segunda-feira, agosto 03, 2009

O que fazer na Birmânia?

Durante décadas, a solução mais fácil para lidar com as dores de cabeça vindas do exterior passava pela intervenção militar. Com o passar dos anos, e com a censura social que as acções bélicas provocavam junto da população, surgiu a necessidade de encontrar uma justificação que sugerisse como solução última o recurso à guerra, a qual passou a ser legitimada através da defesa preventiva por recair uma ameaça directa à segurança nacional ou à paz mundial.
Hoje, até este último cenário é indesejado e manifestamente insuficiente, pelo que urge a obrigatoriedade de motivar toda a Comunidade Internacional a unir esforços e a tomar a iniciativa para atingir objectivos que vão de acordo à política externa de determinados Estados.
Apesar das constantes pressões da Comunidade Internacional, a Birmânia não cede. Aung San Suu Kyi ainda tem um mandato para cumprir e dificilmente deixá-la-ão participar nas eleições agendadas para 2010, apesar do governo local ter anunciado a libertação de presos políticos para este fim.
As recentes notícias que apontam para uma eventual colaboração entre a Coreia do Norte e a Birmânia com o objectivo de este último Estado poder desenvolver uma bomba atómica, provocam muitas interrogações. Será isto verdade? Será esta uma tentativa desesperada de Washington para justificar a queda do governo birmanês? Afinal, o que se pretende com esta notícia? O que se fará caso seja verdade? Mandam-se tropas? Tenta-se a via diplomática? Cruza-se os braços?
A confirmar-se a notícia, então temos um problema grave para resolver e que a Comunidade Internacional não sabe como lidar com ele. Aliás, a Comunidade Internacional não sabe, de todo, como lidar com um Estado violador de direitos humanos, situado numa região onde a China dita as regras e reage mal à ingerência na política interna de terceiros.
As políticas norte-americana e Ocidental começam a ser isto: simplesmente não se faz a mínima ideia de como se pretende reagir aos problemas, enquanto se tenta a resolução diplomática, cruzam-se os braços na esperança de ver no que é que vai dar. Mais do que eficácia, falta liderança e direcção à Comunidade Internacional para enfrentar este género de situações que se começam a alastrar diante de um corpo de bombeiros com mangueira e água para apagar os fogos, mas que não sabe abrir a torneira.

domingo, agosto 02, 2009

Joana Amaral Dias sondada em conversa privada: o último artigo sobre esta novela

Aviso desde já que não sou socialista, mas procuro ser imparcial dentro do possível.
Está tudo louco! Anda por aí muita gente a querer forçar a ideia de que o PS convidou Joana Amaral Dias para integrar as listas do partido nas Legislativas. Algumas considerações devem ser feitas sobre este assunto, da minha parte serão as últimas porque não pretendo alimentar esta novela:
- existe uma diferença abissal entre "sondar" e "convidar". Alguém perguntar "estarias disponível para aceitar um convite?" ou "o que é que responderias se fosses convidada?" é completamente diferente de "queres entrar nas listas?" ou "queres convidar-te a ser deputada independente pelo PS, que dizes?". Quem já esteve envolvido em eleições e listas e outros afins sabe perfeitamente distinguir entre estas duas figuras, não sendo sequer líquido que a seguir à abordagem surja um convite. Quem sonda poderá querer saber da disponibilidade de alguém para sugerir o seu nome a quem tem legitimidade para decidir e fazer o convite formal. É perfeitamente normal fazerem-se abordagens sem que se siga um convite.
- Joana Amaral Dias não foi convidada, foi abordada para se pronunciar sobre uma hipótese, por alguém que nem sequer vai integrar as listas do PS (Paulo Campos) e não está mandatado pelo partido para fazer convites.
- A comunicação social e os opinion makers que insistem em tentar levar o BE ao colo - passando a ideia de que é um partido verdadeiramente alternativo e diferente dos demais, está na moda, tem miúdas giras e os outros é que são todos iguais - continuam a ter um comportamento impróprio.
Primeiro, fazem desta situação uma verdadeira novela, como se o país não tivesse problemas mais importantes para serem discutidos, tentando concentrar as atenções de forma deliberada no Bloco de Esquerda.
Segundo, tentam fazer de Louçã uma espécie de herói que denunciou um acontecimento grave ocorrido no partido que está no poder, o que é mentira. As acusações de Francisco Louçã são graves. Acusou José Sócrates e o PS de tráfico de influências, não devendo saber bem o que isso é, mas como cai bem no ouvido da população, lá fez o seu papel e anda meio mundo esquecido das mentiras que tem dito. Até ao momento já se provou que Joana Amaral Dias foi sondada e não convidada, estando ainda por provar o convite para a presidência do Instituto da Droga e da Toxicodependência (IDT) ou para um cargo governativo. Louçã mente e o BE mais ajuda nessa mentira de cada vez que recorre a sites como o Esquerda.net para incendiar ainda mais os ânimos em torno da mentira.
- Paulo Campos recursar ser candidato por Coimbra, aceita-se. Não ter convidado, mas sondado JAD, é perfeitamente normal. Mas aquilo que é verdadeiramente anormal e insólito é o facto de um Secretário de Estado afirmar que "nem sequer sabia o que era o IDT"! Não será isto aquilo a que se chama "ir longe demais"?!
- É de mau tom tornar públicas conversas que são de foro privado sobretudo quando tal é feito com o objectivo de obter protagonismo, extrapolando os factos. Por mais amigos que sejam de JAD tenham muito cuidado com os telefonemas que lhe fazem, pois existe uma elevada probabilidade da senhora alucinar e fazer uma interpretação das palavras dos outros de acordo com o que mais lhe convém, existindo o risco de não respeitar as regras de boa educação e trazer a público aquilo que é de foro privado.

Sondagem Bar Velho

Perguntamos aos nossos leitores o que acham da polémica em torno de Joana Amaral Dias. As votações estarão disponíveis até 16 de Agosto.

A polémica "Joana Amaral Dias": linha do tempo

Vamos apresentar a linha do tempo do alegado convite a Joana Amaral Dias:

2005
22 de Setembro - Joana Amaral Dias confirma que será a Mandatária para a Juventude da candidatura de Mário Soares à Presidência da República.

2006
24 de Janeiro - Fernando Rosas, deputado do BE, garante que o partido não vai punir Joana Amaral Dias, a mandatária de Mário Soares para a Juventude, por ter apoiado esta candidatura.

2009
8 de Fevereiro - Joana Amaral Dias foi excluída da Mesa Nacional do Bloco de Esquerda, não encontrando "nenhuma razão para não fazer parte" de uma equipa de 80 elementos. Ninguém encontra explicações para o sucedido mas há quem indique que o apoio a Mário Soares em 2006 poderá ter precipitado esta decisão. Joana Amaral Dias refere que vai continuar a apoiar o projecto do BE por não ter como objectivo obter cargos.

24 de Julho - Durante um almoço numa associação recreativa no Barreiro, Francisco Louçã terá acusado José Sócrates de tráfico de influências ao ter oferecido à militante bloquista Joana Amaral Dias um lugar de Estado em troca de apoio às listas socialistas para as legislativas. Continua, dizendo que "voltou a convidá-la para cargos de Estado em troca de um eventual apoio, seja a chefiar um instituto público na área da saúde, seja num qualquer lugar de Governo".

24 de Julho - Joana Amaral Dias confirma ao Público as declarações de Francisco Louçã e acrescenta que rejeitou "por motivos óbvios", finalizando com "embora o BE me tenha afastado da Mesa Nacional e pelos vistos dispensado das listas de candidatos a deputados, sou militante de base e defensora das ideias e projectos deste partido".

25 de Julho - Em declarações ao Público, Francisco Louçã insiste que "primeiro ofereceram [o PS] a Joana Amaral Dias o segundo lugar por Coimbra e depois sugeriram a presidência do IDT - Instituto da Droga e da Toxicodependência ou um cargo no Governo".

25 de Julho - João Tiago Silveira, porta-voz do PS, nega que Joana Amaral Dias tenha sido convidada por alguém da comissão política ou da direcção do partido para integrar as listas socialistas como independente.

26 de Julho - Em resposta à polémica, José Sócrates desmente "categoricamente que" tenha "convidado a Joana Amaral Dias para fazer parte das listas do PS ou que tenha pedido alguém para convidar". Mais adianta que só ouviu "falar nesse nome depois" e que já não vê "a Joana Amaral Dias há pelo menos três anos na campanha eleitoral para Presidente da República".
As listas do PS, já tornadas definitivas, não incluem, entre outros, Isabel Pires de Lima, Ascenso Simões e Paulo Campos.

26 de Julho - O Ministro do Trabalho, Vieira da Silva, acusa Francisco Louçã de "mentir grosseiramente" sobre o alegado convite a Joana Amaral Dias para integrar as listas do PS nas próximas eleições legislativas.

26 de Julho - Louçã insiste na sua versão dos factos e afirma que "diversos" desmentidos do PS ao eventual convite dos socialistas à militante bloquista para integrar as listas às legislativas são "esclarecedores e iluminadores" sobre o assunto.

26 de Julho - Vítor Baptista, Presidente da distrital do PS de Coimbra, declara "nunca, em momento algum" ter convidado ou mandatado alguém para fazer o convite a Joana Amaral Dias, acrescentando que se alguém o fez não estará mandatado para isso.

29 de Julho - Paulo Campos, secretário de Estado adjunto das Obras Públicas e Comunicações, confirmou que manteve “contactos pessoais e privados” com Joana Amaral Dias, mas desmente que lhe tenha feito um convite para assumir o lugar de candidata a deputada. Paulo Campos terá desmentido também "de forma categórica que nesses contactos tenha oferecido ou proposto qualquer lugar no Governo ou em qualquer outra função no Estado".

31 de Julho - Em entrevista à SIC Notícias, Joana Amaral Dias confirmou que Paulo Campos a convidou para integrar as listas do PS nas próximas eleições.

31 de Julho - Em entrevista à Sic Notícias, Paulo Campos admite ter sondado Joana Amaral Dias para saber se a militante do Bloco Esquerda estava disponível para integrar as listas de deputados do PS por Coimbra. Paulo Campos reconhece que falou ao telefone com a ex-deputada, mas nega ter feito qualquer convite, garantindo que a conversa foi exclusivamente sobre as listas de candidatos e deputados do PS.

sábado, agosto 01, 2009

Manuel Alegre: socialista "de jure", mas não "de facto"

Manuel Alegre acusou a direcção do PS de retaliação política porque os seus apoiantes não foram incluídos nas listas de candidatos a deputados, o que me leva a perguntar: o Partido Socialista é uma coligação de partidos e movimentos ou é um partido político criado e organizado de acordo com os princípios da democracia em que prevalece a vontade da maioria, independentemente da forma como ela é decidida?
A ser a primeira, então os escassos "alegristas" devem encontrar uma forma de se fazerem representar, mais não seja através do lobby na socialite socialista de modo a salvaguardar os seus interesses e representatividade. A ser o segundo, Alegre deve compreender que a maioria dos militantes, através daqueles que os representam, optaram por deixar de fora personalidades conotadas com o "alegrismo", esse fenómeno que ainda ninguém conseguiu dissecar.
Na verdade, Manuel Alegre despediu-se recentemente do Parlamento e pretende continuar a dar nas vistas. Não deixou saudades, mas na despedida lá lhe fizeram o frete de tecer algumas palavras para que o vexame não fosse total. Alegre é um velho São Bernardo que já não tem força para andar quanto mais para carregar um kit de salvação a um PS quase em agonia. No entanto, querem fazer dele uma espécie de "monstro cor-de-rosa" que vem arruinar as eleições ao PS e o pior é que as pode fazer mais por culpa da comunicação social do que pela sua actuação.
Manuel Alegre deixou de ser socialista quando lhe viraram as costas em 2005, momento em que o PS apoiou a candidatura de Mário Soares às Presidenciais de 2006. Desde então, Alegre passou a ser socialista de jure, por estar vinculado à bancada parlamentar socialista, mas não de facto, porque a verdade é que neste momento é mais bloquista do que socialista. A última grande prova disso é o facto de o site Esquerda.net dispor de um texto que dá voz à revolta de Alegre perante toda esta situação.
Manuel Alegre, tal como Helena Roseta, deixou de ser socialista há muito tempo. O PS não é uma coligação de partidos ou movimentos para ter que se fazer representar através de um género de lei da paridade adaptada à sua imagem. Alegre deve retirar-se da política, gozar a reforma e, quiçá, aproveitar para escrever alguns livros, desde que os mesmos não sejam sobre mexericos no Largo do Rato.

Manuela Ferreira Leite e o envolvimento com os espanhóis do Santander: conseguirá ela defender os interesses nacionais?

Manuela Ferreira Leite (MFL) foi Ministra de Estado e das Finanças entre 2002-2004 no Governo PSD que sucedera ao demissionário Executivo liderado pelo Engenheiro António Guterres.
Em 18 de Junho de 2004, quando, alegadamente, Durão Barroso já havia decidido apresentar a demissão do XV Governo Constitucional e a menos de um mês da tomada de posse do novo Executivo liderado por Pedro Santana Lopes, o Ministério das Finanças, liderado por MFL, concedeu o regime de neutralidade fiscal à reestruturação do Grupo Totta, que na época integrava o Banco Totta & Açores, o Crédito Predial Português e... o Banco Santander Portugal*. Esta operação terá permitido ao Grupo Totta beneficiar de um benefício fiscal de aproximadamente um milhão de euros.
Pouco mais de um ano e meio depois, em 9 de Fevereiro de 2006, Manuela Ferreira Leite integrou a administração do Banco Santander em Portugal, assumindo um cargo não executivo, mas nem por isso mal remunerado, dado que, durante o ano de 2007, MFL terá auferido perto de 83 mil euros em salários (vêem, é para isto que vão as taxas e as despesas de manutenção que pagam aos bancos). Não sei se o convite para o cargo terá sido uma compensação pela decisão do seu Ministério em favor desta instituição de crédito quando em 2004, sei que é um excelente negócio alguém conceder 83 mil euros por ano a outrém, quando o último acabou de ajudar o primeiro a poupar um milhão de euros.
Esta situação não só é um bom negócio para as partes como anda muito próximo da violação de lei. O artigo 5.º do regime de incompatibilidades dos titulares de cargos políticos proibe o exercício de cargos em empresas privadas que prossigam actividades no sector por eles directamente tutelado durante três anos após a cessação das respectivas funções. No entanto, e de acordo com alguns fiscalistas conceituados, como Saldanha Sanches, o que libera MFL é a parte final do artigo que refere "desde que, no período do respectivo mandato, tenham beneficiado (...) de benefícios fiscais de natureza contratual", o que não se aplica à líder do PSD.
No entanto, moralmente, a conduta deve ser censurada e completamente repudiada deve ser a justificação de Vasco Valdez, Secretário de Estado dos Assuntos Fiscais, inferior hierárquico de MFL no XV Governo Constitucional, o qual terá defendido que MFL "não tinha conhecimento da situação". Não consigo deixar de me revoltar esta mania da classe política portuguesa em querer atirar areia para os olhos dos portugueses, querendo fazê-los acreditar que um consumidor que não lê as letras milimétricas num contrato de compra e venda de um produto de 20 euros deve ser censurado porque temos que ler tudo minuciosamente, mas um político que gere milhões e milhões de euros pode assinar de cruz centenas de documentos que podem desgraçar o país porque "tem muito trabalho e não pode perder tempo"!
Finalmente, em Julho de 2009, a menos de três meses das eleições legislativas, e numa altura em que MFL e José Sócrates se encontram muito próximos, o Santander decide voltar a fazer um jeitinho à "política de verdade" da líder social-democrata. Diz Nuno Amado, Presidente do Banco Santander Totta, que "é desejável que haja maioria absoluta nas próximas legislativas, porque as condições do país, em termos de modelo e endividamento, necessitam de uma estratégia que é mais fácil concretizar com maioria no Parlamento". Ficamos a saber que os espanhóis do Banco Santander não satisfeitos por serem uma das maiores instituições de crédito a operar em Portugal, agora fazem também questão de tentar influenciar, de forma descarada, a política nacional. Pedem maiorias absolutas para o próximo Governo, sabendo que esse Executivo poderá ser o de MFL. Pela caracterização que é feita da actual situação, o modelo Sócrates parece desagradar ao Banco Santander, defendendo, tacitamente, um Governo PSD.
Pergunto: terá MFL prometido mais privilégios ao Banco Santander em Portugal? Se tivermos um Governo PSD liderado por MFL teremos mais decisões em que os portugueses têm que apertar o cinto, mas os espanhóis do Banco Santander vão continuar a usufruir de elevados benefícios fiscais e os "ricos" continuarão a ser poupados? Que relações pretende MFL manter com as empresas espanholas? E com o Banco Santander? Terá o Santander e outros bancos e empresas espanholas ordem para limpar Portugal de tudo aquilo que é nacional? E a nossa posição na UE? Sabiam que foi com Durão Barroso à frente da Comissão Europeia que o famoso "Tratado de Lisboa" retirou dois eurodeputados a Portugal como condição para garantir as exigências dos espanhóis?
Afinal, o que é a política de verdade? Estará Manuela Ferreira Leite preparada para defender os interesses nacionais?


* - Os mais incautos não se devem deixar seduzir pelo nome "Banco Santander Portugal", pois, como é do conhecimento público, o Santander é uma instituição de crédito espanhola (q.b.) e não portuguesa, embora a sua penetração e crescimento no mercado nacional - desde 1988 - tenham ocorrido muito discretamente através da aquisição de pequenas participações em vários bancos portugueses, seguidas da fusão, perda de identidade e eliminação definitiva dos mesmos, a começar pelo antigo Banco de Comércio e Indústria (BCI). Uns chamam-lhe "regras de mercado", outros chamam-lhe abuso das regras de concorrência e até falta de competência das Autoridades para regular estas situações, favorecendo um mercado excessivamente liberal sem identidade nacional.
Deverá ainda dizer-se que este banco defendeu durante bastante tempo a contratação de funcionários a empresas de trabalho temporário com contratos de trabalho que se renovavam semanalmente, acabando por ser um regime idêntico à prestação de serviços, na qual o prestador poderá ser dispensado sem aviso prévio. Alguns dos funcionários do Banco Santander abrangidos por este regime chegaram a desempenhar funções durante 8 anos, continuando o banco e a empresa de trabalho temporário a considerarem esta situação como "trabalho temporário".
O Banco Santander preferiu, e presumo que ainda prefira, pagar cerca de 2.000 euros/mês por trabalhador à empresa de trabalho temporário - ainda que apenas seja pago ao trabalhador pouco mais de 700 euros - do que pagar um salário na ordem dos 1200/1500 euros, permitindo uma poupança significativa por trabalhador (também é para isto que vão as taxas que pagam e as despesas de manutenção). Recorrendo às empresas de trabalho temporário, não só não existe vínculo contratual com a empresa beneficiária da prestação, neste caso o Santander, o que poderia dificultar os casos de despedimento, como é possível gerir os trabalhadores de forma arbitrária e déspota, dado que se estes quiserem garantir o seu posto de trabalho terão que se submeter às regras da casa, caso contrário correm o risco de serem dispensados. Isto, na verdade, é fraude à lei, simulação ou abuso de direito (escolham a melhor), porque não existe verdadeira intenção de querer contratar trabalhadores de carácter temporário, antes ultrapassar regimes menos favoráveis aos beneficiários e que serão mais vantajosos para os funcionários.

Sobre as propostas de Manuela Ferreira Leite para os ricos...

"Pobres dos ricos" que são injustamente atacados pela população, defende Manuela Ferreira Leite. A líder do PSD é contra o ataque aos rendimentos dos ricos, defendendo que o que deve ser verdadeiramente atacado é a aquisição de bens de luxo, como os iates, que deverão ter uma carga fiscal mais pesada . Este raciocínio agrada-me por dois motivos:
1- Se o seguirmos à risca, então o IRS deve acabar, o que terá como consequência um agravamento do IVA como forma de compensar o "não ataque" aos rendimentos de ricos e pobres. Assim, é melhor termos o IVA e os IEC's com percentagens em torno, no mínimo, dos 50%. As vantagens são podermos começar a olhar para a folha de salários sem que existam diferenças entre os salários bruto e líquido e...
2- ... virarmo-nos para a aquisição de bens em mercado negro, desenvolvendo uma economia paralela às economias virtual e real até agora existentes, como forma de fugirmos às cargas fiscais elevadas que recaem sobre todo o tipo de produtos.
Assim, de acordo com a proposta de Manuela Ferreira Leite, começamos a ganhar mais dinheiro pelo trabalho que prestamos, embora queira acreditar que os aumentos dos salários vão ser praticamente nulos durante anos porque os empregadores, tal como os comerciantes relativamente à entrada em circulação do euro, vão querer aproveitar-se da mudança abrupta de salários para justificar o não aumento de salários. Os "ricos" vão beneficiar do mesmo regime e vão aproveitar esta medida para começarem a declarar os seus salários reais e teremos até o caso de estrangeiros que vão passar a "trabalhar em Portugal" para tirarem partido do mesmo benefício. Os iates, as aeronaves, e outros "luxos" vão passar a ser adquiridos, misteriosamente, apenas nas Ilhas Caimão, no Panamá e outros afins, mas vão poder circular em Portugal.
Ainda estou a pensar se será mesmo isto que pretendemos, sobretudo menos de 24 horas depois de saber que João Rendeiro, o coveiro do BPP, decidiu, por vontade própria, saldar uma dívida de três milhões de euros ao fisco, embora contrariado por entender que devia ser o banco a regularizar as dívidas dos rendimentos que o próprio auferia. Ora, estes três milhões de euros revelam que Rendeiro recebeu, no mínimo, seis pelas funções que exercia e que foi tributado com a mesma taxa que é tributado quem aufere 4.600 euros/mês, o que, já por si, é um salário demasiado elevado para a realidade nacional.
Se compararmos as taxas de IRS aplicáveis aos mais de seis milhões de Rendeiro (42% e 30,870%) e aquelas que são aplicáveis a quem aufere pouco mais que o salário mínimo (10,5%), vemos que os mais de três milhões que sobram para Rendeiro derreter como quiser, enquanto as vítimas do seu veneno definham para receber aquilo que com trabalho juntaram durante uma vida, é bastante superior aos pouco mais de 4.000 euros que quem aufere o salário mínimo, sendo escusado referir que este valor não só não dá para poupar como dá para adquirir muito pouco ou nada.
Posto isto, como é que Manuela Ferreira Leite se atreve a defender uma "política de defesa dos ricos", quando já sabemos que quem mais sofre com a sua pobreza é a maioria do povo cujo poder de compra está dependente dos créditos que lhes forem concedidos?

quinta-feira, julho 30, 2009

Fátima Felgueiras absolvida de todos os crimes no processo do futebol: alguma coisa funciona mal...

Fátima Felgueiras foi absolvida de todos os crimes (8) de que era acusada no âmbito do "processo do futebol". Não é a primeira vez que vemos figuras influentes serem acusadas de uma série de crimes e o resultado final ser a absolvição da maioria deles, quando não mesmo de todos. Não quero com esta afirmação insinuar que Fátima Felgueiras é culpada dos crimes de que era acusada, mas esta situação é, no mínimo, estranha.
Já aqui defendi que reformas profundas devem ser feitas na justiça ou então nos órgãos de investigação criminal. Não é normal, nem correcto, que uma série de inocentes tenham que enfrentar longos e dolorosos processos que os envolvem apenas porque alguém decide indiciá-los ou então que uma série de agentes criminosos saia impune da incompetência de maus juízes e/ou más acusações e/ou investigações. É completamente absurda e surreal a dedução de acusações com base no "vamos investigar e vamos ver no que é que vai dar" ou então penas suspensas quando os envolvidos são acusados de uma série de crimes cada um deles com penas superiores a 3 e 5 anos de prisão!
Alguém tem que assumir responsabilidades quer pelo envolvimento em processos crime, quer pelo estigma que vai perseguir um inocente, ou então por processos deficientemente conduzidos e/ou investigados. Devíamos começar pela ultracorporativista classe de juízes, seguindo-se mesmo os órgãos de investigação criminal. O que é certo é que este país não aguenta mais o julgamento de inocentes e a absolvição de culpados, mais não seja por expor as vulnerabilidades de um sistema dispendioso, moroso e, pior que tudo, com muitos rabos de palha.

Lista só de mulheres concorre a JF: subversão da lei da paridade

De acordo com os órgãos de comunicação, em Vila Franca da Beira uma lista composta só por mulheres vai concorrer à Junta de Freguesia local. Se o caso fosse o inverso - uma lista composta apenas por homens - certamente teríamos acusações de todos os sectores da sociedade que acusariam a lista de ser "machista", de não respeitar o valor e a qualidade das mulheres e a mesma seria inviabilizada. Como agora está em causa uma lista só de mulheres, o caso é visto como "elas é que mandam", ou "eles não são capazes de dar conta do recado".
Para mim, esta lista devia ser vetada por constituir, no mínimo, uma completa subversão à lei da paridade.

Ainda está para nascer...

Um Primeiro-Ministro que faça melhor do que Sócrates no capítulo da despesa.

Segundo Ricardo Reis, olhando para os quatro governos individualmente, o maior aumento na despesa veio durante os governos de Durão Barroso e Santana Lopes: 0,48% por ano. Segue--se-lhe o governo de Cavaco Silva com 0,32%, António Guterres com 0,31%, e por fim José Sócrates com um aumento de apenas 0,14%. Se excluirmos o enorme aumento na despesa no primeiro trimestre de 2009 associado à crise, o governo de José Sócrates e dos ministros Campos e Cunha e Teixeira dos Santos teria a rara distinção de ser o único governo que reduziu o tamanho do monstro, de 21,5% do PIB quando tomou posse para 21% no final de 2008.

Em silêncio, a cúpula do PSD pergunta: “Porquê nos abandonaste neste momento Senhor e deixaste o José Sócrates liderar o PS ao invés do PSD?”

Ainda está para nascer...

Uma ministra das Finanças que faça pior do que Manuela Ferreira Leite no capítulo da despesa.

Leia-se aqui.

quarta-feira, julho 29, 2009

Ainda sobre Joana Amaral Dias: como terminar com a polémica de uma vez por todas

Isto de se fazerem afirmações e atirá-las à parede a ver se pegam deve ter os seus dias contados. Mandam as regras do Direito em termos de prova que "quem alega um facto, tem que o provar". Acabem com esta polémica toda em torno do suposto convite do PS a Joana Amaral Dias e exijam a Francisco Louçã que prove aquilo que disse. Se este não quiser falar ou não conseguir provar a acusação que fez, então que ninguém tenha dúvidas que estamos perante um mentiroso que foi apanhado a fazer acusações infundadas com o objectivo de atingir uma terceira parte que neste caso é o Partido Socialista.
Os políticos têm que começar a honrar a sua classe e isso passa, também, por declarações verdadeiras que consigam provar e não por acusações gratuitas, insinuações e rumores. Até prova em contrário, Louçã perdeu boa parte da seriedade que tinha até ao momento e só lamento que actos semelhantes não sejam devidamente sancionados nas urnas.

Depois dos 150.000 postos de trabalho, as contas poupança de 200 euros...

A proposta do PS para a atribuição de uma conta poupança no valor de 200 euros a cada criança que nasça em Portugal é uma boa medida. Embora não se conheçam os termos completos desta iniciativa, devemos sempre desconfiar dos tais "almoços grátis" de José Sócrates, no entanto, para quem não está habituado a poupar, poder colocar algum dinheiro de parte para os seus filhos poderem levantar no futuro, aos quais se somam os juros e os 200 euros alegadamente oferecidos pelo Estado e que poderão ser levantados quando estes terminarem a escolaridade obrigatória constitui, sem dúvida, um bom incentivo à poupança e ao estudo.

O grande problema desta proposta é que com o fraco nível de exigência no ensino em Portugal os casos de levantamento da quantia poupada durante 18 anos por jovens com mérito parecem contar-se pelos dedos de uma mão, pois nos tempos que correm são raros os que, de facto, estudam e desafiam as suas potencialidades. Concluir o ensino obrigatório já não representa um desafio de grande envergadura para os nossos estudantes e difícil será não reunir os requisitos para levantar a poupança.

Outro grande problema está relacionado com o cumprimento desta medida que implicará, a priori, um investimento na ordem dos 150 milhões de euros. Se estes 150 milhões forem aplicados para o cumprimento de uma medida da mesma forma que foram criados os tão afamados 150 mil postos de trabalho, então daqui a quatro anos ainda estaremos à espera das primeiras contas poupança de 200 euros.

Por fim, não podemos esquecer-nos das letras pequenas que envolvem a atribuição dos tais "almoços grátis" de José Sócrates. Se o processo de atribuição do computador Magalhães e dos computadores com banda larga aos estudantes do ensino secundário envolveram tanta polémica relacionada com prazos de entrega, custos e cláusulas na fronteira do abusivo, não é difícil antever que estas contas poupança de 200 euros vão levar tudo a quem a decidir subscrever, a começar pelo(s) banco(s) envolvido(s) na criação destes depósitos...


P.S.: Apesar de estar mais que escaldado com as promessas de José Sócrates, não posso deixar de dar o benefício da dúvida ainda que esta medida tenha sido anunciada em época eleitoral. Se a atribuição de contas poupança no valor de 200 euros não envolver as tais cláusulas inscritas em letras milimétricas, então teremos, de facto, uma boa medida. E quem achar que 200 euros é pouco tem boa solução: não aceitar e ter a iniciativa de fazer o seu próprio investimento.

domingo, julho 26, 2009

Dissertações sobre a Gripe A

1- Intriga-me esta sociedade que desenvolve uma verdadeira psicose maníaco-depressiva em torno da Gripe A (uma gripe normal), lavando as mãos vezes sem conta e evitando o contacto com terceiros que espirrem e desinfectando tudo por onde passam, mas depois levam tabaco à boca e inspiram o fumo dos outros, ou mantêm uma alimentação degradante, sem medo de um tal de cancro, essa doença que mata milhões de pessoas por ano.

2- Diz-nos a imprensa que o número de infectados com a Gripe A subiu para 232. A H1N1 continua a ser tratada como a SIDA: quem a contrai já não a larga, continuando eternamente nas estatísticas que são anunciadas ao público e que contribuem para as campanhas alarmistas que por aí andam. Se considerarmos para a gripe vulgar os mesmos critérios que temos para a Gripe A, vamos entrar em paranóia absoluta, porque são milhares de milhões os infectados e vítimas mortais desde que existe uma das doenças mais comuns da história da humanidade.

Joana Amaral Dias: o único convite digno poderá surgir da Playboy

Louçã despacha Joana Amaral Dias e fá-la convidada do PS. Seguidamente, José Sócrates rejeita a bloquista dissidente e nega tê-la convidado para integrar as listas do partido. Posto isto, qual será o futuro de Joana Amaral Dias? Também não está nos planos do Bar Velho convidá-la para escrever no nosso espaço, pelo que o melhor convite que podem fazer à psicóloga do BE neste momento é uma proposta para posar para a Playboy portuguesa. Alguém duvida que isso serviria para relançar a sua imagem e influência na política nacional? Já passou pela cabeça de alguém que uma personalidade ligada à política, em pleno Portugal ainda medieval, mostre como veio ao mundo? O eleitorado gosta destas coisas, acreditem!

Sobre as alegadas "burlas dos ciganos" na compra de imóveis

Ontem voltou a ser notícia a alegada "burla dos ciganos" na compra de imóveis. O esquema já está mais que banalizado, mas as queixas e as notícias continuam como se se tratasse de uma novidade: um indivíduo apresenta-se junto de um construtor ou de uma agência imobiliária e anuncia que pretende adquirir determinado imóvel. Dá um sinal considerável - por norma superior a 10.000 euros podendo ir até 25.000 ou mais - e, posteriormente, decide voltar a visitar o imóvel, levando, para o efeito, toda a sua família cigana a qual trata de montar um autêntico arraial no prédio de modo a provocar a censura dos vizinhos e potenciais compradores quanto à celebração do contrato definitivo.
Assim, e de modo a evitar que os restantes apartamentos não sejam vendidos, o vendedor sente-se na obrigação de restituir o sinal em dobro dando cumprimento ao artigo 442.º, número 2 do Código Civil.
No meu entender, chamar "burla" a esta prática é uma palavra demasiado pesada. De acordo com o artigo 217.º, número 1 do Código Penal, a burla consiste num acto praticado por alguém "com a intenção de obter para si ou para terceiro enriquecimento ilegítimo, por meio de erro ou engano sobre factos que astuciosamente provocou, determinar outrem à prática de actos que lhe causem, ou causem a outra pessoa, prejuízo patrimonial".
A "burla dos ciganos" de burla não tem nada, e quem seguir esta via com uma queixa na polícia corre o sério risco de ver o processo arquivado, sendo este um problema de âmbito civil e não criminal. Assim, podemos, quando muito, estar perante uma situação de reserva mental (artigo 244.º do Código Civil) - dado que a vontade do alegado promitente-comprador é contrária à sua declaração inscrita no contrato promessa, produzindo os mesmos efeitos da simulação, tornando o contrato promessa nulo - ou de abuso de direito (334.º do Código Civil).
Se face à recusa do promitente vendedor em restituir o sinal em dobro, o mesmo for alvo de ameaças ou coacção, então aí já entramos na área criminal, mas nunca na burla. Resta a construtores e imobiliárias a capacidade de resistirem às pressões dos alegados promitentes-compradores e à tentação de anularem um negócio com medo de perda de futuros compradores dos restantes fogos. Se os ciganos envolvidos nestes actos quiserem apenas e tão-só a restituição do sinal em dobro, as vítimas poderão entrar no esquema dos promitentes-compradores e forçar a celebração do contrato definitivo, contrato esse que estes nunca vão pretender celebrar porque não é essa a sua vontade real, permitindo a construtores, imobiliárias e outros vendedores a conservação do sinal pago pelos ciganos e, possivelmente, a propositura de uma acção em tribunal com o intuito de serem ressarcidos pelos prejuízos decorrentes da não celebração do contrato definitivo. Comecem a agir desta forma e vão ver que a famosa "burla dos ciganos" vai ter os dias contados quando estes se aperceberem que estão a deitar dinheiro fora.

sábado, julho 25, 2009

Colaboração entre o Bar Velho e a Associação de Defesa dos Direitos Humanos

É com muito prazer que o Bar Velho Online anuncia a colaboração com a Associação de Defesa dos Direitos Humanos (ADDHU), Organização Não Governamental para o Desenvolvimento (ONGD) liderada por Laura Vasconcellos e que tem como objecto social "a concepção, execução e apoio a programas e projectos de informação, educação e desenvolvimento destinados a promover as liberdades e a protecção dos direitos do cidadão em todos os seus aspectos, no respeito pela Declaração Universal dos Direitos do Homem".
A ADDHU conta com acções no âmbito da luta pela libertação de Aung San Suu Kyi e no Quénia onde presta assistência aos mais desfavorecidos neste país da África oriental e que promoveu a recente reportagem da RTP sobre o papel da ONGD fundada e presidida por Laura Vasconcellos.
Neste sentido e por entendermos que será extremamente proveitosa a variedade de conteúdos no Bar Velho Online, chegámos a acordo com Laura Vasconcellos para que escreva artigos que serão posteriormente publicados neste espaço. Pretende-se com esta parceria promover e divulgar a actividade da ADDHU ao mesmo tempo que será possível dar a conhecer a terceiros aos nossos leitores a visão de quem se encontra em vários cenários de conflito, tensão e falta de meios de subsistência.

quarta-feira, julho 22, 2009

O regresso de um soldado...

Fotografia de Tim Shaffer (Reuters) via publico.pt

Quão reconfortante é saber que esta guerra é plenamente justificada e em nome de superiores interesses do homem?

Que os bravos transportam os valores da democracia, do respeito e a promessa de um mundo melhor em cada passo, em cada posição assumida, em cada tiro disparado, ainda que isso lhes custe a vida?

Joe Dante ilustrou magistralmente em imagens o estado de alma destes homens em Homecoming, adaptado da short story "Death and Suffrage" de Dale Bailey.

A ver e ler atentamente. O terrorismo que se esconde por detrás do terror.

terça-feira, julho 21, 2009

Sobre um tal português de nome Liedson...

Repito na íntegra o que foi escrito na altura a propósito de Pepe aqui, aqui, aqui e aqui, mas ainda mais reforçado:
1- A Selecção Portuguesa morreu há muito tempo e deu lugar à Selecção da CPLP ou Selecção do Resto do Mundo;
2- Não é porque alguém tem um cartão com a inscrição "nacionalidade: português" que o é verdadeiramente. Um brasileiro que vem para Portugal jogar à bola e os únicos elementos de conexão que tem com o país são as amizades no balneário e um cartão não pode ser considerado português.

Mestrados na Faculdade de Direito de Lisboa: missão impossível...

A Faculdade de Direito de Lisboa abriu as candidaturas aos Mestrados para o ano lectivo de 2009/10. Agora a candidatura já pode ser feita online. Até aqui tudo bem. O problema é que é muito complicado, senão mesmo impossível, que alguém se candidate a um Mestrado sem saber as cadeiras que vai ter! A Faculdade disponibiliza os nomes básicos das cadeiras como "Direito Civil III" ou "Direito Público IV". Mas, sabendo que cada uma destas cadeiras se centra num tema específico como é que os candidatos sabem que o tema para 2009/10 é aquele que vai de encontro à sua especialização?
Acrescem ainda outros dois problemas: quem são os professores que vão leccionar as cadeiras e quais são os horários em que as aulas serão ministradas? É que é prática recorrente alguns seminários decorrerem às 11h ou às 15h o que inviabiliza completamente a possibilidade de conjugar um Mestrado com uma actividade profissional como noutro sítio minimamente decente que se preze. Mas acontece que a Faculdade de Direito de Lisboa continua com o pensamento tacanho que continua a prejudicar a imagem daquela que já foi a melhor Faculdade de Direito do país: o aluno é que tem que se sacrificar e dedicar um ano da sua vida exclusivamente aos caprichos de professores muito bem pagos e que entendem que aulas em regime pós-laboral são um ultraje. Sendo assim, como é que me posso candidatar a um Mestrado para o qual não sei se terei disponibilidade horária?
A FDL que continue com esta linha de pensamento que é uma Faculdade de elite e os alunos é que precisam da Faculdade que a tendência é para que os portugueses procurem alternativas válidas nas Universidades Nova e Católica e a FDL acabará repleta de Mestres e Doutores brasileiros que vêm cá passar um ou dois anos de férias e um dia mais tarde lá fazem uns intercâmbios connosco.
Seguindo esta via, a FDL vai limitar-se a qualificar estrangeiros provenientes da América Latina, dos quais alguns desconhecem princípios e conceitos que se davam no primeiro e segundo ano de licenciatura. Não digo isto com qualquer sentimento de racismo ou xenofobia, mas na qualidade de alguém que já pôde testemunhar o nível de conhecimentos de alguns colegas que vêm para Portugal mestrar-se em Direito sob uma "perspectiva luso-brasileira", obtêm boas notas, mas que não têm qualidade nem formação suficientes para poder encarar o Mestrado com a mesma honestidade intelectual que os portugueses.
Posto isto faço a pergunta: como é possível que alguém encare com seriedade um Mestrado na FDL se as condições são as acima referidas?

Benfica adquire passe de jogador desconhecido por 7 milhões de euros

O Benfica adquiriu o passe de Javi Garcia por 7 milhões de euros! Um jogador desconhecido de 22 anos, que vem para o Benfica por valores astronómicos. O Benfica não vende jogadores e não tem dinheiro, mas dá-se ao luxo de comprar jogadores de classe duvidosa por valores absurdos. Não vou questionar o valor do espanhol mas um jogador que custa 7 milhões de euros a um clube português terá que se revelar um verdadeiro fora-de-série!
Pasmo-me por saber que 6,5 milhões de euros por uma certeza do futebol como é Reyes é "demasiado", mas 7 milhões por um jogador que pouco jogou em toda a sua vida e com menos três anos de idade que o seu conterrâneo já seja um valor justo e um bom investimento.
Ora, a "administração Vieira" continua a fazer das suas sobretudo se nos questionarmos relativamente aos 25% do passe de Reyes no qual o Benfica derreteu 2,5 milhões de euros. Pergunto: para que serviu este investimento se agora se dão ao luxo de o deitar fora? Afinal, basta ao Atlético de Madrid vender os seus 50% para que o jogador se transfira para outro clube e o Benfica continue com 2,5 milhões deitados fora.

P.S.: Graças a esta política de contratações benfiquistas, que já nos custou um Balboa (4 milhões), um Quique (pelo menos 2 milhões) e um Javi Garcia (7 milhões), o Real Madrid lá vai pagando o Cristiano Ronaldo.

Oliveira e Costa e a prisão domiciliária

Continuo a achar impressionante que a TVI já tivesse acesso à decisão do magistrado no sentido de pôr fim à prisão preventiva semanas antes desta ser tornada pública e o arguido devidamente notificado. Notável e ninguém sequer questiona o sucedido. Está tudo bem... viola-se o segredo de justiça, viola-se a Constituição... Quem quer saber? Ninguém.

domingo, julho 19, 2009

Conselho de amigo...

Uma grande amiga minha, Ana de Ornelas, inaugurou hoje o seu blogue dedicado inteiramente a poesia da sua autoria. Quem gostar, visite o espaço "Amores, Desamores e outros ais!" e, se quiser, adicione o seu contacto no Twitter.

FC Porto: verdadeira máquina de fazer dinheiro ou os seus negócios escondem algo por trás?

Lisandro: 24 milhões de euros + bónus
Lucho González: 18 milhões + bónus
Cissokho: 15 milhões + bónus
Ibson: 5 milhões
Paulo Machado: 3,5 milhões
Vieirinha: 300 mil euros

Total: 65,800 milhões de euros

Não há aqui nada de estranho na venda destes jogadores por estes valores? E mais estranho ainda o tal "negócio dos dentes de Cissokho"? Sou só eu que, enquanto benfiquista, invejo a capacidade vendedora do Porto que despacha jogadores por quantias impossíveis ou há aqui qualquer coisa que as pessoas não querem saber?

sexta-feira, julho 17, 2009

TGV: Jardim defende ligação entre Lisboa e Espanha mas não entre a capital e o Porto

O presidente do Governo Regional da Madeira defendeu hoje a ligação por TGV entre Lisboa e Espanha, afirmando que, à semelhança do que acontece com grande parte da população portuguesa, não lhe interessa o que o PSD pensa sobre o assunto.

"Não me interessa o que o meu partido pensa. Eu penso pela minha cabeça. Eu sou pelo TGV(!)" (Pena que nem todos os militantes do PSD o façam...).

terça-feira, julho 14, 2009

Candidata à Câmara de Valongo: promessas eleitorais são meras obrigações naturais

Maria José Azevedo, candidata independente à Câmara de Valongo, registou o seu programa eleitoral no Cartório Notarial de Valongo e, se não cumprir as promessas eleitorais, sujeita-se à vontade popular de a levar a tribunal.
A medida de Maria José Azevedo é absurda e não faz qualquer sentido na medida em que as promessas eleitorais, tal como já defendido neste espaço, são meras obrigações naturais correspondendo, de acordo com o artigo 402.º do Código Civil, a "um dever de ordem moral ou social" não sendo "judicialmente exigíveis". A candidata independente à Câmara de Valongo pode registar o que quiser no Notário, pode ir de joelhos a Fátima e pode até assinar um acordo com o seu próprio sangue que os munícipes estão impedidos pela lei de exigir em tribunal uma promessa eleitoral.
Porém, exceptuam-se alguns casos como por exemplo o não incumprimento de medidas que constem do manifesto eleitoral da candidata e que se consiga demonstrar que o seu incumprimento provocou danos ao Município, embora neste caso a propositura da acção deverá respeitar à responsabilidade extra-contratual, aplicando-se o Direito Administrativo.
Esta medida apresentada pela candidata já produziu os efeitos desejados que consistiam em dar visibilidade gratuita à sua candidatura, não servindo para rigorosamente mais nada.

O fundamentalismo feminista de Edite Estrela


Ainda recentemente foi comentado neste espaço questões como a lei da paridade e a página de Twitter de Edite Estrela que parece cada vez ter menos preocupações em assumir o seu fundamentalismo feminista na internet.
Hoje, passando novamente pelo Twitter da Eurodeputada socialista, deparo-me com o seu brilhante comentário a propósito da eleição do Presidente do Parlamento Europeu. Para Edite Estrela, segunda colocada na lista encabeçada por Vital Moreira, não existem critérios como mérito, capacidade ou competência. Já que nem sequer passa pela cabeça da Eurodeputada exercer o seu voto num dos candidatos que mais se aproxime da identidade portuguesa, até poderia aceitar a diferença entre "candidato de esquerda" e "candidato de direita". Porém, o critério escolhido por Edite Estrela, como se pode ver na imagem de cima é "acabei de exercer o meu direito de voto (...) há dois candidatos: mulher e home".
E pronto! Para a ex-Presidente da Câmara de Sintra tudo se resume a homens e mulheres, ou seja, à guerra dos sexos. Muito me surpreende que tenha aceitado concorrer às eleições europeias atrás de um homem e não tenha exigido que uma mulher encabeçasse a lista do PS. O que mais me perturba, no meio de tudo isto, é saber que os portugueses votam em partidos e nem se esforçam por conhecer os candidatos que integram as respectivas listas em que votam. Não passa pela cabeça de ninguém votar numa candidata que em vez de ter como motivação representar os interesses do seu país na União Europeia, pense apenas em fazer um lobby doentio em favor das mulheres.
Pergunta a quem votou PS nas eleições de 7 de Junho: é assim que se representa o país no Parlamento Europeu?

Programa Polis Costa da Caparica poderá dar caso de polícia

O Programa Polis Costa da Caparica deu uma nova vida a esta cidade do concelho de Almada. Foram investidos cerca de 200 milhões de euros na revitalização de uma área que se encontrava ao abandono e que atrai muitos turistas anualmente. O arranjo das praias, o calçadão, os bares, os armazéns, os estacionamentos e as novas estradas, todos eles melhoraram radicalmente a imagem da Costa da Caparica (até o Restaurante o Barbas já tem um espaço de luxo).
No entanto, não é preciso ser-se um génio para ver que apesar do forte investimento na zona ribeirinha o troço da nova estrada que liga a Av. General Humberto Delgado à rotunda da Av. 1.º de Maio tem postes de electricidade instalados em plena estrada em vez de se encontrarem no passeio, a menos que isto seja uma forma de "arte moderna" para a Costa da Caparica. Qualquer carro que siga em direcção à Av. 1.º de Maio tem vários obstáculos que uma equipa de arquitectos, engenheiros, advogados e economistas não deram conta.

Os postes de electricidade em plena estrada

segunda-feira, julho 13, 2009

António Costa, qual São Vicente, acompanhado por dois corvos: Sá Fernandes e Helena Roseta

O actual Presidente da Câmara de Lisboa, António Costa, parece disposto a tudo para renovar o seu mandato na capital. Depois de, a menos de três meses das eleições, ter pago com dinheiro camarário a divulgação de verdadeira propaganda eleitoralista na edição do passado domingo do Público, e após convencer um Sá Fernandes já cansado de dar uma de "difícil" por ver o tempo apertar e ninguém se mostrar disposto a renovar-lhe o poleiro, aliás, pelouro, na capital, eis que agora parece apontar os canhões a Helena Roseta.
Aquela que há dois anos foi negligenciada pelo PS e por Costa após personificar um género de Manuel Alegre no feminino, agora parece ser vista por António Costa como cheia de virtudes (leia-se apoiantes/votos) e de anos de serviço público capazes de fazer a diferença na sua candidatura.
Santana Lopes parece mesmo destinado a ganhar as próximas eleições se Costa não agir rapidamente, mas começo a duvidar de uma estratégia eleitoral de um verdadeiro São Vicente disposto a dar o ombro a independentes marginalizados pelos partidos que outrora os apoiaram (BE e PS). Iria mais longe e diria que se o candidato pelo PS à capital continuar com o discurso de inclusão de independentes no projecto socialista e afastar o verdadeiro conceito de coligação, não será preciso muito tempo até que Sá Fernandes e Helena Roseta se tornem nos dois corvos dispostos a fazer o funeral ao São Vicente socialista.

Mais um dia típico na Portugalândia...

"Um grupo de agentes da PSP foi esta manhã alvo de pedras e garrafas arremessadas por perto de 50 moradores da Quinta da Fonte, em Loures, quando perseguia um indivíduo que tinha acabado de fazer um assalto e que se refugiou no bairro."

Fonte: Público

Está tudo bem, dizem. Não há nada a mudar nas leis penais, excepto continuar a adaptá-las à realidade nacional que está cada vez melhor...

domingo, julho 12, 2009

Elisa Ferreira: o despotismo só a prejudica

"Eu quero, posso, faço e mando!", parece ser o mote de Elisa Ferreira na sua candidatura à Câmara do Porto. Mesmo tendo sido eleita eurodeputada pelo PS não quer saber do impacto que uma dupla candidatura possa ter no eleitorado portuense e decidiu avançar; fez a sua própria lista sem ouvir o PS-Porto; quando chamada à atenção para o facto de estar a concorrer como candidata do PS e ter a obrigação de delinear a estratégia e formar a lista em conjunto, não quis saber e insistiu nas suas; faz birra e amua porque não tem apoios quando, segundo consta, age de forma déspota como se fosse um género de Messias no feminino que realizará o milagre da multiplicação de votos no norte.
Do pouco que já falou enquanto candidata, meia-dúzia de chavões feministas, uma filosofia que parece estar a ganhar cada vez mais adeptos na política feminina portuguesa (sim, começa a ser obrigatório separar política de política no feminino porque as mulheres mais proeminentes insistem numa estratégia paradoxal e incoerente de cada vez que exigem igualdade entre os sexos mas reforçam a separação de géneros). Acrescem, por fim, mais uma mão cheia de chavões popularuchos como "Porto aos portuenses" e "Porto para todos" faltando-lhe capacidade para espremer este género de expressões para a mostrar que há conteúdo e trabalho de casa feito na sua candidatura.
Face a este cenário, a maior humilhação de sempre dos socialistas no Porto parece ser o cenário mais que provável desta candidatura que parece ser tudo menos séria, organizada e coerente. Só não vê quem não quer...

sábado, julho 11, 2009

"I want to be rich and I want lots of money...

... and I'll take my clothes off and it will be shameless", assim canta Lily Allen em "The Fear" e a ver pelo seu ensaio fotográfico para a revista i-D as palavras parecem ser sinceras. A última edição da i-D, que não tem nada a ver com investigação e desenvolvimento, exibe uma Lily Allen livre de preconceitos (a foto de cima é só para aguçar o apetite) numa péssima sessão fotográfica que se assemelha mais a uma série de fotografias amadoras tiradas por um ex-namorado do que propriamente por uma revista profissional habituada a fazer ensaios com celebridades.
A cantora deve ter recebido balúrdios por fotografias amadoras que denigrem a sua imagem, mas aquilo que para ela poderá ter sido um bom negócio para a revista pode ter sido um péssimo investimento se atendermos ao facto de que Lily Allen já mostrou o peito gratuitamente em público.

sexta-feira, julho 10, 2009

Sete grandes mentiras que os portugueses contam a si próprios para fugir à realidade

Ao longo dos últimos anos, os portugueses desenvolveram uma habilidade quase patológica de mentirem a si próprios. Nos dias que correm, onde quer que se vá, lá estará um português a atribuir responsabilidades a todos, e especialmente "ao sistema", menos a si próprio. É possível que tudo se trate de um mecanismo criado inconscientemente pela psique humana para conseguir lidar melhor com o fracasso e com a frustração em que algumas das escolhas pessoais resultaram. Não deixa, ainda assim, de ser menos aceitável e estranho por causa disso.
Estas são alguma das grandes mentiras que os portugueses contam a si próprios para melhor lidar com a situação no país:

1- O Governo tem que nos ajudar nos nossos problemas pessoais. Quantas não são as pessoas que regularmente não manifestam vontade de trabalhar, mas exigem ajudas do Governo? Quantas não são as pessoas que têm um ordenado baixo mas insistem em adquirir imóveis e carros de luxo, incomportáveis para o seu orçamento familiar e depois dizem que "o Estado devia intervir" ou "a culpa é do Governo que não aumenta os salários, nem faz nada para resolver esta situação"?
A verdade é: o Governo não é a Santa Casa da Misericórdia para ajudar financeiramente a população e mesmo que fosse não serviria para colmatar os erros bárbaros de gestão que são cometidos em vários lares portugueses. A função do Governo é criar políticas favoráveis ao país e gerir, o mais convenientemente possível e de acordo com as regras de bom senso, as receitas provenientes dos impostos.

2- A segunda grande mentira é que Portugal é um país rico, cuja riqueza está a ser saqueada pelo poder político. Lá porque temos os combustíveis mais caros da UE, pagamos dois impostos na aquisição de automóveis, pagamos um dos IVAs mais elevados da Europa, e temos bens altamente inflacionados até mesmo para mercados de países como França, EUA e Reino Unido, a verdade é que não temos um tostão furado e aos poucos vamos vendo o país a enforcar-se em dívidas. Levamos vida de ricos, mas não temos dinheiro para mandar cantar um cego.

3- A terceira mentira é que os portugueses são um povo de trabalho, decente e honesto, mas os líderes políticos são maus. Esta é das minhas preferidas. Para começar somos latinos, o que significa que somos manhosos, com tendência para a trapaça e pelo ainda juntamos um pouco da emotividade que nos caracteriza. Isso só por si faz-nos estar ali num limiar entre África, América Latina e a Europa. Por vezes tenho dúvidas se assim como a Madeira está mais para a Europa do que para África apenas porque alguém decidiu que a diferença entre Madeira e Cabo Verde estava na cor de pele dos seus nativos, se não estaremos mais próximos da Europa do que de África também pelo tom de pele.
Tirando isso, os portugueses têm os líderes que merecem, pois são o reflexo do país. Lembrem-se que eles não chegam ao poder sozinhos e alguns ainda conseguem repetir a proeza.

4- A quarta mentira é que personalidades estrangeiras ligadas à política, como Lula da Silva, José Eduardo dos Santos, José Luis Zapatero, entre outros, adoram Portugal e os portugueses. Vamos ser francos neste aspecto: estes indivíduos mantém relações próximas com Portugal para protegerem os seus interesses nacionais, daí nos chamarem "irmãos" ou "aliados". À primeira adversidade ou contratempo somos imediatamente vistos como "colonizadores" e "adversários" e imediatamente acusados de não querer contribuir para a estabilidade internacional.
Espanha, Brasil, Angola, EUA, e até mesmo os EM da UE, nenhum destes gosta tanto de Portugal como nós ao ponto de nos querer beneficiar. Se queremos que o nosso país avance sem depender dos caprichos de terceiros temos que ser nós a fazê-lo! Eles não gostam de nós pelo nosso belo sol e pela nossa simpatia, mas sim pelo que lhes podemos dar. Contrariá-los é como sentenciar as relações bilaterais existentes, ou porque é que acham que o Irão e o Zimbabué são vistos com desconfiança?

5- A quinta mentira diz respeito à crença popular que diz que devemos ter educação gratuita e serviço de saúde gratuito para garantir a sustentabilidade do país. Vamos ser honestos: não há almoços grátis e o dinheiro não cai do céu! Quando um país pobre quer dar uma de rico, qual adolescente que vê os outros meninos da escola usarem roupas de marca e ele decide acompanhá-los, é impossível garantir serviços públicos básicos gratuitos. Enquanto continuarmos com projectos mirabolantes e com o despesismo público a um ritmo elevado, bem podem sonhar com saúde e ensino gratuitos! E enquanto não mudarmos de rumo o melhor que podemos garantir, para ser benevolente, será a tendencial gratuitidade aos mais desfavorecidos.

6- Outra grande mentira é aquela que muitos portugueses contam a si e aos outros ao dizerem que é a pobreza que leva ao crime e à realização de actos impulsivos. Querem mesmo acreditar que é a pobreza e a miséria que está por trás dos assaltos às gasolineiras, às caixas multibanco, ourivesarias e outros estabelecimentos? Pobre não rouba por ganância, rouba algo que lhe garanta a sua subsistência.
Se a pobreza fosse a origem de todos os males, como é que se explica que, por exemplo, Cristiano Ronaldo seja uma pessoa boa que dá tudo aos que lhe são próximos e tenha passado 12 anos da sua vida a viver no meio da miséria?

7- Mentira número sete: Barack Obama vai tirar-nos da crise e vai salvar o mundo. Portugueses, ponham os olhos em países como a China e constatem que o que fez com que este país passasse de terra dependente do investimento externo para superpotência foi o sacrifício de toda uma geração trabalhadora e empreendedora que fez da China aquilo que é hoje. Se os portugueses deixarem de ser individualistas e começarem a pensar em dar o seu melhor para construir um país melhor então podemos sair da crise. Sem trabalho e unidade nacional bem podem ter fé em Barack Obama, José Sócrates e Manuela Ferreira Leite. A situação vai continuar igual e os culpados são sempre os suspeitos do costume.

quinta-feira, julho 09, 2009

Ministério da Saúde anuncia o seu plano de contingência para as escolas

Segundo consta, andam por aí Delegados de Saúde em reunião com directores de escolas para preparar os estabelecimentos de ensino e os professores para a Gripe A.
De acordo com os mesmos e segundo conseguimos apurar, os Delegados de Saúde "sugerem" que de hora a hora sejam limpas as maçanetas das portas e os teclados dos computadores têm de ser cobertos com filme da cozinha e mudados com a mesma periodicidade.
Acresce que recai ainda sobre a escola a elaboração de exercícios de carácter lúdico para entreter os alunos que venham a estar de quarentena. Interrogo-me sobre o papel das famílias, cada vez mais negligenciado e desresponsabilizado.
Não deixa de ser um plano de contingência que dá que pensar, este.

Isaltino Morais e o MP: sai uma pena suspensa para a mesa de Oeiras

"O procurador do Ministério Público pediu hoje a condenação de Isaltino Morais numa pena efectiva de prisão superior a cinco anos e a inibição de exercício de cargos públicos durante o mesmo período de tempo"

Fonte: I

Ponho 500 euros na mesa em como vai sair mais uma pena suspensa, um recurso e mais um discurso de vitimização do autarca, mais uma recandidatura e mais uma vitória eleitoral.

Lei da paridade: um género de "cunha" para as mulheres e um pouco de feminismo exacerbado

Andava há pouco pelo Twitter e deparei-me com uma das actualizações de Edite Estrela que diz "está provado que uma equilibrada representação feminina nas administrações é vantajosa para as empresas". Ora, o "está provado" da Eurodeputada leva-me a questionar se foi destacada alguma equipa de cientistas que tenha identificado uma variante hormono-intelectual de L-Casei Immunitass e Omega-3 nas mulheres capaz de fazer a diferença no mercado só pelo simples facto de serem mulheres, estando, assim, "provado cientificamente" o fenómeno.
Tirando a hipótese acima referida, acho de todo impossível que as mulheres só por serem a variante feminina do Ser Humano possam ser vantajosas para as empresas, excepto pela combinação que têm com a testosterona masculina. Eu dou um exemplo: hoje fui à Mercedes com o intuito de levar um carro para reparação. Como eu, assim estavam outros clientes. Eis que subitamente aparece uma vendedora da casa vestida e calçada como se estivesse a preparar-se para dançar no varão de um qualquer strip club. Todos, literalmente todos, acompanharam cada passo que ela deu no palco, aliás, no salão, e ficaram atónitos com o que estavam a ver. Por instantes cheguei mesmo a pensar se não estaria na hora de trocar de carro. Felizmente a razão venceu o... coração. Pelo ar dos outros, se não estariam a pensar mudar de carro pelo menos pareciam na disposição de saberem os preços e eventuais condições de financiamento.
Se o relatório científico que sustenta o "está provado" de Edite Estrela se fundamentar neste género de critérios, então, sim, a representação feminina nas administrações é vantajosa para as empresas porque têm argumentos fora do alcance dos homens. No entanto, creio que aquilo que todos desejamos é o fim da guerra dos sexos que nos leva a olhar para o placard de resultados e vemos "homens 60-40 mulheres" o que leva as mulheres a pensar "temos que empatar para depois golearmos os gajos".
Acresce ainda que estas mensagens em Twitters ficam mal a uma Eurodeputada que deveria pugnar pela igualdade entre os sexos e não se regozijar com um "está provado que as mulheres trazem vantagens a...". Se eu fosse mulher e lesse uma coisa destas da boca de um homem sentir-me-ia humilhada, mas se ouvisse isto de uma mulher então cortaria imediatamente os pulsos! Continuo a achar que as mulheres trazem tantas vantagens quanto os homens se tiverem a mesma competência e capacidade. Este tipo de feminismo exacerbado e mal disfarçado só me leva a concluir que algumas mulheres apoiam-se na lei da paridade, nas quotas e nos "relatórios científicos de Edite Estrela" para conseguirem uma cunha para chegar a cargos que de outra forma não chegariam.
Em vez de se preocuparem com leis e números, o que contribui para o aumento da separação entre homens e mulheres e para uma inferiorização do género que com uma lei destas lhe vê ser passado um atestado de inferioridade e incapacidade, preocupem-se em mostrar o mérito que têm e em conquistar o vosso espaço pelos mesmos meios que os homens: através do trabalho!

Sanções para difusão de vírus informáticos são desproporcionais ao bem que se quer proteger

Hoje será discutido no Parlamento o projecto de lei de cibercrime, que propõe um máximo de dez anos de prisão para quem produzir e difundir vírus informáticos.
Não deixa de ser curioso que as tecnologias de informação tenham uma protecção superior àquela que tem a saúde pública, pelo menos considerando que a propagação de doença contagiosa que crie perigo para a vida de outrem, seja punido com pena de prisão entre 1 a 8 anos, de acordo com o artigo 283.º do Código Penal. Nestes casos incluem-se, entre outros, os típicos casos de propagação de SIDA.
Há ou não há aqui uma desproporcionalidade grave nas penas?

quarta-feira, julho 08, 2009

Duelo entre Manuel Alegre e Ana Gomes: 1-0 para a Eurodeputada

Manuel Alegre, no alto do seu pedestal, decidiu entrar na onda da censura às candidaturas duplas para conquistar mais a simpatia dos portugueses que continuam a ver nele um iluminado e uma excepção entre muitos. Para o efeito, Alegre desceu à Terra e exortou Ana Gomes e Elisa Ferreira a optarem pelos cargos autárquicos ou pelo Parlamento Europeu.
Ana Gomes, ao contrário de outros socialistas, mostrou que não é vassala do ansião da aldeia cor-de-rosa e respondeu-lhe (bem, refira-se) recordando que nas Presidenciais de 2006 Alegre era Deputado à Assembleia da República e candidatou-se à Presidência da República, verificando-se, também aqui, uma dupla candidatura. 1-0 para Gomes.
O poeta deu uma resposta no mínimo anedótica, alegando que "a candidatura presidencial é um acto pessoal que pode ou não ser apoiada por um partido".
Excelentíssima Ana Gomes, embora não esteja mandatado para o efeito, permita-me fazer o 2-0 a seu favor: sou contra as duplas candidaturas e subscrevo na íntegra o artigo publicado neste espaço sobre o tema. No entanto, a candidatura aos municípios, tal como a presidencial, constitui um acto pessoal que pode ou não ser apoiada por um partido (veja-se o caso das listas independentes nas autárquicas). Manuel Alegre só não foi apoiado pelo PS porque à última da hora lhe passaram a perna. O mesmo sucedeu com as candidaturas de Isaltino Morais, Valentim Loureiro, Fátima Felgueiras, entre outros, com os respectivos partidos.
A questionar-se a falta de moral de Ana Gomes na sua dupla candidatura, também se deverá questionar a mesma em Manuel Alegre. As situações são exactamente as mesmas, apenas mudam os cargos que estão em causa. Manuel Alegre acaba de sair derrotado de uma pequena guerrilha interna que o próprio iniciar.