sábado, março 14, 2009

Com a chegada do calor, alguns conselhos do Departamento Jurídico do Bar Velho Online

Com a chegada do calor e com a aproximação do verão, vão começar os "juristas de bairro" a dissertar sobre a lei aplicável à temporada.
O Bar Velho Online, na qualidade de instituição pública, desfaz neste espaço alguns mitos veraneanos:
1- A todos aqueles que entre 21 de Março e 30 de Setembro só conhecem dois tipos de indumentária, a t-shirt ou o "tronco nu", informamos que não cometem nenhuma infracção ao Código de Estrada. Não há nenhuma norma na lei que proíba a condução sem o tronco coberto. A última vez que uma lei estatuiu algo semelhante data da década de 1950 e foi revogada há algumas décadas já.
2- A todos os burgessos que entre a mesma época só conhecem um tipo de calçado, os chinelos, esclarecemos que aí a doutrina divide-se. O que a lei prevê é a proibição de condução com objectos, acessórios e outros que dificultem a condução. Os chinelos dificultam a condução, mas o conduzir descalço nem por isso. Como tal, a lei não refere chinelos, mas podem ter alguma chatice com a polícia por causa disso, embora, em princípio, nada de mais...

sexta-feira, março 13, 2009

Pensem duas vezes antes de julgar...

"O Ministério Público de Aveiro imputou hoje ao pai do bebé de nove meses que foi encontrado ontem sem vida no interior de um automóvel, depois de se ter esquecido de levar o filho ao infantário, um crime de homicídio negligente, na sua forma mais grave, a “negligência grosseira”, punida com pena de prisão até cinco anos."

Fonte: Público

Espero que as pessoas que tanto criticam a actuação do pai da criança, por mais negligente que tenha sido, e dizem que "o esquecimento é imperdoável" nunca tenham que passar pela situação que este homem está a passar. Pior do que um crime praticado de forma dolosa é cometer um crime sem querer, ainda para o mais quando o visado é o seu próprio filho.
Acresce ainda que nos tempos que correm torna-se bastante difícil ter a concentração no seu melhor. O stress, a ansiedade, a urgência e a pressão, são tudo características do século XXI em que vivemos e que em nada contribuem para uma sanidade mental perfeita. Pensem nisto antes de julgarem a actuação do pai da criança. Não é fácil viver nos dias de hoje e garanto que não queria estar na pele do pai da vítima.

quinta-feira, março 12, 2009

Neverending Jackson... in London

"Apesar de ter dito "This is It !" a apenas 10 datas de concertos, Michael Jackson anunciou até ao dia de hoje 45 actuações na O2 Arena, em Londres. As datas continuam a ser anunciadas e prolongam-se já até Fevereiro de 2010 (consulte-as abaixo)."

Fonte: Blitz

This is it! This is it! Agora é que é mesmo... só mais 38592 concertos na O2 Arena! Then... this is really it! Será que Michael Jackson fez algum mal aos londrinos para merecer ser castigado com concertos no mesmo recinto até ao fim dos seus dias?

quarta-feira, março 11, 2009

Europa ou África?

Barack Obama anunciou a sua primeira viagem à Europa no final deste mês. Porém, face ao actual panorama, é mais provável a vinda do Presidente norte-americano a Portugal quando for anunciado o seu périplo pelo continente africano, do que pelo continente europeu.

Equipas portuguesas na Europa: Porto ou morte...

Porto parece ser a única equipa capaz de
contrariar a triste tendência portuguesa


Sou benfiquista. Sempre fui e sempre serei. Que nunca se duvide disso! Depois de praticamente finda mais uma jornada europeia, há que reconhecer, mais uma vez, que as equipas portuguesas são demasiado tenrinhas para competir de igual para igual com as outras. O problema não reside numa eventual falta de qualidade e capacidade, antes em questões de índole psíquico.
Quem viu os jogos do Porto contra o Atlético de Madrid, o último dos quais terminou há instantes, vê a capacidade que uma equipa mentalizada para vencer tem para encostar os seus adversários às cordas. O jogo do Porto foi de sentido único: a baliza do Atlético. Ele foram remates à baliza, bolas ao poste, remates para fora, etc. Deu para tudo! Uma coisa todos os jogadores do Porto tinham em comum no final do jogo: já não tinham mais para dar, porque o que tinham deram durante 90 minutos. A capacidade de entrega e de sacrifício, a entre-ajuda colectiva, o "comer a relva", são tudo características destes jogadores.
É certo que o Atlético de Madrid não é nenhuma potência do futebol europeu, mas não é menos certo que joga numa das ligas mais competitivas do mundo, está nos lugares cimeiros da tabela, tem jogadores de classe mundial e ainda recentemente venceu o Barcelona e empatou com o Real Madrid. Acresce que se fosse o Benfica ou o Sporting a jogarem em casa contra esta mesma equipa, vindos de um 2-2 fora de casa, existiam 99% de probabilidades de entregarem o jogo ao adversário e jogarem no contra-ataque, o que aumentaria as probabilidades de sucesso da equipa adversária.
Esta é a diferença entre Porto e Benfica/Sporting: o Porto não brinca em serviço. Nem a feijões gosta de perder! Por muito que me custe, enquanto benfiquistíssimo que sou, qualquer um que veja um jogo do Porto sabe que é apenas uma questão de tempo até que a bola entre na baliza adversária. Muito de vez em quando a equipa lá perde, ora porque está em dia não, ora porque a bola teima em não entrar. Ainda menos frequentemente, calha a equipa adversária jogar melhor que o Porto, como aconteceu, curiosamente, com o último jogo do Benfica no Dragão.
Seja contra Arsenal, Chelsea, Manchester United, Real Madrid, Inter, etc, o Porto joga para ganhar. O Benfica joga para tentar ganhar. E o Sporting joga pelo melhor resultado possível. Por mais que se diga que é no Porto que reside a máfia do futebol, até pode ser que seja assim, mas há coisas que a máfia e a corrupção não compram: a mentalidade vencedora e lutadora com que o clube formata cada jogador que dá entrada no clube. Em Lisboa é diferente: por pior que seja um jogador do Benfica, é sempre tratado como um herói, ou como estando a passar uma fase menos boa. Existe uma tolerância incrível com os jogadores do Benfica. Repare-se em Di Maria, por exemplo. O que é que o distingue de Fábio Coentrão, além do nome e da nacionalidade? No Porto já tinha sido despachado há muito tempo, se é que não estivesse a produzir futebol suficiente para ser titular indiscutível na selecção argentina. O meu Benfica vive do passado, essa é que é essa. E diz isto quem se lembra perfeitamente do Benfica dos anos 80, início dos anos 90, onde ficar em segundo lugar, a um ponto do campeão que limpava os jogos todos dava direito a despedimento do treinador e se não se chegasse longe nas competições europeias já se sabia que na Assembleia Geral seguinte os ânimos iam ferver!
Sobre o Sporting pouco há a dizer: a eterna ideologia elitista dos tempos do já mais que moribundo Visconde de Alvalade. Uns copinhos de leite que pensam mais em brincos e penteados e passam a vida a chorar que lhes tiram o tapete. Quanto mais choram, menos ganham. Não digo que não sejam prejudicados, mas às vezes dá a sensação que andam à procura de oportunidades para atirar a responsabilidade pelos insucessos desportivos para cima de terceiros.

Bayern 7-1 Sporting: melhor em campo

Anderson Polga: duas assistências, uma finta de corpo que deu o 5-1 a Van Bommel, e um grande golo a fuzilar Rui Patrício. Só podia ser ele o melhor em campo... do Bayern.

Baú das Recordações: Celta de Vigo 7 - Benfica 0

Para os mais esquecidos, relembro este maravilhoso feito que o Benfas deixou ao país, num célebre jogo da Taça UEFA (e não Liga dos Campeões), contra uma equipa que nos dias de hoje está na II Liga espanhola (ao contrário do Bayern de Munique).
Ah! É verdade! Este ano também perderam 5-0 com uns gregos para a também Taça UEFA.
Era só para recordar...

terça-feira, março 10, 2009

Bayern 7-1 Sporting

Sporting sempre a fazer história na Europa! Depois dos 5-3 de Real Madrid e Barcelona e dos 5-0 da primeira mão, agora decidiram fazer um brilharete e deixar a sua marca na UEFA como equipa que mais golos sofreu no cômputo das duas mãos de uma Liga dos Campeões!
Já que não honram as próprias cores, podem esforçar-se por não envergonhar a imagem do futebol nacional? Até o Belenenses, numa das suas épocas mais modestas de sempre, fez melhor do que o vice-campeão português, mantendo em sentido este mesmo Bayern, e com menos um ano em cima!

4 Anos

domingo, março 08, 2009

A Guerra dos Sexos perdura...

Elisa Ferreira, candidata à Câmara do Porto, anunciou que pretende integrar na sua lista o mesmo número de homens e mulheres. Em pleno Dia da Mulher, a ainda eurodeputada dá um mau exemplo de igualdade entre géneros, exigindo cegamente metade da lista com mulheres, "porque sim". O critério de Elisa Ferreira não se baseia no mérito, mas no número. A candidata parou no tempo e em pleno século XXI acha que é com números que se disfarça a falta de qualidade e se contribui para a afirmação da mulher na política. Não deveriam o mérito e a competência ser os critérios a utilizar na composição de uma lista que concorre a um cargo político? Escolher alguém com base no género, e atribuir-lhe privilégios sem qualquer motivo aparente, é uma forma de discriminação tão grave quanto não escolher ninguém com base nesse mesmo critério. Esperava-se mais de uma eurodeputada, a quem a presença no exterior deveria ajudar a alargar horizontes e não a estreitá-los.

O atletismo nacional ressuscitou...

Rui Silva vence nos 1500 metros e Sara Moreira é medalha de prata nos 3000. Depois da miserável prestação portuguesa nos Jogos Olímpicos de Pequim, os resultados de Rui Silva e Sara Moreira voltam a recordar ao país que afinal o atletismo ainda está vivo e recomenda-se. Para os mais incautos, é bom ter em atenção que esta é a modalidade que mais títulos dá ao desporto português, começando a ser acompanhada pelo judo, motivo pelo qual se lança a seguinte pergunta: porquê tanto investimento no futebol sénior, o único escalão que nunca conquistou nada em décadas de história?

Stacey Kent: só para profissionais...

Para os verdadeiros amantes de Jazz, Stacey Kent vai actuar no próximo dia 24 de Abril, pelas 21h30, no Auditório do Museu do Oriente, nas Docas de Alcântara. Quem não conhece esta voz magnífica, atreva-se e não vai querer outra coisa. Já a falhei duas vezes. Não falho a terceira!

Tratar igual o que é diferente...

"Tozé Brito: "Roubar uma música é igual a roubar um carro"" - in Blitz

"Um jovem residente na Nazaré – suspeito de envolvimento numa centena de furtos de carros – foi ontem condenado pelo Tribunal de Santarém a um ano e três meses de prisão, com pena suspensa por igual período" - in Correio da Manhã

""Bernardo Macambira preso por pirataria. Relações públicas foi condenado a quatro meses de prisão efectiva depois de uma cópia de um CD ter sido apreendida na sua discoteca, em 2006" - in IOL

"'Upload' de 146 músicas resultou numa pena de 90 dias de prisão. O primeiro português a ser condenado à prisão por disponibilizar músicas na internet é apenas um dos 28 casos que a Associação Fonográfica Portuguesa (AFP) denunciou e até é um dos que fez menos uploads" - in Sol

Parece-me existir uma certa desproporcionalidade nas penas. O valor comercial de um carro é diferente do valor comercial de uma faixa de música ou de um CD, já para nem sequer referir que se alguém fizer o download de uma música, não restringe o seu acesso ao seu autor ou a terceiros, ao contrário do roubo de um automóvel, em que o proprietário perde a posse e o domínio da coisa.
Acresce ainda que quando compramos um carro, não só experimentamos o mesmo, como todas as peças compõem o carro em si. Ninguém se interessa só pelas jantes, pelo motor, ou pelo volante. Num CD, o consumidor não só nem sempre pode experimentar as faixas por inteiro, como pode apenas desejar comprar uma ou duas, porque a verdade é que não há trabalhos perfeitos e pode não interessar comprar tudo.
Na verdade, na verdade, quando se gosta mesmo de um trabalho no seu todo, compra-se o original!
Vamos lá pôr a cabeça no lugar e pensar numa forma justa de tratar a questão. Um carro é incomparável com um disco e um roubo é diferente de um download sem autorização.

Novo disco de Lily Allen

Lily Allen lançou no passado mês de Fevereiro o seu novo álbum, "It's not me, it's you". A britânica de 23 anos lança o seu segundo trabalho, depois do sucesso do seu álbum de estreia, "Alright, Still", em 2006. O novo álbum destaca-se pela heterogeneidade de estilos que imprime nas 12 faixas que o compõem: Pop-Rock, Electropop, Ska e R&B.
O disco à primeira vista pode parecer meio "girlie", sobretudo para quem der mais atenção às letras do que às músicas. Para quem, como eu, for, regra geral, de ligar mais aos instrumentos, às vozes e às melodias, o disco de Allen vai revelar-se uma agradável surpresa.
Espero que o bom trabalho de Allen continue e já agora fica a sugestão: Rock Alternativo e pela Bossa Nova estão completamente fora de questão? Esta voz pode ter algum sucesso nestes estilos.

sexta-feira, março 06, 2009

Não é novidade para ninguém, mas...

... estes dois actuam em Portugal, a 10 de Julho, no Optimus Alive!09. The Ting Tings são uma boa banda de música alternativa cujo estilos andam em torno do New Rave e do Dance-Punk. Lançaram em 2008 o seu álbum de estreia, "We Started Nothing", o qual confesso que me surpreendeu bastante. Boa sonoridade, boa voz e, espero, boas actuações também. Quem vai perder?

quinta-feira, março 05, 2009

Uma opinião que vale o que vale...

"Um jovem residente na Nazaré – suspeito de envolvimento numa centena de furtos de carros – foi ontem condenado pelo Tribunal de Santarém a um ano e três meses de prisão, com pena suspensa por igual período"

Eu diria que quando este tipo de situações acontece (e não me refiro à centena de furtos de carros), algo de errado se passa na sociedade. Mas se dizem que está tudo bem, então devo ser eu que ando a dar uma de radical e conservador...

Prémio "Agarrem-me, senão vou-me a ele": profanadores do cadáver de Nino Vieira

"Nino espancado depois de morto"

Depois de morto, também eu!

Dúvidas geográficas...

Acho que ambos se referiam ao Luxemburgo, essa colónia portuguesa do século XXI.

quarta-feira, março 04, 2009

Vem aí o terror...

Vem aí o dia 8 de Março, Dia Internacional da Desigualdade. Mais um dia que não deve ser celebrado por um simples motivo: enquanto continuarem a celebrá-lo, mais provas dão aos atrasados mentais que insistem em tratar homens e mulheres de forma diferente. A ver se metem uma coisa na cabeça: esqueçam o passado, perdoem os séculos em que as mulheres foram oprimidas, e caminhem em frente, porque somos todos, homens e mulheres, seres humanos e iguais uns para com os outros. Eu sei que é difícil esquecerem-se desses séculos (milénios) de tratamento desigual, mas enquanto recordarmos os erros do passado não conseguimos olhar para o presente, nem para o futuro.
Vou ignorar o dia 8 de Março porque acho-o completamente estúpido e a sua celebração só contribui para as desigualdades que ainda existem entre homens e mulheres. Lembrem-se que somos seres humanos, todos iguais. Desapeguem-se do passado e de mentalidades obtusas.

segunda-feira, março 02, 2009

Mesa: alguém promova esta banda, por favor!

Os Mesa são, na minha opinião, uma das melhores bandas nacionais da actualidade. Conheço de forma aprofundada o trabalho desta banda e custa-me ver que a qualidade que imprimem no mesmo não é correspondida pelo público, nem pela indústria.
A banda de João Pedro Coimbra e Mónica Ferraz anda muito próxima daquilo que eram os Clã no seu terceiro trabalho: muito boas músicas, mas falta o tal "click" para darem o salto. Quem os conhece como eu sabe que têm "what it takes", mas alguém anda a deixar que a banda ande por aí à deriva.
Provavelmente todos conhecem os Mesa, mas será que todos conhecem o seu último trabalho, "Para todo o mal"? Foi lançado há quase um ano e não tem tido a divulgação que merece. Faltam espectáculos, falta público ouvinte, falta qualquer coisa que ainda não consegui compreender o que é.
Oiçam e consumam Mesa. O génio de João Pedro Coimbra na composição e criação das músicas, a voz de Mónica Ferraz e a forma hábil como tiram o máximo proveito dos instrumentos, fazem desta uma das melhores bandas nacionais seguramente. Divulguem e promovam os Mesa!

Morreu "Nino" Vieira...

Será que 2009 também será o ano da morte (política) do "Nino" Guerreiro?

domingo, março 01, 2009

O Congresso do Partido Socialista

Pois é. Parece que se realizou mais um congresso do PS. O que é que eu tenho a dizer sobre tudo o que aconteceu? Nada. Rigorosamente nada. Não gosto de Congressos, Comícios, nem nada que se assemelhe a tal. Sejam do PS, do PSD, do CDS, do BE ou do PCP. Seja do que for. Detesto este tipo de programas políticos. Aliás, vou mais longe e assumo que tenho aversão a este tipo de coisas. Não me atrai, não me identifico com isto, nada. Zero. Para ser muito sincero, ainda que não tenha nada para fazer, prefiro passar algumas horas na minha cama a dormir do que perder tempo com Congressos e congressistas.
A propósito, quanto é que ficou o Porto-Sporting?

Pacheco Pereira...

Não gosto de Pacheco Pereira. Assumo-o como sempre assumi. É um homem inteligente mas nunca gostei de "pensadores" que se acham envoltos numa aura especial que os coloca um palmo acima da sociedade mortal, achando-se no direito de dar palpites sobre tudo, nunca apontando soluções e dançando sempre conforme a música. Pacheco Pereira é um deles. A verdade é que vejo-o a escrever, mas nunca lhe conheci obras.
Outro mal em "fazedores de opinião" como Pacheco Pereira, e que contribui ainda mais para que não me identifique com este género de pessoas, é a sua falta de capacidade para aceitar o diferente. Tenho mesmo graves problemas em lidar com gente que não se permite aceitar opiniões diferentes de terceiros, acatando apenas a sua. O blogue de Pacheco Pereira é exemplo disso. Visitei o seu espaço de opinião há muito tempo e logo concluí que era impossível fazer comentários aos textos do seu autor. Pacheco Pereira não permite que quem o leia, e muita gente gosta de o ler, expresse a sua opinião sobre os artigos que acaba de ler. Não é o único que padece deste mal, mas a verdade é que me incomoda que alguém se ache tão sábio e tão iluminado ao ponto de recusar ouvir opiniões de terceiros. A isto chama-se falta de humildade intelectual.
Como é natural, a minha passagem pelo seu espaço foi fugaz. Não leio os seus artigos no Público, mas ontem, ao entrar no site do jornal, vejo uma frase brilhante de Pacheco Pereira à qual o diário destacou na sua edição online: "A falta de proporção e relevância, típica da agenda dos blogues, transferiu-se para a comunicação social". Será que o autor já reflectiu bem sobre estas palavras e identifica-se com elas, ou as mesmas não passam de uma exortação do magnânime iluminado José Pacheco Pereira para a "sociedade dos mortais" cujo trono se encontra um palmo abaixo do seu?

U2: Yes, they can (save the music)?

Para começar, aviso que não sou fã de U2. Não sou capaz de dar 60 euros por um bilhete para um dos seus concertos, da mesma forma como não sou capaz de os dar para os AC/DC que são uma banda que gosto bastante. De todos os cd's que correm no autorádio do meu carro, nenhum tem uma música que seja dos U2. Não é que não goste deles, simplesmente não me entusiasmam. Têm algumas músicas que se ouvem e pouco mais. Esquisito? Estranho? Talvez seja isso tudo, mas U2 não me enchem as medidas. Longe disso.
Tive oportunidade de ouvir "No Line On The Horizon", o novo álbum da banda irlandesa. Para começar, a capa é a cópia fiel de outra pertencente a um álbum de Taylor Deupree, de 2006. A fotografia tirada pelo japonês Hiroshi Sugimoto não me parece tão única assim que tenha que ser repetida pelos U2.
Sobre as músicas, para não variar, estas não me encantam. Sim, mantêm a mesma linhagem dos U2 de há 20 anos e, sim, há sempre uma ou outra que se destaca. No entanto, este disco parece ser mais daquilo a que a banda já nos habituou. Os ritmos, a colocação de voz, as letras. Os U2 não se superaram, não arriscaram, antes mantiveram tudo igual. Não tem nada de inédito. Não há surpresa. O que menos gosto nos U2 é a falta de evolução. Ouvimos um álbum e escusamos de ouvir os outros todos, porque são todos iguais, mais variação, menos variação. Os U2 não se transcendem.
Numa altura em que se comenta que este álbum dos U2 vai salvar a indústria musical, pelas cópias que vai vender, acredito que assim seja, mais não seja porque os consumidores de U2 compram o que quer que seja e acham sempre que aquilo que compram é a melhor compra de todos os tempos, porque... são os U2. Podem ter produzido o maior atentado à música de sempre, mas são os U2 e os fãs gostam sempre. Isto, para mim, não é ser fã, é ser obcecado com uma banda. Na minha modesta opinião, ser fã, é gostar da banda e continuar a gostar dela ainda que cometa um tremendo atentado contra a música, mas mantendo o espírito crítico para a ajudar a melhorar. Vejam o caso recente de Neil Young. E mais não digo. Não sejam um bando de carneiros que segue cegamente o que o seu pastor (U2) lhes diz. Afinal de contas, "No Line On The Horizon" é só mais um álbum de U2.

sábado, fevereiro 28, 2009

Mais um cartel, num país onde estes começam a ser prática reiterada...

"TMN, Vodafone e Optimus aumentam tarifas em 2,5 por cento em Março"

As empresas de telecomunicações móveis insistem em pautar a sua presença no mercado através de práticas concertadas. Acresce que cada vez há menos vergonha na cara para o verdadeiro cartel em que se estão a tornar estas três sociedades. Ainda recentemente tivemos uma polémica sobre o lançamento dos seus produtos wireless, onde as três lançaram ao mesmo tempo três produtos rigorosamente iguais. Na altura desmentiram o recurso à prática concertada, que é ilegal. Perante o teor desta notícia, será que vão continuar a desmentir? Onde está a autoridade para a concorrência? Onde está o poder político? Onde está o consumidor que cruza os braços, encolhe os ombros e deixa andar como se nada fosse?

sexta-feira, fevereiro 27, 2009

Rosa cor-de-rosa

"Alegre ainda não sabe se vai ao congresso"

Fonte: Correio da Manhã

Manuel Alegre continua a fazer furor, não pelo seu activismo político, mas pelo protagonismo cor-de-rosa que adquiriu desde as Presidenciais de 2006. "Manuel Alegre ainda não sabe se vai ao congresso", "Alegre ainda não escolheu a gravata que vai usar quando for votar", "Manuel Alegre vai ao congresso com um fato Chanel", "Alegre assume relacionamento com Diana Chaves", "Manuel Alegre no encerramento do Sasha", "Alegre com a sua amiga Maya na festa do Buddha". Manuel Alegre virou socialite, apenas isso. De político tem muito pouco, mas de celebridade tem demasiado para dar e vender. O perigo no meio deste processo, é que todo este protagonismo barato atribuem-lhe importância suficiente capaz de caçar votos aos populistas, que ainda representam boa parte do eleitorado.

Há males que vêm por bem

"Portugal corre o risco de perder um lugar na Taça UEFA em 2010/2011, um cenário que apenas parece possível de evitar com grandes campanhas de FC Porto e Sporting Braga na época em curso das provas europeias."

Fonte: Público

Infelizmente, não posso lamentar esta notícia. A presente época é a última em que Portugal vai contar com 7 (!!!) equipas nas competições europeias, um cenário um pouco desadequado para um país que tem um campeonato muito mediano como o nosso, e com apenas 16 equipas. Ou seja, de acordo com os actuais critérios, a primeira metade da tabela dá direito a participar de igual para igual com equipas que jogam em campeonatos mais competitivos e com 18 ou 20 equipas, onde andam todas praticamente ao mesmo nível. Não me parece justo.
Não me parece igualmente justo que tenhamos equipas nacionais a produzir fraco futebol no exterior. Casos como Paços de Ferreira, Belenenses (belos tempos em que era uma verdadeira equipa de Europa), Marítimo, Nacional, União de Leiria, Vitória de Setúbal e companhia, sinceramente, não vão à Europa fazer nada, senão envergonhar o futebol português. Por mais que digam que é a experiência internacional, e a contínua participação nas competições europeias, que permitem a conquista de resultados positivos no futuro, a verdade é que isso deveria ser um factor motivador para que estas equipas não tivessem nada a perder, esforçando-se por marcar golos e ganhar jogos. Tal não acontece. Excluíndo Porto, Benfica, Sporting e Braga, todas as outras equipas nacionais que vão à Europa mais não fazem do que jogar "à retranca". A sua ambição passa por "encher a casa" e sofrer o menor número de golos possível. Ora, quem é que consegue acumular "experiência" a fazer dois jogos internacionais de dez em dez anos e a jogar à defesa os 180 minutos que duram a eliminatória? Ninguém.
Assim sendo, perder alguns lugares não faz mal nenhum ao futebol português, antes pelo contrário, devia ser motivo de reflexão pelos responsáveis máximos do futebol português. Na verdade, termos apenas duas equipas na Liga dos Campeões e duas, no limite três, na Taça UEFA, parece ser o mais justo, embora tenha sérias dúvidas quanto à participação do Sporting na Liga Milionária. Se Benfica e Porto têm bons resultados nesta competição, o Sporting faz a figura de "Paços de Ferreira da Liga dos Campeões". Todos os anos o discurso é o mesmo: "sejamos realistas, vamos tentar chegar o mais longe possível". Não, não podem ser realistas, têm que sonhar e isto é o que os adeptos vos exigem! Ora, uma equipa grande, mesmo em Portugal, assume desde logo a sua candidatura aos oitavos-de-final. Se o Sporting não o faz é porque continua a ser uma equipa demasiado pequena cuja única ambição é facturar uns milhões de euros para amparar a sua semi-humilde folha de salários. Isto não é ambição. Os 0-5 contra o Bayern Munique foram merecidos. O meu patriotismo obriga-me a torcer sempre pelas equipas portuguesas no estrangeiro, até pelo Porto, como se fossem o Benfica a jogar, mas jogar a medo, em casa, contra uma equipa que este ano nem está a ser aquela máquina devoradora de adversários que já foi noutros anos, é por si só embaraçoso. Com esta ambição, o Sporting continua a demonstrar que é demasiado pequeno para uma Champions. Dêem espaço ao Benfica. Pode nem se qualificar para a fase seguinte, o que acontece aos melhores, mas pelo menos assume a sua candidatura e esforça-se por lá chegar.

P.S.: Aos sportinguistas que se sintam tentados a falar na época vergonhosa do Benfica na Taça UEFA, as épocas atípicas acontecem aos melhores, e a alguns até por diversas vezes. Ao Porto já aconteceu algumas vezes, ao Benfica idém, e o Sporting, pasmem-se, já teve uma época tão atípica para a sua realidade que até já conquistou uma Taça das Taças. E esta, hein?

terça-feira, fevereiro 24, 2009

Ate quando?

A pintura de Gustave Courbet

"PSP de Braga justifica apreensão de livros com “perigo de alteração da ordem pública”"

Até quando vamos continuar com a hipocrisia? Até quando vamos fingir-nos cegos? Até quando durará o politicamente correcto? A nossa sociedade continua a não entender que quanto mais banalizarmos as coisas, mais despercebidas elas passam. Dos atrasados mentais nunca nos livraremos. Seja qual for a situação, vai sempre haver um imaturo por perto. Temos que aprender a conviver com isso. Ou não?

segunda-feira, fevereiro 23, 2009

Dois tiros certeiros e meio pelo benefício da dúvida...

Não vi o filme de Kate Winslet, mas vi os de Sean Penn e Penelope Cruz. Fazer de Harvey Milk não é fácil, nem sequer para o malogrado activista. Na minha opinião, Penn encarnou o personagem e não se mostrou coibido em desempenhar o papelão que desempenhou no filme. Não vi o "Wrestler", mas o Sean "Harvey Milk" Penn merece o prémio que recebeu. Excelente filme, excelente actor, excelente papel.
Penelope Cruz dá pena. Para actriz secundária tinha mais atenções à sua volta do que Scarlett Johanson, por exemplo. O oscar de Penelope Cruz é também merecido. Já prestaram atenção à personagem que ela desempenha em "Vicky Cristina Barcelona"? Laureada com toda a justiça!
Já o "Slumdog Millionaire", do que vi do trailer parece-me um filme banal e mesmo não o tendo visto, tendo sempre a desconfiar de filmes que recebem mais de 5 óscares. Raros são os que os merecem e creio que toda a polémica em torno do filme contribuíram para a atribuição de mais alguns prémios.

Tonight: must hear it!

"Tonight": fustiguem-se implacavelmente se não ouvirem o novo disco dos Franz Ferdinand!

sábado, fevereiro 21, 2009

A segunda melhor opção...

"José Sócrates convidou Hugo Chávez para o Congresso do PS"

Hugo Chávez é um convidado de peso, embora o Tony Carreira fizesse mais furor...

sexta-feira, fevereiro 20, 2009

Citadinos?

Sinceramente, acho a expressão "citadinos" quando aplicada a certos automóveis, muito descontextualizada. Pensemos no Smart e noutros modelos semelhantes. O Smart até pode ser um carro citadino, mas de certeza que não é um carro para a cidade de Lisboa. Não me refiro aos peões, nem ao trânsito local, mas sim ao pavimento. Andar em Lisboa é uma verdadeira aventura digna de um todo-o-terreno. Quando dou por mim a entrar em Lisboa, entro num mundo completamente novo, ficando com a sensação que entrei numa autêntica selva urbana. São verdadeiras gincanas aquelas que temos que fazer para fugirmos aos penhascos que se nos deparam nas estradas alfacinhas quando menos esperamos. Entramos em contra-mão, na faixa do lado, nos estacionamentos, nos passeios. Vale tudo, mas não podemos atolar os nossos carros naqueles buracos que competem de igual para igual com os campos de cabras que temos em território nacional.
Insisto, os verdadeiros citadinos são os Pajero, os Rav4, Discovery, etc. Os Smarts, os Corsas, os Minis e companhia foram feitos para o tapete da auto-estrada*, sob pena de se desfazerem nas armadilhas com que a cidade de Lisboa (e outras, pois não me esqueço do caos de Almada) nos privilegia. Mau mau nem é despenharmos a nossa amostra de bólide, porque a Câmara de Lisboa supostamente é responsável pelos prejuízos causados. O verdadeiro problema é a dor de cabeça que tudo aquilo traz para o condutor, o tempo interminável para sermos ressarcidos pelos danos, o tempo que ficamos sem carro que entretanto vai para arranjar, o tempo que o município demora a assumir as culpas sem nos obrigar a ir para tribunal (o mais importante de todos), etc. Não fosse por isso e garanto que o meu carro era sério candidato a cirurgia completa a cargo da CML.

* - Imaginem o quão grave é conduzir em Lisboa para me obrigar a comparar as nossas auto-estradas com tapetes.

Impunidade em Portugal? Qual quê!

"O Banco de Portugal decidiu suspender seis administradores do Banco Privado Português (BPP) até 2011 devido a “irregularidades graves” praticadas no banco antes de 2 de Dezembro de 2008, data que coincide com a nomeação de quatro administradores provisórios para o BPP."

Fonte: Público

Uuuuuuuh! Os tipos foram suspensos! E até 2011! Afinal há justiça em Portugal...

segunda-feira, fevereiro 16, 2009

Não basta ser a parte mais fraca, como ainda luta com armas mais fracas...

"As taxas de juro que servem de indexante ao crédito à habitação continuam em queda, com a Euribor a três meses a atingir hoje novo mínimo histórico, nos 1,927 por cento"

Fonte: Público

Ainda não é o desejado, mas aos poucos chega lá. Quando acabarem com esta verdadeira usura que são as taxas Euribor e passarem a taxar proporcionalmente as aplicações dos clientes com as mesmas taxas que estes pagam sempre que recorrem a créditos, então, sim, atingiremos o ponto de equilíbrio.

TV WC (parte 265102)

"Os telespectadores da RTP consideram que a estação pública tem falta de "pluralismo clubístico" dando demasiado destaque aos "três grandes" do futebol (Benfica, Sporting e FC Porto), refere o relatório de 2008 do Provedor do Telespectador."

Fonte: Público

Falta de pluralismo clubístico? Dá demasiado destaque aos três grandes? Se começam a pegar em pluralismo clubístico, vamos ter oito jogos por semana para estarem representados os interesses de todos. Assim ao menos ainda dão só um por semana o que, convenhamos, já é fardo suficiente para quem gosta de futebol. Os jogos da Liga portuguesa não são jogos de futebol, são novelas: temos a venezuelana (Benfica), a portuguesa (Sporting) e a brasileira (Porto). Cada jogo dá um novo episódio. Se começarmos a dar jogos das minorias então vai ser bonito...
Não se metam com o futebol, pensem antes em dar um fim à carreira noveleira que a estação pública insiste ter. Aquelas tardes da RTP conseguem ser mais dolorosas que uma colonoscopia.
E se a isto ainda juntarmos aqueles talk-shows matinais, quais clisteres, então temos o forrobodó instalado!

Veni, vidi, vici...

sábado, fevereiro 14, 2009

Aprender com os erros...

"Caracas expulsou ontem à noite o eurodeputado espanhol Luis Herrero – que se encontrava no país em missão de observação para o referendo de amanhã – por o político se ter referido ao chefe de Estado venezuelano, Hugo Chávez, como um “ditador”."

Fonte: Público

A Europa continua a não aprender com os erros do (longínquo) passado. Se há 500 anos entrámos sem pedir licença, hoje o caso é ainda mais preocupante: somos convidados, aceitamos os convites e insistimos em ditar as regras na casa dos outros. Se é para isto, porque não rejeitamos delicadamente as solicitações vindas do exterior? Alguém tem dúvidas que se Chávez desse ares de Atahualpa, o eurodeputado estaria apto a dar uma de Francisco Pizarro?

sexta-feira, fevereiro 13, 2009

Manuela Moura Guedes: simplesmente ridícula

Já não via um telejornal da TVI há pelo menos um ano. Não gosto de formatos sensacionalistas e baratos, realizados por gente incompetente que não sabe o que é um veículo de informação ou para que serve. Manuela Moura Guedes não é profissional de coisa nenhuma, o que a torna demasiado fraca para ter o seu rosto estampado num qualquer programa de televisão, quanto mais num telejornal. Hoje tive a infeliz ideia de fazer zapping e de passar pela TVI. Fiquei a ver como andava este noticiário que eu tinha deixado de ver.
Bolsei. É verdade, Manuela Moura Guedes e as suas "nutícias" (esta estação tem um noticiário tão fraco que até aquele clássico programa da Sic Radical evidencia mais profissionalismo) fizeram-me bolsar. Como é que é possível que em cada notícia apresentada, a pivot dê o seu palpite sobre a matéria, ainda para o mais em tom jocoso e depreciativo? Não deve ser o jornalista isento e limitar-se a apresentar as notícias?! Foi apresentada uma notícia sobre o Primeiro-Ministro e, depois de algumas farpas, MMG acrescenta qualquer coisa como "pelos vistos José Sócrates, lá no seu alto e com os seus olhos castanhos, tem memória curta". Fiquei incrédulo! Não há respeito pelos representantes do Estado? Goste-se ou não, os Ministros, os deputados, os Presidentes da República, da Câmara e dos Governos Regionais, são dignos de respeito. Que comentários são estes, MMG?!
Passou ainda uma notícia sobre uma obra absurda em Vila Franca de Xira, e MMG, no final da mesma, diz "é por estas e por outras anedotas que o nosso país continua a ser muito... especial" com o seu ar de gozo! Assim sucedeu com outras notícias. Pelo que pude apurar, sucede constantemente e alguns atrasados mentais de certas e determinadas revistas e programas televisivos dão-lhe os parabéns pela irreverência. Não é irreverência, é atraso mental, deficiência, falta de noção, idiotice, o que quiserem, mas irreverência não é!
Perdi 20 minutos da minha vida a ver notícias da TVI, e posso garantir que desta vez aprendi com o erro. Uma coisa é amadorismo, outra é o absurdo e a falta de dignidade.

quarta-feira, fevereiro 11, 2009

Sympathy for the Devil (II)

Mahmoud Ahmadinejad

Gosto de Mahmoud Ahmadinejad, de Robert Mugabe e de Hugo Chávez. Não aprecio ditaduras, mas aprecio alguns ditadores. Agradam-me os "loucos". Não é pelas suas políticas, mas pela sua transparência. Um tipo que ocupa o mais alto cargo de um país e rema contra a maré, ainda que esta o possa levar a bom porto, tem que ser admirado. É preciso "tê-los" no sítio! Gosto de seres genuínos, transparentes e sinceros que fogem ao "politicamente correcto". São desses seres que sabemos o que esperar, para o bem ou para o mal. Esses não mentem, nem iludem. Esses educam o povo e levam-nos para o caminho que querem mesmo quando o povo acredita que estão errados. A esses dou valor, muito mais do que a todos aqueles que vivem de resultados e populismos gratuitos. Goste-se ou não, qualquer um dos três políticos que referi merece crédito: eles acreditam, mesmo, que o que fazem é a solução para os problemas dos respectivos países, impõem-se, mostram quem manda e alucinam. Eles representam o Ser Humano no seu estado mais transparente. Admiro gente assim, não pelas ideias que têm, mas por se afirmarem tal como são. Fazem-se poucos assim nos dias que correm.

terça-feira, fevereiro 10, 2009

Aprender com os exemplos de fora...

Sempre que oiço o "God Save The Queen", na versão dos Sex Pistols, logo dou por mim a tentar fazer uma versão de "A Portuguesa" com o mesmo conteúdo da banda punk inglesa, para o caso da política nacional. Desmotivo-me com a mesma rapidez com que me lanço nesta aventura, cruzando os braços e dando uns pontapés nas latas, não vá alguém subitamente decidir acusar-me de assassinato político, terrorismo moral ou simplesmente verborreia bloguística.

A segunda morte de Eluana

Eutanásia, sim. Kevorkianismo, não.

domingo, fevereiro 08, 2009

Manuel Alegre e o BE: zero vezes zero

Muito se fala de uma eventual aproximação de Manuel Alegre ao Bloco de Esquerda, sobretudo quando nos aproximamos das eleições. Na minha modesta opinião, Manuel Alegre é zero. Manuel Alegre é uma fraude política a quem não conhecemos obras a não ser aquelas que publica. Manuel Alegre tem mais personalidade na escrita do que na política. Na política, o poeta teve sorte, muita sorte, quando nas semanas que antecederam as Presidenciais de 2006, o PS apresentou como candidato o MP3 (Mário Presidente 3), abdicando de Manuel Alegre que passou a sofrer da "síndrome do Calimero". Os portugueses, conhecidos pela emotividade e compaixão que têm para com os "coitadinhos" (quem não se lembra do clássico Zé Maria, por exemplo?) logo se colaram ao poeta-deputado e este acabou por ser o segundo mais votado nas eleições. Da sua boca nunca saiu uma ideia, uma sugestão para dar um rumo ao país. A única coisa que me lembro é de Manuel Alegre alertar para os perigos do "presidencialismo" em que cairíamos caso Cavaco Silva fosse eleito. Cavaco foi eleito e hoje temos o melhor Presidente da República dos últimos 25 anos, apesar das controvérsias e de por vezes eu próprio me indignar com a sua passividade.
Alegre limita-se a desfrutar de toda a onda criada à sua volta e que lhe atribuem protagonismo... por rigorosamente nada, ou apenas porque o poeta decide falar mal de mais alguém que alegadamente o terá destradado. Não compreendo a euforia em torno do ex-candidato presidencial que é socialista, é bloquista, é independente e outras coisas mais que lhe dêem jeito, porém aceito-a: os portugueses gostam destes "coitadinhos" da mesma forma que gostam de novelas, do Goucha, da Merche e do Malato. Alegre não é decisivo, Alegre não é inteligente (é esperto), Alegre não pensa Portugal, Alegre... Alegre é zero, é uma fraude política. Manuel Alegre para o Bloco só representa uma coisa: votos. Manuel Alegre é o cacique que pode atrair eleitores. Apenas e tão-só.

P.S.: O que é feito daquele "grande" e "dinâmico" Movimento de Intervenção e Cidadania que, supostamente, viria revolucionar Portugal e seria uma pedra no charco da actual apatia política e social portuguesas? Este Movimento, tal como Alegre, é zero... zero vezes zero.

sábado, janeiro 31, 2009

Promessas eleitorais: não levarei um familiar meu à televisão!

Nelita?Chiquito?
Paulito?
Ti'Jerónimo?

Zézices...

O Zé...
... a Zezinha...

segunda-feira, janeiro 26, 2009

Bruce Springsteen lança novo CD

Foi hoje lançado o "Working on a Dream". Na minha opinião, o disco é espectacular! Provavelmente será um dos discos do ano. Nem sou fã de Bruce Springsteen, mas o disco está mesmo muito razoável.

sábado, janeiro 24, 2009

Novo blogue...

A pensar na música, primeira arte que tanto gosto, decidi criar um blogue novo (Música em fotografia) que reproduzisse em imagens momentos proporcionados pela música. O objectivo passa por publicar fotografias desconhecidas do grande público. Espero que passem por lá e que seja do vosso agrado. As sugestões são para o sítio do costume.

domingo, janeiro 18, 2009

Grimi, o bêbado

"Bento sobre Grimi: «Não vamos deixar cair o jogador»"

Fonte: MaisFutebol

Aguentem-no bem e não o deixem cair porque quando ele fizer o quatro em pé, com 1,24g de álcool no sangue vai ser obra se ele se conseguir aguentar nas canetas! Mais do que reabilitar um jogador, é preciso sancionar um cidadão igual a tantos outros. Todos nós sabemos como é um dia no tribunal com aqueles que conduzem alcoolizados: sempre que passa os 1,20 dá direito, imediatamente, a cassação da carta de condução e a pena de multa. Para vergonha da minha sociedade ainda não sei onde anda a carta do Luisão, jogador do Benfica, mas espero que com Grimi não suceda o mesmo. O futebol ainda não está acima da lei! Quer dizer, isto escrito é sempre fácil, mas na prática todos sabemos como é que as coisas funcionam.

Lições de democracia

Como bom país africano, aliás, democrático, que somos, o voto e a opinião popular têm tanta influência na governação quanto a plantação da cana-de-açúcar na Antígua e Barbuda. José Sócrates quer maioria absoluta e promete novo referendo à regionalização. Ora, tal como no aborto, há dez anos foi realizado um referendo sobre as regiões administrativas e mais uma vez os portugueses deram a sua opinião sobre o tema: um redondíssimo "não"! Já na altura, como é normal em qualquer Governo, o Executivo de António Guterres torceu bastante o nariz ao "não" expressivo que recebeu. Como em Portugal ainda se tomam os portugueses como tolos, de dez em dez anos decide-se insistir nas propostas antigas para ver se passam. Se o referendo da regionalização proposto por José Sócrates, dez anos após o anterior, for novamente chumbado, ponho dinheiro em cima da mesa como em 2019 vamos ter novo referendo sobre a regionalização caso o PS seja Governo. O problema relativamente a tudo isto é que os portugueses realmente vão dando provas da sua tolice. Depois de votarem a favor da anarquia que é hoje o aborto (onde está a devida regulamentação?), parecem encaminhados para oferecer novo mandato de quatro anos a quem colocou o país na situação em que está e a qual não preciso recordar. Face a este cenário, não censuro a opinião de alguns que na minha opinião seriam uma óptima solução para segurar o leme deste país. Porém, ao mesmo tempo não os posso censurar. Insisto numa tese já defendida diversas vezes neste blog: José Sócrates governa a seu bel-prazer e pode dar os tiros nos pés que quiser, dado que logo a seguir há sempre alguém que o ultrapassa nessa façanha.

quinta-feira, janeiro 15, 2009

Deus esteve em Portugal...



... e aqui fica uma pequena recordação para todos aqueles que, tal como eu, se recordam de ver Diego Armando Maradona jogar.

quarta-feira, janeiro 14, 2009

D. José Policarpo: quem diz a verdade não merece castigo

Por norma, sempre que a Igreja intervém sobre qualquer coisa é para cair no descrédito da sociedade em geral. D. José Policarpo aconselhou a mulher portuguesa a pensar duas vezes antes de se casar com um muçulmano. Teceu mais algumas considerações sobre este povo. Não sou católico, mas temo ter que concordar com Policarpo. Porventura, alguma das observações que o patriarca de Lisboa fez, foge à verdade? Lamento dizer que não. Acho curioso que a Comunidade Islâmica de Lisboa se revele "magoada" com as observações de D. José Policarpo. Muito sensível é este povo quando mais lhe convém. Só é pena que a comunidade islâmica espalhada por esse mundo fora não se manifeste de forma tão impetuosa de cada vez que um radical islâmico se faz rebentar em qualquer canto do mundo em nome de Allah (é preciso fazer um esforço bastante grande para nos lembrarmos de declarações de repúdio feitas pelos muçulmanos moderados aos atentados suicidas e terroristas e os dedos de uma mão contabilizam-nas todas) ou de cada vez que os grupos extremistas se lembram de invocar a sharia para lapidar uma mulher em qualquer parte do globo. Onde estão esses muçulmanos sensíveis nestas horas? Não estão. Por norma, só estão presentes na hora de pedir, chorar e reclamar.

segunda-feira, janeiro 12, 2009

Cristiano Ronaldo, FIFA World Player 2008

É nacional, mas não é bom... é o Melhor do Mundo!

quarta-feira, janeiro 07, 2009

Grandes portugueses: Deco, o tuga!

Deco, jogador do Chelsea e da selecção portuguesa, concedeu uma entrevista onde às tantas diz "só me sinto em casa quando estou no Brasil". Ora, isto não é mais que uma bofetada (sem luva branca) em todos aqueles que são a favor da presença deste jogador na equipa portuguesa. Onde está o Presidente da FPF, Gilberto Madaíl, para comentar estas declarações, quando defende que só devem representar Portugal todos aqueles que se identifiquem com o nosso país? Onde estão, nestes momentos, todos aqueles que dizem que o Deco se sente português? Sempre defendi que não se pode conceder cidadania portuguesa a todo aquele que passe determinado número de anos no nosso país, só "porque sim". Ser-se português e representar Portugal, seja no futebol, seja nas Forças Armadas, seja no poder político, ou noutra coisa qualquer, é algo mais do que ter em sua posse um documento de identificação que nos confere nacionalidade portuguesa. Ser-se português é sentir Portugal, é "vestir a camisola" (não a física) e é colocar os interesses nacionais acima de quaisquer outros. Nunca duvidei que este jogador é um cidadão brasileiro a quem foi atribuída nacionalidade portuguesa porque dá jeito fazer umas batotices lá fora como os outros fazem e porque se quer ganhar a todo o custo. O próximo é o Pepe, que diz que se sente muito português porque tem namorada portuguesa. Nunca vi ninguém sentir-se nacional de um determinado país apenas porque o seu cônjuge/companheiro é dessa nacionalidade. Há que rever as regras da presença nas selecções nacionais sejam elas de que modalidade forem, e há que rever, urgentemente, os requisitos para atribuição de nacionalidade portuguesa.

P.S.: Sabiam que somente 4% de toda a comunidade africana presente em Portugal (incluindo os já nascidos em Portugal) se identifica com o nosso país?

domingo, janeiro 04, 2009

Rally Lisboa-Granada-Barcelona-Paris-Dakar-Argentina-Chile

Quando em 1979 se realizou pela primeira vez o Rally Paris-Dakar, o grande objectivo da organização era a realização de uma competição de todo-o-terreno que ligasse os continentes europeu e africano trazendo para os participantes desafios e realidades diferentes, comparando os cenários europeu e africano e trazendo para os admiradores da prova a possibilidade de conhecerem outras culturas. Desde 1995 que o nome da prova foi alvo de algumas alterações, mas o destino Dakar, no Senegal, mantinha-se seguro. Depois de começar em Lisboa, uma ameaça de atentado terrorista deitou tudo a perder em 2008, culminando com o cancelamento da competição. Este ano surgiu a ideia de um percurso diferente, com início na Argentina e fim no Chile. A ideia é boa, mas o nome "Dakar" numa prova que se realiza na América do Sul e nem sequer passa por África parece-me de todo infeliz. O logotipo da competição, com referência à cultura magrebina e ao deserto também parece não ter nada a ver com um rali que se realiza na América Latina. Uma vez que a ideia para este ano não passa pelo choque de culturas, realidades e adversidades, mas apenas pela realização de uma competição todo-o-terreno que possa atenuar a lacuna deixada pela sua não realização em África, fará algum sentido manter uma identidade que não se enquadra à realidade de 2009?

sexta-feira, janeiro 02, 2009

Discurso do Presidente: o mesmo de sempre... (II)

Cavaco Silva referiu no seu discurso que o país não conseguirá pôr fim ao crescimento explosivo da dívida externa. No entanto, que se saiba, o papel do Presidente da República é pôr um travão nos devaneios executivos como são o TGV, a terceira ponte sobre o Tejo e o novo aeroporto de Lisboa (que para mim é mais Setúbal do que Lisboa). Sem dinheiro, não há vícios e todos estes projectos têm que assumir a forma de lei para poderem avançar. Assim sendo, só um veto presidencial é capaz de impedir que Portugal continue a afundar-se em dívidas por projectos megalómanos que vão servir mais os nossos vizinhos e as multinacionais, do que o país. Só espero que não tenhamos depois que ver Cavaco Silva promulgar a lei e voltar com as balelas de que o fez mas não concorda. Sr. Presidente, cabe-lhe a si travar as loucuras do nosso Executivo. É para isso que serve o Chefe de Estado!

Discurso do Presidente: o mesmo de sempre...

O Presidente Cavaco Silva admitiu hoje que 2009 "vai ser um ano muito difícil" e avisou o Governo que "a verdade é essencial", considerando que "as ilusões pagam-se caras". Apesar de até bem recentemente os discursos do Presidente da República serem os únicos aos quais prestava alguma atenção, confesso que perdi a paciência de vez. Este tipo de retórica ameaçadora ao Governo, afirmando que "as ilusões pagam-se caras", ou que o Primeiro-Ministro "tem que ter muito cuidado com o que anda a fazer", sob pena de vir a "pagar por isso" já não enganam ninguém. Sinceramente, alguém consegue levar Cavaco Silva a sério? Será que algum ministro ou deputado treme, por um segundo que seja, de cada vez que ouve o Chefe de Estado? Vamos pôr as cartas na mesa: depois de tanta ameaça e nenhuma acção e de ver que o Executivo e o Parlamento ignorarem cada vez mais que em Portugal exista um Presidente da República, alguém consegue reconhecer autoridade a Cavaco Silva?

quarta-feira, dezembro 24, 2008

Operação de Natal:

"O número de acidentes nas estradas portuguesas nas primeiras 24 horas da Operação Natal da GNR aumentou relativamente ao ano passado, mas não se registou nenhuma vítima mortal, tendo também diminuído o número de feridos."

Fonte: Público

Parece que os portugueses estão a tornar-se verdadeiros profissionais: agora partem mais os carros, mas, atenção, sem causar mortos e sem se aleijarem tanto. Os portugueses sempre na linha da frente.

quarta-feira, dezembro 17, 2008

segunda-feira, dezembro 15, 2008

Ainda Guantánamo: diferenças...

Enquanto Portugal se disponibilizou para acolher prisioneiros de Guantánamo, a Suiça foi alvo de um pedido dos EUA no mesmo sentido. O pedido encontra-se em fase de "análise" pelos helvéticos que pretendem estudar minuciosamente a situação para se inteirarem das repercussões que isso poderá trazer para o país. É curioso que um país de pequenas dimensões consiga ser neutro e ao mesmo tempo manter a sua capacidade decisória e prestígio internacional. Porque não começamos a seguir estes exemplos em vez de continuarmos a ajoelhar-nos diante dos "grandes" ao mesmo tempo que imploramos por uma oportunidade... de ajudar o próximo que constantemente nos vira as costas?

Sapatada em George W. Bush: "conhecereis a verdade e a verdade vos"... deterá!

Na sua última visita ao Iraque enquanto Presidente, George W. Bush foi alvo de rasgados elogios por parte da comunicação social iraquiana, com a célebre e calorosa frase "isto é um beijo de despedida, cão". Não se querendo ficar pelos elogios, a mesma ainda fez questão de oferecer um par de sapatos ao Presidente norte-americano apesar de, segundo consta, ter errado no tamanho do pé de Bush. Num médio oriente conturbado, estas manifestações de carinho e agradecimentos foram mal interpretadas pelas autoridades que fizeram questão de deter o representante da opinião pública iraquiana. Isto, sim, é representar a opinião pública e verdadeiro jornalismo que passa a opinião do povo e não a vicia. Quando todos queriam dar a ideia que George W. Bush era bem-vindo ao Iraque, graças aos sorrisos e abraços que o Presidente iraquiano, e respectivos vices, distribuia durante a visita do seu homólogo norte-americano, alguém avançou e esclareceu alguns pontos da mentira que se estava a cozinhar nos bastidores e não só fez verdadeiro jornalismo (tendo ele provocado uma verdadeira notícia) como deixou o recado do povo iraquiano para a presença dos EUA no seu território: "Americanos? Não, obrigado".

sábado, dezembro 13, 2008

Professores, mentiras e sindicatos

Muito honestamente, está na hora de dar razão à Ministra da Educação, que já não sabe o que mais há de fazer para conseguir avaliar os professores e ao mesmo tempo agradar às pretensões dos professores. Mário Nogueira e os sindicatos dos professores tornaram-se verdadeiros cancros da sociedade e do ensino em Portugal: já deixou de ser uma questão de critérios (alguns dos quais inicialmente eram prejudiciais e injustos para os docentes), os professores simplesmente não querem ser avaliados e estão a fazer tudo ao seu alcance para adiarem o processo de avaliação o mais que conseguirem.
Os professores querem continuar na sua vida de mordomias onde ainda me lembro que no meu tempo muitos leccionavam 8 a 10 horas por semana (!!!) e tinham salários superiores a 300 contos, com todas as regalias que acompanham estes quadros da Administração Pública. Numa altura em que se exige que os professores sejam avaliados pelo seu desempenho e se façam distinções entre os que são realmente bons e os maus, e se pretende que trabalhem horas suficientes que lhes permita justificar o seu salário, invocam todo o tipo de artimanhas possíveis e imaginárias para poderem mandar o estilo de vida que tinham no passado. Sou contra! Trabalhem e sejam avaliados! Se quisessem mesmo ser professores como tanto apregoam, não faziam greves em alturas em que os mais prejudicados são os que não têm culpa nenhuma: os alunos.

Portugal investe em investigação e desenvolvimento: os cuidados devem ser agora maiores

Portugal foi o país europeu onde a despesa em investigação e desenvolvimento mais cresceu entre 2005 e 2007. Esta é uma óptima notícia para Portugal. Finalmente abrimos os olhos e demos conta que o futuro também passa (e muito) por esta área. No entanto, quem muito investe nestes domínios tem que ter inúmeros cuidados. Os lobos que vêm de fora andam por aí a montar o seu cerco à nossa capoeira, e vão tentar "sacar" os nossos cérebros e para prosseguirem os seus próprios objectivos. Não basta investir muito, há também que defender o investimento que é feito e isso passa por conseguir manter a distância entre empresas e governos estrangeiros e os nossos investigadores e criar condições suficientemente atractivas para diminuir o interesse dos portugueses em desenvolver carreiras no estrangeiro. Sim, é possível!

Fisco multa trabalhadores por não entregarem declarações

O Fisco vai autuar os trabalhadores a recibos verdes que não entregaram as declarações a que estavam obrigados nos anos de 2006 e 2007. Esta medida por parte do Estado parece-me parcialmente justa. Por um lado, é certo que a entrega das declarações é devida e devem aplicar-se sanções a quem não o faz. Por outro lado, muitos dos que trabalham a recibos verdes desconhecem a lei e só se submetem ao regime da prestação de serviços porque são obrigados pelas respectivas entidades patronais que se descartam de fazer descontos, de se vincularem a contratos de trabalho, entre outros factores, e as Finanças por vezes informam mal, como eu próprio já assisti. Findos dois ou três anos do esclarecimento deficiente prestado pelos funcionários do Estado, o trabalhador vê ser-lhe aplicada uma contra-ordenação e quando se lembra que foi mal informado, tenta reclamar e o cenário que se lhe depara é o de lhe ser dito pelo Estado "a ignorância da lei não aproveita a ninguém", o tal funcionário cujo nome não nos lembramos, porque quando contactamos estes serviços não vamos com o pensamento de que vamos ter problemas, já nem sequer lá trabalhar mas presumir-se sempre, todavia, que a informação foi profissionalmente prestada.
Acresce que esta história do recurso por autoria do arguido poder prejudicá-lo aumentando ainda mais o valor da coima, vai contra todos os princípios do Direito. O que é feito da garantia de recurso para todos as partes? Agora aplica-se um regime menos favorável a alguém que recorra? Lá porque está na lei, não quer dizer que seja correcto. Desde quando é que se castiga o contribuinte porque se insurge contra uma decisão da administração? Boa ou má, não terá o contribuinte uma palavra a dizer e o direito de apresentar os seus argumentos?

sexta-feira, dezembro 12, 2008

Cavaco envia Código do Trabalho para o TC: Prenda de Natal antecipada

Em época natalícia, o Presidente da República enviou o Código do Trabalho para o Tribunal Constitucional. Resta saber se foi com ou sem embrulho e se o envio é patrocinado pelos CTT ou pela DHL. No dia em que Cavaco Silva declarou que não comenta faltas dos deputados para não colidir com órgãos de soberania, alguém tem que recordar o Presidente da República que a oposição é feita pelos deputados e não pelo Chefe de Estado e recordar os partidos com assento parlamentar que o moderador que se limita a assinar papeis (promulgar leis) e a fazer viagens é o Professor Cavaco Silva. Face ao actual quadro político, parece, de facto, que andamos com os papeis invertidos...

Mário Lino anuncia pacote para combater a crise: "No diñero, no portero"

O Ministro das Obras Públicas anunciou que o Governo vai apresentar até ao final do ano um plano para combater a crise, no qual serão incluídas novas obras públicas. Fico espantado (e assustado) com este anúncio. O Governo representa, de facto, os portugueses, partilhando o mesmo perfil: em tempo de crise, não há dinheiro, mas há vícios, nem que tenhamos que nos encher de dívidas! Esta mania de construir sem verbas disponíveis faz-me mesmo muita espécie: com governantes assim, como podemos esperar que o povo seja diferente?
Já agora, onde está a oposição para fazer frente a estes escândalos? A oposição consegue assustar-me mais que o Governo de tão inerte que é. A manter-se a actual situação, o PS não deverá ter grandes dificuldades em reforçar a sua maioria absoluta e lançar-se em novas aventuras "empreendedoras": infelizmente, a verdadeira oposição ao partido do poder é... a oposição interna e o Presidente da República.

Prisioneiros de Guantánamo: ena pá, aparecemos nas notícias!

Portugal vai acolher prisioneiros de Guantánamo. Péssima notícia para Portugal que vai ajudar a tapar os buracos cometidos pelos "parceiros". É curioso que os EUA só se lembrem que têm parceiros que não o Reino Unido quando a situação aperta, mas sempre que podem lançam esses ditos "amigos" em alhadas e viram-lhes as costas. O gesto português é muito bonito e saiu na imprensa estrangeira. Ena pá, aparecemos nas notícias! Pensando bem, graças aos "benefícios" que os nossos "parceiros" EUA nos dão, a única forma de ganharmos visibilidade internacional é mesmo apenas através da comunicação social, até porque diplomaticamente continuamos a ser o parente pobre à espera dos seus 15 segundos de fama e sempre disposto a socorrer os outros gratuitamente, na esperança de um dia receber uma migalha de gente grande que continua a fazer troça de Portugal.

Repetição de referendo na Irlanda: baralha e volta a dar até sair o que queres

Segundo parece, vai ser repetido o referendo na Irlanda para ver se é desta que o "Sim" consegue ganhar. Lembro-me do mesmo caso em Portugal relativamente ao aborto e de alguns parceiros de jogos de cartas quando eu era criança: há que baralhar e rebaralhar as vezes que forem necessárias até que saia um jogo favorável. Tenho uma certa dificuldade em aceitar estas manifestações de poder, em que a vontade popular é manifestada mas o poder político responde com "não, não era isto que vocês queriam. Vamos lá tentar outra vez para ver se agora já sabem o que querem". É por estas e por outras que tenho sérias dificuldades em definir a palavra democracia e não a consigo desligar da verdadeira ditadura, sendo que esta nem sequer se esforça por se camuflar.

segunda-feira, dezembro 08, 2008

Carne de porco irlandesa: risco mínimo, consumo máximo

Não percebo o Ministro Jaime Silva. De acordo com o mesmo, trinta toneladas em 440 mil importadas por Portugal, representa um risco mínimo, por significar 0,006%. Até aqui, tudo bem. Mas o Ministro confunde risco com probabilidade. A probabilidade das trinta toneladas terem sido consumidas num universo de 440 mil é que é mínima. Porém, quando o Ministro refere que o risco das trinta toneladas já terem desaparecido no mercado, é real, então de que vale que signifiquem apenas 0,006% de toda a carne importada por Portugal? Afinal, se as trinta toneladas de carne já desapareceram no mercado isso quer dizer que pelo menos 60 mil consumidores ou têm carne contaminada pronta a comer, ou já a comeram, e partindo do princípio que cada um come pelo menos 500 gramas de carne o que já é demasiado. Será que não é caso para nos preocuparmos, sr. Ministro?

Seguir os exemplos de fora?

"Os sobreviventes do naufrágio do barco de pesca “Rosamar” na costa da Galiza, na sexta-feira, só foram resgatados por helicóptero 135 minutos depois de activado o alerta marítimo, noticia hoje o jornal “La Voz de Galicia”."

Fonte: Público

A todos os que se insurgem contra o INEM e incitam a seguirmos os exemplos que vêm de fora, aqui fica um exemplo de como funcionam algumas urgências no país vizinho.

Marítimo 0-6 Benfica

O Benfica foi demasiado forte para tão pouco Marítimo que perdeu a cabeça quando sofreu o 0-3, numa altura em que intensificava-se o assédio à baliza de Moreira na tentativa de reduzir para 1-2. Este jogo deu para tudo, até para Balboa fazer uma assistência!! O destaque, porém, deve ser feito para David "Furacão" Suazo, uma verdadeira força da natureza. Defende, ataca, corre, arrasa tudo o que lhe aparece à frente e mete a bola onde quer, aproveitando a sua elevada técnica. Acho injustas as críticas daqueles que, com dor de cotovelo de verem o Benfica na frente, dizem que a jogar contra 10 é mais fácil. Puro engano. Este Benfica, o Porto e o Sporting têm várias más experiências a jogar contra 10 e até contra 9. Afirmar que jogar contra uma equipa com menos um em campo é mais fácil, é extremamente ambíguo e digno de quem não percebe nada de futebol e resume tudo à quantidade, esquecendo-se da qualidade.
O Benfica venceu com muito mérito, o problema é que continuo a achar que esta águia é de papel e, se for preciso, contra o Nacional, voltam a perder pontos. Já agora, desiludam-se: o Benfica não vai ganhar por 8-0 ao Metalist. Celebrem e festejem, pois dar 6-0 a uma boa equipa, na sua própria casa, não acontece muitas vezes, mas mantenham a calma.

Bom passo, mas ainda falta mais...

"O regulamento e as regras de funcionamento que faltavam para pôr em prática aquele instrumento foram publicados, anteontem, em Diário da República, pelo que o Instituto Nacional de Medicina Legal (INML) está agora apto a recolher a informação genética de todos os condenados por crimes dolosos com penas de prisão concreta igual ou superior a três anos de prisão."

Fonte: Público

Finalmente uma boa notícia no respeitante à segurança, mas que apresenta algumas lacunas. Se por um lado concordo que a criação da base de dados de ADN vai ser um instrumento importantíssimo em investigação criminal, por outro discordo que só se aplique a crimes com penas de prisão concreta e igual ou superior a três anos. Pena efectiva, ou pena suspensa, concreta ou abstracta, igual, superior ou inferior a três anos. Partindo do princípio que não falamos de casos isolados, todos sabemos que quem hoje comete pequenos delitos corre o sério risco de amanhã cometer crimes mais censuráveis e mais severamente sancionáveis. São muitos os casos em que os criminosos começam com furtos de mercearia e de autorádios, e acabam em assaltos a bancos, gasolineiras, e MB, ou então começam com injúrias e ofensas à integridade física simples e acabam em homicídios e outro tipo de crimes. Acresce que não se perde em nada em guardar o registo de alguém que cometeu um delito menor. Têm que acabar os medos e tem que se começar a contrabalançar a segurança da comunidade para meros caprichos doutrinários como os temores em volta das bases de dados de ADN ou alguns direitos, liberdades e garantias menores que por diversas vezes perigam a vida em sociedade.

Para quê investir?

Para quê investir em dois mil novos elementos para PSP e para a GNR e para quê investir em sete carreiras de tiro para treino, se os novos agentes vão realizar trabalho administrativo, ou caso vão para as ruas não podem deter ninguém, nem atirar senão têm que enfrentar um processo disciplinar? Não percebo para quê desperdiçar tanto dinheiro em algo inútil.

quarta-feira, dezembro 03, 2008

Para mais tarde recordar...

Entrevista a Vicente Moura, Presidente do COP:
Pergunta:
Confirma que ganha 2500 euros mensais, fora despesas de representação?
Resposta: Recebo esse dinheiro, de facto, mas aqui ninguém recebe ordenados. Foi deliberado que o presidente, o secretário-geral e o tesoureiro recebessem uma verba a título de indemnização pelo tempo perdido. São 2500 euros mensais para mim, 75 por cento para o secretário-geral e 50 por cento para o tesoureiro. Mas são verbas próprias do COP, e não do Estado, que pagam esta indemnização de 12 meses e não de 14 meses.

Pergunta: Qual é a dependência financeira do COP do Estado?
Resposta: Recebemos do Estado para as nossas actividades cerca de 500 mil euros.

Pergunta: E como está a situação financeira do COP? É confortável?
Resposta: Não é confortável, mas o COP não está cá para ter lucro, até porque as federações e clubes pedem muitas vezes subsídios.

Fonte: Público

O Sr. Vicente Moura, que pretende recandidatar-se à Presidência do COP não aufere vencimentos, mas vê ser-lhe atribuída uma "indemnização" de 2.500 euros mensais. Consegue ser o único em Portugal que é "indemnizado" pelo tempo perdido. Vou experimentar usar esta teoria na declaração de IRS de 2009 e talvez o Estado compreenda que ainda estou a fazer um sacrifício ao disponibilizar os meus préstimos em benefício de terceiros. Porque se recandidata este senhor? Será que alguém se esquece da sua infeliz "participação" em Pequim, conseguindo ser mais triste que a dos atletas? O descaramento deste senhor, que se demitiu quando viu fugir algumas medalhas que ele dava como certas, ao decidir voltar atrás quando Nelson Évora conquistou o ouro, é de bradar aos céus. Insistir que deve recandidatar-se e que tem muito a dar ao desporto olímpico português é ainda mais grave. Se fosse uma pessoa séria e estivesse num país sério, depois da triste figura que fez em Pequim e das declarações que os atletas fizeram a demarcarem-se completamente deste personagem, Vicente Moura só teria uma solução: afastar-se enquanto pode e dar oportunidade a quem tem realmente vontade de fazer alguma coisa pelo desporto olímpico português.

terça-feira, dezembro 02, 2008

Cristiano Ronaldo vence a Bola de Ouro

Cristiano Ronaldo conquistou a Bola de Ouro da France Football. Para poder dizer se é justa a atribuição do prémio preciso saber quais são os critérios que devem ser considerados. Segundo parece, não há critérios: os jornalistas votam em quem querem e consideram o que bem lhes aprouver. Deste ponto de vista, o prémio é justo, pois cada um tem os seus gostos e vontades e o madeirense convenceu a maioria em 2008. Vem aí o prémio da FIFA e coloca-se a mesma questão: quais são os critérios a considerar na atribuição de um prémio desta envergadura? Provavelmente mantêm-se os mesmos: nenhuns, é à vontade do freguês. Mais uma vez a entrega do prémio será justa. Porém, se considerarmos factores específicos, a justiça na atribuição destes dois prémios pode causar alguma celeuma, senão vejamos:
- se o vencedor destes prémios for aquele que mais habilidades tiver revelado ao longo do ano, então aceita-se a entrega do prémio a Ronaldo;
- se só importarem números, Cristiano Ronaldo foi quem marcou mais golos, foi eleito homem do jogo mais vezes e ganhou mais prémios, e aí a entrega do prémio é justa;
- se o vencedor destes prémios tiver que ser o jogador que foi mais decisivo ao longo do ano e apresentou regularidade ao mais alto nível, tendo com isso ajudado a sua equipa a conquistar importantes troféus nacionais e internacionais, sem se basear apenas nos números, a atribuição do prémio a Ronaldo continua a ser justa;
- se além de tudo o anteriormente exposto contar a personalidade do atleta dentro e fora de campo para com colegas, adversários e adeptos, então Cristiano Ronaldo está a anos-luz da conquista de qualquer prémio que seja. Falta humildade, profissionalismo e falta reconhecimento do importante apoio dos adeptos e faltam muitas coisas mais ao Cristiano Ronaldo no contacto humano, mesmo enquanto jogador. Acho que Ronaldo joga muito à bola, mas ainda lhe falta muito para ser considerado o melhor jogador do mundo.

Para meditar

"Antigamente o parceiro de Portugal no fundo de todas as tabelas europeias era a Grécia, por vezes a Espanha. (...) Agora Portugal passou a ter comparação com alguns países do Leste europeu."

Fonte: Diário Económico

Dá que pensar...

segunda-feira, dezembro 01, 2008

Dia Mundial da (luta contra a) SIDA

A ministra da Saúde anunciou hoje a realização de testes de SIDA gratuitos. Muito me apraz esta mudança, sobretudo numa altura em que muita gente pressiona para que a realização de testes seja obrigatória. Concordo que os testes devam ser obrigatórios, por questões de saúde pública, mas essa obrigatoriedade não resolve o problema. Por mais obrigatórios que sejam os testes, enquanto se mantiver o sigilo dos médicos que os realizem, obrigatórios ou facultativos é indiferente. Temos que exercer pressão para que os testes de SIDA sejam obrigatórios e tornados públicos às entidades competentes (empregador, serviços de saúde, entre outros) porque, de facto, o que está em causa é mesmo a saúde pública e os direitos individuais, como aquele que privilegia a confidencialidade dos resultados do doente, deve ceder aos direitos colectivos, como o direito a saber em que terreno se está a pisar e com quem se está a lidar. É mesmo uma questão de defesa. Suponhamos que se protege a confidencialidade dos resultados e o doente tem um acidente, ou decide envolver-se sexualmente com alguém encobrindo a verdade sobre o seu estado de saúde. Devemos tutelar o direito à privacidade e ao segredo sobre o estado de saúde? Não me parece. Estes resultados têm que ser tornados públicos a quem de direito. É isto que deve mudar e não apenas a obrigatoriedade de realização de testes.

P.S.: Faz-me espécie o título "Dia Mundial da SIDA". Dia Internacional da Mulher, Dia de Portugal, Dia do Ambiente, Dia Mundial da SIDA... parece que andamos todos a celebrar a existência de uma doença.

Profecias

1- Barcelona vai ser campeão espanhol 2008/09;
2- Barcelona vai ser campeão europeu 2008/09;
3- Messi vai vencer a Bola de Ouro de 2009;
4- Messi vai ser o melhor jogador do Mundo FIFA 2009;
5- Argentina não vai ser campeã do Mundo em 2010, cumprindo a tradição que diz que a Selecção com o Melhor Jogador do Mundo nunca vence um Mundial.

É uma questão de matemática...