terça-feira, junho 16, 2009

Os EUA pretendem mesmo o diálogo com o Irão de Ahmadinejad?

Barack Obama veio mais uma vez dar provas que uma eventual abordagem dos EUA ao Irão está repleta de reservas. Hoje, por exemplo, o PR norte-americano decidiu novamente ingerir-se em assuntos de política interna iraniana.
Assim não vamos lá, Obama, e a razão continua a ser dada a Ahmadinejad: os EUA não têm que se pronunciar sobre questões internas de terceiros e nem tão-pouco têm o direito de questionar ou dar a sua opinião sobre factos que não presenciaram.

domingo, junho 14, 2009

Política de verdade?


Paulo Rangel, a nova coqueluche e ainda líder parlamentar do PSD, voltou a materializar na perfeição a "política de verdade" de que o seu partido tanto se orgulha e se arroga o exclusivo.

O Presidente da República vetou a nova Lei do Financiamento partidário afirmando que "são várias as objecções de fundo que suscitam as soluções normativas contidas no diploma em causa(...) Importa ainda ter presente que a alteração que agora se pretendia introduzir se afigura inoportuna, atenta a aproximação de vários actos eleitorais e a actual conjuntura económica e financeira do País".

Logo após o veto presidencial à nova Lei do Financiamento dos Partidos, Paulo Rangel quis apanhar a onda do veto e, como uma testemunha que só chegou ao local do crime após a fuga do seu autor, afirmou que "o PSD nunca pretendeu que estas alterações que motivaram o veto do senhor Presidente da República fossem avante. Aceitou apenas isso em última instância, para garantir um consenso unânime, que achou que era uma coisa positiva, mas nunca foi a favor, pelo contrário, até foi contra isso".

Esta onda não lhe saiu muito bem porque o PSD foi co-autor desta lei e aprovou-a por unanimidade na sua bancada parlamentar. O mar está a ficar flat, Paulo.

Sempre podíamos ter visto o deputado do Partido Socialista, António José Seguro, a fazer um tubo na perfeição mas tivemos que suportar este aprendiz de surfista...

É esta a política de verdade que o PSD pretende "vender" aos Portugueses, Paulo?

Com papas e bolos se enganam os tolos

Os 94 milhões de euros que envolvem a transferência de Cristiano Ronaldo para o Real Madrid foram alvo da mais profunda análise, fazendo-se comparações sobre várias áreas em que se podia investir tal soma, bem como o elevado salário mensal do jogador. As hipóteses eram várias: desde escolas e refeições às crianças etíopes, a bolsas de estudo e investigação científica.
Estranho no meio disto tudo é que os milhões de portugueses que se deram ao trabalho de fazer estes cálculos e que se insurgem contra os 94 milhões de euros + salários que saem dos cofres de um clube de futebol espanhol não percam dois segundos para tentar descobrir o que se poderia fazer com 20 mil milhões de euros saídos dos cofres do Estado directamente para o apoio a uma banca que se caracteriza pelas práticas usurárias sobre os clientes, com particular destaque para os 2 mil milhões de euros só para o BPN.
Porventura já alguém se questionou sobre quantas escolas, hospitais, estradas, postos de trabalho, serviços de saúde, bolsas de estudo e de investigação, refeições, entre outras, poderiam ser pagas com apenas metade deste valor? Alguém pede contas ao Governo sobre todo este desperdício de dinheiro dos contribuintes? Num país cujo eleitorado tem, regra geral, um QI superior à média de idades da população, um Governo que cometesse tal alarvidade teria apenas os votos dos candidatos do partido. Em Portugal ainda se vai atrás das cores, das caras, do cacique e das sandes de presunto acompanhadas pelo sumo de laranja do Jumbo.
P.S.: É certo e sabido que o Governo é um restaurante e os portugueses são clientes pouco exigentes, sem espírito crítico, que aceitam o prato que lhes é apresentado à frente. Queixam-se timidamente sobre a ausência de qualidade da comida, da forma como foi confeccionada e dos ingredientes utilizados, mas comem tudo até ao fim. Não fosse a acção de um género de ASAE ad hoc, a qual é representada por parte da oposição e pelo Presidente da República, talvez este restaurante permanecesse para sempre com a mesma gerência e os clientes, embora manifestamente descontentes com a sua actuação, continuassem a satisfazer-se com deliciosos pratos de lama, espinhos e pedras.

sábado, junho 13, 2009

A Nova Novela da TVI

Está encontrado o enredo da nova novela da TVI, que vai ter como protagonistas Jorge Jesus (no papel do casado mais disputado do burgo), Luís Filipe Vieira (tio de Rui Costa e presidente não executivo da empresa outrora líder de mercado do país) e Rui Costa (o sobrinho promissor com um MBA tirado nas Américas que vem liderar a empresa mas é constantemente sabotado pelo seu tio).

A novela vai contar ainda com o actor convidado António Salvador que tenta lutar contra o mais que evidente desmoronamento do seu casamento com Jesus. Apesar das ameaças, Jesus parece decidido a sair de casa mas...todas as acções têm consequências!
A TVI promete um novela que vai animar o verão futebolístico…onde tudo pode acontecer.

No entanto, o Bar Velho teve acesso à versão aprovada do guião e revela aos seus leitores, em primeira mão, o seu epopeico final:

Num final carregado de emoção e reviravoltas imprevistas, Jesus é crucificado ainda antes da aprovação do Relatório e Contas enquanto que Luis Filipe Vieira, num verdadeiro golpe de génio, conseguirá lavar daí as suas mãos, incriminando exclusivamente o seu sobrinho e recuperando o controlo da empresa…

À primeira todos caem...

De acordo com a imprensa, João Rendeiro, o homem que enriquece absorvendo as mais-valias de terceiros, quis apresentar um plano alternativo ao do Governo para os clientes do BPP, desta vez à custa das mais-valias do Estado.
Alguém quer correr o risco de cair pela segunda vez na marosca de um indivíduo que secou por completo poupanças de uma vida inteira aos seus clientes?

1984-2009: 25 anos sem o mito

Há precisamente 25 anos faleceu um dos maiores revolucionários da música nacional: António Variações. A vénia do Bar Velho a um dos grandes génios portugueses que tivemos a infelicidade de perder tão precocemente.

sexta-feira, junho 12, 2009

A história de quem venceu nos mercados...


Na sequência da decisão do Governo quanto ao BBP (já comentada no Barvelho), João Rendeiro, no que se pode considerar uma verdadeira fuga para a frente, veio criticar aquela e dizer que o Governo alimentou "falsas esperanças" aos clientes do banco.

Ferreira Fernandes analisa esta situação de forma lapidar pelo que, na impossibilidade de escrever algo comparável, partilho com os leitores do Barvelho o texto em causa:

"O Rendeiro das falsas esperanças
por Ferreira Fernandes

João Rendeiro, ex-presidente do BPP, disse ontem ao jornal i que o Governo alimentou "falsas esperanças" aos clientes do banco. Fala o especialista. O campeão nacional da alimentação de falsas esperanças aos clientes é ele, João Rendeiro. Há vários dias que os telejornais nos mostram esses clientes, e o que eles mais parecem, de facto, é gente alimentada por falsas esperanças. Sobre a decisão do Governo, Rendeiro disse mais: "Surpreendeu-me porque estava à espera de outra solução." Ele criou o problema - e diga-se que o fez com mestria (pode vir a ser o primeiro banco europeu a falir). Naturalmente, já que o problema é seu, arroga-se ao direito de criticar soluções. Há uns meses, ele lançou a sua biografia: João Rendeiro - Testemunho de um Banqueiro. Do título resta João Rendeiro. Deixou de ser Banqueiro e em vez de Testemunho muitos prognosticam-lhe mais um futuro de réu. Eis uma citação do livro: "O verdadeiro investidor é aquele que consegue absorver as suas menos-valias." Modesto. O melhor investidor é aquele que consegue absorver as mais-valias dos outros."

Hipocrisia à volta de Cristiano Ronaldo

"Com tanta fome no mundo e ele ganha fortunas", "todo este dinheiro daria para alimentar os pobres", "o valor da transferência e do salário dele dariam para criar mais postos de trabalho", etc.
O Bar Velho pede à população que acabe com a hipocrisia em torno de Cristiano Ronaldo. Se qualquer um de nós tivesse a mesma oportunidade que ele tem, jamais proferiria estes chavões e propagaria falsos samaritanismos. Deixem de ser invejosos e se se revoltam tanto deixem de assistir a jogos de futebol.

Uma Guerra que o PCP e a Fenprof não querem que acabe...

"A Fenprof poderá abandonar as negociações com o Ministério da Educação, marcadas para esta sexta-feira, caso Maria de Lurdes Rodrigues não recue em relação ao Estatuto da Carreira Docente e ao modelo de avaliação de desempenho. A Fenprof admite ser inútil e até negativa a participação em reuniões que apenas serviriam para iludir os professores, fazendo parecer que há negociação sem, de facto, haver", pode ler-se no comunicado enviado pela Fenprof para os media.

O Governo tem sido acusado de autismo em todo este processo de alterações ao estatuto da carreira docente e ao regime de avaliação dos professores, não obstante ter cedido em muitas matérias e ter, por mais de uma vez, alterado normativos que havia inicialmente proposto.

Não quero com isto dizer que as propostas do Governo são totalmente isentas de erros ou até que não padecem de desvios, alguns decerto graves, que urge corrigir em sede negocial com os respectivos sindicatos.

No entanto, é imperioso relembrar que os motivos que levam o Governo a encetar esta reforma prendem-se com a melhoria do ensino público, a democratização do acesso ao mesmo, e com a defesa de uma progressão na carreira justa, transparente e baseada no mérito - só por má-fé política se poderá acreditar que o Governo compraria esta guerra(será que foi ele que a comprou?) por mero capricho.

Os motivos que encontramos do outro lado da barricada foram sendo denunciados a par e passo, tendo-se centrado, num primeiro momento, na total renitência em se proceder a uma avaliação ampla que não passasse maioritariamente pelo peso da idade e pela ideia de que todos merecem classificações meritórias.

Após ultrapassada esta barreira, os sindicatos - em especial, a FENPROF - encetaram uma guerra surda com objectivos muito pouco meritórios que apenas a espaços se confundem com as lutas dos professores, os quais, num ambiente propício e liderados de forma responsável, teriam espaço para propor, negociar, ceder e vingar.

De facto, Mário Nogueira tem posto os interesses dos professores no bolso e usado os poderes que lhe foram conferidos para fazer vingar a sua agenda política e a agenda do seu partido - veja-se a título exemplificativo a última manifestação em véspera de eleições europeias.

Um militar norte-americano afirmou um dia que "a liderança é uma poderosa combinação de estratégia e carácter. Mas se tiver de passar sem um, que seja estratégia."

Ora, Mário Nogueira parece querer passar sem carácter. A classe que se ponha a pau a quem passou uma procuração em branco.

Afinal, em vez de lutarem pela credibilização e melhoria da profissão, andam a servir de arma política para tentar destituir um governo. Será que foi isto a que se propuseram?

CR9(4)

Cristiano Ronaldo vai jogar no Real Madrid com o número 9, tendo já registado há alguns meses a marca CR9, o que afasta o elemento surpresa desta transferência no valor de 94 milhões de euros.
No entanto, o que ainda me consegue causar surpresa é o facto de constatar que Florentino Pérez não aprendeu com os erros do seu primeiro mandato e a história volta a repetir-se: o Real Madrid só compra jogadores do meio-campo para a frente (Kaká, Villa, Ronaldo e, quiçá, Ribéry) e volta a negligenciar o reforço da defesa, o ponto mais frágil da equipa. Acredita o Presidente que sempre que a equipa sofrer quatro golos vai conseguir marcar cinco?

quinta-feira, junho 11, 2009

A desdita tem mais encanto...

Quando forçada pelo discurso - neste caso, o de 10 de Junho - do Presidente da República.

Depois das eufóricas declarações de Paulo Rangel, em jeito de ultimato, transmitindo na noite eleitoral uma nova interpretação político-constitucional do PSD quanto à legitimidade dos governos em funções e as suas vicissitudes, Manuela Ferreira Leite viu-se obrigada a vir dar o dito por não dito e corrigir o seu líder parlamentar.

De facto, Paulo Rangel, falando não em nome próprio mas enquanto líder parlamentar do PSD, interpelou o PS para que não tome grandes decisões, atento o resultado verificado nas eleições.

Ontem, a presidente do PSD reiterou que o governo terá "a sua capacidade limitada, nalgum tipo de decisões, que não têm a ver com o resultado das eleições, mas com o facto de estar no fim a legislatura".


Manuela Ferreira Leite percebeu que o jogo que Rangel começou era perigoso e ia contra o que o Presidente da República afirmou no 10 de Junho e poderia fazer perigar a aliança estratégica com que a líder sonha...

Com efeito, Cavaco Silva abordou alguns dos princípios problemas de Portugal e responsabilizou os agentes políticos - todos - pela elevada abstenção verificada nas eleições europeias. Mais disse Cavaco que, em termos de futuro, importa "ter uma visão estratégica de médio e longo prazo, alheia a calendários imediatos".

Ora, esta declaração de Cavaco feriu de morte a tentativa do PSD de por o país em coma até Outubro (talvez para depois criticar?), declaração essa do PSD que, se não fosse tão irresponsável, até daria para rir...

Serei eu sisudo? Não sei, mas os meus lábios continuam inamovíveis.

Maria da Graça Carvalho: a amiga dos estudantes portugueses, agora quer ser amiga dos estudantes europeus

Durante a campanha para as Europeias-2009, a "política da verdade" do PSD defendia como compromisso europeu: "Apoiaremos o objectivo de aumentar o financiamento do Ensino Superior".
O aumento de quase 200% do valor das propinas das Universidades públicas foi uma das medidas do XV Governo Constitucional, liderado por Durão Barroso, antes de desaparecer para o Parlamento Europeu, deixando o PSD e o país ao abandono.
Para o (e)leitor mais incauto, a presença de Maria da Graça Carvalho no terceiro lugar da lista liderada por Paulo Rangel poderá ter passado despercebida, até porque durante as acções de campanha a "professora universitária" aparecia muito discretamente perdida entre cabeça-de-lista e militantes.
Porém, aqueles que estão mais atentos à composição das listas certamente terão dado conta que Maria da Graça Carvalho era candidata ao Parlamento Europeu e aqueles que se recordem minimamente do Governo de Durão Barroso, lembrar-se-ão, certamente, que Maria da Graça Carvalho era Ministra da Ciência e do Ensino Superior do XV Governo Constitucional, tendo substituído Pedro Lynce.
Pergunto-me o que quererá a eurodeputada eleita propor no Parlamenteo Europeu: a subida das propinas e o ensino "tendencialmente gratuito" que defendeu e implementou enquanto Ministra da Ciência e do Ensino Superior?
Curioso é que muitos dos que na altura participaram em acções de protesto contra a Ministra agora tenham votado na lista de Paulo Rangel sem sequer oporem reservas ou confrontarem o cabeça de lista com esta situação, contribuindo para a eleição da polémica Ministra para o Parlamento Europeu e para uma eventual defesa das mesmas medidas que implementou em Portugal. O português tem a memória muito curta: aquele que ontem era besta, em segundos passa a bestial.

Caso BPP: Estado não pode fazer muito mais nesta situação

João Rendeiro, ex-Presidente do Banco Privado Português, lamenta que o Governo tenha "alimentado falsas esperanças aos clientes do banco". Não deixa de ser surpreendente que um dos principais responsáveis por toda esta situação em que se encontram os clientes do banco, que continua a lesá-los gravemente, se sinta com o dever moral de dirigir acusações e censurar condutas alheias.
Nesta situação, não posso deixar de concordar com a conduta do Governo: o Estado não pode, nem deve, fazer muito mais do que já tem feito nesta situação. Já no BPN e na constituição do fundo de apoio à banca no valor de 20 mil milhões de euros, o Governo não devia ter feito nada. Quem investe dinheiro, tem que analisar muito bem o local para onde dirige o seu dinheiro, pois consultar apenas a taxa de juro é manifestamente insuficiente. O Estado português não pode canalizar o dinheiro dos contribuintes para garantir as poupanças de um grupo restrito, sob pena disso se tornar um bom negócio para quem tem dinheiro nessas instituições.
O que o Estado português pode e deve fazer passa por uma lei semelhante àquela que Barack Obama aprovou recentemente e que obrigou os executivos da AIG a restituir os valores pagos pela seguradora. Urge ainda a necessidade de, entre outros, reformar a legislação que permite que empresas sediadas em offshores adquiram bens imóveis a título gratuito ou oneroso, ou, indo mais além, que sejam excepcionais os casos em que são as empresas as proprietárias de bens, pois toda a gente sabe que isso é considerado fraude à lei. Deverá, igualmente, alterar-se o regime de modo a que passe a vigorar a "presunção de propriedade" relativamente a bens registados em nomes de empresas mas destinados ao uso pessoal de um indivíduo e respectiva família.

quarta-feira, junho 10, 2009

O pior Presidente do Sport Lisboa e Benfica de que há memória: Manuel Vilarinho

Numa altura em que Luís Filipe Vieira decide dar uma de "chico-esperto" antecipando as eleições como forma de limitar eventuais candidaturas adversários às eleições no Sport Lisboa e Benfica, permitam-me afirmar desde já que o actual Presidente é um dos piores da história do clube. Em seis anos é impressionante a escassez de feitos em benefício do clube e ganhar campeonatos não é tudo, ainda para o mais quando estes são conquistados quase como que por obra do acaso. Exceptuando o equilíbrio das contas durante algum tempo, Luís Filipe Vieira é um verdadeiro vazio de ideias e de inteligência, exibindo cada vez o autismo que o caracteriza.
No entanto, nem tudo é mau. Gostaria de recordar o seu antecessor, Manuel Vilarinho, como sendo aquele que conseguiu fazer mais asneiras que Manuel Damásio (o milagreiro que em dois meses conseguiu desfazer um plantel vencedor, demitir um treinador campeão e contratar um treinador com integridade física e mental duvidosas) e Luís Filipe Vieira. Durante pouco mais de um ano, Vilarinho acumulou disparates inexplicáveis (embora tenha cumprido um mandato de três anos), senão vejamos:
- demitiu um tal de José Mourinho depois de vencer o Sporting por 3-0, duvidando da qualidade do treinador português, e achando que este não justificava um contrato por mais de seis meses. De seguida, Mourinho foi campeão europeu, venceu a Taça UEFA, foi bicampeão português, bicampeão inglês, campeão italiano e é hoje considerado o melhor treinador do mundo;
- contratou por 1,2 milhões de euros um verdadeiro coveiro de balneários e brinca-na-areia, Roger Galera Flores, que gostava de estragar o ambiente no grupo de trabalho e queria ser a vedeta. Hoje anda perdido e não consegue ter um clube certo;
- não satisfeito, decidiu que van Hooijdonk, um verdadeiro matador que marcava golos de todas as formas e feitios e havia sido o melhor marcador com 24 golos, não se enquadrava naquele plantel, porque Roger era mais importante, e dispensou-o. Após a sua saída do Benfica, van Hooijdonk foi campeão holandês, venceu a Taça UEFA e continuou a notabilizar-se como melhor marcador dos campeonatos que disputou;
- depois de um pré-acordo com Mário Jardel, decidiu que não valia a pena contratar o jogador porque já tinha no plantel um tal de "Jardel de Coimbra" que quase desapareceu do futebol meses depois. Resultado? Acabou por ter de pagar 3 milhões de euros a Jardel, que acabaram convertidos com a contratação do seu irmão, George, o qual ao fim de algumas semanas literalmente desapareceu com um contrato milionário graças ao irmão. No ano seguinte Mário Jardel transferiu-se para o Sporting, marcou 42 golos e foi campeão nacional pelo clube de Alvalade;
- outro grande feito de Manuel Vilarinho foi ter sido o Presidente que ajudou o clube a terminar a época na pior classificação do seu historial, um inacreditável 6.º lugar e a ausência das competições europeias pela primeira vez em quase 100 anos de existência;
- celebrou um acordo estranhíssimo com o Alverca, na altura liderado por Luís Filipe Vieira, para a contratação de Mantorras por 5 milhões de euros. O Benfica pagou a verba, mas, segundo consta, o Alverca nunca chegou a ver um cêntimo.

Manuel Vilarinho foi isto, mas a culpa não morre solteira. Recordo que parte destes erros foram cometidos em co-autoria com os sócios, senão vejamos:
- ainda me lembro das manifestações de apoio ao "estraga-balneários" Roger e as declarações de outros tantos a pedirem a van Hooijdonk que se compatibilizasse com o seu colega de equipa;
- ainda me lembro de um célebre Benfica-Boavista que na altura poderia dar o primeiro lugar ao Benfica e pelo Estádio estavam espalhadas faixas com um dizer que nunca mais me esqueci "Jardel Fuck You! João Tomás é melhor que tu!", entre outros dizeres a rejeitarem Jardel;
- ainda me lembro de quando os sócios benfiquistas gritavam e cantavam em coro "Oh Toni! Mete o Mawete!", essa grande estrela angolana que hoje joga no Chipre, da mesma forma que esta época gritavam "Oh Quique! Mete o Mantorras!";
- ainda me lembro de quando os adeptos pediam a cabeça do treinador sempre que este "estranhamente" (para alguns benfiquistas) não colocava em campo outra grande estrela africana, o guineense Ednilson que hoje também joga no Chipre;
- ainda me lembro de, mesmo após todos estes disparates, os adeptos e os sócios benfiquistas implorarem para que Vilarinho se recandidatasse.

A Noite do Engano

Finalizada a noite eleitoral europeia, dormido o sono de beleza e assentada parte da poeira , é tempo de análise dos respectivos resultados.

I - Análise fria:

A abstenção é o maior partido português.

O PSD venceu as eleições contra os prognósticos de quem é pago para adivinhar as tendências de votos (não somente empresas de sondagens, como também politólogos, opinion-makers e comentadores).

O PS teve menos votos que o mínimo exigível (quer em absoluto, quer quando comparado com o opositor por excelência – o PSD) e, por isso, perdeu as eleições, acabando com a aura de invencibilidade que detinha.

O BE teve um incremento extraordinário de votos, sendo quase certo que irá eleger 3 deputados num quadro de redução do total de deputados elegíveis.

A CDU perdeu (temporariamente?) o estatuto de terceira força política portuguesa, tendo sido forçada a fazer a primeira declaração da noite, congratulando-se por chegar aos dois dígitos e afastando o fantasma do Bloco (quem?).

O CDS-PP deixou o táxi e teve uma votação equivalente ao tempo de antena de que o cabeça de lista dispôs, remando contra todas as expectativas.

O MEP teve uma estreia fulgurante, condizente com a campanha que realizou. Um partido a seguir atentamente pela postura e rectidão com que entrou no jogo.

II – Análise subjectiva

Para além dos resultados, é importante vislumbrar tendências e agrupamento de opiniões face a um determinado momento temporal e às respectivas circunstâncias.

Num manifestação impulsiva e de júbilo inocente (ou será calculista?), o PSD não se limitou a reconhecer a sua reentrada no posto de maior partido da oposição, como a votação indicia – uma votação que é óptima em termos relativos – porque supera a do PS – e meramente regular em termos absolutos.

O PSD, quiçá inebriado pela improbabilidade da noite eleitoral, subiu para o palanque e ergueu uma falsa espada que entendia conferir-lhe o direito de governar, desde já, o país, forçando o governo a entrar imediatamente em gestão.

Primeiro erro estratégico do PSD: Ao invés de mobilizar e galvanizar os seus eleitores, proferiu, pela voz do seu cabeça de lista, declarações desgarradas que indiciaram e destilaram tudo o que, aparentemente e de acordo com PSD, os eleitores não suportam no governo: falta de humildade.

O PSD atribuiu-se a si próprio um estatuto que os Portugueses podem muito bem não ter querido conferir-lhe com esta eleição e isso pode ser perigoso e danoso para a gestão de imagem do partido que irá ser feita daqui em diante.

E com este proclamado estatuto pretende por o País em pause – estado favorito de muitos políticos.

Por outro lado, entendo que os resultados demonstram uma clara penalização ao governo – nalguns casos, motivada por deficiências de comunicação das razões que levam a tomar determinadas medidas; noutros casos, por motivos que escapam ao controlo do Governo mas que a população acaba por manifestar descontentamento relativamente a essas vicissitude e, bem assim, em alguns casos em que o Governo não tomou as melhores opções e foi sancionado por isso.

No entanto, existem algumas tendências interessantes nos resultados apurados, a saber:

O PSD obteve uma percentagem normal para o maior partido da oposição (quase 32%), i.e., não obteve uma percentagem que permita considerar que o eleitorado quis mostrar um sinal de viragem do PSD para o PS – veja-se que quando tal vento de mudança aconteceu nas últimas eleições, o PS teve cerca de 45% dos votos…

Podemos argumentar ao invés que o eleitorado quis sim uma viragem à esquerda e alocou cerca de 15% dos votos que poderiam caber ao PS no Bloco de Esquerda e na CDU (ambos os partidos atingiram votações que me parecem, e arrisco a dizer, irrepetíveis.

É igualmente muito interessante ver que no Distrito de Lisboa, o qual é por excelência o distrito mais activo politicamente, p. ex. por se encontrar mais perto dos centros de decisão, o PS superou o PSD, o que pode ser um bom indicador em caso de uma menor abstenção.

A ser válida esta leitura, vemos que o panorama para as legislativas não se encontra definido nos moldes em que muita da comunicação social gostaria – a festa do PSD só poderá ser celebrada em circunstâncias muito excepcionais: apagar o passado da Manuela Ferreira Leite, apagar o bom que o Governo de Sócrates realizou, reduzir as intervenções públicas da Manuela Ferreira Leite e limitar os debates com Sócrates.

Só assim poderia o PSD esconder o facto de que não se encontra preparado para ser uma oposição forte, hábil e eficaz ao Governo. É hoje patente que o PSD encontra-se fragmentado, dividido e omisso no que toca a um projecto para Portugal e, bem assim, patente que não tem os quadros necessários para constituir um Governo sólido para os tempos árduos que vivemos e outros que se avizinham…

Os próximos meses serão vitais e muito difíceis para os dois maiores partidos portugueses.

Se esta pode ser uma noite de engano e lirismo, desenganem-se ambos - e rapidamente - quando pensam já ter ganho a próxima guerra.

terça-feira, junho 09, 2009

Regime de presenças e faltas dos Deputados

É sabido que o regime de presenças e faltas dos Deputados deixa muito a desejar, sobretudo porque as faltas podem ser justificadas com base na palavra dos mesmos, a qual faz fé. No entanto, a presunção é ilidível, pelo que, existindo indícios que apontem para outra justificação que não a dada pelo Deputado, a palavra deverá deixar de fazer fé.
Sobre o referido no parágrafo anterior cabe dar o exemplo de uma figura já conhecida em termos de faltas e ausências no cumprimento dos seus deveres públicos: Marta Rebelo, a jovem Deputada de 31 anos, que, sempre que há campanha eleitoral, faz questão de se inclinar por cima de vários militantes e membros de lista para aparecer nas televisões ao lado de Sócrates. A sua passagem pela Faculdade de Direito de Lisboa já muito foi comentada neste espaço, mas sobre o seu papel enquanto Deputada nada foi dito. Analisemos o percurso de Marta Rebelo enquanto Deputada à Assembleia da República, de acordo com dados obtidos através do site do Parlamento:
- Marta Rebelo é uma pessoa bastante susceptível à doença. Desde o início do ano faltou a 15 (quinze) sessões ordinárias por motivos de doença. Considerando que estas ocorrem duas a três vezes por semana, ficamos a saber que Marta Rebelo faltou a 1/4 das sessões ordinárias no Parlamento;
- Analisando com mais cuidado a folha de presenças, é possível verificar que a jovem Deputada já esteve doente pelo menos três vezes em 2009;
- Ficamos ainda a saber que a doença foi dura ao atacar Marta Rebelo entre 22 de Abril de 2009 e 8 de Maio de 2009 (quase três semanas). Não a invejo. Mas que doença é esta que deu tréguas à jovem Deputada ao ponto de a deixar participar na sessão solene do 25 de Abril, para depois atacá-la novamente até 8 de Maio? Será que a presença do Presidente da República e da comunicação social em peso, bem como todo o mediatismo dado à cerimónia, terão tido efeito analgésico? Será que a Deputada estava mesmo doente? Será que fez um sacrifício enorme em nome do 25 de Abril e do discurso inspirador do Chefe de Estado? Ou como no ano passado se tinha baldado decidiu aparecer por lá este ano só para não dizer que durante o tempo em que foi Deputada nunca assistiu a uma sessão solene do Dia da Liberdade?
Analisemos o percurso da Deputada em 2008:
- durante o ano civil de 2008, Marta Rebelo ficou 12 (doze) vezes doente! Chiça! É muita doença para uma pessoa só! Estes doze infortúnios resultaram em 24 faltas;
- é curioso ver que uma das faltas não se deve a "trabalho político" ou "doença", mas "motivo considerado relevante". Questiono-me sobre o que será o chamado "motivo considerado relevante". Terá desta vez ficado "prestes a chocar uma gripe"?
- é ainda curioso observar que entre 11 de Abril de 2008 e 2 de Maio de 2009, a jovem Marta ficou doente todas as semanas, mas aparecia sempre em pelo menos uma sessão ordinária. Estes meses de Abril e Maio são complicados para Marta Rebelo. Será do pólen ou ainda eventuais consequências da Páscoa?
- confesso que outra das minhas preferidas é a doença que atacou a Deputada Marta Rebelo de 2007 para 2008. Então vejam lá que a coitada ficou doente a 20 de Dezembro, faltando às últimas duas sessões ordinárias do ano, e tal foi a doença que na primeira sessão de 2008, a 4 de Janeiro, Marta Rebelo ainda se encontrava a recuperar. Estou solidário com a Deputada. Não deve ser fácil estar doente durante o Natal e o Ano Novo, épocas em que a malta gosta de festejar e até de viajar.
Como em Portugal ninguém se importa, ninguém quer saber, os Deputados fazem o que querem e ficam doentes demasiadas vezes. A menos que a Deputada seja portadora de alguma doença crónica que seja desconhecida do público, parece-me que existem motivos suficientes para obrigar Marta Rebelo a justificar todas estas faltas por doença. A estar verdadeiramente doente, ou a ter alguma doença crónica, não se compreende porque motivo se mantém em funções, devendo ser substituída por alguém capaz com interesse em desempenhar as funções de forma quase exclusiva. Se a lei nada faz, a moral, o bom senso e a dignidade deviam obrigar o Deputado a honrar as funções que exerce.

segunda-feira, junho 08, 2009

Há vida além do Bloco...

Não se alarmem com o Bloco de Esquerda. É um partido recente e por enquanto vemos abraços e beijinhos. A influência de Joana Amaral Dias, a primeira "encostada", era reduzida, mas foi só o primeiro caso típico da vida de um partido para o qual, por enquanto, tudo floresce.
Quando alguns dos influentes reivindicarem mais visibilidade e poder e começar a verdadeira contestação à liderança, então aí teremos o verdadeiro Bloco de Esquerda e tudo voltará ao normal.

Paulo Rangel: de vilão a estrela...

Subitamente a euforia concentrou-se em Paulo Rangel. É uma estrela em ascensão, é o salvador do partido, é... não tarda nada, o D. Sebastião que falta ao país!
Aconselho o PSD a não entrar euforias até porque convém não esquecer que a vedeta recém-concebida não tarda vai representar Portugal na Europa e deixará de ser o presidente do grupo parlamentar do PSD, fragilizando o partido e deixando Manuela Ferreira Leite num dilema: Paulo Rangel deverá honrar o seu compromisso com o eleitorado e cingir-se ao Parlamento Europeu, deixando o PSD à procura de um novo talento, ou deverá contribuir para o primeiro tiro no pé do partido e ficar em território nacional para ajudar a líder na oposição ao Governo?

Promessas, promessas...

"Aurélie Filippetti, candidata do Partido Socialista francês às europeias, afirmou que o resultado do partido é um "tsunami político", "uma réplica do 21 de Abril de 2002", e acrescentou que o PS pode "desaparecer" se o partido não reagir."

Fonte: I

Tal foi a ruptura entre os franceses e o PSF, se continuarem a equacionar o cenário de colapso o eleitorado pode muito bem fazer o favor de arrumar o partido de uma vez por todas.

Eleições europeias: Le roi est mort... vive le roi

As televisões não aprenderam nada com as sondagens, cada vez mais falsas e controladoras. Não obstante todas terem saído ao lado, assim que o PSD foi anunciado como vencedor das eleições, ignoraram o feito da oposição e concentraram-se em sondagens para as Legislativas que davam o PSD atrás do PS.
Pouco importa o resultado das Europeias e a representatividade de Portugal na União Europeia. Importa a "política virtual" e a influência que esta tem na política real e nacional.