quarta-feira, julho 08, 2009

Desafio às autoridades portuguesas: arrumadores de carros

Numa época em que os vendedores de bolas-de-berlim nas praias estão na mira da GNR e da ASAE por constituírem uma forma de comércio paralelo cujas receitas não chegam aos cofres do Estado e pela falta de condições em que são confeccionadas e distribuídas ao público, proponho um desafio às autoridades portuguesas: os arrumadores de carros.
Esta praga já está de tal forma integrada em várias cidades do nosso país que muitos já consideram os arrumadores de carros como um género de "donos das ruas" a quem tem que se pagar um imposto para poder estacionar a viatura. Muito dificilmente, para não dizer nunca, alguém me apanha a dar um cêntimo que seja a estes indivíduos.
Aqui há uns tempos deparei-me com um arrumador da Praça do Saldanha mais atrevido que insistiu que lhe desse uma moeda. Neguei-a tantas vezes quantas ele insistiu, mas perguntei-lhe quanto é que ele ganhava por dia nesta actividade que, tal como a dos vendedores de bolas-de-berlim, foge ao controlo do Estado. Ele contou-me o seu esquema:
- tem "clientes fixos" que são aqueles que trabalham ali na zona e precisam garantir diariamente um lugar para poder estacionar o automóvel. Para não pagarem parquimetro durante um dia inteiro pagam-lhe 3 euros por dia: assim que um fiscal estiver a chegar à zona, o arrumador tira um bilhete de estacionamento para um período de cerca de meia-hora e prende o bilhete no pára-brisas para evitar a coima. O seu lucro pode variar consoante o fiscal apareça ou não numa zona onde esteja o carro, podendo garantir os 3 euros por dia ou o que restar depois do pagamento do bilhete;
- o indivíduo tinha à data cerca de 20 "clientes fixos" que lhe pagavam os tais três euros ao dia;
- se considerarmos que este arrumador trabalha apenas vinte dias úteis por mês (equivalente a quatro semanas), e ignorarmos os lucros pontuais resultantes de outros condutores que estacionam na zona e lhe dão uma "lembrança", este indivíduo aufere um salário mensal de 1200 euros líquidos!
Como este, existem muitos por aí que, ainda que não facturem estes valores, andam perto dos tais 1200 euros e outros há que devem superar esta quantia, dependendo da zona onde operem.
Face ao exposto, desafio as autoridades a varrerem com a praga que são indivíduos que nos querem ensinar a estacionar um carro de frente e têm lucros que nunca vão passar pelos cofres do Estado. São actividades paralelas, ilegais e em alguns casos revestem carácter usurário, que tendem a criar mau ambiente nas zonas onde se encontram os arrumadores, por norma ligados ao consumo de droga. Além dos vendedores de bolas-de-berlim, seria útil quer para a sociedade quer para os cofres do Estado, o acompanhamento destas actividades e, consequentemente, a cessação das actividades destes indivíduos.

Manuel Alegre e o PS: símbolo do cacique...

Sobre Manuel Alegre já muito foi dito aqui, aqui e aqui. Alegre é um indivíduo indesejável no PS, com muitos camaradas desejosos por lhe fazerem a folha, mas simultaneamente necessário por ser querido de boa parte do eleitorado. Todos os partidos precisam de um grande cacique capaz de "sacar" votos em várias frentes em troca de um lugar de preferência não muito influente.
O poeta-político representa grande parte do que o PS precisa para as próximas eleições e se não encontrarem uma alternativa rápida para o fazerem colaborar com o partido, minimizando os possíveis estragos nas próximas eleições, a reeleição de Sócrates pode estar seriamente comprometida, passando a ideia de falta de liderança se considerarmos os casos de indisciplina (veja-se o caso Pinho), de ruptura (sem capacidade para atrair Alegre e os "alegristas") e de incapacidade para inverter o actual cenário a nível nacional (incumprimento de promessas eleitorais e quebra da confiança da população nas instituições políticas, económicas e sociais).

Eventual condenação dos envolvidos no caso BPN poderá depender da decisão do JIC

Se a informação veiculada pela TVI se confirmar, o juiz de instrução criminal deverá dar instruções no sentido de permitir que Oliveira e Costa aguarde julgamento em liberdade com a justificação de estarem dissipados os receios de perturbação das investigações e de destruição de documentos face a um eventual perigo de fuga.
Assim, e se no final do processo o tribunal entender que não foi recolhida prova suficiente para condenar os responsáveis pelo descalabro do BPN, a responsabilidade pelo fracasso de possíveis absolvições de indivíduos envolvidos no processo poderá ser única e exclusivamente do juiz de instrução criminal se este decidir pela restituição à liberdade de Oliveira e Costa.

terça-feira, julho 07, 2009

A TVI é mais rápida que a sombra do magistrado!

A TVI é mais rápida que a sombra do magistrado que assina um despacho. Os acessos que a estação de Queluz tem nos tribunais são arrepiantes: praticamente anunciam as decisões dos magistrados ao mesmo tempo que estes tomam a decisão e antes de assinarem despachos! O caso de Oliveira e Costa é apenas um de entre muitos aos quais a TVI teve acesso em primeira-mão.
Estranho é que ninguém sequer questione as fugas de informação e a violação do segredo de Estado inerente a processos crime, sobretudo quando estes se afiguram mais complexos e mediáticos. Basicamente, graças à TVI, 10 milhões são notificados de uma decisão judicial antes das partes envolvidas no processo. Não há aqui nada de estranho? Se calhar não e o melhor é mesmo que os jornalistas continuem a garantir o anonimato das suas fontes em toda e qualquer situação, ainda que isso possa comprometer direitos, liberdades e garantias...

Estranha forma de fazer politica ou a crónica de uma imprensa em crise de identidade

Constança Cunha e Sá afirma em artigo publicado no Correio da Manhã que o "programa do PSD está em risco de se transformar num dos maiores mistérios da próxima campanha eleitoral."

Com efeito, a cúpula do PSD percebeu que tinha tudo a ganhar em manter o seu programa eleitoral debaixo do tapete mediático e tem-no conseguido...sem grande esforço.

Discutiu-se durante muito tempo a boa imprensa de que o actual Governo gozava e do quão anómalo se tratava. No entanto, com o ressurgimento do Processo Freeport para a agenda política (mais do que para a agenda judicial) os media perceberam que o Governo de Sócrates era atacável. E logo correram a explorar este filão, à boa maneira sensacionalista mas com uma impressão sóbria.

Assim se apresentam hoje os jornais de referência em Portugal.

Neste registo, as capas rendem mais com Sócrates do que com Manuela Ferreira Leite. Sócrates, como bom político que é, desperta muito mais paixões e ódios que Ferreira Leite. Assim, julgou-se ser económica e editorialmente irrelevante reportar as incongruências, os silêncios, os enganos de Manuela Ferreira Leite em relação ao seu projecto político e às suas convicções (como exemplo, veja-se que nenhum jornal de grande tiragem publicou a declaração chocantemente desfasada da realidade que a presente crise internacional não passava de um - e cito - "abalozinho de terra").

Constança Cunha e Sá denuncia-lo abertamente: "Ainda há uns dias, a drª. Ferreira Leite ameaçou 'rasgar e romper' com todas as soluções adoptadas por este Governo. Enquanto o país, dando largas à imaginação, tentava assimilar as consequências fulminantes desta inesperada ruptura, eis que lhe aparece, pela frente, o dr. Borges a explicar, cheio de moderação, que uma vez no poder o PSD não iria 'riscar' tudo o que foi feito até aqui. É o que se chama a ruptura dentro da continuidade: rompe, rasga mas não risca. Contraditório? No mínimo. Só que agora ninguém regista."

A grande curiosidade é perceber se os jornais se manterão nesta onda sensacionalista e superficial que, na era da informação, desinforma e deforma com licença para operar.

Se continuarem nesta senda, deviam perceber que os portugueses nada gostam mais do que um pássaro ferido que se ergue nos momentos mais difíceis. Aí Sócrates poderá protagonizar o fim desta novela jornalística como o herói, atingindo a redenção.

É que por agora os meios de comunicação já elegeram o alvo a abater e até escolheram a sucessora. Estranha forma de fazer política esta impressa em tipografias.

O número de vítimas continua a aumentar...

De início esperava-se que a apresentação de Cristiano Ronaldo no Real Madrid tivesse um número superior aos 40.000 da apresentação de Kaká. Seguidamente, as estimativas apontavam para cerca de 70.000 na cerimónia. Quando se lembraram que, há 25 anos, Maradona teve 75.000 tiffosi no San Paolo (todos eles pagantes) começaram a apontar baterias para 80.000 no Santiago Bernabéu, pois com Florentino Pérez os recordes são sempre batidos.
Hoje, alguns dizem que estavam 85.000 no estádio e outros há que dizem que estiveram presentes 90.000 pessoas.
No meio de tudo isto, sei que o Santiago Bernabéu tem capacidade para 80.300 espectadores e pelo menos duas grandes bancadas estavam vazias. Agora cada um faça as suas contas.

Ministro Rui Pereira solidariza-se com agentes mas se não tivesse contribuído para o sentimento de impunidade que reina na nossa sociedade...

O Ministro da Administração Interna, Rui Pereira, regozijou-se com o facto de alguns crimes terem passado a ser crimes públicos após a revisão que entrou em vigor em Setembro de 2007, apesar de declarar sentir-se abalado pelos crimes cometidos contra dois polícias na Amadora.
Cabe dizer que foi o Dr. Rui Pereira quem liderou a comissão de revisão aos códigos Penal e de Processo Penal , tornando-se no principal responsável pela descredibilização do sistema penal em Portugal.
Não se compreende a euforia de alguns defensores das correntes humanistas em volta dos crimes públicos (os quais a única coisa que permitem é que seja o Ministério Público a ter a iniciativa de avançar com a queixa e deduzir acusação sem necessitar da intervenção da vítima), e a desilusão relativamente aos restantes, até porque ainda que o homicídio e as ofensas à integridade física qualificadas revistam a modalidade mais grave das tipologias de crime, se não tiverem sanções e processos que se adequem à sua gravidade, então de nada vale serem crimes públicos. Se um agente cometer o crime de homicídio e se entregar às autoridades, não pode aguardar julgamento de outra forma que não seja a prisão preventiva, podendo a "não fuga" e a "consciencialização do crime" beneficiá-lo em sede de julgamento tendo em vista uma eventual redução simbólica da pena.
Face ao actual cenário, a "busca da verdade material" resume-se, cada vez mais no nosso ordenamento, à discussão de questões meramente formais. A manter-se este regime, não só se consolida na sociedade o sentimento de impunidade em torno de um processo penal, como a descredibilização da justiça aumenta, potenciando a realização daquilo que o Estado pretende evitar, a justiça pelas próprias mãos como forma de garantir que o agente não sai impune.
Agradecemos, assim, ao Dr. Rui Pereira por ter contribuído para a degradação do nosso sistema penal e por contribuir, ainda que indirectamente, com a sua grande revisão das leis penais para que ataques como aqueles aos polícias na Amadora continuem a ser cometidos com bastante frequência, porque os agentes sabem que a lei e as autoridades dificilmente dificultarão as suas missões. Só assim se explica o acréscimo da criminalidade violenta, estando cada vez mais vulgarizados assaltos contra bombas de gasolina, bancos, superfícies comerciais e lojas de rua.
Posto isto, não será difícil concluir que Rui Pereira não só não tem perfil de legislador como também não reúne condições para ser Ministro da Administração Interna. Acresce que afigura-se imperativa a reforma profunda do nosso sistema penal tendo em vista adequá-lo à realidade nacional e garantir o cumprimento de uma das funções do Estado, a segurança, sob pena de potenciar a "latinização" da sociedade portuguesa que se começa a sentir na obrigação de obter meios que garantam a sua própria segurança.

segunda-feira, julho 06, 2009

Twitter e tecnologias do século XXI

Quanto mais se desenvolvem as tecnologias mais obsoletas ficam. É um verdadeiro desafio à paciência dos utilizadores para conseguirem reencaminhar mensagens de um blog para o Twitter, só para dar um exemplo.

Bar Velho no Twitter

O Bar Velho Online está agora disponível no Twitter. Podem aceder e seguir o Bar Velho a partir daqui.

Cristiano Ronaldo em Madrid: 80.000 quê?

O Estádio Santiago Bernabéu tem capacidade para cerca de 80.300 espectadores. Na televisão foi possível ver pelo menos duas grandes bancadas totalmente vazias. Porque é que a comunicação social insiste que estavam mais de 80.000 à espera de Ronaldo? A pergunta que faço é: chegou sequer a ser batido o recorde de Maradona?

Cristiano Ronaldo em Madrid: à "nossa" maneira

Cristiano Ronaldo foi finalmente coroado Rei de Madrid. Independentemente de achar absurdo que milhares de pessoas percam tempo a encher um estádio para ver um jogador de futebol vestir uma camisola de um clube e falar para o público presente (logo os futebolistas que dominam a retórica como ninguém), certo é que fico contente por ser Cristiano Ronaldo e não outro a concentrar tantas atenções à sua volta.
Se alguém tiver que ter sucesso, que seja um português: não só promove gratuitamente Portugal como ainda arrecada rios de dinheiro de estrangeiros. Então se for em Espanha acaba por ter um gostinho ainda mais especial...

Cristiano Ronaldo em Madrid: comparar alhos com bugalhos

Andam por aí alguns portugueses a comparar, de forma muito forçada, diga-se de passagem, Michael Jackson e Maradona com Cristiano Ronaldo. Enquanto admirador dos dois primeiros sinto-me ofendido, sobretudo pelo enorme legado que deixaram e por tudo o que tiveram que passar para chegarem onde chegaram, o que demorou uma vida inteira e não meia-dúzia de anos.
Até ao momento, Cristiano Ronaldo apenas conseguiu conquistar o título de melhor jogador do ano de 2008, o de futebolista mais bem pago do mundo e transferência mais cara de sempre. Ronaldo ainda está a construir o seu espaço e a sua imagem, sendo um tremendo disparate compará-lo no presente a grandes lendas da música e do desporto que se tornaram verdadeiras celebridades por tudo o que fizeram!
Sobre 80.000 num Estádio para o receberem, tal acontece por dois motivos: as entradas são gratuitas e porque os madrilenos já estão endoutrinados por Florentino Pérez para encherem o Santiago Bernabéu de modo a baterem o record daquele que foi deus no futebol, Diego Armando Maradona. Felizmente os números nos ordenados, nas transferências e nos números de pessoas numa apresentação não conseguem apagar as qualidades fora-do-normal que o argentino tinha.

Bendito José Eduardo Martins que não gesticulas!

Os falsos moralismos grassam na nossa sociedade a uma velocidade incrível e, como se tem visto, escolhem um alvo, saciam a sua fome e voltam a adormecer.

Onde está agora o Presidente da República que é o garante do funcionamento das nossas instituições democráticas?

Onde estão agora os deputados dos restantes grupos parlamentares?

Será que estes últimos ainda não recuperaram do choque?

Pinho mereceu o destaque mas José Eduardo Martins tanto faz para alcançar o pelourinho...ora vejam:



E porque não relembrar o clássico dos clássicos:

Roger Federer: a coroação do Rei continua...

Tudo o que vale a pena implica sempre um sacrifício. Se Roger Federer pretendia bater o recorde de Pete Sampras de maior vencedor de Grand Slams e regressar ao topo do ranking ATP, a sua vitória em Wimbledon teria que ser épica. Assim foi: 4h18m de ténis de altíssima qualidade!, numa vitória que de início chegou a ser colocada em causa (Roddick andou muito perto do 2-0 em sets).
Agora restam ao suíço a quebra de mais recordes, alguns deles perfeitamente ao alcance do tenista de 27 anos, nomeadamente o maior número de semanas no 1.º lugar do ranking ATP (Sampras esteve um total de 286 semanas e Federer tem 237 no registo) e o maior número de Masters 1000 (Andre Agassi conquistou 17 e Federer leva 15).
São mais de 10 anos a bater recordes e a conquistar vitórias que fazem dele, cada vez mais, uma lenda do ténis e do desporto mundial. É o mais completo, o mais equilibrado e o mais regular: sempre a vencer!

domingo, julho 05, 2009

The Legendary Tiger Man: pack promocional do novo álbum a 13 de Julho

Paulo Furtado é um dos meus artistas portugueses preferidos. Com projectos como Wraygunn e The Legendary Tiger Man (one-man-band) no âmbito da música alternativa, Furtado consegue chegar a mercados estrangeiros como poucos em Portugal conseguem pela qualidade do seu trabalho.
Dia 13 de Julho prepara-se para lançar um pack promocional do disco "Femina" que chegará às lojas em Setembro. O seu trabalho conta com as participações de Peaches, Asia Argento, Lisa Kekaula, Becky Lee, Phoebe Killdeer, Rita Redshoes, Cláudia Efe, Maria de Medeiros, Mafalda Nascimento, Cais do Sodré Cabaret, Brigitte Fontaine e Cibelle. Quem quiser poderá ouvir o single promocional "Life Ain't Enough Of You" aqui.
A avaliar pela qualidade do que já ouvi do álbum, corre o risco de ser disco do ano.

sexta-feira, julho 03, 2009

Maria João Pires: nunca justificou a nacionalidade portuguesa

De acordo com a comunicação social, Maria João Pires pretende renunciar à nacionalidade portuguesa e tornar-se cidadã brasileira.
Perturbam-me aqueles que pensam que a nacionalidade é como um género de roupa da moda que uma vez gasta e explorada é deitada fora e substituída por outra. Maria João Pires nasceu para a música em Portugal e foi também o nosso país que apoiou muitos dos seus projectos, alguns dos quais, segundo consta, sem que a pianista precisasse de justificar. Devia estar grata por isso e retribuir!
É certo que os apoios estatais à cultura deixam muito a desejar e são o calcanhar de Aquiles de qualquer Governo, mas arrepiam-me estes tipos das artes que, apesar das regalias que têm por contribuir activamente para a cultura de um país, de todo o sucesso que fazem e do reconhecimento que têm, se não lhes forem dados subsídios não se fazem à vida e censuram quem não sustenta alguns dos seus devaneios.
Maria João Pires tem uma qualidade de vida que, embora não seja igualmente proporcional, anda bastante perto do talento que tem. Torna-se assim incompreensível que se a pianista não receber apoios do Estado também não demonstra vontade em investir um cêntimo seu que seja pelo seu amor à música.
Abdicar de uma nacionalidade que a catapultou para a fama mundial e muito apoio lhe deu apenas porque o Estado não está em condições de satisfazer todos os seus caprichos só significa uma coisa: ingratidão! Maria João Pires devia provar que merece a nacionalidade que ainda tem dando um pouco de si pela cultura nacional e contribuir para o seu engrandecimento para que um dia artistas como ela possam ser justamente recompensados pelo Estado português em vez de esperar que o Estado a sirva. Por mim pode ficar no Brasil e comer muito acarajé em S. Salvador. Só lamento mesmo o duplo CD que comprei há cerca de três meses, pois foi dinheiro deitado fora.

Manuel Pinho: afinal em que ficamos?

15 minutos após o final do debate parlamentar sobre o Estado da Nação, onde o Ministro da Economia deu nas vistas pelos piores motivos, os jornalistas assaltaram Manuel Pinho e questionaram-no sobre se teria condições para continuar no Governo. Pinho respondeu "absolutamente, sobretudo enquanto safar postos de trabalho".
O "safar" confesso que é uma palavra que me intriga sobretudo quando pouco mais de uma hora após ter prestado estas declarações onde mostrava confiança e certeza de continuar à frente da pasta da Economia, o mesmo Manuel Pinho diz que apresentou a sua demissão "por não ter condições". Ou algo se passou neste período e foi de tal forma grave que o Ministro deixou de estar com condições depois dos "chifres", ou então está aqui mais um episódio semelhante ao que opôs o PM ao Ministro da Agricultura há uma semana atrás em que se desmentem ao mesmo tempo.
Estes episódios mostram que ou há falta de diálogo entre os membros do Governo ou então há uma tremenda desorganização no interior do Executivo faltando alguém capaz de definir uma estratégia comum que todos sigam e fazer passar a mensagem de modo a revelar para o exterior coesão e coerência entre os vários membros do Governo.
A verdade é que Manuel Pinho sabia que se tinha excedido mas não pretendia abandonar o cargo. A conversa com Pedro Silva Pereira e Augusto Santos Silva acabou por precipitar a decisão. Pinho já estava na corda-bamba há muito, tratando-se de um Ministro cuja saída já era exigida há muito tempo e com a derrota do PS nas europeias intensificou a pressão sobre Sócrates para que este afastasse Manuel Pinho. À mínima falha, o PM mostrou que tem mão pesada e pretendeu mostrar que afinal o sentimento de impunidade que reina entre a população não tem qualquer cabimento. Maria de Lurdes Rodrigues que se cuide, porque poderá ser a próxima a dançar se ousar aproximar-se do risco como fez Pinho.

Manuel Pinho: herói, vilão... duplo?

Durante quatro anos Manuel Pinho é martirizado e torturado pelos portugueses, da esquerda à direita. Quando finalmente o conseguem crucificar, minutos depois da sua morte política, os mesmos que o assassinaram transformam-no num género de Messias e afinal Pinho já não é o "ministro inútil com mais gaffes que tiros certeiros", mas sim o "ex-Ministro da Economia que deixou obra feita com feitos nunca antes vistos" e que "num acesso de cólera deitou tudo a perder". Um herói, portanto, que afinal ainda sai em braços...

Candidatos ao Pelourinho

Hoje Pinho está exposto no pelourinho.

Parece-nos, no entanto, existirem outros deputados com apetência e potencialidade para alcançarem tal distinção.

Ora vejamos:




Depois de se irritar com as palmas da bancada socialista e apelidá-las de soviéticas (as palmas da sua bancada serão, porventura, salazarentas?) veja-se Rangel e a insistência desrespeitosa para com o Presidente da Assembleia da República.

Todavia, reservamos o melhor para o fim, a cereja no topo do bolo laranja.



Muitos parabéns senhores deputados! O Pelourinho está à distância de um ramo de oliveira.

quinta-feira, julho 02, 2009

Tourada no Parlamento protagonizada por uma espécie de cavalo de Tróia


Hoje houve tourada no Parlamento, mas, ao contrário do que se possa pensar, Manuel Pinho não fez de touro como o seu gesto para a bancada comunista parece fazer crêr.
O agora Ministro da Economia demissionário revelou ao longo dos últimos quatro anos tratar-se de um autêntico cavalo de Tróia enviado pelo PSD para minar o Governo Sócrates, tendo o episódio revelado, se dúvidas ainda existissem, que o PS anda de cabeça perdida e que vamos ter Governo laranja a partir de Setembro.

Santana está de volta!

Pedro Santana Lopes lançou ontem formalmente a sua candidatura à Câmara de Lisboa no Arco do Cego. Deu assim início à campanha com o slogan "Lisboa com Sentido" para arrumar uma cidade caracterizada pelas obras e pelos outdoors excessivos de um Presidente da Câmara socialista com necessidade de afirmação e que usa os recursos do município para promover a sua "obra". Sim, as obras estão à vista, é pena é não estarem concluídas.
A aposta em redes sociais é uma das fortes apostas do candidato que também recorre à blogosfera para dar a conhecer o seu projecto aos lisboetas. Deixa no ar nove ideias chave para revitalizar a capital: reabilitação e repovoamento, eliminação das barreiras arquitectónicas, ordem nas cargas e descargas, alienar fogos sociais, eficiência energética, requalificar os bairros sociais, não a mais contentores, aeroporto em Lisboa e uso dos transportes públicos.
Santana Lopes, já aqui defendido por alguns redactores no meio da adversidade e da turbulência que durante algum tempo marcou a carreira do futuro Presidente da Câmara, relançou a sua carreira e, de acordo com fontes seguras, as sondagens já o dão com 10 pontos de avanço sobre António Costa.
Para quem quiser consultar o manifesto eleitoral de Pedro Santana Lopes, o mesmo está disponível aqui. Sugestões ao candidato podem ser feitas por aqui.
Lisboa com Sentido!

Sport Lisboa e Benfica: os jogadores são sul-americanos, mas a direcção é digna de uma novela mexicana

Luís Filipe Vieira, o mago do tão afamado "milagre financeiro", o tal "milagre" que levou o passivo do Benfica a rondar os 300 milhões de euros, decidiu dar uma de Pinto da Costa saloio. Para tal, o inteligente Vieira decidiu boicotar a candidatura de uma lista que se apresentaria forte nas eleições agendadas para Outubro, a qual seria possivelmente liderada por Bagão Félix, provocando a demissão em massa dos órgãos sociais do clube.
Manuel Vilarinho, outro personagem dotado de inteligência provinciana e já aqui identificado como o pior Presidente do Sport Lisboa e Benfica, subscreveu a teoria de Vieira e confirmou o acto de demissão dos órgãos, antecipando deste modo as eleições. Esfumaram-se, assim, as possibilidades do Benfica poder ter uma candidatura credível em Outubro.
A direcção demissionária estava limitada a actos de gestão corrente, porém, um recente contrato assinado com a Sagres o qual vincula o clube à Central de Cervejas para os próximos 12 anos (!!) pelo valor de 40 milhões de euros está longe de se poder classificar como "acto de administração ordinária". Caso Vieira vença as eleições, daqui a 3 anos passa o testemunho a outro que lá terá que tentar descalçar esta bota da mesma forma que Vale e Azevedo (sim, o único criminoso em Portugal) tentou descalçar a do contrato ruinoso com a Olivedesportos.
Mais acrescento que esta situação foi criada única e exclusivamente pela direcção demissionária, a qual se prepara para dar mais um golpe de mestre caso vença as eleições: pretendem alterar os estatutos do clube, de modo a que só se possam candidatar sócios com mais de 15 anos de ligação efectiva ao clube, o que traduzido por miúdos quer dizer "Veiga, tens que esperar mais 10 anos para poderes avançar".
Eis que se aproximam as eleições no Benfica e temos dois candidatos: um marialva do Porto que não consegue articular uma frase sem se engasgar e um antigo vendedor de pneus que de repente se lembrou que podia ser Presidente de um clube e decidiu instaurar no Benfica um género de "democracia africana" na qual o multipartidarismo e a igualdade de oportunidades atentam contra a "estabilidade interna".
Entre estes dois estarolas, venha o diabo (não os vermelhos) e escolha. Não sei o que é melhor para o Benfica, mas, face ao actual cenário, não percebo porque é que Rui Costa não avança para a presidência do clube: resolvia esta trapalhada no clube em três tempos, unia os sócios, atraía apoios externos e acabava de vez com o triste espectáculo protagonizado pela dupla circense Vieira-Vilarinho.

P.S.: A candidatura de Bruno Carvalho é de tal forma desequilibrada que o candidato apresenta uma providência cautelar no Tribunal Cível de Lisboa na qual exige que seja rejeitada a candidatura de Luís Filipe Vieira porque a direcção encabeçada pelo actual Presidente se demitiu sem que existissem motivos de força maior. Até aqui tudo normal, não fosse o próprio Bruno Carvalho garantir em jeito de "promessa eleitoral" que se vencer as eleições se demite e convoca novas eleições para daí a seis meses, cometendo o mesmo erro que agora imputa a Vieira.
P.S.2: O Departamento Jurídico do Bar Velho informa Manuel Vilarinho e Luís Filipe Vieira que quem infringir uma decisão decretada por providência cautelar incorre em pena de crime de desobediência qualificada, de acordo com o artigo 391.º do Código de Processo Civil.

quarta-feira, julho 01, 2009

É oficial: o PSD já é Governo!

É oficial, o PSD já é e vai ser Governo em Portugal. A avaliar pela posição que o PS tem adoptado após as eleições europeias, passando do desprezo pela oposição para o ataque directo aos social-democratas, qual oposição no ataque ao poder, não tenho a mínima dúvida que os socialistas já estão a aquecer os motores para a partir de Setembro trocarem de lugar com o partido liderado por Manuela Ferreira Leite.

Barack Obama: reformista ou entertainer?

Será de mim ou os níveis de popularidade de Barack Obama andam em alta não pelas suas políticas para os EUA, mas por entreter a população mundial com os seus episódios insólitos?
Obama começou por concentrar as atenções pelas festas que dá na Casa Branca, pelo estilo descontraído que imprime no dia-a-dia e por ser dono de um cão de água português. Há pouco mais de uma semana seguiu-se o espectáculo de matar uma mosca durante uma entrevista e agora está envolvido numa risota pegada em torno de um toque de telemóvel que emite o grasnar de um pato.

terça-feira, junho 30, 2009

Playboy portuguesa (IV): Rita Mendes.

Estava a ficar descrente, confesso, relativamente à Playboy portuguesa. No entanto, a última edição representa um balão de oxigénio na fé depositada nesta revista. A escolha por Rita Mendes acabou por ser acertada, não só pelos atributos físicos da moça (é bom saber que ainda existem mulheres que não passaram pelo bisturi que são merecedoras da capa de revistas prestigiadas) como pelo seu perfil: vista como rapariga tendencialmente reservada, não tem o ar típico de "fácil" que caracteriza as capas de revistas mais baratas, foi apresentadora de televisão durante alguns anos (ainda me recordo da menina do "Portugal Radical" e do "Templo dos Jogos") e não se vê (de todo) nas lides do exibicionismo e do culto do corpo.
Parabéns à Playboy pela excelente escolha na sua quarta edição e esperamos todos que esta onda seja para continuar. Vejam o ensaio completo, que vai valer a pena: sensual, simples e completa. Assim é Rita Mendes.

Sondagem dá vitória esclarecedora a Rui Rio no Porto

A confirmarem-se estes valores (58%-25%), isto não é uma vitória, é uma verdadeira cabazada!

Da "verdade" à mentira descarada!

Em entrevista publicada na edição de hoje do jornal i, Henrique Granadeiro afirma que "ainda está na memória de toda a gente a venda pelo Estado à PT da rede fixa como forma de conter o défice público nos limites impostos por Bruxelas, sendo Manuela Ferreira Leite ministra das Finanças".

No entanto, a presidente do PSD, Manuela Ferreira Leite, veio contrariar hoje o presidente do conselho de administração da PT, Henrique Granadeiro, dizendo que a venda da rede fixa foi decidida pelo Governo socialista de António Guterres, nos seguintes termos: "Isso não é verdade, pela simples razão de que o negócio da venda da rede fixa estava feito pelo PS quando cheguei ao Ministério das Finanças, a decisão dessa matéria não foi minha, foi do governo socialista, do engenheiro Guterres".

Ora, para quem tem como lema a verdade, isto só pode ser uma brincadeira de mau gosto dado que o negócio em causa - que a Dr.ª Manuela Ferreira Leite afirma ter sido feito e fechado pelo PS - foi aprovado pela Resolução do Conselho de Ministros n.º 147/2002, de 26 de Dezembro.

Mais engraçado ainda é ver que os poderes para outorgar, em nome do Governo, o contrato de compra e venda da rede básica de telecomunicações e da rede de telex foi delegado na Ministra das Finanças da altura...a Dr.ª Manuela Ferreira Leite.

Para além do mais, refira-se que a desafectação da rede básica do domínio público por parte do Estado, que deu origem a este negócio, foi regulada pela Lei n.º 29/2002, de 6 de Dezembro, aprovado por quem? Pelo governo de Durão Barroso.
The plot thickens.
Será que a Dr.ª Ferreira Leite fez parte do Governo de António Guterres enquanto eu estava a fazer uma bucha?

Não. A decisão foi mesmo dela dado que em Outubro de 2002, na Assembleia da República, durante a discussão da proposta de Orçamento do Estado para 2003, num momento em que estava em debate com os deputados socialistas Joel Hasse Ferreira e João Cravinho, Manuela Ferreira Leite disse o seguinte sobre a então possível venda da rede fixa à PT: "Não o faremos sob pressão, repito, não o faremos sob pressão. Se o preço não for compatível com a avaliação, não o venderemos".

Truth is overrated. Right Manuela?

Avião do Iémen despenha-se no Índico

Um avião de uma companhia aérea do Iémen despenhou-se no Índico, perto das Comoros, com 153 pessoas a bordo. Vários factos me despertaram a atenção com este acontecimento. O primeiro dos quais diz respeito a só ter sido encontrado até ao momento um bebé com vida. O segundo está relacionado com a passagem do avião pelo espaço aéreo da Somália em segurança.
Por fim, noto a existência de um possível nexo causal entre franceses, mau tempo e aviões. Começa a ser recorrente a ocorrência de acidentes sempre que cidadãos franceses viajam a bordo de um avião sob condições atmosféricas adversas. O que me vai obrigar a consultar as listas de passageiros dos aviões e as condições atmosféricas da rota a efectuar sempre que quiser viajar para qualquer ponto do globo, nem que seja o percurso Lisboa-Madrid.

segunda-feira, junho 29, 2009

Países que funcionam: EUA

Se há países onde a justiça funciona, um deles é os EUA. Concorde-se ou não com pena de morte, prisão perpétua e outros afins, por menos ressarcidas que as vítimas e respectivas famílias sejam, saem sempre de uma leitura de sentença com a sensação de justiça.
Ao contrário de maus exemplos, como o português, onde se pensa primeiro na reabilitação do condenado e só depois em quem foi lesado, nos EUA a justiça só é possível porque são uma sociedade onde a prioridade é dada à defesa dos direitos dos lesados, ainda que isso implique que continuem tesos e a comer o pão que o diabo amassou, mas com a sensação de alívio e de justiça.
Já agora, proponho um género de regime das obrigações solidárias a todos os chicos-espertos que andam por aí a roubar milhões ao povo. Dada a impossibilidade de Madoff em cumprir 150 anos na cadeira, uma óptima solução seria repartir a sua pena com João Rendeiro, por exemplo, e Oliveira e Costa: 50 anos de pena para cada um, para que 10 milhões de portugueses também possam respirar de alívio e sentir que é feita justiça, ao contrário da pena suspensa que alguns destes energúmenos vão apanhar nesta provinciazeca da União Europeia.

Duas Caras II




"Sócrates diz desconhecer eventual negócio da PT

O primeiro-ministro, José Sócrates, afirmou hoje desconhecer a eventual compra pela Portugal Telecom (PT) de 30 por cento da Media Capital, que controla a TVI, alegando tratar-se de "um negócio privado".

"Nada sei disso, [porque] são negócios privados e o Estado não se mete nesses negócios. Não estou sequer informado disso, nem o Estado tem conhecimento disso", declarou José Sócrates no final do debate quinzenal na Assembleia da República.

Durante o debate quinzenal, o líder do Bloco de Esquerda, Francisco Louça, confrontou José Sócrates com o facto de a PT se preparar para comprar ao grupo espanhol Prisa cerca de 30 por cento da Media Capital, que controla a TVI, vincando que o Estado Português tem ainda uma "golden share" na PT e que esta empresa poderá pagar cerca de 150 milhões de euros por uma participação avaliada em 84 milhões de euros.

Perante a insistência dos jornalistas na questão, o primeiro-ministro frisou que "a PT é uma empresa com autonomia, que pode e deve desenvolver os seus negócios com total autonomia".

"Essa pergunta deve feita à PT. O Governo nada sabe, nem deu nenhuma orientação, nem lhe foi perguntado nada", acrescentou.

Num comunicado enviado terça-feira à noite à Comissão do Mercado de Valores Mobiliários (CMVM), a Portugal Telecom "confirma a existência de contactos" entre o grupo espanhol Prisa e a Portugal Telecom" e salienta que "tais contactos abordaram diversos cenários de investimento, incluindo a possível aquisição de uma participação no capital social da Media Capital e formas de relacionamento entre esta empresa e a PT".

domingo, junho 28, 2009

Duas Caras?

Não, este post não é sobre a novela da SIC nem tampouco sobre mudanças no tom de voz.

Este post é sobre a hipocrisia política de quem diz defender a verdade e somente a verdade.

Manuela Ferreira Leite disse em entrevista à revista Sábado que se em 2005 tivesse aparecido o nome de Pedro Santana Lopes no boletim de voto, não teria votado no PSD.

Que saibamos Santana Lopes não fez entretanto nenhum curso de reciclagem política, corrigiu vícios, incrementou qualidades ou alterou o que quer que seja para que a visão da Dr.ª Manuela Ferreira Leite se altere em relação ao anterior primeiro-ministro de Portugal.

A Dr.ª Manuela Ferreira Leite, verdadeira e coerente como é, não mudará concerteza esta ideia e não convidará Santana Lopes para qualquer cargo no seu seio político.

Para além do mais, Santana Lopes em 2008 afirmou sem pruridos que a política de Manuela Ferreira Leite castiga, desmoraliza e deprime o país, para além de ter afirmado que esta teria violado os estatutos do PSD.

Santana Lopes, mais volátil que Ferreira Leite, talvez até admita voltar a reatar um projecto político em comum mas Ferreira Leite irá manter-se coerente com os seus princípios inabaláveis.

Estarei a ver bem? Ferreira Leite escolhe Santana Lopes para ganhar a luta por Lisboa! Incrível esta inflexão. A Dr.ª Ferreira Leite fê-lo pelo bem do partido, só assim admito tal contradição. Estou seguro que as manifestações públicas limitar-se-ão ao respeito e ao respeito institucional. Só assim se poderá falar verdade e ser coerente com os seus princípios…e a Dr.ª Ferreira Leite é vertical as it gets!

Certo? Errado.

Esta semana, Ferreira Leite apareceu não a elogiar Santana Lopes, ou a ajudar na campanha para Lisboa apoiando ideias, projectos, mas sim a homenagear Pedro Santana Lopes e a afirmar que é “um exemplo para todos os elementos do partido”.

Verdade, verdadinha. Eu também não queria acreditar…

Two-Faced Manuela

Jogo de júniores acaba em batalha campal

O jogo do título do campeonato nacional de júniores em futebol, entre Sporting e Benfica, teve que ser adiado por se ter iniciado uma verdadeira batalha campal entre adeptos e claques das duas equipas.
Quando um jogo se realiza com a presença de mais de 2.000 pessoas, das quais cerca de 500 são rivais, com 60 agentes a garantir a segurança de todos num descampado repleto de pedras e bancadas de madeira, o resultado ter sido a interrupção do jogo com apenas dois feridos ligeiros já é uma sorte!

José Sócrates anuncia a criação de 5 mil estágios profissionais por ano

Sr. Engenheiro, estágios profissionais não são postos de trabalho, pelo que a meta dos 150.000 continua longe do seu cumprimento.
Já agora, estes cinco mil estágios profissionais na função pública terão regime idêntico aos anteriores Estágios Profissionais na Administração Pública (EPAP) que ao fim de um ano criaram mais de 3.000 desempregados ainda que muitos tivessem qualidade, de acordo com os seus superiores hierárquicos, para permanecer nos respectivos cargos em regime definitivo? Se sim, então o país prepara-se para ter 5.000 novos desempregados por ano. Parabéns, Sr. Engenheiro.

sábado, junho 27, 2009

O País agradece

Na sequência da marcação das eleições autárquicas para 11 de Outubro por parte do Governo, Cavaco Silva anunciou hoje a realização das legislativas para o próximo dia 27 de Setembro, em face da posição da maioria dos partidos com assento parlamentar.

Nestas últimas semanas muita tinta correu sobre qual a opção mais sensata e mais adequada face ao fim aqui em causa, sendo que do lado dos defensores da simultaneidade das eleições, os grandes argumentos eram a poupança na despesa associada ao acto eleitoral e, bem assim, a potencial diminuição da abstenção por se “obrigar” as pessoas a irem votar apenas uma vez – uma espécie de jelly-já ou eleições cup a soup.

Ora, quanto ao primeiro argumento e salvo o devido respeito, ver um partido como o PSD defender que se deve cumular ambas as eleições por forma a poupar 4 milhões de euros deixa-me intrigado.

Porventura, não terá sido este o mesmo PSD que gastou quase o mesmo montante na campanha para as eleições europeias que todos os restantes partidos juntos? E, tendo em conta que os dinheiros públicos são a grande fonte de financiamento das campanhas partidárias, não foi este o mesmo PSD que votou favoravelmente e sem reservas – contrariamente ao que Rangel afirmou – uma lei que permitir aumentar exponencialmente o financiamento dos partidos políticos e, consequentemente, o dinheiro público gast0 nas campanhas eleitorais?
Assim, é fácil perceber que esta súbita defesa da poupança de custos reflecte tão somente um apurado tacticismo político ao bom velho estilo vale tudo para chegar ao poder.

Já quanto ao segundo argumento, parece-me que o problema é mais profundo do que possa parecer inicialmente. Assumir que é uma maçada para a população ir votar e, portanto, defender que devemos cumular o máximo de eleições possíveis num só dia (as que mais se adequarem aos nossos interesses, claro) indicia uma infidelidade às fundações da democracia participativa e um desrespeito claro pela individualidade de cada eleição, com realidades e dimensões diversas mas todas com um grau de importância e necessidade para o funcionamento do sistema que não pode ser descurado.

O papel reservado a um político que pretenda governar um qualquer país é a de não alienar os seus destinatários e de não se resignar perante dinâmicas de desinteresse da sociedade. É nestas alturas que um político de eleição deverá encetar todas as medidas possíveis, bem como repensar a qualidade e elevação das suas intervenções públicas, para reaproximar o eleitorado da necessidade de intervirem no sistema democrática que os serve.

Proteger e estimular o desinteresse dos eleitores é algo que cai mal a um partido que afirma deter uma alternativa para Portugal e, acima de tudo, afirma deter a verdade.

A democracia foi hoje afirmada face aos interesses partidários. O país agradece.

Marcadas as eleições

Lá se fez a vontade aos despesistas que entendem que mais 4 milhões de euros em eleições não afectam a despesa pública numa altura em que é aconselhada, mais do que nunca, a contenção.
Cavaco Silva, inicialmente favorável à solução do "2 em 1", não teve outra hipótese senão mostrar bom senso e imparcialidade respeitando a vontade de 4 dos 5 partidos com assento parlamentar e marcar as Legislativas para 27 de Setembro.
Apesar desta solução já ser esperada assim que os partidos se pronunciaram, não se admirem se os níveis de abstenção continuarem em alta: os portugueses já se identificam pouco com o sistema político nacional, então quando os chateiam para votar várias vezes ao ano sem que surja uma luz ao fundo do túnel que permita vislumbrar a mudança...

sexta-feira, junho 26, 2009

Michael Jackson - III

Já deram conta que graças à morte de Michael Jackson não se fala de Cristiano Ronaldo há cerca de 24 horas? É um novo recorde e o madeirense vai poder ter finalmente alguma privacidade até ao final do cortejo fúnebre do artista ou até que os órgãos de comunicação passem até à exaustão todos os documentários sobre a sua vida...

Michael Jackson - II

Isto dos louvores póstumos fazem-me espécie. Nos últimos 15 anos o mundo viu, recordou, criticou, martirizou e torturou o Michael Jackson branco, alegadamente pedófilo, que surgiu em meados dos anos 90.
Assim que soou o gong da morte do artista o público ainda tentou trazer à vida o até então imortal artista negro da década de 80... mas já veio tarde. Deviam ter-se lembrado dos elogios, das homenagens e das celebrações mais cedo. Por mais polémicas em que estivesse envolvido, era do Michael Jackson artista que todos gostavam.

Michael Jackson - I

Hoje temos artigos (de qualidade duvidosa) sobre Michael Jackson para todos os gostos. Escolham o vosso preferido.
Para começar, gostava muito de Michael Jackson e achava-o um artista brilhante, mas, sinceramente, ouvir músicas do artista até à exaustão parece ser martirizante. A habilidade que os órgãos de comunicação têm para esgotar a paciência do público é tremenda. Alguns canais de televisão lançaram os videoclips do malogrado artista e colocaram o modo "loop". Em escassas horas qualquer um fica a dominar o reportório de Michael Jackson e até consegue fazer o célebre "moonwalk".

quinta-feira, junho 25, 2009

Michael Jackson: fim da linha para o eterno Rei da Pop...

1958-2009

Ainda cheguei a pensar que tudo se tratava de uma jogada de marketing a menos de um mês do início da série interminável de concertos. Mas afinal não. Morreu o mito, morreu o artista, fica a obra. As música eternas, a dança revolucionária, as coreografias perfeitas, os videoclips inesquecíveis e milionários... tudo nele era lendário.
Teve uma vida estranha e envolta em polémica e ele próprio era estranho e controverso. Tinha tudo e podia ter tido ainda mais. Foi Rei e podia ter ido mais longe.
Marcou a minha infância e a minha adolescência por toda a sua originalidade, criatividade e irreverência. Jamais sairá da minha memória o mito que foi um dos meus primeiros ídolos por todas as características que reunia.

Obrigado, Michael, e até sempre!

À flor da pele...

"- Mamã, no colégio há um menino que me chama maricas!
- E tu bateste-lhe?
- Não, ele é tão giro..."

Li hoje que um jogador do Cruzeiro de Belo Horizonte pegou-se com um argentino do Grémio de Porto Alegre porque este alegadamente o terá chamado "macaco" no meio da confusão. Este jogador não é caso único, mas parece que a sociedade anda muito sensível ao que se diz. As pessoas magoam-se e amuam com extrema facilidade. E o pior é que quanto mais amuam e se ofendem, mais os outros provocam.
Quando era criança e adolescente, era prática comum os pequenos trocarem "elogios" como gordo, balofo, baleia, preto, macaco, gorila, leite, lixívia, lingrinhas, trinca-espinhas, pernas-de-alicate, urso, parvo, entre outros. Eu próprio confesso que nas escolas onde andei sempre convivi com diversas etnias e mesmo chamando-nos uns aos outros este tipo de nomes, nada nos impediu de manter uma amizade que hoje não continua por termos seguido caminhos diferentes, mas que nos permite dar um forte e caloroso abraço se nos cruzarmos na rua. Cada um utilizava os nomes que tinha à mão para provocar, sempre a pegar nos pontos fracos do outro. Os miúdos por norma não se ofendiam, e aquilo passava, mas quando tal sucedia, ripostavam.
Hoje, algumas destas trocas de palavras são consideradas "bullying" e afectam psicologicamente o futuro de muitas das "vítimas". Vivemos ainda numa era em que nada se pode dizer e, como disse de início, quanto mais se ofendem com quase nada, mais as pessoas tendem a provocar. Um jogador loiro que me chamasse "macaco" na eventualidade de eu ser de etnia africana, certamente ouviria logo qualquer coisa como "barbie" e a coisa ficava por ali. Mas hoje existe uma tendência para a vitimização e com tanta sensibilidade parece que as pessoas andam à procura de uma oportunidade para dar dimensão a algo perfeitamente banal até mesmo entre as crianças.
A atitude do atleta creio ser normal tendo em conta o calor do jogo e, por vezes, voltarmos ao tempo em que eramos crianças pode ajudar a resolver problemas onde não os há, pois não acredito que Maxi Lopez seja racista ou xenófobo como por aí apregoam, caso contrário não jogaria numa equipa toda ela repleta de negros. O que pretende o jogador a quem terão chamado "macaco"? Mostrar que se chamarem "preto" e "macaco" vão ofender-se muito e permitir que muitos outros utilizem estes nomes no intuito de provocar reacções deste género? Tão sensíveis que as pessoas andam que chegam a perder a racionalidade...

Terei ouvido bem? Parte II

Após apelidar o Professor Jorge Miranda de anti-democrático, a Dr.ª Manuela Ferreira Leite afirmou que "o PSD tem estado sempre numa posição construtiva para a resolução deste problema [da eleição do Provedor de Justiça] " e vai manter-se "nessa posição".

A Dr.ª Manuela Ferreira Leite presta mais um péssimo serviço à democracia portuguesa ao declarar que vai persistir em usar a eleição do Provedor de Justiça como arma de arremesso político, evidenciando toda a sua recém-renascida arrogância ao afastar um dos melhores nomes alguma vez avançados para este importante cargo público.

É esta a política de verdade e de seriedade que a Dr.ª Manuela Ferreira Leite defende para Portugal? Os meus arrepios continuam...



quarta-feira, junho 24, 2009

Terei ouvido bem?

Ou a Dr.ª Manuela Ferreira Leite acabou de afirmar que a crise financeira internacional não passa de um "abalozinho" na nossa economia?



Não sei se vos acontecesse o mesmo mas fico todo arrepiado quando esta senhora fala "verdade" aos meus ouvidos...

João Tiago Silveira é o novo porta-voz do PS

Fui aluno de João Tiago Silveira e posso dizer que foi um dos melhores assistentes que tive na Faculdade de Direito de Lisboa. Dominava a cadeira que leccionava, Direito Administrativo, tinha tempo e disponibilidade para os alunos e mantinha uma relação bastante saudável com os mesmos.
Quando soube que João Tiago Silveira fora nomeado Secretário de Estado da Justiça fiquei contente e confiante por saber que Portugal teria ao seu dispor um profissional de elevada competência independentemente de concordar ou não as ideias do seu partido.
João Tiago Silveira é, desde há escassos dias, porta-voz do PS e apesar de o admirar enquanto profissional que é, tenho desde já dois pequenos reparos a fazer: falta-lhe garra e convicção nas suas declarações e o uso de eternos chavões que outrora caíam bem junto do eleitorado mas que agora se encontram ultrapassados, dispensam-se.

A história mal contada de Neda Agha Soltani

O novo rosto da revolta no Irão, Neda Agha Soltani, tem uma história de martirização involuntária que parece um pouco forçada pela actual conjuntura iraniana e parece ter alguns pormenores que só mesmo quem se opõe ao regime de Ahmadinejad é capaz de focar.
De acordo com a mensagem pregada pelo Ocidente, por quadrantes anti-Ahmadinejad e reforçada pelo seu namorado, Neda estava numa fila de trânsito e decidiu sair do carro para apanhar ar quando uma bala alegadamente disparada pela milícia Basij (pró-regime) lhe tirou a vida.
Algumas dúvidas me assistem no meio desta história. Para começar, se quem estava no carro eram Neda e o seu professor de música, como é que o seu namorado presta testemunho dos acontecimentos?
De acordo com as palavras do namorado, Neda Soltani era presença habitual em manifestações anti-regime e tinha intenções de continuar o seu activismo. No entanto, no dia em que morreu estava pacificamente dentro de um carro e decidiu sair do veículo para apanhar ar quando uma bala disparada pela milícia Basij a atingiu. Ora, no meio de uma manifestação, uma activista deste calibre está dentro de um carro e decide pacificamente apanhar ar?
Por último, tendo em consideração o modo de actuação tendencialmente discreto desta milícia como é que se pode ter a certeza que o tiro foi disparado por um dos seus elementos e não por manifestantes ainda que involuntariamente?
Permitam-me uma última questão: terá mesmo existido fraude no Irão, ou algumas irregularidades incapazes de alterar os resultados finais as quais estão a ser aproveitadas por países críticos do regime iraniano?

terça-feira, junho 23, 2009

segunda-feira, junho 22, 2009

Terceira auto-estrada Lisboa-Porto

Será mesmo necessária a construção de uma terceira auto-estrada que ligue Lisboa ao Porto quando o interior definha por ligações ao litoral?

domingo, junho 21, 2009

Cristiano Ronaldo é a nova moeda única à escala global (literalmente)

Já começa a ser recorrente: Cristiano Ronaldo é a nova unidade monetária em Portugal, que ombreia e ameaça a vigência do euro. Ainda hoje vi duas notícias que diziam "os 15 milhões de euros que o totalista de São João da Talha arrecadou representam mais do que os 13 milhões de euros que Cristiano Ronaldo irá ganhar no próxima época no Real Madrid" e "os portugueses (...) mantêm em casa notas que estão já fora de circulação no valor total de 110,46 milhões de euros. (...) esse valor ascendia a 196,3 milhões, mais de duas vezes o valor que o Real Madrid pagou pelo passe de Cristiano Ronaldo".
Sem que ninguém se apercebesse foi criada uma moeda única à escala global (literalmente), capaz de facilitar os câmbios a mais de 6 mil milhões de pessoas! No futuro, a população mundial terá mais facilidade em compreender a grandeza ou pequenez do valor de uma casa de 100.000 euros se este for traduzido em "um Ronaldo equivale a 940 apartamentos como o meu". Podemos não saber quanto custa um apartamento em Kinshasa, uma bicicleta no Nepal, ou uma toalha no Paraguai, mas se soubermos quantos exemplares de um bem equivalem a um Ronaldo, mais facilmente percebemos o seu baixo/elevado valor: quanto mais se aproximar esse valor do 1, mais caro ele é. Florentino Pérez a Nobel da Economia, já!

Duelo Ahmadinejad-Mousavi...

... poderá conhecer a solução preconizada para o Zimbabwe?

sábado, junho 20, 2009

Obras Públicas: vantagens da segunda opção menos má

Numa altura em que 28 economistas apelam ao Governo para que se reavaliem os grandes projectos, alerto para a necessidade de se escolher a segunda opção menos má, num género de custo de oportunidade invertido.
Assim, o Bar Velho lança a seguinte pergunta como tópico de reflexão a propósito do TGV: é preferível perder 1,3 milhões de euros em fundos comunitários, cuja devolução poderá ser negociada com a União Europeia, ou é melhor para o país derreter 7,7 milhões de euros numa obra que favorece mais os interesses espanhóis que os portugueses e cujo investimento provavelmente constitui fundo perdido?

José Eduardo Moniz no Benfica? Não, obrigado

A possível ida de José Eduardo Moniz para o Benfica fez-me lembrar aqueles xeques árabes que surgem como potenciais compradores dos clubes e acenam com largas somas de dinheiro para comprar reforços.
Não é que esta ideia me desagrade de todo. O que me faria verdadeiramente confusão seria ter Manuela Moura Guedes como primeira dama.

sexta-feira, junho 19, 2009

A estranha conspiração em torno de Ahmadinejad

Se houve, de facto, fraude eleitoral, ninguém se interroga porque é que as Nações Unidas não se pronunciam sobre as Presidenciais iranianas?
Ninguém acha estranho que a Comunidade Internacional se refira constantemente a Ahmadinejad como hardliner ou extremist e numa altura em que o apoio a Mousavi se intensificou como forma de tentar garantir um Chefe de Estado iraniano que privilegie os interesses do Ocidente, subitamente se fale em fraude eleitoral porque os iranianos escolheram democraticamente Ahmadinejad para ser Presidente?

Vindo de quem vem, é normal

"Quem mais jura mais mente!...

O mínimo que se pede a um Governo é que fale verdade. Falar verdade, para não se ser desmentido a cada passo, faz inspirar confiança e ajuda a ultrapassar as dificuldades.
Mais uma vez se verificou que o Governo não falou verdade, até mentiu despudoradamente, quanto às razões da diminuição do défice público.
O Governo criticou desesperadamente Manuela Ferreira Leite por, enquanto Ministra das Finanças, ter recorrido a receitas extraordinárias para diminuir o défice público. E jurou, e continua a jurar, que receitas extraordinárias, jamais!...Jurou, mas vem sistematicamente mentindo!... Aliás, fazendo jus ao provérbio que diz que "quem mais jura mais mente..."
Ainda agora, o Relatório Anual do Banco de Portugal explicita que as receitas extraordinárias, em 2008, atingiram os 1,8 mil milhões de euros, obtidas pelo alargamento dos prazos e pela concessão de novas barragens e auto-estradas. E contribuíram para que o défice passasse de 3,7% para 2,6% do PIB.
Não se critica o recurso às receitas extraordinárias, pelo que evitam o aumento da dívida pública ou dos impostos. Critica-se, sim, a propalada promessa e mentira de não recorrer às mesmas.
Como mentira é dizer-se que a contenção do défice se deveu à diminuição da despesa. Pelo contrário, o Governo de Sócrates vem sempre aumentando a despesa pública, em termos nominais, em termos reais e em peso no PIB.
Ao contrário do que o Governo diz, a grande contribuição para a diminuição do défice foi o aumento da carga fiscal e as receitas extraordinárias.
A mentira também foi penalizada nas últimas eleições."

José Sócrates

"Pode-se enganar todas as pessoas durante algum tempo; pode-se até enganar algumas pessoas durante o tempo todo; mas não é possível enganar todas as pessoas durante o tempo todo."
Abraham Lincoln

A campanha vista de fora

O jornal espanhol La Vanguardia fez um extenso artigo sobre as eleições europeias, onde consta o seguinte:

"Mención especial merecen los carteles de Ferreira Leite que jalonan las carreteras portuguesas. "Não desista. Todos somos precisos", reza. Pero la desolada foto en blanco y negro de la candidata, sin maquillar, podría hacer pensar a los turistas que visitan el Algarve que se trata del mensaje de una asociación de apoyo a la tercera edad o de prevención del suicidio."

Esta é a imagem que Manuela Ferreira Leite causa...somos todos precisos para a prevenção do suicídio.

Já quanto ao apoio à terceira idade - pelo menos, o apoio à terceira idade da Dr.ª Manuela - o Citibank e o Santander já asseguraram o futuro.

Política de verdade, meus amigos...

quinta-feira, junho 18, 2009

Afinal, o que é ser "alegrista"?

Tanto ouvi falar de "alegristas" e "alegrismo" que decidi fazer uma pesquisa aprofundada sobre esse fenómeno para tentar compreendê-lo. Por esse motivo, decidi visitar o website do Movimento de Intervenção e Cidadania (MIC), movimento cívico criado por Manuel Alegre após a derrota nas Presidenciais de 2006, com o intuito de contribuir para o desenvolvimento da cidadania e da democracia.
Consultando o programa de actividades do MIC ao longo dos últimos três anos, podemos constatar que em 2006 realizou-se um debate com Manuel Alegre sob a temática "Água: Mercadoria ou Direito?" (Setembro). Em 2007 foi realizado um debate moderado por um membro do Conselho Geral do MIC com a presença de Helena Roseta subordinado ao tema "A Reforma do Estado Social e o Futuro da Democracia" (Janeiro); foi exibido o filme de Al Gore "Uma Verdade Inconveniente" seguido de discussão (Março); participaram no "desfile" do 25 de Abril; e organizaram um debate intitulado "Território: novos usos do solo", uma vez mais com Helena Roseta (Maio).
O MIC adormeceu durante 19 meses consecutivos e só voltou ao trabalho em Dezembro de 2008 para lançar o líder do movimento numa entrevista na SIC Notícias. De Janeiro de 2009 até ao presente momento, o programa de um movimento cívico como o MIC, criado para contribuir para o desenvolvimento da democracia, intriga-me dado que as actividades organizadas pelos seus dirigentes resumiram-se a jantares e algumas reuniões dos órgãos sociais, eventos de leitura de poesia por Manuel Alegre, lançamentos de livros e palestras do Clube de Pensadores, esse grupo elitista que contribui para tudo menos para a intervenção do cidadão comum.
Torna-se incompreensível toda a euforia em torno de Manuel Alegre e dá que pensar que um indivíduo com tamanho vazio de ideias tenha acolhido 20% dos votos nas eleições de 2006, a esmagadora maioria dos quais obtidos através do critério da "pena": os portugueses tendem a solidarizar-se com aqueles que acham que foram injustiçados ou perseguidos e não hesitam em dar-lhes protagonismo e poder mesmo que estes não apresentem uma solução que seja.
A situação torna-se mais gritante quando vemos que ao longo de três anos o MIC viveu à base de jantares, reuniões dos órgãos sociais e de uma Helena Roseta ávida de protagonismo e que marcava presença nos poucos eventos organizados com um mínimo de seriedade, ainda que sem grande interesse.
Não se consegue explicar como é que um movimento que, de acordo com dados oficiais, conta com 1102 membros e tenha tido despesas que totalizaram perto de 25.000 euros em três anos para fazerem... rigorosamente nada e quase 9.000 euros tenham sido gastos para criar um site minimalista e básico. É o líder deste movimento o homem que concentra atenções como ninguém e por quem os partidos tremem sempre que ele decide movimentar-se para a esquerda ou para a direita? Povo triste e vazio este.
Numa altura em que se encontra em fase de lançamento o movimento "Nova Esquerda", composto por "alegristas" descontentes com a permanência de Manuel Alegre no PS, questiono-me sobre o que é isso de ser "alegrista": será alguém que defende os mesmos ideais que o poeta-político (os quais se desconhecem) ou um mero clube de fãs de Alegre que se quer aproveitar politicamente da visibilidade que este tem?

Benfica contratou Jesus... ou Deus em pessoa?

Finalmente acabou a novela "treinador do Benfica'2009/10". Ontem foi apresentado um treinador que me deixou com sérias dúvidas sobre se se tratava de Jorge Jesus, José Mourinho, ou um misto dos dois.
O discurso, a confiança, a determinação e a ambição no discurso era por demais evidente, chegando por vezes a roçar a arrogância que caracteriza o actual treinador português do Inter de Milão.
Por instantes parece que Jorge Jesus se esqueceu de 18 anos de carreira intermitente, marcada por descidas de divisão e fugas à despromoção em equipas que jogavam no campo dos adversários para o 0-0.
Repentinamente, o Jorge Jesus perdedor morreu e ressuscitou um Jorge Jesus que reinventou a carreira como treinador no Belenenses, deu-lhe continuidade no Sporting de Braga e agora parece querer voar mais alto no Benfica.
Não sei se este Jesus fará o milagre da multiplicação de cinco pães e dois peixes em vitórias e golos, ou se terá capacidade para caminhar sobre as tormentosas águas que começam a banhar e a agitar o Estádio da Luz findas as duas primeiras jornadas. No entanto, já se operou o milagre do Jorge Jesus com discurso vencedor, o que não é mau para começar. Veremos nos próximos tempos se este Jesus afinal se trata de Deus em pessoa.

quarta-feira, junho 17, 2009

CNE confirma que cidadãos votaram duas vezes nas europeias

A Comissão Nacional de Eleições confirmou, esta quarta-feira, que tem conhecimento informal de cidadãos que votaram duas vezes nas últimas eleições europeias. Apesar da situação irregular, a CNE garantiu aos meios de comunicação que o resultado eleitoral não está em causa.

A TSF avançou um caso de um cidadão de Leiria que votou duas vezes com o cartão do cidadão e outro com o bilhete de identidade mas a CNE diz não ter conhecimento oficial do caso.

O porta-voz da CNE , Nuno Godinho de Matos, admitiu ainda a existência de mais casos como este, sublinhando, contudo, que será sempre um "número residual" pelo que se mostrou convicto de que o resultado das eleições ao Parlamento Europeu não será posto em causa.
Não obstante estas considerações preliminares, esta situação não pode ficar sem um escrutínio rigoroso, do qual deverá ser dado conhecimento aos eleitores.

Por outro lado, este tipo de situações pode servir como catapulta para um reflexão conjunta sobre o modo como é exercido o direito de voto e quais as garantias associadas aos mecanismos que nos permitir usufruir de um direito e de um dever que não pode ser manipulável.

Cabe ao Estado corrigir, em primeira mão, os problemas detectados mas esta é uma oportunidade de ouro para nos dirigirmos ao âmago do que representa o voto e o feixe de direitos que aí se materializa.

A abstenção ora verificada turva a nossa democracia pelo que enjeitar esta oportunidade poderá comprometer o seu sadio futuro.

terça-feira, junho 16, 2009

Irão: Mousavi rejeita recontagem dos votos

O principal rival do PR Mahmoud Ahmadinejad nas últimas eleições, Mir-Hossein Mousavi, rejeitou a recontagem dos votos proposta pelo Conselho dos Guardiões, o que poderá contribuir para o agravamento da tensão em Teerão com possíveis manifestações de revolta por parte dos seguidores do candidato derrotado nas presidenciais.
Acredito que a máquina de Ahmadinejad funcionou em seu favor e, apesar do povo iraniano pretender uma abertura do regime à discussão de temas tendencialmente promovidos pelos reformistas, a população terá estado maioritariamente do lado do PR sobretudo se atendermos que antes das eleições Ahmadinejad jogou uma cartada que pode ter sido decisiva, na medida em que se revelou disponível para abordar temas como os direitos das mulheres ou a abertura ao Ocidente.
Fraudes eleitorais não são comuns no Irão, pelo menos a este nível, e a verificar-se poderá colocar em causa quer Ahmadinejad quer o ayatollah Ali Khamenei, que, enquanto líder supremo, deve manter uma postura isenta sobre assuntos políticos, o que não se tem verificado com as constantes manifestações de apoio a Ahmadinejad.

Sócrates e a maioria absoluta: é impensável exigir-se publicamente menos do que há quatro anos

De um lado, a comunicação social apregoa que o PM já não exige a maioria absoluta como que lutando agora por um objectivo menor que passe exclusivamente pela vitória nas eleições, do outro, José Sócrates defende que "a maioria parlamentar que dê condições para governar" é a maioria absoluta.
Vou pela teoria da comunicação social. O episódio do "queijo Limiano" provou que é possível governar com maioria simples, mas reconhecer que se luta por um objectivo mais humilde é como reconhecer que o Governo PS errou mais do que acertou não tendo por isso condições políticas ou morais para poder exigir a maioria absoluta.

Os EUA pretendem mesmo o diálogo com o Irão de Ahmadinejad?

Barack Obama veio mais uma vez dar provas que uma eventual abordagem dos EUA ao Irão está repleta de reservas. Hoje, por exemplo, o PR norte-americano decidiu novamente ingerir-se em assuntos de política interna iraniana.
Assim não vamos lá, Obama, e a razão continua a ser dada a Ahmadinejad: os EUA não têm que se pronunciar sobre questões internas de terceiros e nem tão-pouco têm o direito de questionar ou dar a sua opinião sobre factos que não presenciaram.

domingo, junho 14, 2009

Política de verdade?


Paulo Rangel, a nova coqueluche e ainda líder parlamentar do PSD, voltou a materializar na perfeição a "política de verdade" de que o seu partido tanto se orgulha e se arroga o exclusivo.

O Presidente da República vetou a nova Lei do Financiamento partidário afirmando que "são várias as objecções de fundo que suscitam as soluções normativas contidas no diploma em causa(...) Importa ainda ter presente que a alteração que agora se pretendia introduzir se afigura inoportuna, atenta a aproximação de vários actos eleitorais e a actual conjuntura económica e financeira do País".

Logo após o veto presidencial à nova Lei do Financiamento dos Partidos, Paulo Rangel quis apanhar a onda do veto e, como uma testemunha que só chegou ao local do crime após a fuga do seu autor, afirmou que "o PSD nunca pretendeu que estas alterações que motivaram o veto do senhor Presidente da República fossem avante. Aceitou apenas isso em última instância, para garantir um consenso unânime, que achou que era uma coisa positiva, mas nunca foi a favor, pelo contrário, até foi contra isso".

Esta onda não lhe saiu muito bem porque o PSD foi co-autor desta lei e aprovou-a por unanimidade na sua bancada parlamentar. O mar está a ficar flat, Paulo.

Sempre podíamos ter visto o deputado do Partido Socialista, António José Seguro, a fazer um tubo na perfeição mas tivemos que suportar este aprendiz de surfista...

É esta a política de verdade que o PSD pretende "vender" aos Portugueses, Paulo?

Com papas e bolos se enganam os tolos

Os 94 milhões de euros que envolvem a transferência de Cristiano Ronaldo para o Real Madrid foram alvo da mais profunda análise, fazendo-se comparações sobre várias áreas em que se podia investir tal soma, bem como o elevado salário mensal do jogador. As hipóteses eram várias: desde escolas e refeições às crianças etíopes, a bolsas de estudo e investigação científica.
Estranho no meio disto tudo é que os milhões de portugueses que se deram ao trabalho de fazer estes cálculos e que se insurgem contra os 94 milhões de euros + salários que saem dos cofres de um clube de futebol espanhol não percam dois segundos para tentar descobrir o que se poderia fazer com 20 mil milhões de euros saídos dos cofres do Estado directamente para o apoio a uma banca que se caracteriza pelas práticas usurárias sobre os clientes, com particular destaque para os 2 mil milhões de euros só para o BPN.
Porventura já alguém se questionou sobre quantas escolas, hospitais, estradas, postos de trabalho, serviços de saúde, bolsas de estudo e de investigação, refeições, entre outras, poderiam ser pagas com apenas metade deste valor? Alguém pede contas ao Governo sobre todo este desperdício de dinheiro dos contribuintes? Num país cujo eleitorado tem, regra geral, um QI superior à média de idades da população, um Governo que cometesse tal alarvidade teria apenas os votos dos candidatos do partido. Em Portugal ainda se vai atrás das cores, das caras, do cacique e das sandes de presunto acompanhadas pelo sumo de laranja do Jumbo.
P.S.: É certo e sabido que o Governo é um restaurante e os portugueses são clientes pouco exigentes, sem espírito crítico, que aceitam o prato que lhes é apresentado à frente. Queixam-se timidamente sobre a ausência de qualidade da comida, da forma como foi confeccionada e dos ingredientes utilizados, mas comem tudo até ao fim. Não fosse a acção de um género de ASAE ad hoc, a qual é representada por parte da oposição e pelo Presidente da República, talvez este restaurante permanecesse para sempre com a mesma gerência e os clientes, embora manifestamente descontentes com a sua actuação, continuassem a satisfazer-se com deliciosos pratos de lama, espinhos e pedras.

sábado, junho 13, 2009

A Nova Novela da TVI

Está encontrado o enredo da nova novela da TVI, que vai ter como protagonistas Jorge Jesus (no papel do casado mais disputado do burgo), Luís Filipe Vieira (tio de Rui Costa e presidente não executivo da empresa outrora líder de mercado do país) e Rui Costa (o sobrinho promissor com um MBA tirado nas Américas que vem liderar a empresa mas é constantemente sabotado pelo seu tio).

A novela vai contar ainda com o actor convidado António Salvador que tenta lutar contra o mais que evidente desmoronamento do seu casamento com Jesus. Apesar das ameaças, Jesus parece decidido a sair de casa mas...todas as acções têm consequências!
A TVI promete um novela que vai animar o verão futebolístico…onde tudo pode acontecer.

No entanto, o Bar Velho teve acesso à versão aprovada do guião e revela aos seus leitores, em primeira mão, o seu epopeico final:

Num final carregado de emoção e reviravoltas imprevistas, Jesus é crucificado ainda antes da aprovação do Relatório e Contas enquanto que Luis Filipe Vieira, num verdadeiro golpe de génio, conseguirá lavar daí as suas mãos, incriminando exclusivamente o seu sobrinho e recuperando o controlo da empresa…

À primeira todos caem...

De acordo com a imprensa, João Rendeiro, o homem que enriquece absorvendo as mais-valias de terceiros, quis apresentar um plano alternativo ao do Governo para os clientes do BPP, desta vez à custa das mais-valias do Estado.
Alguém quer correr o risco de cair pela segunda vez na marosca de um indivíduo que secou por completo poupanças de uma vida inteira aos seus clientes?

1984-2009: 25 anos sem o mito

Há precisamente 25 anos faleceu um dos maiores revolucionários da música nacional: António Variações. A vénia do Bar Velho a um dos grandes génios portugueses que tivemos a infelicidade de perder tão precocemente.

sexta-feira, junho 12, 2009

A história de quem venceu nos mercados...


Na sequência da decisão do Governo quanto ao BBP (já comentada no Barvelho), João Rendeiro, no que se pode considerar uma verdadeira fuga para a frente, veio criticar aquela e dizer que o Governo alimentou "falsas esperanças" aos clientes do banco.

Ferreira Fernandes analisa esta situação de forma lapidar pelo que, na impossibilidade de escrever algo comparável, partilho com os leitores do Barvelho o texto em causa:

"O Rendeiro das falsas esperanças
por Ferreira Fernandes

João Rendeiro, ex-presidente do BPP, disse ontem ao jornal i que o Governo alimentou "falsas esperanças" aos clientes do banco. Fala o especialista. O campeão nacional da alimentação de falsas esperanças aos clientes é ele, João Rendeiro. Há vários dias que os telejornais nos mostram esses clientes, e o que eles mais parecem, de facto, é gente alimentada por falsas esperanças. Sobre a decisão do Governo, Rendeiro disse mais: "Surpreendeu-me porque estava à espera de outra solução." Ele criou o problema - e diga-se que o fez com mestria (pode vir a ser o primeiro banco europeu a falir). Naturalmente, já que o problema é seu, arroga-se ao direito de criticar soluções. Há uns meses, ele lançou a sua biografia: João Rendeiro - Testemunho de um Banqueiro. Do título resta João Rendeiro. Deixou de ser Banqueiro e em vez de Testemunho muitos prognosticam-lhe mais um futuro de réu. Eis uma citação do livro: "O verdadeiro investidor é aquele que consegue absorver as suas menos-valias." Modesto. O melhor investidor é aquele que consegue absorver as mais-valias dos outros."

Hipocrisia à volta de Cristiano Ronaldo

"Com tanta fome no mundo e ele ganha fortunas", "todo este dinheiro daria para alimentar os pobres", "o valor da transferência e do salário dele dariam para criar mais postos de trabalho", etc.
O Bar Velho pede à população que acabe com a hipocrisia em torno de Cristiano Ronaldo. Se qualquer um de nós tivesse a mesma oportunidade que ele tem, jamais proferiria estes chavões e propagaria falsos samaritanismos. Deixem de ser invejosos e se se revoltam tanto deixem de assistir a jogos de futebol.

Uma Guerra que o PCP e a Fenprof não querem que acabe...

"A Fenprof poderá abandonar as negociações com o Ministério da Educação, marcadas para esta sexta-feira, caso Maria de Lurdes Rodrigues não recue em relação ao Estatuto da Carreira Docente e ao modelo de avaliação de desempenho. A Fenprof admite ser inútil e até negativa a participação em reuniões que apenas serviriam para iludir os professores, fazendo parecer que há negociação sem, de facto, haver", pode ler-se no comunicado enviado pela Fenprof para os media.

O Governo tem sido acusado de autismo em todo este processo de alterações ao estatuto da carreira docente e ao regime de avaliação dos professores, não obstante ter cedido em muitas matérias e ter, por mais de uma vez, alterado normativos que havia inicialmente proposto.

Não quero com isto dizer que as propostas do Governo são totalmente isentas de erros ou até que não padecem de desvios, alguns decerto graves, que urge corrigir em sede negocial com os respectivos sindicatos.

No entanto, é imperioso relembrar que os motivos que levam o Governo a encetar esta reforma prendem-se com a melhoria do ensino público, a democratização do acesso ao mesmo, e com a defesa de uma progressão na carreira justa, transparente e baseada no mérito - só por má-fé política se poderá acreditar que o Governo compraria esta guerra(será que foi ele que a comprou?) por mero capricho.

Os motivos que encontramos do outro lado da barricada foram sendo denunciados a par e passo, tendo-se centrado, num primeiro momento, na total renitência em se proceder a uma avaliação ampla que não passasse maioritariamente pelo peso da idade e pela ideia de que todos merecem classificações meritórias.

Após ultrapassada esta barreira, os sindicatos - em especial, a FENPROF - encetaram uma guerra surda com objectivos muito pouco meritórios que apenas a espaços se confundem com as lutas dos professores, os quais, num ambiente propício e liderados de forma responsável, teriam espaço para propor, negociar, ceder e vingar.

De facto, Mário Nogueira tem posto os interesses dos professores no bolso e usado os poderes que lhe foram conferidos para fazer vingar a sua agenda política e a agenda do seu partido - veja-se a título exemplificativo a última manifestação em véspera de eleições europeias.

Um militar norte-americano afirmou um dia que "a liderança é uma poderosa combinação de estratégia e carácter. Mas se tiver de passar sem um, que seja estratégia."

Ora, Mário Nogueira parece querer passar sem carácter. A classe que se ponha a pau a quem passou uma procuração em branco.

Afinal, em vez de lutarem pela credibilização e melhoria da profissão, andam a servir de arma política para tentar destituir um governo. Será que foi isto a que se propuseram?