quinta-feira, junho 04, 2009

Crítica ao programa eleitoral de Paulo Rangel

Paulo Rangel investiu na concepção de um programa mais minimalista, apostando na subscrição do famoso serviço "eu assino por baixo" ainda que algumas das propostas alvo da assinatura popular se resumam a meras frases sujeitas à interpretação de qualquer um.
- No entanto, os dez pontos do seu manifesto começam com a eleição de "22 embaixadores do interesse nacional", sem que Paulo Rangel avance o que é, no seu ponto de vista, o interesse nacional, o qual tende a variar consoante os candidatos. Ficamos sem saber quais são os interesses nacionais do ponto de vista do PSD.
- O segundo ponto "garantir emprego e criar riqueza: investir na economia" consegue reunir num só parágrafo agricultores, pequenas e médias empresas, capital humano e fundos comunitários. Como é que a presença portuguesa na União Europeia poderá contribuir para um investimento na educação, na formação, na ciência e na inovação? Não se sabe. Como é que se incentivam as PME através da UE? Desconhece-se. Porque é que os agricultores têm hoje uma importância estratégica reforçada e como é que se pretende utilizar os fundos europeus, quais e que valores? Ainda ninguém teve coragem de perguntar a Paulo Rangel.
- Segurança, justiça e liberdade. "Privilegiaremos as políticas de segurança interna, estendendo o interesse europeu à pequena e média criminalidade, que é aquela que mais preocupa os cidadãos. Adoptaremos medidas que reforcem a transparência e a luta contra a corrupção e o desperdício". Simplesmente não se consegue saber o que é que o PSD pretende fazer nestes três sectores.
- "Opomo-nos, assim, às tentativas de nacionalização das políticas de coesão e defendemos que elas continuem a ser um objectivo comunitário". Será um objectivo comunitário a defesa dos interesses estrangeiros e a prevalência dos mesmos sobre os interesses nacionais dos Estados-Membros? "Neste campo, é necessário que os fundos comunitários sejam bem aplicados em Portugal". Existe uma certa obsessão com os fundos comunitários, não? Com o corte de verbas como é que o PSD pretende reagir? O país pára? Morre? Rendemos armas?
- "Os jovens são os destinatários da grande maioria das políticas europeias. O PSD é, aliás, o único Partido a ter um candidato jovem em posição elegível". O PSD a tentar preencher quotas, ou o candidato jovem tem mesmo potencial?
"Vamos propor a criação de um programa europeu de mobilidade para o 1º emprego: o ERASMUS-emprego". Não existe já esta medida?
"Apoiaremos o objectivo de aumentar o financiamento do Ensino Superior". A última vez que o PSD defendeu o aumento do financiamento do Ensino Superior, as propinas passaram de 367 euros para 852. Quem acabou por financiar o Ensino Superior não foi a UE, nem o Estado, mas as famílias, todas da mesma forma, independentemente da sua condição social.
- "Levar por diante o Tratado de Lisboa". Mais uma prova em como o candidato é favorável ao federalismo europeu.

Crítica ao programa eleitoral de Vital Moreira

Consultei o manifesto eleitoral de Vital Moreira e cedo me deparei com algumas incoerências, nomeadamente:
- Na página 3 do manifesto, o candidato denuncia que "Durante os últimos cinco anos, os partidos conservadores governaram a maior parte dos países da UE e tiveram a hegemonia nas instituições europeias, não tendo prevenido a crise financeira, nem combatido decididamente a pobreza e as desigualdades, nem apoiado as nossas iniciativas de criação de mais e melhores empregos".
Porém, na página 6 declara "No Parlamento Europeu, o Grupo Político do PSE constitui, juntamente com o Partido Popular Europeu (direita), um dos dois pilares políticos da UE. Pelo posicionamento ideológico e pela responsabilidade histórica, o PSE exerce forte influência nas decisões e na vida do PE, mesmo quando não tem a maioria, como sucedeu na legislatura agora finda".
Cabe-me perguntar: se o PSE exerce tanta influência como Vital Moreira defende, porque é que não tomou a iniciativa para combater aquilo que o candidato denuncia na página 3? Ou será que a inércia e impotência manifestadas pelo PPE estenderam-se à esquerda? Na página 10, o candidato afirma que "a acção coordenada da UE tem sido importante para evitar maiores danos nas poupanças dos cidadãos europeus, nas suas pensões e nas suas casas". Em que ficamos, Vital Moreira?
- Uma das primeiras propostas de Vital Moreira visa "relançar a economia, defender e promover o emprego". Porém, confessa que "os socialistas há muito defendem a necessidade de uma estreita coordenação das políticas económicas nacionais que constituam um mínimo de governação económica europeia, sem a qual o mercado interno carecerá de consistência". Ora, não parecerá ao candidato que a "coordenação" implica a adopção de estratégias comuns aos Estados-Membros e quanto mais a economia nacional estiver dependente das dos restantes e da chamada "nova governação económica europeia", em caso de nova crise financeira mais facilmente Portugal será afectado do que se mantiver a sua independência face ao exterior?
Acrescenta o académico que "assim se reforçará a componente económica da União Económica e Monetária, a par com a criação de instâncias europeias de regulação e supervisão que evitem abusos de posição dominante em mercados estratégicos e de bens e serviços essenciais, em particular no contexto dos mercados financeiros". Não entenderá o candidato que o abuso da posição dominante em mercados como o nosso mais facilmente terá como impacto a entrada de empresas estrangeiras em sectores estratégicos para Portugal, pela capacidade e heterogeneidade que representam nos seus respectivos países, do que a abertura de portas no estrangeiro para as empresas portuguesas? E o que dizer do fim das golden shares, uma das poucas armas que Portugal ainda tinha em seu poder para impedir que agentes externos dependessem apenas de si próprios para exercer influência na economia nacional?
- A terceira medida diz respeito à construção de "uma nova Europa social", defendendo que "importa assegurar a sustentabilidade dos serviços públicos e do “modelo social europeu”, bem como promover as políticas que protejam os que estão mais vulneráveis perante a crise económica". Mas quem são os mais vulneráveis perante a crise económica? A nível nacional já percebemos que não são os agentes económicos "famílias", mas os agentes económicos "banca" entendendo que sem estes a economia colapsa definitivamente, motivo pelo qual se decidiu constituir um fundo de apoio aos banco no valor de 20 mil milhões de euros à taxa de juro de 0,5%, enquanto milhares de famílias estão obrigadas a pagar juros elevados e submeter-se a condições usurárias impostas pela banca.
Por esta ordem de ideias, em caso de nova crise, os mais vulneráveis serão os colossos bancos europeus que um pouco por todo o lado se encontram presentes. E as famílias? E as famílias portuguesas?
- O quarto ponto "liderar o combate às alterações climáticas e concretizar uma política energética comum" poderia passar do papel para as acções caso, por exemplo, a indústria automóvel tornasse mais acessível aos cidadãos a aquisição de viaturas eléctricas e ecológicas. Não há desculpas: exceptuando as marcas japonesas, praticamente todas as restantes que abundam na Europa são europeias.
- É no mínimo surpreendente que Vital Moreira no seu ponto "reorientar a PAC e a política comum de pescas" não defenda a revisão das quotas das pescas e de medidas tendo em vista o benefício da agricultura portuguesa, mas uma "agricultura europeia" e "pescarias nas águas comunitárias". Por aqui se vê que o candidato é claramente favorável ao federalismo europeu para o qual caminhamos com entrega dos nossos recursos a terceiros que continuam a tirar o máximo proveito do que é nosso.
- Ponto 8, "aprofundar o espaço de liberdade, segurança e justiça", no qual o candidato defende "o desenvolvimento do Espaço Europeu de Liberdade, Segurança e Justiça, de modo a garantir e salvaguardar a paz e a segurança dos cidadãos (...) Na construção deste Espaço, garantiremos permanentemente o equilíbrio entre o aperfeiçoamento dos mecanismos de cooperação policial e judiciária, sem prejuízo da defesa intransigente dos direitos e liberdades dos cidadãos e a reserva da vida privada". Enquanto se proteger a reserva da vida privada em detrimento da segurança do colectivo será impossível garantir, nos tempos que correm, a segurança, a liberdade e a justiça.
- Ponto 9, "efectivar a igualdade de género". Será que o candidato entende por efectivação da igualdade de género a obrigatoriedade de garantir lugares a pessoas que não revelem qualidade suficiente mas, como tem que haver uma distribuição equitativa no número de lugares, os menos capazes tirem lugar a alguns dos melhores?
- No ponto 12, referente à "reafirmação da cidadania europeia", o candidato volta a declarar as suas intenções federalistas e a defender a ingerência da UE em questões internas dos Estados como melhor forma de dar resposta aos "cidadãos europeus", em detrimento dos interesses, culturas e costumes de cada um dos Estados.

Resultados da sondagem realizada pelo Bar Velho Online

A recente sondagem realizada pelo Bar Velho Online com a pergunta "em quem pretende votar nas eleições europeias?" teve os seguintes resultados:
Vital Moreira - 22%
Paulo Rangel - 18%
Nuno Melo - 12%
Ilda Figueiredo - 9%
Miguel Portas - 8%
Outro candidato - 8%
Branco/Nulo - 19%

Desde já agradecemos a todos os que contribuíram para estes resultados.

terça-feira, junho 02, 2009

"As 7 Maravilhas de origem portuguesa no Mundo": petição digna de quem anseia por protagonismo...

Soube recentemente que encontra-se a circular uma petição online com o objectivo de boicotar a iniciativa de promover as maravilhas portuguesas espalhadas pelo Mundo. A mesma, criada por gente que acredito serem tudo menos portugueses, alega que os candidatos tiveram uma contribuição importante para a escravatura, o que deveria envergonhar-nos da nossa história.
De facto, tendo a sentir-me envergonhado por saber que entre os séculos XVI-XIX os portugueses compravam os direitos de propriedade de pessoas que já eram escravas de líderes tribais, senhores da guerra e de anciãos locais.
Sinto-me ainda mais envergonhado por saber que o tipo de escravatura exercida pelos portugueses não se compara com a que fora feita pelos espanhóis ou aquela a que se assistiu na América do Norte.
Não tenho palavras para expressar a minha vergonha por saber que todas as ex-colónias portuguesas dispunham das mesmas condições (em alguns casos até melhores) da Metrópole, que uma grande parte do orçamento público tinha como destino final as províncias ultramarinas e que hoje algumas delas são potências regionais e mundiais (Angola e Brasil) e todas elas são Estados que oferecem estabilidade político-social aos seus cidadãos, ao contrário de todas as outras.
Por fim, fico mais envergonhado por saber que nós, portugueses, iniciámos a escravatura e explorámo-la desumanamente e actualmente, em pleno século XXI, em África, na América Latina, na Ásia e, porque não, na Europa não existem fenómenos como escravatura, tráfico de seres humanos, mortes extra-judiciais, barões locais que exploram seres humanos, etc. Tudo isto acabou com a entrega das ex-colónias pelos portugueses após o 25 de Abril de 1974, momento a partir do qual a paz reinou e não mais se ouviu falar de guerras civis, distribuição desequilibrada de recursos naturais, fome, exploração, miséria e genocídio, algo porque somos sobejamente conhecidos.
Sim, se calhar devo assinar a tal petição, até porque os candidatos resumem-se praticamente a igrejas e fortes, locais propícios para a escravatura entre os séculos XVI-XIX.

"As 7 Maravilhas de origem portuguesa no Mundo": porquê só sete?

Não aceito que se queira fazer da nossa história um concurso absurdo e infeliz, não bastando que toda a nossa glória passada tenha deixado as mais variadas e belas marcas um pouco por todo o mundo, tendo ainda que escolher as melhores.
Para começar, cada uma dessas maravilhas foi erigida numa época própria, em condições específicas e todas têm características próprias. Não se pode comparar uma igreja no Brasil com um forte em Marrocos. É simplesmente incomparável! Cada obra tem o seu valor e não se pode comparar o que é diferente em tudo.
Por fim, porque é que temos esta mania de querer dar destaque a algo de entre um já restrito universo? Porque não destacar todas as nossas marcas deixadas em vários pontos do globo? Porquê sete? Porque não cinco? Ou porque não escolhemos uma de entre todas que remeta para a simbologia do sete? Se o sete é o número de perfeição divina, quer dizer que se tivermos vinte a nossa história deixa de ser perfeita?
Todo este concurso é ridículo, mas nem tudo são espinhos: talvez esta seja a única forma de conhecermos um pouco mais da nossa história e da proeminência que já tivemos à escala mundial...

Playboy portuguesa (III): Ana Malhoa.

Durante anos, os portugueses habituaram-se a ver Ana Malhoa em trajes menores e provocantes, acalentando a esperança de um dia poder ver "mais além". A capa da última edição da Playboy prometia, mas ainda bem que a publicação foi com Ana Malhoa pois agora os portugueses vão poder finalmente descansar de alívio por poderem ver o que se escondia por baixo da sua já reduzida roupa.
Para ser sincero, não sei onde é que Ana Malhoa fez os implantes, mas parece que o peito da cantora foi à faca num talho da Margem Sul. É demasiado mau para ser verdade. E o que dizer das tatuagens? Em alguns casos tatuar o corpo pode ter estilo, mas aqueles rabiscos de bonito não têm nada.
O mito é belo e atrai até ao momento em que se desfaz, porque a sua beleza tende a ser superior àquela que se encontra quando a ilusão termina. Foi o que aconteceu com Ana Malhoa. Os 30 mil euros de cachet terão valido a pena? E a Playboy? Pretenderá a revista seguir o seu trilho rumo a tornar-se uma Maxmen 2.0? Desta maneira não me parece que se quebrem preconceitos.

segunda-feira, junho 01, 2009

Lo Stato sono io!


Com os escândalos a sucederem em catadupa, as inflexões juvenis que protagoniza, a vacuidade de ideias e projectos que evidencia, Berlusconi perdeu o norte e está cada vez mais enredado no seu próprio ego.

É caso para dizer: "Lo Stato sono io!"

Os gigantes também caem

A eterna General Motors apresentou pedido de falência. Bem-vinda ao mundo dos vivos...

Avião desaparecido. Até ao momento ainda é tudo um mistério...

Um avião desapareceu no Atlântico. Até que se obtenha mais algum dado adicional toda e qualquer opinião sobre este acontecimento, além da curiosidade em saber o que verdadeiramente aconteceu, será pura especulação e/ou ignorância.

P.S.: É triste saber que os jornalistas, tal como os advogados, não têm coração nem pudor. Vale tudo para ganhar dinheiro e protagonismo com a desgraça alheia. Dá para acreditar na forma como a comunicação social ataca familiares e representantes da empresa só para captar um momento de agonia?

domingo, maio 31, 2009

Miguel Portas e as Colas...

A piada de Miguel Portas a propósito de PS e PSD serem como Pepsi e Coca-Cola já entrou em modo loop pelo candidato do BE às europeias. Mas pior que isso é saber que, num sistema político de "colas" como o nosso, a wannabe Cola do Lidl se queixa do sabor dos pesos-pesados do mercado e se esqueça da quantidade de açúcar e corantes que tem.
Uma 7up nas Legislativas não caía nada mal...

sábado, maio 30, 2009

A insustentável leveza das notícias...

Ontem, vimos anunciado em destaque que:

"A Espanha vai assumir a presidência do EUROJUST, a rede de fiscais europeus, com Cândido Conde-Pumpido a substituir o português Lopes da Mota, após acordo dos 25 Ministérios Públicos da União Europeia (EU), alcançado hoje em Praga.
O EUROJUST é um órgão da União Europeia criado em 2002 e a sua missão é fomentar e melhorar a coordenação entre as autoridades competentes dos sócios comunitários nas investigações e acções judiciais relacionados com formas graves de crime organizado e transfronteiriço.
O Fiscal Geral do Estado Espanhol, Cândido Conde-Pumpido, substituirá o português José Luís Lopes da Mota à frente do organismo, tendo pela frente um mandato de três anos.
"

in http://www.dn.pt/ (a titulo meramente exemplificativo).

Hoje vemos, em tamanho pequeno, que:

"Lopes da Mota, suspeito de pressões no Freeport, não foi substituído na presidência do Eurojust, como noticiado. Foi, sim, decidido que a Espanha preside à reunião anual do Eurojustice."

In http://www.correiomanha.pt/

Aqui no Barvelho não negamos, nem renegamos, que as notícias surgem e rodopiam a uma velocidade estonteante. Não percebemos é que os orgãos de comunicação se impressionem com a dita velocidade e denotem tamanha leviandade ao não verificarem o que publicam.

Sendo a liberdade de imprensa um dos mais importantes pilares de uma democracia saudável, a desinformação nos tempos que correm, induzido por quem tem o dever de informar, é algo que nos deve inquietar a todos.

Liga de Clubes e o incumprimento no pagamento de salários: a situação é grave, mas pode esperar...

Ter o salário pago no final do mês começa a ser quase considerado um milagre nos tempos que correm. Esta situação não toca aos dirigentes da Liga de Clubes de futebol, nem à Federação, cujos patrocínios e receitas garante o pagamento dos seus ordenados milionários. Talvez por este motivo negligenciem que aqueles que mais contribuem para a continuidade destes órgãos e respectivos salários, os futebolistas, não sejam pagos a tempo e horas, nem tão-pouco prevejam mecanismos de punição a clubes que prometem mais do que cumprem.
É de uma tremenda indecência que clubes como Estrela da Amadora, Vitória de Setúbal, Rio Maior e companhia, possam competir, enquanto os seus profissionais passam fome e pedem dinheiro emprestado porque o seu Presidente foi demasiado ambicioso para as capacidades do clube! Mais indecente é que a Liga de Clubes decida punir os infractores... a partir de 2010. "Sim, a situação é muito chata, mas vamos ter calma nas sanções, porque estão em causa instituições respeitáveis".
Se um dos dirigentes dos clubes ou da Liga ficassem dois dias sem receber o que lhe é devido, aí posso garantir que seria criado um regulamento com efeitos retroactivos, com a garantia do pagamento de juros e com a descida do clube infractor para os campeonatos distritais, ou então exclusão definitiva de toda e qualquer actividade ligada à modalidade.

sexta-feira, maio 29, 2009

Provedor de Justiça: adiado o fumo branco...

O PS diz Jorge Miranda, o PSD diz Maria da Glória Garcia, o PCP abstém-se, o BE namora os socialistas, o CDS passa a bola a Jaime Gama e o PR cruza os braços e encolhe os ombros. Face à necessidade de eleger um candidato por maioria de 2/3, resta saber até quando ficará o país sem um Provedor de Justiça, dado que uma eventual cedência quer do PS quer do PSD poderá significar uma derrota política para o desistente, o que poderá sair caro em época de eleições.

quinta-feira, maio 28, 2009

A condenação da ERC à TVI: "o menino não volte a fazer isso, senão vou chatear-me"

Segundo parece, a Entidade Reguladora para a Comunicação Social aborreceu-se com a TVI por alegado comportamento indevido da estação de José Eduardo Moniz no tratamento ao Governo.
O ralhete da ERC à TVI faz lembrar o caso daquelas mães que quando se deparam com comportamentos déspotas dos filhos, em vez de matarem o mal pela raiz dando duas bofetadas correctivas ao filho decidem tratar o menino por você e avisá-lo que aquele tipo de comportamento não se pode repetir sob pena de no futuro poder ter "chatices".
Sendo já sobejamente conhecidas as gentes de Queluz de Baixo, não é de excluir que algumas das suas caras mais célebres façam disto um caso de perseguição e tragam à colação chavões como "liberdade de expressão" e "direito de opinião", dois princípios constitucionalmente protegidos mas completamente profanados por Manuela Moura Guedes e companhia.

Está lá, Manela? - Parte II

Na sequência da conversa, real, que o Barvelho manteve com o Call Center do PSD , não resistimos a colocar uma conversa, esta imaginária, mantida entre o Ricardo Costa e o dito centro de política de verdade:

"Um telefonema para o partido que diz a verdade

Operadora - Obrigado por ter ligado para o 800 20 2009, o partido que só diz a verdade.
Eleitor - Bom-dia. Eu quero ajudar o PSD mas estou um pouco confuso.
- Ligou para o número certo. Nós aqui só dizemos a verdade...
- Sabe, eu não percebi a ideia da defesa do Bloco Central...
- A nossa líder sempre disse que não queria o Bloco Central.
- Mas então porque é que agora defendeu o contrário?
- Ela apenas disse que se sentiria confortável nesse governo.
- Ou seja, admite participar no Bloco Central...
- Não, rejeita. Aliás, o dr. Rangel já explicou tudo. Não ouviu?
- Ouvi. Mas acho que ele não tinha ouvido a dra. Manuela...
- Não sei. Nós aqui só dizemos a verdade. E quando não percebem bem o que dizemos chamamos o dr. Paulo Rangel.
- E pode-me explicar se o PSD é mesmo contra o TGV?
- Nós não somos contra, mas não há dinheiro...
- Mas em 2003 a dra. Ferreira Leite assinou um acordo com Espanha que previa seis linhas de TGV...
- Isso não sei, sou nova aqui...
- Mas ter prometido linhas Aveiro/Salamanca e Faro/Sevilha era falar verdade a alguém?
- A situação era outra...
- Mas acha que essas linhas algum dia teriam passageiros?
- Nós só dizemos a verdade e defendemos as Obras Públicas, desde que não tenham operários africanos e ucranianos...
- Mas isso é xenófobo e ilegal.
- Nós defendemos o trabalho para os portugueses.
- Mas olhe que os emigrantes portugueses no Reino Unido foram vítimas dessa mesma ideia.
- Isso não está aqui no manual.
- E a livre circulação de trabalhadores é um pilar da União...
- Pois, talvez seja. Mas os jornalistas nem sempre nos percebebem... e não há dinheiro!
-Mas, se não há dinheiro porque é que o PSD vai gastar 2,2 milhões de euros nas europeias, muito mais do que o PS?
-Isso não sei, mas a dra. é poupadinha e até vai ao Pingo Doce.
- Ah! E porque é que o PSD mudou de opinião em seis meses sobre o enriquecimento ilícito?
- Diz aqui que a ideia não estava suficientemente pensada...
- Hum! Então porque é que o dr. Paulo Rangel teve de fazer um projecto de lei à pressa?
- Não sei, mas diz aqui no guia que a lei não teve que ver com o Freeport. E que neste partido quem não deve não teme.
- Sim, o dr. Marques Mendes foi exemplar nessa matéria...
- O PSD é sempre exemplar, caro eleitor, já devia saber isso.
- Pois, é pena o dr. António Preto ser tão próximo da líder...
- Não sei, nunca ouvi falar... Mas olhe, ligue ao dr. Rangel que ele explica-se muito bem
."

Ricardo Costa, in Expresso.pt

quarta-feira, maio 27, 2009

Ida de Oliveira e Costa ao Parlamento: ir pr'ós copos com os amigos da Comissão

Fui só eu ou mais alguém viu que a ida de Oliveira e Costa ao Parlamento fez lembrar aquelas noites de copos com os amigos em que se contam piadas e dão umas valentes gargalhadas? Ontem apenas faltaram a cerveja e os tremoços...

Preços dos combustíveis: para quando o descruzar de braços?

Já alguém deu conta que o litro da Gasolina S/Chumbo 95 está quase ao mesmo preço do ano passado (1,30€ actualmente) ainda que o petróleo seja negociado a 62 dólares e no passado acima dos 100?
É certo que é de salutar a liberalização dos preços, mas quando os agentes económicos não se sabem comportar no mercado, então é obrigatória a intervenção do Estado na fixação dos preços de bens essenciais como são os combustíveis.

terça-feira, maio 26, 2009

segunda-feira, maio 25, 2009

Está lá, Manela?

No outro dia decidi ligar para o call center do PSD e perceber que ideias defendia o partido relativamente a alguns temas.
O que parecia um acto de democracia esclarecida acabou por revelar-se um caminho pejado de espinhos (seriam de rosas?) e dificuldades.

1.ª Dificuldade: A Dr.ª Manuela Ferreira Leite só está disponível para ouvir as minhas ideias a seguir ao almoço.

Não consegui falar com nenhum operador. Fiquei triste e desmotivado, pensei para com os meu botões (2, que casacos com 3 já passaram de moda) que a política de verdade se alcança muito melhor depois de um bom almoço, regado com um suminho de laranja.
Não me soube muito bem, seria instantâneo?

2.ª Dificuldade: A Dr.ª Manuela Ferreira Leite não ensinou nada aos seus pupilos que atendem os telefones laranjas. Não sabem nem podem responder a nada. São bonecos mudos com um gravador nas mãos.

O Senhor Rogério (nome fictício que não queremos que ninguém sofra represálias) não me podia responder a nada mas apenas repetir exaustivamente "a sua opinião conta e vai ser ouvida". Ouvido por quem? - perguntei. Por uma comissão constituída para o efeito? Pelo líder parlamentar? Pela Manuela?

Obtive uma resposta digna de um filme de espionagem: "Não estou autorizado a dizer, sei mas não estou autorizado a dizer". Será que o Rogério tinha de me matar de seguida? É que o Rogério não tinha pronúncia russa nem parecia ter a delicadeza fria dos assassinos a soldo.

3.ª Dificuldade: Podemos dar a nossa opinião mas a política de verdade tem tempo limitado para ideias de verdade.

É verdade, verdadinha. É como diziam alguns cantores pop, as melhores músicas e os refrões mais "catchy" tem de ser inventados em 2 ou 3 minutos. O mesmo vale aqui. Ideias com mais de 3 minutos começam a ser enfadonhas e ficam caras no tempo de antena e nos cartazes (ideias grandes, muitos caracteres e menos espaço para estrelinhas).

É caso para dizer: Manela, tens o meu voto! Mas tenho de escolher a caixinha sem pensar porque, caso contrário, ainda o Rogério me tira o boletim!
Pensando melhor, não vou dizer ao Rogério em que dia vou votar de verdade. Ele só se importa com a plasticidade e o carácter imediato do voto. Vou antes votar de forma esclarecida...e nem pago o custo de uma chamada local + iva.

As notícias que temos...

Foi (pouco) divulgado recentemente que Portugal subiu no ranking de competitividade da Universidade Suiça Institute for Management Development, passando a ser o mais competitivo dos países do Sul da Europa e ocupando a 16.ª posição entre os países da União Europeia.

É curioso que certas notícias não tenham qualquer repercussão nem tratamento jornalístico, atenta a sua importância. A título meramente exemplificativo, não se percebe que não tenha sido dado o devido destaque ao facto de Portugal ter sido considerado o 4º país cujo Governo dá maior importância às Tecnologias de Informação e Comunicação na formulação da sua visão de futuro - de acordo com o Global Information Technology Report 2008-2009, publicado em Genebra pelo World Economic Fórum, numa lista de 134 países.

Curioso que, em tempos de verdadeira crise económica e aparente convulsão política, Portugal apresente estes resultados, quando as políticas do Governo são deturpadas e criticadas diariamente pela oposição como se todas as opções tomadas fossem inócuas e vazias de estratégia e conteúdo.

Mas voltando ao tema de reflexão, parece-me ser rídiculo que passemos semanas a comentar (e a noticiar) assuntos que pouco relevam para o nosso posicionamento na economia - tendo em conta que este é um tema dourado nos tempos que correm - e, assim, olvidemos propositadamente quaisquer registos meritórios do Governo (deste e de outros que o antecederam)...

Perante este quadro, só posso concluir que noticiar factos negativos para/do Governo constitui um jornalismo de coragem e de verdade, enquanto que constatar factos positivos para/do Governo se revela um exercício panfletário ou um frete, provavelmente influenciado pelo poder governativo, o que não se percebe nem se pode aceitar.

É necessário mais e melhor jornalismo. Acabar com o sangue e o ruído como paradigma.

domingo, maio 24, 2009

Sobre Manuela Moura Guedes e António Marinho e Pinto: a diferença entre a comunicação social "de jure" e a comunicação social "de facto"

Creio ser intelectualmente impossível não subscrever a intervenção de António Marinho e Pinto no jornal da TVI, em directo, dirigida a Manuela Moura Guedes. Aliás, apesar da actuação do Bastonário da Ordem dos Advogados por vezes ficar um tanto aquém do desejável, não deixa de ser um homem sério e transparente cuja forma de estar não é surpresa para ninguém.
Neste sentido, folgo em saber que a opinião de António Marinho e Pinto corresponde, ipsis verbis, ao já defendido neste mesmo espaço há cerca de três meses. No geral sou contra a existência de ordens profissionais, mas como toda a moeda tem duas faces, ficaria um pouco mais descansado se existisse uma Ordem dos Jornalistas capaz de exercer poder disciplinar relativamente à actuação de todos aqueles que se apresentam ao público como "jornalistas" sem reunirem o perfil adequado para o exercício da profissão. E nestes casos insere-se, na minha modesta opinião, Manuela Moura Guedes, que nos deixa com a cabeça à roda sobre o verdadeiro cargo que exerce na estação de Queluz de Baixo: jornalista/pivot ou mulher do patrão que não sabe lidar com o poder?

quinta-feira, maio 21, 2009

Paulo Rangel e as Estrelas...

A duas semanas das eleições europeias, Paulo Rangel lança os que julgo serem os seus primeiros cartazes.

Acho que este cartaz em particular não é nada feliz:




Combater a crise com Fundos Europeus? E que tal criarmos as condições para que os países integrantes da União Europeia possam ser mais atractivos, aumentar a sua competitividade, discutir o Pacto de Estabilidade e Crescimento para melhor adequá-lo às diversas realidades sócio-económicas, nomeadamente a Portuguesa?

E que tal discutirmos as falhas no sistema financeiro que nos levaram à crise profunda que estamos a atravessar, como por exemplo a criação de um Regulador Único, defendida por Vital Moreira há já muito tempo?

Se Rangel e o PSD queriam lançar ideias concretas nos seus cartazes, bem podiam ter optado por ideias coerentes com o que vêm defendendo. Ah, e já agora, ideias que não estivessem já implementadas e a funcionar como a do famoso (porque já existe) programa Vasco da Gama…

Para o Dr. Paulo Rangel, eu sugiro a leitura da Portaria n.º 1103/2008, de 2 de Outubro, que se aplica a programas como:


a) Medida INOV -JOVEM, em que se apoia a realização de estágios profissionais em PME de jovens com uma qualificação superior em áreas de qualificação relevantes para a inovação e a gestão dessas empresas;

b) Medida INOV Contacto, em que se apoia a realização de estágios internacionais de jovens com qualificação superior em empresas portuguesas com estruturas em mercados externos, empresas multinacionais e organizações internacionais vocacionadas para a intervenção na área da internacionalização;

c) Medida INOV Vasco da Gama, em que se apoia a capacitação e qualificação prática de jovens empresários, gestores e quadros técnicos de empresas portuguesas em empresas e organizações de referência internacional seleccionadas para o efeito, nos mercados considerados prioritáriospara a economia portuguesa;

d) Medida INOV-ART, em que se apoia a realização de estágios de jovens ligados às artes e à cultura, em entidades internacionais de referência ligadas ao respectivo sector;e) Medida INOV Mundus, em que se apoia a realização de estágios e a inserção profissional de jovens licenciados em entidades e organizações nacionais e internacionais vocacionadas para a cooperação para o desenvolvimento.

À míngua de ideias, o melhor é colocar umas estrelinhas no fundo dos cartazes e esperar por algum milagre.

Como é que esta campanha custou 2,2 Milhões de Euros? Alguém percebe?

quarta-feira, maio 20, 2009

Protocolo de Quioto: quando os EUA cumprirem, então logo se vê

Portugal emitiu mais 5% acima do limite de Quioto. Não se preocupem, quando os EUA ratificarem e cumprirem o Protocolo, então pensaremos em formas de contornar os nossos próprios excessos.

Rui Rio igual ao Bar Velho

Rui Rio manifestou-se contra a candidatura de Elisa Ferreira a vários cargos políticos. É sempre agradável saber que gente íntegra como o actual Presidente da Câmara do Porto seguem o mesmo entendimento do Bar Velho, sendo disso exemplo o texto publicado aqui.

Bastonário, advogados e fraude

Quando ouvi o Bastonário da Ordem dos Advogados pronunciar-se sobre as sociedades que instigam clientes à prática de crimes económicos lembrei-me imediatamente de alguns nomes da nossa praça e garanto que não conheço assim tantas sociedades quanto isso.
O que mais me surpreendeu foi a rebelião interna contra Marinho e Pinto como se as acusações do Bastonário fossem inéditas e descabidas. Das duas uma: ou a prática já está de tal forma generalizada que os advogados "perseguidos" já nem sequer consideram crime aquilo que se tornou prática reiterada nas sociedades que integram, ou então fingem que não vêem e, neste último caso, como diz o adágio popular "pior cego é aquele que não quer ver".

terça-feira, maio 19, 2009

Joaquina Rocha: de melhor amiga a execrável?

Temos mais um caso de um professor a ser julgado pela opinião pública e pela opinião publicada. Joaquina Rocha, a professora de História da Escola EB 2/3 Sá Couto, de Espinho, foi suspensa com base nas gravações de alguns dos seus alunos. O que é dado a conhecer ao público são frases soltas da professora, o que no final dá uma ideia um pouco deturpada (acredito) de toda a conversa estabelecida naquela aula e de uma série de relações durante anos de docência que a professora foi desenvolvendo com os seus alunos.
Esta professora, do que pude constatar até ao momento, é o tipo de professora com que todos nós sonhámos quando eramos miúdos: em plena adolescência e com as hormonas mais activas do que nunca, faz falta ter alguém com experiência e formação e que mantenha uma boa relação com os adolescentes que lhe são próximos, podendo ajudá-los a esclarecer dúvidas, desabafar e pedir conselhos, especialmente sabendo que na maior parte dos casos o acesso aos pais é limitado. Não quero fazer de Joaquina Rocha um ícone da docência, mas as coisas podem muito bem não ter acontecido como a comunicação social e alguns pais querem fazer crer.

domingo, maio 17, 2009

A.S.: Antes do Silicone. Sophia Loren.

Quem é Angelina Jolie quando comparada com Sophia Loren?

A.S.-D.S.: Antes do Silicone - Depois do Silicone

Vamos dar início a uma rubrica no Bar Velho Online ao culto da beleza feminina quando as palavras "botox" e "silicone" ainda faziam parte dos mais ambiciosos sonhos dos cientistas, embora se saiba que desde sempre homens e mulheres procuraram fórmulas que lhes dessem acesso ao elixir da eterna juventude, nem que para isso tivessem que se sacrificar.
Assim, serão dedicados artigos à publicação de fotografias de mulheres que, ao contrário das actuais, nunca precisaram de implantes mamários, lipoaspirações ou botox para se destacarem das restantes. Mulheres naturais, como eu (e creio que os restantes redactores do blogue também) gosto. Valorizem-se como vieram ao mundo, com as imperfeições que têm, com o envelhecimento do vosso corpo, o qual exterioriza a vossa experiência de vida, e com as diferenças que têm quando comparadas aos protótipos e ideais de beleza que tentam impor.
Não percam a partir de amanhã: "A.S.: Antes do Silicone".

sexta-feira, maio 15, 2009

J.P. Sá Couto dá lucro! Estado continua de mãos a abanar...

Fico feliz, radiante, eufórico, por saber que a J.P. Sá Couto cresceu 1.308% nas vendas graças ao Magalhães, tendo facturado qualquer coisa como 14 milhões de euros. Boas notícias para a economia nacional. Manuel Pinho esfrega as mãos.
Já Teixeira dos Santos continua a fazer contas à vida. As finanças ressentem-se. Dos 14 milhões da J.P. Sá Couto, quando é que vão ser pagos os cerca de 71.620 euros que a empresa alegadamente deve ao Estado por ter estado possivelmente envolvida na "fraude do carrossel"?

quarta-feira, maio 13, 2009

Uma Terceira Via com Obama e Sócrates

Steven Pearlstein, prémio Pulitzer de 2008, assinou uma coluna de opinião no Washington Post em que afirma que Barack Obama e José Sócrates encarnam uma terceira via política.

Veja-se o texto na íntegra infra:

"In Portugal, as in America, a 'Third Way' Is Reemerging

You can easily imagine the popular story line that plays out daily in the
politics of much of Western Europe. It's the one about bankers and money
managers in New York and London who got rich by playing fast and loose with
other people's money, under the eyes of regulators so blinded by their faith
in markets that they couldn't spot a con game going on right under their
noses.

And what makes it all the more galling to Western Europeans is how easily
this plague of greed and deregulation so easily crossed the Atlantic,
sending their own economies into a recession that is expected to be deeper
and longer than it will be where it all began.

Sitting in his office last week, José Sócrates, the prime minister of
Portugal, joked as he recalled the day last September when he first learned
about "this thing they call a subprime loan." As head of this country's
nominally socialist party, Sócrates spent the previous four years reducing
the size of Portugal's government, taming its runaway budget deficit,
challenging labor unions and deregulating its markets. And what is his
reward? An economic crisis that has once again put the country in a fiscal
bind and boosted the polling numbers of Portugal's Communist Party.

There are similar tales to be told across the continent. In France, top
executives have been taken hostage by workers demanding that layoff notices
be rescinded. In Sweden and Switzerland, companies have revoked pay packages
for top executives in response to public outcry. And just last week, the
European Union unveiled new regulations that have the hedge funds howling.
Everywhere, there are calls for higher taxes on the rich, with the British
government proposing to raise the top marginal rate to 50 percent from 40
percent.

"In terms of further market liberalization, I would say the window of
opportunity is now closed," Christine Lagarde, France's reform-minded
finance minister, told reporters recently in Washington.

Given the circumstances -- unemployment as high as 17 percent in Spain,
exports off 20 percent in Germany, house prices off 40 percent in Ireland --
none of this is surprising. But the real story in Europe may be how firmly
market liberalization seems to have taken hold. Not only have there been
few, if any, calls for re-nationalizations, but some countries are still
moving toward privatization and deregulation. Instances of protectionism are
outweighed by the examples of cross-border mergers and acquisitions that
have been accepted as a matter of course -- Fiat's designs on GM's Opel,
based in Germany, is the latest. And in the face of international calls for
additional fiscal stimulus, both governments and voters have been reluctant
to borrow and spend their way out of this recession.

Here in Portugal, for example, huge teacher demonstrations recently shut
down the capital but failed to derail Sócrates's plan to require annual
evaluations of instructors in a public school system that has some of the
highest costs, and lowest test results, in Europe.

And Americans would do well to consider Portugal's plan to put its Social
Security on a more sustainable footing by linking the retirement age to life
expectancy while still giving people the choice to retire at 65 with
slightly lower benefits.

Perhaps the best example of Portugal's market-based approach to its economic
problems is its big push toward renewable energy.

To harness the wind, Economy Minister Manuel Pinho set out to move the
country beyond small, subsidized wind farms to create an industry big enough
to achieve economies of scale, invest seriously in research and development,
and attract billions of dollars in capital. The incentive came in the form
of huge long-term transmission contracts that assured investors that there
would be a market for the power at a guaranteed price, determined in an open
and competitive auction. The hitch was that winners were required to
manufacture a certain percentage of the windmills and the turbines in
Portugal. A number of big European companies have now set up shop here.

Pinho took a similar approach to hydroelectric power, putting up for
competitive bid long-term licenses to build and operate a dozen new or
expanded dams. Bidders can also extend the life of the licenses if they
agree to enter long-term contracts to buy nighttime power from the country's
wind producers and use it to pump water from reservoirs below the dams back
up to the reservoirs above. Energy gets stored during those hours when
demand is low and used the next day when demand is at its peak.

What's noteworthy is that all this was done without a government subsidy and
without favoring the country's former electric monopoly, EDP, in which the
government continues to hold a minority stake. Indeed, EDP has been buying
or building renewable-energy assets across Europe, in Brazil and in the
United States. The spinoff of its renewable-energy division was the biggest
IPO in Europe last year and is now the world's fourth-largest
renewable-energy producer.

Back in the days of Bill Clinton and Tony Blair, there was a lot of loose
talk about a "third way" that would combine the best features of
Anglo-American capitalism with the social and economic safety net prevalent
in Europe. If Portugal is any indication, Europe has been moving in fits and
starts toward market capitalism ever since. Now that Barack Obama has become
the most popular politician in Europe and his administration back home is
intent on increasing the profile of a more-competent government in the
workings of the American economy, a convergence seems possible once again."


in Washington Post

É esta a imagem que um dos mais importantes jornais do mundo difunde de Portugal e do seu Governo.

Estranho que os meios de comunicação social que afirmam arbitraria e recorrentemente que a nossa imagem exterior está cada vez mais afectada, não venham agora dar o devido destaque a esta notícia.

domingo, maio 10, 2009

Os efeitos do medo

Em momentos de crise, é comum ver certo tipo de políticos brandir slogans proteccionistas e primários como "O nosso país aos seus naturais", "trabalho para nacionais", entre outros prototipos de exclusão e autismo social(veja-se Gordon Brown e Ferreira Leite recentemente).

O fenómeno é empiricamente apreensível nestes momentos em que se quer restringir, em moldes anormais, a entrada ou permanência de imigrantes que contribuem para as economias em que estão alocados, permitindo também modelos de convivência multicultural que devem ser o paradigma dos estados de direito do Séc. XXI. Isto por contraposição aos ciclos positivos em que os países estão com a economia animada e entendem útil estimular a imigração.

Porque será que nestes últimos momentos os arautos da exclusão e nacionalismo não vêm cantarolar o seu canto - esse canto que mexe com os nossos mais profundos medos, com os medos mais primários de todos nós? Nesse altura, somos todos úteis, somos todos tolerantes e, se quisermos, modernos.

Passando a dados mais objectivos, a Comissão Europeia publicou um estudo em que conclui que se a economia portuguesa deixar de atrair imigrantes suficientes e ficar com um saldo migratório nulo (entram e saem o mesmo número de pessoas), a conta da Segurança Social entra em apuros dentro de 6 anos.

Veja-se que, segundo o INE, existem 225 mil cidadãos estrangeiros empregados e, assumindo um salário médio de EUR. 500,00, o contributo dos mesmos para a Segurança Social deve superar os 500 Milhões de Euros.

Mais, segundo os cálculos da Comissão Europeia, o custo da não entrada de imigrantes em número suficiente em número suficiente para manter o equilíbrio do sistesma de Segurança Social pode, em tese, significar um custo adicional de mais 567 mil milhões de Euros em 2015 ou mais do dobro em 2020.

Isto não quer dizer que não devam existir regras quanto à entrada e permanência de cidadãos estrangeiros no território português. Elas existem e têm sido revistas com o objectivo de assegurar uma melhor imigração.

Agora, não posso aceitar que, apenas por nos encontrarmos pressionados pela crise, rejeitemos o ideal de mundo que ajudamos a gizar.
Não é, certamente, pela exploração do medo, da diferença, do terrorismo social que a nossa sociedade irá florescer.

Acredito num mundo multicultural e é na miscelânea de visões e experiências que resultam desse mesmo mundo que resolveremos os conflitos do presente e evitaremos os do futuro. Estou certo disso.

Devemos preocupar-nos?

Sinto-me enternecido quando leio que Tony Blair acha que não há nada mais importante do que a paz no Médio Oriente, sobretudo porque ainda me recordo da forma como o ex-PM britânico orquestrou, juntamente com George W. Bush, a instauração da paz no Iraque.

Miserável Benfica...

Ainda não é desta que vão correr com o Quique Flores?

Bela Vista e extremismos: só não viu quem não quis

Não deixa de ser curioso que com a violência no bairro da Bela Vista, em Setúbal, subitamente o país tenha despertado para o aproveitamento que grupos extremistas possam fazer com estes acontecimentos.
Face ao actual quadro, se eu fosse governante preocupar-me-ia com dois tipos de extremistas: grupos de extrema-esquerda e grupos de extrema-direita. Os primeiros na medida em que, não obstante as forças de segurança estarem impedidas de recorrer ao uso da sua autoridade através da força quando todos os outros meios se revelam ineficazes, poderão promover acções que tenham como fim incitar ainda mais ao ódio de habitantes de bairros sociais como os da Bela Vista que tendem a queixar-se da ausência de políticas de integração e de protecção do Estado.
Sobre os segundos, o Bar Velho já havia alertado em Outubro de 2007 (!!) para os perigos decorrentes do crescente clima de tensão e de insegurança que se vive no interior destes bairros sociais e áreas periféricas. Mas como estamos em Portugal é preciso esperar pela confirmação dos cenários mais drásticos para se fazer a protecção do que é possível salvar, em vez de se agir preventivamente.
É fundamental a atribuição de mais poder e autoridade para as forças de segurança, o reforço policial de áreas tendencialmente problemáticas, a reforma das leis penais e das políticas de imigração e integração social sob pena de ocorrerem em Portugal cenas semelhantes àquelas que já se registaram na França e na Grécia.

sábado, maio 09, 2009

Grandes portugueses e portuguesinhos...

Segundo parece, um avião com vários portugueses a bordo fez uma aterragem de emergência após ter passado por duas bolsas de ar que provocaram mais de uma dezena de feridos.
O Público suspira de alívio, até porque os portugueses que interessam, Jaime Gama e Dulce Pontes estão, como diz o prestigiado diário, "ambos bem". Então e os outros? Acham mesmo que alguém querer saber notícias sobre as condições em que se encontram portugueses de segunda categoria?

É esperar que se acalmem...

"Pelo menos uma motorizada, dois automóveis e um contentor do lixo foram incendiados hoje, cerca das 00h40, na Rua do Forte da Bela Vista, disse à Agência Lusa fonte dos Bombeiros Sapadores de Setúbal."

Fonte: Público

Tudo normal. Os coitadinhos dos jovens têm muitas dificuldades, são muito emocionais e ninguém os integra na sociedade. É deixá-los andar e esperar que tudo passe, dar-lhes subsídios e adaptar as leis a esta juventude, não é, Maria das Dores Meira?

Artigo de opinião de Fernanda Câncio no DN: Crime de ódio ou crime de falácia?

Fernanda Câncio baralha-me. A jornalista que há pouco mais de um mês publicou um artigo de opinião relacionado com as alegadas pressões aos magistrados no âmbito do caso Freeport e disseca o conceito "pressão" até chegar a uma conclusão mais próxima da leitura que a própria faz dos factos, muda substancialmente de opinião relativamente ao ocorrido com Vital Moreira no 1.º de Maio.
Na avaliação do episódio que envolveu Vital Moreira e a manifestação da CGTP, Fernanda Câncio é categórica ao afirmar que houve "agressões" fundamentadas em "ódio político". Da mesma forma que a jornalista não esteve presente em nenhum dos episódios de possíveis pressões exercidas sobre magistrados, também ninguém a viu na manifestação da CGTP e muito menos perto de Vital Moreira.
As câmaras de televisão, que o acompanharam desde a sua chegada até à saída do evento, não mostram nenhuma agressão stricto sensu ao candidato socialista às europeias. Mostram um ou dois puxões, algumas gotas de água na sua roupa o que dá a entender que lhe atiraram de facto com garrafas e uns quantos indivíduos apupam o candidato socialista e tentam aproximar-se dele, sendo imediatamente afastados.
Recordo o famoso caso "dá-me já o telemóvel" da escola Carolina Michaelis. Os primeiros títulos dos jornais, especialmente o do Expresso que foi o primeiro que vi com este título e com o vídeo, e alguns telejornais, diziam: "Professora brutalizada por aluna em escola do Porto". Bem, professora brutalizada, imagino-a quase decepada, ou no mínimo com sangue a correr como resultado de actos violentos. Como haviam imagens, acorri para ver a "brutalização". A professora alegadamente brutalizada nem sequer tinha sido agredida, nem a aluna tinha sequer manifestado vontade em fazê-lo, como parte da comunicação social queria fazer crer. Aluna e professora andaram ali agarradas a um telemóvel e a professora acabou desautorizada e envergonhada, sendo a aluna (justamente) expulsa após realização de um processo disciplinar.
Face ao exposto, desafio a jornalista a dissecar o conceito "agressão" da mesma forma que dissecou o conceito "pressão". O que é uma agressão? Será agressão o que as televisões transmitiram ou aquilo que só alguns dizem que aconteceu? A CGTP pediu desculpas pelo sucedido. Mas qual "sucedido"? Os empurrões, puxões e injúrias? Ou aquilo que alguns dizem que aconteceu mas que até ao momento só alguns desses alguns viram (nos quais se inclui alguns jornalistas que noticiaram a existência de ofensas à integridade física porque alguns colegas lhes disseram)?
Se o jornalista deve ser imparcial, os artigos de opinião esperam-se o mais próximos possíveis da realidade. Se "pressão" gera tantas dúvidas em Fernanda Câncio, seria bom que, no mínimo, "agressão" também suscitasse o mesmo género de dúvidas, sobretudo quando a jornalista viu precisamente o que milhões de portugueses viram. No entanto, não deixa de ser curioso que tenha ocorrido tanta agressão e ninguém tivesse apresentado queixa. A jornalista alega que a apresentação de queixa seria interpretado popularmente como "perseguição", "pressão" e "polícia política", mas se esta fosse a visão unânime não teríamos casos de titulares do poder político a apresentarem queixas em tribunal contra jornalistas e opinion makers. Não concordo nem discordo deste género de iniciativa, pois cada um sabe aquilo que deve fazer. Porém a dualidade de critérios por parte da jornalista permite-me concluir uma de duas coisas, senão mesmo as duas: ou Vital Moreira não foi de facto agredido como se diz por aí que foi, ou então não tem confiança suficiente nos tribunais e no sistema judicial português, o que patenteia aquilo que cada português sofre no dia a dia mas que só quando alguém ligado ao poder político passa pelo mesmo é que se decide alertar o país para o statu quo.

sexta-feira, maio 08, 2009

É tão Bela a Vista quanto ajuízada a autarca...

Face à recente manifestação de violência de jovens delinquentes para com a PSP, a Presidente da Câmara de Setúbal, Maria das Dores Meira, classificou os actos de delinquência como sendo "manifestações emocionais devido à morte de um amigo". Depois de muito ponderar sobre o assunto, tentando encontrar razões para concordar com a autarca, só consigo encontrar uma reacção possível: Maria das Dores Meira devia ser demitida.
Qual é o autarca ou o cidadão com um mínimo de juízo na cabeça que defende ser "normal" alguém reagir com violência à polícia ou a quem quer que seja?! Atirar cocktails molotov às autoridades?! Ainda por cima quando estão no exercício das suas funções? Será que a autarca também defende a despenalização de crimes passionais, particularmente os homicídios? Afinal, são manifestações emocionais.
Não faz sentido que alguém com a responsabilidade de Maria das Dores Meira, interprete este tipo de actos como sendo normais. Não são! Os polícias agiram no cumprimento dos seus deveres e agiram contra um indivíduo cuja inocência e ingenuidade nem sequer se questionam. Tem que haver respeito pelas autoridades e punições exemplares para gente que se comporta desta forma, sob pena de facilmente cairmos na subversão e num nível de insegurança intolerável!

quinta-feira, maio 07, 2009

Redução das quotas de entrada de imigrantes

"Portas satisfeito com anúncio de redução da quota de entrada de imigrantes no país"

Fonte: Público

Não é só Paulo Portas quem se considera satisfeito com a adopção desta medida. Durante os últimos cinco anos o mesmo tem sido defendido neste mesmo blog, pelos mesmos motivos invocados pelo líder do CDS. Tal como Portas, também me recordo das vezes em que eu e o co-redactor poeta irreverente fomos apelidados de racistas e xenófobos por defendermos esta solução como forma de atenuar uma situação que é cada vez mais problemática quer para portugueses quer para estrangeiros. Curiosamente, a maioria dos paladinos que se insurgiam quer contra nós quer contra Portas permanecem calados quando é o Governo quem adopta a medida de reduzir as quotas de entrada de imigrantes, ainda que sejam de esperar as manifestações do costume de organizações como o SOS Racismo.
Depois de durante anos andarmos com a mania que temos que estar na vanguarda dos direitos dos imigrantes, finalmente se teve o bom senso de reconhecer que a nossa estrutura não tem capacidade para suportar as largas vagas de imigrantes que dão entrada em território nacional todos os anos. Não podemos vender ilusões quando nem os portugueses de jure e de facto vivem dias de tormento e muito menos podemos criar condições que propiciam, posteriormente, a criminalidade e geram tensão e insegurança na sociedade.
Acresce ainda que a última alteração à Lei da Nacionalidade foi um dos grandes atentados à economia e à segurança nacional: como é possível que um estrangeiro após três anos de união de facto com um cidadão português possa obter a nacionalidade portuguesa? Como se faz prova desses três anos? Através de uma folha A4 concedida pela Junta de Freguesia? Como se garante que este indivíduo tem interesse em realmente ser português?
A Lei da Nacionalidade precisa de uma revisão imediata que contrarie a regra da concessão de nacionalidade portuguesa através da união de facto; deve alargar para, no mínimo, seis anos ininterruptos a obrigatoriedade de permanência e descontos para a segurança social e deve dominar perfeitamente a língua e a cultura portuguesa; não poderá ausentar-se de território nacional por um período superior a dois meses durante os cinco anos imediatos à concessão de nacionalidade; por fim, poderá perder a nacionalidade portuguesa caso seja condenado pela prática de um crime cuja moldura penal seja igual ou superior a três anos ou caso seja condenado uma segunda vez independentemente da pena aplicada e ainda caso desloque a sua vida para outro país por um período igual ou superior a cinco anos. Carece ainda de revisão a concessão de nacionalidade via ius sanguinis.

quarta-feira, maio 06, 2009

Foi o melhor que Rangel arranjou...


Rangel alvo de "agressões verbais"
in Publico.pt

"O cabeça-de-lista do PSD às europeias acusou ontem os ministros da Agricultura e da Economia de lhe dirigirem "agressões verbais" e afirmou que estas não calarão a exigência de isenção aos órgãos da Administração Pública.
Paulo Rangel considerou "inaceitável" que o ministro Manuel Pinho, tenha dito que ele "tem de comer muita papa Maizena para chegar aos calcanhares de Basílio Horta" - o presidente da Agência para o Investimento e Comércio Externo de Portugal (AICEP) que contestou a proposta do também líder parlamentar do PSD de criar programas de âmbito europeu para apoio aos jovens desempregados. Também o ministro Jaime Silva alegou que Paulo Rangel "devia estudar mais os dossiers, ser mais credível nas suas afirmações" e que as suas afirmações resultam "talvez da juventude, da idade".
"Os órgãos da Administração Pública, durante toda a pré-campanha e campanha, vão ter de manter a imparcialidade e não há ministro nem primeiro-ministro que possam anular esta exigência e que possam pôr em causa este princípio com as suas declarações agressivas. O PSD e eu próprio nunca vamos transigir com isso", declarou Rangel, adiantando: "Como tenho propostas e tenho argumentos não preciso de qualificar ninguém."
".


Já toda a gente tinha percebido que Rangel não se ia deixar ultrapassar por Vital Moreira depois de este continuar a suscitar ódios, mesmo que derivados de situações com cerca de 2o anos.


Depois de várias tentativas de ser alvo de agressões em público e, de preferência, em horário nobre, Rangel finalmente consegue levar a sua avante.


Triste mesmo é que a dita agressão tenha sido com "papa maizena".


Eu nunca me lembro de chorar com quaisquer incidentes que tenha tido com a dita papa.


Mas também ninguém aprende a palavra demagogia aos 3 anos...

terça-feira, maio 05, 2009

A bola mágica que permite ver o que mais ninguém vê... - II

Ontem comentou-se neste espaço a propósito das declarações de Vital Moreira que associou categoricamente os envolvidos no episódio de sexta-feira ao PCP. Pelos vistos tinha um fundo de razão na observação que fiz, dado que hoje já se descobriu que um dos agentes está ligado ao Bloco de Esquerda. No entanto, antes o candidato às europeias tivesse razão, dado que agora vamos assistir a nova novela com pedidos de desculpa: Vital Moreira vai exigir um pedido de desculpas ao Bloco de Esquerda; o Bloco vai demarcar-se da actuação do indivíduo e vai exigir um pedido de desculpas a Vital Moreira pelo pedido de desculpas por este exigido ao partido; Vital Moreira vai continuar a exigir um pedido de desculpas ao PCP porque afinal se um era do Bloco, os outros são todos do PCP; o PCP vai exigir um pedido de desculpas a Vital Moreira por este ter exigido um pedido de desculpas ao partido sabendo que um dos envolvidos era do Bloco e os restantes não se sabe de onde são.
Boring...

Estar envolvido num processo pode mesmo ser "in"

"O ex-aluno da Casa Pia, Pedro Namora, é o candidato do Partido Popular Monárquico (PPM) à câmara de Setúbal nas eleições autárquicas deste Outono"

Fonte: Público

Depois de Paulo Pedroso em Almada, Pedro Namora candidata-se à câmara de Setúbal. Só falta Hugo Marçal concorrer ao Barreiro e Carlos Cruz ao Seixal. Cada vez estou mais certo que ser-se arguido ou ter-se estado envolvido num processo crime é sinónimo de "status". Um tipo com aspirações que não tenha estado envolvido em processos judiciais é dono de um currículo incompleto e parece não poder aspirar a grande coisa. Falta-lhe a relação prática com advogados, juízes, códigos e dezenas de requerimentos e recursos.
Qualquer dia corremos o risco de ter um Presidente da República envolvido nas máfias da noite e um Primeiro-Ministro suspeito de fazer assaltos a terminais MB e gasolineiras. É o "status".

segunda-feira, maio 04, 2009

A bola mágica que permite ver o que mais ninguém vê...

"“Alguém tem dúvidas de que eram militantes do PCP?”, pergunta Vital Moreira"

Fonte: Público

Será que os indivíduos envolvidos no episódio, com uma mão atiraram água a Vital Moreira e com a outra exibiam os seus cartões de militantes do PCP? Ou será que interpelaram o candidato socialista com um mandado de Jerónimo de Sousa para o insultarem e empurrarem? Caso contrário, não estou a ver como é que Vital Moreira pode ter tanta certeza sobre a ligação dos agentes ao PCP...

Julgados de Paz: experimentei e gostei, mas, se puder, evito.

Tive recentemente uma experiência nos Julgados de Paz (JP) onde fui como Demandante num processo que me opôs a uma empresa de grande dimensão cujos nome e ramo não pretendo revelar. Foi possível chegar a acordo mas apenas na sessão de julgamento. Parece que é preciso estar diante de um juiz para que a maior parte dos agentes económicos se reduza ao tamanho do consumidor comum e aceite fazer uma coisa que parece complicada, mas é mais fácil do que parece: conversar.
Para quem não sabe, os JP funcionam como uma távola redonda onde o juiz assiste, literalmente, a uma conversa entre as partes que até ao momento mal conseguem dialogar quanto mais acordar. Os processos são mais céleres (o meu, após a propositura do requerimento inicial, demorou um mês e meio a concluir) do que nos tribunais comuns e têm a função de resolver as coisas à base do diálogo e da mediação, ainda que as decisões que dele emanem sejam sentenças com o mesmo estatuto de tribunais de 1.ª instância.
Antes de recorrerem aos tribunais comuns, pensem em resolver questões cujo valor não exceda a alçada da Relação (5.000 euros). Vale a pena pela forma e pelo tempo em que tudo se resolve., já para não falar que as custas são absurdamente mais baixas (35 euros se perderem a acção). Aproveito para referir que os JP, um dos instrumentos mais simples e inteligentes que foram implementados no sistema de justiça português nos últimos 20 anos, foram criados pela Lei 78/2001, de 13 de Julho, a qual pode ser consultada aqui.
Gostei da experiência, mas se puder evito lá voltar. Nada como resolver um conflito pela via mais fácil: diálogo. O problema é quando a outra parte se revela intransigente...

Vasco Granja: 1925-2009

Vasco Granja era o embaixador português de uma arte que não é vista por muitos enquanto tal: a banda desenhada. Gostava de super-heróis, de aventuras e comédias. Era um velho que se entusiasmava com coisas de miúdos, o que é revelador do seu espírito jovem. Quem gosta destas coisas e as vive como uma criança de 8 anos que acaba de abrir um presente no Natal, só pode ser uma pessoa com um fundo puro.
Não quero recordar o Vasco Granja comunista, porque a política é demasiado séria e obscura para um homem que marcou gerações com a sua extrema jovialidade e com aqueles desenhos animados checoslovacos que acompanharam muitos portugueses, nos quais eu me incluo. Viveu 83 anos e criou sorrisos em milhões. Que descanse em paz.

domingo, maio 03, 2009

Real Madrid 2-6 Barcelona

Barcelona estraçalhou o Real

Resultado que só engana quem não viu o jogo e que acaba por pecar por escasso. O que se passou ontem no Santiago Bernabéu não foi um banho de bola do Barcelona, também não foi uma humilhação (a não ser que se queiram cingir à história do Real Madrid, mas o futebol é feito do presente e não do passado), nem a banalização da equipa do Real.
Não há palavras para descrever o que aconteceu ontem, mas a vitória do Barcelona é tão natural que nem se pode classificar de surpresa. Golear já começa a ser algo banal nesta equipa. O Real Madrid não conseguia dar mais de dois toques na bola pois os seus jogadores não aguentavam o brilho do adversário que ainda falhou inúmeras oportunidades de golo.
Aquele futebol de passe curto com movimentações constantes de todos os jogadores pelo terreno e a pressão exercida pelas linhas média e dianteira dos blaugrana deixa qualquer adversário desnorteado e não dá a mínima hipótese! Não basta ter sorte e jogar muito bem para vencer este Barça. Para se ser bem sucedido contra esta máquina de jogar futebol é preciso contar com (muita) ajuda divina!
Não vale a pena resistir. Façam como o Chelsea: metam onze à baliza e rezem a todos os santinhos. Talvez tenham alguma hipótese.

sexta-feira, maio 01, 2009

Não podemos confiar na comunicação social

Para quem ainda não sabia que não se pode confiar na comunicação social, fica agora a saber. Dois exemplos:
1- Vital Moreira e a revolta popular. A totalidade da imprensa online dava conta de agressões e o Correio da Manhã falava mesmo em cuspidelas e murros nas costas e na cabeça do candidato do PS às europeias. Segundo parece, "apenas" atiraram água a Vital Moreira, insultaram-no e empurraram-no.
2- Com toda esta campanha alucinante em torno da gripe suína, mexicana ou A (H1N1), a comunicação social parece revelar-se muito triste por ainda não ter sido diagnosticado um caso destes em Portugal. Assim, é frequente assistirmos a notícias como "duas suspeitas de casos de gripe suína... descobriu-se que afinal é meningite" (como se fosse coisa pouca), ou "mulher de 31 anos com suspeita de gripe suína... voltou para casa". Eles andam desejosos por apanhar um caso de gripe suína em Portugal para dedicarem horas e páginas a estes casos e não me admirava nada que alguém se dedicasse a fazer de tudo só para conseguir contaminar alguém para que também nós pudéssemos dizer "não são só os outros que têm gripe suína, nós também temos".

Cuidado! Muito cuidado! A comunicação social quando quer pode ser do mais reles que há à face da terra.

Não confundamos as coisas, nem as aproveitemos, sff

Depois de saber que Vitalino Canas afirmou que as ofensas contra Vital Moreira "foram uma agressão contra o PS", não pude deixar de me espantar com as declarações do porta-voz dos socialistas. Creio que tudo se trata de um mal entendido, pois é provável que Vital Moreira tenha sido alvo da fúria popular não por ser candidato do PS às europeias, mas por ser ex-militante do PCP. Não confundamos as coisas, nem as aproveitemos em benefício de causas que nada têm a ver com os factos que lhes atribuíram mediatismo.

Playboy portuguesa - II


A segunda edição da Playboy deixou-me dividido. Passo a explicar os motivos da minha divisão e incerteza quanto ao futuro da Playboy. Não está em causa o poderio físico de Cláudia Jacques, que aos 44 anos faz inveja a qualquer uma com metade da sua idade. Por melhores que sejam os argumentos da produtora de eventos portuense, a Playboy não se deve deixar vencer pelo "Gang do silicone" que por aí anda a atacar as revistas de segunda linha como a FHM ou a Maxmen, onde Cláudia Jacques já surgiu. As mulheres que são capas desta revista querem-se naturais, como vieram ao mundo e não com "modificações". Ponham os olhos nas edições da Playboy americana desde o seu início até ao início da era do Botox e do silicone.
No entanto, não posso deixar de destacar que as fotos primam pela diferença, destacando-se das concorrentes que vulgarizam o nú feminino, fazendo com que cada mulher que aparece nas revistas do sector seja apenas mais uma com ar oferecido e que se vendeu por meia dúzia de euros. As fotos de Cláudia Jacques na Playboy dão-lhe um ar verdadeiramente natural e demarca-se da banalidade que por aí se vê.
Apesar de ainda ser cedo, o raciocínio deste último parágrafo faz-me ter confiança num futuro em que as pessoas passem a olhar para a Playboy com outros olhos, abrindo assim a possibilidade de chegar à capa da revista alguns nomes completamente inacessíveis. Aos poucos chegamos lá, mas para isso é preciso afastar a imagem de FHM 2.0.

quinta-feira, abril 30, 2009

Da gratuita instrumentalização de Abril em nome do corporativismo




“Quem quer garantir a própria liberdade, deve preservar da opressão

até o inimigo; pois, se fugir a esse dever, estará a estabelecer

um precedente que até a ele próprio há-de atingir".


Thomas Paine




No passado dia 27 de Abril, Mário Crespo escreveu um artigo de opinião no Jornal de Notícias em que acusa José Sócrates de processar jornalistas que escrevem textos com os quais não concorda.

Mário Crespo afirma expressamente que José Sócrates controla a justiça em Portugal e que, caso estes processos movidos contra jornalistas conheçam o seu desfecho antes do caso Freeport, tal só pode constituir uma prova irrefutável de que o governo condiciona de forma ditatorial a informação publicada no País.

Não posso ficar senão atónito perante este texto, atenta a contextualização abusiva dos processos em causa e do papel atribuído a cada interveniente e, bem assim, da distorção de conceitos legais e hierarquias de poder, que não se pode crer inocente. Vejamos:

Já há mais jornalistas a contas com a justiça por causa do Freeport do que houve acusados por causa da queda da ponte de Entre-os-Rios. Isto diz muito sobre a escala de valores de quem nos governa.

Chegar aos 35 anos do 25 de Abril com nove jornalistas processados por notícias ou comentários com que o Chefe do Governo não concorda é um péssimo sinal. (…) Se os processos contra jornalistas avançarem mais depressa do que as investigações do Freeport, a mensagem será muito clara. O Estado dá o sinal de que a suspeita de haver membros de um governo passíveis de serem corrompidos tem menos importância do que questões de forma referentes a notícias sobre graves indícios de corrupção. Se isso acontecer é a prova de que o Estado, através do governo, foi capturado por uma filosofia ditatorial com métodos de condicionamento da opinião pública mais eficazes do que a censura no Estado Novo porque actua sob um disfarce de respeito pelas liberdades essenciais
.”

Em primeiro lugar, e segundo o jornalista Mário Crespo, estamos obrigados a olhar o processo judicial que nasceu da tragédia de Entre-os-Rios como o nosso indexante numérico para deduzir queixas contra quem viola qualquer direito legalmente consagrado. Haverá tantos cidadãos a contas com a justiça quantos os arguidos de Entre-os-Rios. Quem não respeitar tal indexante não respeita a tragédia em causa nem tampouco pode amar o 25 de Abril.

Ora, não é inocente esta escolha do jornalista que traz aqui um exemplo de não justiça, um caso que reconhecidamente envergonha quem promove a acção penal – lembre-se que não é o Governo, cujos poderes se encontram constitucionalmente separados daqueles.


Por outro lado, não pode deixar de se sublinhar o tom corporativista da frase “nove jornalistas processados por notícias ou comentários com que o Chefe do Governo não concorda”.

Quer o autor do texto dar a entender que os processos movidos por Sócrates se baseiam em delito de opinião ou numa mera discordância com o que foi escrito ou divulgado via televisiva, configurando essa iniciativa uma forma de censura. Moles e invertebrados deverão ser estes novos intervenientes na vida pública quando até o exercício de um direito poderá ser tido como censura.

Nesta óptica, os jornalistas inserem-se numa categoria que permite a isenção perante a lei, no exercício de um direito fundamental - liberdade de opinião - de forma aparentemente irrestrita, independentemente de o mesmo colidir com outros direitos constitucionalmente consagrados.



É a concretização da ideia de que a verdade se materializa na pena de cada jornalista e que estes podem ser ofendidos mas nunca ofensores (veja-se, p. ex., que a TVI e dois dos seus jornalistas irão processar o primeiro-ministro por se sentirem “lesados” quando este manifestou a sua opinião num outro órgão de comunicação).

Quem invoca o 25 de Abril de forma tão veemente, deveria ter em conta que a violação sistemática de disposições legais (violação do segredo de justiça, do direito à honra, do direito ao bom nome, do princípio da presunção de inocência, entre outras) não é admissível num Estado de Direito, até à luz da Declaração Universal dos Direitos do Homem.

A imprensa livre é um dos valores fundamentais de uma democracia saudável mas quem invoca o 25 de Abril não pode confundir imprensa livre com uma imprensa irresponsável e acima da lei. Este princípio vale para todos os cidadãos, representem ou não um órgão do Estado, estejam acusados ou sob mera suspeição.

Por outro lado, comparar a tramitação do caso Freeport com a tramitação de um processo por difamação encerra uma manipulação demagógica e perigosa. Basta pensar nas diligências necessárias em sede de inquérito necessariamente diversas em ambos os casos - o número de provas a recolher, as testemunhas a ouvir, os volumes de documentos a analisar - para se perceber a incongruência de tal paralelismo.

No entanto, o jornalista Mário Crespo afirma que, no caso de a tramitação do Processo Freeport não for mais célere que os restantes processos, tal constitui a “prova de que o Estado, através do governo, foi capturado por uma filosofia ditatorial com métodos de condicionamento da opinião pública mais eficazes do que a censura no Estado Novo porque actua sob um disfarce de respeito pelas liberdades essenciais.”

Esta ideia de que o Governo manipula activamente o Processo Freeport é contrário à leitura intuitiva e empírica que qualquer observador distanciado faria do caso – veja-se que estamos a falar de controlo e não de eventuais tentativas de pressões que deverão ser denunciadas caso se determine a sua existência e real extensão.

Basta ver que as diligências processuais que, em tese, implicam José Sócrates são realizadas em catadupa em momento de eleições, quando mais o podem ferir. Isto para não falar da arquitectada génese do processo Freeport, em que um órgão de investigação criminal se reúne com chefes de gabinete de políticos concorrentes de Sócrates e denunciantes que não o querem ser, para dar início a um processo.

Será a isto que se chama um due process of law?

Confundir o Estado com o Governo e pretender, de forma arruaceira e maniqueísta, que este último controla a justiça só pode ser lida como uma conclusão de que o Governo deverá ser responsabilizado sempre que a justiça que emerge dos tribunais não coincide com a justiça plasmadas nas capas dos jornais.


É grave e de lamentar que Mário Crespo escreva que “o Primeiro Ministro do décimo sétimo governo constitucional fica indelevelmente colado à imagem da censura em Portugal, 35 anos depois de ela ter sido abolida no 25 de Abril”, usando gratuitamente uma imagem extremista e utilizando um termo que sabe causar alarme – “censura” – para esconder um mau estar perante a necessidade da classe jornalística respeitar a lei.

É com desconforto que assisto a esta instrumentalização do 25 de Abril protagonizada por alguém que me habituei a respeitar, especialmente usando como veículo uma miscelânea de ideias que conduzem tão somente a um ideal corporativista e isolada do jornalismo.

Ainda estou incrédulo que, da leitura do texto em causa, apenas possa concluir que o autor não quer nem defende a liberdade para todos; mas tão somente toda a liberdade para a sua classe.

E 35 anos depois do 25 de Abril, tais factos não podem deixar de se assinalar.

quarta-feira, abril 29, 2009

"Bom dia, PSD, fala a Manela. Em que posso ser útil?"


Manuela Ferreira Leite lançou um call center com o intuito de ouvir as sugestões dos cidadãos. A ideia é inovadora e dá uma boa imagem daquilo que deve ser a participação activa da população na política, afastando a ideia de que são todos iguais e não ouvem ninguém. Numa altura em que todos recorrem às ideias do costume como forma de fazer cacique, nomeadamente através de hi5, youtube e companhia e de "velhas tecnologias" como a demagogia e a ilusão, aqui está uma forma diferente de fazer política incluindo o povo no processo de mudança que o nosso país tanto precisa, podendo fazer-se finalmente ouvir. Excelente iniciativa!

Vai tudo c'os porcos! - II

Esta história de tamiflu, gripe das aves e gripe suína com as farmacêuticas, na minha opinião, assemelha-se ao caso das empresas de antivírus informáticos: é preciso fazer um update aos vírus para continuar a vender mais e novos produtos. Até agora a estratégia tem resultado: só em Portugal, onde não existe nenhum caso destas "viroses" a comunicação social faz as vezes de assessora das farmacêuticas ao espalhar o alarmismo em todo o país, a população já tratou de reabastecer o seu stock de medicamentos com um que provavelmente não necessitará.

Vai tudo c'os porcos!

Estou confuso: porque é que os mexicanos têm "gripe suína" e os americanos e europeus têm "gripe mexicana"?

terça-feira, abril 28, 2009

segunda-feira, abril 27, 2009

O que é que nasceu primeiro:o ovo ou a galinha?

"«Comparar-me a Madoff vai ter consequências graves» - João Rendeiro não gostou da comparação do presidente da CMVM, que comparou os problemas do BPP ao caso Madoff"

Fonte: Diário IOL

Então e se chamarmos "Rendeiro" a Bob Madoff? Já pode ser?

Católicas mexicanas e islâmicas do Médio Oriente

Orientais ou Ocidentais, cristãs ou islâmicas, o destino acaba por ser o mesmo...