quarta-feira, agosto 19, 2009

PS: Política de despesa - o habitual

Segundo o JN, "PS estima gastar 5,54 milhões de euros com a campanha eleitoral para as eleições legislativas. PSD tem orçamento de 3,34 milhões. "

Em tempo de crise, o PS dá o maior dos exemplos ao país, ao gastar em propaganda e fantochada eleitoral um balúrdio. Só pode ser o desespero a falar mais alto.

Os portugueses que passam dificuldades (para quem não saiba, temos a maior taxa de desemprego dos últimos 22 anos), não se reveêm neste tipo de acções.

O país não precisa do PS socrático.

terça-feira, agosto 18, 2009

Sondagem Bar Velho: Em que partido pretende votar nas próximas Legislativas?

As respostas na caixa ao lado. A sondagem termina dia 25 de Setembro de 2009, às 23h59. Os resultados serão anunciados imediatamente a seguir.

Irão: como é que a Comunidade Internacional vai descalçar esta bota?

"O Irão está disponível para reatar as negociações sobre o seu programa nuclear com o Ocidente, desde que baseadas no respeito mútuo e sem pré-condições, noticiou hoje a televisão estatal."

Fonte: Público

E agora, Comunidade Internacional? Como se descalça esta bota? Não é sério exigir mais a Teerão.

A Presidência da República, a comunicação social e as teorias da conspiração

De acordo com um conceituado diário nacional, um alegado membro da Casa Civil do Presidente da República terá lançado algumas perguntas para o ar, o que o Público tratou de interpretar como insinuação e preocupação, estendendo o receio a toda a Presidência da República.
Não querendo entrar em falsos alarmismos, creio que se justifica um esclarecimento por parte da Presidência, sobretudo quando em menos de 24 horas já se começaram a desenvolver teorias da conspiração que associam o Primeiro-Ministro, o PS, outros órgãos do Estado e até terceiros a uma série de perguntas feitas por um suposto membro da Casa Civil da Presidência da República.
Convém que seja feito um esclarecimento aos portugueses sobre este tipo de situações, que cada um assuma as suas responsabilidades e que se dissipem todas as dúvidas, caso contrário será bastante difícil acreditar que vivemos num Estado de Direito democrático.

segunda-feira, agosto 17, 2009

Simples, claro, meridiano

A política é uma palco privilegiado pela exposição pública que lhe é inerente e pelo grau de intervenção na sociedade que permite. Como em todas as actividades, existem bons e maus exemplos.

O que não posso compreender é a mesquinhez reinante e a falta de ideias que assola parte da classe política que tem a possibilidade de governar o nosso país.

Este texto de José Pacheco Pereira no Jamais é disso um exemplo paradigmático.

Discutir soluções, ideias ou caminhos que possam ajudar a corrigir os problemas que da sua cátedra privilegiada costuma apontar não é a escolha de Pacheco Pereira.

Aquele que é aventado como um dos grandes intelectuais portugueses, dá uma pálida imagem de si próprio e faz-nos questionar qual o seu propósito enquanto candidato a deputado.

Pelo texto supra referido, ficamos a saber que o que move Pacheco Pereira não é um qualquer ideal de estado, uma qualquer visão para o país em que ele acredite e que defenda com argumentos racionais ou, até, somente com paixão. Até porque o diagnóstico para Portugal peca por ridiculamente cândido: O problema do país é tão somente Sócrates.

A certo ponto, Pacheco Pereira tem a desfaçatez de perguntar mesmo: “Não gostam de Manuela Ferreira Leite? E depois, gostam mais de Sócrates?“, como se os destinos da Nação dependessem de um corte de cabelo, de uma voz, de um sorriso ou de um traço de personalidade.

Percebemos, assim, que o que move Pacheco Pereira é esse nobre objectivo de afastar o impuro José Sócrates do poder, esse homem elevado à figura do Demo, gritando em nome da "verdade" tudo o que entender necessário - o insulto, a insinuação, a imoralidade, até a inverdade se tal se mostrar como o único caminho para salvar Portugal de Sócrates.

Dia 28 de Setembro de 2009, Sócrates deixa S. Bento. O Psi-20 sobe em flecha, os centros de emprego são inundados de telefonemas de ex-desempregados que arranjaram emprego nessa manhã. O crescimento é uma realidade e supera a média europeia, atirando a palavra convergência para os livros de história de Portugal. Estes livros são devorados pelos nossos estudantes que, espontaneamente, deitaram fora os seus Magalhães num acto de patriotismo e de apreço pela escola perfeita que dia 28 lhes trouxe.

Obrigado Pacheco Pereira. O difícil foi a batalha para retirar esse (nem sei que adjectivo lhe atribuir e nem o Eça – que ora voltei a reler – me consegue ajudar)…bem, o Sócrates. As coisas compuseram-se sozinhas, não foi?

E um sorriso cúmplice de Pacheco Pereira fecha o plano, os créditos finais irrompem pela sala adentro e a cortina desce.

Mas isto não é um filme. E a política não é um jogo em que nos possamos limitar a querer derrubar o adversário.

Ao encetar este ataque, temos de saber quais os próximos passos que iremos tomar e quais os resultados previsíveis que daí resultarão para o objectivo que traçámos. Derrubar o adversário não nos faz ganhar o jogo, não obstante a satisfação imediata que poderá transmitir. Derrubar o adversário ou estar na iminência de o fazer, apenas nos traz mais responsabilidade. Os holofotes quentes sobre nós.

Sem uma estratégia para o país somos um ridículo sonhador que pretende uns minutos de fama ou a obtenção de algo que não se atravessaria normalmente no nosso caminho.

É a isto que Pacheco Pereira se reduziu ao escrever a enormidade que colocou no Jamais.
É a isto que o PSD voluntariamente se reduz, ao mostrar claramente que seu grande desígnio actualmente é derrotar Sócrates. Depois, logo se pensará no que farão.

Learning on the Job não é, decerto, o que Portugal precisa.

Estamos numa altura em que as mais mínimas das razões são também máximas, se nos desviarem a atenção do que é central em Setembro: mudar por mudar, votar em quem nada tem para oferecer, jamais!

sábado, agosto 15, 2009

O Tarot das Legislativas

Há quase quatro anos, em plena época de campanha eleitoral na Faculdade de Direito de Lisboa, publiquei no blogue da minha lista as cartas dos candidatos da lista à qual pertencia. Na altura, o Bar Velho Online tinha chegado a equacionar a hipótese de contactar um conhecido tarólogo para lançar as cartas a figuras da Faculdade.
Agora, com as eleições Legislativas à porta e com outro orçamento disponível por parte do Bar Velho Online, os co-redactores DSF e DVS decidiram avançar com esse projecto e preparam-se para publicar os resultados em breve relativamente aos respectivos opositores.
Não percam, aqui no Bar Velho Online, o "Tarot da Esquerda" e o "Tarot da Direita"!

Mendes Bota e MFL: não se pode atacar a Abelha Rainha

"Não levo duas tampas da mesma rapariga no mesmo baile", assim declarou Mendes Bota, o macho latino algarvio com o orgulho ferido, a quem ninguém diz que não. De facto, até fica mal a um algarvio ouvir um não no pico do verão, em plena Coutada do Macho Ibérico, época em que poucas mulheres conseguem rejeitar convites para sair, tomar copos ou até mais qualquer coisa.
Porém a estratégia de Mendes Bota foi a errada. Já dizia o outro que, quando não temos muitos argumentos, nunca devemos "atacar" a líder de um grupo, antes a segunda ou a terceira melhor opção. Mendes Bota é o menino feio e marrão que não acrescenta nada de novo à popularidade da Abelha Rainha da escola social-democrata a não ser o tempo que ela poderia perder a dar-lhe atenção. Ele já havia tentado atacá-la uma vez, deu-se mal, e este ano acabou por sair com a "feia-gorda que conduz o carro para as outras", Aguiar Branco. Para o ano vamos ver o que é que lhe sai...

sexta-feira, agosto 14, 2009

João Lobo Antunes: a última vítima do PS socrático

O brilhante e reconhecido neurocirurgião João Lobo Antunes não foi reconduzido como membro do Conselho Nacional de Ética para as Ciências da Vida. Era apontado para ser o seu próximo presidente mas, inesperadamente, nem a Assembleia de República nem o Governo, reconduziram o ilustre médico no citado Conselho.

Esta situação causou enorme estefacção na opinião pública e também na Presidência da República.

Foram questionados os deputados Paulo Rangel e Maria de Belém Roseira relativamente a este assutno, tendo afirmado estes que "«O PSD não propôs Lobo Antunes [na quota da Assembleia da República] porque tinha a informação do PS de que ele seria proposto pelo Governo. Posso confirmar isso pessoalmente porque foi tratado por mim», assegurou Paulo Rangel.

A deputada socialista Maria de Belém Roseira confirmou à Lusa que essa expectativa existia, dizendo que chegou a falar no nome de Lobo Antunes quando decorreram as negociações entre os dois partidos. «Eu própria falei na possibilidade dele integrar a lista, mas como o sr. professor era designado pelo Governo, essa hipótese nem se pôs», confirmou a deputada socialista Maria de Belém Roseira."
Esta não recondução surge após a emissão de uma parecer do Conselho Nacional de Ética para as Ciências da Vida, em que foi fortemente criticado o diploma do PS acerca do "Testamento Vital", para muitos considerado como o embrião da eutanásia em Portugal, tendo sido um dos relatores e crítico deste diploma o Dr. João Lobo Antunes, que emitiu palavras nada agradáveis para com os autores deste diploma.
Toda esta situação leva a crer, para quem tenha um pouco de bom senso, razoabilidade e espírito crítico, que a não recondução deste brilhante médico terá a ver certamente com o facto de João Lobo Antunes ter criticado abertamente este diploma do "Testamento Vital" e ainda por ser uma pessoa chegada ao Presidente da República.
Assistimos a mais um caso de retaliação do PS socrático contra uma pessoa que teve a coragem de não colaborar com as suas ideias e de as exprimir publicamente, na linha do que aconteceu com o Professor Charrua, a Directora do Centro de Saúde de Águeda e a antiga Directora do Museu Nacional de Arte Antiga, todos eles afastados dos cargos que exerciam por terem tido uma atitude de oposição ao actual Governo PS.
Este modo de agir do PS socrático merece a censura de todos os amantes da liberdade de expressão e da autonomia individual.
Portugal não merece um Governo com tiques estalinistas e defensor da política do pensamento único, tão proclamado na Coreia do Norte.

quinta-feira, agosto 13, 2009

Começa amanhã mais um campeonato de futebol: tudo na mesma...

Inicia-se amanhã o Campeonato Nacional da I Divisão em Futebol. Se noutras épocas isto seria sinal de entusiasmo para mim, hoje é-me completamente indiferente quando começa, quando acaba, ou quem participa.
Se fossemos um país com gente a sério, o próximo campeonato não correria o risco de ser mais desequilibrado do que nunca. O próximo campeonato vai ser mais do mesmo, com duas equipas a lutarem pelo título, uma terceira a tentar fazer uma graçola com um grupo de miúdos, barrigas de vinho e um anão que joga mais que os outros todos juntos, e as restantes 13 equipas a lutarem para não descer. Diga-se desde já que não temos de antemão candidatos à Europa, ou à descida. As primeiras cinco jornadas é que ditam quem é que a partir daquele momento luta pelo quê.
Se fossemos um país com gente a sério e não fossemos latinos (nem imaginam o quanto sermos latinos prejudica este país), olharíamos para os bons exemplos vindos de fora, ou até mesmo para uma divisão abaixo. O nosso futebol é tão frustrante que a II divisão consegue ser mais emotiva que a I. Numa II Liga onde não existem "grandes", assiste-se todos os anos a sete ou oito clubes a lutarem pelos dois lugares de subida até bem perto do fim, sendo que alguns desses que lutam para subir também lutam para não descer. É, de facto, um campeonato bastante equilibrado.
Numa altura em que devemos repensar o nosso futebol - que perdeu por completo a sua identidade através da invasão de estrangeiros nos campeonatos profissionais e de brasileiros, congoleses e outras nacionalidades, sem qualquer ligação ao nosso país, na nossa selecção nacional - devemos olhar para os exemplos vindos de outras modalidades. Vamos começar pela NBA, um dos desportos mais entusiasmantes até mesmo para mim que não sou fã de basquetebol:
- o recurso às tecnologias torna o desporto mais justo e tende a equilibrar mais as equipas, fazendo com que dependam unicamente da sua prestação, em vez de saírem beneficiadas com o erro alheio. Diminui ainda a frustração de quem está habituado a comprometer temporadas inteiras, carreiras e benefícios financeiros à custa de erros (?) alheios;
- limitação do número de estrangeiros. A UEFA pretende impôr esta medida como forma de garantir a identidade nacional das equipas e a protecção das gerações futuras, mas a UE proíbe por entender que trata discrimina os estrangeiros. O Sporting é o melhor exemplo de como o que é nacional pode ser melhor que jogadores orindos da 3.ª divisão brasileira completamente desconhecidos;
- o mercado de transferências. Benfica e Porto gastam milhões, os outros empenham-se por tostões. Devíamos pensar em implementar algo que já defendi neste espaço: o sistema de draft que existe na NBA. Além de ser obrigatória a utilização de jogadores com idades inferiores a 21 anos, os mesmos deveriam ser colocados nos clubes à semelhança do que acontece na NBA: a equipa mais fraca tem prioridade na escolha de um/dois entre os 15/20 jogadores disponíveis, a segunda equipa mais fraca fará o mesmo com os restantes, e assim sucessivamente até que a equipa mais forte (o campeão) fique com o jogador considerado "menos desejado". Estes jogadores teriam a obrigação de fazer pelo menos 10 jogos no campeonato como forma de se valorizarem e adquirirem experiência;
- parar com as paragens absurdas e incompreensíveis nos campeonatos profissionais. A época passada foi dramática: 2 jornadas de campeonato e paragem para a realização da Taça da Liga (competição sem interesse e onde só jogam algumas equipas), ou eliminatórias da Taça de Portugal com equipas de divisões inferiores ou em que já só participam um número muito limitado de equipas, ou jogos da Selecção (calendário imposto pela UEFA e pela FIFA), ou então... acontecer tudo isto e ficarmos sem três semanas de campeonato. Foram ainda frequentes as ocasiões em que se disputava uma jornada semana sim, semana não. Isto não só diminui o ritmo competitivo das equipas, como reduz, quase que por completo, o interesse num campeonato que está mais tempo parado que a ser disputado;
- aumentar o número de equipas do campeonato. Confesso que fui um dos que eram a favor dos campeonatos com 16 clubes, mas cedo me apercebi do erro em que íamos cair. É certo que 13 clubes a lutarem para não descer é menos dramático que 15, mas também é certo que volta e meia os mais fracos tiram pontos aos grandes e quantas mais jornadas houver, maiores são as hipóteses de um "grande" cair;
- acabar com a vergonha que são os jogadores emprestados. O próximo campeonato vai ter o Porto e o Porto B (Olhanense). Anos houve em que jogou ainda o Porto C (Leixões), o Porto D (Académica), o Porto E (Vitória de Setúbal) e o Porto F (Trofense). É absurdo que um clube tenha passes de mais de 30 jogadores a actuar pelos restantes clubes da I Liga, sendo esta uma prática abusiva, pois por diversas vezes quem empresta nunca tem como interesse integrar o atleta nos seus quadros mas apenas garantir um satélite a interferir em clube alheio.
É por estas e por outras que, embora o meu Benfica este ano prometa fazer alguma coisa mais do que no ano passado, o campeonato que amanhã se inicia não me entusiasma... vem aí mais do mesmo: as queixas das arbitragens, as polémicas nos jogadores emprestados, a supremacia dos ricos, o fosso entre grandes e pequenos.

quarta-feira, agosto 12, 2009

O negócio de Ferreira Leite que hipotecou o País

No seu legado como Ministra das Finanças, podemos encontrar um presente envenenado com uma substância mais mortal que cianeto.

Por forma a mascarar as contas públicas, Manuela Ferreira Leite montou uma operação de cedência de créditos fiscais e da Segurança Social ao Citigroup no valor de 11,44 mil milhões de euros por um encaixe imediato de 1,76 milhões de euros.

Para quem se mostra tão rígido quanto aos investimentos que possam onerar as gerações futuras, este negócio está a revelar-se extramente ruinoso ao Estado: dos 11, 44 mil milhões de euros cedidos ao Citigroup em 2003, mais de 3,74 mil milhões foram substituídos por outros créditos cobráveis dos anos seguintes. Com esta substituição, o Estado cedeu ao Citigroup um montante total de créditos de cerca de 15,2 mil milhões de euros até à data.

É também de relevar que a responsabilidade pelas cobranças não ficou do lado do Citigroup mas sim do lado doEstado e da sua máquina fiscal, que, ainda assim, tem de compensar as perdas eventuais do Citigroup – assim se apresenta a radiografia de um bom negócio por Manuela Ferreira Leite.

Veja-se que com esta decisão a Dr.ª Manuela Ferreira Leite comprometeu o direito dos governos seguintes àquelas receitas. Para além do mais, o Fisco e a Segurança Social comprometeram-se a substituir os créditos incobráveis, ou seja, o Fisco, além de não poder registar como suas as receitas que cobra, ainda tem de ceder ao Citigroup parte das novas cobranças (não abrangidas pela titularização), para repor valores antigos.

Como se tal não bastasse, Ferreira Leite garantira na altura, que a taxa de substituição desses créditos não seria superior a um dígito. Em vez de uma taxa de substituição inferior a dez por cento, o negócio com o Citigroup acabou por traduzir-se na substituição de 33% do total de créditos cedidos a esta instituição.

Deve relembrar-se que a cedência de créditos fiscais e da Segurança Social ao Citigroup não foi a única medida excepcional do Governo PSD/CDS-PP, tendo ainda procedido à transferência do Fundo de Pensões dos CTT para a Caixa Geral de Aposentações e perdão fiscal que transitou do ano anterior.

Que conclusões se pode retirar deste negócio?

A – Que o valor recebido pelo Estado (1,7 mil milhões) já foi entregue e pago ao Citibank, pelo que o passe de mágica esgotou-se;

B – Que o Estado cedeu créditos, arrecadando menos de 10% do seu valor;

C- Que a Dr.ª MFL errou largamente nas previsões quanto à substituição de créditos incobráveis em mais de 20% (e note-se que estamos a falar de milhares de milhões de Euros);

D – Que a Dr.ª Manuela Ferreira Leite diferiu responsabilidades financeiras e onerou todos os portugueses, sem que tal se traduza em nenhuma infraestrutura, equipamento ou vantagem competitiva que as gerações futuras possam usar;

E – Que os créditos cedidos por Manuela Ferreira Leite dariam para custear 2 x TGV - aquele que entende ser uma irresponsabilidade fazer por onerar as gerações futuras.

Se os actos pautam a imagem de um político e as palavras dão luz às suas convicções, onde fica a política de verdade em mais este imbróglio de Ferreira Leite?

O fim de um mito: o controlo do défice das contas públicas de 2008

Um dos pontos de honra do PS socrático em 2005 e nos anos que se seguiram, era o de manter as contas públicas equilibradas sem o recurso a receitas extrordinárias, metedologia utilizada pelos governos PSD-CDS entre 2002 e 2004.
Argumentavam os socialistas que o controlo das contas públicas tinha que ser realista, não se camuflando o verdadeiro valor do défice do Estado através de operações financeiras de cariz extradordinário.
José Sócrates, do alto da sua superioridade intelectual, o que o levou a afirmar recentemente, numa atitude de grande humildade (na linha dos que nos tinha habituado até Junho de 2009) que "ainda estava para nascer o Primeiro-Ministro que fizesse melhor no défice das contas públicas", garantiu aos portugueses que jamais utilizaria receitas extraordinárias para controlar as contas públicas, porque o país precisava de saber viver de acordo com as suas possibilidades, controlando a despesa e maximizando a receita.
E ao longo dos anos 2005-2008, os sucessivos valores do défice foram divulgados até à exaustão, glorificando a acção do Governo nesta matéria.
Pois bem, no melhor pano caí a nódoa.

Depois de terem denegrido a imagem dos Governos PSD-CDS nesta matéria, o PS socrático utilizou a mesma metologia daqueles Governos no controlo do défice do Estado.
Temos todos é uma pena que, numa atitude de humildade (pois ninguém é perfeito e todos podemos mudar de opinião), José Sócrates não tenha vindo reconhecer que afinal também utilizou receitas extraordinárias no controlo das contas públicas, na linha do que foi seguido por Manuela Ferreira Leite (sim, a actual líder do PSD). Ter-lhe-ia ficado bem.
Mas obviamente que o seu culto da imagem e propagandístico jamais permitir-lhe-ia efectuar tal acto de contrição. O homem não erra, o homem não falha, o homem sabe tudo, o homem é fantástico.
José Sócrates mentiu aos portugueses.

Mudam as cores, mudam as moscas...


... a "Postura (Política) de Verdade" é a mesma!

Embora as diferenças sejam poucas, o anúncio ao espectáculo do mágico Paulo Rangel, rodeado de estrelas e ao qual só falta uma cartola e uma varinha mágica, deu lugar a uma Cinha Jardim com mais peso e em tons monárquicos.

As listas do PSD: cada um tem aquilo que merece

Manuela Ferreira Leite tem razão quando diz que tem razões para estar sensibilizada com toda a atenção que tem sido dada pelos vários quadrantes da sociedade civil, da comunicação social e da política no respeitante à composição das listas do PSD para as Legislativas.
De facto, para um partido da oposição ao qual muitos parecem já ter traçado o destino de grande derrotado das próximas eleições, os social-democratas parecem mais o partido no poder a quem ninguém tem nada a apontar senão o A que está em 13.º pela Madeira ou o B que está em 38.º por Lisboa.

Pasmo-me com a oposição interna que MFL tem encontrado após a elaboração das listas. Tudo começou com a ausência de Pedro Passos Coelho e Miguel Relvas das listas, dois elementos que nunca acrescentaram nada de novo (e de bom) ao partido e cujo mérito é bastante questionável.
Alguns notáveis do PS chegaram a acusar a líder do PSD de tomar "atitudes estalinistas", outros revoltaram-se face à ausência de elementos que contra ela concorreram. Como a "cena" não pegou, vamos pegar nos próximos.
Eis que surgem alguns notáveis social-democratas, com Marcelo Rebelo de Sousa à cabeça, que se revoltaram com a presença de António Preto e Helena Lopes da Costa, ambos arguidos, nas listas do PSD. O Professor da Faculdade de Direito de Lisboa que censura veementemente a líder do partido esquece-se que até há bem pouco tempo apoiou e teceu rasgados elogios a MFL. Saliente-se que o principal motivo dado por MRS para não avançar para a liderança do partido foi a entrada em cena daquela que o Professor viria a apoiar mais tarde. Recordo ainda que quando MFL avançou para a liderança do PSD, com o apoio de MRS, já António Preto e Helena Lopes da Costa tinham sido constituídos arguidos nos respectivos processos.

António Preto manteve o seu cargo de deputado mesmo após ter sido constituído arguido e nunca me lembro de MRS, nem qualquer outro militante social-democrata, ter colocado em causa a sua ideoneidade para o exercício do cargo. Não me lembro ainda de ouvir MRS, nem nenhum outro militante do PSD, terem questionado MFL, em tempo de eleições no partido, sobre qual seria o comportamento a ter para com "candidatos a candidatos que sejam arguidos".

Ninguém quis saber, todos a apoiaram, e agora que a líder e os órgãos decisores do partido têm toda a legitimidade para decidir é que se rebelam com a decisão da líder. Cada um tem aquilo que merece e quer os apoiantes de MFL quer os seus opositores merecem estas listas para as Legislativas, mais não seja para servirem de exemplo aos eleitores que insistem em votar sem prestar a mínima atenção ao programa dos candidatos e sem sequer perderem um segundo das suas vidas a questionarem se as ideias que estes propõem são as melhores para o país ou aquelas com que mais se identificam.
Agora fazem-se de arrependidos e opõe-se a uma realidade que até há poucos dias subscreviam, tudo porque a situação assumiu dimensões que certamente não estariam à espera e pretendem dar uma de pseudo-elitistas que vivem à margem de todos os comportamentos que são censurados pela comunicação social e, futuramente, pelo eleitorado, eternamente escravo das lavagens cerebrais feitas pelos media.

terça-feira, agosto 11, 2009

O Carro Alegórico e a Primeira Fenda

Manuela Ferreira Leite abre a primeira (visível) grande fenda na sua "política de verdade" aquando da escolha de António Preto e Helena Lopes da Costa para integrarem a lista de candidatos a deputados pelo PSD.

Não iremos discorrer sobre os feitos do mágico Preto nem exaltar a reacção transversal da classe política (inclusive de destacados militantes do PSD), comentadores e media na condenação de tal escolha.

Iremos, ao invés, centrar-se num momento superveniente e de clássica agonia perante um erro que foi cometido e cujas repercussões se começam a sentir: a chamada "fuga para a frente" - neste caso, acompanhada com flares de diversão.

Com efeito, a Dr.ª Manuela Ferreira Leite afirmou hoje que as listas do PSD são um problema interno (serão as listas em causa para o Conselho Nacional e ninguém me avisou?), pelo que não gostaria que fossem um pretexto para esquecer os problemas nacionais.

E chegamos ao centro nevrálgico da nossa aborrecida introdução. É que a Dr.ª Manuela Ferreira Leite entende que o grandes problema nacional que deve ser discutido é o Eurojust, que envolve o procurador Lopes da Mota, deixando, assim, sossegado esse assunto “interno” das pessoas que vão representar os portugueses no nosso órgão legislativo máximo, assunto aliás sem qualquer dignidade noticiosa

Num claro acto de guerrilha, Manuela Ferreira Leite abre as hostilidades trazendo para o prime time a discussão inusitada do caso Eurojust e do Procurador Lopes da Mota, que está sobre a alçada de um processo disciplinar: "Os problemas nacionais são os que devem interessar a todos os portugueses, e eu pergunto: Já nos esquecemos que não temos resposta para a questão do Eurojust? Como está essa questão? Como está o facto de termos uma pessoa que está a representar mal Portugal, que está a humilhar as instituições internacionais, que está acusada de uma forma grave de manipular o sistema de Justiça? (...) é isto que vai estar em causa nas próximas eleições".

Já quanto a António Preto, a candidata a Primeira-Ministra afirma ter "apenas que esperar aquilo que legitimamente todos devem esperar que é a decisão da Justiça, eu não tenho o direito de me antecipar dando eu a minha própria sentença", contrariando o que acabara de fazer quanto a Lopes de Mota e, insidiosamente, desrespeitando a honorabilidade da Procuradoria-Geral da República.

Estas afirmações terão o condão de incendiar ainda mais o debate político e abriram, definitivamente, a porta para que tudo se centre nos casos de justiça mediáticos que afectam os maiores partidos políticos portugueses, deturpando e deformando as campanhas que se avizinham.

Destarte, este acto de Manuela Ferreira Leite comporta o que de pior se pode esperar de um político.

Num tempo em que o mar segue crispado e o país luta consigo próprio para ser mais apto, um líder político não pode nunca trazer a frente de batalha, ainda para mais como causa máxima, casos como o do Eurojust sob pena de inviabilizar qualquer discussão séria sobre o futuro do país e as medidas a empreender para nos superarmos.

E assim segue Manuela Ferreira Leite agitando uma bandeira manchada no seu carro alegórico, gritando "Corrupto! Corrupto!", demasiado toldada para perceber que um dos seus tripulantes principais cora de vergonha e baixa a cabeça a cada decibel disparado.

Um estranho caso de mediocridade moral (e política) para quem se arroga portador da verdade.

Bem prega Frei Tomás...

Faz o que ele diz, não faças o que ele faz.

Cavaco Silva, antes de partir para as suas merecidas férias, fez questão de comentar o número de diplomas submetidos à apreciação presidencial: "Nunca me recordo de tantos diplomas. Eu penso que quase enchem um bom jipe".

É importante assinalar que, nos tempos que correm, o nosso Presidente não perde uma oportunidade para enviar um recado ao Governo ou para expressar qualquer incómodo pessoal ou induzido - o fenómeno espirra-tosse que não está ainda clinicamente documentado mas, sem sombra de dúvida, empiricamente confirmado.

No entanto, Cavaco Silva foi traído pela sua memória (ou terá confiado plenamente que os portugueses têm memória política curta?) dado que na recta final dos três mandatos que cumpriu à frente do Governo, Cavaco Silva enviou a Mário Soares nada mais do que 283 documentos para promulgação.
Segundo os dados apurados, nos dois meses finais do X Governo Constitucional (1985-1987), por exemplo, foram 119 diplomas, os mesmo que, em igual período de tempo, foram remetidos para Belém, na legislatura seguinte, já com maioria absoluta (1987-1991). Já o actual Governo enviou cerca de 60 diplomas e a A.R. 45 diplomas para Cavaco analisar nas suas férias.

Olvidou-se, igualmente, o Presidente da República do comportamento de Soares que não se lamentou então do elevado número de diplomas. Comes with the territory.

Só que neste "playground" encontra-se agora um animal feroz escondido atrás da subtileza do cargo. Proceed with caution.

segunda-feira, agosto 10, 2009

31 chapadas naquelas caras...

... é o que merece o grupo de atrasados mentais pseudo-intelectuais que decidiu cometer actos subversivos nas instalações da Câmara Municipal de Lisboa.
Os crimes que cometeram valeram-lhes até ao momento mais de 30.000 visitas no blogue do referido gang.
O que vale a estes indivíduos é já terem a vida feita, muitos deles graças aos apelidos burgueses que ostentam, achando-se no direito de dar azo a devaneios a que muitos acham piada como se o Estado e as instituições tivessem como função entreter e contribuir para a realização de fantasias, faltas de formação e algumas falhas mentais.
Ainda num passado bastante recente muitos foram aqueles que chamaram "terroristas" a um grupo de indivíduos que invadiu um milheiral com máscaras a cobrir os seus rostos.
Hoje, muitos são os que aplaudem e têm barrigadas de riso com um grupo de criminosos que se mascaram de Darth Vader, invadem as instalações da CML, furtam um bem público (a bandeira da CML) e ultrajam a República (artigo 332.º, número 1, do Código Penal).
Os grandes culpados destes actos são todos aqueles que aumentaram significativamente o número de visitas do espaço de internet destes indivíduos, a comunicação social que deu cobertura a um acto de pura subversão (terá sido inspirado nos cursos de desobediência civil apoiados e ministrados pelo Bloco de Esquerda?) e tempo de antena aos seus responsáveis.
Não se admirem se estes atrasados mentais inspirarem outros bloggers e elementos de outros grupos/movimentos a repetirem a façanha ou até a ir mais além, como por exemplo através da substituição de símbolos nacionais por bandeiras nazis, entre tantas outras.
Só posso pedir que sejam punidos exemplarmente, manifestando, desde já, à administração do Bar Velho Online, o meu desagrado com a presença do 31 da Armada na lista de sítios a visitar..

sexta-feira, agosto 07, 2009

Duplas candidaturas: Bernardino Soares e a Assembleia Municipal de Loures

Quem é aquele senhor à direita de Paulo Piteira, candidato da CDU à Câmara Municipal de Loures? É mais um comunista moralista que denuncia os outros quando ele próprio tem rabos de palha, como é neste caso. Bernardino Soares, líder da bancada parlamentar comunista, conta no seu currículo com uma provocação a Manuel Pinho que valeu a demissão do então Ministro da Economia, durante o célebre episódio dos "cornos". Agora é candidato à Assembleia Municipal de Loures e o que torna isto mais grave é a possibilidade de os comunistas poderem ganhar as eleições no município depois de terem perdido a Câmara nas últimas eleições para o PS.
Aqui temos mais um exemplo de alguém que se candidata a um lugar que já sabe à partida que dificilmente conseguirá ocupar e que deveria ser leal para com os lourenses, deixando que avançassem aqueles que realmente irão ocupar os respectivos lugares em vez de dar a cara por um projecto no qual todos nós sabemos que não participará, pois a Assembleia da República dá-lhe outra visibilidade. Afinal, onde é esta a honestidade que o povo de Loures merece? O eleitor decidirá nas próximas Autárquicas e Legislativas.

Duplas candidaturas: Alberto João Jardim e a Assembleia da República

Esta dupla candidatura é uma das mais descaradas, mas tem um mérito, a transparência e honestidade do candidato que assume que nem em sonhos ocupará o lugar de deputado à Assembleia da República, embora seja o cabeça de lista do PSD na Madeira. Alberto João Jardim vai mais longe e assume que nunca marcará presença no Parlamento enquanto deputado e só avança como número um das listas por solidariedade com o partido, com os companheiros de lista e com a líder.
É mais que certo que Alberto João Jardim, actual Presidente do Governo Regional da Madeira, só se apresenta como cabeça de lista porque os seus elevados níveis de popularidade podem ajudar o PSD a recolher bastantes votos no arquipélago. Assim sendo, o principal culpado desta dupla candidatura é o eleitorado madeirense que continua a dar razões para que a mesma seja uma realidade. Se se aplicar aos deputados a lei que impossibilita aqueles que exercem cargos políticos de se recandidatarem a um terceiro mandato, então o PSD terá uma bota difícil de descalçar em 2013 na Madeira para encontrar um substituto à altura de Alberto João Jardim.

quinta-feira, agosto 06, 2009

Duplas candidaturas: Luís Fazenda e a Câmara de Lisboa

Ninguém fica de fora e que não tenham dúvida que os actuais partidos políticos com assento parlamentar são todos iguais. O Bloco de Esquerda, por mais que o queiram tornar excepção, não é melhor que qualquer outro. Um dos factos que consubstanciam esta realidade é a dupla candidatura de Luís Fazenda à Assembleia da República e à Câmara de Lisboa.
É certo que para a AR também concorre por Lisboa, naquilo que se poderá qualificar como sendo a "dupla candidatura perfeita": candidata-se à combinação de cargos cuja censura é mais consensual (Parlamento e Presidência de Câmara) e fá-lo pela mesma cidade (Lisboa). O candidato bem profere frases populistas como "Lisboa não pode ser a Câmara do amén ao Governo", mas o que é certo é que correrá o grave risco de ficar órfã de um candidato que deverá optar pelo Parlamento em detrimento do cargo municipal.
Sr. Deputado Luís Fazenda, em que ficamos: celebramos contrato com os portugueses e assumimos exclusivamente um cargo no Parlamento, ou celebramos um compromisso com os lisboetas e dedica-se inteiramente à cidade ainda que isso implique boicotar todos os projectos do futuro Executivo camarário? Uma coisa parece certa: Lisboa terá mais um vereador absentista com um gabinete repleto de assessores, em moldes semelhantes ao de Sá Fernandes. O que é que vão decidir os lisboetas?

Qual terá sido o preço pago?

Quanto terá custado aos EUA esta fotografia e tudo o que ela representa?