sábado, setembro 12, 2009

Manuela Ferreira Leite e o debate de hoje: ou mata, ou morre

Manuela Ferreira Leite tem hoje um duro embate contra José Sócrates. Tratando-se de um político profissional que não lhe dará tréguas, Sócrates pode dar-se ao luxo de jogar para o empate, preservando a vantagem ligeira que leva sobre a social-democrata e apostando tudo o nos quinze dias de campanha até 27 de Setembro.
Manuela Ferreira Leite terá que se esmerar. Para começar, deverá mudar a sua apresentação. Aposto num número em torno dos 2 milhões de telespectadores que ficarão com uma péssima imagem da líder social-democrata se voltar a apresentar o look "defunto" que apresentou contra Paulo Portas, enchendo a cara de pó-de-arroz, rosando as maçãs do rosto e passando um baton bordeaux, parecendo que tinha acabado de sair de uma autópsia no Instituto de Medicina Legal.
Manuela Ferreira Leite deverá ainda mostrar mais garra e não se deixar levar pelo jogo de Sócrates. Sócrates tem o hábito de pegar no programa dos adversários, focar-se nos seus pontos fortes e atacar sem apelo nem agravo, deixando-os atónitos e sem esboçar qualquer tipo de reacção. A líder social-democrata deverá fugir destes ataques e ser ela a ter a iniciativa do debate.
Hoje, ou Manuela Ferreira Leite (con)vence ou poderá abrir caminho a uma vitória mais sólida de José Sócrates. Chegou a hora de se afirmar definitivamente, ou então de entregar armas e pedir clemência.

sexta-feira, setembro 11, 2009

Número de downloads de programas eleitorais do BE já superou o número de livros vendidos por Margarida Rebelo Pinto...

Mais de 250.000 portugueses quiseram ler o romance bloco-bolivariano e ter a certeza que um Doutorado em economia, docente universitário, tinha mesmo conseguido escrever tantos disparates num só catrapázio.

Debate Paulo Portas/Francisco Louçã: vitória pragmática de Portas contra um BE confuso

Paulo Portas deu continuidade ao que José Sócrates tinha feito contra Francisco Louçã: desmascará-lo e denunciar o programa surrealista do BE que pretende "nacionalizar" o produto resultante de investigação científica, taxar os telemóveis, conceder livre trânsito a todos os estrangeiros que pretendam entrar no nosso país mesmo que não tenhamos condições para os receber e levar para a guilhotina tudo o que sejam empresários.
Na verdade, um eventual Governo Bloco de Esquerda teria como primeira grande medida taxar as empresas até à exaustão, algo que nunca devem ter pensado que terá como consequência um agravamento das condições dos trabalhadores, seguindo-se uma nacionalização depois de esmifrar todos os lucros possíveis e imaginários, terminando a sua "revolução bolivariana" com a ida de todos os empresários portugueses minimamente bem sucedidos para um campo de fuzilamento onde iriam pagar por todos os postos de trabalho que criaram.
Esperem! O mais provável é que os campos de fuzilamento dessem lugar a lapidações e enforcamentos, dado que o Bloco de Esquerda defende no seu programa a desmilitarização da GNR e a redução das Forças Armadas. Pelo meio, inspirados pelas visitas de Miguel Portas à Palestina, a classe média seria alvo de uma verdadeira intifada, perdendo todos os benefícios fiscais a que tem direito e a valorização de acções da Galp, EDP, entre outras empresas que entretanto tinham sido nacionalizadas.
Pensando bem, se o BE repete vezes sem conta a palavra "liberdade" como é que as nacionalizações se conjugam com este valor? Se tudo estiver no controlo do Estado, qual Chávez à portuguesa (só que sem petróleo), ficamos com liberdade para quê além do casamento com pessoas do mesmo sexo?
Este é o programa do Bloco para Portugal que Portas fez questão de denunciar e contrapor com soluções coerentes, acertadas e, acima de tudo, pensadas dada a actual conjuntura. Portas recordou o que fez em aspecto de política social, defesa e economia e acrescentou ainda o que pode fazer pelos portugueses, sem se esquecer de explicar o "como" e o "porquê"!

Sondagens, sondagens e mais sondagens: apelo à consciência dos eleitores

Três sondagens diferentes, publicadas num espaço de 48 horas, apontam para resultados completamente díspares, senão vejamos:
- o PS tem 34%, 37% e 33%;
- o PSD tem 33%, 35% e 28%;
- o BE tem 9%, 10% e 11%;
- o CDS tem 8%, 6% e 10%;
- a CDU tem 9%, 8% e 10%.

De todas elas podemos retirar duas conclusões comuns:
- o PS é o vencedor;
- o BE assume-se como terceira força política.

Continuo a acreditar na sondagem de Paulo Portas:
- não confiem nas sondagens porque os resultados estão completamente baralhados.

Depois de tudo o que se passou até agora não quero acreditar que o engenheiro José Sócrates tenha condições para ser reeleito após prometer tanto e cumprir tão pouco com uma maioria absoluta, a qual deveria dar para fazer qualquer coisa de jeito.

Não quero crer que o Bloco de Esquerda, depois de ter sido desmascarado, e ter finalmente sido integrado no grupo de extrema-esquerda, tenha condições suficientes para merecer tantos votos que coloquem o partido como terceira força política.

Não confiem nas sondagens. São falsas!
Não olhem para a cara dos líderes dos partidos. Quem vê caras não vê corações!
Não se deixem enganar por falsas promessas. Olhem para os programas e comparem-nos com a realidade do país. Escolham o mais realista.

Sejam conscientes! Um voto é uma arma que vos pode defender ou virar-se contra vocês!

quinta-feira, setembro 10, 2009

A diferença entre as eleições do Irão e as do Afeganistão

As Nações Unidas deram o seu aval a Ahmadinejad e às eleições realizadas no Irão, contrariando a campanha desencadeada pelo Ocidente, nomeadamente EUA e Reino Unido, contra o regime conservador do Presidente iraniano.
Depois de tanto alarido, tanta pressão e tanto sangue que correu só para levar à presidência um candidato que fosse do seu agrado, é estranho ver que nas eleições do Afeganistão os mesmos actores não contestam a vitória de Hamid Karzai, quando desta vez tudo aponta para fraude eleitoral descarada, ao contrário do caso iraniano.
Afinal, quem consegue acreditar em Barack Obama e Gordon Brown quando já é mais que sabido que EUA e Reino Unido movem-se conforme os seus interesses, tentando arrastar o maior número de seguidores que no fim acabam por se queimar por subscreverem e apoiarem teorias da conspiração que violam direitos humanos e atentam contra a liberdade de associação, política e religião.

quarta-feira, setembro 09, 2009

Breve caracterização dos líderes dos cinco maiores partidos políticos portugueses

José Sócrates - Foram precisos quatro anos e meio para que o PM fizesse serviço público. Desmascarou Francisco Louçã, denunciou o programa fantasista e irrealista do Bloco de Esquerda e conseguiu evitar que se falasse do seu próprio programa e da sua fraca prestação no comando do Governo.
Os portugueses só lhe conhecem duas gravatas: a azul e a vermelha. A camisa branca é que não se sabe se é sempre a mesma.

Manuela Ferreira Leite - Agarra-se ao seu colar de pérolas como se de um amuleto se tratasse. A verdade é que não inova, apresenta-se sempre da mesma forma e o famoso colar de pérolas dá a ideia de que se trata de uma daquelas senhoras idosas que têm medo que lhes roubem as coisas em casa, ou durante a noite, e andam sempre com elas.
O cabelo apanhado e outra roupa que não a de executiva mandona certamente lhe garantiriam mais votos.

Paulo Portas - O ar gozão e o recurso fácil à ironia retiram-lhe/conquistam-lhe eleitorado. Sempre apoiado nos seus gráficos e nos seus documentos, faz raciocínios rápidos e assertivos, embora por vezes tenda a prolongar-se. Gesticula em demasia e por vezes tende a denotar maior apetência para um programa de televisão em formato semelhante ao de Marcelo do que para a carreira política.

Jerónimo de Sousa - É um senhor simpático e educado, mas continua a ser um martírio ouvi-lo debitar a eterna e imutável doutrina comunista. O que é certo é que olho para o líder comunista e vejo-o mais facilmente numa tasca a jogar à sueca do que na AR como deputado... o que talvez seja aquilo que ainda lhe rende tantos votos juntos das classes mais baixas.

Francisco Louçã - O tarólogo contratado pelo Bar Velho não podia ter sido mais certeiro quando associou a carta do Louco para o líder bloquista. Louçã não tem noção da realidade e o seu programa é composto por uma série de ilusões, fazendo dele um dos maiores vendedores de banha da cobra do nosso país.
As suas semelhanças com o cantor David Fonseca são óbvias, embora se registe uma diferença clara entre ambos: David Fonseca canta em inglês e Francisco Louçã mente em português.

terça-feira, setembro 08, 2009

Bar Velho entrevista: Paulo Pedroso

O Bar Velho inicia hoje uma rubrica reservada a entrevistas feitas por nós a individualidades ligadas aos vários sectores da sociedade. O nosso primeiro convidado dispensa apresentações. O dr. Paulo Pedroso é o candidato pelo Partido Socialista à Câmara Municipal de Almada. Sociólogo, integrou o XIV Governo Constitucional, sendo Ministro do Trabalho e da Solidariedade durante o período 1999-2002.
Desafiámos o dr. Paulo Pedroso para uma entrevista, a qual foi prontamente aceite pelo próprio. Nas perguntas que lhe fizemos procurámos falar da sua candidatura a Almada, do poder local e até um pouco de si próprio.
Agradecemos-lhe uma vez mais a disponibilidade e o interesse demonstrados, fazendo ainda votos de felicidades para as eleições de 11 de Outubro próximo.

Bar Velho: Na apresentação da sua candidatura confessou que Maria Emília tem feito um trabalho bastante positivo, mas que consigo é possível evoluir ainda mais. Em que é que pode fazer a diferença?

Paulo Pedroso: Não foi bem isso que disse. Mas não sou o tipo de político que pensa que antes dele só houve desastres. Evidentemente que Maria Emília de Sousa, que é Presidente de Câmara há 22 anos, fez o melhor que soube e os seus mandatos têm aspectos positivos, não só negativos. Penso, contudo, que os aspectos positivos têm vindo a diluir-se no tempo, ao passo que os negativos se agravam.

Nos últimos anos acumularam-se erros que é urgente corrigir e destruíram a vida do centro urbano. Nunca houve o investimento devido no desenvolvimento, em particular turístico da Costa da Caparica. Nunca houve uma estratégia municipal para encontrar alternativas de emprego após a profunda crise dos anos oitenta que levou consigo a indústria naval. A reconversão dos bairros clandestinos – as AUGI – não foi incentivada e o concelho atrasou-se nessa matéria. Falta política social alternativa à concentração da exclusão em gigantescos bairros sociais. A Câmara foi agente activo da especulação imobiliária, procurando maximizar as receitas e descurando o equilíbrio urbanístico do concelho.

Por outro lado, há uma visão demasiado paroquial do concelho. Vejo Almada como parte de uma grande cidade do sul do Tejo que luta de igual para igual com Cascais, Sintra e Oeiras na atracção de investimento como na afirmação metropolitana em todas as áreas. Nada disso tem acontecido.

Se vencer em Almada, quais são as cinco grandes prioridades de um Executivo camarário consigo na Presidência?

  1. Aumentar a mobilidade e devolver a vida ao centro da cidade, revogando o plano Mobilidade XXI, completando as infraestruturas viárias e colocando todos os pontos do concelho a uma distância inferior a 30 minutos do centro, em transporte público;
  2. Tornar o concelho mais cosmopolita, potenciando muito melhor a relação com Lisboa, o rio e o mar, adoptando uma estratégia ofensiva de captação de investimento moderno e emprego, em competição com os outros pólos da área Metropolitana de Lisboa, afirmando-o como um concelho ambientalmente sustentável, tornando-o num pólo de nível nacional das artes do espectáculo e afirmando a Costa da Caparica como grande complexo de praias da capital do país, activo todo o ano;
  3. Reequilibrar urbanisticamente o concelho, investindo na renovação urbana que tem estado bloqueada, qualificando as áreas degradadas e, em particular, apoiando a reconversão das AUGI, que têm sido esquecidas e metade das quais continuam por reconverter passadas décadas, implicando diversas consequências urbanísticas e sociais de que não ter saneamento básico é apenas um indicador sugestivo;
  4. Apoiar as famílias trabalhadoras, pela melhoria dos serviços à população, com destaque para os transportes colectivos e para a escola pública, construindo as 60 salas de aula que faltam, distribuindo gratuitamente os manuais escolares do 1º ciclo e garantindo às famílias a escola pública a funcionar das 7 às 19 horas para todos;
  5. Fazer de Almada um concelho socialmente mais coeso, com uma nova estratégia de apoio ao idosos, combatendo o seu isolamento e promovendo o desenvolvimento social, em particular nos bairros mais carenciados, pela aposta em parcerias com os agentes locais e numa nova política social de habitação, sem novas concentrações de pobreza nem o florescimento de novos bairros da lata

Alguns acusam-no de não ter fortes ligações a Almada e outros preferem vê-lo como culpado num processo em que foi absolvido. Como contraria esta realidade?

Os primeiros estão mal informados e os segundos ainda intoxicados ou já só mal intencionados. Qualquer pessoa que assume funções públicas está exposta a calúnias e falsidades. Infelizmente, por razões que desconheço e que tenho confiança que um dia se apurarão, calhou-me uma dose reforçada de exposição a fenómenos desse género, com a qual terei que saber conviver o resto da minha vida.

Só há uma forma de combater as calúnias e falsidades, que é ser-se quem se é, actuar nos locais e nos momentos próprios e confiar na maturidade democrática dos cidadãos. É o que faço.

Lembro-me muitas vezes da frase de Séneca que servia de lema ao Professor Sousa Franco: “quem teme as tempestades, morre rastejando”.

Uma eventual derrota/vitória do Partido Socialista nas Legislativas poderá influenciar os seus resultados nas autárquicas?

Claro. Só os politólogos mais rebuscados é que podem imaginar que não haja efeito de contaminação entre eleições separadas por quinze dias. Que tipo de influência terá um resultado no outro já é mais difícil de apurar, dado que é uma situação inédita e, acrescento, algo anómala. A bem do respeito pelas pessoas, os actos eleitorais deviam ser ou completamente juntos ou bastante mais separados do que estes vão ser. Mas, como diz António Guterres, é a vida.

Sabendo-se do domínio da CDU em Almada, o que é, para si, um resultado positivo nas próximas eleições?

O fim dos 35 anos ininterruptos de domínio concelhio da CDU e a superação dos obstáculos que esse domínio gerou ao futuro do concelho, porque é Almada que está em jogo.

Afinal, como é que se pode tirar proveito de todo o potencial da Costa da Caparica?

Há muito trabalho por fazer. É preciso acelerar a reconversão urbanística, para remover um obstáculo que tolhe a atracção de investimento turístico. É necessário apostar em grandes eventos na época alta, que mudem a estrutura actual da procura. É indispensável ter uma política de animação todo o ano, que crie o hábito de ir à Costa por razões diversas em diferentes momentos e não apenas “torrar” no pino do Verão. É fundamental melhorar a acessibilidade em transporte público, estendendo o metro, construindo parques dissuasores e lançando uma linha ecológica, cómoda e rápida de transporte colectivo que se estenda da Trafaria à Fonte da Telha. É absolutamente urgente disciplinar a circulação e o estacionamento. É desejável qualificar mais a oferta de restauração e comércio, para potenciar o consumo dos visitantes e turistas.

Como pretende dar vida a um concelho cuja tendência parece ser a de envelhecer?

Almada não é um concelho envelhecido é um concelho em que as famílias jovens não encontram a oferta adequada. Por isso é necessário pensar a política para este grupo estratégico para o desenvolvimento do concelho. Queremos pôr o pré-escolar e a escola pública a funcionar das 7 da manhã às 7 da noite, em apoio às famílias trabalhadoras. Apostamos num dia por semana de abertura do comércio até mais tarde, com a Câmara a apoiar através de um programa especial de animação do espaço público. Vamos afirmar Almada não apenas como o concelho do Festival de Teatro, mas como um pólo de nível nacional das artes do espectáculo, atraindo os lisboetas e os turistas à nossa cidade ao longo de todo o ano e, claro, queremos que o Verão da Caparica seja uma referência nacional dos grandes acontecimentos.

Almada atrai muita gente pela relação qualidade-preço da habitação. Agora há que melhorar essa relação com a maior atractividade da vida no espaço público e a acessibilidade dos equipamentos sociais e culturais.

Os comerciantes criticam a Presidente por projectos como o Almada Fórum, ou o Metro de superfície, responsabilizando o Executivo CDU por ter acabado com o comércio local. No entanto, nota-se também que a oferta dos comerciantes é bastante limitada e os seus horários de trabalho incitam os almadenses a recorrer ao Almada Fórum. Como pretende revitalizar e aumentar o comércio no concelho?

Entrou-se num ciclo vicioso que é preciso interromper.

A forma imediata de o fazer é a revogação do Plano mobilidade XXI, tendo como consequência a reabertura ao tráfego do centro da cidade e a reformulação da circulação do trânsito que se tornou caótica nas ruas laterais. O que a CDU fez foi equivalente do que seria em Lisboa fechar ao trânsito o Marquês de Pombal e parte da Avenida da Liberdade ou em Setúbal a Avenida Luísa Todi.

No curto prazo há ainda que adoptar as medidas de reequilíbrio em favor do centro da cidade que faltaram quando abriu o Almada Fórum. Devia ter sido criada uma Loja do Cidadão que por incompetência negocial da Câmara continua por criar, apesar de haver conversas sobre o assunto há seis anos. Não se invoque a esse respeito aspectos de discriminação partidária que não existem. Recorde-se que o Seixal, que também é gerido pela CDU, assinou há poucos meses um protocolo para ter a sua Loja do Cidadão.

Propusemos aos comerciantes um programa de incentivo à modernização, dotado com dois milhões de euros, destinado a co-financiar projectos de investimento na modernização do comércio tradicional. Também lhes propusemos que adoptem um dia semanal de abertura até mais tarde, por exemplo até às 22 ou até às 23 horas. Se o fizerem, a Câmara compromete-se nesse dia a realizar iniciativas diversificadas no espaço público que encorajem as pessoas a vir até ao centro e fará a promoção adequada desta estratégia. Programas semelhantes funcionam com sucesso, por exemplo, em cidades holandesas.

Vamos também redesenhar as avenidas de Almada e construir a parte que ficou por fazer do Túnel do Brejo, para que haja uma circular urbana interna, ligando o largo de Cacilhas ao Centro-Sul, de um lado através do actual sistema de avenidas e do outro, seguindo junto à Lisnave até à Cova da Piedade e finalizando em túnel a ligação que ficou interrompida.

O centro não está condenado ao declínio, apenas não tem havido energias para o apoiar.

Deixando o Concelho de Almada mas ainda dentro do poder local, uma eventual regionalização seria benéfica para Portugal? Porquê?

Sou favorável à regionalização, mas penso que é um debate que tem sido empolado, quer pelos seus defensores, que frequentemente vêem nela mais uma oportunidade para a sua afirmação política do que uma estratégia de desenvolvimento, quer pelos seus detractores que, a pretexto do reforço do municipalismo acabam por defender o centralismo. Em todo o caso sou muito céptico a quanto a que se gerem consensos em torno da regionalização nos anos mais próximos.

A Lei das Autarquias Locais limita as competências das Assembleias e das Juntas de Freguesia, limitando a sua influência junto da Câmara caso sejam de cores partidárias diferentes e restringindo-as meramente ao desempenho de funções a maioria das quais relativas ao seu próprio funcionamento. Isto constitui um encargo excessivo para o orçamento destinado às autarquias locais. Como analisa o papel das Juntas de Freguesia? Deveriam as Juntas de Freguesia ser extintas, concentrando as poucas competências que têm na Câmara Municipal, ou deveria ser alargado o respectivo leque de competências?

É necessário preparar uma reforma profunda do nosso modelo administrativo e nesse quadro tenho uma atitude bastante aberta. Como disse, penso que nos falta uma autarquia supramunicipal e, se essa existir, todo o edifício do relacionamento entre as actuais freguesias e os actuais municípios deveria ser revisto radicalmente. Mas estamos muito no início de tal caminho.

No imediato, julgo que nas grandes cidades se pode descentralizar mais competências para as freguesias, nomeadamente nos serviços de proximidade e na gestão de equipamentos.

Quanto ao problema concreto dos executivos de cores partidárias distintas, apenas vos digo que sou um democrata radical e nunca discriminarei um executivo de freguesia pela cor política do seu presidente. Julgo que mesmo no actual quadro, a arbitrariedade municipal na transferência de verbas deve ser suprimida. Há bons exemplos nesse domínio, infelizmente não em Almada. Aqui, nos últimos quatro anos, as freguesias da Trafaria e da Charneca de Caparica foram discriminadas por serem do PS. Talvez a subserviência do PSD a nível concelhio à CDU não seja, aliás, estranha, à partilha de poder que têm na freguesia da Costa de Caparica.

Estou convencido que, em Almada, as várias uniões de facto entre a CDU e o PSD são contrárias ao sentido que os eleitores pretendiam dar ao seu voto e resultam, pelo menos em parte, do fenómeno perverso que enunciam na pergunta.

No sistema político nacional, o Governo é exclusivamente composto por elementos do partido mais votado nas eleições à Assembleia da República. É ainda sabido que a existência de vereadores da oposição tende a condicionar o mandato do partido que lidera a Câmara. Concorda com uma aplicação parcial da regra escolhida para a composição do Governo nacional para o poder local, um género do popular “winner takes all” nos EUA, permitindo que o partido que obtenha maioria de votos seja aquele que tem direito a todos os lugares no Executivo camarário?

A vossa afirmação de base não é verdadeira. O Primeiro-Ministro é indigitado para formar uma maioria que o apoie no Parlamento que pode ter e já teve diversas formas, incluindo o caso extremo dos governos de iniciativa presidencial. O nosso sistema eleitoral para a Assembleia da República é proporcional. Esses sistemas, ditos “consensuais” tendem a gerar coligações. Só que em Portugal a esquerda tem um bloqueio quanto a essas coligações que dura desde o 25 de Novembro e não parece ter fim à vista. A direita, aliás, coliga-se naturalmente, como aconteceu entre 2002 e 2005.

Ao nível autárquico, penso que o modelo que sugerem teria imensos efeitos negativos, reforçando o caudilhismo pacóvio em certas circunstâncias e o predomínio dos aparelhos partidários noutras. É ilusório pensar que as oposições conseguem fiscalizar os executivos camarários nas Assembleias Municipais. É na vereação que é possível fazê-lo. Por outro lado, a lei actual conseguiu gerar com sucesso boas experiências de partilha de poder entre vencedores e vencidos que foram benéficas para o poder local.

Julgo que se deve aumentar o nível de consensualidade do exercício do poder local e não reforçar artificialmente o poder absoluto dos vencedores, que apenas dificultaria a democracia local.

Em Almada, se o predomínio partidário do PCP sobre a autarquia gerou abusos com o actual sistema, imaginem o que teria gerado nestes trinta e cinco anos se a oposição nunca tivesse tido os meios eficazes de cercear esses abusos.

A lei da paridade tem causado alguma polémica por obrigar os partidos a integrarem obrigatoriamente mulheres nas listas, privilegiando a quantidade e não a qualidade. Concorda com esta regra? E com a integração das mesmas mulheres em diversas listas?

Concordo totalmente com a lei da paridade. Não há nenhuma razão para que haja mais de dois terços de homens ou de mulheres nos órgãos colegiais. A pretexto da defesa da qualidade está-se apenas a tentar tornar aceitáveis os mecanismos discriminatórios no funcionamento dos partidos.

A minha lista para a Câmara, aliás, é rigorosamente paritária, tendo tantas mulheres como homens e tem, nuns e noutros, as pessoas melhor preparadas para os cargos a que se candidatam.

Concorda com a criação de círculos uninominais? Porquê?

Sou a favor do chamado “sistema alemão”, em que o eleitor sabe em quem vota, porque há círculos uninominais de candidatura e em que a proporcionalidade é respeitada porque há círculos proporcionais de apuramento. Julgo que é preciso encontrar um equilíbrio entre a relação eleitor-eleito e a governabilidade melhor que o actual, mas não sou favorável a que se sacrifique a proporcionalidade.

No seu entender, deveria ser possível que listas independentes se candidatem à Assembleia da República?

Sou, embora tema a emergência de regionalismos descontrolados.

Considera a possibilidade de desempenhar outros cargos políticos? Quais?

Quando me candidatei a Almada fiz uma opção que implica disponibilidade total. Não sou candidato a rigorosamente mais nada na política. Se os cidadãos de Almada me derem a sua confiança, retribuo-lhes com a minha dedicação.


Quais são os locais em Almada onde passa o seu tempo e que restaurantes mais frequenta?

Por razões familiares, Cacilhas é o meu poiso mais frequente. Sou cliente habitual, sobretudo fora do Verão, da Costa da Caparica e gosto de ir ver o Tejo em diferentes pontos do concelho.

Sou fiel ao peixe grelhado na Cabana do Pescador, à vista sobre o mar do Kontiki, aos mariscos da Cabrinha e do Farol, à qualidade da confecção e à vista do Amarra ó Tejo. Na Trafaria, prefiro o Piri-Piri.

O que são para si as férias ideais?

Dois meses a descobrir a Índia. Estão adiadas mas hão-de ver a luz do dia.

A que é que costuma dedicar-se nos tempos livres?

Se não estou a navegar na net, ando por aí com a família, estou a recuperar leituras atrasadas, a recarregar o IPod ou a esvaziar as prateleiras de filmes que ainda estão por ver.

Que género de música aprecia?

Sou eclético, mas fixo-me recorrentemente no jazz e aparentados, na pop, no que designámos por rock português e nos cantautores. De vez em quando, normalmente aconselhado pelo Y [suplemento do jornal Público], descubro um nome ou um grupo que junto à lista de preferências.

Faço ainda umas incursões por conta própria pela música erudita contemporânea, contudo muita moderação de há uns anos a esta parte, porque me falta o tempo para investigar.

Indique cinco palavras que o definam.

Ambição, Coerência, Coragem, Dedicação, Diplomacia.

Recordemos a passagem de Jaime Gama pela Madeira


Debate José Sócrates/Francisco Louçã: deu pena ver o líder do BE a ser humilhado

Seria hipócrita e demagógico da minha parte se me atrevesse a considerar que houve um empate ou uma vitória de Francisco Louçã. Na verdade, deu pena ver a forma como o líder do BE foi humilhado pelo Primeiro-Ministro: não deu réplica quando Sócrates se vangloriou dos 0,3% de crescimento económico, alegou factos que não conseguia provar e foi prontamente desmentido passando por mentiroso (Portas teria garantidamente documentos e gráficos prontos a fazerem corar o PM), embrulhou todas as críticas ao programa eleitoral do BE (agora completamente desmascarado), ignorou por completo o problema do desemprego, preferindo enterrar-se por completo na questão dos benefícios fiscais. Pelo meio esqueceu-se de criticar o programa governativo do PS.
O BE desiludiu e já se percebeu que Sócrates pretende pegar nos pontos fortes dos adversários para os encurralar: com Portas ganhou na segurança e com Louçã na economia e fiscalidade. A estratégia está a funcionar.
O desempenho de José Sócrates no interessante debate de hoje (que pena ter durado apenas uma hora) só não se pode classificar como "perfeito" porque no melhor pano cai a nódoa e decidiu manchar a sua prestação fazendo um ataque foleiro à visita de Manuela Ferreira Leite à Madeira. Sr. Engenheiro, então e o que tem a dizer da visita de Jaime Gama à Madeira e dos louvores a Alberto João Jardim?

segunda-feira, setembro 07, 2009

Desafio aos líderes dos partidos políticos

Isto é como aqueles velhinhos jogos de computador: temos que saltar por diferentes plataformas e no fim temos que passar o boss antes de concluirmos, sãos e salvos, ao fim do jogo.
Receberá o meu voto o primeiro líder de partido que for à Madeira e conseguir voltar em segurança, imaculado e sem ter causado polémica! Nestas contas inclui-se, como é óbvio, o PSD, perito em abrir a caixa de pandora.

Jornal Público inicia polémica gratuita com Manuela Ferreira Leite

A comunicação social pode ser tão esclarecedora e informadora quanto venenosa e geradora de ódios. Agora, o Público decidiu dar início a um "caso de Estado" porque Manuela Ferreira Leite foi transportada no carro oficial do Presidente do Governo Regional da Madeira para a sede do Executivo Regional. Quando José Sócrates foi à Madeira deslocou-se em algum carro do PS? O GRM não tem o direito de transportar todos os seus convidados?
O episódio, que não o é, já está a assumir proporções de maior dimensão do que aquelas que realmente merece ter, como se a líder de um partido político ser transportada para um órgão de soberania fosse um caso tão grave quanto o Freeport, o BPN, o alegado curso de engenharia concluído ao domingo, ou projectos de autoria travestida.
O caso chega a tais proporções que Alberto João Jardim disse "fuck them" a todos os que se interessam com episódios mesquinhos como estes e o Público deu-se ao trabalho de traduzir para português as palavras do Presidente do Governo Regional da Madeira como se os leitores não soubessem o significado da expressão.
O objectivo é só um: criar um episódio de última hora que choque, lance a polémica e aumente ainda mais o ódio contra Alberto João Jardim, Manuela Ferreira Leite e contra a Madeira. Estão a conseguir. Parabéns, Público, pela falta de profissionalismo, isenção e consciência do que é a proporcionalidade. É uma pena que, quando João Galamba, candidato a deputado pelo PS, chamou "filho da puta" a um adversário político, o Público se tenha mantido em silêncio.

Debate Paulo Portas/Jerónimo de Sousa: vitória clara de Portas

Paulo Portas é um político profissional. Insisto nesta frase. Portas ser um político profissional não faz dele uma má solução para o país, pelo contrário. O seu discurso é coerente, fácil e assertivo. Paulo Portas sabe do que está a falar e faz-se acompanhar de muletas como casos concretos, gráficos e erros dos adversários.
Paulo Portas faz o enquadramento da actual situação em cada um dos vários sectores, identifica os problemas, caracteriza exaustivamente onde é preciso actuar e aponta soluções para corrigir as lacunas e impulsionar cada uma das áreas.
Paulo Portas convence-me e promete levar uma parte do eleitorado de Manuela Ferreira Leite. No debate que vai opor o líder do CDS-PP à social-democrata, muitos se vão surpreender com a forma como Portas se vai demarcar das políticas centristas, vincará a imagem do seu partido e reivindicará, de forma aguerrida, o lugar que lhe é devido!

Sondagem dá vantagem ao PS de 5,6% sobre o PSD

Hoje foram publicados os resultados de uma sondagem que aponta para uma vitória de José Sócrates sobre Manuela Ferreira Leite nas Legislativas de 27 de Setembro próximo.
Eu não gostaria de concluir que os portugueses continuam ignorantes, e iguais a si próprios, acreditando em teorias da conspiração e cabalas contra o PS ou dando uma de eleitores atentos que acompanham e dominam tudo o que se passa no país, concluindo que os socialistas têm feito um trabalho fora-de-série ao ponto de merecerem uma "renovação de contrato" para nos próximos quatro anos poderem arrasar de vez o país.
Assim sendo, vou manter o benefício da dúvida e lançar suspeitas sobre as cada vez mais enganadoras sondagens que ainda em Junho davam uma vitória segura de Vital Moreira e um resultado desastroso para Nuno Melo e o resultado acabou por ser uma vitória esclarecedora de Paulo Rangel e uma agradável surpresa para o cabeça de lista do CDS.

"O bom jornalismo afasta o mau jornalismo"

Só tenho pena que a melhor decisão política de 2009, relativamente aos órgãos de comunicação social, não tenha sido tomada pelo Primeiro-Ministro, mas por um órgão de gestão de uma empresa privada.

Afinal de contas, o fim do jornal nacional, muito embora tenha sido decido em desrespeito pela lei e em prejuízo das audiências da TVI, traduz-se numa clara melhoria do jornalismo nacional e do serviço noticioso da própria estação de Queluz.

domingo, setembro 06, 2009

Debate José Sócrates/Jerónimo de Sousa: uma hora de nada

Ontem assistimos a um debate entre dois indivíduos de fato azul escuro, camisa branca, gravata vermelha e cabelo grisalho. A diferença é que um estava de óculos e tinha mais idade que o outro. Nas ideias continuam iguais a si próprios: um continua a despejar a doutrina comunista dos anos 70 e a manifestar uma total incapacidade para apontar medidas concretas que tenham sido prejudiciais para o país (embora tenha bastantes motivos para isso), limitando-se a apregoar frases vagas e chavões como "os trabalhadores perdem direitos", "a nossa educação está num estado grave", "o seu Governo comporta-se como se fosse de direita".
O outro, que está no poder, insiste no papel de cordeiro low cost, sem condições mínimas de confiança e credibilidade, que não compreende as críticas da oposição e mostra-se totalmente disponível para dialogar e ouvir os professores. É caso para perguntar: porque é que só ao fim de quatro anos e meio, em véspera de eleições, é que José Sócrates se lembra de conversar com os docentes e vai demonstrando cada vez mais a sua vontade à medida que o dia 27 de Setembro se aproxima?

sábado, setembro 05, 2009

CDS-PP: porque não deve formar Governo com o PSD.

Das Legislativas de 2002 para as de 2005, o CDS perdeu mais de 60.000 votos, fruto de três anos de coligação com o PSD. É certo que a conjuntura do momento, provocada pela decisão precipitada de Jorge Sampaio de dissolver o Parlamento, contribuiu em boa medida para este desfecho, mas não deixa de ser uma grande perda para um partido de pequena/média dimensão como o CDS-PP.

Embora Portugal me surpreenda, Manuela Ferreira Leite só não vencerá as eleições se até ao dia 27 de Setembro cometer uma série de erros grosseiros que comprometam a imagem do partido junto do eleitorado. É certo que Manuela Ferreira Leite vai fazer asneira, da grossa, e não espero grande coisa de um Governo PSD. Contudo, os seus erros não serão tão graves quanto a série de atentados que José Sócrates e um segundo Executivo socialista estarão dispostos a cometer se o PS por qualquer motivo vencer as eleições.

O CDS-PP vai obter bons resultados dentro de três semanas e deve resistir à tentação de formar um Governo de coligação com o PSD por dois motivos: será minoria no Executivo e a maior parte das pastas que terá serão minoritárias; face aos futuros erros governativos a cometer pelo PSD, um Governo de coligação colocará a esquerda em posição mais que favorável para 2013 e um bom resultado para o CDS estará obviamente comprometido por um Executivo que queima desde logo os dois principais partidos de direita.

Num país que não tem tradições à direita e face ao crescimento do Bloco de Esquerda (vai continuar a surpreender até começarem as grandes lutas pelo poder a nível interno), o CDS deve apoiar o futuro Governo PSD, mantendo a sua faceta de partido de oposição que apresente alternativas e soluções. Este cenário permitirá ao Partido Popular manter a sua identidade e os seus valores, deixando de depender de um bom desempenho dos social-democratas para manter acesas as suas ambições em 2013 caso o Governo PSD desaproveite a oportunidade oferecida pelo PS em 2009.

O CDS-PP apenas deverá equacionar a hipótese de embarcar com o PSD num Governo de coligação para 2013 se os social-democratas, por qualquer motivo que o valha, conseguirem obter uma taxa de aprovação do eleitorado que permita vislumbrar boas hipóteses de governabilidade em conjunto sem que a sua imagem fique associada a erros alheios. Até lá, o CDS-PP deverá preservar a sua identidade e independência.

sexta-feira, setembro 04, 2009

Portugal e os prisioneiros de Guantánamo: um segredo que a Globalização fez questão de desvendar

O Estado português bem tentou proteger os dois sírios que acolheu provenientes de Guantánamo. O segredo sobre as suas identidades foi sol de pouca dura, pois o NY Times e a Wikipédia já fizeram questão de desvendar tudo, até os respectivos processos, sobre Moammar Dokhan e Muhammad Khan Tumani.
Esquecemo-nos de negociar os termos do contrato de acolhimento de ambos com a Globalização...

Xutos & Pontapés fazem versão de "Sei Eira, Nem Beira" para novela com a TVI

"Senhor Engenheiro,
Deixe a minha redacção,
Sempre em tom tão aceso,
Chega de perseguição"

Reportagem Freeport da TVI: mais uma fraude televisiva...

Uma reportagem sobre o alegado envolvimento de um primo de José Sócrates sem que este estivesse directamente envolvido em qualquer um dos factos que a TVI, insistentemente, fez questão de propagar que estão documentados e terão incomodado o PS, não deixa de ser uma fraude televisiva do tal com o intuito de angariar telespectadores.
A verdade é que, se doravante, não forem divulgados factos novos que envolvam titulares do poder político, o nível de interesse destas reportagens e investigações têm valor diminuto ou nulo para o telespectador, embora para a investigação criminal tenha um valor considerável.
Em suma, se não for para divulgar factos que envolvam o poder político, então não percam tempo a fazer de meras trivialidades o acontecimento do século sob pena de quando tiverem uma bomba nas mãos ninguém estar presente para assistir aos estragos.

Ainda sobre José Sócrates e Paulo Portas

Num debate que deveria ter como principal tema "o presente e o futuro", o Primeiro-Ministro insistiu em falar do passado, mas não de um passado recente. José Sócrates falou de factos ocorridos há cinco e sete anos para justificar a política do seu governo. Se Paulo Portas tivesse seguido as suas pisadas, provavelmente voltaríamos ainda mais atrás no tempo e discutiríamos a situação política de 1995 a 2001.
As diferenças entre os dois Executivos com participação CDS-PP e o actual, liderado pelo Eng. José Sócrates, são abissais, senão vejamos:
- Paulo Portas esteve menos de três anos em dois governos diferentes. José Sócrates já vai em quatro anos e meio;
- O CDS era minoritário num governo de coligação dominado e liderado pelo PSD. O PS não só governa sem coligação como ainda beneficia de maioria absoluta;
- Nunca a relação com os militares foi tão saudável como no tempo dos Executivos de Portas. O Código do Trabalho foi outra das grandes obras do CDS. Que obras conhecemos ao PS além da guerra desencadeada com praticamente todos os sectores da sociedade civil?

O PM ainda pretende comparar mandatos?