terça-feira, agosto 11, 2009

Ridículo

Uma das propostas eleitorais do PS é o de atribuir 200 euros por cada criança que nasça em Portugal, quantia que será depositada numa conta pessoal do menino(a), conta bancária essa que poderá ser alvo de depósitos, mas que no entanto o valor só poderá ser levantado quando o então jovem completar 18 anos.
Não seio quem foi a mente brilhante que teve esta ideia. Mas ela é de todo ridícula, demagógica e sem qualquer alcance.
Se queremos debater a sério uma política de incentifo à natalidade, nomeadamente através da atribuição de subsídios, temos que perceber uma coisa: a altura em que os pais mais precisam de dinheiro são nos primeiros anos de vida das crianças. É nessa época que se gasta dinheiro em fraldas, roupa, medicamentos, livros escolares, etc. Mais do que nunca, os jovens pais deste Portugal precisam de real apoio aquando do crescimento dos seus filhos. Só quem nunca teve filhos ou irmãos é que não consegue perceber isso.
Daí ser esta medida do PS ser demagógica e propagandística, na linha de tantas outras, que só iria beneficiar as entidades bancárias que depositariam os 200 euros numa das suas contas bancárias.
Ainda assim, clamam os iluminados do PS que esta medida tem também um alcance de "incentivo à poupança futura". Peço desulpa, mas estarão a gozar com as pessoas? Acham mesmo que, tendo o povo português tão pouco dinheiro, que têm alguma capacidade para regularmente depositar quantias avultadas nas contas das crianças?
Dizem ainda que o facto de esta conta poder ser movimentada aos 18 anos serviria para "ajudar os jovens a frequentar o ensino superior". Mais uma vez pergunto: isto é uma brincadeira? Saberão porventura estes senhores que as propinas neste momento já vão em perto dos 1000 euros anuais? E que daqui a 18 anos estarão muito mais altas? Acham mesmo que estes 200 euros dão para ajudar em alguma coisa?
Esta medida representa o PS socrático no seu melhor: propagandístico, ilusório e desfazado da realidade. Coerente com o seu percurso nos últimos 4 anos e meio.
Mas o povo português saberá responder a este conjunto de medidas com sabedoria. Tal como no passado dia 7 de Junho.

O Carro Alegórico e a Primeira Fenda

Manuela Ferreira Leite abre a primeira (visível) grande fenda na sua "política de verdade" aquando da escolha de António Preto e Helena Lopes da Costa para integrarem a lista de candidatos a deputados pelo PSD.

Não iremos discorrer sobre os feitos do mágico Preto nem exaltar a reacção transversal da classe política (inclusive de destacados militantes do PSD), comentadores e media na condenação de tal escolha.

Iremos, ao invés, centrar-se num momento superveniente e de clássica agonia perante um erro que foi cometido e cujas repercussões se começam a sentir: a chamada "fuga para a frente" - neste caso, acompanhada com flares de diversão.

Com efeito, a Dr.ª Manuela Ferreira Leite afirmou hoje que as listas do PSD são um problema interno (serão as listas em causa para o Conselho Nacional e ninguém me avisou?), pelo que não gostaria que fossem um pretexto para esquecer os problemas nacionais.

E chegamos ao centro nevrálgico da nossa aborrecida introdução. É que a Dr.ª Manuela Ferreira Leite entende que o grandes problema nacional que deve ser discutido é o Eurojust, que envolve o procurador Lopes da Mota, deixando, assim, sossegado esse assunto “interno” das pessoas que vão representar os portugueses no nosso órgão legislativo máximo, assunto aliás sem qualquer dignidade noticiosa

Num claro acto de guerrilha, Manuela Ferreira Leite abre as hostilidades trazendo para o prime time a discussão inusitada do caso Eurojust e do Procurador Lopes da Mota, que está sobre a alçada de um processo disciplinar: "Os problemas nacionais são os que devem interessar a todos os portugueses, e eu pergunto: Já nos esquecemos que não temos resposta para a questão do Eurojust? Como está essa questão? Como está o facto de termos uma pessoa que está a representar mal Portugal, que está a humilhar as instituições internacionais, que está acusada de uma forma grave de manipular o sistema de Justiça? (...) é isto que vai estar em causa nas próximas eleições".

Já quanto a António Preto, a candidata a Primeira-Ministra afirma ter "apenas que esperar aquilo que legitimamente todos devem esperar que é a decisão da Justiça, eu não tenho o direito de me antecipar dando eu a minha própria sentença", contrariando o que acabara de fazer quanto a Lopes de Mota e, insidiosamente, desrespeitando a honorabilidade da Procuradoria-Geral da República.

Estas afirmações terão o condão de incendiar ainda mais o debate político e abriram, definitivamente, a porta para que tudo se centre nos casos de justiça mediáticos que afectam os maiores partidos políticos portugueses, deturpando e deformando as campanhas que se avizinham.

Destarte, este acto de Manuela Ferreira Leite comporta o que de pior se pode esperar de um político.

Num tempo em que o mar segue crispado e o país luta consigo próprio para ser mais apto, um líder político não pode nunca trazer a frente de batalha, ainda para mais como causa máxima, casos como o do Eurojust sob pena de inviabilizar qualquer discussão séria sobre o futuro do país e as medidas a empreender para nos superarmos.

E assim segue Manuela Ferreira Leite agitando uma bandeira manchada no seu carro alegórico, gritando "Corrupto! Corrupto!", demasiado toldada para perceber que um dos seus tripulantes principais cora de vergonha e baixa a cabeça a cada decibel disparado.

Um estranho caso de mediocridade moral (e política) para quem se arroga portador da verdade.

Original



Não sou do Bloco de Esquerda (BE). Não gosto do BE. Nunca votei no BE. Julgo que nunca votarei no BE.

No entanto este último cartaz do BE está muito bem conseguido.

Parabens ao BE.

Bem prega Frei Tomás...

Faz o que ele diz, não faças o que ele faz.

Cavaco Silva, antes de partir para as suas merecidas férias, fez questão de comentar o número de diplomas submetidos à apreciação presidencial: "Nunca me recordo de tantos diplomas. Eu penso que quase enchem um bom jipe".

É importante assinalar que, nos tempos que correm, o nosso Presidente não perde uma oportunidade para enviar um recado ao Governo ou para expressar qualquer incómodo pessoal ou induzido - o fenómeno espirra-tosse que não está ainda clinicamente documentado mas, sem sombra de dúvida, empiricamente confirmado.

No entanto, Cavaco Silva foi traído pela sua memória (ou terá confiado plenamente que os portugueses têm memória política curta?) dado que na recta final dos três mandatos que cumpriu à frente do Governo, Cavaco Silva enviou a Mário Soares nada mais do que 283 documentos para promulgação.
Segundo os dados apurados, nos dois meses finais do X Governo Constitucional (1985-1987), por exemplo, foram 119 diplomas, os mesmo que, em igual período de tempo, foram remetidos para Belém, na legislatura seguinte, já com maioria absoluta (1987-1991). Já o actual Governo enviou cerca de 60 diplomas e a A.R. 45 diplomas para Cavaco analisar nas suas férias.

Olvidou-se, igualmente, o Presidente da República do comportamento de Soares que não se lamentou então do elevado número de diplomas. Comes with the territory.

Só que neste "playground" encontra-se agora um animal feroz escondido atrás da subtileza do cargo. Proceed with caution.

segunda-feira, agosto 10, 2009

31 chapadas naquelas caras...

... é o que merece o grupo de atrasados mentais pseudo-intelectuais que decidiu cometer actos subversivos nas instalações da Câmara Municipal de Lisboa.
Os crimes que cometeram valeram-lhes até ao momento mais de 30.000 visitas no blogue do referido gang.
O que vale a estes indivíduos é já terem a vida feita, muitos deles graças aos apelidos burgueses que ostentam, achando-se no direito de dar azo a devaneios a que muitos acham piada como se o Estado e as instituições tivessem como função entreter e contribuir para a realização de fantasias, faltas de formação e algumas falhas mentais.
Ainda num passado bastante recente muitos foram aqueles que chamaram "terroristas" a um grupo de indivíduos que invadiu um milheiral com máscaras a cobrir os seus rostos.
Hoje, muitos são os que aplaudem e têm barrigadas de riso com um grupo de criminosos que se mascaram de Darth Vader, invadem as instalações da CML, furtam um bem público (a bandeira da CML) e ultrajam a República (artigo 332.º, número 1, do Código Penal).
Os grandes culpados destes actos são todos aqueles que aumentaram significativamente o número de visitas do espaço de internet destes indivíduos, a comunicação social que deu cobertura a um acto de pura subversão (terá sido inspirado nos cursos de desobediência civil apoiados e ministrados pelo Bloco de Esquerda?) e tempo de antena aos seus responsáveis.
Não se admirem se estes atrasados mentais inspirarem outros bloggers e elementos de outros grupos/movimentos a repetirem a façanha ou até a ir mais além, como por exemplo através da substituição de símbolos nacionais por bandeiras nazis, entre tantas outras.
Só posso pedir que sejam punidos exemplarmente, manifestando, desde já, à administração do Bar Velho Online, o meu desagrado com a presença do 31 da Armada na lista de sítios a visitar..

sexta-feira, agosto 07, 2009

Duplas candidaturas: Bernardino Soares e a Assembleia Municipal de Loures

Quem é aquele senhor à direita de Paulo Piteira, candidato da CDU à Câmara Municipal de Loures? É mais um comunista moralista que denuncia os outros quando ele próprio tem rabos de palha, como é neste caso. Bernardino Soares, líder da bancada parlamentar comunista, conta no seu currículo com uma provocação a Manuel Pinho que valeu a demissão do então Ministro da Economia, durante o célebre episódio dos "cornos". Agora é candidato à Assembleia Municipal de Loures e o que torna isto mais grave é a possibilidade de os comunistas poderem ganhar as eleições no município depois de terem perdido a Câmara nas últimas eleições para o PS.
Aqui temos mais um exemplo de alguém que se candidata a um lugar que já sabe à partida que dificilmente conseguirá ocupar e que deveria ser leal para com os lourenses, deixando que avançassem aqueles que realmente irão ocupar os respectivos lugares em vez de dar a cara por um projecto no qual todos nós sabemos que não participará, pois a Assembleia da República dá-lhe outra visibilidade. Afinal, onde é esta a honestidade que o povo de Loures merece? O eleitor decidirá nas próximas Autárquicas e Legislativas.

Duplas candidaturas: Alberto João Jardim e a Assembleia da República

Esta dupla candidatura é uma das mais descaradas, mas tem um mérito, a transparência e honestidade do candidato que assume que nem em sonhos ocupará o lugar de deputado à Assembleia da República, embora seja o cabeça de lista do PSD na Madeira. Alberto João Jardim vai mais longe e assume que nunca marcará presença no Parlamento enquanto deputado e só avança como número um das listas por solidariedade com o partido, com os companheiros de lista e com a líder.
É mais que certo que Alberto João Jardim, actual Presidente do Governo Regional da Madeira, só se apresenta como cabeça de lista porque os seus elevados níveis de popularidade podem ajudar o PSD a recolher bastantes votos no arquipélago. Assim sendo, o principal culpado desta dupla candidatura é o eleitorado madeirense que continua a dar razões para que a mesma seja uma realidade. Se se aplicar aos deputados a lei que impossibilita aqueles que exercem cargos políticos de se recandidatarem a um terceiro mandato, então o PSD terá uma bota difícil de descalçar em 2013 na Madeira para encontrar um substituto à altura de Alberto João Jardim.

quinta-feira, agosto 06, 2009

Duplas candidaturas: Luís Fazenda e a Câmara de Lisboa

Ninguém fica de fora e que não tenham dúvida que os actuais partidos políticos com assento parlamentar são todos iguais. O Bloco de Esquerda, por mais que o queiram tornar excepção, não é melhor que qualquer outro. Um dos factos que consubstanciam esta realidade é a dupla candidatura de Luís Fazenda à Assembleia da República e à Câmara de Lisboa.
É certo que para a AR também concorre por Lisboa, naquilo que se poderá qualificar como sendo a "dupla candidatura perfeita": candidata-se à combinação de cargos cuja censura é mais consensual (Parlamento e Presidência de Câmara) e fá-lo pela mesma cidade (Lisboa). O candidato bem profere frases populistas como "Lisboa não pode ser a Câmara do amén ao Governo", mas o que é certo é que correrá o grave risco de ficar órfã de um candidato que deverá optar pelo Parlamento em detrimento do cargo municipal.
Sr. Deputado Luís Fazenda, em que ficamos: celebramos contrato com os portugueses e assumimos exclusivamente um cargo no Parlamento, ou celebramos um compromisso com os lisboetas e dedica-se inteiramente à cidade ainda que isso implique boicotar todos os projectos do futuro Executivo camarário? Uma coisa parece certa: Lisboa terá mais um vereador absentista com um gabinete repleto de assessores, em moldes semelhantes ao de Sá Fernandes. O que é que vão decidir os lisboetas?

Qual terá sido o preço pago?

Quanto terá custado aos EUA esta fotografia e tudo o que ela representa?

Duplas candidaturas: Nuno Melo e a Assembleia Municipal de Vila Nova de Famalicão

fotografia retirada do blogue Famalicão no rumo Certo

Nuno Melo foi uma das estrelas das últimas eleições europeias. Brilhou pelo CDS/PP, conseguindo garantir dois lugares para os populares, um dos quais o seu. Bom político, o ainda Presidente da Assembleia Municipal de Famalicão pretende renovar o seu mandato, não vendo qualquer obstáculo ao desempenho de duas funções completamente antagónicas. Sob o lema "Mais acção, Mais Famalicão", será difícil ao Eurodeputado a garantia de um mínimo de presenças, quanto mais acção, tornando-se praticamente impossível a conciliação entre as presenças em Estrasburgo e Bruxelas e as sessões em Famalicão, ainda que o candidato garanta que vai ter agora mais tempo livre do que tinha na Assembleia da República. Questiono-me se os famalicenses chegarão a ver Nuno Melo numa acção de campanha que seja.
O candidato a Presidente de Câmara pelo CDS vê na candidatura de Nuno Melo "uma voz na Europa em defesa do concelho". Sejamos sinceros, alguém acredita nesta promessa eleitoralista? Para terminar, o candidato à Assembleia Municipal de Famalicão recorda com mágoa que este órgão esteve esquecido durante muito tempo. Quantas vezes Nuno Melo se terá recordado do órgão a que presidia enquanto desempenhava funções no Parlamento? E quantas se recordará agora que marcará presença num órgão comunitário? Fica à consideração dos eleitores.

Jornal i e Manuela Ferreira Leite: valerá de tudo para abater um candidato?

Ontem cruzei-me com um artigo do jornal i, da autoria das jornalistas Sandra Pereira e Rosa Ramos, cujo título é "Com esses cartazes, Ferreira Leite não chega lá". Mais um artigo deste ATG completamente desinteressante sobre uma notícia que não interessa a ninguém. Calma! Leiam até ao fim e prometo que este artigo pode fazer rir pelos factos deprimentes que vai revelar!
Em vésperas de campanha eleitoral e depois de quatro anos de "caça ao Governo", a comunicação social abriu a "caça à oposição" e Manuela Ferreira Leite é o troféu mais desejado por todos. Vale tudo para tentar abater tudo o que mexa em época que antecede as eleições. Pensando melhor, nem tudo o que mexe constitui um alvo a abater, pelo menos considerando que o BE continua a ser levado ao colo pela comunicação social e são os "meninos queridos" de quem veícula informação em Portugal.
Uns pegam na composição das listas, outros nos candidatos arguidos, outros no corte de cabelo de Ferreira Leite. A peça do i, toda ela, critica o outdoor do PSD no qual surge a fotografia da candidata juntamente com a solicitação para que os cidadãos contactem a linha da Política de Verdade para apresentar as suas ideias.
Este artigo foi publicado com base na opinião de um tal de Jordi Joan Baños que é correspondente do reputado (?) jornal espanhol La Vanguardia... na Índia! Temos todos os ingredientes para tornar esta notícia credível: um indivíduo espanhol, completamente desconhecido de toda a gente (possivelmente até mesmo dos espanhóis), que se encontra em Nova Deli, fala da situação política portuguesa. Poderíamos estar perante um caso de direito dos conflitos se tivessemos que escolher a lei aplicável, mas não é o caso, felizmente.
Continua desinteressante? Continuem a ler e já me dão razão.
Ora, o melhor de tudo isto vem a seguir. As jornalistas que montaram a peça tiveram como intuito agitar a imagem de MFL e, quiçá, descredibilizar um pouco a sua campanha. Esqueceram-se que o artigo de Jordi Baños foi escrito em 16 de Maio de 2009 e o correspondente do La Vanguardia referia-se às eleições europeias e não às Legislativas como o i quer fazer crer ao publicar esta peça em 5 de Agosto, dois meses depois do referido acto eleitoral. Mais engraçado ainda é o facto de o rapaz assegurar que estes cartazes não a levam lá, quando no fundo levaram e com uma vantagem superior a 5% relativamente ao segundo partido mais votado! Há quem diga que duas cabeças funcionam melhor que uma, mas será que as duas jornalistas responsáveis pela peça já chegaram à conclusão que um espanhol em Nova Deli não é a melhor pessoa para fazer prognósticos sobre a situação política portuguesa?
Afinal, vale tudo para aparecer e fazer cair um candidato? Os jornais não são blogues. Num blogue qualquer um pode escrever o que quer e dar-lhe o sentido que quiser. Pode até mentir e ninguém se sentirá ofendido. Um jornal tem o dever de apresentar factos com rigor, ser imparcial e veícular a verdade. Se eu não puder confiar na imprensa, vou confiar em quem? Se chegamos a um ponto em que um jornal é menos credível que um blogue, então esse meio não reúne as condições mínimas para operar no mercado. De mentiras e faltas de profissionalismo estamos nós, cidadãos comuns, fartos!

Duplas candidaturas/candidaturas virtuais: Ana Gomes e a Câmara de Sintra

Confesso que acho piada a isto de se apontar o dedo ao adversário quando temos os restantes apontados a nós. É o que se passa com João Tiago Silveira, porta-voz do PS, que classifica de "candidatura virtual" a de Alberto João Jardim enquanto cabeça de lista do PSD pela Madeira. Tem a sua razão, e falaremos do Presidente do Governo Regional da Madeira mais tarde, mas devia ter permanecido calado porque tem duas figuras de proa no PS que, se não alimentam candidaturas virtuais, então, mutatis mutandis, são duplas candidaturas.
Analisemos o caso de Ana Gomes. A eurodeputada é diplomata de carreira desde 1980, e no seu vasto currículo conta com o desempenho de funções como Consultora diplomática do Presidente da República (1982-1986); foi colocada na Missão Permanente junto da ONU e Organismos Internacionais em Genebra (1986-1989) e nas Embaixadas em Tóquio (1989-1991) e Londres (1991-1994); foi membro da delegação portuguesa ao Processo de Paz no Médio Oriente durante a Presidência portuguesa da UE (1992); integrou o Gabinete de Assuntos Políticos Especiais - dossier Timor-Leste - do Ministério dos Negócios Estrangeiros (1994-1995); foi chefe de Gabinete do secretário de Estado dos Assuntos Europeus (1995-1996); foi membro da Missão Permanente de Portugal junto da ONU em Nova Iorque, onde coordenou a delegação portuguesa ao Conselho de Segurança (1997-1998); foi chefe da Secção de Interesses e, depois, Embaixadora de Portugal em Jacarta (1999-2003). Finalmente, é eurodeputada desde 2004, tendo sido reeleita em 7 de Junho.
Posto isto, cabe-me perguntar: o que pretende Ana Gomes de Sintra senão tentar garantir um bom resultado para o PS? Qual é a ligação de Ana Gomes a Sintra? Em que é que a sua experiência como diplomata poderá ajudar os sintrenses? Que outras motivações levam Ana Gomes a optar por Sintra (não me digam que é desenvolver o município ou servir os sintrenses)?
O exemplo de Ana Gomes não só é o da verdadeira candidatura virtual, oca, sem qualquer objectivo real de avançar para uma Presidência de Câmara, como é violador da confiança que o eleitorado depositou e depositará nela, dado que recentemente foi reeleita para o Parlamento Europeu.
Afinal, tirando os socialistas devotos, quem mais votará nesta candidatura, vista como segunda opção pela candidata, a um dos municípios mais importantes do país, e tendo Ana Gomes afirmado que só olhará para Sintra com outros olhos se ganhar? Afinal, privilegiam-se os interesses privados e partidários ou os interesses dos sintrenses de ter sequer como digno vereador alguém dedicado exclusivamente ao município?

quarta-feira, agosto 05, 2009

Afinal, há ou não há perda da soberania?

"O Tribunal Europeu dos Direitos Humanos condenou ontem o Estado português a pagar uma indemnização de 190 mil euros a um casal a quem havia expropriado um terreno para construção de uma auto-estrada."

Fonte: Público

Digam-me, europeístas e federalistas, Portugal perde ou não a sua soberania com a integração na União Europeia?

Duplas candidaturas: Ilda Figueiredo e a Câmara de Vila Nova de Gaia

Ilda Figueiredo foi reeleita para o Parlamento Europeu em 7 de Junho de 2009, mas tal não a impede de se candidatar à Câmara de Vila Nova de Gaia onde já acumulava as funções de vereadora sem pelouro com as de eurodeputada.
Agora, apesar de não se pronunciar sobre a imoralidade associada às duplas candidaturas, defende que os eleitores "podem contar com a CDU na luta por uma Gaia mais justa e mais democrática, por uma vida melhor". Esta missão afigura-se difícil, dado que a própria cabeça de lista vai passar a maior parte do seu tempo em Bruxelas e Estrasburgo, deixando a ver navios a Câmara de Vila Nova de Gaia de onde recebeu o salário de vereadora nos últimos quatro anos, ao qual acresceu o vencimento como eurodeputada. A taxa de abstenção na CM Gaia deveria expor alguns dados curiosos sobre "a CDU ao serviço do povo", mas, infelizmente, os dados não se encontram disponíveis.

Os enigmas de Manuela Ferreira Leite

Diz-se que a idade é um posto e que o avançar da mesma gera sabedoria. No caso de Manuela Ferreira Leite pode ser diferente. Não sei se gera sabedoria, mas pelo menos a confusão é garantia. A líder do PSD gosta de lançar o mistério e criar charadas. Neste verão, em vez dos tradicionais sudoku, sopa de letras e palavras cruzadas, os portugueses têm como entretém "qual será o programa do PSD para as Legislativas". Ela dá algumas pistas "é muito diferente do do PS", o que já permite pôr de parte o catrapázio socialista cheio de ideias para "derreter o dinheiro que não temos mas que vocês gostam de nos ouvir dizer que temos".
Já não é a primeira vez que MFL lança estes desafios aos portugueses. Recordo-me que quando chegou à liderança do partido, alguém lhe sugeriu que, enquanto agora líder da oposição, apresentasse algumas das suas ideias para provar que era possível fazer melhor que o PS. Como o segredo é a alma do negócio, MFL disse "não vou revelar as minhas ideias senão eles depois executam-nas". Parece-me que essas ideias continuam ainda muito bem guardadas. Estarão de tal forma guardadas que ainda nem a própria sabe o que vai constar no programa eleitoral do PSD. Mas, como afinal tem alguma sabedoria, MFL optou por se manter calada em vez de proferir disparates e cometer erros que lhe possam custar as eleições. É uma via acertada, sobretudo quando todos nós sabemos que o eleitorado não quer saber de programas eleitorais, nem medidas propostas. Pelo menos 95% dos portugueses não ligam a isso. Os critérios de voto dos eleitores assentam em:
1- Actual peso e imagem dos partidos de acordo com o que a comunicação social passa;
2- Grau de simpatização com os principais candidatos;
3- Ideias populistas que dêem a entender que o futuro Governo quer atribuir muitos subsídios e pretende gastar o menos possível mas aumente significativamente a qualidade de vida da população.

Formação das listas do PSD: um partido à Benfica

A formação de listas nunca é consensual, mas a exclusão de Pedro Passos Coelho explica-se em três frases. O candidato a cabela-de-lista por Vila Real candidatou-se à liderança do PSD, envergando cartazes com meia dúzia de chavões. Ainda que muitos populistas afiançassem que Passos Coelho era "o Obama" dos socialdemocratas, a verdade é que a sua estratégia não pegou. A partir daí, nunca mais se viu ou ouviu o candidato, motivo pelo qual não soube segurar alas no partido que lhe garantissem influência suficiente para, tal como Santana Lopes, ter agora direito a um lugar se MFL quisesse ter quaisquer aspirações nas Legislativas. Pelo mesmo caminho foi Miguel Relvas, estratega de Pedro Passos Coelho e que se eclipsou da vida do partido após a derrota deste último.
O PSD funciona um pouco como o Benfica: está há muitos anos sem ganhar nada, conquistou há pouco tempo um troféu de segunda linha e os seus adeptos têm motivos para acreditar que este ano é que é. Assim sendo, até Pacheco Pereira (por quem não nutro simpatia) entrou na corrida e, com a certeza de poder vencer as eleições de Outubro, parece-me pouco provável que alguém se queira pôr à frente de MFL podendo comprometer a estratégia e a imagem da líderança do partido numa altura em que o que mais interessa é transmitir valores como força, certeza e coesão.

terça-feira, agosto 04, 2009

Listas do PSD para as Legislativas: o Totobola de MFL

Sendo conhecidas já boa parte dos candidatos do PSD para as Legislativas, analisemos alguns dos principais visados (entradas e exclusões) pelos critérios de Manuela Ferreira Leite que fazem da lista do PSD um verdadeiro Totobola:
Fernando Negrão - 2
Não se compreende que alguém que despreza Setúbal por uma vereação em Lisboa volte a ser compensado com o primeiro lugar na lista do PSD por Setúbal. A observação do líder distrital, Bruno Vitorino, é pertinente, dado que a credibilidade do partido pode estar em causa. Não se premeia o mérito ou a ligação ao distrito. MFL premiou a obrigação de garantir um lugar a alguém conhecido que dificilmente se enquadraria noutro distrito. Num distrito de Setúbal bem virado à esquerda, a decisão de MFL concorre para um possível aumento do abismo que separa a Margem Sul da direita.
Pedro Passos Coelho - 1X2
Afastado das listas do PSD para as Legislativas, nunca se conheceu obra suficiente a Pedro Passos Coelho que justificassem a entrega de um lugar. Nunca se lhe conheceu uma ideia, uma solução, um projecto, antes alguns chavões enquanto foi candidato à liderança do Partido. Apesar de se justificar a decisão de MFL, muitos populistas insistem em vê-lo como se fosse um candidato jovem por quem passa o futuro do partido e isso pode comprometer a estratégia do PSD em Vila Real.
Maria José Nogueira Pinto - 1X2
Nogueira Pinto nunca soube bem aquilo que é: democrata cristã ou socialdemocrata. Apesar de ser uma personalidade conhecida do grande público, atribuir-lhe o segundo lugar por Lisboa poderá ser precipitado sobretudo se tivermos em conta que não tem o peso ou a história de outras figuras do PSD que poderiam justificar o seu lugar.
Morais Sarmento - 2
Um notável do PSD que terá ficado de fora das listas por opção própria. Estará à espera de uma vitória do partido nas Legislativas para integrar o Executivo de MFL?
João de Deus Pinheiro - 1
Antigo eurodeputado, vai liderar a lista do PSD por Braga. Um nome adequado ao peso do Distrito.
José Pedro Aguiar-Branco - X
No Porto não restavam muitas opções e era previsível a escolha pelo actual braço direito de MFL.
Teresa Morais - 1x2
Pouco conhecida do grande público, desconhecem-se as suas capacidades para fazer um bom resultado em Braga.
Filhos de Fernando Reis, Luís Filipe Menezes e Carlos Encarnação - 2
Insiste-se em privilegiar as relações pessoais do que premiar o mérito e competência de cada um. Dar lugares de relevo a alguém apenas por ser filho de um terceiro é uma boa forma de promover o não voto ou o voto no adversário. Ao contrário da Monarquia, a República e a Democracia deviam privilegiar a sucessão por mérito e não por critérios de hereditariedade.

Afinal, o que são duplas candidaturas?

A discussão em torno das duplas candidaturas recorda-me as discussões doutrinárias dos tempos de Faculdade de Direito: cada um quer ter a sua posição para se demarcar dos demais, mas no fundo os conceitos têm apenas um sentido. É o que se passa com esta polémica que de polémica não tem nada. Subitamente, temos uma corrente que defende duplas candidaturas relativas, como sendo aquelas em que alguém se candidata à Presidência de um município e ao Parlamento, e aquela, na qual me incluo, que defende as duplas candidaturas absolutas, as quais incluem todo aquele que se candidata a mais do que um cargo político, seja ele local, nacional ou supra-estadual.
No fundo, nem se deve discutir se as duplas candidaturas censuradas são apenas as relativas, porque dupla candidatura, como o próprio nome indica, é toda aquela em que alguém se candidata a mais do que um cargo em simultâneo. Isto de se preverem excepções a algumas duplas candidaturas trata-se de uma forma de legitimar aquilo que é imoral: a violação das expectativas criadas junto dos eleitores que confiam que aquela pessoa em quem votam vai desempenhar as funções a que se candidata com dedicação e entrega. Nada mais falso.
Um candidato a eurodeputado deve apenas candidatar-se a este cargo, não devendo sequer pensar em piscar o olho a um cargo numa Câmara, Assembleia ou Junta de Freguesia que seja só na eventualidade de o primeiro correr mal, ou como part-time e complemento à candidatura principal.
Porque as duplas candidaturas são censuráveis e não existem diferenças entre as absolutas e as relativas, vamos passar a expor casos de indivíduos que se candidatam a mais do que um cargo político em simultâneo. Como alguns insistem em esconder-se num qualquer município do Portugal profundo, agradecemos que nos façam chegar qualquer informação sobre possíveis duplas candidaturas para o mail barvelho@gmail.com para que possamos investigar o caso e, se possível, expor aqui quem coloca os interesses pessoais e partidários acima da confiança depositada pelo eleitorado.

A idoneidade moral do Bloco de Esquerda

Francisco Silva, candidato do Bloco de Esquerda à Câmara Municipal de Oeiras, declarou ontem que "o BE faz uma clara separação do que é a política e do que é a justiça". Compreende-se a posição do Bloco, afinal o partido mantém a sua confiança em Ana Cristina Pardal Ribeiro, Presidente da Câmara Municipal de Salvaterra de Magos, a contas com a justiça.
No entanto não deixa de ser grave a observação do candidato em nome do BE, pois parece-me inconcebível a possibilidade de política e justiça não andarem de mãos dadas. É certo que a separação de poderes é de salutar, mas as decisões judiciais não podem deixar de influenciar a política (e os políticos) nacional (nacionais).
A ser como o BE diz, que sentido faz estarmos a discutir no Parlamento uma lei que veta a candidatura de arguidos e condenados a cargos políticos? Se justiça e política devem estar claramente separados, qualquer condenado, seja ele quem for e por que crime for, deverá ter a mesma idoneidade e legitimidade para se candidatar que qualquer outro cidadão e, os casos de justiça, resolvem-se sem que tal prejudique a sua eleição.

MFL exige inclusão de dois arguidos nas listas: onde há fumo haverá sempre fogo?

Ainda o "dossier Isaltino" está a ferver e já a comunicação social arranjou outro entretém: Manuela Ferreira Leite (MFL) exige dois deputados arguidos nas listas do PSD por Lisboa. Percebo o alarido - depois de Marques Mendes ter ordenado a limpeza de candidatos duvidosos do partido, impera a necessidade de descobrir rabos de palha no PSD - e mais facilmente percebo que a presença da palavra "arguido" numa frase que inclua qualquer outro termo ligado à política tenda a agitar a população. No entanto, continuo a achar que "condenado" e "política" no mesmo tacho -trocadilhos à parte - incomoda muito mais.
Como em Portugal ainda não prevalece o princípio "onde há fumo, há fogo" e até eventual condenação o arguido é dado como inocente, pergunto: qual é o problema de ter dois arguidos numa lista candidata às eleições e de que forma é que isso prejudica a "política de verdade" de MFL? Tanto é "política de verdade" que nenhum dos visados (António Preto e Helena Lopes da Costa) fugiu para o Brasil, apregoou que era uma cabala ou tudo se tratava de perseguição política, encontrando-se a prestar contas à justiça. No final, o juiz decidirá e o que me poderia preocupar seria a não perda dos respectivos mandatos na eventualidade de serem condenados.
A seguir a ordem de ideias apregoadas por populistas que se chocam com a inclusão de arguidos em listas às eleições, um bom truque encontrado pelos partidos e pelos cidadãos poderia passar pela apresentação de queixas contra os principais candidatos dos partidos opostos alguns meses antes das eleições, ainda que as acusações fossem infundadas. Como pela lei processual penal portuguesa quem for alvo de queixa deve ser notificado para prestar declarações em tribunal e no momento em que comparece é obrigatoriamente constituído arguido, estatuto que mantém até ao arquivamento do processo, então teríamos encontrado uma solução para afastar os mais indesejados.
Claro está que, na eventualidade de o juiz titular de um processo entender que existem fortes probabilidades de determinado arguido vir a ser condenado pela prática dos crimes que é acusado, faria sentido que uma das medidas de coacção impostas passasse pelo impedimento de se candidatar a cargos públicos. No entanto, enquanto os tribunais e os órgãos de investigação criminal não forem alvo de profundas reformas, tudo aponta para que António Preto e Helena Lopes da Costa sejam condenados no máximo a penas suspensas (das quais recorrerão), senão mesmo absolvidos, situação que os tornará cidadãos tão idóneos quanto qualquer outro para o exercício de funções públicas..