segunda-feira, agosto 25, 2008

Chiado: 20 anos

Vi 386 vezes na televisão o salto do Nelson Évora que lhe valeu a medalha de ouro. Ouvi 387 vezes o nome de Siza Vieira associado ao incêndio no Chiado há 20 anos atrás, no mesmo período de tempo. Pergunto: onde está a medalha de ouro para o Siza Vieira que bateu o recorde de Nelson Évora por um ponto?

Mulheres feitas...

"Uma rapariga iraquiana de 13 anos que vestia um colete de explosivos foi detida, domingo, sem detonar a carga (...) Nos últimos meses, a província tem sido igualmente palco de uma série de atentados suicidas perpetrados por mulheres."

Fonte: JN

O Iraque, o Iraque... esse país do Médio Oriente onde elas com 13 anos são verdadeiras mulheres feitas, até mesmo para os Ocidentais.

domingo, agosto 24, 2008

Ainda o Benfica...

Durante os vários anos que Carlos Martins esteve no Sporting, sempre lhe faltou "cabecinha". Ironia do destino, no primeiro jogo oficial da época, a cabeça do Carlos fez questão de lhe lembrar que se não a tiver em condições não vai pôr os pés em campo...

Liga nova, mais do mesmo...

Ainda agora começou e já acabou. O campeonato durou 90 minutos. O Benfica perde pontos em jogos infantis, o Sporting reclama das arbitragens e o Porto ganha jogos. E novidades, não há?

Jogos Olímpicos 2008 - XX: Apanham todos, até o árbitro!

"É o caso mais grave de violência envolvendo atletas dos Jogos Olímpicos de Pequim. Um atleta cubano de taekwondo, Ángel Matos, e o seu treinador foram hoje banidos, depois de Matos ter pontapeado o árbitro na cara, na sequência da sua desqualificação no combate para a medalha de bronze nos Jogos Olímpicos de Pequim."

Fonte: Público

O acto alucinado do atleta tem que ser punido de forma exemplar. No entanto, não deixa de ser curioso que a justiça popular portuguesa seja implacável e unanimemente decida que o atleta tenha que ser banido para sempre da prática da modalidade, quando há seis anos pedia que a FIFA fosse branda na aplicação de uma sanção a João Pinto pelo soco que deu num árbitro durante o Mundial Coreia/Japão.

Jogos Olímpicos 2008 - XIX: Últimas considerações (2)

Muito se disse, e justamente criticou, a propósito da falta de ambição e derrotismo da esmagadora maioria dos atletas portugueses. Não retiro uma palavra que tenha dito sobre cada um dos que foram visados neste espaço. Porém, vou fazer as vezes de advogado do diabo e fazer referência ao "outro lado da moeda". Praticamente nenhum dos atletas portugueses presentes em Pequim foi exemplo para quem quer que fosse. No entanto, que moral têm os portugueses para exigirem resultados a indivíduos que só passaram a conhecer após o início dos Jogos Olímpicos? Infelizmente, em Portugal só se lembram do remo, da vela, do badminton, entre tantas outras modalidades, de quatro em quatro anos, quando se realizam novos Jogos Olímpicos. Passamos quatro anos inteiros a borrifar-nos para praticamente todas as modalidades e respectivos atletas, mas quando começam as Olimpíadas subitamente renasce a "Olimpidite aguda" e passamos todos a fazer exigências em modalidades que nem sequer sabemos se têm regras, quanto mais as regras em si.
Dou como exemplo o râguebi. Lembram-se da "febre dos Lobos" que atacou Portugal inteiro? Ninguém sabia o que era um ensaio ou uma placagem, mas toda a gente queria ver râguebi. Muitos chegaram mesmo a exigir aos nossos atletas que não perdessem por mais de 100 contra a Nova Zelândia, etc, sem sequer saberem como é que é feita a contagem dos pontos. Subitamente, os portugueses desataram a fazer pesquisas na internet sobre as regras deste desporto, sabiam a equipa portuguesa de trás para a frente, e a equipa caiu no goto dos desportistas de sofá quando cantaram o hino nacional com toda aquela emotividade. Recordo-me que o râguebi chegou a ser tema de discussão no Parlamento, com o CDS/PP a insurgir-se contra a não transmissão dos jogos do mundial em que a selecção nacional participava. O CDS/PP arrastou consigo algumas centenas de milhar de telespectadores que se rebelaram contra o Governo e contra a RTP, desconhecendo que a grelha anual e a definição de prioridades é feita no ano anterior, e que só em 2007 a selecção portuguesa garantiu o apuramento, mesmo quando nada o fazia prever. Recordo-me ainda que na altura as vendas de camisolas de râguebi dispararam, e muitos foram os portugueses que colocaram os seus filhos nas escolas da modalidade, não tendo a oferta conseguido responder a tamanha procura. Agora faço uma pergunta: finda a "febre do râguebi", quantos é que continuaram a acompanhar a carreira dos "Lobos"? Quantos é que sabem as competições e jogos que os "Lobos" fizeram desde então? Quem é que sabe dizer um resultado que seja da nossa selecção nacional, tirando aqueles que de facto sempre acompanharam a modalidade e que se contam pelos dedos de uma mão? A verdade é esta: todos nos estamos a lixar para os "Lobos", a não ser que participem em alguma grande competição como o próximo mundial.
Com os Jogos Olímpicos, a história é a mesma. Ninguém sabe o que é o ippon no Judo, quantas regatas têm a prova de vela, quais são as marcas vistas como minimamente aceitáveis no lançamento do peso, ou quantos pontos tem um set no badminton. Alguém sabe quem são as principais potências no judo, no remo, no salto em comprimento, ou no lançamento do dardo? Alguém alguma vez tinha sequer ouvido falar nos nomes Marco Fortes, Helder Ornelas, Maria do Carmo Tavares, Pedro Póvoa, Diogo Ganchinho ou Débora Nogueira? Praticamente ninguém, garanto. Porém, uma coisa todos exigem: medalhas! Ouro, prata, bronze ou de lata, mas medalhas! É preciso trazer qualquer coisa! Na verdade, as pessoas só passaram a exigir medalhas a Francis Obikwelu, desde que este foi medalha de prata em Atenas. Só exigiram medalhas a Nelson Évora e Naide Gomes, porque estes "ganharam uma medalha de ouro ou de prata lá fora", sem sequer saberem onde! A Vanessa Fernandes foi exigido o ouro porque sabem que ela bateu vários recordes e ganhou várias provas, sem saberem quais. Aliás, poucos eram os que sabiam que Vanessa Fernandes tinha desistido recentemente em Pontevedra e Hamburgo, por cansaço e hipotermia e a sua participação em Pequim podia estar comprometida. Mas que interessa isso? Interessam é as medalhas! E a Vanessa tinha que trazer uma!
Sejamos sinceros: nos próximos quatro anos, só vamos voltar a acompanhar as carreiras de Nelson Évora e Vanessa Fernandes quando estes voltarem a trazer medalhas. Até lá... serão meros atletas que é bom que apresentem resultados em 2012, caso contrário, voltam ao campo de fuzilamento onde todos os outros estiveram este ano. Não foi Tiananmen, mas não andou longe. Castigá-los pelas manifestações públicas de estupidez e derrotismo, não é censurável. Censurável é exigirem-se medalhas e resultados a desconhecidos. Mas o que é verdadeiramente mau é darem a benção aos atletas que até horas antes eram severamente castigados, assim que viram o brilho no ouro de Nelson Évora.

sábado, agosto 23, 2008

Mais uma polémica?

"Obama escolhe Joseph Biden para a vice-presidência"

Fonte: Público

Depois da alegada ligação de Barack Obama ao islamismo e ao mundo das drogas, agora poderá ter surgido nova polémica, esta relacionada com o seu vice-presidente. Joseph Biden tem um apelido que é a junção dos nomes... Bin Laden.

Universal vs Pais

"No ano passado, a norte-americana Stefanie Lenz filmou o seu filho de 13 meses a dançar ao som de Prince e colocou o vídeo no YouTube. Alguns meses depois a Universal entregava um pedido para a remoção do vídeo, com o argumento de que o som de Prince violava os seus direitos. Mas Stefanie Lenz protestou e seis meses depois conseguiu que o seu vídeo fosse recolocado no site de partilha. O argumento utilizado foi o uso razoável, ou fair use no termo original. Um juiz da Califórnia deu agora razão a Stefanie Lenz e deliberou que as empresas devem avaliar o uso razoável das suas obras antes de fazerem um pedido de remoção."

Fonte: Público

Em vez de discutirem se se pode passar a música do Prince, ou a de qualquer outro, discutam o nexo causal existente entre pais que expõem os filhos menores indefesos na internet e a pedofilia. É que no fim de tudo, continuo a achar que, indirectamente, a Universal fez um favor à criança, exibida na internet pelos seus pais babados. Compreendo que os papás do século XXI gostem de expor os seus rebentos, alguns chegando até a ridicularizá-los, mas os mesmos têm que ser mais responsáveis e perceber que ao criarem perfis de hi5, orkut, myspace, entre outros, estão a colocar os seus filhos à mercê de redes de pedofilia e de tráfico de seres humanos. As pessoas têm que se resguardar e proteger aquilo que não só é seu como é indefeso: os filhos. Já repararam quão fútil, e baixo, é os pais preferirem o protagonismo inerente ao aumento do número de visitas ao seu site em vez da segurança e privacidade da criança? A desgraça está ao virar da esquina à nossa espera. Na maior parte dos casos só caímos se quisermos.

Lei anti-tabágica

"A grande maioria dos fumadores concorda com a nova lei do tabaco e a totalidade afirma ter reduzido, em média, 10 por cento do seu consumo diário de cigarros (...) este estudo inquiriu em Abril 400 fumadores e 308 ex-fumadores, e indica que 31 por cento dos que fumam entre 10 e 19 cigarros reduziram o consumo diário."

Fonte: Público

Onde andam todos aqueles que se insurgiram contra a lei do tabaco, alegando que ainda iam sentir mais vontade de fumar porque iam concentrar o vício durante várias horas? E onde é que estão os processos movidos contra António Nunes por fumar num casino e contra a comitiva de José Sócrates que fumou enquanto viajava num avião a caminho da Venezuela? Pior do que continuarmos com exemplos de impunidade, é sabermos que alguns nem sequer têm direito a um processo que atire areia para os olhos da população e lhes permita acreditar, ainda que o mesmo acabe com uma absolvição, que ninguém foge à lei. Estes exemplos, associados ao parecer que afinal exclui as casas de jogo do raio de aplicação da lei do tabaco, só provam que não há vergonha na cara e que tudo se pode fazer quando se é titular do cargo certo. O problema é que, apesar de existirem eleições, o povo insiste em não aprender e continua com a carneirice que já o caracterizava nos tempos de Eça de Queirós e Rafael Bordalo Pinheiro.

Politizando tragédias...

"O ministro das Obras Públicas, Mário Lino, afirmou hoje que o acidente que ocorreu quarta-feira no aeroporto de Barajas, em Madrid, demonstra que "a localização de um aeroporto dentro de uma cidade tem riscos que não deviam ser corridos"

Fonte: Diário Económico

Não é o caminho mais feliz aquele que o Ministro seguiu. Politizar e distorcer um acontecimento trágico de modo a poder defender o seu ponto de vista é das formas mais infelizes e insensíveis de se fazer política. Quando todos choram e lamentam os mortos deste acidente, o Ministro das Obras Públicas deveria ter ido no mesmo sentido, ou então acrescentado algo que realmente contribuísse para a diminuição da lesão provocada pela tragédia. O nível de infelicidade aumenta quando a polémica em torno do aeroporto já acabou em Janeiro com o anúncio oficial da escolha do destino, ainda por cima quando a tragédia nada teve a ver com a proximidade do aeroporto à cidade, dado que o avião se despenhou numa área não residencial, podendo ser essa localização próxima do centro da cidade que permitiu um rápido acesso dos bombeiros ao local.

O clima de insegurança também se deve a estas coisas...

"Golpe rende 2,5 milhões. É o roubo do século."

Fonte: Correio da Manhã

É também graças à comunicação social, especialmente a sensacionalista, com estes títulos de "roubo do século", que o aumento de crimes tem vindo a aumentar. Os indivíduos que realizaram esta operação não ficam imunes ao título: acabaram de entrar para os anais do crime em Portugal. Já imaginaram o quanto não devem os mesmos estar a delirar por saberem que além da quantidade de dinheiro que conseguiram, realizaram um acto histórico e toda a gente fala nisso?
Acresce a isto que qualquer criminoso (ou potencial) que veja um título destes, vai de certeza querer seguir as pisadas destes indivíduos que praticaram um crime que fica na história como "o roubo do século". Até aproveito para deixar aqui um aviso, em tom de profecia: alguém quer apostar em como a partir de agora vamos passar a ouvir falar mais de assaltos a carrinhas de transporte de valores, menos de carjacking e assaltos a bancos, e vamos começar a ouvir falar de roubos nos quais se recorre a explosivos? Não é só a ausência de lei eficaz, a falta de intervenção do poder político ou a negligência dos juízes que contribuem para o aumento da insegurança em Portugal. A comunicação social também tem a sua quota parte e devia haver alguém que colocasse um travão na mesma. Mas, hábeis como são, logo fariam passar a imagem de "fascismo" (comentário barato e fácil utilizado por todos aqueles que querem tornar o nosso país numa anarquia, mas que continua a ter sucesso por cá), e assim não se podem esperar grandes feitos.

quinta-feira, agosto 21, 2008

Jogos Olímpicos 2008 - XVII: Nelson saltou mesmo para o infinito!

"Ao quarto salto, Nelson Évora voou dentro do estádio de "Ninho de Pássaro", com um ensaio a 17,67m. O português, campeão do mundo em Osaca, Japão, em 2007, ainda não o sabia, mas tinha acabado de voar para a medalha de ouro olímpica."

De repente, tudo mudou! Nelson Évora fez de advogado do diabo, e conseguiu o perdão para todos os colegas que foram o espelho do derrotismo ao longo destes Jogos Olímpicos. Já ninguém se lembra do que queria ficar na caminha, ou daquela que queria ir de férias porque as africanas eram fortes. Agora todos se lembram do atleta que parou um país e colou mais de 10 milhões aos ecrãs da televisão, vendo-o voar para o infinito. O infinito valeu ouro... para ele e para todos nós! Afinal, "a Portuguesa" vai-se fazer ouvir, e bem alto, em Pequim! É um campeão humilde, sonhador, ambicioso e pleno de desportivismo! Obrigado, Nelson! Parabéns, Nelson!

quarta-feira, agosto 20, 2008

Acidente da Spanair

"Apenas 28 das 175 pessoas que seguiam a bordo do avião da Spanair que hoje se despenhou no aeroporto de Barajas, em Madrid, sobreviveram ao acidente, de acordo com um balanço dos serviços de emergência espanhóis."

Fonte: Público

Uma companhia aérea lowcost, a voar num avião em fim de vida e com problemas técnicos antes do vôo, o que é que se está à espera? Não há responsabilidade! O barato sai (cada vez mais) caro.

terça-feira, agosto 19, 2008

Jogos Olímpicos 2008 - XVI: Por um ponto se ganha, por um ponto se perde

"O velejador português Gustavo Lima obteve hoje um quinto lugar na "Medal Race", última regata do torneio de vela, classe Laser, falhando por um ponto um lugar no pódio."

"
O velejador português Gustavo Lima anunciou hoje a decisão de abandonar a alta competição, lamentando que as condições de trabalho em Portugal lhe impeçam de estar entre os melhores velejadores do mundo."

Fonte: Público 1 e Público 2

Por um ponto se ganha e por um ponto se perde. Infelizmente, desta vez o azar saiu a Gustavo Lima, não sendo a primeira vez que tal sucede. Ninguém lhe exigiu medalhas, mas exigia-se-lhe ambição. Foi ambicioso, sendo a sua saída em lágrimas a prova disso mesmo, deu o melhor de si, mas infelizmente não foi suficiente. Penso que o Gustavo Lima é dos poucos presentes nos Jogos com legitimidade para recorrer à "desculpa" da falta de apoios. A verdade é que, segundo consta, os apoios para a vela são praticamente nulos e o atleta depende única e exclusivamente do seu amor à modalidade e do companheirismo do número dois português. Isto devia dar que pensar a quem canaliza os fundos para as modalidades: se alguns contam com apoios a mais e profissionalismo a menos, como futebol e judo, outros há que contam com vontade a mais para tão poucos apoios, como é o caso da vela e da ginástica.
Compreendo a frustração que deve ser ter vontade de ir mais além, mas não conseguir. Acima de tudo é demasiado desgastante remar contra a maré. Fica o esforço e a dedicação de um atleta a quem não se pediu nada senão que tivesse vontade de dar tudo o que estivesse ao seu alcance, tendo cumprido o objectivo na íntegra.

Jogos Olímpicos 2008 - XV: Até tu, Naide?!

"Infelizmente não tenho tido sorte com as competições ao ar livre"

Fonte: Público

Que não se atinjam os objectivos, aceito, porque azares acontecem, mesmo aos melhores. Mas aquilo que não posso aceitar é que uma candidata à medalha de ouro acabe em 32.º lugar, com um salto infeliz como aquele que todos vimos (repararam nas hesitações e no medo em saltar?), e dizer que não tem sorte com as competições ao ar livre, quando foi vice-campeã da Europa e quarta classificada nos mundiais, em competições ao ar livre! Que tristeza! Até tu, Naide?!

Jogos Olímpicos 2008 - XIV: A última corrida de Obikwelu

A última corrida...

Foi no passado sábado que Francis Obikwelu se despediu da alta competição, com um 11.º lugar nos Jogos Olímpicos, quatro anos depois de ter conquistado a medalha de prata em Atenas. Dias antes do início dos Jogos de Pequim tinha anunciado que estava no pleno da sua forma. O não apuramento para a final parece contrariar as suas afirmações. Porém, todos os que o criticam parecem esquecer-se que azares todos temos. Obikwelu teve um mau arranque, algo que é fatal numa prova como os 100m e pode acontecer aos melhores e aos grandes campeões. Francis Obikwelu foi e é um campeão! O 11.º lugar é triste, mas não decepcionante. Deu muito a Portugal e ao atletismo nacional e convém não esquecer isso. Pela primeira vez tivemos uma referência nos 100 metros, algo de que mais nenhum país europeu se pode gabar. Haverá alguém que não acredite que Francis tenha dado o seu melhor em Pequim? Poderá alguém criticar Obikwelu por ter sonhado com o ouro? Terá alguém algum dedo a apontar a Francis Obikwelu? E, melhor do que tudo isto, existirá alguém que não se tenha compadecido com o humilde pedido de desculpas que Obikwelu endereçou ao povo português? Todos estivemos com Francis Obikwelu desde que o conhecemos como atleta. Estivemos com ele até ao fim! Quem se lembrará da sua despedida inglória? Ninguém. Pelo menos eu não lembrarei. Faço questão de me lembrar do nigeriano que chegou a Portugal com 16 anos para trabalhar nas obras e que deu muitos títulos a Portugal, tendo conquistado a medalha de Prata nos Jogos Olímpicos de Atenas. Estas são as referências que ficam de Francis Obikwelu. Foi um exemplo para o desporto no tocante a humildade, entrega, dedicação, trabalho e até, pasmem-se, patriotismo! Obikwelu manifestou mais respeito e amor por Portugal do que a esmagadora maioria dos atletas olímpicos. Obrigado por tudo o que deu ao atletismo nacional e que possa contribuir para que no futuro tenhamos outras e melhores referências!

segunda-feira, agosto 18, 2008

Jogos Olímpicos 2008 - XIII: Branca por fora, preta por dentro

Kirsty Coventry com Robert Mugabe

Não. A mulher presente na fotografia não é refém do regime de Robert Mugabe, nem tão-pouco é mais uma "colonizadora" expulsa do Zimbabwe. A mulher presente na foto é Kirsty Coventry, nadadora de 24 anos, que fez com que o 'Blessed be the Land of Zimbabwe' se fizesse ouvir em Pequim, através da conquista de uma medalha de ouro e três de prata nos Jogos Olímpicos de 2008, quando já em Atenas'2004 havia conseguido uma de ouro, uma de prata e outra de bronze.
Robert Mugabe parece ignorar o facto da nadadora ser de raça branca. Chama-a de 'rapariga de ouro' e recompensou-a com 50.000 dólares por ter elevado o nome do Zimbabwe nos Jogos Olímpicos, sendo já criticada por isso nos EUA, país onde treina. Ironia do destino, foi uma branca que deu a glória a um país onde esta raça é cada vez mais ameaçada. Dupla ironia do destino: foi graças ao treino nos EUA, país crítico do regime de Mugabe, que se conseguiu preparar para dar o título olímpico ao Zimbabwe. Branca por fora, preta por dentro, deve ser assim que o Presidente do Zimbabwe a vê.

Jogos Olímpicos 2008 - XII: Mais duas tiradas para a posteridade

"Hoje mesmo, Arnaldo Abrantes, eliminado nos 200m com um dos piores tempos, e Vânia Silva, eliminada na prova do lançamento do martelo, também fizeram declarações que estão a suscitar reacções diversas. Abrantes justificou a sua fraca prestação com o facto de ter "bloqueado" quando viu o estádio olímpico cheio, enquanto Vânia Silva admitiu que "não é muito dada a este tipo de competições" [os Jogos Olímpicos]."

Fonte: Público

Depois de ler estas coisas, só me apetece dizer uma coisa em tom de desabafo: FODA-SE!!!!!! Como é que deixam esta gente representar Portugal onde quer que seja?! Estes dois são os últimos de um leque de indivíduos que nunca vão ser ninguém na vida! A única coisa que Arnaldo Abrantes vai ganhar são as corridas de Cuba do Alentejo, onde poderá correr ao largo de vastos campos de ovelhas vazios, sem público. Aí, sim, ele sente-se à vontade! Já Vânia Silva vai lançar martelos nas competições com que se identifica: os jogos populares do bairro chinês do Martim Moniz! Vendo bem as coisas, esta gentalha é tão pequena que a única coisa que ganhou na vida foi uma viagem paga à China. Como é que alguém consegue viver sem glória e esforço?!

Jogos Olímpicos 2008 - XI: Finalmente, um cheirinho a glória!

"Vanessa Fernandes, de 22 anos, conquistou a medalha de prata na prova de triatlo dos Jogos Olímpicos de Pequim. "Vale como se fosse ouro. É uma medalha importante e que me sabe muito bem", disse, no fim."

Fonte: Público

Finalmente, uma medalhinha para Portugal! Hoje não foi dia de Santa Vanessa, mas esteve quase. Apesar de saber que alguns se sentem desiludidos por não ter sido com Vanessa Fernandes que se fez ouvir "A Portuguesa" em Pequim, não posso deixar de destacar a sua excelente prestação. Afinal, depois de tudo o que já deu a Portugal ao longo da sua ainda curta carreira, batendo recordes atrás de recordes, nos últimos tempos havia desistido de pelo menos duas provas (Pontevedra e Hamburgo), graças ao cansaço e à hipotermia. Esta medalha de prata tem um grande significado para todos nós: representa o sacrifício, a luta, a entrega, o talento e a humildade!
Temos que dar os parabéns a esta menina, por tudo aquilo que significa: uma valente pedra no charco chamado apatia e derrotismo do desporto português! Desta vez não levou o ouro, mas muitas mais oportunidades surgirão! Parabéns, Vanessa! Obrigado, Vanessa!

sexta-feira, agosto 15, 2008

Jogos Olímpicos 2008 - X: definitivamente, já acredito em tudo!

"O treinador de João Neto, Fausto Carvalho, apontou hoje "a desconcentração, as circunstâncias do momento e as actividades marginais à modalidade" como razões principais do desempenho menos positivo do judo português nos Jogos Olímpicos de Pequim. "Achei muito estranho que os atletas pudessem estar dois/três meses antes dos Jogos Olímpicos envolvidos em jantares, recepções e campanhas publicitárias. Tudo isto desgasta e tira muitas horas de trabalho à preparação", criticou."

Fonte: Público

Já há algum tempo que as palavras "vergonha" e "dignidade" haviam sido esquecidas. Mas agora, não só foram esquecidas, como foram riscadas do dicionário deste contingente de turistas portugueses presentes em Pequim. Agora a culpa dos maus resultados é das belas jantaradas que o erário público ajudou a suportar! É curioso que quando participavam nelas e tinham vida de lordes ninguém se lembrou do quanto isso poderia prejudicar a preparação dos atletas e provocar-lhes desgaste! Recordo as duas palavras que esta gente parece ter esquecido: vergonha e dignidade! Quando penso que já vi e ouvi de tudo, eis que sempre surge algo novo que me surpreende e a última foi a desculpa dos jantares. E terem vergonha na cara e um pouco de dignidade, não?
Muito sinceramente, depois de tudo o que tem acontecido nestes Jogos Olímpicos, onde o desporto português tem mostrado o quão fraquinho e podre é, acho que o Secretário de Estado do Desporto deveria repensar a ideia de permitir que atletas que gozem de estatuto internacional venham a ter direito à Segurança Social. Dêem acesso à Segurança Social à Vanessa, ao Évora, ao Obikwelu e à Naide! Ainda que percam, estes parecem ser os únicos que levam o desporto verdadeiramente a sério!