quinta-feira, julho 09, 2009

Lei da paridade: um género de "cunha" para as mulheres e um pouco de feminismo exacerbado

Andava há pouco pelo Twitter e deparei-me com uma das actualizações de Edite Estrela que diz "está provado que uma equilibrada representação feminina nas administrações é vantajosa para as empresas". Ora, o "está provado" da Eurodeputada leva-me a questionar se foi destacada alguma equipa de cientistas que tenha identificado uma variante hormono-intelectual de L-Casei Immunitass e Omega-3 nas mulheres capaz de fazer a diferença no mercado só pelo simples facto de serem mulheres, estando, assim, "provado cientificamente" o fenómeno.
Tirando a hipótese acima referida, acho de todo impossível que as mulheres só por serem a variante feminina do Ser Humano possam ser vantajosas para as empresas, excepto pela combinação que têm com a testosterona masculina. Eu dou um exemplo: hoje fui à Mercedes com o intuito de levar um carro para reparação. Como eu, assim estavam outros clientes. Eis que subitamente aparece uma vendedora da casa vestida e calçada como se estivesse a preparar-se para dançar no varão de um qualquer strip club. Todos, literalmente todos, acompanharam cada passo que ela deu no palco, aliás, no salão, e ficaram atónitos com o que estavam a ver. Por instantes cheguei mesmo a pensar se não estaria na hora de trocar de carro. Felizmente a razão venceu o... coração. Pelo ar dos outros, se não estariam a pensar mudar de carro pelo menos pareciam na disposição de saberem os preços e eventuais condições de financiamento.
Se o relatório científico que sustenta o "está provado" de Edite Estrela se fundamentar neste género de critérios, então, sim, a representação feminina nas administrações é vantajosa para as empresas porque têm argumentos fora do alcance dos homens. No entanto, creio que aquilo que todos desejamos é o fim da guerra dos sexos que nos leva a olhar para o placard de resultados e vemos "homens 60-40 mulheres" o que leva as mulheres a pensar "temos que empatar para depois golearmos os gajos".
Acresce ainda que estas mensagens em Twitters ficam mal a uma Eurodeputada que deveria pugnar pela igualdade entre os sexos e não se regozijar com um "está provado que as mulheres trazem vantagens a...". Se eu fosse mulher e lesse uma coisa destas da boca de um homem sentir-me-ia humilhada, mas se ouvisse isto de uma mulher então cortaria imediatamente os pulsos! Continuo a achar que as mulheres trazem tantas vantagens quanto os homens se tiverem a mesma competência e capacidade. Este tipo de feminismo exacerbado e mal disfarçado só me leva a concluir que algumas mulheres apoiam-se na lei da paridade, nas quotas e nos "relatórios científicos de Edite Estrela" para conseguirem uma cunha para chegar a cargos que de outra forma não chegariam.
Em vez de se preocuparem com leis e números, o que contribui para o aumento da separação entre homens e mulheres e para uma inferiorização do género que com uma lei destas lhe vê ser passado um atestado de inferioridade e incapacidade, preocupem-se em mostrar o mérito que têm e em conquistar o vosso espaço pelos mesmos meios que os homens: através do trabalho!

1 comentário:

Pedro Sá disse...

Isso é o lobby já a pedir leis de paridade nas administrações... :S

Mas seria interessante que Edite Estrela divulgasse ONDE é que isso está provado. Para que se possam avaliar tais relatórios.