quarta-feira, outubro 03, 2007

Proposta à ASAE

Além das cozinhas, fechem os cacifos dos doentes e os frigoríficos: talvez assim as enfermeiras deixem de roubar comida.

Venham os próximos

"A Autoridade de Segurança Alimentar e Económica (ASAE) encerrou ontem as cozinhas do Hospital de Santa Maria (HSM) e do Hospital D. Estefânia, em Lisboa."

Fonte:
Diário Digital

Se não podemos confiar nas cozinhas dos hospitais, nem no Galeto, não sei em quem mais poderemos confiar. Talvez nas Cantinas Universitárias? Deixo aqui a sugestão à ASAE para visitá-las. Afinal, aqueles bifes roxos e aquelas senhoras a cozinhar com a aliança e a coçar a cabeça, ao mesmo tempo que coçavam os sovacos felpudos, nunca inspiraram grande confiança.

Mais uma pérola

Soube ontem que depois do Allgarve e do Lesboa, temos agora o FUNchal, que é a campanha levada pela Marsans para promover a Madeira.
Mais uma pérola do ridículo do nosso turismo.

terça-feira, outubro 02, 2007

Questões de deontologia profissional

O candidato Magalhães e Silva

Hoje tive que me deslocar ao Tribunal Judicial da Comarca de Almada para falar com uma oficiosa. Qual não foi a minha surpresa quando, ao entrar no Tribunal, vejo um poster do Dr. Magalhães e Silva a organizar um jantar de apoio à sua candidatura a Bastonário. Até poderia aceitar isso com muito esforço, mas deixaria logo de aceitar tal coisa quando o jantar já foi organizado em Setembro e os posters caíram no "esquecimento". Gostava de ver o mesmo empenho com que foram afixados agora a remoção dos mesmos.
Ao subir ao andar de cima e entrar na sala dos advogados enquanto aguardava pela minha cliente, sou surpreendido com outro poster afixado no interior da sala do advogado.
Pergunto: a sala do advogado e os tribunais judiciais são a sede de candidatura ou o local ideal para se fazer campanha de quem quer que seja, ou são os locais destinados aos advogados e a sala do advogado a sala da Ordem dos Advogados?
Não obstante tudo isto, sou surpreendido com um e-mail que recebo na tarde de hoje, a escassas semanas das eleições, nos quais a Ordem dos Advogados organiza uma sessão de formação aberta a todos os advogados e cujo tema é "O Novo Código Penal e de Processo Penal" e cujo conferencista é... Dr. Magalhães e Silva. Realizar-se-á outra conferência cujo tema é "Recursos no novo Código de Processo Penal" e o conferencista é... Dr. Carlos Pinto de Abreu, candidato a Presidente do Conselho Distrital de Lisboa da Ordem dos Advogados, pela lista de Magalhães e Silva.
Pergunto: a OA funciona como a maçonaria e a monarquia, onde os cargos se transmitem por sucessão e os outros candidatos fazem de bobos da corte que apenas servem para distrair e fingir que as coisas são cumpridas? E a deontologia?

Se eu formasse Governo...

... as prioridades dele seriam:
1- atribuir poderes totais aos órgãos de polícia criminal;
2- investir fortemente no reforço dos meios materiais e humanos das polícias;
3- rever as respectivas leis orgânicas, em especial a matéria de poder disciplinar, de modo a impedir que qualquer polícia que defenda a comunidade dos malfeitores se veja suspenso das suas funções;
4- rever, aprofundadamente, o Código Penal e o Código de Processo Penal;
5- proteger os direitos humanos do cidadão, em especial da vítima, em detrimento dos direitos do agente;
6- rever o limite máximo de pena de prisão efectiva, ampliando-o para prisão perpétua;
7- tornar imputáveis os maiores de 12 anos de idade;
8- crimes cujo máximo a lei preveja, pelo menos, 3 anos de prisão, terão como pena correspondente, a prisão efectiva ao "primeiro deslize";
9- estrangeiros que pratiquem crimes cuja pena seja superior a um ano, cumprirão as respectivas penas e serão, posteriormente, extraditados para o seu país de origem;
10- estrangeiros que pratiquem o segundo delito, independentemente da pena que lhe corresponda, cumprirão a pena e serão, posteriormente, extraditados para o seu país de origem, sem possibilidades de voltar a Portugal;
11- acabar com a palhaçada que é a caducidade da inscrição de penas no registo criminal, mantendo-as enquanto o agente for vivo, caso sejam penas superiores a três anos de prisão;
12- manter a regra de não inscrever o primeiro delito, caso lhe tenha correspondido pena até um ano de prisão e caso o agente pratique segundo delito, a que lhe tenha cabido até três anos de prisão, impedir que o registo seja limpo enquanto for vivo;
13- rever as penas de prisão;
14- acabar com o sistema das "pulseiras";
15- criminalizar o consumo de droga e o aborto;
16- revisão das condições das prisões, em particular os privilégios que os condenados têm dentro delas, e que não os desincentiva a, quando forem libertados, voltarem a cometer novos crimes;
17- a uma pena de prisão corresponderá sempre o exercício de trabalho a favor da comunidade, em especial trabalhos pesados em zonas pouco frequentadas;
18- revisão dos pressupostos da "tentativa" e das regras de concurso de crimes;
19- pessoas com estatuto social e personalidades, terão que cumprir as penas juntamente com a população geral. Sem dúvida que esta medida diminuiria casos de corrupção e outro tipo de crimes que os "grandes" normalmente praticam;
20- revisão do estatuto das prisões de menores e interditos e possibilidade de responsabilização dos tutores, ou daquele a quem lhes tenha sido confiada a guarda;
21- o fim das penas será só um: apenas, e tão somente, fazer a devida justiça!

Não duvidem que a criminalidade diminuiria radicalmente! Primeiro os direitos da sociedade e do colectivo, depois os direitos do agente. E ao fazer esta mudança, não duvidem que estaria a tutelar os interesses do agente: com tamanha dureza, queria ver quem se atreveria a praticar crimes.

segunda-feira, outubro 01, 2007

Disco do Ano

Já compraram o disco do ano? Não? Então estão à espera do quê? Oiçam bem esta obra de arte e depois digam qualquer coisa. Já em Janeiro tinha dito que este ia ser o disco do ano. Comprovem e depois digam quem é vosso amigo!

É melhor rir, porque não vale a pena chorar

"Desde o passado dia 15, quando o Código entrou em vigor, fica à solta quem cometer “qualquer crime” e se antecipar ao mandado de captura – “só tem de ser o próprio a apresentar-se à polícia”. É então notificado a comparecer em primeiro interrogatório judicial, “nunca antes de um mês depois”, mas fica em liberdade até ao julgamento – “sem perigo de fuga, não há prisão preventiva”. Entre inquérito, acusação e outros impasses legais, um homicida “pode passar um a dois anos em casa”.
A vítima não morreu, mas o crime é indiferente “seja violência doméstica ou homicídio qualificado”, garantem ao CM fontes judiciais. Este crime ocorreu na semana passada e o agressor está em liberdade. Agora pode esperar dois anos em casa até ser julgado."

Fonte: Correio da Manhã

Ahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahaahahahahah
ahahahahahahahahahahahahahahahahaha é melhor rir, porque já estou farto de chorar! Este país é mesmo um deboche!!!!
Falta acrescentar aqui que, como se entregou, poderá ver a pena ser especialmente atenuada, e não pagará a totalidade da taxa de justiça e respectivas custas judiciais.
Vá, louvemos ao Senhor, irmãos: "Pê-Ésse"!
"Pê-Ésse"! "Pê-Ésse"! "Pê-Ésse"! Sócrates! Sócrates! Sócrates! Sócrates! (estou neste momento a agitar uma bandeira do PS com uma mão e a levantar a outra que está fechada)

Levando Luís Filipe Menezes a sério...

Eu cheguei a defender aqui Luís Filipe Menezes. Cheguei mesmo. Luís Filipe Menezes é um tipo muito esforçado, dedicado, faz barulho, levanta a polémica e perseguirá Sócrates como um cão de fila: não desiste enquanto não o apanhar.
Porém, perdeu muita credibilidade logo em Julho quando teve oportunidade de avançar para as "directas" do passado sábado e, depois de o fazer, acobardou-se, encolheu-se e tentou arranjar todo o tipo de desculpas para não o fazer. Teve medo. E o medo é o pior que pode acontecer a qualquer candidato a um cargo político. Sei que isto parece cliché, mas o medo é mesmo o primeiro inimigo de um político: medo de não conseguir chegar lá.
LFM foi influenciado por LMM e teve medo, acabando isso por provocar durante toda a sua, várias manifestações da sua parte, onde se via, claramente, que tinha medo de ali estar e de fracassar novamente, como fracassou em 2005.
Outro ponto extremamente negativo em LFM, e que ajudou a que perdesse a credibilidade, foi a gritante falta de ideias. LFM entrou no joguinho de LMM e tudo o que conseguiu fazer durante os últimos dois meses, foi acusar, ofender e alegar factos, alguns que não conseguiu provar. Ideias e soluções para Portugal e para o PSD? Nenhuma. Tudo o que se conseguia esboçar eram expressões como "Em 2009 vamos ser Governo". Pergunto: Governo para quê? Para fazer o quê? Para encher a AR de "Jotas" e fazer mais 5.000 nomeações? Se é para isso, não obrigado.
Acabo por concluir que as campanhas de LFM e LMM foram extremamente semelhantes. Só mudou o personagem e acho que foi isso que o eleitorado do PSD quis: "já tivemos um no poder, vamos experimentar o outro para ver como é".

"Apoio LFM! LFM sempre! Claro que o apoio cessará se, para 2009, LFM não me colocar nas listas do PSD enquanto candidato em posição elegível" - Este é o novo mote dentro do PSD.

domingo, setembro 30, 2007

Aplaudo...



... a atitude do touro, e não tenho pena nenhuma de quem levou a cornada e a patada. Devia acontecer o mesmo a todos, a ver se acabavam com as touradas de vez!

Será só comigo?

É só a mim que irrita o facto de visitar um site de viagens, e ver algo como "desde", mas quando clicam no ícone respectivo, nunca encontram a data correspondente ao preço referido no "desde"? Não é só no site que aqui expus, mas em praticamente todos.
Isto não fica assim, garanto.

Aula Magna em grande

Dezembro será um mês francamente bom para a Aula Magna e para os amantes de bons concertos. Dia 6, teremos os Clã. Dia 7, Nouvelle Vague. Quem vai perder?

Nem tudo é mau no Outono

Outono, para mim, é sinónimo de tristeza. Detesto o Outono e o Inverno. Mas nada como o Outono para assinalar o regresso das grandes séries aos ecrãs. Ainda assim, devo referir que além do excelente enredo que outras grandes séries têm, a sua banda sonora é tão espectacular que já me considero realizado com o primeiro episódio.

sábado, setembro 29, 2007

Sócrates felicita Luís Filipe Menezes

""Tenho todo o gosto em felicitar publicamente o Dr. Luís Filipe Menezes pela sua eleição", afirmou José Sócrates aos jornalistas, à margem de uma visita à escola Secundária D. Dinis em Lisboa, no âmbito do Programa de Modernização das escolas do ensino secundário apresentado em Março pelo Governo."

Fonte: SIC


Pudera, a oposição vai continuar precisamente da mesma maneira, e a única diferença entre LFM e LMM prende-se apenas com a aparência física. Pouco mais.

O "Panela-de-Pressão"

"José Sócrates terá movido influências junto do Presidente Jorge Sampaio para demitir o então Procurador-Geral da República, Souto Moura. A intenção do primeiro-ministro seria substituir Souto Moura por Rui Pereira, que ocupa agora o cargo de ministro da Administração Interna. A notícia vem hoje no jornal SOL, que publica várias escutas telefónicas no âmbito do processo Portucale."

Fonte: SIC


Já não é a primeira vez que Sócrates é associado a pressões sobre terceiros. A avaliar pelas notícias lançadas pela comunicação social, vale tudo para afastar quem se atravessa no seu caminho. Sócrates continua a revelar-se uma boa panela... de pressão.

Bonito, o apoio

É bonito de se ver, todas estas manifestações de apoio a Luís Filipe Menezes. Surgem apoiantes de todos os lados, do Continente aos Açores, com passagem pelo Maringá e pelo Funchal. Todos votaram Luís Filipe Menezes e acreditaram no seu projecto. Com tanto apoio e tanto voto, só estranho os números de LFM terem sido tão baixos. Terá sido LMM a sabotar alguns votos de LFM, ou será que já se começam a oferecer a LFM tendo em vista um lugar de luxo na sua equipa a eleger para as várias eleições que estão a caminho?
Não duvidem que aguardo com alguma ansiedade, e gozo, o início dos resultados desastrosos para começar a ouvir "não fui eu que o pus lá".

PSD: mais do mesmo

De Luís I, para Luís II, o reinado promete mais do mesmo. Luís Filipe Menezes ganhou as eleições, mas perdeu a oposição e perdeu também Portugal. Um tipo sem uma ideia que fosse, sem um projecto, que se limitou a ofender e a contra atacar, vai ser o líder do segundo partido mais votado em Portugal e promete competir em 2009 para não ser o 3.º mais votado.
Aguardamos, em 2009, por um novo líder que venha a surgir após a derrota nas legislativas, nas autárquicas e nas europeias.

(Este discurso já estava preparado para quem quer que fosse o vencedor das eleições de hoje. A parte que se segue já é reservada para o único visado)

Luís Marques Mendes revelou-se pequeno demais para um partido cada vez mais proporcional ao tamanho do seu ex-líder. É incrível a forma como nestes mais de dois anos não conseguiu acrescentar nada ao partido e ainda teve a ousadia de lhe tirar coisas que muitos anos demoraram a conquistar, como, por exemplo, o prestígio e a combatividade.

sexta-feira, setembro 28, 2007

É esta a comunicação social que temos

O diário gratuito Destak, apresentou uma notícia cujo texto passo a transcrever: "Emigrante brasileira foi despedida do seu emprego nos CTT quando pediu à empresa de trabalho temporário que a contratou, a PH&B, para ter um contrato de trabalho. A brasileira pretendia deixar de trabalhar através de recibos verdes."
Permitam-me referir que a notícia começa com um erro: "emigrante" em vez de "imigrante", o que dá a ideia que a pessoa que escreveu o texto é brasileira e, sentindo-se ainda no seu país de origem, decidiu tentar incendiar a relação pouco amigável que já existe entre portugueses e estrangeiros de países em vias de desenvolvimento.
Posteriormente, é possível vermos que a notícia está integrada na secção "imigração" e não "sociedade", ou "emprego", o que contribui para uma ideia de querer fazer de uma notícia simples, uma luta entre povos e um tratamento diferenciado por parte dos portugueses, face aos estrangeiros que se encontram em território nacional. Ou seja, isto é um problema de imigração e não do foro laboral.
Quererem fazer de uma notícia cujo conteúdo deveria ser meramente laboral, uma notícia sobre xenofobia e racismo, é do mais baixo e vergonhoso que há. O racismo e a xenofobia começam na própria notícia, ao fazerem referência a "brasileira" e não "funcionária". Acredito que os CTT pretendiam contratar uma funcionária para os CTT, mas pelos vistos enganaram-se e contrataram uma brasileira, que pelos vistos não é tão funcionária como as portuguesas que trabalham na empresa. É essa a ideia com que fico depois de ler esta notícia.
Basicamente, a ideia que se quer passar é que só se recorreu ao despedimento da funcionária, pelo facto dela ser brasileira e porque nessa qualidade exigiu um contrato de trabalho. Esta curta notícia dá pano para mangas e, se investigarmos tudo o que realmente aconteceu, creio que será possível constatarmos que devem existir mais elementos na história que nos darão a possibilidade de sabermos o que realmente se passou, a saber:
1- se estaremos mesmo diante de um contrato de prestação de serviços, ou de um contrato de trabalho;
2- se a pessoa em causa não entrou pelo Gabinete dos Recursos Humanos dentro e deu um murro na mesa, exigindo que ou lhe davam um contrato de trabalho ou levava toda a gente a tribunal e, se falassem muito, ainda aparecia lá o Robertão artilhado de armas e de amigos "muito legais cara", dispostos a fazer a folha a toda a gente.

O conteúdo desta notícia é de lamentar, a forma como está redigida, também, e a intenção quer de quem a escreveu, quer de quem permitiu que ela fosse impressa assim, é bastante perceptível: passar a ideia de racismo e xenofobia, onde não a há. Certamente que a funcionária, apesar da sua nacionalidade brasileira, não é mais ou menos funcionária que qualquer portuguesa que trabalhe para a referida empresa. O racismo e a xenofobia, bem como outros problemas com a imigração, começa no próprio Destak. Cuidado com a difamação, pois estão a associar uma conduta xenófoba e racista a uma empresa de trabalho temporário
É esta a comunicação social que temos nos dias de hoje: em vez de instruírem e informarem, inflamam a opinião pública, criam vítimas e heróis onde não os há, e criam agentes de perigo para a sociedade, onde também não os há. Repito que tudo isto é de lamentar, sobretudo quando nessa mesma edição o jornal se vangloria do facto de ser o maior diário português com 188 mil exemplares e mais de 500 mil leitores. 188 mil exemplares que, diariamente, incendeiam a sociedade e contribuem para a opinião errada que as pessoas têm das situações (que neste caso são mais de 500 mil leitores e os outros que, reflexamente, têm acesso às opiniões que quem leu o jornal, lhes passa).

Allgarve e Lesboa

Que legitimidade terão os organizadores da "Lesboa Party" para tecer comentários jocosos a propósito da marca "Allgarve"?
Já agora, deixo uma pergunta ao Presidente da CML: não tenciona fazer rigorosamente nada relativamente ao uso indevido do nome da Cidade de Lisboa num evento associado a Gays, Lésbicas, etc? Lisboa, a capital da homossexualidade?! Será isto positivo para nós, lisboetas, e para as gerações seguintes?

quarta-feira, setembro 26, 2007

Não se iludam

Depois de ver, um pouco por todo o lado, manifestações de culto ao Governo e ao PS, decidi chamar à colação um assunto cuja ilusão durou alguns instantes na minha cabeça, mas em muita gente continua subsistir.
Aquela notícia infernal do Diário Económico do passado dia 20, parece acabada de sair do Correio da Manhã ou do 24 Horas que, na ânsia de vender milhares exemplares para ser o líder de vendas em Portugal, decidiu lançar uma notícia cujo conteúdo deixa muito a desejar. O objectivo parece ter sido atingido, pois ninguém pára de falar noutra coisa senão na dita notícia. Por todo o lado oiço (e leio) que os exames da Ordem dos Advogados vão acabar, que nunca mais ninguém estará sujeito aos exames, e chegam ao ponto de dizer que mal se saia da Faculdade será possível a inscrição directa como Advogado na OA, tendo acesso à "vermelhinha", sem passar pelo estágio.
Primeiro, tenho que dizer que estranhei as coisas mudarem assim de repente, e sem motivo aparente. Porque será que o PS decidiria mudar a actual legislação? Estaria finalmente a pensar fazer algo de jeito? Porém, deixei-me arrastar pelas ondas de ilusão que andaram aí pela comunicação social e blogoesfera.
Alguns instantes após ler a notícia e após passar parte da cegueira, li a notícia do Diário Económico até ao fim, sem parar na parte que interessava quer a mim quer ao jornal, e vi as declarações de Vitalino Canas: "Há interesse em uniformizar, mas não é dramático haver regimes diferentes", e ainda a possibilidade de "alterar a lei". Pensei de imediato na Lei do Tabaco, nas suas promessas iniciais e na concretização contrária do "muito dificilmente alteraremos a lei". Enchi-me de reservas, mas a esperança continuava.
Por fim, já refeito da emoção inicial, mas ainda com um brilho nos olhos, deram-me a opinião do autor do projecto, Vital Moreira, e acabaram-se as esperanças. Eu, que nem gosto de visitar blogues que têm como redactores pessoas que se acham boas demais para o resto do mundo, chegando ao ponto de não permitir que os leitores comentem os seus posts, vi-me forçado a ir ao dito blogue e ver o que é que o legislador realmente pretendia. Foi aí que acabou a réstia de esperança que havia em mim.
Observando com atenção, vamos concluir que a Ordem dos Advogados vai continuar como sempre. Os lóbis continuam a ser protegidos pelo PS, pelo que não posso congratular o Governo pelo quer que seja. Pelo contrário! Mais uma vez o Governo deu provas daquilo que vale: nada! Nada vezes nada! Um zero à esquerda! Trinta zeros à esquerda! Muitos zeros a partir da primeira casa decimal!
Acreditem que eu e muitos que não são militantes ou seguidores do Partido Socialista, davam os tudo para podermos fazer um post de congratulação e elogio ao Governo mas, infelizmente, não há motivos para isso. Apesar de tudo isto, permitam-me dizer que a culpa não morre solteira, pois a lei foi aprovada por unanimidade. Isto só prova uma coisa: os partidos políticos são todos iguais. Onde vêem dinheiro e interesses, deixam de ver a efectiva necessidade de mudança ou de tomar medidas menos populares. No entanto, a maior fatia da culpa recai sobre quem está no poder e podia tornar as coisas diferentes, até porque tem maioria para isso.
Não obstante tudo isto, acho curioso o exemplo que Vital Moreira dá para a aplicação da nova lei sobre as ordens profissionais: a Ordem dos Engenheiros. E, perante isto, basta-me pensar em José Sócrates e nas suas habilitações (?) para dizer: "I rest my case".

Vencer pelo cansaço

Já uma vez tive oportunidade de aqui comentar o novo lema do prestador de bens e/ou serviços, nos quais incluo o Estado. A tradicional expressão "o cliente tem sempre razão", deu lugar a "ele há-de desistir e acabar por aceitar as coisas como são".
Todos nós temos um exemplo desta última expressão, mas nem todos temos um exemplo da primeira. Começa nas pequenas coisas: um preço abusivo, a um funcionário que não cumprimenta as pessoas. Não é nas grandes coisas que nos cansam, é nas pequenas. É como se fosse um aquecimento para o que ainda está para vir.
Como disse em cima, facilmente nos deparamos com pequenas coisas que nos atazanam o juízo. São essas pequenas coisas que servem para nos levar ao desespero. Um problema simples aqui, outro ali, outro mais à frente. Se inicialmente as pessoas se sentem com vontade de reclamar pelos seus direitos, quando se juntam vários "pequenos problemas" o cliente/público acaba por desabafar e pensar "não tenho paciência, deixa estar assim como está".
Tudo isto é feito com desprezo pelo beneficiário dos bens/prestação. Antigamente, um olhar torto por parte do cliente levava a uma reforma completa por parte da origem. Hoje, até para reclamar ouvimos, como eu já ouvi, "reclame à vontade, que isto nem sequer é meu. Sou só um funcionário, para mim é igual". Depois, para reclamarmos, temos que o fazer por escrito, sendo que essa reclamação vai directamente para quem supervisiona a actividade em causa. Desesperante se torna a situação quando recebemos cartas em casa, por parte dessa entidade, a dizerem que agradecem a reclamação, mas não são a entidade competente para analisar aquela questão.
Se contactamos directamente quem pode agir nas questões, mesmo tendo sido gravemente prejudicado, o cliente/beneficiário é obrigado a fazê-lo por escrito, a gastar dinheiro em cartas e avisos de recepção e a aguardar uma eternidade para que passem os dias exigidos por lei para que a origem dê uma resposta. Devemos contactar telefonicamente, voltar a escrever tudo e enviar para outra entidade, e quando damos conta já passaram meses. Entretanto, se estivermos a ser gravemente lesados, não há nenhuma medida cautelar para questões, por exemplo, que envolvam 10, 20 ou 50 euros. Ou seja, o cliente paga 10 euros daqui, perde 50 euros dali, é obrigado a pagar 30 euros noutro lado, até que tudo se resolva. Aos poucos, vais sendo maltratado por funcionários mal educados e incompetentes, vai gastando dinheiro de coisas que lhe são exigidas injustificadamente, e os tribunais, caso chegue a este limite, ainda considera as entidades "com competência, dado o seu prestígio no mercado" e avaliam os factos, não em função do caso concreto, mas em função do todo.
Aos poucos, o tempo passa, o cliente gasta dinheiro, desespera ao ter que enfrentar a burocracia, e a resposta a dar, perante tudo isto, é fácil: "é melhor deixar estar tudo como está e não me chatear mais". Tudo isto traduzido dá qualquer coisa como "vencer pelo cansaço". É este o novo lema do prestador de bens e/ou serviços. É um pequeno problema aqui, outro ali, e que leva ao desespero milhões de consumidores, sem que se tenha solução à vista. E assim, sem querer, os portugueses aumentam a probabilidade de ataques cardíacos, crises de ansiedade, esgotamentos e depressões: o desespero que temos ao nos sentirmos impotentes para enfrentar "pequenas coisas", leva, sem que ninguém dê conta, a situações de aumento de stress. Esse stress acaba por gerar sentimentos de fúria ou de desespero face à impotência que se sente por não se conseguir resolver as coisas em tempo útil, ou da forma que, por vezes, sabemos que é a mais justa.
Já repararam como pequenos problemas, coisas insignificantes, acabam por destruir a nossa vida? Quer acreditem, quer não, praticamente todos os portugueses se deixam inflamar, ainda que inconscientemente, pela "raivinha", pela "furiazinha", e pelo "ter que respirar fundo e contar até 10 para acalmar". Mais grave é quando estas pequenas coisas se arrastam para a nossa restante vida pessoal e nos dizimam o pouco que ainda possamos ter de bom.