Ontem comentou-se neste espaço a propósito das declarações de Vital Moreira que associou categoricamente os envolvidos no episódio de sexta-feira ao PCP. Pelos vistos tinha um fundo de razão na observação que fiz, dado que hoje já se descobriu que um dos agentes está ligado ao Bloco de Esquerda. No entanto, antes o candidato às europeias tivesse razão, dado que agora vamos assistir a nova novela com pedidos de desculpa: Vital Moreira vai exigir um pedido de desculpas ao Bloco de Esquerda; o Bloco vai demarcar-se da actuação do indivíduo e vai exigir um pedido de desculpas a Vital Moreira pelo pedido de desculpas por este exigido ao partido; Vital Moreira vai continuar a exigir um pedido de desculpas ao PCP porque afinal se um era do Bloco, os outros são todos do PCP; o PCP vai exigir um pedido de desculpas a Vital Moreira por este ter exigido um pedido de desculpas ao partido sabendo que um dos envolvidos era do Bloco e os restantes não se sabe de onde são.
Boring...
terça-feira, maio 05, 2009
Estar envolvido num processo pode mesmo ser "in"
"O ex-aluno da Casa Pia, Pedro Namora, é o candidato do Partido Popular Monárquico (PPM) à câmara de Setúbal nas eleições autárquicas deste Outono"
Fonte: Público
Depois de Paulo Pedroso em Almada, Pedro Namora candidata-se à câmara de Setúbal. Só falta Hugo Marçal concorrer ao Barreiro e Carlos Cruz ao Seixal. Cada vez estou mais certo que ser-se arguido ou ter-se estado envolvido num processo crime é sinónimo de "status". Um tipo com aspirações que não tenha estado envolvido em processos judiciais é dono de um currículo incompleto e parece não poder aspirar a grande coisa. Falta-lhe a relação prática com advogados, juízes, códigos e dezenas de requerimentos e recursos.
Qualquer dia corremos o risco de ter um Presidente da República envolvido nas máfias da noite e um Primeiro-Ministro suspeito de fazer assaltos a terminais MB e gasolineiras. É o "status".
Fonte: Público
Depois de Paulo Pedroso em Almada, Pedro Namora candidata-se à câmara de Setúbal. Só falta Hugo Marçal concorrer ao Barreiro e Carlos Cruz ao Seixal. Cada vez estou mais certo que ser-se arguido ou ter-se estado envolvido num processo crime é sinónimo de "status". Um tipo com aspirações que não tenha estado envolvido em processos judiciais é dono de um currículo incompleto e parece não poder aspirar a grande coisa. Falta-lhe a relação prática com advogados, juízes, códigos e dezenas de requerimentos e recursos.
Qualquer dia corremos o risco de ter um Presidente da República envolvido nas máfias da noite e um Primeiro-Ministro suspeito de fazer assaltos a terminais MB e gasolineiras. É o "status".
segunda-feira, maio 04, 2009
A bola mágica que permite ver o que mais ninguém vê...
"“Alguém tem dúvidas de que eram militantes do PCP?”, pergunta Vital Moreira"
Fonte: Público
Será que os indivíduos envolvidos no episódio, com uma mão atiraram água a Vital Moreira e com a outra exibiam os seus cartões de militantes do PCP? Ou será que interpelaram o candidato socialista com um mandado de Jerónimo de Sousa para o insultarem e empurrarem? Caso contrário, não estou a ver como é que Vital Moreira pode ter tanta certeza sobre a ligação dos agentes ao PCP...
Fonte: Público
Será que os indivíduos envolvidos no episódio, com uma mão atiraram água a Vital Moreira e com a outra exibiam os seus cartões de militantes do PCP? Ou será que interpelaram o candidato socialista com um mandado de Jerónimo de Sousa para o insultarem e empurrarem? Caso contrário, não estou a ver como é que Vital Moreira pode ter tanta certeza sobre a ligação dos agentes ao PCP...
Julgados de Paz: experimentei e gostei, mas, se puder, evito.
Tive recentemente uma experiência nos Julgados de Paz (JP) onde fui como Demandante num processo que me opôs a uma empresa de grande dimensão cujos nome e ramo não pretendo revelar. Foi possível chegar a acordo mas apenas na sessão de julgamento. Parece que é preciso estar diante de um juiz para que a maior parte dos agentes económicos se reduza ao tamanho do consumidor comum e aceite fazer uma coisa que parece complicada, mas é mais fácil do que parece: conversar.
Para quem não sabe, os JP funcionam como uma távola redonda onde o juiz assiste, literalmente, a uma conversa entre as partes que até ao momento mal conseguem dialogar quanto mais acordar. Os processos são mais céleres (o meu, após a propositura do requerimento inicial, demorou um mês e meio a concluir) do que nos tribunais comuns e têm a função de resolver as coisas à base do diálogo e da mediação, ainda que as decisões que dele emanem sejam sentenças com o mesmo estatuto de tribunais de 1.ª instância.
Antes de recorrerem aos tribunais comuns, pensem em resolver questões cujo valor não exceda a alçada da Relação (5.000 euros). Vale a pena pela forma e pelo tempo em que tudo se resolve., já para não falar que as custas são absurdamente mais baixas (35 euros se perderem a acção). Aproveito para referir que os JP, um dos instrumentos mais simples e inteligentes que foram implementados no sistema de justiça português nos últimos 20 anos, foram criados pela Lei 78/2001, de 13 de Julho, a qual pode ser consultada aqui.
Gostei da experiência, mas se puder evito lá voltar. Nada como resolver um conflito pela via mais fácil: diálogo. O problema é quando a outra parte se revela intransigente...
Para quem não sabe, os JP funcionam como uma távola redonda onde o juiz assiste, literalmente, a uma conversa entre as partes que até ao momento mal conseguem dialogar quanto mais acordar. Os processos são mais céleres (o meu, após a propositura do requerimento inicial, demorou um mês e meio a concluir) do que nos tribunais comuns e têm a função de resolver as coisas à base do diálogo e da mediação, ainda que as decisões que dele emanem sejam sentenças com o mesmo estatuto de tribunais de 1.ª instância.
Antes de recorrerem aos tribunais comuns, pensem em resolver questões cujo valor não exceda a alçada da Relação (5.000 euros). Vale a pena pela forma e pelo tempo em que tudo se resolve., já para não falar que as custas são absurdamente mais baixas (35 euros se perderem a acção). Aproveito para referir que os JP, um dos instrumentos mais simples e inteligentes que foram implementados no sistema de justiça português nos últimos 20 anos, foram criados pela Lei 78/2001, de 13 de Julho, a qual pode ser consultada aqui.
Gostei da experiência, mas se puder evito lá voltar. Nada como resolver um conflito pela via mais fácil: diálogo. O problema é quando a outra parte se revela intransigente...
Vasco Granja: 1925-2009
Vasco Granja era o embaixador português de uma arte que não é vista por muitos enquanto tal: a banda desenhada. Gostava de super-heróis, de aventuras e comédias. Era um velho que se entusiasmava com coisas de miúdos, o que é revelador do seu espírito jovem. Quem gosta destas coisas e as vive como uma criança de 8 anos que acaba de abrir um presente no Natal, só pode ser uma pessoa com um fundo puro.Não quero recordar o Vasco Granja comunista, porque a política é demasiado séria e obscura para um homem que marcou gerações com a sua extrema jovialidade e com aqueles desenhos animados checoslovacos que acompanharam muitos portugueses, nos quais eu me incluo. Viveu 83 anos e criou sorrisos em milhões. Que descanse em paz.
domingo, maio 03, 2009
Real Madrid 2-6 Barcelona
Resultado que só engana quem não viu o jogo e que acaba por pecar por escasso. O que se passou ontem no Santiago Bernabéu não foi um banho de bola do Barcelona, também não foi uma humilhação (a não ser que se queiram cingir à história do Real Madrid, mas o futebol é feito do presente e não do passado), nem a banalização da equipa do Real.
Não há palavras para descrever o que aconteceu ontem, mas a vitória do Barcelona é tão natural que nem se pode classificar de surpresa. Golear já começa a ser algo banal nesta equipa. O Real Madrid não conseguia dar mais de dois toques na bola pois os seus jogadores não aguentavam o brilho do adversário que ainda falhou inúmeras oportunidades de golo.
Aquele futebol de passe curto com movimentações constantes de todos os jogadores pelo terreno e a pressão exercida pelas linhas média e dianteira dos blaugrana deixa qualquer adversário desnorteado e não dá a mínima hipótese! Não basta ter sorte e jogar muito bem para vencer este Barça. Para se ser bem sucedido contra esta máquina de jogar futebol é preciso contar com (muita) ajuda divina!
Não vale a pena resistir. Façam como o Chelsea: metam onze à baliza e rezem a todos os santinhos. Talvez tenham alguma hipótese.
Não há palavras para descrever o que aconteceu ontem, mas a vitória do Barcelona é tão natural que nem se pode classificar de surpresa. Golear já começa a ser algo banal nesta equipa. O Real Madrid não conseguia dar mais de dois toques na bola pois os seus jogadores não aguentavam o brilho do adversário que ainda falhou inúmeras oportunidades de golo.
Aquele futebol de passe curto com movimentações constantes de todos os jogadores pelo terreno e a pressão exercida pelas linhas média e dianteira dos blaugrana deixa qualquer adversário desnorteado e não dá a mínima hipótese! Não basta ter sorte e jogar muito bem para vencer este Barça. Para se ser bem sucedido contra esta máquina de jogar futebol é preciso contar com (muita) ajuda divina!
Não vale a pena resistir. Façam como o Chelsea: metam onze à baliza e rezem a todos os santinhos. Talvez tenham alguma hipótese.
sexta-feira, maio 01, 2009
Não podemos confiar na comunicação social
Para quem ainda não sabia que não se pode confiar na comunicação social, fica agora a saber. Dois exemplos:
1- Vital Moreira e a revolta popular. A totalidade da imprensa online dava conta de agressões e o Correio da Manhã falava mesmo em cuspidelas e murros nas costas e na cabeça do candidato do PS às europeias. Segundo parece, "apenas" atiraram água a Vital Moreira, insultaram-no e empurraram-no.
2- Com toda esta campanha alucinante em torno da gripe suína, mexicana ou A (H1N1), a comunicação social parece revelar-se muito triste por ainda não ter sido diagnosticado um caso destes em Portugal. Assim, é frequente assistirmos a notícias como "duas suspeitas de casos de gripe suína... descobriu-se que afinal é meningite" (como se fosse coisa pouca), ou "mulher de 31 anos com suspeita de gripe suína... voltou para casa". Eles andam desejosos por apanhar um caso de gripe suína em Portugal para dedicarem horas e páginas a estes casos e não me admirava nada que alguém se dedicasse a fazer de tudo só para conseguir contaminar alguém para que também nós pudéssemos dizer "não são só os outros que têm gripe suína, nós também temos".
Cuidado! Muito cuidado! A comunicação social quando quer pode ser do mais reles que há à face da terra.
1- Vital Moreira e a revolta popular. A totalidade da imprensa online dava conta de agressões e o Correio da Manhã falava mesmo em cuspidelas e murros nas costas e na cabeça do candidato do PS às europeias. Segundo parece, "apenas" atiraram água a Vital Moreira, insultaram-no e empurraram-no.
2- Com toda esta campanha alucinante em torno da gripe suína, mexicana ou A (H1N1), a comunicação social parece revelar-se muito triste por ainda não ter sido diagnosticado um caso destes em Portugal. Assim, é frequente assistirmos a notícias como "duas suspeitas de casos de gripe suína... descobriu-se que afinal é meningite" (como se fosse coisa pouca), ou "mulher de 31 anos com suspeita de gripe suína... voltou para casa". Eles andam desejosos por apanhar um caso de gripe suína em Portugal para dedicarem horas e páginas a estes casos e não me admirava nada que alguém se dedicasse a fazer de tudo só para conseguir contaminar alguém para que também nós pudéssemos dizer "não são só os outros que têm gripe suína, nós também temos".
Cuidado! Muito cuidado! A comunicação social quando quer pode ser do mais reles que há à face da terra.
Não confundamos as coisas, nem as aproveitemos, sff
Depois de saber que Vitalino Canas afirmou que as ofensas contra Vital Moreira "foram uma agressão contra o PS", não pude deixar de me espantar com as declarações do porta-voz dos socialistas. Creio que tudo se trata de um mal entendido, pois é provável que Vital Moreira tenha sido alvo da fúria popular não por ser candidato do PS às europeias, mas por ser ex-militante do PCP. Não confundamos as coisas, nem as aproveitemos em benefício de causas que nada têm a ver com os factos que lhes atribuíram mediatismo.
Playboy portuguesa - II

A segunda edição da Playboy deixou-me dividido. Passo a explicar os motivos da minha divisão e incerteza quanto ao futuro da Playboy. Não está em causa o poderio físico de Cláudia Jacques, que aos 44 anos faz inveja a qualquer uma com metade da sua idade. Por melhores que sejam os argumentos da produtora de eventos portuense, a Playboy não se deve deixar vencer pelo "Gang do silicone" que por aí anda a atacar as revistas de segunda linha como a FHM ou a Maxmen, onde Cláudia Jacques já surgiu. As mulheres que são capas desta revista querem-se naturais, como vieram ao mundo e não com "modificações". Ponham os olhos nas edições da Playboy americana desde o seu início até ao início da era do Botox e do silicone.
No entanto, não posso deixar de destacar que as fotos primam pela diferença, destacando-se das concorrentes que vulgarizam o nú feminino, fazendo com que cada mulher que aparece nas revistas do sector seja apenas mais uma com ar oferecido e que se vendeu por meia dúzia de euros. As fotos de Cláudia Jacques na Playboy dão-lhe um ar verdadeiramente natural e demarca-se da banalidade que por aí se vê.
Apesar de ainda ser cedo, o raciocínio deste último parágrafo faz-me ter confiança num futuro em que as pessoas passem a olhar para a Playboy com outros olhos, abrindo assim a possibilidade de chegar à capa da revista alguns nomes completamente inacessíveis. Aos poucos chegamos lá, mas para isso é preciso afastar a imagem de FHM 2.0.
No entanto, não posso deixar de destacar que as fotos primam pela diferença, destacando-se das concorrentes que vulgarizam o nú feminino, fazendo com que cada mulher que aparece nas revistas do sector seja apenas mais uma com ar oferecido e que se vendeu por meia dúzia de euros. As fotos de Cláudia Jacques na Playboy dão-lhe um ar verdadeiramente natural e demarca-se da banalidade que por aí se vê.
Apesar de ainda ser cedo, o raciocínio deste último parágrafo faz-me ter confiança num futuro em que as pessoas passem a olhar para a Playboy com outros olhos, abrindo assim a possibilidade de chegar à capa da revista alguns nomes completamente inacessíveis. Aos poucos chegamos lá, mas para isso é preciso afastar a imagem de FHM 2.0.
quinta-feira, abril 30, 2009
Da gratuita instrumentalização de Abril em nome do corporativismo
“Quem quer garantir a própria liberdade, deve preservar da opressão
até o inimigo; pois, se fugir a esse dever, estará a estabelecer
um precedente que até a ele próprio há-de atingir".
Thomas Paine
No passado dia 27 de Abril, Mário Crespo escreveu um artigo de opinião no Jornal de Notícias em que acusa José Sócrates de processar jornalistas que escrevem textos com os quais não concorda.
Mário Crespo afirma expressamente que José Sócrates controla a justiça em Portugal e que, caso estes processos movidos contra jornalistas conheçam o seu desfecho antes do caso Freeport, tal só pode constituir uma prova irrefutável de que o governo condiciona de forma ditatorial a informação publicada no País.
Não posso ficar senão atónito perante este texto, atenta a contextualização abusiva dos processos em causa e do papel atribuído a cada interveniente e, bem assim, da distorção de conceitos legais e hierarquias de poder, que não se pode crer inocente. Vejamos:
“Já há mais jornalistas a contas com a justiça por causa do Freeport do que houve acusados por causa da queda da ponte de Entre-os-Rios. Isto diz muito sobre a escala de valores de quem nos governa.
Chegar aos 35 anos do 25 de Abril com nove jornalistas processados por notícias ou comentários com que o Chefe do Governo não concorda é um péssimo sinal. (…) Se os processos contra jornalistas avançarem mais depressa do que as investigações do Freeport, a mensagem será muito clara. O Estado dá o sinal de que a suspeita de haver membros de um governo passíveis de serem corrompidos tem menos importância do que questões de forma referentes a notícias sobre graves indícios de corrupção. Se isso acontecer é a prova de que o Estado, através do governo, foi capturado por uma filosofia ditatorial com métodos de condicionamento da opinião pública mais eficazes do que a censura no Estado Novo porque actua sob um disfarce de respeito pelas liberdades essenciais.”
Em primeiro lugar, e segundo o jornalista Mário Crespo, estamos obrigados a olhar o processo judicial que nasceu da tragédia de Entre-os-Rios como o nosso indexante numérico para deduzir queixas contra quem viola qualquer direito legalmente consagrado. Haverá tantos cidadãos a contas com a justiça quantos os arguidos de Entre-os-Rios. Quem não respeitar tal indexante não respeita a tragédia em causa nem tampouco pode amar o 25 de Abril.
Ora, não é inocente esta escolha do jornalista que traz aqui um exemplo de não justiça, um caso que reconhecidamente envergonha quem promove a acção penal – lembre-se que não é o Governo, cujos poderes se encontram constitucionalmente separados daqueles.
Por outro lado, não pode deixar de se sublinhar o tom corporativista da frase “nove jornalistas processados por notícias ou comentários com que o Chefe do Governo não concorda”.
Quer o autor do texto dar a entender que os processos movidos por Sócrates se baseiam em delito de opinião ou numa mera discordância com o que foi escrito ou divulgado via televisiva, configurando essa iniciativa uma forma de censura. Moles e invertebrados deverão ser estes novos intervenientes na vida pública quando até o exercício de um direito poderá ser tido como censura.
Nesta óptica, os jornalistas inserem-se numa categoria que permite a isenção perante a lei, no exercício de um direito fundamental - liberdade de opinião - de forma aparentemente irrestrita, independentemente de o mesmo colidir com outros direitos constitucionalmente consagrados.

É a concretização da ideia de que a verdade se materializa na pena de cada jornalista e que estes podem ser ofendidos mas nunca ofensores (veja-se, p. ex., que a TVI e dois dos seus jornalistas irão processar o primeiro-ministro por se sentirem “lesados” quando este manifestou a sua opinião num outro órgão de comunicação).
Quem invoca o 25 de Abril de forma tão veemente, deveria ter em conta que a violação sistemática de disposições legais (violação do segredo de justiça, do direito à honra, do direito ao bom nome, do princípio da presunção de inocência, entre outras) não é admissível num Estado de Direito, até à luz da Declaração Universal dos Direitos do Homem.
A imprensa livre é um dos valores fundamentais de uma democracia saudável mas quem invoca o 25 de Abril não pode confundir imprensa livre com uma imprensa irresponsável e acima da lei. Este princípio vale para todos os cidadãos, representem ou não um órgão do Estado, estejam acusados ou sob mera suspeição.
Por outro lado, comparar a tramitação do caso Freeport com a tramitação de um processo por difamação encerra uma manipulação demagógica e perigosa. Basta pensar nas diligências necessárias em sede de inquérito necessariamente diversas em ambos os casos - o número de provas a recolher, as testemunhas a ouvir, os volumes de documentos a analisar - para se perceber a incongruência de tal paralelismo.
No entanto, o jornalista Mário Crespo afirma que, no caso de a tramitação do Processo Freeport não for mais célere que os restantes processos, tal constitui a “prova de que o Estado, através do governo, foi capturado por uma filosofia ditatorial com métodos de condicionamento da opinião pública mais eficazes do que a censura no Estado Novo porque actua sob um disfarce de respeito pelas liberdades essenciais.”
Esta ideia de que o Governo manipula activamente o Processo Freeport é contrário à leitura intuitiva e empírica que qualquer observador distanciado faria do caso – veja-se que estamos a falar de controlo e não de eventuais tentativas de pressões que deverão ser denunciadas caso se determine a sua existência e real extensão.
Basta ver que as diligências processuais que, em tese, implicam José Sócrates são realizadas em catadupa em momento de eleições, quando mais o podem ferir. Isto para não falar da arquitectada génese do processo Freeport, em que um órgão de investigação criminal se reúne com chefes de gabinete de políticos concorrentes de Sócrates e denunciantes que não o querem ser, para dar início a um processo.
Será a isto que se chama um due process of law?
Confundir o Estado com o Governo e pretender, de forma arruaceira e maniqueísta, que este último controla a justiça só pode ser lida como uma conclusão de que o Governo deverá ser responsabilizado sempre que a justiça que emerge dos tribunais não coincide com a justiça plasmadas nas capas dos jornais.
É grave e de lamentar que Mário Crespo escreva que “o Primeiro Ministro do décimo sétimo governo constitucional fica indelevelmente colado à imagem da censura em Portugal, 35 anos depois de ela ter sido abolida no 25 de Abril”, usando gratuitamente uma imagem extremista e utilizando um termo que sabe causar alarme – “censura” – para esconder um mau estar perante a necessidade da classe jornalística respeitar a lei.
É com desconforto que assisto a esta instrumentalização do 25 de Abril protagonizada por alguém que me habituei a respeitar, especialmente usando como veículo uma miscelânea de ideias que conduzem tão somente a um ideal corporativista e isolada do jornalismo.
Ainda estou incrédulo que, da leitura do texto em causa, apenas possa concluir que o autor não quer nem defende a liberdade para todos; mas tão somente toda a liberdade para a sua classe.
E 35 anos depois do 25 de Abril, tais factos não podem deixar de se assinalar.
quarta-feira, abril 29, 2009
"Bom dia, PSD, fala a Manela. Em que posso ser útil?"

Manuela Ferreira Leite lançou um call center com o intuito de ouvir as sugestões dos cidadãos. A ideia é inovadora e dá uma boa imagem daquilo que deve ser a participação activa da população na política, afastando a ideia de que são todos iguais e não ouvem ninguém. Numa altura em que todos recorrem às ideias do costume como forma de fazer cacique, nomeadamente através de hi5, youtube e companhia e de "velhas tecnologias" como a demagogia e a ilusão, aqui está uma forma diferente de fazer política incluindo o povo no processo de mudança que o nosso país tanto precisa, podendo fazer-se finalmente ouvir. Excelente iniciativa!
Vai tudo c'os porcos! - II
Esta história de tamiflu, gripe das aves e gripe suína com as farmacêuticas, na minha opinião, assemelha-se ao caso das empresas de antivírus informáticos: é preciso fazer um update aos vírus para continuar a vender mais e novos produtos. Até agora a estratégia tem resultado: só em Portugal, onde não existe nenhum caso destas "viroses" a comunicação social faz as vezes de assessora das farmacêuticas ao espalhar o alarmismo em todo o país, a população já tratou de reabastecer o seu stock de medicamentos com um que provavelmente não necessitará.
Vai tudo c'os porcos!
Estou confuso: porque é que os mexicanos têm "gripe suína" e os americanos e europeus têm "gripe mexicana"?
terça-feira, abril 28, 2009
segunda-feira, abril 27, 2009
O que é que nasceu primeiro:o ovo ou a galinha?
"«Comparar-me a Madoff vai ter consequências graves» - João Rendeiro não gostou da comparação do presidente da CMVM, que comparou os problemas do BPP ao caso Madoff"
Fonte: Diário IOL
Então e se chamarmos "Rendeiro" a Bob Madoff? Já pode ser?
Fonte: Diário IOL
Então e se chamarmos "Rendeiro" a Bob Madoff? Já pode ser?
Curtas sobre música
O projecto "Amália Hoje" lançou hoje o seu disco. O pop, o electropop, a fusão e a bossa geram algum interesse em algumas faixas, mas o disco desiludiu-me. Esperava mais. Os músicos portugueses têm o dom de saber combinar instrumentos e de criarem músicas que primam pela elevada qualidade, mas, sinceramente, acho que deste projecto apenas se aproveitam três faixas, já para não falar que o preço parece-me excessivo: 17,95€ por apenas nove músicas e um pequeno livro. Depois admiram-se que existem downloads ilegais...
Eu sabia que isto acabaria por acontecer comigo um dia. Sempre repudiei aqueles atrasados mentais que, como a Whitney Houston, dão um concerto em Portugal e dizem "Hola, Madrid", ou "Hello, Spain". O que aconteceu com o concerto de Stacey Kent no Museu Oriente não foi muito diferente. Entre vários "I love you", "I love Portugal" e "I like sardines and coffee", a cantora de repente sai-se com um "I love Portugal, because it's the country of Bossa", para mais tarde se despedir com um "eu adoro vocês" em brasileiro. E o concerto até estava a ser bom... É como ir para a cama com uma tipa que até sabe o que está a fazer, mas que às tantas nos chama o nome de outro gajo. Tira a tesão toda...domingo, abril 26, 2009
Canonização de Nuno Álvares Pereira - II
Não deixa de ser irónico que a Igreja Católica pratique com frequência actos que o seu livro sagrado, a Bíblia, condena, como o culto a mortos e a adoração de estátuas. Não existe tal coisa como santos, canonização e milagres feitos por terceiros que estão no além, no céu, no inferno, ou no purgatório. Existe o poder da mente de cada um. Isso é que faz os verdadeiros milagres, não são beijinhos e abraços a bocados de pau e de gesso! O santo pode ser Condestável, mas o seu milagre é contestável.
Canonização de Nuno Álvares Pereira
Nuno Álvares Pereira vai hoje a "canonizar". Não tenho nada contra as canonizações e outras actividades da Igreja Católica, mais não seja porque não me identifico com ela. Mas o que me incomoda é saber que contribuo com impostos para uma estação pública de televisão que decide transmitir a cerimónia de um culto católico num país que se diz laico. A TVI e a SIC transmitirem, não me aquece nem arrefece. Mas se a RTP quer fazer essa transmissão, então também tem a obrigação de transmitir directos de eventos especiais das Testemunhas de Jeová, dos Mormons, da IURD e dos islâmicos e ainda as palestras do Dalai Lama no Pavilhão Atlântico de cada vez que cá vem. O que não aceito é que as escolhas de alguns portugueses sejam satisfeitas e as dos restantes não.
Alerto o Sr. Presidente da República, o poder político e a administração da RTP a consultarem o artigo 13.º da Constituição da República Portuguesa: "Ninguém pode ser privilegiado, beneficiado, prejudicado, privado de qualquer direito ou isento de qualquer dever em razão de (...) religião...". os Católicos ainda continuam a ser (muito) beneficiados relativamente aos que professam outros credos, aos agnósticos e aos ateus. Laicismo, sabemos o que é?!
Alerto o Sr. Presidente da República, o poder político e a administração da RTP a consultarem o artigo 13.º da Constituição da República Portuguesa: "Ninguém pode ser privilegiado, beneficiado, prejudicado, privado de qualquer direito ou isento de qualquer dever em razão de (...) religião...". os Católicos ainda continuam a ser (muito) beneficiados relativamente aos que professam outros credos, aos agnósticos e aos ateus. Laicismo, sabemos o que é?!
quarta-feira, abril 22, 2009
Quanto mais qualificados, mais ignorantes
"O primeiro-ministro anunciou a extensão da escolaridade obrigatória para 12 anos e fê-la acompanhar de bolsas de estudo para todos os alunos com aproveitamento que estejam nos dois primeiros escalões do abono de família."
Fonte: Público
A medida só não é de louvar por completo porque um actual 12.º ano fica aquém de um 9.º ano de há 15 anos atrás. Infelizmente, um dos grandes entraves ao desenvolvimento nacional continua a ser a educação deficitária que se ministra nas escolas portuguesas na medida em que se adaptam, ano após ano, os programas educativos aos alunos, em vez de ocorrer o fenómeno inverso. Os alunos ainda são vistos como coitadinhos para quem o ensino é demasiado severo e os resultados vêem-se nas novas gerações de licenciados e afins: até podem ter um diploma, mas estão ignorantes como nunca!
Fonte: Público
A medida só não é de louvar por completo porque um actual 12.º ano fica aquém de um 9.º ano de há 15 anos atrás. Infelizmente, um dos grandes entraves ao desenvolvimento nacional continua a ser a educação deficitária que se ministra nas escolas portuguesas na medida em que se adaptam, ano após ano, os programas educativos aos alunos, em vez de ocorrer o fenómeno inverso. Os alunos ainda são vistos como coitadinhos para quem o ensino é demasiado severo e os resultados vêem-se nas novas gerações de licenciados e afins: até podem ter um diploma, mas estão ignorantes como nunca!
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