciados a nível económico, que com grandes dificuldades conseguem pagar o seu curso, aumenta de ano para ano. Duros, porque a união que reinou até há bem pouco tempo entre os alunos da FDL cedo acabou e a habitual indiferença nos corredores da FDL voltou.
São também perigosos, porque dependentes da AAFDL vivem cerca de 8 trabalhadores, se não me engano. Perigosos, poque a AAFDL ainda não tem capacidade para se dar ao luxo de esbanjar dinheiro, devido aos compromissos financeiros que tem para com terceiros, herdados de dívidas anteriores. Perigosos, porque gente de mau carácter pode por em causa todo o esforço, dedicação, altruísmo e desinteresse pessoal que muitos alunos, ao longo de 3 anos, empregaram à Associação de Estudantes.
Venho por isso fazer-vos um apelo. Um sentido apelo. Lutem até à exaustão para que o órgão que mais defende os alunos continue com esse espírito de missão que o caracteriza desde a vitória da Lista R em 2003. Lutem para que a AAFDL não cai nas mãos de gente que olha apenas para si e depois, muito depois, para os outros. Gente que se servirá da AAFDL e não o contrário.
Esta próxima eleição para os orgãos associativos, apenas no final de Janeiro de 2007, será a mais importante dos últimos anos. E é um DEVER ganhá-la. Não a qualquer custo, não em prejuízo de valores que muitos não respeitam. Mas com um sentimento de obrigação para com os alunos anónimos que acreditam que se alguma coisa correr mal, estará presente uma Associação de Estudantes que os vai defender intrasigentemente até ao fim, como aconteceu em Março de 2005 e mais recentemente em Setembro último, com a possibilidade concedida aos alunos trabalhadores estudantes de usufruirem da época de Dezembro. São apenas exemplos, exemplos que devem servir para que saibam o rumo que deve continuar a ser trilhado.
Se eu puder (sou aluno em Pós-Graduação), voto em vocês. Eu acredito. Acredito nas pessoas que a integram. Acredito nos valores que seguem. Acredito na vosso sentido de responsabilidade. Acredito na vossa honestidade, no vosso espiríto altruísta. Façam que todos os outros colegas acreditem, com que todos os outros colegas tenham esperança.
Boa sorte.

quarta-feira, outubro 18, 2006

Como perder tempo sem fazer nada de útil

A ONU promoveu um movimento de luta contra a pobreza. Não, não se tratou de donativos financeiros ou alimentares, ou sequer de quaisquer medidas para tentar dinamizar mais as actividades dos mais pobres, tendo em vista o desenvolvimento económico e a diminuição da pobreza.
O que a ONU promoveu e entendeu ser uma "medida útil" na luta contra a pobreza, foi a iniciativa "Levanta-te contra a pobreza", através da qual foi pedido à população mundial que ficasse de pé pelo menos 30 segundos de modo a, com isso, lembrar os líderes mundiais das suas promessas de eliminar a pobreza extrema até 2015. O que acontece é que no fim de tudo isto, questiono-me de que é que adianta colocar 23 milhões e meio de pessoas em pé durante 30 segundos. Toda a gente sabe que estas medidas não passam de bonitas coreografias que nada mais fazem do que bater records do Guiness, acabando por ser o que ficou para a posteridade, conforme referiu uma coordenadora do evento. É bonito pertencer ao Guiness e é giro por esta gente toda de pé, mas... tudo não passou de uma perda de tempo para todos, e sobretudo para a ONU, que se deveria dedicar mais aos mesmos objectivos de lutar contra a pobreza, mas com medidas mais úteis.
Toda a gente sabe que ninguém quer saber se estão 23 milhões ou 2 biliões de pessoas em pé. Who cares? Acham mesmo que os países ricos querem saber disso? Aplaudem e acham bonito, mas nunca vão ceder. Quem cede são os idiotas, como é o caso de Portugal. O deficit continua a aumentar e as nossas fontes de receita a diminuir. Porquê? Além da péssima gestão dos recursos disponíveis, há ainda lugar a perdões de dívidas externas. Quem vê isto, até deve pensar que nadamos em dinheiro. Mas não. Nadamos no lodo.

terça-feira, outubro 17, 2006

O Maior FDLiano de Sempre

Lanço aqui o desafio! Votem aqui no "Maior representante da FDL de Sempre", ou "Maior FDLiano de Sempre". Seria injusto lançar o desafio só para "Maior Aluno da FDL de Sempre", dado cada um votar em nomes mais contemporâneos. Assim, a votação fica aberta na generalidade. Utilizem os critérios que entenderem.
Eu inclino-me entre Inocêncio Galvão Telles e Isabel Magalhães Collaço. Opto pela segunda, dada a proeza de ter sido a primeira mulher a doutorar-se, abrindo caminho para a emancipação feminina, pioneira no ramo do Direito Internacional Privado, e brilhante. Não há ninguém que não conheça Isabel Magalhães Collaço. E, ao contrário de muitos outros nomes, conhecem-na nomes do Direito e de muitos outros ramos.
Façam as vossas escolhas.

Obrigado

Foi com agrado que recebi a notícia sobre o ressuscitamento da Tuna Masculina da Faculdade onde estudei e que considero a minha segunda casa. Sempre foi com alguma pena que a vi desaparecer. Era um símbolo da nossa Faculdade (a par de outras instituições que a representavam também). O esforço no seu ressuscitamento deve-se ao trabalho de um rapaz que sempre achei ter muito valor: Paulo Pinheiro. Pertenceu à antiga Tuna, desenvolveu trabalhos a nível associativo. É um rapaz com muita credibilidade, empenhado, dos poucos sem interesses por trás do que faz e tem muito potencial. Espero que seja bem aproveitado por quem quer que o chame a integrar um projecto associativo ou mesmo nos órgãos da Faculdade (se for essa a opção). Ele merece.
Aqui fica um abraço para ele e um obrigado pelo seu empenho (mais uma vez) em reavivar aquilo que sempre foi um marco da Faculdade mas andou morto durante 2 anos.

segunda-feira, outubro 16, 2006

Hoje foi dia de...

DR.ª JOANA NOGUEIRA
E
DR.ª ANINHAS CRUZ

domingo, outubro 15, 2006

Piada/Frase/Crença do Mês

"ESTE ANO vou ser um professor ausente"

Autor: Marcelo Rebelo de Sousa, aos seus alunos do 2.º ano de Direito Administrativo.


Precisa de comentários? Já agora, alguém tem uma fotografia do Marcelo Professor? É que é chato estar sempre a inserir fotos dele com microfones.

terça-feira, outubro 10, 2006

Parabéns AAFDL

Apesar de já nada me servir esta medida, não posso deixar de louvar que a AAFDL tenha resgatado a época de Dezembro para os trabalhadores-estudantes, quando uma alteração legislativa parecia deitar tudo a perder. É bom ver o esforço de uma associação que representa os estudantes e se esforça por lutar pelos direitos dos "ainda" alunos. A época de Dezembro é bastante importante e costuma ser decisiva para muitos, funcionando como uma luzinha ao fundo do túnel para os que a ela recorrem.
Enquanto não aluno, mas enquanto trabalhador, mostro a solidariedade para com os meus eternos colegas que se iriam ver privados desta época, mas que ainda poderão usufruir da mesma, graças a uma rápida, diligente e árdua intervenção da AAFDL junto do Directivo. A AAFDL sempre funcionou, e sempre existiu. Nunca tive dúvidas disso. Acontece que nem tudo justifica a sua intervenção, e muitas coisas têm o seu timing exacto. Mais uma vez mostraram que quando é preciso, age-se! Continuaram a honrar o espírito da Lista R e os princípios que sempre a nortearam.

Praxe: a fraude!

Eu até gostaria de recordar o dia de ontem como um dia que deu para matar saudades, ou como um dia em que fiquei contente porque ainda há gente a cumprir a tradição. No entanto, tornou-se impossível elogiar a praxe de 2006/07 porque a Tertúlia e alguns veteranos simplesmente trataram de estragá-la.
Chego eu à Faculdade e vejo toda a gente a morrer (não sei como foi da parte da manhã, mas ouvi dizer que não esteve nada por aí além). Os caloiros a caírem para o lado, e ninguém pronto a pô-los activos ou a animá-los! Sim, a praxe é suposto agradar também aos caloiros e não só aos veteranos. A praxe é vista como "integração", ou "recepção ao caloiro". Se é assim vista, também tem de agradar aos mesmos.
Não obstante ter visto toda a gente ali a enfrentar um frete e sem saber bem o que fazer, conclui várias coisas: falta espírito académico e imaginação para porem aquela gente toda a mexer, a divertir-se e a divertir. Onde estão essas qualidades que marcam um verdadeiro veterano?
Mais grave do que isto tudo é ver a inércia da Tertúlia. Juntam-se 3 tipos numa mesa em frente ao anfiteatro, onde se querem tornar o centro das atenções à força. Para tal, simulam uma sessão de autógrafos, onde obrigam os caloiros a passarem por eles e a pedir a sua assinatura num diploma. Não seria mais fácil assinar logo os diplomas e entregarem caloiro a caloiro, com o respectivo nome, quando entrassem no anfiteatro? Haverá necessidade de ficarem ali mais de 3 horas a queimarem tempo que poderia ser utilizado de outra forma? À Tertulia, que chama a si a organização da praxe, faltam ideias para inovar, para mudar, para tornarem este dia num dia melhor.
Dentro do Anfiteatro, vejo o eterno Dinis no Anfiteatro. Finalmente alguém que torna o dia da praxe num dia positivo. O Dinis é um orador de primeira categoria, com muita classe, e tudo o que diz faz sentido. É sempre um prazer ouvi-lo. Sem dúvida é uma mais valia para este dia. Espero que não passe na cabeça de ninguém algum dia excluir o Dinis da praxe.
Para continuar a eterna crítica a um grupo desorganizado como é a Tertúlia, e também culpando os veteranos, vejo dezenas de caloiros a praxar. A Tertúlia preocupa-se muito mais com a sessão de autógrafos, onde poderão dar protagonismo e fama a 3 dos seus membros (que ficarão mais conhecidos por terem assinado um diploma e cortado um bocado de cabelo, do que outra coisa qualquer), do que em organizar uma praxe como deve ser, em que só praxe quem tenha condições. Foi preciso recorrerem a "velhas glórias" do passado, como a antiga Dux que já acabou o curso, para se repor um pouco de ordem onde ela faltava! Meus amigos tertulianos e veteranos: deixarem caloiros praxarem? Que vergonha! Qualquer um que fosse lá praxar e apadrinhar, deveria ser mais praxado do que qualquer outro que entrasse este ano! Que desilusão! Como é possível deixarem que caloiros violassem a tradição académica? Já não há respeito? Caloiro a praxar caloiro? É preciso dizer mais? Para onde continuará a caminhar esta faculdade? E as suas pessoas? Ninguém impõe regras, ordem e a tradição académica! Depois digam que sou que critico tudo e todos. Criticavam o Guerreiro porque tinha 10 afilhadas por ano, sem interesses partidários. Mas só porque tinha "as melhores" todos apontavam o dedo. Ajudei-as todas, sem pensar noutra coisa que fosse. Ontem vejo gente com 20, 30 e 40 e sabem muito bem qual é o fim que lhes querem dar e já ninguém fala nada. Pior do que isso é ver os caloiros a praxarem e a apadrinharem. Depois de ver estas vergonhas... fico sem comentários mais a fazer e é com pesar e lamento que vejo a FDL, as suas instituições (?) e as suas pessoas deixarem que a mesma casa que eu e os meus colegas e amigos frequentámos, se torne um verdadeiro Cabaret da Coxa. É triste, mas infelizmente os valores, a tradição e o respeito continuam a perder-se.

segunda-feira, outubro 09, 2006

Dia de Praxe


Amanhã é dia de praxe na minha FDL. Centena de caloiros iniciam a sua viagem na Gloriosa, com a ilusão no olhar, com os sonhos a fervilhar todos os minutos e com muita esperança nos (pelos menos) 5 anos que a Faculdade terá nas suas vidas. A todos os caloiros desejo sorte, força de vontade e alegria, que vivam intensamente todos os momentos da vida académica e que se lembrem sempre que a esta passagem, para ter algum sentido, é bem mais que livros, aulas e apontamentos... Que a faculdade seja uma escola de vida, antes de ser uma escola de Direito.
Quanto a mim, faz agora 5 anos que entrei pela sua porta e fui praxado, com muita alegria, sem complexos, porque a sensação de estar na FDL superou qualquer praxe ridícula, qualquer pintura horrível, qulaquer perfume pestilento... a Faculdade valeu tudo isso e muito mais...
Agora que me retiro das praxes, com muita saudade, pois era um dos melhores dias do ano, desejo a quem vai receber as "bestas" que os tratem com humanidade, respeito e com atenção, pois a praxe é isso mesmo: uma forma engraçada e diferente de se receber novos elementos numa comunidade. Sejam divertidos, acima de tudo isso, façam com que os caloiros se divertiam e se lembrei deste dia pelo resto das suas vidas, embora á custa das suas posições rídiculas..
Um obrigado também muito sentido aos meus companheiros de viagem da FDL, que sempre me acompanharam e nos dia das praxes eram uma presença constante. Mais uma vez, sem eles nada teria tido o gosto que teve e com eles, momentos memoráveis ficarão para sempre guardados no albúm das BOAS memórias...
Bem Haja a todos!

domingo, outubro 08, 2006

Mudança na tradição

Amanhã é dia de recepção aos alunos do primeiro ano, na FDL. O primeiro de vários dias, onde os caloiros serão submetidos a vários rituais. A Tertulia Libertas, como organizadora do evento, decidiu alterar o programa deste ano. Eu tive acesso a esta informação altamente confidencial e decidi desbocar-me para que o mundo possa saber como vai ser o dia de amanhã. O dia começará às 8:30 da manhã, onde cada caloiro que entre verá ser-lhe feito um golpe com a navalha que pertenceu ao primeiro Dux da Tertulia e que serviu para que ele cortasse a fruta e caçasse as suas presas, quando ficou 40 dias num retiro, pensando sobre qual seria a sua missão à frente da TL. O corte será leve, deverá ter 10cm de comprimento e fazer o formato de uma cruz. Tem que fazer sangue. Esse sangue será utilizado posteriormente no diploma e servirá para terminar o pacto de sangue que os alunos devem fazer com a TL, no sentido de nunca a agredirem verbal ou fisicamente e de prometerem adquirir o Berro sempre que saia.
Seguidamente, os novos alunos deverão entrar no Anfiteatro 1 onde, pelas 9h00 em ponto, dará entrada no mesmo todo o corpo docente da Faculdade de Direito de Lisboa. Os Professores Doutorados estarão a vestir os novos modelos Fátima Lopes 2006/07 que foram criados para os trajes de Catedráticos. O Presidente do Conselho Directivo, Prof. Doutor Miguel Teixeira de Sousa, fará o discurso de boas-vindas aos novos alunos e seguir-se-á a apresentação formal de todos os restantes docentes da casa, iniciando-se a apresentação por ordem de antiguidade e por ordem alfabética. O discurso do Prof. Teixeira de Sousa foi feito pelo seu assessor Luís Waldyr, e terá como pontos de ordem a necessidade de pagar propinas, o destino das propinas, a situação financeira da Faculdade, o corte orçamental do Estado e a reforma do Processo Civil e a sua importância no curso de Direito.
Seguidamente, o Prof. Marcelo Rebelo de Sousa apresentará os livros a utilizar nas respectivas cadeiras, para a temporada 2006/07 e dará a sua opinião sobre cada um deles. O Prof. Jorge Miranda falará sobre as médias de entrada e como isso prejudica o Direito ao ensino e aprendizagem, enquanto direito fundamental. O Prof. Vasco Pereira da Silva terá oportunidade de falar aos novos alunos sobre a nova lei das contra-ordenações ambientais e, para finalizar, o Prof. Eduardo Vera Cruz fará uma breve referência ao desenvolvimento histórico (a par do Prof. Menezes Cordeiro) da Faculdade, desde o século XIII até aos dias de hoje.
Depois do discurso, prevê-se que os caloiros saiam do anfiteatro pelas 12h00 e que passem ao corredor da morte. Este ano, os caloiros terão que passar pelo corredor de olhos vendados, os veteranos poderão fazer rasteiras e dar calduços aos rapazes, e atirar cerveja para as raparigas, fazendo a Miss Wet Shirt. Terão à sua disposição vinagre, tinta acrílica, fermento, chocolate líquido e leite em pó para todos aqueles que acertem ou falhem as perguntas.
No passo seguinte, os caloiros deverão provar a sopa da avó que a TL preparou na sua gruta. Sabe-se que este ano tiraram as asas de morcego e vão inserir cabelos da Prof. Ana Maria Martins e unhas do Dr. Marchante. O pãozinho deste ano, vai deixar de ser carcaça, para passar a ser broa. Passam o diploma aos caloiros com o pacto de sangue celebrado.
Por fim, já no anfiteatro 1 novamente, a Tertúlia dará início à cerimónia das velas. Para isso, tiveram o cuidado de recrutar no tomatado de 2005/06 um elemento que soubesse cuspir fogo. Depois de todos terem acendido a sua velinha em memória do Regime que Portugal tinha até ao 25 de Abril de 1974, surge do meio do público, com o xaile em volta dos ombros, qual super herói, o tertuliano que começará a usar a sua vela para cuspir fogo, enquanto outros dois tertulianos começarão a fazer malabarismos com argolas. Durante alguns minutos farão um espectáculo memorável e os caloiros deverão bater palmas ao mesmo. No final, o Dux fará um truque de magia, fazendo sair um sem número de Berros por baixo do seu xaile sem que ninguém descubra como, e os restantes dois elementos da mesa farão um número de "Palhaço rico, palhaço pobre". Isto deverá divertir os caloiros.
À saída e para terminar este dia, a Comissão de Finalistas passará com sacolas pelo Anfiteatro a pedir "ofertas" para a sua viagem, e na saída da Faculdade estará a AAFDL a requisitar os 10% da mesada de cada caloiro, para poderem organizar uma festa na Quinzena.

sexta-feira, outubro 06, 2006

Nem o Tal & Qual...

Desculpem, mas não resisti! Esta é mesmo a notícia da semana. Esta notícia é simplesmente brutal e genial. Nem o Tal & Qual, o 24 Horas, o Diabo e o Crime (todos juntos) conseguiam chegar a algo tão genial como esta notícia. Mantorras e Filipa Gonçalves duas coisas em comum: terem algo a ver com o futebol do Benfica (Mantorras é jogador e o pai de Filipa é o ex-jogador do Benfica Tamagnini Nené), e o sexo. Tirando estas duas afinidades... é impressionante como é que alguém se lembrou de juntar este par. Quando vi isto parei 15 minutos a rir, só de imaginar o Mantorras a passear de mão dada com a Filipa Gonçalves, ou mesmo aquele perninhas de alicate a fazer sexo com um transexual com mais "caparro" que ele.
Esta notícia bate tudo o que os grandes génios da creatividade alguma vez fizeram e declaro esta a Notícia da semana, do mês... do ano! Simplesmente genial!

quinta-feira, outubro 05, 2006

A Lista Negra


Brevemente saírão as listas concorrentes aos órgãos da AAFDL. Sinto-me tentado a lançar a minha própria lista, a Lista Negra. Uma tentativa de imitar uma iniciativa do Governo que há algum tempo louvei: a publicação da lista negra de devedores ao Estado. Neste caso, a Lista Negra que publicaria não seria de devedores, mas seria de interesseiros que se encontram prestes a concorrer à AAFDL. Juntá-los todos numa mesma lista. O que dizem? Aí seria mesmo caso para que dissessem "são todos farinha do mesmo saco" porque realmente seria todos do mesmo saco (lista)! A Lista seguiria os mesmos moldes da Lista Negra de devedores: seria organizada por nível de interesse, sendo os muito interesseiros os que encabeçariam a Lista (já viram? É como nas listas para a política... seriam os cabeças de Lista), e conforme a diminuição de interesse ficariam mais discretamente inseridos nela. Sendo publicados os nomes e os níveis de interesse, poderia ser dado ainda um fundamento sobre as futuras aspirações dos mesmos.

Como não sou um tipo de confusões, não o vou fazer. As pessoas são suficientemente crescidinhas para saber quem são os oportunistas, quem procura o seu lugar ao sol e quem faz as falsas promessas (que a esta hora já devem ser imensas dentro das próprias listas concorrentes, dado que vale prometer tudo para o presente e para o futuro, para se ter gente que traga votos).

Admitam, com este tipo de Lista, só votaria neles quem quisesse e não existiria perdão posterior para quem dissesse "não fizeram nada e só procuraram o seu tacho". Isto é como aquelas burlas que vemos por aí, muito mal feitas, e que passamos a vida a dizer "só cai quem quer". Aqui diz-se "Só votará neles quem quiser". As ofertas vão ser muitas (para os integrantes das Listas), as promessas mais ainda (alguns nem isso vão ter capacidade de fazer, mas há quem nunca resista a dois dedos de conversa). Cabe a vocês decidirem. Alguns tipos são óbvios, outros nem tanto. Tenham inteligência, analisem os programas eleitorais e comparem o que tem cabeça, tronco e membros e depois façam as vossas escolhas. Todas as listas têm pessoas boas e pessoas más. Mas há sempre alguma que consegue ter mais pessoas boas do que más, maior liderança e um projecto melhor. Há sempre uma que se safa.. e que se torna uma escolha válida!

Há coisa na vida que nunca mudam...

Já dizia uma pessoa muito próxima a mim, que está a residir em Angola: "Há coisas que, por mais que se tente, nunca mudam. Queres um exemplo? Um cão é, e vai ser, sempre um cão. Um preto é um preto, e um branco é um branco".
Realmente, por mais que tentemos alterar hábitos, formas de estar, de ser, as coisas correm o risco de nunca mudarem por causa da sua natureza, ou por causa da natureza que lhes é atribuída. Essa não-alteração-da-natureza pode dever-se a: as pessoas realmente nunca conseguirem mudar a sua forma tacanha de ser, pensar e agir, por impossibilidade ou incapacidade; ou, porque quem está à sua volta impede que tal alteração alguma vez suceda. Exemplo da primeira situação, foi a pessoa que citei e com a qual concordo em tudo. Essa de pretos quererem ser brancos e de brancos quererem ser pretos (não me venham com a teoria que chamar preto a alguém é racismo, porque para isso também me devo sentir vítima de racismo quando me chamam branco), não me entra na cabeça. E, na maioria das vezes, a mistura dá maus resultados.
Exemplo da segunda situação que referi, é o caso dos caloiros na Faculdade. Por mais que se tente mudar as mentes com o típico "somos todos colegas", a esmagadora maioria da veterania vai sempre ver os caloiros como a "carneirada", "maçaricos", "burros", "vermes". Independentemente dos nomes que até podem ser carinhosos, há gente que olha para os novos alunos desta forma e sente mesmo estas palavras que diz. Prova disso é o clássico olhar de enjôo sempre que um aluno do primeiro ano aborda um veterano. Parece que a memória é curta para os lados destes que já não se lembram que um dia também não sentiram muita satisfação com tratamentos de "bestas" por parte de veteranos. Os papeis andam invertidos. Os vermes e as bestas são os que têm atitudes desprezíveis para com quem acabou de chegar. Porém, nem tudo são espinhos. Há sempre aqueles que conseguem apenas usar estes termos na brincadeira, e há quem nem sequer os use e os acolha. Eu, por exemplo, nunca tratei de forma diferente um aluno primeiro-anista. Podia sentir-me recalcado com o tratamento que tive no meu primeiro ano, mas acho que fazer aos outros o que não gostei que me tivessem feito, era a típica atitude vingativa, de recalcamento, sei lá. Optei pela via do acolhimento, do bem receber, da igualdade e da boa recepção.
Outro exemplo da segunda situação, é o exemplo do advogado-estagiário. Podem dizer o que quiserem, que os estagiários serão sempre vistos como "inúteis", "temporários", "ignorantes", "escravos", entre outras coisas. Isso vê-se até no olhar de um qualquer advogado ao olhar para o estagiário. Recusa considerá-lo um "colega". E esquece-se que um dia também já o foi. Então surgem os olhares de desprezo, as faltas de educação (e posso assegurar-vos que o que mais há por aí são advogados com formação jurídica elevada, e formação cívica nula), e tentativas de fazer dos caloiros os pequenos submissos que tudo fazem. Cabe a cada um saber marcar a sua posição e dar-se ao respeito. Um dia quando chegar a sénior, espero também não tratar os outros da mesma forma como já tentaram tratar colegas meus (e como felizmente ainda não me tentaram tratar). E, em caso de tentativa de abuso ou de exploração, não duvidem que marcarei a minha posição como sempre marquei. E quem me conhece sabe que digo o que tenho a dizer a quem quer que seja. Há quem diga que seja excesso de transparência. Há quem diga que seja inocência. Eu prefiro entender que é uma questão de carácter muito firme. Nesta vida, se não pudermos ser nós mesmos, será que sentiremos prazer nela com o fingimento ou com a actuação de algo que não somos? Não me parece. Um estagiário é sempre um estagiário e um caloiro é sempre um caloiro, mas apenas porque as pessoas que se encontram com mais tempo numa determinada posição assim o entendem. Uns e outros dão-se à mesma dignidade e são capazes de conviver como colegas que são. Basta terem um mínimo de inteligência, carácter e maturidade.
Discordo com a forma com a segunda situação, mas concordo totalmente com a primeira. Sejamos sinceros: há coisas, pessoas e situações, que por mais que se tente mudar, não vale a pena... um preto será sempre um perto, e um branco será sempre um branco. Um pau será sempre um pau, e uma pedra será sempre uma pedra. É a lei da vida e sempre será assim! Nunca aquilo que é diferente poderá ou deverá ser tratado como igual e vice-versa.

segunda-feira, outubro 02, 2006

Façam uma pergunta a Heloísa Helena

Estando na calha uma entrevista com a 1.ª Mulher a candidatar-se à presidência do Brasil, e que estragou as contas ao Lula, façam a vossa questão à Senadora Heloísa Helena. Para tal, enviem-na para barvelho@gmail.com e aguardem pela publicação da mesma.

Presidenciais no Brasil

Realizaram-se as eleições presidenciais no Brasil, que vão precisar de uma 2.ª volta para que se saiba quem será o futuro Presidente do Brasil. Lula caiu e vacilou, quando muitos davam a sua vitória como certa, e alguns dizem que tudo se deve graças à Senadora Heloísa Helena que obteve mais de 6% dos votos. Será que Lula vai resistir na 2.ª volta e vencer as eleições? Ou será que Geraldo Alckmin vai dar a reviravolta completa no dia 29 de Outubro?
Se as coisas em Portugal são como são, no Brasil muitas coisas conseguem causar uma surpresa ainda maior. Exemplo disso é a eleição do antigo Presidente do Brasil, Collor de Mello, como Senador pelo Estado de Alagoas. Como é possível que os brasileiros se tenham esquecido dos escândalos de corrupção e da desgraça total que este homem causou ao país? Como é possível que tenha obtido mais que um voto (o seu)?

domingo, outubro 01, 2006

Está de parabéns

Marcelo Rebelo de Sousa teve uma atitude louvável aquando da semana de inscrição dos caloiros na Faculdade de Direito de Lisboa. Num dos dias dessa semana, ao passar pelo átrio e ver os novos alunos sentados no banco sem nada que fazer, reuniu-os e foi apresentar-lhes as instalações da casa. Fez isso com mais outro grupo de alunos. Uma iniciativa, sem dúvida, louvável e que faz os novos alunos sentirem-se bem chegados com uma recepção assim. Não é todos os dias (nem todos os anos) que um docente da casa faça isto pelos alunos da FDL. E Marcelo, quer se queira, quer não, é um nome sonante para toda a gente, sobretudo para quem chega a este novo mundo que é a Universidade. Parabéns pelo gesto.