sábado, junho 20, 2009

Obras Públicas: vantagens da segunda opção menos má

Numa altura em que 28 economistas apelam ao Governo para que se reavaliem os grandes projectos, alerto para a necessidade de se escolher a segunda opção menos má, num género de custo de oportunidade invertido.
Assim, o Bar Velho lança a seguinte pergunta como tópico de reflexão a propósito do TGV: é preferível perder 1,3 milhões de euros em fundos comunitários, cuja devolução poderá ser negociada com a União Europeia, ou é melhor para o país derreter 7,7 milhões de euros numa obra que favorece mais os interesses espanhóis que os portugueses e cujo investimento provavelmente constitui fundo perdido?

José Eduardo Moniz no Benfica? Não, obrigado

A possível ida de José Eduardo Moniz para o Benfica fez-me lembrar aqueles xeques árabes que surgem como potenciais compradores dos clubes e acenam com largas somas de dinheiro para comprar reforços.
Não é que esta ideia me desagrade de todo. O que me faria verdadeiramente confusão seria ter Manuela Moura Guedes como primeira dama.

sexta-feira, junho 19, 2009

A estranha conspiração em torno de Ahmadinejad

Se houve, de facto, fraude eleitoral, ninguém se interroga porque é que as Nações Unidas não se pronunciam sobre as Presidenciais iranianas?
Ninguém acha estranho que a Comunidade Internacional se refira constantemente a Ahmadinejad como hardliner ou extremist e numa altura em que o apoio a Mousavi se intensificou como forma de tentar garantir um Chefe de Estado iraniano que privilegie os interesses do Ocidente, subitamente se fale em fraude eleitoral porque os iranianos escolheram democraticamente Ahmadinejad para ser Presidente?

Vindo de quem vem, é normal

"Quem mais jura mais mente!...

O mínimo que se pede a um Governo é que fale verdade. Falar verdade, para não se ser desmentido a cada passo, faz inspirar confiança e ajuda a ultrapassar as dificuldades.
Mais uma vez se verificou que o Governo não falou verdade, até mentiu despudoradamente, quanto às razões da diminuição do défice público.
O Governo criticou desesperadamente Manuela Ferreira Leite por, enquanto Ministra das Finanças, ter recorrido a receitas extraordinárias para diminuir o défice público. E jurou, e continua a jurar, que receitas extraordinárias, jamais!...Jurou, mas vem sistematicamente mentindo!... Aliás, fazendo jus ao provérbio que diz que "quem mais jura mais mente..."
Ainda agora, o Relatório Anual do Banco de Portugal explicita que as receitas extraordinárias, em 2008, atingiram os 1,8 mil milhões de euros, obtidas pelo alargamento dos prazos e pela concessão de novas barragens e auto-estradas. E contribuíram para que o défice passasse de 3,7% para 2,6% do PIB.
Não se critica o recurso às receitas extraordinárias, pelo que evitam o aumento da dívida pública ou dos impostos. Critica-se, sim, a propalada promessa e mentira de não recorrer às mesmas.
Como mentira é dizer-se que a contenção do défice se deveu à diminuição da despesa. Pelo contrário, o Governo de Sócrates vem sempre aumentando a despesa pública, em termos nominais, em termos reais e em peso no PIB.
Ao contrário do que o Governo diz, a grande contribuição para a diminuição do défice foi o aumento da carga fiscal e as receitas extraordinárias.
A mentira também foi penalizada nas últimas eleições."

José Sócrates

"Pode-se enganar todas as pessoas durante algum tempo; pode-se até enganar algumas pessoas durante o tempo todo; mas não é possível enganar todas as pessoas durante o tempo todo."
Abraham Lincoln

A campanha vista de fora

O jornal espanhol La Vanguardia fez um extenso artigo sobre as eleições europeias, onde consta o seguinte:

"Mención especial merecen los carteles de Ferreira Leite que jalonan las carreteras portuguesas. "Não desista. Todos somos precisos", reza. Pero la desolada foto en blanco y negro de la candidata, sin maquillar, podría hacer pensar a los turistas que visitan el Algarve que se trata del mensaje de una asociación de apoyo a la tercera edad o de prevención del suicidio."

Esta é a imagem que Manuela Ferreira Leite causa...somos todos precisos para a prevenção do suicídio.

Já quanto ao apoio à terceira idade - pelo menos, o apoio à terceira idade da Dr.ª Manuela - o Citibank e o Santander já asseguraram o futuro.

Política de verdade, meus amigos...

quinta-feira, junho 18, 2009

Afinal, o que é ser "alegrista"?

Tanto ouvi falar de "alegristas" e "alegrismo" que decidi fazer uma pesquisa aprofundada sobre esse fenómeno para tentar compreendê-lo. Por esse motivo, decidi visitar o website do Movimento de Intervenção e Cidadania (MIC), movimento cívico criado por Manuel Alegre após a derrota nas Presidenciais de 2006, com o intuito de contribuir para o desenvolvimento da cidadania e da democracia.
Consultando o programa de actividades do MIC ao longo dos últimos três anos, podemos constatar que em 2006 realizou-se um debate com Manuel Alegre sob a temática "Água: Mercadoria ou Direito?" (Setembro). Em 2007 foi realizado um debate moderado por um membro do Conselho Geral do MIC com a presença de Helena Roseta subordinado ao tema "A Reforma do Estado Social e o Futuro da Democracia" (Janeiro); foi exibido o filme de Al Gore "Uma Verdade Inconveniente" seguido de discussão (Março); participaram no "desfile" do 25 de Abril; e organizaram um debate intitulado "Território: novos usos do solo", uma vez mais com Helena Roseta (Maio).
O MIC adormeceu durante 19 meses consecutivos e só voltou ao trabalho em Dezembro de 2008 para lançar o líder do movimento numa entrevista na SIC Notícias. De Janeiro de 2009 até ao presente momento, o programa de um movimento cívico como o MIC, criado para contribuir para o desenvolvimento da democracia, intriga-me dado que as actividades organizadas pelos seus dirigentes resumiram-se a jantares e algumas reuniões dos órgãos sociais, eventos de leitura de poesia por Manuel Alegre, lançamentos de livros e palestras do Clube de Pensadores, esse grupo elitista que contribui para tudo menos para a intervenção do cidadão comum.
Torna-se incompreensível toda a euforia em torno de Manuel Alegre e dá que pensar que um indivíduo com tamanho vazio de ideias tenha acolhido 20% dos votos nas eleições de 2006, a esmagadora maioria dos quais obtidos através do critério da "pena": os portugueses tendem a solidarizar-se com aqueles que acham que foram injustiçados ou perseguidos e não hesitam em dar-lhes protagonismo e poder mesmo que estes não apresentem uma solução que seja.
A situação torna-se mais gritante quando vemos que ao longo de três anos o MIC viveu à base de jantares, reuniões dos órgãos sociais e de uma Helena Roseta ávida de protagonismo e que marcava presença nos poucos eventos organizados com um mínimo de seriedade, ainda que sem grande interesse.
Não se consegue explicar como é que um movimento que, de acordo com dados oficiais, conta com 1102 membros e tenha tido despesas que totalizaram perto de 25.000 euros em três anos para fazerem... rigorosamente nada e quase 9.000 euros tenham sido gastos para criar um site minimalista e básico. É o líder deste movimento o homem que concentra atenções como ninguém e por quem os partidos tremem sempre que ele decide movimentar-se para a esquerda ou para a direita? Povo triste e vazio este.
Numa altura em que se encontra em fase de lançamento o movimento "Nova Esquerda", composto por "alegristas" descontentes com a permanência de Manuel Alegre no PS, questiono-me sobre o que é isso de ser "alegrista": será alguém que defende os mesmos ideais que o poeta-político (os quais se desconhecem) ou um mero clube de fãs de Alegre que se quer aproveitar politicamente da visibilidade que este tem?

Benfica contratou Jesus... ou Deus em pessoa?

Finalmente acabou a novela "treinador do Benfica'2009/10". Ontem foi apresentado um treinador que me deixou com sérias dúvidas sobre se se tratava de Jorge Jesus, José Mourinho, ou um misto dos dois.
O discurso, a confiança, a determinação e a ambição no discurso era por demais evidente, chegando por vezes a roçar a arrogância que caracteriza o actual treinador português do Inter de Milão.
Por instantes parece que Jorge Jesus se esqueceu de 18 anos de carreira intermitente, marcada por descidas de divisão e fugas à despromoção em equipas que jogavam no campo dos adversários para o 0-0.
Repentinamente, o Jorge Jesus perdedor morreu e ressuscitou um Jorge Jesus que reinventou a carreira como treinador no Belenenses, deu-lhe continuidade no Sporting de Braga e agora parece querer voar mais alto no Benfica.
Não sei se este Jesus fará o milagre da multiplicação de cinco pães e dois peixes em vitórias e golos, ou se terá capacidade para caminhar sobre as tormentosas águas que começam a banhar e a agitar o Estádio da Luz findas as duas primeiras jornadas. No entanto, já se operou o milagre do Jorge Jesus com discurso vencedor, o que não é mau para começar. Veremos nos próximos tempos se este Jesus afinal se trata de Deus em pessoa.

quarta-feira, junho 17, 2009

CNE confirma que cidadãos votaram duas vezes nas europeias

A Comissão Nacional de Eleições confirmou, esta quarta-feira, que tem conhecimento informal de cidadãos que votaram duas vezes nas últimas eleições europeias. Apesar da situação irregular, a CNE garantiu aos meios de comunicação que o resultado eleitoral não está em causa.

A TSF avançou um caso de um cidadão de Leiria que votou duas vezes com o cartão do cidadão e outro com o bilhete de identidade mas a CNE diz não ter conhecimento oficial do caso.

O porta-voz da CNE , Nuno Godinho de Matos, admitiu ainda a existência de mais casos como este, sublinhando, contudo, que será sempre um "número residual" pelo que se mostrou convicto de que o resultado das eleições ao Parlamento Europeu não será posto em causa.
Não obstante estas considerações preliminares, esta situação não pode ficar sem um escrutínio rigoroso, do qual deverá ser dado conhecimento aos eleitores.

Por outro lado, este tipo de situações pode servir como catapulta para um reflexão conjunta sobre o modo como é exercido o direito de voto e quais as garantias associadas aos mecanismos que nos permitir usufruir de um direito e de um dever que não pode ser manipulável.

Cabe ao Estado corrigir, em primeira mão, os problemas detectados mas esta é uma oportunidade de ouro para nos dirigirmos ao âmago do que representa o voto e o feixe de direitos que aí se materializa.

A abstenção ora verificada turva a nossa democracia pelo que enjeitar esta oportunidade poderá comprometer o seu sadio futuro.

terça-feira, junho 16, 2009

Irão: Mousavi rejeita recontagem dos votos

O principal rival do PR Mahmoud Ahmadinejad nas últimas eleições, Mir-Hossein Mousavi, rejeitou a recontagem dos votos proposta pelo Conselho dos Guardiões, o que poderá contribuir para o agravamento da tensão em Teerão com possíveis manifestações de revolta por parte dos seguidores do candidato derrotado nas presidenciais.
Acredito que a máquina de Ahmadinejad funcionou em seu favor e, apesar do povo iraniano pretender uma abertura do regime à discussão de temas tendencialmente promovidos pelos reformistas, a população terá estado maioritariamente do lado do PR sobretudo se atendermos que antes das eleições Ahmadinejad jogou uma cartada que pode ter sido decisiva, na medida em que se revelou disponível para abordar temas como os direitos das mulheres ou a abertura ao Ocidente.
Fraudes eleitorais não são comuns no Irão, pelo menos a este nível, e a verificar-se poderá colocar em causa quer Ahmadinejad quer o ayatollah Ali Khamenei, que, enquanto líder supremo, deve manter uma postura isenta sobre assuntos políticos, o que não se tem verificado com as constantes manifestações de apoio a Ahmadinejad.

Sócrates e a maioria absoluta: é impensável exigir-se publicamente menos do que há quatro anos

De um lado, a comunicação social apregoa que o PM já não exige a maioria absoluta como que lutando agora por um objectivo menor que passe exclusivamente pela vitória nas eleições, do outro, José Sócrates defende que "a maioria parlamentar que dê condições para governar" é a maioria absoluta.
Vou pela teoria da comunicação social. O episódio do "queijo Limiano" provou que é possível governar com maioria simples, mas reconhecer que se luta por um objectivo mais humilde é como reconhecer que o Governo PS errou mais do que acertou não tendo por isso condições políticas ou morais para poder exigir a maioria absoluta.

Os EUA pretendem mesmo o diálogo com o Irão de Ahmadinejad?

Barack Obama veio mais uma vez dar provas que uma eventual abordagem dos EUA ao Irão está repleta de reservas. Hoje, por exemplo, o PR norte-americano decidiu novamente ingerir-se em assuntos de política interna iraniana.
Assim não vamos lá, Obama, e a razão continua a ser dada a Ahmadinejad: os EUA não têm que se pronunciar sobre questões internas de terceiros e nem tão-pouco têm o direito de questionar ou dar a sua opinião sobre factos que não presenciaram.

domingo, junho 14, 2009

Política de verdade?


Paulo Rangel, a nova coqueluche e ainda líder parlamentar do PSD, voltou a materializar na perfeição a "política de verdade" de que o seu partido tanto se orgulha e se arroga o exclusivo.

O Presidente da República vetou a nova Lei do Financiamento partidário afirmando que "são várias as objecções de fundo que suscitam as soluções normativas contidas no diploma em causa(...) Importa ainda ter presente que a alteração que agora se pretendia introduzir se afigura inoportuna, atenta a aproximação de vários actos eleitorais e a actual conjuntura económica e financeira do País".

Logo após o veto presidencial à nova Lei do Financiamento dos Partidos, Paulo Rangel quis apanhar a onda do veto e, como uma testemunha que só chegou ao local do crime após a fuga do seu autor, afirmou que "o PSD nunca pretendeu que estas alterações que motivaram o veto do senhor Presidente da República fossem avante. Aceitou apenas isso em última instância, para garantir um consenso unânime, que achou que era uma coisa positiva, mas nunca foi a favor, pelo contrário, até foi contra isso".

Esta onda não lhe saiu muito bem porque o PSD foi co-autor desta lei e aprovou-a por unanimidade na sua bancada parlamentar. O mar está a ficar flat, Paulo.

Sempre podíamos ter visto o deputado do Partido Socialista, António José Seguro, a fazer um tubo na perfeição mas tivemos que suportar este aprendiz de surfista...

É esta a política de verdade que o PSD pretende "vender" aos Portugueses, Paulo?

Com papas e bolos se enganam os tolos

Os 94 milhões de euros que envolvem a transferência de Cristiano Ronaldo para o Real Madrid foram alvo da mais profunda análise, fazendo-se comparações sobre várias áreas em que se podia investir tal soma, bem como o elevado salário mensal do jogador. As hipóteses eram várias: desde escolas e refeições às crianças etíopes, a bolsas de estudo e investigação científica.
Estranho no meio disto tudo é que os milhões de portugueses que se deram ao trabalho de fazer estes cálculos e que se insurgem contra os 94 milhões de euros + salários que saem dos cofres de um clube de futebol espanhol não percam dois segundos para tentar descobrir o que se poderia fazer com 20 mil milhões de euros saídos dos cofres do Estado directamente para o apoio a uma banca que se caracteriza pelas práticas usurárias sobre os clientes, com particular destaque para os 2 mil milhões de euros só para o BPN.
Porventura já alguém se questionou sobre quantas escolas, hospitais, estradas, postos de trabalho, serviços de saúde, bolsas de estudo e de investigação, refeições, entre outras, poderiam ser pagas com apenas metade deste valor? Alguém pede contas ao Governo sobre todo este desperdício de dinheiro dos contribuintes? Num país cujo eleitorado tem, regra geral, um QI superior à média de idades da população, um Governo que cometesse tal alarvidade teria apenas os votos dos candidatos do partido. Em Portugal ainda se vai atrás das cores, das caras, do cacique e das sandes de presunto acompanhadas pelo sumo de laranja do Jumbo.
P.S.: É certo e sabido que o Governo é um restaurante e os portugueses são clientes pouco exigentes, sem espírito crítico, que aceitam o prato que lhes é apresentado à frente. Queixam-se timidamente sobre a ausência de qualidade da comida, da forma como foi confeccionada e dos ingredientes utilizados, mas comem tudo até ao fim. Não fosse a acção de um género de ASAE ad hoc, a qual é representada por parte da oposição e pelo Presidente da República, talvez este restaurante permanecesse para sempre com a mesma gerência e os clientes, embora manifestamente descontentes com a sua actuação, continuassem a satisfazer-se com deliciosos pratos de lama, espinhos e pedras.

sábado, junho 13, 2009

A Nova Novela da TVI

Está encontrado o enredo da nova novela da TVI, que vai ter como protagonistas Jorge Jesus (no papel do casado mais disputado do burgo), Luís Filipe Vieira (tio de Rui Costa e presidente não executivo da empresa outrora líder de mercado do país) e Rui Costa (o sobrinho promissor com um MBA tirado nas Américas que vem liderar a empresa mas é constantemente sabotado pelo seu tio).

A novela vai contar ainda com o actor convidado António Salvador que tenta lutar contra o mais que evidente desmoronamento do seu casamento com Jesus. Apesar das ameaças, Jesus parece decidido a sair de casa mas...todas as acções têm consequências!
A TVI promete um novela que vai animar o verão futebolístico…onde tudo pode acontecer.

No entanto, o Bar Velho teve acesso à versão aprovada do guião e revela aos seus leitores, em primeira mão, o seu epopeico final:

Num final carregado de emoção e reviravoltas imprevistas, Jesus é crucificado ainda antes da aprovação do Relatório e Contas enquanto que Luis Filipe Vieira, num verdadeiro golpe de génio, conseguirá lavar daí as suas mãos, incriminando exclusivamente o seu sobrinho e recuperando o controlo da empresa…

À primeira todos caem...

De acordo com a imprensa, João Rendeiro, o homem que enriquece absorvendo as mais-valias de terceiros, quis apresentar um plano alternativo ao do Governo para os clientes do BPP, desta vez à custa das mais-valias do Estado.
Alguém quer correr o risco de cair pela segunda vez na marosca de um indivíduo que secou por completo poupanças de uma vida inteira aos seus clientes?

1984-2009: 25 anos sem o mito

Há precisamente 25 anos faleceu um dos maiores revolucionários da música nacional: António Variações. A vénia do Bar Velho a um dos grandes génios portugueses que tivemos a infelicidade de perder tão precocemente.

sexta-feira, junho 12, 2009

A história de quem venceu nos mercados...


Na sequência da decisão do Governo quanto ao BBP (já comentada no Barvelho), João Rendeiro, no que se pode considerar uma verdadeira fuga para a frente, veio criticar aquela e dizer que o Governo alimentou "falsas esperanças" aos clientes do banco.

Ferreira Fernandes analisa esta situação de forma lapidar pelo que, na impossibilidade de escrever algo comparável, partilho com os leitores do Barvelho o texto em causa:

"O Rendeiro das falsas esperanças
por Ferreira Fernandes

João Rendeiro, ex-presidente do BPP, disse ontem ao jornal i que o Governo alimentou "falsas esperanças" aos clientes do banco. Fala o especialista. O campeão nacional da alimentação de falsas esperanças aos clientes é ele, João Rendeiro. Há vários dias que os telejornais nos mostram esses clientes, e o que eles mais parecem, de facto, é gente alimentada por falsas esperanças. Sobre a decisão do Governo, Rendeiro disse mais: "Surpreendeu-me porque estava à espera de outra solução." Ele criou o problema - e diga-se que o fez com mestria (pode vir a ser o primeiro banco europeu a falir). Naturalmente, já que o problema é seu, arroga-se ao direito de criticar soluções. Há uns meses, ele lançou a sua biografia: João Rendeiro - Testemunho de um Banqueiro. Do título resta João Rendeiro. Deixou de ser Banqueiro e em vez de Testemunho muitos prognosticam-lhe mais um futuro de réu. Eis uma citação do livro: "O verdadeiro investidor é aquele que consegue absorver as suas menos-valias." Modesto. O melhor investidor é aquele que consegue absorver as mais-valias dos outros."

Hipocrisia à volta de Cristiano Ronaldo

"Com tanta fome no mundo e ele ganha fortunas", "todo este dinheiro daria para alimentar os pobres", "o valor da transferência e do salário dele dariam para criar mais postos de trabalho", etc.
O Bar Velho pede à população que acabe com a hipocrisia em torno de Cristiano Ronaldo. Se qualquer um de nós tivesse a mesma oportunidade que ele tem, jamais proferiria estes chavões e propagaria falsos samaritanismos. Deixem de ser invejosos e se se revoltam tanto deixem de assistir a jogos de futebol.

Uma Guerra que o PCP e a Fenprof não querem que acabe...

"A Fenprof poderá abandonar as negociações com o Ministério da Educação, marcadas para esta sexta-feira, caso Maria de Lurdes Rodrigues não recue em relação ao Estatuto da Carreira Docente e ao modelo de avaliação de desempenho. A Fenprof admite ser inútil e até negativa a participação em reuniões que apenas serviriam para iludir os professores, fazendo parecer que há negociação sem, de facto, haver", pode ler-se no comunicado enviado pela Fenprof para os media.

O Governo tem sido acusado de autismo em todo este processo de alterações ao estatuto da carreira docente e ao regime de avaliação dos professores, não obstante ter cedido em muitas matérias e ter, por mais de uma vez, alterado normativos que havia inicialmente proposto.

Não quero com isto dizer que as propostas do Governo são totalmente isentas de erros ou até que não padecem de desvios, alguns decerto graves, que urge corrigir em sede negocial com os respectivos sindicatos.

No entanto, é imperioso relembrar que os motivos que levam o Governo a encetar esta reforma prendem-se com a melhoria do ensino público, a democratização do acesso ao mesmo, e com a defesa de uma progressão na carreira justa, transparente e baseada no mérito - só por má-fé política se poderá acreditar que o Governo compraria esta guerra(será que foi ele que a comprou?) por mero capricho.

Os motivos que encontramos do outro lado da barricada foram sendo denunciados a par e passo, tendo-se centrado, num primeiro momento, na total renitência em se proceder a uma avaliação ampla que não passasse maioritariamente pelo peso da idade e pela ideia de que todos merecem classificações meritórias.

Após ultrapassada esta barreira, os sindicatos - em especial, a FENPROF - encetaram uma guerra surda com objectivos muito pouco meritórios que apenas a espaços se confundem com as lutas dos professores, os quais, num ambiente propício e liderados de forma responsável, teriam espaço para propor, negociar, ceder e vingar.

De facto, Mário Nogueira tem posto os interesses dos professores no bolso e usado os poderes que lhe foram conferidos para fazer vingar a sua agenda política e a agenda do seu partido - veja-se a título exemplificativo a última manifestação em véspera de eleições europeias.

Um militar norte-americano afirmou um dia que "a liderança é uma poderosa combinação de estratégia e carácter. Mas se tiver de passar sem um, que seja estratégia."

Ora, Mário Nogueira parece querer passar sem carácter. A classe que se ponha a pau a quem passou uma procuração em branco.

Afinal, em vez de lutarem pela credibilização e melhoria da profissão, andam a servir de arma política para tentar destituir um governo. Será que foi isto a que se propuseram?