quinta-feira, junho 04, 2009

Crítica ao programa eleitoral de Paulo Rangel

Paulo Rangel investiu na concepção de um programa mais minimalista, apostando na subscrição do famoso serviço "eu assino por baixo" ainda que algumas das propostas alvo da assinatura popular se resumam a meras frases sujeitas à interpretação de qualquer um.
- No entanto, os dez pontos do seu manifesto começam com a eleição de "22 embaixadores do interesse nacional", sem que Paulo Rangel avance o que é, no seu ponto de vista, o interesse nacional, o qual tende a variar consoante os candidatos. Ficamos sem saber quais são os interesses nacionais do ponto de vista do PSD.
- O segundo ponto "garantir emprego e criar riqueza: investir na economia" consegue reunir num só parágrafo agricultores, pequenas e médias empresas, capital humano e fundos comunitários. Como é que a presença portuguesa na União Europeia poderá contribuir para um investimento na educação, na formação, na ciência e na inovação? Não se sabe. Como é que se incentivam as PME através da UE? Desconhece-se. Porque é que os agricultores têm hoje uma importância estratégica reforçada e como é que se pretende utilizar os fundos europeus, quais e que valores? Ainda ninguém teve coragem de perguntar a Paulo Rangel.
- Segurança, justiça e liberdade. "Privilegiaremos as políticas de segurança interna, estendendo o interesse europeu à pequena e média criminalidade, que é aquela que mais preocupa os cidadãos. Adoptaremos medidas que reforcem a transparência e a luta contra a corrupção e o desperdício". Simplesmente não se consegue saber o que é que o PSD pretende fazer nestes três sectores.
- "Opomo-nos, assim, às tentativas de nacionalização das políticas de coesão e defendemos que elas continuem a ser um objectivo comunitário". Será um objectivo comunitário a defesa dos interesses estrangeiros e a prevalência dos mesmos sobre os interesses nacionais dos Estados-Membros? "Neste campo, é necessário que os fundos comunitários sejam bem aplicados em Portugal". Existe uma certa obsessão com os fundos comunitários, não? Com o corte de verbas como é que o PSD pretende reagir? O país pára? Morre? Rendemos armas?
- "Os jovens são os destinatários da grande maioria das políticas europeias. O PSD é, aliás, o único Partido a ter um candidato jovem em posição elegível". O PSD a tentar preencher quotas, ou o candidato jovem tem mesmo potencial?
"Vamos propor a criação de um programa europeu de mobilidade para o 1º emprego: o ERASMUS-emprego". Não existe já esta medida?
"Apoiaremos o objectivo de aumentar o financiamento do Ensino Superior". A última vez que o PSD defendeu o aumento do financiamento do Ensino Superior, as propinas passaram de 367 euros para 852. Quem acabou por financiar o Ensino Superior não foi a UE, nem o Estado, mas as famílias, todas da mesma forma, independentemente da sua condição social.
- "Levar por diante o Tratado de Lisboa". Mais uma prova em como o candidato é favorável ao federalismo europeu.

Crítica ao programa eleitoral de Vital Moreira

Consultei o manifesto eleitoral de Vital Moreira e cedo me deparei com algumas incoerências, nomeadamente:
- Na página 3 do manifesto, o candidato denuncia que "Durante os últimos cinco anos, os partidos conservadores governaram a maior parte dos países da UE e tiveram a hegemonia nas instituições europeias, não tendo prevenido a crise financeira, nem combatido decididamente a pobreza e as desigualdades, nem apoiado as nossas iniciativas de criação de mais e melhores empregos".
Porém, na página 6 declara "No Parlamento Europeu, o Grupo Político do PSE constitui, juntamente com o Partido Popular Europeu (direita), um dos dois pilares políticos da UE. Pelo posicionamento ideológico e pela responsabilidade histórica, o PSE exerce forte influência nas decisões e na vida do PE, mesmo quando não tem a maioria, como sucedeu na legislatura agora finda".
Cabe-me perguntar: se o PSE exerce tanta influência como Vital Moreira defende, porque é que não tomou a iniciativa para combater aquilo que o candidato denuncia na página 3? Ou será que a inércia e impotência manifestadas pelo PPE estenderam-se à esquerda? Na página 10, o candidato afirma que "a acção coordenada da UE tem sido importante para evitar maiores danos nas poupanças dos cidadãos europeus, nas suas pensões e nas suas casas". Em que ficamos, Vital Moreira?
- Uma das primeiras propostas de Vital Moreira visa "relançar a economia, defender e promover o emprego". Porém, confessa que "os socialistas há muito defendem a necessidade de uma estreita coordenação das políticas económicas nacionais que constituam um mínimo de governação económica europeia, sem a qual o mercado interno carecerá de consistência". Ora, não parecerá ao candidato que a "coordenação" implica a adopção de estratégias comuns aos Estados-Membros e quanto mais a economia nacional estiver dependente das dos restantes e da chamada "nova governação económica europeia", em caso de nova crise financeira mais facilmente Portugal será afectado do que se mantiver a sua independência face ao exterior?
Acrescenta o académico que "assim se reforçará a componente económica da União Económica e Monetária, a par com a criação de instâncias europeias de regulação e supervisão que evitem abusos de posição dominante em mercados estratégicos e de bens e serviços essenciais, em particular no contexto dos mercados financeiros". Não entenderá o candidato que o abuso da posição dominante em mercados como o nosso mais facilmente terá como impacto a entrada de empresas estrangeiras em sectores estratégicos para Portugal, pela capacidade e heterogeneidade que representam nos seus respectivos países, do que a abertura de portas no estrangeiro para as empresas portuguesas? E o que dizer do fim das golden shares, uma das poucas armas que Portugal ainda tinha em seu poder para impedir que agentes externos dependessem apenas de si próprios para exercer influência na economia nacional?
- A terceira medida diz respeito à construção de "uma nova Europa social", defendendo que "importa assegurar a sustentabilidade dos serviços públicos e do “modelo social europeu”, bem como promover as políticas que protejam os que estão mais vulneráveis perante a crise económica". Mas quem são os mais vulneráveis perante a crise económica? A nível nacional já percebemos que não são os agentes económicos "famílias", mas os agentes económicos "banca" entendendo que sem estes a economia colapsa definitivamente, motivo pelo qual se decidiu constituir um fundo de apoio aos banco no valor de 20 mil milhões de euros à taxa de juro de 0,5%, enquanto milhares de famílias estão obrigadas a pagar juros elevados e submeter-se a condições usurárias impostas pela banca.
Por esta ordem de ideias, em caso de nova crise, os mais vulneráveis serão os colossos bancos europeus que um pouco por todo o lado se encontram presentes. E as famílias? E as famílias portuguesas?
- O quarto ponto "liderar o combate às alterações climáticas e concretizar uma política energética comum" poderia passar do papel para as acções caso, por exemplo, a indústria automóvel tornasse mais acessível aos cidadãos a aquisição de viaturas eléctricas e ecológicas. Não há desculpas: exceptuando as marcas japonesas, praticamente todas as restantes que abundam na Europa são europeias.
- É no mínimo surpreendente que Vital Moreira no seu ponto "reorientar a PAC e a política comum de pescas" não defenda a revisão das quotas das pescas e de medidas tendo em vista o benefício da agricultura portuguesa, mas uma "agricultura europeia" e "pescarias nas águas comunitárias". Por aqui se vê que o candidato é claramente favorável ao federalismo europeu para o qual caminhamos com entrega dos nossos recursos a terceiros que continuam a tirar o máximo proveito do que é nosso.
- Ponto 8, "aprofundar o espaço de liberdade, segurança e justiça", no qual o candidato defende "o desenvolvimento do Espaço Europeu de Liberdade, Segurança e Justiça, de modo a garantir e salvaguardar a paz e a segurança dos cidadãos (...) Na construção deste Espaço, garantiremos permanentemente o equilíbrio entre o aperfeiçoamento dos mecanismos de cooperação policial e judiciária, sem prejuízo da defesa intransigente dos direitos e liberdades dos cidadãos e a reserva da vida privada". Enquanto se proteger a reserva da vida privada em detrimento da segurança do colectivo será impossível garantir, nos tempos que correm, a segurança, a liberdade e a justiça.
- Ponto 9, "efectivar a igualdade de género". Será que o candidato entende por efectivação da igualdade de género a obrigatoriedade de garantir lugares a pessoas que não revelem qualidade suficiente mas, como tem que haver uma distribuição equitativa no número de lugares, os menos capazes tirem lugar a alguns dos melhores?
- No ponto 12, referente à "reafirmação da cidadania europeia", o candidato volta a declarar as suas intenções federalistas e a defender a ingerência da UE em questões internas dos Estados como melhor forma de dar resposta aos "cidadãos europeus", em detrimento dos interesses, culturas e costumes de cada um dos Estados.

Resultados da sondagem realizada pelo Bar Velho Online

A recente sondagem realizada pelo Bar Velho Online com a pergunta "em quem pretende votar nas eleições europeias?" teve os seguintes resultados:
Vital Moreira - 22%
Paulo Rangel - 18%
Nuno Melo - 12%
Ilda Figueiredo - 9%
Miguel Portas - 8%
Outro candidato - 8%
Branco/Nulo - 19%

Desde já agradecemos a todos os que contribuíram para estes resultados.

terça-feira, junho 02, 2009

"As 7 Maravilhas de origem portuguesa no Mundo": petição digna de quem anseia por protagonismo...

Soube recentemente que encontra-se a circular uma petição online com o objectivo de boicotar a iniciativa de promover as maravilhas portuguesas espalhadas pelo Mundo. A mesma, criada por gente que acredito serem tudo menos portugueses, alega que os candidatos tiveram uma contribuição importante para a escravatura, o que deveria envergonhar-nos da nossa história.
De facto, tendo a sentir-me envergonhado por saber que entre os séculos XVI-XIX os portugueses compravam os direitos de propriedade de pessoas que já eram escravas de líderes tribais, senhores da guerra e de anciãos locais.
Sinto-me ainda mais envergonhado por saber que o tipo de escravatura exercida pelos portugueses não se compara com a que fora feita pelos espanhóis ou aquela a que se assistiu na América do Norte.
Não tenho palavras para expressar a minha vergonha por saber que todas as ex-colónias portuguesas dispunham das mesmas condições (em alguns casos até melhores) da Metrópole, que uma grande parte do orçamento público tinha como destino final as províncias ultramarinas e que hoje algumas delas são potências regionais e mundiais (Angola e Brasil) e todas elas são Estados que oferecem estabilidade político-social aos seus cidadãos, ao contrário de todas as outras.
Por fim, fico mais envergonhado por saber que nós, portugueses, iniciámos a escravatura e explorámo-la desumanamente e actualmente, em pleno século XXI, em África, na América Latina, na Ásia e, porque não, na Europa não existem fenómenos como escravatura, tráfico de seres humanos, mortes extra-judiciais, barões locais que exploram seres humanos, etc. Tudo isto acabou com a entrega das ex-colónias pelos portugueses após o 25 de Abril de 1974, momento a partir do qual a paz reinou e não mais se ouviu falar de guerras civis, distribuição desequilibrada de recursos naturais, fome, exploração, miséria e genocídio, algo porque somos sobejamente conhecidos.
Sim, se calhar devo assinar a tal petição, até porque os candidatos resumem-se praticamente a igrejas e fortes, locais propícios para a escravatura entre os séculos XVI-XIX.

"As 7 Maravilhas de origem portuguesa no Mundo": porquê só sete?

Não aceito que se queira fazer da nossa história um concurso absurdo e infeliz, não bastando que toda a nossa glória passada tenha deixado as mais variadas e belas marcas um pouco por todo o mundo, tendo ainda que escolher as melhores.
Para começar, cada uma dessas maravilhas foi erigida numa época própria, em condições específicas e todas têm características próprias. Não se pode comparar uma igreja no Brasil com um forte em Marrocos. É simplesmente incomparável! Cada obra tem o seu valor e não se pode comparar o que é diferente em tudo.
Por fim, porque é que temos esta mania de querer dar destaque a algo de entre um já restrito universo? Porque não destacar todas as nossas marcas deixadas em vários pontos do globo? Porquê sete? Porque não cinco? Ou porque não escolhemos uma de entre todas que remeta para a simbologia do sete? Se o sete é o número de perfeição divina, quer dizer que se tivermos vinte a nossa história deixa de ser perfeita?
Todo este concurso é ridículo, mas nem tudo são espinhos: talvez esta seja a única forma de conhecermos um pouco mais da nossa história e da proeminência que já tivemos à escala mundial...

Playboy portuguesa (III): Ana Malhoa.

Durante anos, os portugueses habituaram-se a ver Ana Malhoa em trajes menores e provocantes, acalentando a esperança de um dia poder ver "mais além". A capa da última edição da Playboy prometia, mas ainda bem que a publicação foi com Ana Malhoa pois agora os portugueses vão poder finalmente descansar de alívio por poderem ver o que se escondia por baixo da sua já reduzida roupa.
Para ser sincero, não sei onde é que Ana Malhoa fez os implantes, mas parece que o peito da cantora foi à faca num talho da Margem Sul. É demasiado mau para ser verdade. E o que dizer das tatuagens? Em alguns casos tatuar o corpo pode ter estilo, mas aqueles rabiscos de bonito não têm nada.
O mito é belo e atrai até ao momento em que se desfaz, porque a sua beleza tende a ser superior àquela que se encontra quando a ilusão termina. Foi o que aconteceu com Ana Malhoa. Os 30 mil euros de cachet terão valido a pena? E a Playboy? Pretenderá a revista seguir o seu trilho rumo a tornar-se uma Maxmen 2.0? Desta maneira não me parece que se quebrem preconceitos.

segunda-feira, junho 01, 2009

Lo Stato sono io!


Com os escândalos a sucederem em catadupa, as inflexões juvenis que protagoniza, a vacuidade de ideias e projectos que evidencia, Berlusconi perdeu o norte e está cada vez mais enredado no seu próprio ego.

É caso para dizer: "Lo Stato sono io!"

Os gigantes também caem

A eterna General Motors apresentou pedido de falência. Bem-vinda ao mundo dos vivos...

Avião desaparecido. Até ao momento ainda é tudo um mistério...

Um avião desapareceu no Atlântico. Até que se obtenha mais algum dado adicional toda e qualquer opinião sobre este acontecimento, além da curiosidade em saber o que verdadeiramente aconteceu, será pura especulação e/ou ignorância.

P.S.: É triste saber que os jornalistas, tal como os advogados, não têm coração nem pudor. Vale tudo para ganhar dinheiro e protagonismo com a desgraça alheia. Dá para acreditar na forma como a comunicação social ataca familiares e representantes da empresa só para captar um momento de agonia?

domingo, maio 31, 2009

Miguel Portas e as Colas...

A piada de Miguel Portas a propósito de PS e PSD serem como Pepsi e Coca-Cola já entrou em modo loop pelo candidato do BE às europeias. Mas pior que isso é saber que, num sistema político de "colas" como o nosso, a wannabe Cola do Lidl se queixa do sabor dos pesos-pesados do mercado e se esqueça da quantidade de açúcar e corantes que tem.
Uma 7up nas Legislativas não caía nada mal...

sábado, maio 30, 2009

A insustentável leveza das notícias...

Ontem, vimos anunciado em destaque que:

"A Espanha vai assumir a presidência do EUROJUST, a rede de fiscais europeus, com Cândido Conde-Pumpido a substituir o português Lopes da Mota, após acordo dos 25 Ministérios Públicos da União Europeia (EU), alcançado hoje em Praga.
O EUROJUST é um órgão da União Europeia criado em 2002 e a sua missão é fomentar e melhorar a coordenação entre as autoridades competentes dos sócios comunitários nas investigações e acções judiciais relacionados com formas graves de crime organizado e transfronteiriço.
O Fiscal Geral do Estado Espanhol, Cândido Conde-Pumpido, substituirá o português José Luís Lopes da Mota à frente do organismo, tendo pela frente um mandato de três anos.
"

in http://www.dn.pt/ (a titulo meramente exemplificativo).

Hoje vemos, em tamanho pequeno, que:

"Lopes da Mota, suspeito de pressões no Freeport, não foi substituído na presidência do Eurojust, como noticiado. Foi, sim, decidido que a Espanha preside à reunião anual do Eurojustice."

In http://www.correiomanha.pt/

Aqui no Barvelho não negamos, nem renegamos, que as notícias surgem e rodopiam a uma velocidade estonteante. Não percebemos é que os orgãos de comunicação se impressionem com a dita velocidade e denotem tamanha leviandade ao não verificarem o que publicam.

Sendo a liberdade de imprensa um dos mais importantes pilares de uma democracia saudável, a desinformação nos tempos que correm, induzido por quem tem o dever de informar, é algo que nos deve inquietar a todos.

Liga de Clubes e o incumprimento no pagamento de salários: a situação é grave, mas pode esperar...

Ter o salário pago no final do mês começa a ser quase considerado um milagre nos tempos que correm. Esta situação não toca aos dirigentes da Liga de Clubes de futebol, nem à Federação, cujos patrocínios e receitas garante o pagamento dos seus ordenados milionários. Talvez por este motivo negligenciem que aqueles que mais contribuem para a continuidade destes órgãos e respectivos salários, os futebolistas, não sejam pagos a tempo e horas, nem tão-pouco prevejam mecanismos de punição a clubes que prometem mais do que cumprem.
É de uma tremenda indecência que clubes como Estrela da Amadora, Vitória de Setúbal, Rio Maior e companhia, possam competir, enquanto os seus profissionais passam fome e pedem dinheiro emprestado porque o seu Presidente foi demasiado ambicioso para as capacidades do clube! Mais indecente é que a Liga de Clubes decida punir os infractores... a partir de 2010. "Sim, a situação é muito chata, mas vamos ter calma nas sanções, porque estão em causa instituições respeitáveis".
Se um dos dirigentes dos clubes ou da Liga ficassem dois dias sem receber o que lhe é devido, aí posso garantir que seria criado um regulamento com efeitos retroactivos, com a garantia do pagamento de juros e com a descida do clube infractor para os campeonatos distritais, ou então exclusão definitiva de toda e qualquer actividade ligada à modalidade.

sexta-feira, maio 29, 2009

Provedor de Justiça: adiado o fumo branco...

O PS diz Jorge Miranda, o PSD diz Maria da Glória Garcia, o PCP abstém-se, o BE namora os socialistas, o CDS passa a bola a Jaime Gama e o PR cruza os braços e encolhe os ombros. Face à necessidade de eleger um candidato por maioria de 2/3, resta saber até quando ficará o país sem um Provedor de Justiça, dado que uma eventual cedência quer do PS quer do PSD poderá significar uma derrota política para o desistente, o que poderá sair caro em época de eleições.

quinta-feira, maio 28, 2009

A condenação da ERC à TVI: "o menino não volte a fazer isso, senão vou chatear-me"

Segundo parece, a Entidade Reguladora para a Comunicação Social aborreceu-se com a TVI por alegado comportamento indevido da estação de José Eduardo Moniz no tratamento ao Governo.
O ralhete da ERC à TVI faz lembrar o caso daquelas mães que quando se deparam com comportamentos déspotas dos filhos, em vez de matarem o mal pela raiz dando duas bofetadas correctivas ao filho decidem tratar o menino por você e avisá-lo que aquele tipo de comportamento não se pode repetir sob pena de no futuro poder ter "chatices".
Sendo já sobejamente conhecidas as gentes de Queluz de Baixo, não é de excluir que algumas das suas caras mais célebres façam disto um caso de perseguição e tragam à colação chavões como "liberdade de expressão" e "direito de opinião", dois princípios constitucionalmente protegidos mas completamente profanados por Manuela Moura Guedes e companhia.

Está lá, Manela? - Parte II

Na sequência da conversa, real, que o Barvelho manteve com o Call Center do PSD , não resistimos a colocar uma conversa, esta imaginária, mantida entre o Ricardo Costa e o dito centro de política de verdade:

"Um telefonema para o partido que diz a verdade

Operadora - Obrigado por ter ligado para o 800 20 2009, o partido que só diz a verdade.
Eleitor - Bom-dia. Eu quero ajudar o PSD mas estou um pouco confuso.
- Ligou para o número certo. Nós aqui só dizemos a verdade...
- Sabe, eu não percebi a ideia da defesa do Bloco Central...
- A nossa líder sempre disse que não queria o Bloco Central.
- Mas então porque é que agora defendeu o contrário?
- Ela apenas disse que se sentiria confortável nesse governo.
- Ou seja, admite participar no Bloco Central...
- Não, rejeita. Aliás, o dr. Rangel já explicou tudo. Não ouviu?
- Ouvi. Mas acho que ele não tinha ouvido a dra. Manuela...
- Não sei. Nós aqui só dizemos a verdade. E quando não percebem bem o que dizemos chamamos o dr. Paulo Rangel.
- E pode-me explicar se o PSD é mesmo contra o TGV?
- Nós não somos contra, mas não há dinheiro...
- Mas em 2003 a dra. Ferreira Leite assinou um acordo com Espanha que previa seis linhas de TGV...
- Isso não sei, sou nova aqui...
- Mas ter prometido linhas Aveiro/Salamanca e Faro/Sevilha era falar verdade a alguém?
- A situação era outra...
- Mas acha que essas linhas algum dia teriam passageiros?
- Nós só dizemos a verdade e defendemos as Obras Públicas, desde que não tenham operários africanos e ucranianos...
- Mas isso é xenófobo e ilegal.
- Nós defendemos o trabalho para os portugueses.
- Mas olhe que os emigrantes portugueses no Reino Unido foram vítimas dessa mesma ideia.
- Isso não está aqui no manual.
- E a livre circulação de trabalhadores é um pilar da União...
- Pois, talvez seja. Mas os jornalistas nem sempre nos percebebem... e não há dinheiro!
-Mas, se não há dinheiro porque é que o PSD vai gastar 2,2 milhões de euros nas europeias, muito mais do que o PS?
-Isso não sei, mas a dra. é poupadinha e até vai ao Pingo Doce.
- Ah! E porque é que o PSD mudou de opinião em seis meses sobre o enriquecimento ilícito?
- Diz aqui que a ideia não estava suficientemente pensada...
- Hum! Então porque é que o dr. Paulo Rangel teve de fazer um projecto de lei à pressa?
- Não sei, mas diz aqui no guia que a lei não teve que ver com o Freeport. E que neste partido quem não deve não teme.
- Sim, o dr. Marques Mendes foi exemplar nessa matéria...
- O PSD é sempre exemplar, caro eleitor, já devia saber isso.
- Pois, é pena o dr. António Preto ser tão próximo da líder...
- Não sei, nunca ouvi falar... Mas olhe, ligue ao dr. Rangel que ele explica-se muito bem
."

Ricardo Costa, in Expresso.pt

quarta-feira, maio 27, 2009

Ida de Oliveira e Costa ao Parlamento: ir pr'ós copos com os amigos da Comissão

Fui só eu ou mais alguém viu que a ida de Oliveira e Costa ao Parlamento fez lembrar aquelas noites de copos com os amigos em que se contam piadas e dão umas valentes gargalhadas? Ontem apenas faltaram a cerveja e os tremoços...

Preços dos combustíveis: para quando o descruzar de braços?

Já alguém deu conta que o litro da Gasolina S/Chumbo 95 está quase ao mesmo preço do ano passado (1,30€ actualmente) ainda que o petróleo seja negociado a 62 dólares e no passado acima dos 100?
É certo que é de salutar a liberalização dos preços, mas quando os agentes económicos não se sabem comportar no mercado, então é obrigatória a intervenção do Estado na fixação dos preços de bens essenciais como são os combustíveis.

terça-feira, maio 26, 2009

segunda-feira, maio 25, 2009

Está lá, Manela?

No outro dia decidi ligar para o call center do PSD e perceber que ideias defendia o partido relativamente a alguns temas.
O que parecia um acto de democracia esclarecida acabou por revelar-se um caminho pejado de espinhos (seriam de rosas?) e dificuldades.

1.ª Dificuldade: A Dr.ª Manuela Ferreira Leite só está disponível para ouvir as minhas ideias a seguir ao almoço.

Não consegui falar com nenhum operador. Fiquei triste e desmotivado, pensei para com os meu botões (2, que casacos com 3 já passaram de moda) que a política de verdade se alcança muito melhor depois de um bom almoço, regado com um suminho de laranja.
Não me soube muito bem, seria instantâneo?

2.ª Dificuldade: A Dr.ª Manuela Ferreira Leite não ensinou nada aos seus pupilos que atendem os telefones laranjas. Não sabem nem podem responder a nada. São bonecos mudos com um gravador nas mãos.

O Senhor Rogério (nome fictício que não queremos que ninguém sofra represálias) não me podia responder a nada mas apenas repetir exaustivamente "a sua opinião conta e vai ser ouvida". Ouvido por quem? - perguntei. Por uma comissão constituída para o efeito? Pelo líder parlamentar? Pela Manuela?

Obtive uma resposta digna de um filme de espionagem: "Não estou autorizado a dizer, sei mas não estou autorizado a dizer". Será que o Rogério tinha de me matar de seguida? É que o Rogério não tinha pronúncia russa nem parecia ter a delicadeza fria dos assassinos a soldo.

3.ª Dificuldade: Podemos dar a nossa opinião mas a política de verdade tem tempo limitado para ideias de verdade.

É verdade, verdadinha. É como diziam alguns cantores pop, as melhores músicas e os refrões mais "catchy" tem de ser inventados em 2 ou 3 minutos. O mesmo vale aqui. Ideias com mais de 3 minutos começam a ser enfadonhas e ficam caras no tempo de antena e nos cartazes (ideias grandes, muitos caracteres e menos espaço para estrelinhas).

É caso para dizer: Manela, tens o meu voto! Mas tenho de escolher a caixinha sem pensar porque, caso contrário, ainda o Rogério me tira o boletim!
Pensando melhor, não vou dizer ao Rogério em que dia vou votar de verdade. Ele só se importa com a plasticidade e o carácter imediato do voto. Vou antes votar de forma esclarecida...e nem pago o custo de uma chamada local + iva.

As notícias que temos...

Foi (pouco) divulgado recentemente que Portugal subiu no ranking de competitividade da Universidade Suiça Institute for Management Development, passando a ser o mais competitivo dos países do Sul da Europa e ocupando a 16.ª posição entre os países da União Europeia.

É curioso que certas notícias não tenham qualquer repercussão nem tratamento jornalístico, atenta a sua importância. A título meramente exemplificativo, não se percebe que não tenha sido dado o devido destaque ao facto de Portugal ter sido considerado o 4º país cujo Governo dá maior importância às Tecnologias de Informação e Comunicação na formulação da sua visão de futuro - de acordo com o Global Information Technology Report 2008-2009, publicado em Genebra pelo World Economic Fórum, numa lista de 134 países.

Curioso que, em tempos de verdadeira crise económica e aparente convulsão política, Portugal apresente estes resultados, quando as políticas do Governo são deturpadas e criticadas diariamente pela oposição como se todas as opções tomadas fossem inócuas e vazias de estratégia e conteúdo.

Mas voltando ao tema de reflexão, parece-me ser rídiculo que passemos semanas a comentar (e a noticiar) assuntos que pouco relevam para o nosso posicionamento na economia - tendo em conta que este é um tema dourado nos tempos que correm - e, assim, olvidemos propositadamente quaisquer registos meritórios do Governo (deste e de outros que o antecederam)...

Perante este quadro, só posso concluir que noticiar factos negativos para/do Governo constitui um jornalismo de coragem e de verdade, enquanto que constatar factos positivos para/do Governo se revela um exercício panfletário ou um frete, provavelmente influenciado pelo poder governativo, o que não se percebe nem se pode aceitar.

É necessário mais e melhor jornalismo. Acabar com o sangue e o ruído como paradigma.