terça-feira, dezembro 02, 2008

Cristiano Ronaldo vence a Bola de Ouro

Cristiano Ronaldo conquistou a Bola de Ouro da France Football. Para poder dizer se é justa a atribuição do prémio preciso saber quais são os critérios que devem ser considerados. Segundo parece, não há critérios: os jornalistas votam em quem querem e consideram o que bem lhes aprouver. Deste ponto de vista, o prémio é justo, pois cada um tem os seus gostos e vontades e o madeirense convenceu a maioria em 2008. Vem aí o prémio da FIFA e coloca-se a mesma questão: quais são os critérios a considerar na atribuição de um prémio desta envergadura? Provavelmente mantêm-se os mesmos: nenhuns, é à vontade do freguês. Mais uma vez a entrega do prémio será justa. Porém, se considerarmos factores específicos, a justiça na atribuição destes dois prémios pode causar alguma celeuma, senão vejamos:
- se o vencedor destes prémios for aquele que mais habilidades tiver revelado ao longo do ano, então aceita-se a entrega do prémio a Ronaldo;
- se só importarem números, Cristiano Ronaldo foi quem marcou mais golos, foi eleito homem do jogo mais vezes e ganhou mais prémios, e aí a entrega do prémio é justa;
- se o vencedor destes prémios tiver que ser o jogador que foi mais decisivo ao longo do ano e apresentou regularidade ao mais alto nível, tendo com isso ajudado a sua equipa a conquistar importantes troféus nacionais e internacionais, sem se basear apenas nos números, a atribuição do prémio a Ronaldo continua a ser justa;
- se além de tudo o anteriormente exposto contar a personalidade do atleta dentro e fora de campo para com colegas, adversários e adeptos, então Cristiano Ronaldo está a anos-luz da conquista de qualquer prémio que seja. Falta humildade, profissionalismo e falta reconhecimento do importante apoio dos adeptos e faltam muitas coisas mais ao Cristiano Ronaldo no contacto humano, mesmo enquanto jogador. Acho que Ronaldo joga muito à bola, mas ainda lhe falta muito para ser considerado o melhor jogador do mundo.

Para meditar

"Antigamente o parceiro de Portugal no fundo de todas as tabelas europeias era a Grécia, por vezes a Espanha. (...) Agora Portugal passou a ter comparação com alguns países do Leste europeu."

Fonte: Diário Económico

Dá que pensar...

segunda-feira, dezembro 01, 2008

Dia Mundial da (luta contra a) SIDA

A ministra da Saúde anunciou hoje a realização de testes de SIDA gratuitos. Muito me apraz esta mudança, sobretudo numa altura em que muita gente pressiona para que a realização de testes seja obrigatória. Concordo que os testes devam ser obrigatórios, por questões de saúde pública, mas essa obrigatoriedade não resolve o problema. Por mais obrigatórios que sejam os testes, enquanto se mantiver o sigilo dos médicos que os realizem, obrigatórios ou facultativos é indiferente. Temos que exercer pressão para que os testes de SIDA sejam obrigatórios e tornados públicos às entidades competentes (empregador, serviços de saúde, entre outros) porque, de facto, o que está em causa é mesmo a saúde pública e os direitos individuais, como aquele que privilegia a confidencialidade dos resultados do doente, deve ceder aos direitos colectivos, como o direito a saber em que terreno se está a pisar e com quem se está a lidar. É mesmo uma questão de defesa. Suponhamos que se protege a confidencialidade dos resultados e o doente tem um acidente, ou decide envolver-se sexualmente com alguém encobrindo a verdade sobre o seu estado de saúde. Devemos tutelar o direito à privacidade e ao segredo sobre o estado de saúde? Não me parece. Estes resultados têm que ser tornados públicos a quem de direito. É isto que deve mudar e não apenas a obrigatoriedade de realização de testes.

P.S.: Faz-me espécie o título "Dia Mundial da SIDA". Dia Internacional da Mulher, Dia de Portugal, Dia do Ambiente, Dia Mundial da SIDA... parece que andamos todos a celebrar a existência de uma doença.

Profecias

1- Barcelona vai ser campeão espanhol 2008/09;
2- Barcelona vai ser campeão europeu 2008/09;
3- Messi vai vencer a Bola de Ouro de 2009;
4- Messi vai ser o melhor jogador do Mundo FIFA 2009;
5- Argentina não vai ser campeã do Mundo em 2010, cumprindo a tradição que diz que a Selecção com o Melhor Jogador do Mundo nunca vence um Mundial.

É uma questão de matemática...

domingo, novembro 30, 2008

How I met your mother

Não sei se muitos acompanham, mas eu acompanho certamente. Via episódios soltos e comecei a gostar tanto da série que encontro-me em fase de ver vários seguidos para conseguir colocar-me "em dia" com os episódios que passam nos EUA. How I Met Your Mother vale a pena ver. Creio que depois de Seinfeld foi/é a única que me fez/faz rir com vontade. Esta série acaba por ter muito a ver com o "glorioso" Seinfeld. As comparações são inevitáveis: tem o Barney (preferido da maioria dos que acompanham esta série, porque é o mais divertido e é aquele solteirão que "saca" tudo quanto é mulher) a suceder a Kramer; tem o Ted (eterno solteirão que insiste em querer deixar de o ser ao mesmo tempo que não quer, enquanto pelo meio mantém uma paixão por Robin, tal como Elaine e Jerry) a fazer as vezes de Jerry Seinfeld; temos Robin (qual Maria-rapaz) com um perfil muito semelhante a Elaine; e temos uma pequena diferença: Marshall assemelha-se bastante a George, sobretudo nos conflitos interiores, mas o personagem de How I Met Your Mother tem uma namorada já há quase uma década (Lilly) que integra o elenco e é um personagem com a mesma importância que os restantes (apesar de por vezes não ser bem assim). As piadas estão actualizadas, são diferentes, mas são realmente piadas e há história. Apesar das semelhanças com Seinfeld, a diferença nota-se pelos diálogos e por boa parte do enredo. Quem não conhece, aconselho que veja. Nos EUA já vai na 4.ª temporada.
Já agora, é bom ver Neil Patrick Harris, que faz de Barney, de volta. Ainda me lembro da primeira vez que o vi na televisão. Fazia de Doogie Howser numa "tal" série que em português tinha o nome "Menino Doutor".

segunda-feira, novembro 24, 2008

24 de Novembro de 1991

Há exactamente 17 anos o mundo perdeu Freddie Mercury. A sua morte ainda não é maior de idade, mas insiste em fazer bastantes estragos por onde passa tal a saudade de todos aqueles que tal como eu nasceram e cresceram a ouvir as suas músicas. Freddie Mercury foi para mim um ídolo na música, muito provavelmente o meu primeiro. Ele lia, interpretava, entendia e amava a música da mesma forma que eu. Infelizmente não tenho 0,1% do seu talento para a música, mas ele que acredite, onde quer que esteja, que existe deste lado alguém que ama tanto essa arte quanto ele. Descansa em paz, Freddie! A música nunca mais foi a mesma, nem a vida de muitos dos teus fãs!

E pagar a quem deve?

"O Plano de Actividades e Orçamento da Câmara de Lisboa para o próximo ano foi hoje apresentado por António Costa e prevê um investimento de 643 milhões de euros. Segundo o presidente da autarquia, as prioridades para 2009 serão a reabilitação, o espaço público e a escola."

Fonte: Público

Com tanta prioridade quando é que a Câmara se lembra de colocar na base da sua pirâmide de Maslow "pagar a quem deve, porque os Municípios deviam ter vergonha na cara de cada vez que se metem em loucuras e caprichos e se esquecem de cumprir com quem trabalha"?

Ainda o fetiche Scolari...

Continua muita gente por aí à espera que o D. Sêbástjião Iscôlári regresse e leve Portugal ao título num Campeonato do Mundo. São tantos aqueles que criticam Carlos Queiroz e é a esses que deixo esta mensagem: Scolari em 6 anos conquistou tanto quanto Queiroz em 4 meses: nada! O 2.º classificado é só o primeiro dos vencidos, o 4.º lugar continua a não dar nada, nem mesmo uma medalha de lata, e os 1/4 de final idém. Insisto na pergunta: o que é que Scolari ganhou que Queiroz ainda não conquistou? Ir ao Mundial? Que prémio é esse? Caso não saibam, ninguém ganha nada por marcar presença num Mundial sem ser os jogadores, que ganham milhares de euros dos contribuintes e dos patrocinadores só por lá estarem. É isso que tanto querem, ver Portugal no Mundial? Que título é esse? O prestígio mete quantas taças nas nossas mãos? Zero! Que se lixe o prestígio e que se lixem as presenças nos euros e mundiais. Sou como Maradona, se é para participar tenho que jogar para ganhar. Isto de ir jogando e ver no que dá ou de acabar em 2.º e sair em braços, tem muito que se lhe diga. É o típico portuga derrotado que se consola com... nada vezes nada. Repito: Scolari conquistou tantos troféus à frente da selecção quanto Carlos Queiroz: nenhum! Agora parem com esse fetiche com o brasileiro que o que mais temos cá em Portugal são brasileiros.

sábado, novembro 22, 2008

Martine Aubry é a nova líder do PS francês

Ségolène Royal foi um desastre à frente do PS. Se contra Sarkozy a derrota já era certa, em casa, mais concretamente no seu próprio lar, Royal tinha obrigação de conquistar votos. Se nem o seu marido confiava nela, como podiam os seus "camaradas" fazê-lo? Desconheço o perfil de Martine Aubry, mas espero que seja uma alternativa credível a Royal, até porque Nicolas Sarkozy e a França precisam de uma oposição à altura. Esperemos que tenha "saia ao pai" (Jacques Delors), politicamente falando.

quinta-feira, novembro 20, 2008

Brasil 6-2 "Portugal": calma, amigos, está tudo bem...

Ontem realizou-se uma partida de futebol entre o Brasil e uma Selecção do Resto do Mundo treinada por Carlos Queiroz, mas com o patrocínio da FPF. Calma, amigos, está tudo bem. Aquilo não era Portugal e tenho vários dados que apontam para isso. A começar pelos alegados "hinos nacionais". Não sei o que é que raio tocou no "Bezerrão", mas "A Portuguesa" não foi de certeza. Quando comecei a ouvir o instrumental inicial completamente desfasado da versão original do hino português pensei logo "isto não vai correr bem". Quando oiço uma voz feminina com sotaque português a cantar aquela aberração sob a forma de música (?) pensei que hino seria aquele. Se foi uma tentativa de tocar o hino nacional português, deixem-me dizer-vos que ontem, 19 de Novembro de 2008, um símbolo nacional foi desrespeitado em território brasileiro e deve ser sancionado por isso. De seguida ouviu-se outro hino o qual diziam que era o do Brasil. Não sabia que existem países com hinos sertanejos com os Tony Carreiras lá do sítio a cantá-lo. Aquele não é o hino do Brasil e se eu fosse brasileiro sentia-me envergonhado com aquilo que ontem ouvi. É incrível, mas no meio daquele jogo o que mais consigo destacar são duas músicas caipiras que tocaram ontem e às quais chamavam "hinos nacionais".
Segue-se a formação das equipas. De um lado vejo jogadores brasileiros a jogar de azul e amarelo. Do outro vejo uma equipa do Resto do Mundo, ou "equipa da Lusofonia": dois brasileiros, um venezuelano (temos em Caracas uma forte comunidade portuguesa), um cabo-verdiano, um congolês, e alguns portugueses. Alguém se esqueceu de convocar um moçambicano, um timorense, um são-tomense e um guineense e tinhamos a equipa da CPLP. Os brasileiros cedo se revelaram. Logo vi que isto de pôr dois "dos outros" a jogar na suposta "nossa equipa" acabaria por dar mau resultado. Não quero fazer deles bodes espiatórios, a verdade é que se Pepe não é espiatório, pelo menos ontem foi um valente bode. Primeiro golo do Brasil: Pepe tem a bola em seu poder, ao ser pressionado podia despachá-la, mas opta por tentar enganar Robinho. O brasileiro roubou a bola ao brasileiro e estava feito o golo. Segundo golo do Brasil: Pepe marca Fabiano, e este, praticamente sem ângulo, consegue fazer golo. Como? Não sei, perguntem ao defesa do Real Madrid que diz que se sente muito português. Quarto golo do Brasil: Bruno Alves está a pressionar Kaká e Pepe marca Luís Fabiano. Pepe tem um (de muitos) bloqueio mental, deixa Fabiano sozinho e tenta roubar a bola a Kaká. Este ainda consegue rematar a bola que após defesa de Quim sobra para o jogador que o Pepe deveria estar a marcar. O outro brasileiro não tenho a certeza se jogou. Alguém viu o anão do Chelsea? Vem aí um terceiro "português" a caminho. Nasceu em S. Salvador. Não, não fica em Portugal, fica na Bahia. Já foi caixa de supermercado, mas agora diz que vem para ajudar "Pôrtugáu". Só espero que não acabe a carreira a fazer assaltos a instituições bancárias.
Insisto na ideia de que quem entrou ontem em campo não foi Portugal, mas a Selecção do Resto do Mundo. Lá porque tinha 7 portugueses em campo, não podemos confundir aquilo com a Selecção Portuguesa. Por acaso alguém considera "Selecção Portuguesa" àquelas equipas que juntam os "amigos do Figo" aos "amigos do Zidane" onde até o Schumacher participa? Alguém pede responsabilidades ao treinador dessas equipas porque o jogo acaba 11-6? Não se iludam: estava lá o Cristiano Ronaldo, o Maniche e o Simão, mas aquilo era a equipa da Lusofonia a festejar qualquer coisa nos arredores de Brasília. Tenham calma, a nossa equipa não é aquela, e muito menos é a que está a disputar a qualificação da zona europeia para o Mundial'2010.

Nota 1: Não percebo porque é que Carlos Queiroz assumiu as responsabilidades. Foi bonito ver Queiroz com ar humilde a dizer que a culpa é sua e que assumia as responsabilidades. Pergunto: "so what?". E então? Ele assumiu as responsabilidades e o que é que resulta daí? O pagamento de alguma multa? Desconto no ordenado e no subsídio de Natal? Demissão? Não me parece.

Nota 2: Com os dois frangos do Quim aquele jogo tinha ficado empatado a dois. Aí sim tudo seria normal, quer nos frangos do Quim, quer no resultado. Não se iludam: aquela não é a Selecção Portuguesa.

terça-feira, novembro 18, 2008

Promessas, promessas...

"Sócrates cada vez mais longe da meta dos 150 mil empregos

O Governo de José Sócrates está cada vez mais longe da meta de criação de 150 mil postos de trabalho na legislatura. O INE, que hoje actualizou os dados oficiais, mostra que foram criados 63,8 mil postos de trabalho entre o segundo trimestre de 2005 (quando o Executivo assumiu funções) e o terceiro trimestre deste ano."


Fonte: Sol

segunda-feira, novembro 17, 2008

Propaganda - A saga continua

"Sócrates entregou Magalhães só para a fotografia

José Sócrates esteve na Escola do Freixo, em Ponte de Lima, a entregar computadores aos alunos do 1.º ciclo. Mas, depois de o primeiro-ministro ir embora, as crianças tiveram de devolver os Magalhães"

fonte: Sol

sábado, novembro 08, 2008

Fátima Felgueiras: o meu país dava um filme indiano

"Fátima Felgueiras condenada a 3 anos e 3 meses de prisão com pena suspensa"

Fonte: Público

Comecei o dia e pensei "hoje é dia de Nossa Senhora de Felgueiras" e continuei a falar comigo próprio "hoje, Fátima Felgueiras vai ser absolvida de alguns crimes e vai ser condenada em pena de prisão que será, no entanto, suspensa".
Horas depois consulto as notícias e vejo que a profecia se cumpriu, sem qualquer espanto, pois afinal estamos em Portugal, uma mescla de país do leste profundo, com país africano, ao qual se juntam ainda alguns laivos católico-latino-comunistas. Da sentença de Fátima Felgueiras só consigo vislumbrar uma pena: Fátima foi condenada a perpetuar-se no poder. A pena dela é pesada, pois não pode abandoná-lo nunca mais. Em 2013 talvez o faça, mas por vontade própria, porque se quiser, eu aposto que ela ainda se recandidata. "Mas ela perdeu o mandato!", questionam-se muitos. O único mandato que ela perdeu foi o de mais de 3 anos na prisão, porque com esta palhaçada que é o nosso sistema jurídico, Felgueiras vai recorrer, porque, coitada, está inocente, e isto de ser condenada a pagar menos de 200 euros ao Estado tem muito que se lhe diga, sobretudo quando foi a Câmara de Felgueiras, vulgo contribuintes, que pagaram os seus advogados.
Tenho a dizer duas coisas: o meu país dava um filme indiano de tão dramático e foleirinho que é, e, em Portugal, só existe um criminoso: João Vale e Azevedo. Todos os outros são exemplos de gente perseguida pela sociedade que tiveram o azar de ser "apertados" e agora têm condenações simbólicas para agradar às duas partes. É por estas e por outras que me desligo completamente da realidade nacional e já nem vejo telejornais: este país é demasiado triste para ser chamado país.

quarta-feira, novembro 05, 2008

Obama é o novo Presidente dos EUA

Barack Obama é o novo Presidente dos Estados Unidos da América. Na contagem final dos votos, venceu com 52%, enquanto John McCain ficou-se pelos 46%. Diferença curta. Mas na verdadeira contagem, naquela que conta, a diferença foi abissal e Obama conseguiu vencer com larga diferença (349-163). Muito me admira que com a máquina construída em volta de Obama a vitória não tenha sido ainda maior. É por isso que felicito John McCain. McCain é um senhor, um patriota e um lutador. A sua resistência e a forma como lutou contra tudo e contra todos, até mesmo por vezes dentro do seu partido, é notável. É um patriota porque na hora dos discursos e das acções, McCain promove a união americana e até nem pareceu muito preocupado com a derrota. John McCain vive para o país porque sempre se habituou a viver em sua defesa. John McCain é um senhor, porque nunca ousou baixar o nível, nem tão-pouco promover estratégias populistas, para conseguir votos de eleitores menos esclarecidos intelectualmente. Parabéns a John McCain. Apesar da derrota, é um verdadeiro vencedor.
Estou, porém, ansioso pelo dia 20 de Janeiro de 2009, dia em que Barack HUSSEIN Obama jurará fidelidade à Constituição dos EUA, na qualidade de Presidente. Os norte-americanos vão ter um Hussein Presidente. Só espero que não haja por lá algum General que diga qualquer coisa como "Hussein? Não o enforcámos há dois anos?".

sábado, novembro 01, 2008

Morreu Badaró

Morreu o humorista Badaró, aos 75 anos de idade. Morreu um humorista que animou diversas gerações. No meio deste triste acontecimento, lamento que Badaró tenha passado os seus últimos anos de vida no esquecimento e sem o reconhecimento devido de muitos que, tal como eu, se divertiram com personagens como o "chinezinho lipópó" ou que ainda hoje se lembram da expressão "ó Abreu dá cá o meu".

sexta-feira, outubro 31, 2008

Sócrates e o Magalhães (III)

O Primeiro-Ministro José Sócrates está a aproveitar a Cimeira Ibero-Americana para tentar "vender" o computador Magalhães. A jogada agrada-me parcialmente, porque mostra que não estamos a dormir no mercado e de certa forma Portugal tenta vender a imagem de país tecnológico. O problema com isto tudo é quando fazemos figura de parvos junto da comunidade internacional. Muitos sul-americanos podem ser campónios, mas não são totalmente tolos. José Sócrates está a investir na táctica "vamos lá ver se a história se repete e os índios voltam a trocar ouro por pechisbeque" ao vender um computador que muitos países em vias de desenvolvimento já têm e são exactamente iguais em tudo: tecnologia, formato, design exterior e cores. Ainda por cima estamos a tentar vender um computador de primeira geração, pois já existe a segunda e cá pelos vistos vai demorar a chegar. Ora, se se quer impingir algo a alguém, o mínimo que temos a fazer é pelo menos disfarçar o bem a impingir para que consiga passar despercebido. O que Sócrates está a fazer com toda aquela propaganda ao Magalhães, não é vender tecnologia portuguesa, porque a tecnologia é da Intel e as peças produzidas numa qualquer fábrica asiática que possivelmente recorre a mão-de-obra infantil. O que Sócrates está a fazer é propaganda à Intel e a divulgar os seus produtos, pois toda a gente sabe que o Magalhães é o classmate pc baptizado. É este o único factor que pode fazer a diferença: a Intel e os Estados sul-americanos e africanos preferirem comprar um computador com nome, que é um produto concreto, em vez de comprarem um produto que é visto como sendo subsidiário por não ter uma marca ou uma referência, algo que lhe atribua prestígio.
A única fase do processo produtivo do Magalhães em que Portugal participa é na última fase da linha de montagem. Toda a gente sabe disso. Mas em vez de tentarmos realmente divulgar algo nosso, e olhem que Portugal até tem bons engenheiros informáticos e muito bons criadores de software, prefere deixá-los fugir para o estrangeiro e darem rios de dinheiro a empresas como a Intel e a Microsoft, ao mesmo tempo que por cá compramos tecnologia e produtos estrangeiros e recorremos a uma qualquer fábrica no norte do país para montar as peças dos outros como se fossem legos, para depois lhe chamarmos "tecnologia portuguesa". Não obstante tudo isto, gostava que Portugal conseguisse vender o produto a terceiros. Ganha a JP Sá Couto, que é a empresa portuguesa que "despacha" o Magalhães, ganha a marca "Portugal", ganha a economia portuguesa, e consequentemente ganhamos todos nós portugueses, mais não seja através da criação de postos de trabalho.

Eleições norte-americanas: é possível ter dois pássaros na mão e vê-los a voar

Na próxima terça-feira é eleito o próximo Presidente dos EUA. Muito se fala nas sondagens que dão 7% e 10% de vantagem a Barack Obama, mas essas sondagens valem zero. Quem as anuncia e apregoa esquece-se que no sistema eleitoral norte-americano o Presidente não é nomeado pelo povo, mas sim pelo Congresso composto por grandes eleitores. Na verdade, o importante nas eleições norte-americanas é conquistar os estados estratégicos que dão mais eleitores estaduais, dado que praticamente todos funcionam num género "winner takes all", ou seja, quem conquista um determinado estado, elege todos os grandes eleitores que esse estado representa. O povo elege os grandes eleitores e os grandes eleitores elegem o Presidente, daí que seja importante ganhar um Estado e não o maior número de votos por todo o país. Foi assim que Al Gore perdeu para George W. Bush em 2000: apesar de Al Gore ter tido, de longe, maior número de votos, foi Bush que acabou nomeado pelo Congresso por ter maior número de grandes eleitores, fruto da conquista de estados que lhe atribuíam maior número de representantes estaduais.
Anda por aí muita gente que se ilude com os mágicos 7% de vantagem de Barack Obama sobre John McCain e esquece-se que é este último quem, na prática, parece levar vantagem sobre o primeiro. Daí que as sondagens que se façam sirvam apenas para tentar influenciar os eleitores norte-americanos a votar num determinado concorrente: Barack Obama. Para que seja anunciada uma sondagem séria, esta deverá ser feita por estados federados e não por Estado Federal. Claro que tudo isto deve ser ignorado caso Barack Obama consiga materializar em votos a parceria que alegadamente parece ter com a empresa responsável pela fraude que foi a contagem de votos das eleições de 2000.

quarta-feira, outubro 29, 2008

Maradona seleccionador da Argentina

Bilardo (treinador) e Maradona (jogador): a dupla de 86 está de volta

Diego Armando Maradona, aquele que na minha opinião é o melhor jogador de todos os tempos, foi nomeado seleccionador de futebol da Argentina. É o meu ídolo de sempre. Maradona percebe de futebol como ninguém, e de futebol argentino mais ainda. Com Maradona não há merdas: titularidades garantidas são zero e as vedetas correm o risco de ser excluídas. Maradona não é treinador de carreira e não deve nada a ninguém. Deve ser dos poucos no mundo que abraça o projecto de seleccionador nacional sem a obrigatoriedade de atingir resultados para se manter no cargo. Diego Maradona quer atingir resultados pela sua devoção à Argentina e porque se revolta com cada derrota do seu país. Maradona é o homem certo no cargo. Se a treinar fizer 1/3 do que fazia quando jogava, então temos também o treinador certo para a selecção alvi-celeste.

segunda-feira, outubro 27, 2008

A IGF não se portou mal, ao contrário do que querem fazer parecer

"A Inspecção-Geral de Finanças (IGF) analisou milhares de mensagens de email de centenas de funcionários dos impostos e, após obter uma autorização judicial, leu o conteúdo de muitas dessas mensagens, designadamente as enviadas para órgãos de comunicação social com o objectivo de identificar fugas de informação."

Fonte: Público

Sinceramente, não vejo qualquer problema no facto da IGF analisar as mensagens de e-mail dos seus funcionários. O e-mail e os restantes instrumentos de trabalho (computadores, etc) que são fornecidos pela Administração Pública são destinados a fins profissionais e não, ao contrário do que já vi por aí, para ver e-mails privados e outro tipo de conteúdos que em nada têm a ver com a função que exercem. Acresce a isto que, segundo consta, já haviam sido idenfiticadas fugas de informação com destinatários de todo o tipo (comunicação social, privados, etc), menos aqueles que devem ter acesso à informação como superiores hierárquicos, entre outros. Aliás, até prefiro que seja a IGF a ter acesso aos e-mails que envio e recebo durante as minhas funções, do que um hacker que se queira aproveitar do respectivo conteúdo. Quem não deve, não teme. Sempre que se fala em ver conteúdos privados, está tudo desgraçado e é um "Ai, Jesus!", cegando tanta gente ao ponto de perderem a racionalidade. O Estado não anda propriamente a contratar pessoas para se divertirem dias inteiros a ler e-mails entre namorados, nem tão-pouco existe para violar gratuitamente os direitos dos cidadãos, tal como as Inspecções-Gerais não existem para entalar ninguém, antes para assegurar que as funções estão a ser devidamente cumpridas.
Por fim, devo dizer que os interesses da colectividade e da comunidade que os funcionários dos impostos representam estão acima de interesses particulares como a protecção da privacidade de cada um, sobretudo quando se utilizam instrumentos públicos, pagos pelos contribuintes, para esse fim. Sou a favor da tese que coloca a segurança acima de interesses menores, ainda que constitucionalmente reconhecidos, como a intimidade de cada um. Quando a segurança, bem como as restantes funções do Estado, corre o risco de ser violada por interesses particulares, não tenhamos dúvidas que esta última deve ceder até que o Estado possa garantir a segurança, privacidade e os interesses da sua sociedade.

sábado, outubro 25, 2008

"Mira, Magallanes, tu tio Chávez"

O computador Magalhães é como aqueles bebés portugueses que nascem em Badajoz por não existirem maternidades por perto: foram feitos por portugueses, durante umas férias no México e ainda que nasçam em Espanha, são sempre filhos de pais portugueses, ainda que seja o padrinho espanhol a por-lhes o nome Pablo ou Manolo. O Magalhães vai ser sempre um computador de quinta linha da Intel, filho de pais indianos. Algumas peças são produzidas na Ásia, na América Latina e em África mas por mais português que seja o nome colocado pelo seu padrinho, lá porque a parteira é portuguesa não quer dizer que ele deixe de ser um produto "made in elsewhere".