sábado, setembro 26, 2009

Quando um pai é o primeiro a censurar as suas filhas...

... como pode o mundo aceitá-las? Garanto que não consigo ver o que têm de abominável duas jovens cujo gosto se baseia no gótico.
Diga-se, aliás, que a mãe delas não está muito diferente...

quinta-feira, setembro 24, 2009

É a minha visão do mundo que está em jogo!

Junto à janela do meu quarto, senti uma vontade incontrolável de redescobrir e folhear livros antigos que os meus pais coleccionavam, tendo encontrado, entre Mao, Steinbeck e Pasternak, um livro de discursos de António Oliveira Salazar.

Em 1942, o Professor António Oliveira Salazar proferia este discurso:

"Num sistema de administração em que predomina a falta de sinceridade e de luz, afirmei, desde a primeira hora, que se impunha uma “política de verdade”. Num sistema de vida social em que só direitos competiam, sem contrapartidas de deveres, em que comodismos e facilidades se apresentavam como a melhor regra de vida, anunciei, como condição necessária de salvamento, uma “política de sacrifício”. Num Estado que nós dividimos ou deixámos dividir em irredutibilidades e em grupos, ameaçando o sentido e a força da unidade da Nação, tenho defendido, sobre os destroços e os perigos que dali derivaram, a necessidade de uma “política nacional”.

Face à situação do país, onde faltava - segundo ele - seriedade, sinceridade, mérito e responsabilidade, o digníssimo Professor escolheu o seguinte slogan de mobilização:

"Política de verdade, política de sacrifício, política nacional, é o que se há feito, é o que entendo vós aplaudis na vossa mensagem." (Discursos, volume 1º , pág. 23).

Da minha janela ainda, não pude deixar de vislumbrar um cartaz de campanha de Manuela Ferreira Leite.

Mais de meio século depois, Manuela Ferreira Leite tenta passar a mesma ideia de Portugal que Salazar outrora conseguiu: um país triste, dividido, onde reina a irresponsabilidade e o compadrio, um país cuja face não irradia seriedade.

Face a este diagnóstico, Manuela Ferreira Leite anuncia o seu compromisso com a verdade:

"Há outra forma de fazer política. Com verdade. Com seriedade. Com dignidade."

A Verdade passa a ideário exclusivo da sua campanha. É repetido até à exaustão. A verdade que os outros não têm e que Portugal precisa. A verdade de Manuela até se confundirem uma e outra, até uma não poder viver se não alojada no corpo da outra.

Falar Verdade. Combater a preparação porque é alterar as valias inatas de cada um. Falar Verdade. Combater o optimismo que é próprio do condicionamento mediático. Falar Verdade, doa a quem doer.

A Verdade, mais de meio século depois, vem agitar as bandeiras do medo, da protecção, da coacção que a liberdade produz. Vem rotular os adversários com os epítetos mais difamatórios, de forma velada mas insinuante, pois só após o desmascaramento daquele que oprime o povo, poderá este aspirar a ver e receber a Verdade.

A Verdade, mais uma vez, merece que todas as barreiras sejam derrubadas para a alcançar, mesmo que tal jornada ponha em causa os princípios acessórios da Verdade - a seriedade e a dignidade - porque só esta linguagem poderá derrotar os ímpios.

A Verdade, mais de meio século após a primeira batalha, evoca novamente a libertação dos que se deixam controlar pelo medo e dos pobres que nem percebem estar a ser controlados em nome da liberdade e tolerância que aqueles que urge derrubar advogam.

A Verdade ganhou! Enquanto me perdia naquela montanha de livros com cheiro seco e bafiento, a Verdade desmascarou o Demónio que assolava Portugal e afirmou-se. Dia 27 de Setembro marca o afirmar da verdade face ao mal que assolava o país.

Avisto tudo da janela do meu quarto com um misto de incredulidade e dormência que se instala e propaga pelo meu corpo, abafada apenas pelo paradoxal bater de coração que sinto com inusitada clareza. Um sentimento visceral que não é acompanhado pela consciência de que algo está errado, apenas por uma sensação errática e confusa.

Daquela janela, vejo as pessoas saírem à rua no que parece um ambiente de festa mas...os seus movimentos apresentam-se robotizados, estranhamente ordenados e falsamente efusivos. Sinto o meu corpo arrefecer, letárgico e atónito perante tal cenário.

Durmo.

Sinto que a Verdade é absoluta, tal como absolutista é quem a advoga. A Verdade limita-me, corrói-me e impõe-me uma visão unidimensional que rejeito. Hoje vivo com medo. Dia 28 de Setembro trouxe-me a verdade. Eu não a reconheço. Sinto-a esguia, a escorregar de forma incómoda pela minha corrente sanguínea, como se tivesse sido implantada coercivamente, deixando sequelas.

Todos me dizem: Esta é a Verdade, agora vês claramente o mundo e o teu lugar nele. Deixaste de recear o controlo silencioso que a liberdade te impunha. O teu livre desenvolvimento não passava de uma fachada para cercear o teu papel na sociedade. Agora és livre, esta é a hora da Verdade.

Acordo suado. O despertador a piscar. Tudo não passou de um sonho, um sonho onde a Verdade era um objecto apreensível e detido por uma elite séria e credível, de acordo com a Verdade que me trouxe dia 27 de Setembro.

Continuo sem dormir bem desde essa fatídica noite...e aquele cartaz "Chegou a Hora da Verdade" teima em irromper todas as noites pelo meu quarto.

Tal como o livro de discursos de Salazar, também a Política de Verdade está à distância de um olhar. Ainda que eu opte por desvalorizá-la, ela está a moldar o dia e este momento da história.

Agora sei que não posso ficar no quarto enquanto o combate se desenrola, por muito que os livros e a janela aberta para o mundo me fascinem e prendam. É a minha visão do mundo que está em jogo.

Voto de Esperança



Não sou militante de nenhum partido político, e em toda a minha vida, fui apenas 3 vezes a comícios eleitorais, um do PSD em 1991, e dois da CDU em 2001 e 2005.


Não sou daqueles que diz que não tem partido ou que vota consoante o candidato: o meu partido é o PSD e sempre votei em candidatos da chamada Direita nas eleições presidenciais. Apenas e só nas eleições autárquicas é que voto tendo em conta os cabeças de lista, e por isso tenho apoiado a CDU no município de Loures.


Sempre me identifiquei desde pequeno com o PSD, seja por influência familiar, ou simplesmente porque gosto da mensagem e do espírito do partido, espírito esse de cariz reformista, progressista e inovador. Foi assim com Cavaco Silva de 1985 a 1995 e com Durão Barroso de 2002 a 2004.


Posto isto, e sem surpresa, votarei no próximo Domingo novamente no PSD, agora liderado por Manuela Ferreira Leite.


Voto PSD porque acredito que os recursos são escassos e que Portugal, tendo neste momento uma Dívida Pública na ordem dos 74,6% do PIB, uma Dívida Externa na ordem dos 101% do PIB, e segundo consta, uma Deficit Orçamental na ordem dos 8,9% do PIB, não tem condições económicas e financeiras para realizar avultados investimento públicos (a título de exemplo: TGV, 3ª Travessia do Tejo, 3ª Auto-estrada Lisboa Porto, mais SCUTS, etc.).


Voto PSD porque acredito que deve ser feita uma política de apoio às PME, acabando com alguns impostos como o Pagamento Especial por Conta, prevendo a descida de 2% da Taxa Social Única, criando uma conta-corrente entre o Estado e as empresas, possibilitando o pagamento do IVA apenas quando a empresa recebesse as quantias e não a partir da emissão da factura, etc.

Voto PSD porque não quero que Portugal tenha um Primeiro-Ministro que convive mal com a Comunicação Social, Sindicatos e com a independência intelectual dos cidadãos.


Voto PSD porque quero que Portugal olhe para o seu Primeiro-Ministro sentindo que se trata de uma pessoa séria, que subiu a pulso na vida, e não através de se ter tornado profissional da política.


Voto PSD porque o actual partido que sustenta o Governo, o PS, mentiu aos portugueses em todas as matérias essenciais em 2005, fazendo exactamente o contrário do que tinha prometido então.


Voto PSD porque Portugal não estava tão mal economicamente e a nível social há mais de 25 anos.


Voto PSD porque, através do discurso sério e realista de Manuela Ferreira Leite, Paulo Mota Pinto, Paulo Rangel e Rui Rio, Portugal sabe com o que conta e pode ter confiança nestes agentes políticos.


Voto PSD porque acredito que só este partido poderá devolver esperança a Portugal.

Curtas a três dias das eleições

A bomba "escutas na Presidência" dá a sensação de ter rebentado no colo de alguém bem antes de ter chegado ao destino. Uma vez mais, Manuela Ferreira Leite foi atrás de trivialidades e daquilo que alguém diz no momento (seja Sócrates ou Cavaco) e acaba a campanha do PSD tentar conquistar votos pela vitimização em vez de apresentar ideias e projectos que levem o eleitorado a concluir que ela é a pessoa certa na hora certa para fazer esquecer a era Sócrates.
Ainda assim, atrevo-me a concluir que um futuro com o PS será sempre mais desastroso que um futuro com PSD, não porque tenham melhores ideias, mas porque a inteligência do "núcleo duro" dos social-democratas é de tal forma limitada que não conseguem ir muito longe quer no desenvolvimento, quer no enterro do país, fazendo com que, de forma inconsciente, acabem por ser menos maus que os socialistas.
Provavelmente os mais incautos ignoram a excelente campanha feita por Paulo Portas e, consequentemente, pelo CDS-PP. Enquanto PS, PSD, CDU e BE discutem trivialidades e ofendem-se mutuamente, o CDS-PP lança ideias, promove debates, escuta o povo e, acima de tudo, apresenta soluções. Não merece Portas ser recompensado pela política de seriedade?

Você confia numa sondagem com 37% de indecisos?

Hoje foi publicada mais uma das bizarras sondagens que têm tentado influenciar o voto de muitos portugueses. O PS vai-se vangloriando com estes resultados e a prova disso são os novos, embora tímidos, pedidos de maioria absoluta. As sondagens dão uma vantagem cada vez maior aos socialistas e estes estão a deixar-se levar pela onda.
Uma das coisas que me chamam mais à atenção nesta última sondagem diz respeito à empresa que a realizou. Sim, é a mesma que ainda há cerca de quinze dias publicou que o Bloco de Esquerda ia ter 16% (como se isso fosse possível em alguma parte do mundo) e agora dá apenas 9% ao partido de Francisco Louçã (terão os bloquistas perdido assim tantos votos?). Ou seja, aqueles socialistas que desvalorizaram a primeira sondagem da Marktest por dar 16% ao BE, agora tomam-na como referência porque ao PS já são dados 40% com 8% de avanço sobre o PSD.
A ideia destas empresas de sondagens passa por dar resultados tímidos ao partido que pretendem que ganhe, realizando sucessivas sondagens à medida que se aproximam as eleições que denunciam uma ascensão desse mesmo partido, tudo para que no inconsciente dos eleitores se desenvolva a ideia de que uma determinada estrutura partidária está em crescendo e apresenta-se de forma cada vez mais sólida, com a vitória final cada vez mais provável. Desta forma, quer se acredite, quer não, enquanto uns se desmotivam e não votam nos opositores, outros há que tendem a perder a indecisão e decidem votar no partido que mais cresce porque na sua ideia desenvolve-se a imagem de que o provável vencedor é mesmo a escolha mais acertada para a maioria dos eleitores.
Mas o dado que mais curiosidade suscita está relacionado com os indecisos. 37%. Será que alguém consegue confiar numa sondagem com 37% de indecisos? Abram os olhos: foi por estas e por outras que o PSD venceu as europeias com algum conforto. Ou muito me engano ou a história vai repetir-se no próximo domingo.

segunda-feira, setembro 21, 2009

A partir de domingo seremos ainda mais

Cavaco Silva começa a deixar de ser uma marca de confiança

Em 2006 votei em Cavaco Silva por achar que se tratava do homem certo para o desempenho das funções de Presidente da República.
Hoje, dou por mim a concluir que só votaria novamente em Cavaco Silva porque os restantes candidatos não reúnem o perfil adequado para serem Chefes de Estado.
Temo que amanhã possa olhar para Cavaco e concluir que este afinal não tem capacidade para ser Presidente da República e outros há que demonstram mais habilidade para fazer algo mais que vetar diplomas..

Com Alegre à espreita, Cavaco Silva começa a dar sinais de fragilidade...

Caíram Dias Loureiro, Oliveira e Costa e agora Filipe Lima. Pelo meio, os negócios polémicos do Presidente da República no BPN, que foram bem abafados, diga-se, pelo assessor de imprensa recém demitido. Cavaco Silva começa a dar cada vez mais sinais de fragilidade e começa-se a desconfiar daqueles que o rodeiam. Ao Chefe de Estado não basta ser árbitro ou mediador, há que ser, acima de tudo, sinónimo de credibilidade e imparcialidade, qualidade que muita gente começará a questionar se Cavaco Silva terá.
Com a ameaça Alegre em 2011, desta vez reforçada com o apoio do PS e do BE, está na hora de Cavaco Silva afastar todos os fantasmas que o rodeiam cada vez mais..

domingo, setembro 20, 2009

Honda adapta condutores de automóveis à nova lei de 125cc

De acordo com a revista Fugas do jornal Público, a "Honda tem uma solução para os automobilistas encartados, com mais de 25 anos, que querem conduzir uma mota de 125cc mas não têm qualquer experiência. É uma escola de pilotagem situada em Palmela".
Os cursos de quatro horas estão divididos entre componente teórica e a prática na pista e os preços variam entre os 105 euros (com moto própria) e os 130 euros (com mota fornecida pela escola). Poderão contactar o responsável, Nuno Barradas, através de e-mail (nunobarradas@vodafone.pt) e telemóvel (917242734) para se começarem a adaptar à nova lei que entrou em vigor a 14 de Agosto de 2009.

P.S.: Quem pretender averbar a categoria A1 (condução de motociclos até 125cc) no teu título de condução, terá que pagar 24 euros pelo acto.

sábado, setembro 19, 2009

Monárquicos querem ajudar a República

Numa altura em que uns promovem a Monarquia através de actos subversivos, outros há que pretendem ajudar a República, o que não deixa de ser curioso.

sexta-feira, setembro 18, 2009

Salazar is in the building...

... e está bem vivo!

Gato Fedorento: o grupo precisa reinventar-se, urgentemente

Tenho visto o novo programa dos Gato Fedorento por dois motivos: para assistir às entrevistas com os políticos (o único ponto de interesse) e para ver até onde vai a parcialidade do grupo na protecção ao Bloco de Esquerda e a Francisco Louçã.
Fazer uma peça com Louçã para dizer que o indivíduo carrega nos erres quando fala, não me parece que seja algo que tenha graça, quanto mais que se possa dizer que eles têm caído bem em cima do BE. Um partido com tanto por onde pegar e o grupo decide simplesmente bater nos sujeitos do costume: PSD, Manuela Ferreira Leite, Alberto João Jardim e José Sócrates. Com sorte ainda passam no PCP e no CDS, mas o BE é intocável!
Outra coisa que salta à vista é o conceito que utilizam no seu humor: simplesmente não têm graça nenhuma. O público rebenta de riso de cada vez que eles dizem "néscio", "esmiúça" ou até mesmo "olá" e "até amanhã", mas isso deve-se ao facto de ainda andarem sob o efeito dos antigos "o que tu queres sei eu", etc. O efeito é mesmo prolongado, mas o seu conceito já está mais que esgotado e ultrapassado
Depois de ver os quatro últimos programas dos Gato Fedorento, chego rapidamente a uma conclusão óbvia: o grupo precisa reinventar-se. Deixou de haver espaço para os quatro num mesmo programa. É bonita a tentativa de continuarem a promover-se os quatro, sem deixar ninguém para trás, mas estará na altura de cada um encontrar o seu caminho. O "esmiúça os sufrágios" se fosse apenas feito com Ricardo Araújo Pereira e mais focado em entrevistas, em vez da tentativa da piadola tão inteligente que perde a piada toda, talvez se tornasse mais atractivo e provocasse mais interesse junto do público do que o típico rir por rir só porque são os Gato Fedorento. Quer queiram, quer não, Ricardo Araújo Pereira destaca-se dos demais: comunica com facilidade, é expressivo, tem uma linguagem corporal bastante boa e é inteligente. Os outros? Os outros não se comparam e deviam abrir caminho à saída de Ricardo Araújo Pereira do grupo.

quinta-feira, setembro 17, 2009

Movimento Mérito e Sociedade promete de forma inconsciente

O Movimento Mérito e Sociedade anunciou duas das medidas para a justiça, são elas: o fim do cúmulo jurídico e a castração química para pedófilos. Embora as duas propostas me pareçam aceitáveis, o MMS esquece-se de um pormenor importante: para que as mesmas sejam uma realidade, primeiro há que fazer uma revisão constitucional que altere o número 1 dos artigos 25.º e 30.º, algo que carece de uma maioria... de dois terços.

quarta-feira, setembro 16, 2009

MEP: um partido a ter em conta

Sabendo-se que é de todo impossível fazer uma cobertura justa e equitativa dos 15 partidos políticos que concorrem às próximas eleições legislativas, a comunicação social devia dar mais atenção a partidos em ascensão e com boas possibilidades de desafiarem o actual quinteto como é o caso do MEP (Movimento Esperança Portugal).
O partido liderado por Rui Marques conseguiu um resultado brilhante nas suas eleições de estreia, as europeias de 7 de Junho passado, obtendo 52.828 votos, o que equivale a 1.48%, afirmando-se como a sexta força política.
O sucesso deste partido passa, desde logo, por ter Laurinda Alves, Catalina Pestana e Roberto Carneiro como principais rostos do partido, conferindo, num primeiro impacto com o eleitorado, uma imagem de confiança. O logotipo, o verde enquanto principal cor que identifica o MEP, a boa imagem de Rui Marques cujo currículo concorre para que os eleitores não o identifiquem com o sistema, e a resistência à tentação de cair em teorias populistas, ajudam a projectar ainda mais o partido. Hoje, em pleno centro de Lisboa, tive a oportunidade de ver que têm uma boa máquina partidária a funcionar, com muitos colaboradores e muita cor nos locais que escolhem para as acções de campanha.
Todos estes factores contribuirão para aquilo que eu acredito que venha a ser a obtenção de um resultado muito positivo nas Legislativas naquele que, se conseguir pelo menos um mandato no Parlamento, poderá desafiar no futuro algumas das forças políticas minoritárias na Assembleia de República. Acrescente-se que, quando Rui Marques diz esperar eleger entre 2 a 3 deputados, o líder do MEP poderá não estar a sonhar demasiado alto. Consultei os resultados das últimas eleições e, se considerarmos os mesmo números das eleições de Junho, constatamos que o MEP elege, confortavelmente, um deputado por Lisboa. Devemos adicionar agora o "efeito europeias" e acreditar que o Movimento de Rui Marques poderá provocar alguns estragos a partidos minoritários.
Por tudo o que já dito, fiquem atentos a partidos como o MEP que vão conquistando o seu espaço e crescendo a um ritmo mais rápido que o esperado, procurando, de forma digna e transparente, que todo este esforço e investimento se venha a reflectir em votos e em mandatos.

terça-feira, setembro 15, 2009

Patrick Swayze: 1952-2009

Perdemos um excelente actor e um grande herói que teve a capacidade de lutar contra uma doença incurável com a energia e força de vontade dignas de um verdadeiro guerreiro!
Que descanse em paz.

segunda-feira, setembro 14, 2009

Os Gato Fedorento estão de volta e vêm igual a si próprios: sem graça e tendenciosos

Assisti hoje a uma imitação muito barata do Daily Show. Fi-lo para ver a entrevista com o Primeiro-Ministro, o qual acho que teve uma postura bastante positiva ao aceitar o convite e a sua presença revelou-se interessante, alinhando no conceito do programa sem descurar a seriedade e a posição que ocupa. Curiosamente, o diálogo entre Ricardo Araújo Pereira e José Sócrates até estava a valer a pena e só pecou por ter durado tão pouco tempo.
No entanto, tenho que reprovar a prestação dos Gato Fedorento que insistem em fazer sketches que não têm piada nenhuma e batem nos ceguinhos do costume. A edição de hoje foi inteiramente dedicada à ridicularização do PSD e para amanhã já anunciaram mais uma série de idiotices envolvendo Paulo Portas, Jerónimo de Sousa e José Sócrates. Curioso, ou talvez não, é que o Bloco de Esquerda nunca é alvo da sátira e da ridicularização do grupo, muito provavelmente porque elementos dos Gato Fedorento são afectos aos bloquistas e já foram filmados em acções de campanha do partido por motivos extraprofissionais.
Acresce ainda que em vez de fazer humor inteligente e optar por uma imitação séria do Daily Show, o grupo insiste em focar palavras que não fazem sentido algum no contexto em que as querem empregar como o "esmiuçar" as sondagens.
Em suma, vem aí mais uma série de campanhas contra partidos políticos que constituem uma ameaça aos interesses do BE, porque ainda que inconscientemente acabam por influenciar um eleitorado que insiste em imitar as ridicularizações que vê na televisão.

domingo, setembro 13, 2009

Acha que Manuela Ferreira Leite não gosta de Espanha, nem de espanhóis? Leia isto.

Ontem, Manuela Ferreira Leite repetiu que só defende os interesses nacionais e acusou José Sócrates de defender os espanhóis. A segunda parte desta frase é verdade, e o TGV foi um bom exemplo disso, mas a primeira é bastante discutível. Continua a acreditar que Manuela Ferreira Leite não gosta de Espanha, nem de espanhóis? Então preste atenção ao texto que eu publiquei neste espaço, em 1 de Agosto de 2009, e tire as suas próprias conclusões:

"Manuela Ferreira Leite (MFL) foi Ministra de Estado e das Finanças entre 2002-2004 no Governo PSD que sucedera ao demissionário Executivo liderado pelo Engenheiro António Guterres.
Em 18 de Junho de 2004, quando, alegadamente, Durão Barroso já havia decidido apresentar a demissão do XV Governo Constitucional e a menos de um mês da tomada de posse do novo Executivo liderado por Pedro Santana Lopes, o Ministério das Finanças, liderado por MFL, concedeu o regime de neutralidade fiscal à reestruturação do Grupo Totta, que na época integrava o Banco Totta & Açores, o Crédito Predial Português e... o Banco Santander Portugal*. Esta operação terá permitido ao Grupo Totta beneficiar de um benefício fiscal de aproximadamente um milhão de euros.
Pouco mais de um ano e meio depois, em 9 de Fevereiro de 2006, Manuela Ferreira Leite integrou a administração do Banco Santander em Portugal, assumindo um cargo não executivo, mas nem por isso mal remunerado, dado que, durante o ano de 2007, MFL terá auferido perto de 83 mil euros em salários (vêem, é para isto que vão as taxas e as despesas de manutenção que pagam aos bancos). Não sei se o convite para o cargo terá sido uma compensação pela decisão do seu Ministério em favor desta instituição de crédito quando em 2004, sei que é um excelente negócio alguém conceder 83 mil euros por ano a outrém, quando o último acabou de ajudar o primeiro a poupar um milhão de euros.
Esta situação não só é um bom negócio para as partes como anda muito próximo da violação de lei. O artigo 5.º do regime de incompatibilidades dos titulares de cargos políticos proibe o exercício de cargos em empresas privadas que prossigam actividades no sector por eles directamente tutelado durante três anos após a cessação das respectivas funções. No entanto, e de acordo com alguns fiscalistas conceituados, como Saldanha Sanches, o que libera MFL é a parte final do artigo que refere "desde que, no período do respectivo mandato, tenham beneficiado (...) de benefícios fiscais de natureza contratual", o que não se aplica à líder do PSD.
No entanto, moralmente, a conduta deve ser censurada e completamente repudiada deve ser a justificação de Vasco Valdez, Secretário de Estado dos Assuntos Fiscais, inferior hierárquico de MFL no XV Governo Constitucional, o qual terá defendido que MFL "não tinha conhecimento da situação". Não consigo deixar de me revoltar esta mania da classe política portuguesa em querer atirar areia para os olhos dos portugueses, querendo fazê-los acreditar que um consumidor que não lê as letras milimétricas num contrato de compra e venda de um produto de 20 euros deve ser censurado porque temos que ler tudo minuciosamente, mas um político que gere milhões e milhões de euros pode assinar de cruz centenas de documentos que podem desgraçar o país porque "tem muito trabalho e não pode perder tempo"!
Finalmente, em Julho de 2009, a menos de três meses das eleições legislativas, e numa altura em que MFL e José Sócrates se encontram muito próximos, o Santander decide voltar a fazer um jeitinho à "política de verdade" da líder social-democrata. Diz Nuno Amado, Presidente do Banco Santander Totta, que "é desejável que haja maioria absoluta nas próximas legislativas, porque as condições do país, em termos de modelo e endividamento, necessitam de uma estratégia que é mais fácil concretizar com maioria no Parlamento". Ficamos a saber que os espanhóis do Banco Santander não satisfeitos por serem uma das maiores instituições de crédito a operar em Portugal, agora fazem também questão de tentar influenciar, de forma descarada, a política nacional. Pedem maiorias absolutas para o próximo Governo, sabendo que esse Executivo poderá ser o de MFL. Pela caracterização que é feita da actual situação, o modelo Sócrates parece desagradar ao Banco Santander, defendendo, tacitamente, um Governo PSD.
Pergunto: terá MFL prometido mais privilégios ao Banco Santander em Portugal? Se tivermos um Governo PSD liderado por MFL teremos mais decisões em que os portugueses têm que apertar o cinto, mas os espanhóis do Banco Santander vão continuar a usufruir de elevados benefícios fiscais e os "ricos" continuarão a ser poupados? Que relações pretende MFL manter com as empresas espanholas? E com o Banco Santander? Terá o Santander e outros bancos e empresas espanholas ordem para limpar Portugal de tudo aquilo que é nacional? E a nossa posição na UE? Sabiam que foi com Durão Barroso à frente da Comissão Europeia que o famoso "Tratado de Lisboa" retirou dois eurodeputados a Portugal como condição para garantir as exigências dos espanhóis?
Afinal, o que é a política de verdade? Estará Manuela Ferreira Leite preparada para defender os interesses nacionais?


* - Os mais incautos não se devem deixar seduzir pelo nome "Banco Santander Portugal", pois, como é do conhecimento público, o Santander é uma instituição de crédito espanhola (q.b.) e não portuguesa, embora a sua penetração e crescimento no mercado nacional - desde 1988 - tenham ocorrido muito discretamente através da aquisição de pequenas participações em vários bancos portugueses, seguidas da fusão, perda de identidade e eliminação definitiva dos mesmos, a começar pelo antigo Banco de Comércio e Indústria (BCI). Uns chamam-lhe "regras de mercado", outros chamam-lhe abuso das regras de concorrência e até falta de competência das Autoridades para regular estas situações, favorecendo um mercado excessivamente liberal sem identidade nacional.
Deverá ainda dizer-se que este banco defendeu durante bastante tempo a contratação de funcionários a empresas de trabalho temporário com contratos de trabalho que se renovavam semanalmente, acabando por ser um regime idêntico à prestação de serviços, na qual o prestador poderá ser dispensado sem aviso prévio. Alguns dos funcionários do Banco Santander abrangidos por este regime chegaram a desempenhar funções durante 8 anos, continuando o banco e a empresa de trabalho temporário a considerarem esta situação como "trabalho temporário".
O Banco Santander preferiu, e presumo que ainda prefira, pagar cerca de 2.000 euros/mês por trabalhador à empresa de trabalho temporário - ainda que apenas seja pago ao trabalhador pouco mais de 700 euros - do que pagar um salário na ordem dos 1200/1500 euros, permitindo uma poupança significativa por trabalhador (também é para isto que vão as taxas que pagam e as despesas de manutenção). Recorrendo às empresas de trabalho temporário, não só não existe vínculo contratual com a empresa beneficiária da prestação, neste caso o Santander, o que poderia dificultar os casos de despedimento, como é possível gerir os trabalhadores de forma arbitrária e déspota, dado que se estes quiserem garantir o seu posto de trabalho terão que se submeter às regras da casa, caso contrário correm o risco de serem dispensados. Isto, na verdade, é fraude à lei, simulação ou abuso de direito (escolham a melhor), porque não existe verdadeira intenção de querer contratar trabalhadores de carácter temporário, antes ultrapassar regimes menos favoráveis aos beneficiários e que serão mais vantajosos para os funcionários."

Caster Semenya: os critérios de Jacob Zuma

Caster Semenya é tão feminina quanto o Liedson é português de gema. Caster Semenya também é tão masculino quanto o Pepe é português de coração. Caster Semenya é hermafrodita, e nas competições de femininas de atletismo funciona como um género de carro de fórmula 1 com os motores e os restantes acessórios alterados, acima daquilo que a FIA considera ser justo para poder competir de igual para igual com as restantes equipas.
Na minha opinião, isto poderia ser um género de batota. Só não é porque o mais provável é que Caster Semenya desconhecesse a sua condição hermafrodita e como sempre lhe disseram que era uma senhora, acreditou. A opinião de Jacob Zuma também não ajuda. Sabendo-se dos gostos excêntricos de Zuma, que gosta de senhoras diferentes do normal, não sei se se deverá considerar a opinião do Presidente sul-africano de que Semenya "é uma mulher e basta olhar para ela para ver isso".
Como os ideais de beleza de Zuma são um pouco duvidosos, Semenya deveria procurar alguém mais credível para justificar a sua condição feminina, embora os níveis elevados de testosterona continuem lá e, na minha opinião, não devesse competir com as outras senhoras.

Jacob Zuma e uma das suas mulheres

sábado, setembro 12, 2009

Debate José Sócrates/Manuela Ferreira Leite: vitória clara da social-democrata

Hoje assistimos a um debate em que Manuela Ferreira Leite se superou. Embora de início tivesse começado mal, deixando-se ir atrás da armadilha montada por José Sócrates que concentrava o debate no programa do PSD e no eterno combate à Madeira jardinista, com o passar do tempo a líder social-democrata aprendeu a líder com o adversário e não só se bateu muito bem do ponto de vista argumentativo como ainda mostrou garra na defesa dos seus valores (característica que lhe era desconhecida até ao momento).
Já se sabia que o Primeiro-Ministro ia levar a lição bem estudada para o debate com a adversária, saberia de cor o programa laranja e iria tentar surpreendê-la com abordagens exaustivas a campos onde a mesma se sentisse mais à vontade para tentar encurralá-lá e soltar um facto que a deixasse sem resposta. Sem sucesso. A estratégia de Sócrates passa ainda por inverter o jogo: discutir o que o adversário supostamente pretende fazer e focar o debate em gaffes ou polémicas alheias. Esteve prestes a funcionar, mas não funcionou.
José Sócrates limitou-se a desconversar, a fazer interpretações do pensamento da adversária, que só lhe ficam mal porque todos sabemos que Sócrates é capaz de melhor, e a debitar factos e números sem comentar aquilo que pretende para o país. O Secretário-Geral do PS decora frases e discursos e limita-se a representar na televisão querendo enganar o eleitorado. Quando é surpreendido, Sócrates reage como um Ser Humano banal: a sua expressão ora é de surpresa, ora é de incómodo. Quando é calculista até o seu tom de voz muda: coloca a voz e o ritmo próprio dos comícios e a diferença nota-se bem.
Uma nota para os assessores de José Sócrates: o seu rol de citações já conheceu melhores dias. Nos últimos dias ouvimos o Primeiro-Ministro repetir vezes sem conta a frase do General que diz que o pessimismo não cria postos de trabalho. Esta noite repetiu-a duas vezes. A esta junta-se ainda a outra proferida de forma rigorosamente igual como das outras vezes: "se eventualmente cometemos erros no relacionamento com os professores, estamos dispostos a fazer tudo para corrigir essa situação". Sócrates demonstrou hoje o quão limitado é. E Manuela Ferreira Leite contribuiu para isso, colocando-o no devido lugar e projectando as suas ideias para o país. Parabéns!

Empate técnico entre PS e PSD: a decisão nas mãos do PR

A comunicação social aponta para um cenário de empate técnico entre PS e PSD. Muitos são aqueles que equacionam, pela primeira vez, um cenário de o partido com mais votos não ser aquele que elege mais deputados.
De acordo com o número 1 do artigo 187.º da Constituição da República Portuguesa, o "Primeiro-Ministro é nomeado pelo Presidente da República, ouvidos os partidos representados na Assembleia da República e tendo em conta os resultados eleitorais". A pergunta que se faz é: quem deve ser Primeiro-Ministro e ser convidado a formar Governo na eventualidade de um partido ter mais votos que o outro mas eleger menos deputados para o Parlamento?
A decisão estará nas mãos de Cavaco Silva que poderá considerar três critérios distintos:
1) nomear Primeiro-Ministro o líder do partido que tiver conquistado maior número de votos, por ter reunido a preferência de maior número de eleitores, respeitando, assim, a vontade da maioria;
2) nomear Primeiro-Ministro aquele que tiver maior número de deputados na Assembleia da República, dispondo, teoricamente, de melhores condições e estabilidade para governar;
3) nomear Primeiro-Ministro aquele que tiver conquistado maior número de círculos eleitorais, por conquistar várias maiorias um pouco por todo o país.

Se ninguém desempatar até dia 27, será este o cenário que espera o Presidente da República, mais activo que nunca, sem no entanto se confundir com qualquer forma de presidencialismo tácito.