quarta-feira, junho 24, 2009

A história mal contada de Neda Agha Soltani

O novo rosto da revolta no Irão, Neda Agha Soltani, tem uma história de martirização involuntária que parece um pouco forçada pela actual conjuntura iraniana e parece ter alguns pormenores que só mesmo quem se opõe ao regime de Ahmadinejad é capaz de focar.
De acordo com a mensagem pregada pelo Ocidente, por quadrantes anti-Ahmadinejad e reforçada pelo seu namorado, Neda estava numa fila de trânsito e decidiu sair do carro para apanhar ar quando uma bala alegadamente disparada pela milícia Basij (pró-regime) lhe tirou a vida.
Algumas dúvidas me assistem no meio desta história. Para começar, se quem estava no carro eram Neda e o seu professor de música, como é que o seu namorado presta testemunho dos acontecimentos?
De acordo com as palavras do namorado, Neda Soltani era presença habitual em manifestações anti-regime e tinha intenções de continuar o seu activismo. No entanto, no dia em que morreu estava pacificamente dentro de um carro e decidiu sair do veículo para apanhar ar quando uma bala disparada pela milícia Basij a atingiu. Ora, no meio de uma manifestação, uma activista deste calibre está dentro de um carro e decide pacificamente apanhar ar?
Por último, tendo em consideração o modo de actuação tendencialmente discreto desta milícia como é que se pode ter a certeza que o tiro foi disparado por um dos seus elementos e não por manifestantes ainda que involuntariamente?
Permitam-me uma última questão: terá mesmo existido fraude no Irão, ou algumas irregularidades incapazes de alterar os resultados finais as quais estão a ser aproveitadas por países críticos do regime iraniano?

terça-feira, junho 23, 2009

segunda-feira, junho 22, 2009

Terceira auto-estrada Lisboa-Porto

Será mesmo necessária a construção de uma terceira auto-estrada que ligue Lisboa ao Porto quando o interior definha por ligações ao litoral?

domingo, junho 21, 2009

Cristiano Ronaldo é a nova moeda única à escala global (literalmente)

Já começa a ser recorrente: Cristiano Ronaldo é a nova unidade monetária em Portugal, que ombreia e ameaça a vigência do euro. Ainda hoje vi duas notícias que diziam "os 15 milhões de euros que o totalista de São João da Talha arrecadou representam mais do que os 13 milhões de euros que Cristiano Ronaldo irá ganhar no próxima época no Real Madrid" e "os portugueses (...) mantêm em casa notas que estão já fora de circulação no valor total de 110,46 milhões de euros. (...) esse valor ascendia a 196,3 milhões, mais de duas vezes o valor que o Real Madrid pagou pelo passe de Cristiano Ronaldo".
Sem que ninguém se apercebesse foi criada uma moeda única à escala global (literalmente), capaz de facilitar os câmbios a mais de 6 mil milhões de pessoas! No futuro, a população mundial terá mais facilidade em compreender a grandeza ou pequenez do valor de uma casa de 100.000 euros se este for traduzido em "um Ronaldo equivale a 940 apartamentos como o meu". Podemos não saber quanto custa um apartamento em Kinshasa, uma bicicleta no Nepal, ou uma toalha no Paraguai, mas se soubermos quantos exemplares de um bem equivalem a um Ronaldo, mais facilmente percebemos o seu baixo/elevado valor: quanto mais se aproximar esse valor do 1, mais caro ele é. Florentino Pérez a Nobel da Economia, já!

Duelo Ahmadinejad-Mousavi...

... poderá conhecer a solução preconizada para o Zimbabwe?

sábado, junho 20, 2009

Obras Públicas: vantagens da segunda opção menos má

Numa altura em que 28 economistas apelam ao Governo para que se reavaliem os grandes projectos, alerto para a necessidade de se escolher a segunda opção menos má, num género de custo de oportunidade invertido.
Assim, o Bar Velho lança a seguinte pergunta como tópico de reflexão a propósito do TGV: é preferível perder 1,3 milhões de euros em fundos comunitários, cuja devolução poderá ser negociada com a União Europeia, ou é melhor para o país derreter 7,7 milhões de euros numa obra que favorece mais os interesses espanhóis que os portugueses e cujo investimento provavelmente constitui fundo perdido?

José Eduardo Moniz no Benfica? Não, obrigado

A possível ida de José Eduardo Moniz para o Benfica fez-me lembrar aqueles xeques árabes que surgem como potenciais compradores dos clubes e acenam com largas somas de dinheiro para comprar reforços.
Não é que esta ideia me desagrade de todo. O que me faria verdadeiramente confusão seria ter Manuela Moura Guedes como primeira dama.

sexta-feira, junho 19, 2009

A estranha conspiração em torno de Ahmadinejad

Se houve, de facto, fraude eleitoral, ninguém se interroga porque é que as Nações Unidas não se pronunciam sobre as Presidenciais iranianas?
Ninguém acha estranho que a Comunidade Internacional se refira constantemente a Ahmadinejad como hardliner ou extremist e numa altura em que o apoio a Mousavi se intensificou como forma de tentar garantir um Chefe de Estado iraniano que privilegie os interesses do Ocidente, subitamente se fale em fraude eleitoral porque os iranianos escolheram democraticamente Ahmadinejad para ser Presidente?

Vindo de quem vem, é normal

"Quem mais jura mais mente!...

O mínimo que se pede a um Governo é que fale verdade. Falar verdade, para não se ser desmentido a cada passo, faz inspirar confiança e ajuda a ultrapassar as dificuldades.
Mais uma vez se verificou que o Governo não falou verdade, até mentiu despudoradamente, quanto às razões da diminuição do défice público.
O Governo criticou desesperadamente Manuela Ferreira Leite por, enquanto Ministra das Finanças, ter recorrido a receitas extraordinárias para diminuir o défice público. E jurou, e continua a jurar, que receitas extraordinárias, jamais!...Jurou, mas vem sistematicamente mentindo!... Aliás, fazendo jus ao provérbio que diz que "quem mais jura mais mente..."
Ainda agora, o Relatório Anual do Banco de Portugal explicita que as receitas extraordinárias, em 2008, atingiram os 1,8 mil milhões de euros, obtidas pelo alargamento dos prazos e pela concessão de novas barragens e auto-estradas. E contribuíram para que o défice passasse de 3,7% para 2,6% do PIB.
Não se critica o recurso às receitas extraordinárias, pelo que evitam o aumento da dívida pública ou dos impostos. Critica-se, sim, a propalada promessa e mentira de não recorrer às mesmas.
Como mentira é dizer-se que a contenção do défice se deveu à diminuição da despesa. Pelo contrário, o Governo de Sócrates vem sempre aumentando a despesa pública, em termos nominais, em termos reais e em peso no PIB.
Ao contrário do que o Governo diz, a grande contribuição para a diminuição do défice foi o aumento da carga fiscal e as receitas extraordinárias.
A mentira também foi penalizada nas últimas eleições."

José Sócrates

"Pode-se enganar todas as pessoas durante algum tempo; pode-se até enganar algumas pessoas durante o tempo todo; mas não é possível enganar todas as pessoas durante o tempo todo."
Abraham Lincoln

A campanha vista de fora

O jornal espanhol La Vanguardia fez um extenso artigo sobre as eleições europeias, onde consta o seguinte:

"Mención especial merecen los carteles de Ferreira Leite que jalonan las carreteras portuguesas. "Não desista. Todos somos precisos", reza. Pero la desolada foto en blanco y negro de la candidata, sin maquillar, podría hacer pensar a los turistas que visitan el Algarve que se trata del mensaje de una asociación de apoyo a la tercera edad o de prevención del suicidio."

Esta é a imagem que Manuela Ferreira Leite causa...somos todos precisos para a prevenção do suicídio.

Já quanto ao apoio à terceira idade - pelo menos, o apoio à terceira idade da Dr.ª Manuela - o Citibank e o Santander já asseguraram o futuro.

Política de verdade, meus amigos...

quinta-feira, junho 18, 2009

Afinal, o que é ser "alegrista"?

Tanto ouvi falar de "alegristas" e "alegrismo" que decidi fazer uma pesquisa aprofundada sobre esse fenómeno para tentar compreendê-lo. Por esse motivo, decidi visitar o website do Movimento de Intervenção e Cidadania (MIC), movimento cívico criado por Manuel Alegre após a derrota nas Presidenciais de 2006, com o intuito de contribuir para o desenvolvimento da cidadania e da democracia.
Consultando o programa de actividades do MIC ao longo dos últimos três anos, podemos constatar que em 2006 realizou-se um debate com Manuel Alegre sob a temática "Água: Mercadoria ou Direito?" (Setembro). Em 2007 foi realizado um debate moderado por um membro do Conselho Geral do MIC com a presença de Helena Roseta subordinado ao tema "A Reforma do Estado Social e o Futuro da Democracia" (Janeiro); foi exibido o filme de Al Gore "Uma Verdade Inconveniente" seguido de discussão (Março); participaram no "desfile" do 25 de Abril; e organizaram um debate intitulado "Território: novos usos do solo", uma vez mais com Helena Roseta (Maio).
O MIC adormeceu durante 19 meses consecutivos e só voltou ao trabalho em Dezembro de 2008 para lançar o líder do movimento numa entrevista na SIC Notícias. De Janeiro de 2009 até ao presente momento, o programa de um movimento cívico como o MIC, criado para contribuir para o desenvolvimento da democracia, intriga-me dado que as actividades organizadas pelos seus dirigentes resumiram-se a jantares e algumas reuniões dos órgãos sociais, eventos de leitura de poesia por Manuel Alegre, lançamentos de livros e palestras do Clube de Pensadores, esse grupo elitista que contribui para tudo menos para a intervenção do cidadão comum.
Torna-se incompreensível toda a euforia em torno de Manuel Alegre e dá que pensar que um indivíduo com tamanho vazio de ideias tenha acolhido 20% dos votos nas eleições de 2006, a esmagadora maioria dos quais obtidos através do critério da "pena": os portugueses tendem a solidarizar-se com aqueles que acham que foram injustiçados ou perseguidos e não hesitam em dar-lhes protagonismo e poder mesmo que estes não apresentem uma solução que seja.
A situação torna-se mais gritante quando vemos que ao longo de três anos o MIC viveu à base de jantares, reuniões dos órgãos sociais e de uma Helena Roseta ávida de protagonismo e que marcava presença nos poucos eventos organizados com um mínimo de seriedade, ainda que sem grande interesse.
Não se consegue explicar como é que um movimento que, de acordo com dados oficiais, conta com 1102 membros e tenha tido despesas que totalizaram perto de 25.000 euros em três anos para fazerem... rigorosamente nada e quase 9.000 euros tenham sido gastos para criar um site minimalista e básico. É o líder deste movimento o homem que concentra atenções como ninguém e por quem os partidos tremem sempre que ele decide movimentar-se para a esquerda ou para a direita? Povo triste e vazio este.
Numa altura em que se encontra em fase de lançamento o movimento "Nova Esquerda", composto por "alegristas" descontentes com a permanência de Manuel Alegre no PS, questiono-me sobre o que é isso de ser "alegrista": será alguém que defende os mesmos ideais que o poeta-político (os quais se desconhecem) ou um mero clube de fãs de Alegre que se quer aproveitar politicamente da visibilidade que este tem?

Benfica contratou Jesus... ou Deus em pessoa?

Finalmente acabou a novela "treinador do Benfica'2009/10". Ontem foi apresentado um treinador que me deixou com sérias dúvidas sobre se se tratava de Jorge Jesus, José Mourinho, ou um misto dos dois.
O discurso, a confiança, a determinação e a ambição no discurso era por demais evidente, chegando por vezes a roçar a arrogância que caracteriza o actual treinador português do Inter de Milão.
Por instantes parece que Jorge Jesus se esqueceu de 18 anos de carreira intermitente, marcada por descidas de divisão e fugas à despromoção em equipas que jogavam no campo dos adversários para o 0-0.
Repentinamente, o Jorge Jesus perdedor morreu e ressuscitou um Jorge Jesus que reinventou a carreira como treinador no Belenenses, deu-lhe continuidade no Sporting de Braga e agora parece querer voar mais alto no Benfica.
Não sei se este Jesus fará o milagre da multiplicação de cinco pães e dois peixes em vitórias e golos, ou se terá capacidade para caminhar sobre as tormentosas águas que começam a banhar e a agitar o Estádio da Luz findas as duas primeiras jornadas. No entanto, já se operou o milagre do Jorge Jesus com discurso vencedor, o que não é mau para começar. Veremos nos próximos tempos se este Jesus afinal se trata de Deus em pessoa.

quarta-feira, junho 17, 2009

CNE confirma que cidadãos votaram duas vezes nas europeias

A Comissão Nacional de Eleições confirmou, esta quarta-feira, que tem conhecimento informal de cidadãos que votaram duas vezes nas últimas eleições europeias. Apesar da situação irregular, a CNE garantiu aos meios de comunicação que o resultado eleitoral não está em causa.

A TSF avançou um caso de um cidadão de Leiria que votou duas vezes com o cartão do cidadão e outro com o bilhete de identidade mas a CNE diz não ter conhecimento oficial do caso.

O porta-voz da CNE , Nuno Godinho de Matos, admitiu ainda a existência de mais casos como este, sublinhando, contudo, que será sempre um "número residual" pelo que se mostrou convicto de que o resultado das eleições ao Parlamento Europeu não será posto em causa.
Não obstante estas considerações preliminares, esta situação não pode ficar sem um escrutínio rigoroso, do qual deverá ser dado conhecimento aos eleitores.

Por outro lado, este tipo de situações pode servir como catapulta para um reflexão conjunta sobre o modo como é exercido o direito de voto e quais as garantias associadas aos mecanismos que nos permitir usufruir de um direito e de um dever que não pode ser manipulável.

Cabe ao Estado corrigir, em primeira mão, os problemas detectados mas esta é uma oportunidade de ouro para nos dirigirmos ao âmago do que representa o voto e o feixe de direitos que aí se materializa.

A abstenção ora verificada turva a nossa democracia pelo que enjeitar esta oportunidade poderá comprometer o seu sadio futuro.

terça-feira, junho 16, 2009

Irão: Mousavi rejeita recontagem dos votos

O principal rival do PR Mahmoud Ahmadinejad nas últimas eleições, Mir-Hossein Mousavi, rejeitou a recontagem dos votos proposta pelo Conselho dos Guardiões, o que poderá contribuir para o agravamento da tensão em Teerão com possíveis manifestações de revolta por parte dos seguidores do candidato derrotado nas presidenciais.
Acredito que a máquina de Ahmadinejad funcionou em seu favor e, apesar do povo iraniano pretender uma abertura do regime à discussão de temas tendencialmente promovidos pelos reformistas, a população terá estado maioritariamente do lado do PR sobretudo se atendermos que antes das eleições Ahmadinejad jogou uma cartada que pode ter sido decisiva, na medida em que se revelou disponível para abordar temas como os direitos das mulheres ou a abertura ao Ocidente.
Fraudes eleitorais não são comuns no Irão, pelo menos a este nível, e a verificar-se poderá colocar em causa quer Ahmadinejad quer o ayatollah Ali Khamenei, que, enquanto líder supremo, deve manter uma postura isenta sobre assuntos políticos, o que não se tem verificado com as constantes manifestações de apoio a Ahmadinejad.

Sócrates e a maioria absoluta: é impensável exigir-se publicamente menos do que há quatro anos

De um lado, a comunicação social apregoa que o PM já não exige a maioria absoluta como que lutando agora por um objectivo menor que passe exclusivamente pela vitória nas eleições, do outro, José Sócrates defende que "a maioria parlamentar que dê condições para governar" é a maioria absoluta.
Vou pela teoria da comunicação social. O episódio do "queijo Limiano" provou que é possível governar com maioria simples, mas reconhecer que se luta por um objectivo mais humilde é como reconhecer que o Governo PS errou mais do que acertou não tendo por isso condições políticas ou morais para poder exigir a maioria absoluta.

Os EUA pretendem mesmo o diálogo com o Irão de Ahmadinejad?

Barack Obama veio mais uma vez dar provas que uma eventual abordagem dos EUA ao Irão está repleta de reservas. Hoje, por exemplo, o PR norte-americano decidiu novamente ingerir-se em assuntos de política interna iraniana.
Assim não vamos lá, Obama, e a razão continua a ser dada a Ahmadinejad: os EUA não têm que se pronunciar sobre questões internas de terceiros e nem tão-pouco têm o direito de questionar ou dar a sua opinião sobre factos que não presenciaram.

domingo, junho 14, 2009

Política de verdade?


Paulo Rangel, a nova coqueluche e ainda líder parlamentar do PSD, voltou a materializar na perfeição a "política de verdade" de que o seu partido tanto se orgulha e se arroga o exclusivo.

O Presidente da República vetou a nova Lei do Financiamento partidário afirmando que "são várias as objecções de fundo que suscitam as soluções normativas contidas no diploma em causa(...) Importa ainda ter presente que a alteração que agora se pretendia introduzir se afigura inoportuna, atenta a aproximação de vários actos eleitorais e a actual conjuntura económica e financeira do País".

Logo após o veto presidencial à nova Lei do Financiamento dos Partidos, Paulo Rangel quis apanhar a onda do veto e, como uma testemunha que só chegou ao local do crime após a fuga do seu autor, afirmou que "o PSD nunca pretendeu que estas alterações que motivaram o veto do senhor Presidente da República fossem avante. Aceitou apenas isso em última instância, para garantir um consenso unânime, que achou que era uma coisa positiva, mas nunca foi a favor, pelo contrário, até foi contra isso".

Esta onda não lhe saiu muito bem porque o PSD foi co-autor desta lei e aprovou-a por unanimidade na sua bancada parlamentar. O mar está a ficar flat, Paulo.

Sempre podíamos ter visto o deputado do Partido Socialista, António José Seguro, a fazer um tubo na perfeição mas tivemos que suportar este aprendiz de surfista...

É esta a política de verdade que o PSD pretende "vender" aos Portugueses, Paulo?

Com papas e bolos se enganam os tolos

Os 94 milhões de euros que envolvem a transferência de Cristiano Ronaldo para o Real Madrid foram alvo da mais profunda análise, fazendo-se comparações sobre várias áreas em que se podia investir tal soma, bem como o elevado salário mensal do jogador. As hipóteses eram várias: desde escolas e refeições às crianças etíopes, a bolsas de estudo e investigação científica.
Estranho no meio disto tudo é que os milhões de portugueses que se deram ao trabalho de fazer estes cálculos e que se insurgem contra os 94 milhões de euros + salários que saem dos cofres de um clube de futebol espanhol não percam dois segundos para tentar descobrir o que se poderia fazer com 20 mil milhões de euros saídos dos cofres do Estado directamente para o apoio a uma banca que se caracteriza pelas práticas usurárias sobre os clientes, com particular destaque para os 2 mil milhões de euros só para o BPN.
Porventura já alguém se questionou sobre quantas escolas, hospitais, estradas, postos de trabalho, serviços de saúde, bolsas de estudo e de investigação, refeições, entre outras, poderiam ser pagas com apenas metade deste valor? Alguém pede contas ao Governo sobre todo este desperdício de dinheiro dos contribuintes? Num país cujo eleitorado tem, regra geral, um QI superior à média de idades da população, um Governo que cometesse tal alarvidade teria apenas os votos dos candidatos do partido. Em Portugal ainda se vai atrás das cores, das caras, do cacique e das sandes de presunto acompanhadas pelo sumo de laranja do Jumbo.
P.S.: É certo e sabido que o Governo é um restaurante e os portugueses são clientes pouco exigentes, sem espírito crítico, que aceitam o prato que lhes é apresentado à frente. Queixam-se timidamente sobre a ausência de qualidade da comida, da forma como foi confeccionada e dos ingredientes utilizados, mas comem tudo até ao fim. Não fosse a acção de um género de ASAE ad hoc, a qual é representada por parte da oposição e pelo Presidente da República, talvez este restaurante permanecesse para sempre com a mesma gerência e os clientes, embora manifestamente descontentes com a sua actuação, continuassem a satisfazer-se com deliciosos pratos de lama, espinhos e pedras.

sábado, junho 13, 2009

A Nova Novela da TVI

Está encontrado o enredo da nova novela da TVI, que vai ter como protagonistas Jorge Jesus (no papel do casado mais disputado do burgo), Luís Filipe Vieira (tio de Rui Costa e presidente não executivo da empresa outrora líder de mercado do país) e Rui Costa (o sobrinho promissor com um MBA tirado nas Américas que vem liderar a empresa mas é constantemente sabotado pelo seu tio).

A novela vai contar ainda com o actor convidado António Salvador que tenta lutar contra o mais que evidente desmoronamento do seu casamento com Jesus. Apesar das ameaças, Jesus parece decidido a sair de casa mas...todas as acções têm consequências!
A TVI promete um novela que vai animar o verão futebolístico…onde tudo pode acontecer.

No entanto, o Bar Velho teve acesso à versão aprovada do guião e revela aos seus leitores, em primeira mão, o seu epopeico final:

Num final carregado de emoção e reviravoltas imprevistas, Jesus é crucificado ainda antes da aprovação do Relatório e Contas enquanto que Luis Filipe Vieira, num verdadeiro golpe de génio, conseguirá lavar daí as suas mãos, incriminando exclusivamente o seu sobrinho e recuperando o controlo da empresa…

À primeira todos caem...

De acordo com a imprensa, João Rendeiro, o homem que enriquece absorvendo as mais-valias de terceiros, quis apresentar um plano alternativo ao do Governo para os clientes do BPP, desta vez à custa das mais-valias do Estado.
Alguém quer correr o risco de cair pela segunda vez na marosca de um indivíduo que secou por completo poupanças de uma vida inteira aos seus clientes?

1984-2009: 25 anos sem o mito

Há precisamente 25 anos faleceu um dos maiores revolucionários da música nacional: António Variações. A vénia do Bar Velho a um dos grandes génios portugueses que tivemos a infelicidade de perder tão precocemente.

sexta-feira, junho 12, 2009

A história de quem venceu nos mercados...


Na sequência da decisão do Governo quanto ao BBP (já comentada no Barvelho), João Rendeiro, no que se pode considerar uma verdadeira fuga para a frente, veio criticar aquela e dizer que o Governo alimentou "falsas esperanças" aos clientes do banco.

Ferreira Fernandes analisa esta situação de forma lapidar pelo que, na impossibilidade de escrever algo comparável, partilho com os leitores do Barvelho o texto em causa:

"O Rendeiro das falsas esperanças
por Ferreira Fernandes

João Rendeiro, ex-presidente do BPP, disse ontem ao jornal i que o Governo alimentou "falsas esperanças" aos clientes do banco. Fala o especialista. O campeão nacional da alimentação de falsas esperanças aos clientes é ele, João Rendeiro. Há vários dias que os telejornais nos mostram esses clientes, e o que eles mais parecem, de facto, é gente alimentada por falsas esperanças. Sobre a decisão do Governo, Rendeiro disse mais: "Surpreendeu-me porque estava à espera de outra solução." Ele criou o problema - e diga-se que o fez com mestria (pode vir a ser o primeiro banco europeu a falir). Naturalmente, já que o problema é seu, arroga-se ao direito de criticar soluções. Há uns meses, ele lançou a sua biografia: João Rendeiro - Testemunho de um Banqueiro. Do título resta João Rendeiro. Deixou de ser Banqueiro e em vez de Testemunho muitos prognosticam-lhe mais um futuro de réu. Eis uma citação do livro: "O verdadeiro investidor é aquele que consegue absorver as suas menos-valias." Modesto. O melhor investidor é aquele que consegue absorver as mais-valias dos outros."

Hipocrisia à volta de Cristiano Ronaldo

"Com tanta fome no mundo e ele ganha fortunas", "todo este dinheiro daria para alimentar os pobres", "o valor da transferência e do salário dele dariam para criar mais postos de trabalho", etc.
O Bar Velho pede à população que acabe com a hipocrisia em torno de Cristiano Ronaldo. Se qualquer um de nós tivesse a mesma oportunidade que ele tem, jamais proferiria estes chavões e propagaria falsos samaritanismos. Deixem de ser invejosos e se se revoltam tanto deixem de assistir a jogos de futebol.

Uma Guerra que o PCP e a Fenprof não querem que acabe...

"A Fenprof poderá abandonar as negociações com o Ministério da Educação, marcadas para esta sexta-feira, caso Maria de Lurdes Rodrigues não recue em relação ao Estatuto da Carreira Docente e ao modelo de avaliação de desempenho. A Fenprof admite ser inútil e até negativa a participação em reuniões que apenas serviriam para iludir os professores, fazendo parecer que há negociação sem, de facto, haver", pode ler-se no comunicado enviado pela Fenprof para os media.

O Governo tem sido acusado de autismo em todo este processo de alterações ao estatuto da carreira docente e ao regime de avaliação dos professores, não obstante ter cedido em muitas matérias e ter, por mais de uma vez, alterado normativos que havia inicialmente proposto.

Não quero com isto dizer que as propostas do Governo são totalmente isentas de erros ou até que não padecem de desvios, alguns decerto graves, que urge corrigir em sede negocial com os respectivos sindicatos.

No entanto, é imperioso relembrar que os motivos que levam o Governo a encetar esta reforma prendem-se com a melhoria do ensino público, a democratização do acesso ao mesmo, e com a defesa de uma progressão na carreira justa, transparente e baseada no mérito - só por má-fé política se poderá acreditar que o Governo compraria esta guerra(será que foi ele que a comprou?) por mero capricho.

Os motivos que encontramos do outro lado da barricada foram sendo denunciados a par e passo, tendo-se centrado, num primeiro momento, na total renitência em se proceder a uma avaliação ampla que não passasse maioritariamente pelo peso da idade e pela ideia de que todos merecem classificações meritórias.

Após ultrapassada esta barreira, os sindicatos - em especial, a FENPROF - encetaram uma guerra surda com objectivos muito pouco meritórios que apenas a espaços se confundem com as lutas dos professores, os quais, num ambiente propício e liderados de forma responsável, teriam espaço para propor, negociar, ceder e vingar.

De facto, Mário Nogueira tem posto os interesses dos professores no bolso e usado os poderes que lhe foram conferidos para fazer vingar a sua agenda política e a agenda do seu partido - veja-se a título exemplificativo a última manifestação em véspera de eleições europeias.

Um militar norte-americano afirmou um dia que "a liderança é uma poderosa combinação de estratégia e carácter. Mas se tiver de passar sem um, que seja estratégia."

Ora, Mário Nogueira parece querer passar sem carácter. A classe que se ponha a pau a quem passou uma procuração em branco.

Afinal, em vez de lutarem pela credibilização e melhoria da profissão, andam a servir de arma política para tentar destituir um governo. Será que foi isto a que se propuseram?

CR9(4)

Cristiano Ronaldo vai jogar no Real Madrid com o número 9, tendo já registado há alguns meses a marca CR9, o que afasta o elemento surpresa desta transferência no valor de 94 milhões de euros.
No entanto, o que ainda me consegue causar surpresa é o facto de constatar que Florentino Pérez não aprendeu com os erros do seu primeiro mandato e a história volta a repetir-se: o Real Madrid só compra jogadores do meio-campo para a frente (Kaká, Villa, Ronaldo e, quiçá, Ribéry) e volta a negligenciar o reforço da defesa, o ponto mais frágil da equipa. Acredita o Presidente que sempre que a equipa sofrer quatro golos vai conseguir marcar cinco?

quinta-feira, junho 11, 2009

A desdita tem mais encanto...

Quando forçada pelo discurso - neste caso, o de 10 de Junho - do Presidente da República.

Depois das eufóricas declarações de Paulo Rangel, em jeito de ultimato, transmitindo na noite eleitoral uma nova interpretação político-constitucional do PSD quanto à legitimidade dos governos em funções e as suas vicissitudes, Manuela Ferreira Leite viu-se obrigada a vir dar o dito por não dito e corrigir o seu líder parlamentar.

De facto, Paulo Rangel, falando não em nome próprio mas enquanto líder parlamentar do PSD, interpelou o PS para que não tome grandes decisões, atento o resultado verificado nas eleições.

Ontem, a presidente do PSD reiterou que o governo terá "a sua capacidade limitada, nalgum tipo de decisões, que não têm a ver com o resultado das eleições, mas com o facto de estar no fim a legislatura".


Manuela Ferreira Leite percebeu que o jogo que Rangel começou era perigoso e ia contra o que o Presidente da República afirmou no 10 de Junho e poderia fazer perigar a aliança estratégica com que a líder sonha...

Com efeito, Cavaco Silva abordou alguns dos princípios problemas de Portugal e responsabilizou os agentes políticos - todos - pela elevada abstenção verificada nas eleições europeias. Mais disse Cavaco que, em termos de futuro, importa "ter uma visão estratégica de médio e longo prazo, alheia a calendários imediatos".

Ora, esta declaração de Cavaco feriu de morte a tentativa do PSD de por o país em coma até Outubro (talvez para depois criticar?), declaração essa do PSD que, se não fosse tão irresponsável, até daria para rir...

Serei eu sisudo? Não sei, mas os meus lábios continuam inamovíveis.

Maria da Graça Carvalho: a amiga dos estudantes portugueses, agora quer ser amiga dos estudantes europeus

Durante a campanha para as Europeias-2009, a "política da verdade" do PSD defendia como compromisso europeu: "Apoiaremos o objectivo de aumentar o financiamento do Ensino Superior".
O aumento de quase 200% do valor das propinas das Universidades públicas foi uma das medidas do XV Governo Constitucional, liderado por Durão Barroso, antes de desaparecer para o Parlamento Europeu, deixando o PSD e o país ao abandono.
Para o (e)leitor mais incauto, a presença de Maria da Graça Carvalho no terceiro lugar da lista liderada por Paulo Rangel poderá ter passado despercebida, até porque durante as acções de campanha a "professora universitária" aparecia muito discretamente perdida entre cabeça-de-lista e militantes.
Porém, aqueles que estão mais atentos à composição das listas certamente terão dado conta que Maria da Graça Carvalho era candidata ao Parlamento Europeu e aqueles que se recordem minimamente do Governo de Durão Barroso, lembrar-se-ão, certamente, que Maria da Graça Carvalho era Ministra da Ciência e do Ensino Superior do XV Governo Constitucional, tendo substituído Pedro Lynce.
Pergunto-me o que quererá a eurodeputada eleita propor no Parlamenteo Europeu: a subida das propinas e o ensino "tendencialmente gratuito" que defendeu e implementou enquanto Ministra da Ciência e do Ensino Superior?
Curioso é que muitos dos que na altura participaram em acções de protesto contra a Ministra agora tenham votado na lista de Paulo Rangel sem sequer oporem reservas ou confrontarem o cabeça de lista com esta situação, contribuindo para a eleição da polémica Ministra para o Parlamento Europeu e para uma eventual defesa das mesmas medidas que implementou em Portugal. O português tem a memória muito curta: aquele que ontem era besta, em segundos passa a bestial.

Caso BPP: Estado não pode fazer muito mais nesta situação

João Rendeiro, ex-Presidente do Banco Privado Português, lamenta que o Governo tenha "alimentado falsas esperanças aos clientes do banco". Não deixa de ser surpreendente que um dos principais responsáveis por toda esta situação em que se encontram os clientes do banco, que continua a lesá-los gravemente, se sinta com o dever moral de dirigir acusações e censurar condutas alheias.
Nesta situação, não posso deixar de concordar com a conduta do Governo: o Estado não pode, nem deve, fazer muito mais do que já tem feito nesta situação. Já no BPN e na constituição do fundo de apoio à banca no valor de 20 mil milhões de euros, o Governo não devia ter feito nada. Quem investe dinheiro, tem que analisar muito bem o local para onde dirige o seu dinheiro, pois consultar apenas a taxa de juro é manifestamente insuficiente. O Estado português não pode canalizar o dinheiro dos contribuintes para garantir as poupanças de um grupo restrito, sob pena disso se tornar um bom negócio para quem tem dinheiro nessas instituições.
O que o Estado português pode e deve fazer passa por uma lei semelhante àquela que Barack Obama aprovou recentemente e que obrigou os executivos da AIG a restituir os valores pagos pela seguradora. Urge ainda a necessidade de, entre outros, reformar a legislação que permite que empresas sediadas em offshores adquiram bens imóveis a título gratuito ou oneroso, ou, indo mais além, que sejam excepcionais os casos em que são as empresas as proprietárias de bens, pois toda a gente sabe que isso é considerado fraude à lei. Deverá, igualmente, alterar-se o regime de modo a que passe a vigorar a "presunção de propriedade" relativamente a bens registados em nomes de empresas mas destinados ao uso pessoal de um indivíduo e respectiva família.

quarta-feira, junho 10, 2009

O pior Presidente do Sport Lisboa e Benfica de que há memória: Manuel Vilarinho

Numa altura em que Luís Filipe Vieira decide dar uma de "chico-esperto" antecipando as eleições como forma de limitar eventuais candidaturas adversários às eleições no Sport Lisboa e Benfica, permitam-me afirmar desde já que o actual Presidente é um dos piores da história do clube. Em seis anos é impressionante a escassez de feitos em benefício do clube e ganhar campeonatos não é tudo, ainda para o mais quando estes são conquistados quase como que por obra do acaso. Exceptuando o equilíbrio das contas durante algum tempo, Luís Filipe Vieira é um verdadeiro vazio de ideias e de inteligência, exibindo cada vez o autismo que o caracteriza.
No entanto, nem tudo é mau. Gostaria de recordar o seu antecessor, Manuel Vilarinho, como sendo aquele que conseguiu fazer mais asneiras que Manuel Damásio (o milagreiro que em dois meses conseguiu desfazer um plantel vencedor, demitir um treinador campeão e contratar um treinador com integridade física e mental duvidosas) e Luís Filipe Vieira. Durante pouco mais de um ano, Vilarinho acumulou disparates inexplicáveis (embora tenha cumprido um mandato de três anos), senão vejamos:
- demitiu um tal de José Mourinho depois de vencer o Sporting por 3-0, duvidando da qualidade do treinador português, e achando que este não justificava um contrato por mais de seis meses. De seguida, Mourinho foi campeão europeu, venceu a Taça UEFA, foi bicampeão português, bicampeão inglês, campeão italiano e é hoje considerado o melhor treinador do mundo;
- contratou por 1,2 milhões de euros um verdadeiro coveiro de balneários e brinca-na-areia, Roger Galera Flores, que gostava de estragar o ambiente no grupo de trabalho e queria ser a vedeta. Hoje anda perdido e não consegue ter um clube certo;
- não satisfeito, decidiu que van Hooijdonk, um verdadeiro matador que marcava golos de todas as formas e feitios e havia sido o melhor marcador com 24 golos, não se enquadrava naquele plantel, porque Roger era mais importante, e dispensou-o. Após a sua saída do Benfica, van Hooijdonk foi campeão holandês, venceu a Taça UEFA e continuou a notabilizar-se como melhor marcador dos campeonatos que disputou;
- depois de um pré-acordo com Mário Jardel, decidiu que não valia a pena contratar o jogador porque já tinha no plantel um tal de "Jardel de Coimbra" que quase desapareceu do futebol meses depois. Resultado? Acabou por ter de pagar 3 milhões de euros a Jardel, que acabaram convertidos com a contratação do seu irmão, George, o qual ao fim de algumas semanas literalmente desapareceu com um contrato milionário graças ao irmão. No ano seguinte Mário Jardel transferiu-se para o Sporting, marcou 42 golos e foi campeão nacional pelo clube de Alvalade;
- outro grande feito de Manuel Vilarinho foi ter sido o Presidente que ajudou o clube a terminar a época na pior classificação do seu historial, um inacreditável 6.º lugar e a ausência das competições europeias pela primeira vez em quase 100 anos de existência;
- celebrou um acordo estranhíssimo com o Alverca, na altura liderado por Luís Filipe Vieira, para a contratação de Mantorras por 5 milhões de euros. O Benfica pagou a verba, mas, segundo consta, o Alverca nunca chegou a ver um cêntimo.

Manuel Vilarinho foi isto, mas a culpa não morre solteira. Recordo que parte destes erros foram cometidos em co-autoria com os sócios, senão vejamos:
- ainda me lembro das manifestações de apoio ao "estraga-balneários" Roger e as declarações de outros tantos a pedirem a van Hooijdonk que se compatibilizasse com o seu colega de equipa;
- ainda me lembro de um célebre Benfica-Boavista que na altura poderia dar o primeiro lugar ao Benfica e pelo Estádio estavam espalhadas faixas com um dizer que nunca mais me esqueci "Jardel Fuck You! João Tomás é melhor que tu!", entre outros dizeres a rejeitarem Jardel;
- ainda me lembro de quando os sócios benfiquistas gritavam e cantavam em coro "Oh Toni! Mete o Mawete!", essa grande estrela angolana que hoje joga no Chipre, da mesma forma que esta época gritavam "Oh Quique! Mete o Mantorras!";
- ainda me lembro de quando os adeptos pediam a cabeça do treinador sempre que este "estranhamente" (para alguns benfiquistas) não colocava em campo outra grande estrela africana, o guineense Ednilson que hoje também joga no Chipre;
- ainda me lembro de, mesmo após todos estes disparates, os adeptos e os sócios benfiquistas implorarem para que Vilarinho se recandidatasse.

A Noite do Engano

Finalizada a noite eleitoral europeia, dormido o sono de beleza e assentada parte da poeira , é tempo de análise dos respectivos resultados.

I - Análise fria:

A abstenção é o maior partido português.

O PSD venceu as eleições contra os prognósticos de quem é pago para adivinhar as tendências de votos (não somente empresas de sondagens, como também politólogos, opinion-makers e comentadores).

O PS teve menos votos que o mínimo exigível (quer em absoluto, quer quando comparado com o opositor por excelência – o PSD) e, por isso, perdeu as eleições, acabando com a aura de invencibilidade que detinha.

O BE teve um incremento extraordinário de votos, sendo quase certo que irá eleger 3 deputados num quadro de redução do total de deputados elegíveis.

A CDU perdeu (temporariamente?) o estatuto de terceira força política portuguesa, tendo sido forçada a fazer a primeira declaração da noite, congratulando-se por chegar aos dois dígitos e afastando o fantasma do Bloco (quem?).

O CDS-PP deixou o táxi e teve uma votação equivalente ao tempo de antena de que o cabeça de lista dispôs, remando contra todas as expectativas.

O MEP teve uma estreia fulgurante, condizente com a campanha que realizou. Um partido a seguir atentamente pela postura e rectidão com que entrou no jogo.

II – Análise subjectiva

Para além dos resultados, é importante vislumbrar tendências e agrupamento de opiniões face a um determinado momento temporal e às respectivas circunstâncias.

Num manifestação impulsiva e de júbilo inocente (ou será calculista?), o PSD não se limitou a reconhecer a sua reentrada no posto de maior partido da oposição, como a votação indicia – uma votação que é óptima em termos relativos – porque supera a do PS – e meramente regular em termos absolutos.

O PSD, quiçá inebriado pela improbabilidade da noite eleitoral, subiu para o palanque e ergueu uma falsa espada que entendia conferir-lhe o direito de governar, desde já, o país, forçando o governo a entrar imediatamente em gestão.

Primeiro erro estratégico do PSD: Ao invés de mobilizar e galvanizar os seus eleitores, proferiu, pela voz do seu cabeça de lista, declarações desgarradas que indiciaram e destilaram tudo o que, aparentemente e de acordo com PSD, os eleitores não suportam no governo: falta de humildade.

O PSD atribuiu-se a si próprio um estatuto que os Portugueses podem muito bem não ter querido conferir-lhe com esta eleição e isso pode ser perigoso e danoso para a gestão de imagem do partido que irá ser feita daqui em diante.

E com este proclamado estatuto pretende por o País em pause – estado favorito de muitos políticos.

Por outro lado, entendo que os resultados demonstram uma clara penalização ao governo – nalguns casos, motivada por deficiências de comunicação das razões que levam a tomar determinadas medidas; noutros casos, por motivos que escapam ao controlo do Governo mas que a população acaba por manifestar descontentamento relativamente a essas vicissitude e, bem assim, em alguns casos em que o Governo não tomou as melhores opções e foi sancionado por isso.

No entanto, existem algumas tendências interessantes nos resultados apurados, a saber:

O PSD obteve uma percentagem normal para o maior partido da oposição (quase 32%), i.e., não obteve uma percentagem que permita considerar que o eleitorado quis mostrar um sinal de viragem do PSD para o PS – veja-se que quando tal vento de mudança aconteceu nas últimas eleições, o PS teve cerca de 45% dos votos…

Podemos argumentar ao invés que o eleitorado quis sim uma viragem à esquerda e alocou cerca de 15% dos votos que poderiam caber ao PS no Bloco de Esquerda e na CDU (ambos os partidos atingiram votações que me parecem, e arrisco a dizer, irrepetíveis.

É igualmente muito interessante ver que no Distrito de Lisboa, o qual é por excelência o distrito mais activo politicamente, p. ex. por se encontrar mais perto dos centros de decisão, o PS superou o PSD, o que pode ser um bom indicador em caso de uma menor abstenção.

A ser válida esta leitura, vemos que o panorama para as legislativas não se encontra definido nos moldes em que muita da comunicação social gostaria – a festa do PSD só poderá ser celebrada em circunstâncias muito excepcionais: apagar o passado da Manuela Ferreira Leite, apagar o bom que o Governo de Sócrates realizou, reduzir as intervenções públicas da Manuela Ferreira Leite e limitar os debates com Sócrates.

Só assim poderia o PSD esconder o facto de que não se encontra preparado para ser uma oposição forte, hábil e eficaz ao Governo. É hoje patente que o PSD encontra-se fragmentado, dividido e omisso no que toca a um projecto para Portugal e, bem assim, patente que não tem os quadros necessários para constituir um Governo sólido para os tempos árduos que vivemos e outros que se avizinham…

Os próximos meses serão vitais e muito difíceis para os dois maiores partidos portugueses.

Se esta pode ser uma noite de engano e lirismo, desenganem-se ambos - e rapidamente - quando pensam já ter ganho a próxima guerra.

terça-feira, junho 09, 2009

Regime de presenças e faltas dos Deputados

É sabido que o regime de presenças e faltas dos Deputados deixa muito a desejar, sobretudo porque as faltas podem ser justificadas com base na palavra dos mesmos, a qual faz fé. No entanto, a presunção é ilidível, pelo que, existindo indícios que apontem para outra justificação que não a dada pelo Deputado, a palavra deverá deixar de fazer fé.
Sobre o referido no parágrafo anterior cabe dar o exemplo de uma figura já conhecida em termos de faltas e ausências no cumprimento dos seus deveres públicos: Marta Rebelo, a jovem Deputada de 31 anos, que, sempre que há campanha eleitoral, faz questão de se inclinar por cima de vários militantes e membros de lista para aparecer nas televisões ao lado de Sócrates. A sua passagem pela Faculdade de Direito de Lisboa já muito foi comentada neste espaço, mas sobre o seu papel enquanto Deputada nada foi dito. Analisemos o percurso de Marta Rebelo enquanto Deputada à Assembleia da República, de acordo com dados obtidos através do site do Parlamento:
- Marta Rebelo é uma pessoa bastante susceptível à doença. Desde o início do ano faltou a 15 (quinze) sessões ordinárias por motivos de doença. Considerando que estas ocorrem duas a três vezes por semana, ficamos a saber que Marta Rebelo faltou a 1/4 das sessões ordinárias no Parlamento;
- Analisando com mais cuidado a folha de presenças, é possível verificar que a jovem Deputada já esteve doente pelo menos três vezes em 2009;
- Ficamos ainda a saber que a doença foi dura ao atacar Marta Rebelo entre 22 de Abril de 2009 e 8 de Maio de 2009 (quase três semanas). Não a invejo. Mas que doença é esta que deu tréguas à jovem Deputada ao ponto de a deixar participar na sessão solene do 25 de Abril, para depois atacá-la novamente até 8 de Maio? Será que a presença do Presidente da República e da comunicação social em peso, bem como todo o mediatismo dado à cerimónia, terão tido efeito analgésico? Será que a Deputada estava mesmo doente? Será que fez um sacrifício enorme em nome do 25 de Abril e do discurso inspirador do Chefe de Estado? Ou como no ano passado se tinha baldado decidiu aparecer por lá este ano só para não dizer que durante o tempo em que foi Deputada nunca assistiu a uma sessão solene do Dia da Liberdade?
Analisemos o percurso da Deputada em 2008:
- durante o ano civil de 2008, Marta Rebelo ficou 12 (doze) vezes doente! Chiça! É muita doença para uma pessoa só! Estes doze infortúnios resultaram em 24 faltas;
- é curioso ver que uma das faltas não se deve a "trabalho político" ou "doença", mas "motivo considerado relevante". Questiono-me sobre o que será o chamado "motivo considerado relevante". Terá desta vez ficado "prestes a chocar uma gripe"?
- é ainda curioso observar que entre 11 de Abril de 2008 e 2 de Maio de 2009, a jovem Marta ficou doente todas as semanas, mas aparecia sempre em pelo menos uma sessão ordinária. Estes meses de Abril e Maio são complicados para Marta Rebelo. Será do pólen ou ainda eventuais consequências da Páscoa?
- confesso que outra das minhas preferidas é a doença que atacou a Deputada Marta Rebelo de 2007 para 2008. Então vejam lá que a coitada ficou doente a 20 de Dezembro, faltando às últimas duas sessões ordinárias do ano, e tal foi a doença que na primeira sessão de 2008, a 4 de Janeiro, Marta Rebelo ainda se encontrava a recuperar. Estou solidário com a Deputada. Não deve ser fácil estar doente durante o Natal e o Ano Novo, épocas em que a malta gosta de festejar e até de viajar.
Como em Portugal ninguém se importa, ninguém quer saber, os Deputados fazem o que querem e ficam doentes demasiadas vezes. A menos que a Deputada seja portadora de alguma doença crónica que seja desconhecida do público, parece-me que existem motivos suficientes para obrigar Marta Rebelo a justificar todas estas faltas por doença. A estar verdadeiramente doente, ou a ter alguma doença crónica, não se compreende porque motivo se mantém em funções, devendo ser substituída por alguém capaz com interesse em desempenhar as funções de forma quase exclusiva. Se a lei nada faz, a moral, o bom senso e a dignidade deviam obrigar o Deputado a honrar as funções que exerce.

segunda-feira, junho 08, 2009

Há vida além do Bloco...

Não se alarmem com o Bloco de Esquerda. É um partido recente e por enquanto vemos abraços e beijinhos. A influência de Joana Amaral Dias, a primeira "encostada", era reduzida, mas foi só o primeiro caso típico da vida de um partido para o qual, por enquanto, tudo floresce.
Quando alguns dos influentes reivindicarem mais visibilidade e poder e começar a verdadeira contestação à liderança, então aí teremos o verdadeiro Bloco de Esquerda e tudo voltará ao normal.

Paulo Rangel: de vilão a estrela...

Subitamente a euforia concentrou-se em Paulo Rangel. É uma estrela em ascensão, é o salvador do partido, é... não tarda nada, o D. Sebastião que falta ao país!
Aconselho o PSD a não entrar euforias até porque convém não esquecer que a vedeta recém-concebida não tarda vai representar Portugal na Europa e deixará de ser o presidente do grupo parlamentar do PSD, fragilizando o partido e deixando Manuela Ferreira Leite num dilema: Paulo Rangel deverá honrar o seu compromisso com o eleitorado e cingir-se ao Parlamento Europeu, deixando o PSD à procura de um novo talento, ou deverá contribuir para o primeiro tiro no pé do partido e ficar em território nacional para ajudar a líder na oposição ao Governo?

Promessas, promessas...

"Aurélie Filippetti, candidata do Partido Socialista francês às europeias, afirmou que o resultado do partido é um "tsunami político", "uma réplica do 21 de Abril de 2002", e acrescentou que o PS pode "desaparecer" se o partido não reagir."

Fonte: I

Tal foi a ruptura entre os franceses e o PSF, se continuarem a equacionar o cenário de colapso o eleitorado pode muito bem fazer o favor de arrumar o partido de uma vez por todas.

Eleições europeias: Le roi est mort... vive le roi

As televisões não aprenderam nada com as sondagens, cada vez mais falsas e controladoras. Não obstante todas terem saído ao lado, assim que o PSD foi anunciado como vencedor das eleições, ignoraram o feito da oposição e concentraram-se em sondagens para as Legislativas que davam o PSD atrás do PS.
Pouco importa o resultado das Europeias e a representatividade de Portugal na União Europeia. Importa a "política virtual" e a influência que esta tem na política real e nacional.

A SIC e as Europeias

Isto de querer dar um ar sério a Ricardo Araújo Pereira, tentando aproveitar a sua inteligência para fazer dele um comentador político respeitável, é o mesmo que ir ao circo e ver o palhaço a dar uma de respeitado tentando domar os leões.

domingo, junho 07, 2009

PSD vitorioso nas eleições?

Por estas é que ninguém esperava. Se a subida do Bloco de Esquerda era previsível, os resultados de PSD e CDS surpreenderam qualquer um, até muitos dos que votaram em Paulo Rangel e Nuno Melo.
Lá vai Manuela Ferreira Leite ver o número de militantes do seu partido aumentar significativamente, todos na ânsia de conseguirem um lugar privilegiado nas Legislativas.

Três temas quentes que ficaram por discutir durante a campanha eleitoral

1- Constituição Europeia ou Tratado de Lisboa?
2- Presidente da Comissão Europeia: quem e que competências?
3- Adesão da Turquia à UE: Ásia ou Europa? Secularista ou Conservadora?

Hoje vamos a votos...

Em dia de votos, cabe distinguir a diferença entre três institutos importantes do nosso sistema eleitoral:
- voto em branco, como sendo aquele em que o eleitor deposita na urna o boletim tal como lhe foi entregue e que tem como significado a falta de opções minimamente válidas do ponto de vista do eleitor;
- voto nulo, como aquele em que o eleitor não só opta por não fazer uma escolha como faz questão de deixar uma mensagem ou recado o qual se depreende tacita ou expressamente. do boletim de voto. Por norma, tende a ser um desperdício porque quem tem acesso às mensagens não são os candidatos, mas quem faz a contagem dos votos;
- não voto/abstenção, que é uma forma de transmitir a sua indignação e/ou desilusão com o actual sistema político, expressando o eleitor a sua vontade em não participar activamente no mesmo (através do voto) até que ocorra uma mudança do statu quo.

Não querendo motivar os leitores do Bar Velho a qualquer um destes institutos, gostaria de apelar à sensatez de cada um para que não se deixem ir atrás das cores de um partido, ou de um candidato com quem simpatizam pessoalmente. Avaliem programas e conteúdos, analisem tudo à vossa volta e comparem-nos com os vossos ideais. A partir daqui fica à consciência do cidadão.

Incoerências de Marinho e Pinto

Marinho e Pinto continua a baralhar-me. Por um lado vem à praça pública denunciar actividades ilícitas em que sociedades de advogados estão envolvidas e exige que se investigue e se descubra a verdade material.
Por outro lado, sempre que um advogado é investigado ou é constituído arguido, como no caso do BPP, o Bastonário insurge-se contra a situação e invoca questões formais previstas em leis que têm como objectivo obstruir a descoberta da verdade material protegendo os advogados de eventuais investigações a que possam estar sujeitos.
Em que ficamos, Marinho?

sábado, junho 06, 2009

Portugal na União Europeia: Nós, parolos...

Realizam-se amanhã o escrutínio para o Parlamento Europeu. Considero-me europeísta, porém com a limitação de mantermos a nossa soberania e favorecermos os interesses nacionais. As campanhas para as europeias têm-me assustado por constatar que alguns candidatos tendem a confundir os interesses comunitários com os interesses nacionais e por estarem em constante crescimento as correntes nacionalistas e extremistas em vários países.
Este segundo motivo de preocupação tem uma explicação: a globalização apresenta graves lacunas e o "sonho europeu" não está a revelar tantos benefícios quanto isso. Só alguém à margem da realidade ainda consegue acreditar na União Europeia enquanto comunidade de Estados todos a prosseguir o mesmo objectivo. Só alguém cego não vê que a tendência é para que os países mais fortes continuem a exercer forte influência sobre os mais pequenos, de entre os quais Portugal. Nós, parolos, acreditamos que a União Europeia deve ser uma organização justa que beneficia todos os seus membros. Acreditamos em bons valores, mas somos dos poucos sonhadores que teimam em não acordar para a realidade.
Basta uma simples conversa com um espanhol, um francês, um inglês ou um alemão, para se perceber rapidamente que todos tentam puxar a corda para o seu lado e esforçam-se por recorrer aos institutos comunitários para explorar o próximo e projectarem os seus interesses em detrimento dos restantes.
A entrada de Portugal na CEE ocorreu numa época em que, com a nossa integração, a Comunidade ainda era um clube restrito onde não entrava qualquer um. Com a nossa adesão ganharam os doze: Portugal em fundos comunitários e, entre variadíssimas coisas, em investimento externo; os restantes onze com o alargamento das fronteiras e com o acesso a mais um mercado que se abrira.
Estes tempos já lá foram e hoje representamos uma ínfima parcela de um clube de 27. Recordo-me que quando frequentava o ensino primário foram-me ensinados os cálculos com números decimais através dos exemplos dos bolos: se dividirmos um bolo em 12 fatias, estas serão maiores do que se dividirmos um bolo ligeiramente maior em 27. Hoje, Portugal beneficia de fundos comunitários mas o preço a pagar pelos mesmos é bastante maior do que aquele que pagava há 23 anos.
Sem darmos por isso, abdicamos da nossa soberania e dos nossos valores, da nossa cultura e da nossa tradição em troca de ajudas as quais ainda por cima desperdiçamos em projectos que têm como único objectivo adaptar-nos aos interesses dos outros. O TGV é disso exemplo: parecemos aqueles jovens que querem integrar-se à força no "grupo fixe" da escola que veste roupa de marca e tem leitores de mp3 e computadores portáteis. Vamos submeter-nos a uma infra-estrutura sem interesse para o país apenas para facilitarmos a vida a Espanha, para que estes continuem a chamar-nos "bons vizinhos" e continuem a fazer lucro com os seus investimentos em Portugal onde concorrem directamente com as nossas empresas em diversos sectores.
Outro exemplo diz respeito ao Tribunal de Justiça Europeu que se sobrepõe às jurisdições nacionais em todas as matérias. Algures na UE, existe um órgão que nos diz que as nossas leis, criadas de acordo com os nossos interesses, valores, tradições e costumes (tão diversos de muitos outros Estados-Membros) não corresponde aos princípios da União. Abdicamos da nossa jurisdição, da nossa legislação e da nossa cultura, tudo valores invioláveis de acordo com os Tratados de Roma e de Nice. A tudo isto acresce ainda a nossa obrigação de implementarmos em Portugal instrumentos elaborados de acordo com os interesses e valores britânicos, franceses e germânicos. Lembrem-se que somos países latinos e temos características diferentes dos restantes. A causa da crise internacional ter afectado Portugal está relacionada, em grande medida, com a nossa integração europeia e com o facto de termos que nos subordinar ao que os "grandes" dizem. O problema de tudo isto é que quando os ventos correm de feição para os Estados que realmente controlam a organização, os pequenos têm direito a algumas migalhas, mas quando o cenário se inverte, um pequeno espirro no Reino Unido poderá levar a uma valente gripe em Portugal, Grécia e companhia.
Portugal ganhou com a sua integração europeia e a Europa também, mas a balança é cada vez mais desequilibrada. Com tudo isto, ainda ninguém me conseguiu explicar como é que uma Europa cada vez mais nacionalista e extremista consegue defender os interesses portugueses e, para os europeístas utópicos, os da Comunidade no seu todo.

sexta-feira, junho 05, 2009

Crítica ao programa eleitoral de Nuno Melo

Confesso que gostaria de fazer a crítica ao manifesto de Nuno Melo, mas não consegui descobri-lo em parte alguma.

quinta-feira, junho 04, 2009

Correntes extremistas ganham cada vez mais influência na União Europeia...

"Uma formação de extrema-direita, o Partido para a Liberdade do Povo Holandês (PVV), foi hoje o segundo mais votado nas eleições para o Parlamento Europeu na Holanda, marcadas por uma abstenção alta e por uma forte penalização dos partidos no Governo."

Fonte: Público

O líder do partido, Geert de Wilders, publicou um vídeo no ano passado no qual dava a sua opinião (pouco abonatória, diga-se de passagem) sobre o Islão. O mesmo contribuiu para o agravamento da ameaça que recai sobre os Estados-Membros da UE, incluindo Portugal, tornando-os mais atractivos para a prática de potenciais actos terroristas.
Depois de Áustria, Itália, Roménia, República Checa, França e possivelmente Reino-Unido, agora a Holanda acentua a presença de elementos com ideologias na fronteira do radical. Entretanto, em Portugal, muitos insistem no federalismo e na entrega dos destinos nacionais à União Europeia, onde os extremistas começam a ganhar cada vez mais influência. Foi este tipo de integração europeia que concebemos em 1985?

A moral é como a triquina: vive na carne do porco

A CDU apresentou os cabeças-de-lista às eleições autárquicas em Vila Nova de Gaia, sendo que Ilda Figueiredo candidata-se à Câmara, prometendo luta à "prepotência e à falta de cultura democrática".

É curioso ver que, em todos os debates realizados no âmbito da campanha para as eleições europeias, a CDU nunca se pronunciou quando as candidatas do PS Ana Gomes e Elisa Ferreira eram bombardeadas com acusações de duplicidade e até de se tratarem de entes fantasmagóricos - consta até que o Allan Kardec passou a figurar na lista dos autores mais vendidos na Bulhosa.

Porque não se insurgiu Ilda Figueiredo contra estes ataques e se assumiu também como candidata à CM Vila Nova de Gaia?

Onde esteve a famosa coragem panfletária que os candidatos da CDU pensam deter o exclusivo?

Onde ficou a defesa intransigente da verdade cuja parentalidade é autoproclamada diariamente pelos candidatos da CDU?

Cara Ilda, sou obrigado a deixar-te uma citação de Dino Pitigrilli (com muito amor, entenda-se):

"Quando te encontrares com um moralista olha-o com respeito, a prudente distância, porque a moral é como a triquina: vive na carne do porco."

Crítica ao programa eleitoral de Paulo Rangel

Paulo Rangel investiu na concepção de um programa mais minimalista, apostando na subscrição do famoso serviço "eu assino por baixo" ainda que algumas das propostas alvo da assinatura popular se resumam a meras frases sujeitas à interpretação de qualquer um.
- No entanto, os dez pontos do seu manifesto começam com a eleição de "22 embaixadores do interesse nacional", sem que Paulo Rangel avance o que é, no seu ponto de vista, o interesse nacional, o qual tende a variar consoante os candidatos. Ficamos sem saber quais são os interesses nacionais do ponto de vista do PSD.
- O segundo ponto "garantir emprego e criar riqueza: investir na economia" consegue reunir num só parágrafo agricultores, pequenas e médias empresas, capital humano e fundos comunitários. Como é que a presença portuguesa na União Europeia poderá contribuir para um investimento na educação, na formação, na ciência e na inovação? Não se sabe. Como é que se incentivam as PME através da UE? Desconhece-se. Porque é que os agricultores têm hoje uma importância estratégica reforçada e como é que se pretende utilizar os fundos europeus, quais e que valores? Ainda ninguém teve coragem de perguntar a Paulo Rangel.
- Segurança, justiça e liberdade. "Privilegiaremos as políticas de segurança interna, estendendo o interesse europeu à pequena e média criminalidade, que é aquela que mais preocupa os cidadãos. Adoptaremos medidas que reforcem a transparência e a luta contra a corrupção e o desperdício". Simplesmente não se consegue saber o que é que o PSD pretende fazer nestes três sectores.
- "Opomo-nos, assim, às tentativas de nacionalização das políticas de coesão e defendemos que elas continuem a ser um objectivo comunitário". Será um objectivo comunitário a defesa dos interesses estrangeiros e a prevalência dos mesmos sobre os interesses nacionais dos Estados-Membros? "Neste campo, é necessário que os fundos comunitários sejam bem aplicados em Portugal". Existe uma certa obsessão com os fundos comunitários, não? Com o corte de verbas como é que o PSD pretende reagir? O país pára? Morre? Rendemos armas?
- "Os jovens são os destinatários da grande maioria das políticas europeias. O PSD é, aliás, o único Partido a ter um candidato jovem em posição elegível". O PSD a tentar preencher quotas, ou o candidato jovem tem mesmo potencial?
"Vamos propor a criação de um programa europeu de mobilidade para o 1º emprego: o ERASMUS-emprego". Não existe já esta medida?
"Apoiaremos o objectivo de aumentar o financiamento do Ensino Superior". A última vez que o PSD defendeu o aumento do financiamento do Ensino Superior, as propinas passaram de 367 euros para 852. Quem acabou por financiar o Ensino Superior não foi a UE, nem o Estado, mas as famílias, todas da mesma forma, independentemente da sua condição social.
- "Levar por diante o Tratado de Lisboa". Mais uma prova em como o candidato é favorável ao federalismo europeu.

Crítica ao programa eleitoral de Vital Moreira

Consultei o manifesto eleitoral de Vital Moreira e cedo me deparei com algumas incoerências, nomeadamente:
- Na página 3 do manifesto, o candidato denuncia que "Durante os últimos cinco anos, os partidos conservadores governaram a maior parte dos países da UE e tiveram a hegemonia nas instituições europeias, não tendo prevenido a crise financeira, nem combatido decididamente a pobreza e as desigualdades, nem apoiado as nossas iniciativas de criação de mais e melhores empregos".
Porém, na página 6 declara "No Parlamento Europeu, o Grupo Político do PSE constitui, juntamente com o Partido Popular Europeu (direita), um dos dois pilares políticos da UE. Pelo posicionamento ideológico e pela responsabilidade histórica, o PSE exerce forte influência nas decisões e na vida do PE, mesmo quando não tem a maioria, como sucedeu na legislatura agora finda".
Cabe-me perguntar: se o PSE exerce tanta influência como Vital Moreira defende, porque é que não tomou a iniciativa para combater aquilo que o candidato denuncia na página 3? Ou será que a inércia e impotência manifestadas pelo PPE estenderam-se à esquerda? Na página 10, o candidato afirma que "a acção coordenada da UE tem sido importante para evitar maiores danos nas poupanças dos cidadãos europeus, nas suas pensões e nas suas casas". Em que ficamos, Vital Moreira?
- Uma das primeiras propostas de Vital Moreira visa "relançar a economia, defender e promover o emprego". Porém, confessa que "os socialistas há muito defendem a necessidade de uma estreita coordenação das políticas económicas nacionais que constituam um mínimo de governação económica europeia, sem a qual o mercado interno carecerá de consistência". Ora, não parecerá ao candidato que a "coordenação" implica a adopção de estratégias comuns aos Estados-Membros e quanto mais a economia nacional estiver dependente das dos restantes e da chamada "nova governação económica europeia", em caso de nova crise financeira mais facilmente Portugal será afectado do que se mantiver a sua independência face ao exterior?
Acrescenta o académico que "assim se reforçará a componente económica da União Económica e Monetária, a par com a criação de instâncias europeias de regulação e supervisão que evitem abusos de posição dominante em mercados estratégicos e de bens e serviços essenciais, em particular no contexto dos mercados financeiros". Não entenderá o candidato que o abuso da posição dominante em mercados como o nosso mais facilmente terá como impacto a entrada de empresas estrangeiras em sectores estratégicos para Portugal, pela capacidade e heterogeneidade que representam nos seus respectivos países, do que a abertura de portas no estrangeiro para as empresas portuguesas? E o que dizer do fim das golden shares, uma das poucas armas que Portugal ainda tinha em seu poder para impedir que agentes externos dependessem apenas de si próprios para exercer influência na economia nacional?
- A terceira medida diz respeito à construção de "uma nova Europa social", defendendo que "importa assegurar a sustentabilidade dos serviços públicos e do “modelo social europeu”, bem como promover as políticas que protejam os que estão mais vulneráveis perante a crise económica". Mas quem são os mais vulneráveis perante a crise económica? A nível nacional já percebemos que não são os agentes económicos "famílias", mas os agentes económicos "banca" entendendo que sem estes a economia colapsa definitivamente, motivo pelo qual se decidiu constituir um fundo de apoio aos banco no valor de 20 mil milhões de euros à taxa de juro de 0,5%, enquanto milhares de famílias estão obrigadas a pagar juros elevados e submeter-se a condições usurárias impostas pela banca.
Por esta ordem de ideias, em caso de nova crise, os mais vulneráveis serão os colossos bancos europeus que um pouco por todo o lado se encontram presentes. E as famílias? E as famílias portuguesas?
- O quarto ponto "liderar o combate às alterações climáticas e concretizar uma política energética comum" poderia passar do papel para as acções caso, por exemplo, a indústria automóvel tornasse mais acessível aos cidadãos a aquisição de viaturas eléctricas e ecológicas. Não há desculpas: exceptuando as marcas japonesas, praticamente todas as restantes que abundam na Europa são europeias.
- É no mínimo surpreendente que Vital Moreira no seu ponto "reorientar a PAC e a política comum de pescas" não defenda a revisão das quotas das pescas e de medidas tendo em vista o benefício da agricultura portuguesa, mas uma "agricultura europeia" e "pescarias nas águas comunitárias". Por aqui se vê que o candidato é claramente favorável ao federalismo europeu para o qual caminhamos com entrega dos nossos recursos a terceiros que continuam a tirar o máximo proveito do que é nosso.
- Ponto 8, "aprofundar o espaço de liberdade, segurança e justiça", no qual o candidato defende "o desenvolvimento do Espaço Europeu de Liberdade, Segurança e Justiça, de modo a garantir e salvaguardar a paz e a segurança dos cidadãos (...) Na construção deste Espaço, garantiremos permanentemente o equilíbrio entre o aperfeiçoamento dos mecanismos de cooperação policial e judiciária, sem prejuízo da defesa intransigente dos direitos e liberdades dos cidadãos e a reserva da vida privada". Enquanto se proteger a reserva da vida privada em detrimento da segurança do colectivo será impossível garantir, nos tempos que correm, a segurança, a liberdade e a justiça.
- Ponto 9, "efectivar a igualdade de género". Será que o candidato entende por efectivação da igualdade de género a obrigatoriedade de garantir lugares a pessoas que não revelem qualidade suficiente mas, como tem que haver uma distribuição equitativa no número de lugares, os menos capazes tirem lugar a alguns dos melhores?
- No ponto 12, referente à "reafirmação da cidadania europeia", o candidato volta a declarar as suas intenções federalistas e a defender a ingerência da UE em questões internas dos Estados como melhor forma de dar resposta aos "cidadãos europeus", em detrimento dos interesses, culturas e costumes de cada um dos Estados.

Resultados da sondagem realizada pelo Bar Velho Online

A recente sondagem realizada pelo Bar Velho Online com a pergunta "em quem pretende votar nas eleições europeias?" teve os seguintes resultados:
Vital Moreira - 22%
Paulo Rangel - 18%
Nuno Melo - 12%
Ilda Figueiredo - 9%
Miguel Portas - 8%
Outro candidato - 8%
Branco/Nulo - 19%

Desde já agradecemos a todos os que contribuíram para estes resultados.

terça-feira, junho 02, 2009

"As 7 Maravilhas de origem portuguesa no Mundo": petição digna de quem anseia por protagonismo...

Soube recentemente que encontra-se a circular uma petição online com o objectivo de boicotar a iniciativa de promover as maravilhas portuguesas espalhadas pelo Mundo. A mesma, criada por gente que acredito serem tudo menos portugueses, alega que os candidatos tiveram uma contribuição importante para a escravatura, o que deveria envergonhar-nos da nossa história.
De facto, tendo a sentir-me envergonhado por saber que entre os séculos XVI-XIX os portugueses compravam os direitos de propriedade de pessoas que já eram escravas de líderes tribais, senhores da guerra e de anciãos locais.
Sinto-me ainda mais envergonhado por saber que o tipo de escravatura exercida pelos portugueses não se compara com a que fora feita pelos espanhóis ou aquela a que se assistiu na América do Norte.
Não tenho palavras para expressar a minha vergonha por saber que todas as ex-colónias portuguesas dispunham das mesmas condições (em alguns casos até melhores) da Metrópole, que uma grande parte do orçamento público tinha como destino final as províncias ultramarinas e que hoje algumas delas são potências regionais e mundiais (Angola e Brasil) e todas elas são Estados que oferecem estabilidade político-social aos seus cidadãos, ao contrário de todas as outras.
Por fim, fico mais envergonhado por saber que nós, portugueses, iniciámos a escravatura e explorámo-la desumanamente e actualmente, em pleno século XXI, em África, na América Latina, na Ásia e, porque não, na Europa não existem fenómenos como escravatura, tráfico de seres humanos, mortes extra-judiciais, barões locais que exploram seres humanos, etc. Tudo isto acabou com a entrega das ex-colónias pelos portugueses após o 25 de Abril de 1974, momento a partir do qual a paz reinou e não mais se ouviu falar de guerras civis, distribuição desequilibrada de recursos naturais, fome, exploração, miséria e genocídio, algo porque somos sobejamente conhecidos.
Sim, se calhar devo assinar a tal petição, até porque os candidatos resumem-se praticamente a igrejas e fortes, locais propícios para a escravatura entre os séculos XVI-XIX.

"As 7 Maravilhas de origem portuguesa no Mundo": porquê só sete?

Não aceito que se queira fazer da nossa história um concurso absurdo e infeliz, não bastando que toda a nossa glória passada tenha deixado as mais variadas e belas marcas um pouco por todo o mundo, tendo ainda que escolher as melhores.
Para começar, cada uma dessas maravilhas foi erigida numa época própria, em condições específicas e todas têm características próprias. Não se pode comparar uma igreja no Brasil com um forte em Marrocos. É simplesmente incomparável! Cada obra tem o seu valor e não se pode comparar o que é diferente em tudo.
Por fim, porque é que temos esta mania de querer dar destaque a algo de entre um já restrito universo? Porque não destacar todas as nossas marcas deixadas em vários pontos do globo? Porquê sete? Porque não cinco? Ou porque não escolhemos uma de entre todas que remeta para a simbologia do sete? Se o sete é o número de perfeição divina, quer dizer que se tivermos vinte a nossa história deixa de ser perfeita?
Todo este concurso é ridículo, mas nem tudo são espinhos: talvez esta seja a única forma de conhecermos um pouco mais da nossa história e da proeminência que já tivemos à escala mundial...

Playboy portuguesa (III): Ana Malhoa.

Durante anos, os portugueses habituaram-se a ver Ana Malhoa em trajes menores e provocantes, acalentando a esperança de um dia poder ver "mais além". A capa da última edição da Playboy prometia, mas ainda bem que a publicação foi com Ana Malhoa pois agora os portugueses vão poder finalmente descansar de alívio por poderem ver o que se escondia por baixo da sua já reduzida roupa.
Para ser sincero, não sei onde é que Ana Malhoa fez os implantes, mas parece que o peito da cantora foi à faca num talho da Margem Sul. É demasiado mau para ser verdade. E o que dizer das tatuagens? Em alguns casos tatuar o corpo pode ter estilo, mas aqueles rabiscos de bonito não têm nada.
O mito é belo e atrai até ao momento em que se desfaz, porque a sua beleza tende a ser superior àquela que se encontra quando a ilusão termina. Foi o que aconteceu com Ana Malhoa. Os 30 mil euros de cachet terão valido a pena? E a Playboy? Pretenderá a revista seguir o seu trilho rumo a tornar-se uma Maxmen 2.0? Desta maneira não me parece que se quebrem preconceitos.

segunda-feira, junho 01, 2009

Lo Stato sono io!


Com os escândalos a sucederem em catadupa, as inflexões juvenis que protagoniza, a vacuidade de ideias e projectos que evidencia, Berlusconi perdeu o norte e está cada vez mais enredado no seu próprio ego.

É caso para dizer: "Lo Stato sono io!"

Os gigantes também caem

A eterna General Motors apresentou pedido de falência. Bem-vinda ao mundo dos vivos...

Avião desaparecido. Até ao momento ainda é tudo um mistério...

Um avião desapareceu no Atlântico. Até que se obtenha mais algum dado adicional toda e qualquer opinião sobre este acontecimento, além da curiosidade em saber o que verdadeiramente aconteceu, será pura especulação e/ou ignorância.

P.S.: É triste saber que os jornalistas, tal como os advogados, não têm coração nem pudor. Vale tudo para ganhar dinheiro e protagonismo com a desgraça alheia. Dá para acreditar na forma como a comunicação social ataca familiares e representantes da empresa só para captar um momento de agonia?

domingo, maio 31, 2009

Miguel Portas e as Colas...

A piada de Miguel Portas a propósito de PS e PSD serem como Pepsi e Coca-Cola já entrou em modo loop pelo candidato do BE às europeias. Mas pior que isso é saber que, num sistema político de "colas" como o nosso, a wannabe Cola do Lidl se queixa do sabor dos pesos-pesados do mercado e se esqueça da quantidade de açúcar e corantes que tem.
Uma 7up nas Legislativas não caía nada mal...

sábado, maio 30, 2009

A insustentável leveza das notícias...

Ontem, vimos anunciado em destaque que:

"A Espanha vai assumir a presidência do EUROJUST, a rede de fiscais europeus, com Cândido Conde-Pumpido a substituir o português Lopes da Mota, após acordo dos 25 Ministérios Públicos da União Europeia (EU), alcançado hoje em Praga.
O EUROJUST é um órgão da União Europeia criado em 2002 e a sua missão é fomentar e melhorar a coordenação entre as autoridades competentes dos sócios comunitários nas investigações e acções judiciais relacionados com formas graves de crime organizado e transfronteiriço.
O Fiscal Geral do Estado Espanhol, Cândido Conde-Pumpido, substituirá o português José Luís Lopes da Mota à frente do organismo, tendo pela frente um mandato de três anos.
"

in http://www.dn.pt/ (a titulo meramente exemplificativo).

Hoje vemos, em tamanho pequeno, que:

"Lopes da Mota, suspeito de pressões no Freeport, não foi substituído na presidência do Eurojust, como noticiado. Foi, sim, decidido que a Espanha preside à reunião anual do Eurojustice."

In http://www.correiomanha.pt/

Aqui no Barvelho não negamos, nem renegamos, que as notícias surgem e rodopiam a uma velocidade estonteante. Não percebemos é que os orgãos de comunicação se impressionem com a dita velocidade e denotem tamanha leviandade ao não verificarem o que publicam.

Sendo a liberdade de imprensa um dos mais importantes pilares de uma democracia saudável, a desinformação nos tempos que correm, induzido por quem tem o dever de informar, é algo que nos deve inquietar a todos.

Liga de Clubes e o incumprimento no pagamento de salários: a situação é grave, mas pode esperar...

Ter o salário pago no final do mês começa a ser quase considerado um milagre nos tempos que correm. Esta situação não toca aos dirigentes da Liga de Clubes de futebol, nem à Federação, cujos patrocínios e receitas garante o pagamento dos seus ordenados milionários. Talvez por este motivo negligenciem que aqueles que mais contribuem para a continuidade destes órgãos e respectivos salários, os futebolistas, não sejam pagos a tempo e horas, nem tão-pouco prevejam mecanismos de punição a clubes que prometem mais do que cumprem.
É de uma tremenda indecência que clubes como Estrela da Amadora, Vitória de Setúbal, Rio Maior e companhia, possam competir, enquanto os seus profissionais passam fome e pedem dinheiro emprestado porque o seu Presidente foi demasiado ambicioso para as capacidades do clube! Mais indecente é que a Liga de Clubes decida punir os infractores... a partir de 2010. "Sim, a situação é muito chata, mas vamos ter calma nas sanções, porque estão em causa instituições respeitáveis".
Se um dos dirigentes dos clubes ou da Liga ficassem dois dias sem receber o que lhe é devido, aí posso garantir que seria criado um regulamento com efeitos retroactivos, com a garantia do pagamento de juros e com a descida do clube infractor para os campeonatos distritais, ou então exclusão definitiva de toda e qualquer actividade ligada à modalidade.

sexta-feira, maio 29, 2009

Provedor de Justiça: adiado o fumo branco...

O PS diz Jorge Miranda, o PSD diz Maria da Glória Garcia, o PCP abstém-se, o BE namora os socialistas, o CDS passa a bola a Jaime Gama e o PR cruza os braços e encolhe os ombros. Face à necessidade de eleger um candidato por maioria de 2/3, resta saber até quando ficará o país sem um Provedor de Justiça, dado que uma eventual cedência quer do PS quer do PSD poderá significar uma derrota política para o desistente, o que poderá sair caro em época de eleições.

quinta-feira, maio 28, 2009

A condenação da ERC à TVI: "o menino não volte a fazer isso, senão vou chatear-me"

Segundo parece, a Entidade Reguladora para a Comunicação Social aborreceu-se com a TVI por alegado comportamento indevido da estação de José Eduardo Moniz no tratamento ao Governo.
O ralhete da ERC à TVI faz lembrar o caso daquelas mães que quando se deparam com comportamentos déspotas dos filhos, em vez de matarem o mal pela raiz dando duas bofetadas correctivas ao filho decidem tratar o menino por você e avisá-lo que aquele tipo de comportamento não se pode repetir sob pena de no futuro poder ter "chatices".
Sendo já sobejamente conhecidas as gentes de Queluz de Baixo, não é de excluir que algumas das suas caras mais célebres façam disto um caso de perseguição e tragam à colação chavões como "liberdade de expressão" e "direito de opinião", dois princípios constitucionalmente protegidos mas completamente profanados por Manuela Moura Guedes e companhia.

Está lá, Manela? - Parte II

Na sequência da conversa, real, que o Barvelho manteve com o Call Center do PSD , não resistimos a colocar uma conversa, esta imaginária, mantida entre o Ricardo Costa e o dito centro de política de verdade:

"Um telefonema para o partido que diz a verdade

Operadora - Obrigado por ter ligado para o 800 20 2009, o partido que só diz a verdade.
Eleitor - Bom-dia. Eu quero ajudar o PSD mas estou um pouco confuso.
- Ligou para o número certo. Nós aqui só dizemos a verdade...
- Sabe, eu não percebi a ideia da defesa do Bloco Central...
- A nossa líder sempre disse que não queria o Bloco Central.
- Mas então porque é que agora defendeu o contrário?
- Ela apenas disse que se sentiria confortável nesse governo.
- Ou seja, admite participar no Bloco Central...
- Não, rejeita. Aliás, o dr. Rangel já explicou tudo. Não ouviu?
- Ouvi. Mas acho que ele não tinha ouvido a dra. Manuela...
- Não sei. Nós aqui só dizemos a verdade. E quando não percebem bem o que dizemos chamamos o dr. Paulo Rangel.
- E pode-me explicar se o PSD é mesmo contra o TGV?
- Nós não somos contra, mas não há dinheiro...
- Mas em 2003 a dra. Ferreira Leite assinou um acordo com Espanha que previa seis linhas de TGV...
- Isso não sei, sou nova aqui...
- Mas ter prometido linhas Aveiro/Salamanca e Faro/Sevilha era falar verdade a alguém?
- A situação era outra...
- Mas acha que essas linhas algum dia teriam passageiros?
- Nós só dizemos a verdade e defendemos as Obras Públicas, desde que não tenham operários africanos e ucranianos...
- Mas isso é xenófobo e ilegal.
- Nós defendemos o trabalho para os portugueses.
- Mas olhe que os emigrantes portugueses no Reino Unido foram vítimas dessa mesma ideia.
- Isso não está aqui no manual.
- E a livre circulação de trabalhadores é um pilar da União...
- Pois, talvez seja. Mas os jornalistas nem sempre nos percebebem... e não há dinheiro!
-Mas, se não há dinheiro porque é que o PSD vai gastar 2,2 milhões de euros nas europeias, muito mais do que o PS?
-Isso não sei, mas a dra. é poupadinha e até vai ao Pingo Doce.
- Ah! E porque é que o PSD mudou de opinião em seis meses sobre o enriquecimento ilícito?
- Diz aqui que a ideia não estava suficientemente pensada...
- Hum! Então porque é que o dr. Paulo Rangel teve de fazer um projecto de lei à pressa?
- Não sei, mas diz aqui no guia que a lei não teve que ver com o Freeport. E que neste partido quem não deve não teme.
- Sim, o dr. Marques Mendes foi exemplar nessa matéria...
- O PSD é sempre exemplar, caro eleitor, já devia saber isso.
- Pois, é pena o dr. António Preto ser tão próximo da líder...
- Não sei, nunca ouvi falar... Mas olhe, ligue ao dr. Rangel que ele explica-se muito bem
."

Ricardo Costa, in Expresso.pt

quarta-feira, maio 27, 2009

Ida de Oliveira e Costa ao Parlamento: ir pr'ós copos com os amigos da Comissão

Fui só eu ou mais alguém viu que a ida de Oliveira e Costa ao Parlamento fez lembrar aquelas noites de copos com os amigos em que se contam piadas e dão umas valentes gargalhadas? Ontem apenas faltaram a cerveja e os tremoços...

Preços dos combustíveis: para quando o descruzar de braços?

Já alguém deu conta que o litro da Gasolina S/Chumbo 95 está quase ao mesmo preço do ano passado (1,30€ actualmente) ainda que o petróleo seja negociado a 62 dólares e no passado acima dos 100?
É certo que é de salutar a liberalização dos preços, mas quando os agentes económicos não se sabem comportar no mercado, então é obrigatória a intervenção do Estado na fixação dos preços de bens essenciais como são os combustíveis.