segunda-feira, setembro 21, 2009

Cavaco Silva começa a deixar de ser uma marca de confiança

Em 2006 votei em Cavaco Silva por achar que se tratava do homem certo para o desempenho das funções de Presidente da República.
Hoje, dou por mim a concluir que só votaria novamente em Cavaco Silva porque os restantes candidatos não reúnem o perfil adequado para serem Chefes de Estado.
Temo que amanhã possa olhar para Cavaco e concluir que este afinal não tem capacidade para ser Presidente da República e outros há que demonstram mais habilidade para fazer algo mais que vetar diplomas..

Com Alegre à espreita, Cavaco Silva começa a dar sinais de fragilidade...

Caíram Dias Loureiro, Oliveira e Costa e agora Filipe Lima. Pelo meio, os negócios polémicos do Presidente da República no BPN, que foram bem abafados, diga-se, pelo assessor de imprensa recém demitido. Cavaco Silva começa a dar cada vez mais sinais de fragilidade e começa-se a desconfiar daqueles que o rodeiam. Ao Chefe de Estado não basta ser árbitro ou mediador, há que ser, acima de tudo, sinónimo de credibilidade e imparcialidade, qualidade que muita gente começará a questionar se Cavaco Silva terá.
Com a ameaça Alegre em 2011, desta vez reforçada com o apoio do PS e do BE, está na hora de Cavaco Silva afastar todos os fantasmas que o rodeiam cada vez mais..

domingo, setembro 20, 2009

Honda adapta condutores de automóveis à nova lei de 125cc

De acordo com a revista Fugas do jornal Público, a "Honda tem uma solução para os automobilistas encartados, com mais de 25 anos, que querem conduzir uma mota de 125cc mas não têm qualquer experiência. É uma escola de pilotagem situada em Palmela".
Os cursos de quatro horas estão divididos entre componente teórica e a prática na pista e os preços variam entre os 105 euros (com moto própria) e os 130 euros (com mota fornecida pela escola). Poderão contactar o responsável, Nuno Barradas, através de e-mail (nunobarradas@vodafone.pt) e telemóvel (917242734) para se começarem a adaptar à nova lei que entrou em vigor a 14 de Agosto de 2009.

P.S.: Quem pretender averbar a categoria A1 (condução de motociclos até 125cc) no teu título de condução, terá que pagar 24 euros pelo acto.

sábado, setembro 19, 2009

Monárquicos querem ajudar a República

Numa altura em que uns promovem a Monarquia através de actos subversivos, outros há que pretendem ajudar a República, o que não deixa de ser curioso.

sexta-feira, setembro 18, 2009

Salazar is in the building...

... e está bem vivo!

Gato Fedorento: o grupo precisa reinventar-se, urgentemente

Tenho visto o novo programa dos Gato Fedorento por dois motivos: para assistir às entrevistas com os políticos (o único ponto de interesse) e para ver até onde vai a parcialidade do grupo na protecção ao Bloco de Esquerda e a Francisco Louçã.
Fazer uma peça com Louçã para dizer que o indivíduo carrega nos erres quando fala, não me parece que seja algo que tenha graça, quanto mais que se possa dizer que eles têm caído bem em cima do BE. Um partido com tanto por onde pegar e o grupo decide simplesmente bater nos sujeitos do costume: PSD, Manuela Ferreira Leite, Alberto João Jardim e José Sócrates. Com sorte ainda passam no PCP e no CDS, mas o BE é intocável!
Outra coisa que salta à vista é o conceito que utilizam no seu humor: simplesmente não têm graça nenhuma. O público rebenta de riso de cada vez que eles dizem "néscio", "esmiúça" ou até mesmo "olá" e "até amanhã", mas isso deve-se ao facto de ainda andarem sob o efeito dos antigos "o que tu queres sei eu", etc. O efeito é mesmo prolongado, mas o seu conceito já está mais que esgotado e ultrapassado
Depois de ver os quatro últimos programas dos Gato Fedorento, chego rapidamente a uma conclusão óbvia: o grupo precisa reinventar-se. Deixou de haver espaço para os quatro num mesmo programa. É bonita a tentativa de continuarem a promover-se os quatro, sem deixar ninguém para trás, mas estará na altura de cada um encontrar o seu caminho. O "esmiúça os sufrágios" se fosse apenas feito com Ricardo Araújo Pereira e mais focado em entrevistas, em vez da tentativa da piadola tão inteligente que perde a piada toda, talvez se tornasse mais atractivo e provocasse mais interesse junto do público do que o típico rir por rir só porque são os Gato Fedorento. Quer queiram, quer não, Ricardo Araújo Pereira destaca-se dos demais: comunica com facilidade, é expressivo, tem uma linguagem corporal bastante boa e é inteligente. Os outros? Os outros não se comparam e deviam abrir caminho à saída de Ricardo Araújo Pereira do grupo.

quinta-feira, setembro 17, 2009

Movimento Mérito e Sociedade promete de forma inconsciente

O Movimento Mérito e Sociedade anunciou duas das medidas para a justiça, são elas: o fim do cúmulo jurídico e a castração química para pedófilos. Embora as duas propostas me pareçam aceitáveis, o MMS esquece-se de um pormenor importante: para que as mesmas sejam uma realidade, primeiro há que fazer uma revisão constitucional que altere o número 1 dos artigos 25.º e 30.º, algo que carece de uma maioria... de dois terços.

quarta-feira, setembro 16, 2009

MEP: um partido a ter em conta

Sabendo-se que é de todo impossível fazer uma cobertura justa e equitativa dos 15 partidos políticos que concorrem às próximas eleições legislativas, a comunicação social devia dar mais atenção a partidos em ascensão e com boas possibilidades de desafiarem o actual quinteto como é o caso do MEP (Movimento Esperança Portugal).
O partido liderado por Rui Marques conseguiu um resultado brilhante nas suas eleições de estreia, as europeias de 7 de Junho passado, obtendo 52.828 votos, o que equivale a 1.48%, afirmando-se como a sexta força política.
O sucesso deste partido passa, desde logo, por ter Laurinda Alves, Catalina Pestana e Roberto Carneiro como principais rostos do partido, conferindo, num primeiro impacto com o eleitorado, uma imagem de confiança. O logotipo, o verde enquanto principal cor que identifica o MEP, a boa imagem de Rui Marques cujo currículo concorre para que os eleitores não o identifiquem com o sistema, e a resistência à tentação de cair em teorias populistas, ajudam a projectar ainda mais o partido. Hoje, em pleno centro de Lisboa, tive a oportunidade de ver que têm uma boa máquina partidária a funcionar, com muitos colaboradores e muita cor nos locais que escolhem para as acções de campanha.
Todos estes factores contribuirão para aquilo que eu acredito que venha a ser a obtenção de um resultado muito positivo nas Legislativas naquele que, se conseguir pelo menos um mandato no Parlamento, poderá desafiar no futuro algumas das forças políticas minoritárias na Assembleia de República. Acrescente-se que, quando Rui Marques diz esperar eleger entre 2 a 3 deputados, o líder do MEP poderá não estar a sonhar demasiado alto. Consultei os resultados das últimas eleições e, se considerarmos os mesmo números das eleições de Junho, constatamos que o MEP elege, confortavelmente, um deputado por Lisboa. Devemos adicionar agora o "efeito europeias" e acreditar que o Movimento de Rui Marques poderá provocar alguns estragos a partidos minoritários.
Por tudo o que já dito, fiquem atentos a partidos como o MEP que vão conquistando o seu espaço e crescendo a um ritmo mais rápido que o esperado, procurando, de forma digna e transparente, que todo este esforço e investimento se venha a reflectir em votos e em mandatos.

terça-feira, setembro 15, 2009

Patrick Swayze: 1952-2009

Perdemos um excelente actor e um grande herói que teve a capacidade de lutar contra uma doença incurável com a energia e força de vontade dignas de um verdadeiro guerreiro!
Que descanse em paz.

segunda-feira, setembro 14, 2009

Os Gato Fedorento estão de volta e vêm igual a si próprios: sem graça e tendenciosos

Assisti hoje a uma imitação muito barata do Daily Show. Fi-lo para ver a entrevista com o Primeiro-Ministro, o qual acho que teve uma postura bastante positiva ao aceitar o convite e a sua presença revelou-se interessante, alinhando no conceito do programa sem descurar a seriedade e a posição que ocupa. Curiosamente, o diálogo entre Ricardo Araújo Pereira e José Sócrates até estava a valer a pena e só pecou por ter durado tão pouco tempo.
No entanto, tenho que reprovar a prestação dos Gato Fedorento que insistem em fazer sketches que não têm piada nenhuma e batem nos ceguinhos do costume. A edição de hoje foi inteiramente dedicada à ridicularização do PSD e para amanhã já anunciaram mais uma série de idiotices envolvendo Paulo Portas, Jerónimo de Sousa e José Sócrates. Curioso, ou talvez não, é que o Bloco de Esquerda nunca é alvo da sátira e da ridicularização do grupo, muito provavelmente porque elementos dos Gato Fedorento são afectos aos bloquistas e já foram filmados em acções de campanha do partido por motivos extraprofissionais.
Acresce ainda que em vez de fazer humor inteligente e optar por uma imitação séria do Daily Show, o grupo insiste em focar palavras que não fazem sentido algum no contexto em que as querem empregar como o "esmiuçar" as sondagens.
Em suma, vem aí mais uma série de campanhas contra partidos políticos que constituem uma ameaça aos interesses do BE, porque ainda que inconscientemente acabam por influenciar um eleitorado que insiste em imitar as ridicularizações que vê na televisão.

domingo, setembro 13, 2009

Acha que Manuela Ferreira Leite não gosta de Espanha, nem de espanhóis? Leia isto.

Ontem, Manuela Ferreira Leite repetiu que só defende os interesses nacionais e acusou José Sócrates de defender os espanhóis. A segunda parte desta frase é verdade, e o TGV foi um bom exemplo disso, mas a primeira é bastante discutível. Continua a acreditar que Manuela Ferreira Leite não gosta de Espanha, nem de espanhóis? Então preste atenção ao texto que eu publiquei neste espaço, em 1 de Agosto de 2009, e tire as suas próprias conclusões:

"Manuela Ferreira Leite (MFL) foi Ministra de Estado e das Finanças entre 2002-2004 no Governo PSD que sucedera ao demissionário Executivo liderado pelo Engenheiro António Guterres.
Em 18 de Junho de 2004, quando, alegadamente, Durão Barroso já havia decidido apresentar a demissão do XV Governo Constitucional e a menos de um mês da tomada de posse do novo Executivo liderado por Pedro Santana Lopes, o Ministério das Finanças, liderado por MFL, concedeu o regime de neutralidade fiscal à reestruturação do Grupo Totta, que na época integrava o Banco Totta & Açores, o Crédito Predial Português e... o Banco Santander Portugal*. Esta operação terá permitido ao Grupo Totta beneficiar de um benefício fiscal de aproximadamente um milhão de euros.
Pouco mais de um ano e meio depois, em 9 de Fevereiro de 2006, Manuela Ferreira Leite integrou a administração do Banco Santander em Portugal, assumindo um cargo não executivo, mas nem por isso mal remunerado, dado que, durante o ano de 2007, MFL terá auferido perto de 83 mil euros em salários (vêem, é para isto que vão as taxas e as despesas de manutenção que pagam aos bancos). Não sei se o convite para o cargo terá sido uma compensação pela decisão do seu Ministério em favor desta instituição de crédito quando em 2004, sei que é um excelente negócio alguém conceder 83 mil euros por ano a outrém, quando o último acabou de ajudar o primeiro a poupar um milhão de euros.
Esta situação não só é um bom negócio para as partes como anda muito próximo da violação de lei. O artigo 5.º do regime de incompatibilidades dos titulares de cargos políticos proibe o exercício de cargos em empresas privadas que prossigam actividades no sector por eles directamente tutelado durante três anos após a cessação das respectivas funções. No entanto, e de acordo com alguns fiscalistas conceituados, como Saldanha Sanches, o que libera MFL é a parte final do artigo que refere "desde que, no período do respectivo mandato, tenham beneficiado (...) de benefícios fiscais de natureza contratual", o que não se aplica à líder do PSD.
No entanto, moralmente, a conduta deve ser censurada e completamente repudiada deve ser a justificação de Vasco Valdez, Secretário de Estado dos Assuntos Fiscais, inferior hierárquico de MFL no XV Governo Constitucional, o qual terá defendido que MFL "não tinha conhecimento da situação". Não consigo deixar de me revoltar esta mania da classe política portuguesa em querer atirar areia para os olhos dos portugueses, querendo fazê-los acreditar que um consumidor que não lê as letras milimétricas num contrato de compra e venda de um produto de 20 euros deve ser censurado porque temos que ler tudo minuciosamente, mas um político que gere milhões e milhões de euros pode assinar de cruz centenas de documentos que podem desgraçar o país porque "tem muito trabalho e não pode perder tempo"!
Finalmente, em Julho de 2009, a menos de três meses das eleições legislativas, e numa altura em que MFL e José Sócrates se encontram muito próximos, o Santander decide voltar a fazer um jeitinho à "política de verdade" da líder social-democrata. Diz Nuno Amado, Presidente do Banco Santander Totta, que "é desejável que haja maioria absoluta nas próximas legislativas, porque as condições do país, em termos de modelo e endividamento, necessitam de uma estratégia que é mais fácil concretizar com maioria no Parlamento". Ficamos a saber que os espanhóis do Banco Santander não satisfeitos por serem uma das maiores instituições de crédito a operar em Portugal, agora fazem também questão de tentar influenciar, de forma descarada, a política nacional. Pedem maiorias absolutas para o próximo Governo, sabendo que esse Executivo poderá ser o de MFL. Pela caracterização que é feita da actual situação, o modelo Sócrates parece desagradar ao Banco Santander, defendendo, tacitamente, um Governo PSD.
Pergunto: terá MFL prometido mais privilégios ao Banco Santander em Portugal? Se tivermos um Governo PSD liderado por MFL teremos mais decisões em que os portugueses têm que apertar o cinto, mas os espanhóis do Banco Santander vão continuar a usufruir de elevados benefícios fiscais e os "ricos" continuarão a ser poupados? Que relações pretende MFL manter com as empresas espanholas? E com o Banco Santander? Terá o Santander e outros bancos e empresas espanholas ordem para limpar Portugal de tudo aquilo que é nacional? E a nossa posição na UE? Sabiam que foi com Durão Barroso à frente da Comissão Europeia que o famoso "Tratado de Lisboa" retirou dois eurodeputados a Portugal como condição para garantir as exigências dos espanhóis?
Afinal, o que é a política de verdade? Estará Manuela Ferreira Leite preparada para defender os interesses nacionais?


* - Os mais incautos não se devem deixar seduzir pelo nome "Banco Santander Portugal", pois, como é do conhecimento público, o Santander é uma instituição de crédito espanhola (q.b.) e não portuguesa, embora a sua penetração e crescimento no mercado nacional - desde 1988 - tenham ocorrido muito discretamente através da aquisição de pequenas participações em vários bancos portugueses, seguidas da fusão, perda de identidade e eliminação definitiva dos mesmos, a começar pelo antigo Banco de Comércio e Indústria (BCI). Uns chamam-lhe "regras de mercado", outros chamam-lhe abuso das regras de concorrência e até falta de competência das Autoridades para regular estas situações, favorecendo um mercado excessivamente liberal sem identidade nacional.
Deverá ainda dizer-se que este banco defendeu durante bastante tempo a contratação de funcionários a empresas de trabalho temporário com contratos de trabalho que se renovavam semanalmente, acabando por ser um regime idêntico à prestação de serviços, na qual o prestador poderá ser dispensado sem aviso prévio. Alguns dos funcionários do Banco Santander abrangidos por este regime chegaram a desempenhar funções durante 8 anos, continuando o banco e a empresa de trabalho temporário a considerarem esta situação como "trabalho temporário".
O Banco Santander preferiu, e presumo que ainda prefira, pagar cerca de 2.000 euros/mês por trabalhador à empresa de trabalho temporário - ainda que apenas seja pago ao trabalhador pouco mais de 700 euros - do que pagar um salário na ordem dos 1200/1500 euros, permitindo uma poupança significativa por trabalhador (também é para isto que vão as taxas que pagam e as despesas de manutenção). Recorrendo às empresas de trabalho temporário, não só não existe vínculo contratual com a empresa beneficiária da prestação, neste caso o Santander, o que poderia dificultar os casos de despedimento, como é possível gerir os trabalhadores de forma arbitrária e déspota, dado que se estes quiserem garantir o seu posto de trabalho terão que se submeter às regras da casa, caso contrário correm o risco de serem dispensados. Isto, na verdade, é fraude à lei, simulação ou abuso de direito (escolham a melhor), porque não existe verdadeira intenção de querer contratar trabalhadores de carácter temporário, antes ultrapassar regimes menos favoráveis aos beneficiários e que serão mais vantajosos para os funcionários."

Caster Semenya: os critérios de Jacob Zuma

Caster Semenya é tão feminina quanto o Liedson é português de gema. Caster Semenya também é tão masculino quanto o Pepe é português de coração. Caster Semenya é hermafrodita, e nas competições de femininas de atletismo funciona como um género de carro de fórmula 1 com os motores e os restantes acessórios alterados, acima daquilo que a FIA considera ser justo para poder competir de igual para igual com as restantes equipas.
Na minha opinião, isto poderia ser um género de batota. Só não é porque o mais provável é que Caster Semenya desconhecesse a sua condição hermafrodita e como sempre lhe disseram que era uma senhora, acreditou. A opinião de Jacob Zuma também não ajuda. Sabendo-se dos gostos excêntricos de Zuma, que gosta de senhoras diferentes do normal, não sei se se deverá considerar a opinião do Presidente sul-africano de que Semenya "é uma mulher e basta olhar para ela para ver isso".
Como os ideais de beleza de Zuma são um pouco duvidosos, Semenya deveria procurar alguém mais credível para justificar a sua condição feminina, embora os níveis elevados de testosterona continuem lá e, na minha opinião, não devesse competir com as outras senhoras.

Jacob Zuma e uma das suas mulheres

sábado, setembro 12, 2009

Debate José Sócrates/Manuela Ferreira Leite: vitória clara da social-democrata

Hoje assistimos a um debate em que Manuela Ferreira Leite se superou. Embora de início tivesse começado mal, deixando-se ir atrás da armadilha montada por José Sócrates que concentrava o debate no programa do PSD e no eterno combate à Madeira jardinista, com o passar do tempo a líder social-democrata aprendeu a líder com o adversário e não só se bateu muito bem do ponto de vista argumentativo como ainda mostrou garra na defesa dos seus valores (característica que lhe era desconhecida até ao momento).
Já se sabia que o Primeiro-Ministro ia levar a lição bem estudada para o debate com a adversária, saberia de cor o programa laranja e iria tentar surpreendê-la com abordagens exaustivas a campos onde a mesma se sentisse mais à vontade para tentar encurralá-lá e soltar um facto que a deixasse sem resposta. Sem sucesso. A estratégia de Sócrates passa ainda por inverter o jogo: discutir o que o adversário supostamente pretende fazer e focar o debate em gaffes ou polémicas alheias. Esteve prestes a funcionar, mas não funcionou.
José Sócrates limitou-se a desconversar, a fazer interpretações do pensamento da adversária, que só lhe ficam mal porque todos sabemos que Sócrates é capaz de melhor, e a debitar factos e números sem comentar aquilo que pretende para o país. O Secretário-Geral do PS decora frases e discursos e limita-se a representar na televisão querendo enganar o eleitorado. Quando é surpreendido, Sócrates reage como um Ser Humano banal: a sua expressão ora é de surpresa, ora é de incómodo. Quando é calculista até o seu tom de voz muda: coloca a voz e o ritmo próprio dos comícios e a diferença nota-se bem.
Uma nota para os assessores de José Sócrates: o seu rol de citações já conheceu melhores dias. Nos últimos dias ouvimos o Primeiro-Ministro repetir vezes sem conta a frase do General que diz que o pessimismo não cria postos de trabalho. Esta noite repetiu-a duas vezes. A esta junta-se ainda a outra proferida de forma rigorosamente igual como das outras vezes: "se eventualmente cometemos erros no relacionamento com os professores, estamos dispostos a fazer tudo para corrigir essa situação". Sócrates demonstrou hoje o quão limitado é. E Manuela Ferreira Leite contribuiu para isso, colocando-o no devido lugar e projectando as suas ideias para o país. Parabéns!

Empate técnico entre PS e PSD: a decisão nas mãos do PR

A comunicação social aponta para um cenário de empate técnico entre PS e PSD. Muitos são aqueles que equacionam, pela primeira vez, um cenário de o partido com mais votos não ser aquele que elege mais deputados.
De acordo com o número 1 do artigo 187.º da Constituição da República Portuguesa, o "Primeiro-Ministro é nomeado pelo Presidente da República, ouvidos os partidos representados na Assembleia da República e tendo em conta os resultados eleitorais". A pergunta que se faz é: quem deve ser Primeiro-Ministro e ser convidado a formar Governo na eventualidade de um partido ter mais votos que o outro mas eleger menos deputados para o Parlamento?
A decisão estará nas mãos de Cavaco Silva que poderá considerar três critérios distintos:
1) nomear Primeiro-Ministro o líder do partido que tiver conquistado maior número de votos, por ter reunido a preferência de maior número de eleitores, respeitando, assim, a vontade da maioria;
2) nomear Primeiro-Ministro aquele que tiver maior número de deputados na Assembleia da República, dispondo, teoricamente, de melhores condições e estabilidade para governar;
3) nomear Primeiro-Ministro aquele que tiver conquistado maior número de círculos eleitorais, por conquistar várias maiorias um pouco por todo o país.

Se ninguém desempatar até dia 27, será este o cenário que espera o Presidente da República, mais activo que nunca, sem no entanto se confundir com qualquer forma de presidencialismo tácito.

Manuela Ferreira Leite e o debate de hoje: ou mata, ou morre

Manuela Ferreira Leite tem hoje um duro embate contra José Sócrates. Tratando-se de um político profissional que não lhe dará tréguas, Sócrates pode dar-se ao luxo de jogar para o empate, preservando a vantagem ligeira que leva sobre a social-democrata e apostando tudo o nos quinze dias de campanha até 27 de Setembro.
Manuela Ferreira Leite terá que se esmerar. Para começar, deverá mudar a sua apresentação. Aposto num número em torno dos 2 milhões de telespectadores que ficarão com uma péssima imagem da líder social-democrata se voltar a apresentar o look "defunto" que apresentou contra Paulo Portas, enchendo a cara de pó-de-arroz, rosando as maçãs do rosto e passando um baton bordeaux, parecendo que tinha acabado de sair de uma autópsia no Instituto de Medicina Legal.
Manuela Ferreira Leite deverá ainda mostrar mais garra e não se deixar levar pelo jogo de Sócrates. Sócrates tem o hábito de pegar no programa dos adversários, focar-se nos seus pontos fortes e atacar sem apelo nem agravo, deixando-os atónitos e sem esboçar qualquer tipo de reacção. A líder social-democrata deverá fugir destes ataques e ser ela a ter a iniciativa do debate.
Hoje, ou Manuela Ferreira Leite (con)vence ou poderá abrir caminho a uma vitória mais sólida de José Sócrates. Chegou a hora de se afirmar definitivamente, ou então de entregar armas e pedir clemência.

sexta-feira, setembro 11, 2009

Número de downloads de programas eleitorais do BE já superou o número de livros vendidos por Margarida Rebelo Pinto...

Mais de 250.000 portugueses quiseram ler o romance bloco-bolivariano e ter a certeza que um Doutorado em economia, docente universitário, tinha mesmo conseguido escrever tantos disparates num só catrapázio.

Debate Paulo Portas/Francisco Louçã: vitória pragmática de Portas contra um BE confuso

Paulo Portas deu continuidade ao que José Sócrates tinha feito contra Francisco Louçã: desmascará-lo e denunciar o programa surrealista do BE que pretende "nacionalizar" o produto resultante de investigação científica, taxar os telemóveis, conceder livre trânsito a todos os estrangeiros que pretendam entrar no nosso país mesmo que não tenhamos condições para os receber e levar para a guilhotina tudo o que sejam empresários.
Na verdade, um eventual Governo Bloco de Esquerda teria como primeira grande medida taxar as empresas até à exaustão, algo que nunca devem ter pensado que terá como consequência um agravamento das condições dos trabalhadores, seguindo-se uma nacionalização depois de esmifrar todos os lucros possíveis e imaginários, terminando a sua "revolução bolivariana" com a ida de todos os empresários portugueses minimamente bem sucedidos para um campo de fuzilamento onde iriam pagar por todos os postos de trabalho que criaram.
Esperem! O mais provável é que os campos de fuzilamento dessem lugar a lapidações e enforcamentos, dado que o Bloco de Esquerda defende no seu programa a desmilitarização da GNR e a redução das Forças Armadas. Pelo meio, inspirados pelas visitas de Miguel Portas à Palestina, a classe média seria alvo de uma verdadeira intifada, perdendo todos os benefícios fiscais a que tem direito e a valorização de acções da Galp, EDP, entre outras empresas que entretanto tinham sido nacionalizadas.
Pensando bem, se o BE repete vezes sem conta a palavra "liberdade" como é que as nacionalizações se conjugam com este valor? Se tudo estiver no controlo do Estado, qual Chávez à portuguesa (só que sem petróleo), ficamos com liberdade para quê além do casamento com pessoas do mesmo sexo?
Este é o programa do Bloco para Portugal que Portas fez questão de denunciar e contrapor com soluções coerentes, acertadas e, acima de tudo, pensadas dada a actual conjuntura. Portas recordou o que fez em aspecto de política social, defesa e economia e acrescentou ainda o que pode fazer pelos portugueses, sem se esquecer de explicar o "como" e o "porquê"!

Sondagens, sondagens e mais sondagens: apelo à consciência dos eleitores

Três sondagens diferentes, publicadas num espaço de 48 horas, apontam para resultados completamente díspares, senão vejamos:
- o PS tem 34%, 37% e 33%;
- o PSD tem 33%, 35% e 28%;
- o BE tem 9%, 10% e 11%;
- o CDS tem 8%, 6% e 10%;
- a CDU tem 9%, 8% e 10%.

De todas elas podemos retirar duas conclusões comuns:
- o PS é o vencedor;
- o BE assume-se como terceira força política.

Continuo a acreditar na sondagem de Paulo Portas:
- não confiem nas sondagens porque os resultados estão completamente baralhados.

Depois de tudo o que se passou até agora não quero acreditar que o engenheiro José Sócrates tenha condições para ser reeleito após prometer tanto e cumprir tão pouco com uma maioria absoluta, a qual deveria dar para fazer qualquer coisa de jeito.

Não quero crer que o Bloco de Esquerda, depois de ter sido desmascarado, e ter finalmente sido integrado no grupo de extrema-esquerda, tenha condições suficientes para merecer tantos votos que coloquem o partido como terceira força política.

Não confiem nas sondagens. São falsas!
Não olhem para a cara dos líderes dos partidos. Quem vê caras não vê corações!
Não se deixem enganar por falsas promessas. Olhem para os programas e comparem-nos com a realidade do país. Escolham o mais realista.

Sejam conscientes! Um voto é uma arma que vos pode defender ou virar-se contra vocês!

quinta-feira, setembro 10, 2009

A diferença entre as eleições do Irão e as do Afeganistão

As Nações Unidas deram o seu aval a Ahmadinejad e às eleições realizadas no Irão, contrariando a campanha desencadeada pelo Ocidente, nomeadamente EUA e Reino Unido, contra o regime conservador do Presidente iraniano.
Depois de tanto alarido, tanta pressão e tanto sangue que correu só para levar à presidência um candidato que fosse do seu agrado, é estranho ver que nas eleições do Afeganistão os mesmos actores não contestam a vitória de Hamid Karzai, quando desta vez tudo aponta para fraude eleitoral descarada, ao contrário do caso iraniano.
Afinal, quem consegue acreditar em Barack Obama e Gordon Brown quando já é mais que sabido que EUA e Reino Unido movem-se conforme os seus interesses, tentando arrastar o maior número de seguidores que no fim acabam por se queimar por subscreverem e apoiarem teorias da conspiração que violam direitos humanos e atentam contra a liberdade de associação, política e religião.

quarta-feira, setembro 09, 2009

Breve caracterização dos líderes dos cinco maiores partidos políticos portugueses

José Sócrates - Foram precisos quatro anos e meio para que o PM fizesse serviço público. Desmascarou Francisco Louçã, denunciou o programa fantasista e irrealista do Bloco de Esquerda e conseguiu evitar que se falasse do seu próprio programa e da sua fraca prestação no comando do Governo.
Os portugueses só lhe conhecem duas gravatas: a azul e a vermelha. A camisa branca é que não se sabe se é sempre a mesma.

Manuela Ferreira Leite - Agarra-se ao seu colar de pérolas como se de um amuleto se tratasse. A verdade é que não inova, apresenta-se sempre da mesma forma e o famoso colar de pérolas dá a ideia de que se trata de uma daquelas senhoras idosas que têm medo que lhes roubem as coisas em casa, ou durante a noite, e andam sempre com elas.
O cabelo apanhado e outra roupa que não a de executiva mandona certamente lhe garantiriam mais votos.

Paulo Portas - O ar gozão e o recurso fácil à ironia retiram-lhe/conquistam-lhe eleitorado. Sempre apoiado nos seus gráficos e nos seus documentos, faz raciocínios rápidos e assertivos, embora por vezes tenda a prolongar-se. Gesticula em demasia e por vezes tende a denotar maior apetência para um programa de televisão em formato semelhante ao de Marcelo do que para a carreira política.

Jerónimo de Sousa - É um senhor simpático e educado, mas continua a ser um martírio ouvi-lo debitar a eterna e imutável doutrina comunista. O que é certo é que olho para o líder comunista e vejo-o mais facilmente numa tasca a jogar à sueca do que na AR como deputado... o que talvez seja aquilo que ainda lhe rende tantos votos juntos das classes mais baixas.

Francisco Louçã - O tarólogo contratado pelo Bar Velho não podia ter sido mais certeiro quando associou a carta do Louco para o líder bloquista. Louçã não tem noção da realidade e o seu programa é composto por uma série de ilusões, fazendo dele um dos maiores vendedores de banha da cobra do nosso país.
As suas semelhanças com o cantor David Fonseca são óbvias, embora se registe uma diferença clara entre ambos: David Fonseca canta em inglês e Francisco Louçã mente em português.